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Os riscos proibitivos de um estádio em Cubatão


Vale a pena construir um estádio ali só porque o terreno é de graça?

Tana Blaze é o psedônimo de um respeitável santista que há anos vive na Europa. Experiente em várias áreas, ele nos concede, com o texto abaixo, uma visão profissional, imparcial e profunda da possibilidade aventada da construção de um estádio em Cubatão. Publico-o e assino embaixo, pois considero este texto o mais esclarecedor sobre a questão “construção de estádios de futebol” que já li.

Por Tana Blaze, um santista internacional

1 – O mau e o bom exemplo do Palmeiras para o Santos

A queda do Palmeiras é resultado do desequilíbrio financeiro de longa data. Ao ser rebaixado foi obrigado a pedir mais um adiantamento de 10 milhões de reais à Rede Globo, dinheiro que faltará no futuro e que deve se somar ao montante de pagamentos antecipados de cotas da Globo de 67 milhões de reais, já existentes no passivo do balanço de outubro de 2012. As dívidas financeiras do Palmeiras também são nitidamente superiores às do Santos. No exercício de 2011 as despesas financeiras líquidas alviverdes atingiram 26 milhões de reais.

Mas, ao contrário do que se possa imaginar, os investimentos na nova Arena Palestra não contribuíram com nenhum centavo para a situação precária do alviverde, pelo menos na fase da construção, pois são feitos por conta e risco da WTorre. Também porque ninguém neste mundo daria crédito ao Palmeiras, muito menos no montante do investimento no novo estádio.

Foi com base na ótima localização do Parque Antártica, em região central e valorizada de São Paulo e ligado ao metrô, que a WTorre resolveu construir o estádio por conta própria, que deverá se amortizar com eventos, jogos de futebol de mando do Palmeiras e vendas de camarotes e cativas. A WTorre, para a qual foi passada a escritura do terreno, será proprietária do estádio durante 30 anos, arcará com os custos de manutenção e reterá um percentual significante das receitas da venda de ingressos de jogos de futebol e outros eventos.

Apesar das críticas da administração Tirone à predecessora, o contrato com a WTorre é em princípio um bom negócio para o Palmeiras. Mas com os adiantamentos da Globo já torrados e com dívidas muito altas e imóveis penhorados, a retenção da receita de bilheteria pela WTorre, não irá facilitar a vida do clube. O risco de falência do Palmeiras persistirá no futuro próximo, menos por causa da construção do estádio e mais devido à dívida imensa acumulada antes da construção.

Indubitavelmente, além do tamanho da torcida, a ótima localização do imóvel do Palmeiras foi determinante para o investimento inteiramente financiado por terceiros, com ótimas possibilidades de ser autossustentável e mais do que isso, altamente rentável.

O exemplo do Palmeiras mostra duas coisas ao Santos:

Primeiro como é perigoso um clube permanecer excessivamente endividado e que a atual administração do Santos fez muitíssimo bem em priorizar o saneamento financeiro.

Em segundo lugar o exemplo do Palmeiras mostra que se o estádio do Santos for construído numa localização ótima, haverá a possibilidade de um investimento por conta de terceiros, sem garantias por parte do Santos, caso este não se amortize para o investidor no prazo esperado.

A retenção de parte das receitas de bilheteria por um investidor nos jogos de mando do Santos, seria justificável, visto que a receita de bilheteria atual da Vila Belmiro não chega a ser alta, podendo ser compensada por outras vantagens decorrentes do estádio, como o aumento do número de sócios. Portanto é perfeitamente possível construir um estádio, sem que os cofres do Santos sejam onerados na fase de construção. Desde que a localização do terreno seja ótima.

2 – A localização para a construção de um estádio sem ônus para o Santos

Se indagados sobre quais seriam os três critérios mais importantes para a escolha de um imóvel em ordem decrescente, corretores imobiliários de qualquer parte do mundo possivelmente dariam aquela resposta clássica: primeiro a localização, segundo a localização e terceiro a localização.

Com o maior respeito por Cubatão, sofrido pela poluição química e visual, para que milhões pudessem ser beneficiados com aço e produtos químicos, acho que mesmo com a redução exemplar da emissão de poluentes, Cubatão não entusiasmará nenhum investidor sério a construir um estádio na base de risco próprio, como fez a WTorre. E se arriscar, vai ter um risco alto de se dar mal. Imagino até que a diretoria do Santos disponha de um estudo de mercado que viabilize um estádio em Cubatão. Infelizmente muitos estudos definem mercados ao gosto de quem os encomenda. Muitos investimentos fracassados foram baseados numa apreciação do mercado furada, um “wishful thinking“. Tanto um shopping center, como um centro de convenções ou um hotel ligados a um estádio em Cubatão seriam facilmente ofuscados por equivalentes em locais mais aprazíveis em Santos ou Guarujá, perto da orla. Tampouco paulistanos irão descer a serra, pagar pedágio apenas só para ir a um shopping center.

O fato de o Santos, em jogos de mando principalmente na Vila Belmiro, MESMO COM O NEYMAR, ter um dos três ou quatro piores públicos do Brasileirão, prova cabalmente que 1) a torcida do Santos na Baixada disposta a ir aos estádios é pequena e 2) que torcedores santistas do planalto pouco descem a serra para assistir aos jogos. Então construir um estádio gigante para poucos espectadores na Baixada?

A Aglomeração Urbana de São Paulo, incluindo Campinas, Baixada Santista e Mogi das Cruzes, têm cerca de 30 milhões de habitantes. Destes, menos de dois milhões estão na Baixada Santista e 28 milhões no planalto. Ademais, grande parte da torcida santista está em regiões interioranas do além Campinas e chega mais facilmente a São Paulo do que a Cubatão. Então de qual lado da barreira representada pela Serra do Mar construir o estádio? Não em porcentagem, mas em número há comprovadamente mais torcedores santistas em São Paulo do que na Baixada.

3 – A vantagem estratégica do Santos em ser o último da fila, podendo “pagar para ver”

Por ser o último dos grandes paulistas a construir um estádio grande, o Santos terá o privilégio de poder incluir itens que sejam mais competitivos que os do Morumbi, Palestra e Itaquerão. Poderá obsoletar com uma só cartada os monstros de concreto armado dos rivais.

O Morumbi já nasceu obsoleto para o futebol, porque os assentos estão muito distantes do campo, devido à pista de atletismo. Além do mais, tem hoje muitos pontos cegos. O Vilanova Artigas nunca deve ter ido a Epidauro e ao alçapão. Uma temeridade o São Paulo investir mais de 300 milhões de reais neste complexo obsoleto. O sucesso do Morumbi se deveu unicamente ao fato de que não tinha concorrência. Os três estádios rivais não terão muitos estacionamentos. O Palestra e o Morumbi, ao contrário de como se auto intitulam, são apenas parcialmente multiuso, porque o céu aberto e o gramado representam limitações. A parte dos dois estádios que é coberta além da arquibancada e tem forma de meia elipse formará o anfiteatro, que permite shows, mas não serve para jogos de cancha coberta sobre outros pisos.

O Itaquerão nem se define por multiuso. A AEG, Anschutz Entertainment Group, que promove eventos ao vivo, e que fechou um contrato com a WTorre, teria se recusado a fechar com o Corinthians por considerar o Itaquerão muito distante do Centro, numa região pouco atraente.

Quais seriam os itens que permitiriam a um estádio do Santos superar em termos de competitividade os três estádios rivais? Fora os sempre comentados, como maior numero de estacionamentos, existem os dois itens que levariam a um multiuso mais amplo, mas requereriam um investimento maior: a cobertura completa e o gramado trocável por outro piso, atualmente existente apenas em quatro estádios do mundo.

A possibilidade de cobertura completa e de variação dos pisos permitiria jogos de quadra coberta, utilizando apenas uma metade do campo e montando uma arquibancada móvel no meio do campo, ou em outra posição desejada, para “fechar” a quadra, podendo assim realizar campeonatos de tênis, basquete, vôlei, handebol, lutas e outros. O estádio aberto poderá assim se converter num ginásio para jogos de quadra coberta. Fora toda a gama de esportes e shows, os estádios comportam hoje missas, circos, rodeios, tractorpulling, corridas speedway, motorcross, de monstercars, stock-cars e touring-cars, sem falar dos esportes sobre neve e gelo artificial. Tudo sem necessitar estragar o gramado.

Quem nunca viu gramado rolando para fora ou dentro do estádio, para alternar com outro piso, poderá ver no Youtube “Making of Stadium- Rolling Field”, mostrando o estádio da Glendale University em Phoenix, Arizona, finalizado em 2009, que é um dos quatro no mundo do gênero. O seu campo de grama para futebol americano foi plantado sobre uma bacia gigante de aço que pode ser rolada hidraulicamente para fora do estádio, abrindo espaços para outros eventos. Um quinto estádio, o Grand Stade Métropole em Lille, com 50.000 lugares para jogos de futebol e de rugby, inaugurado em 2012, adotou outra solução. Uma metade do gramado pode ser içada a uma posição acima da outra metade do gramado fixa, abrindo assim o espaço de uma metade do campo para outros eventos, denominada por “Boîte à Spectacles”.

A Arena Veltins em Gelsenkirchen na Alemanha do Schalke, com 61.000 lugares para eventos nacionais ou 54.000 pelo padrão da FIFA, inaugurada em 2001 e utilizada na Copa de 2006, cujo gramado também pode se rolado fora do estádio e com cobertura que pode fechar completamente, é um estádio verdadeiramente multiuso. A arena custou de 350 milhões de Marcos, ou seja, 179 milhões de Euros e estará amortizada ao cabo de 17 anos em 2018. À taxa de câmbio atual e considerando a inflação acumulada na Alemanha de 20% no período de 11 anos, custou a valores atuais cerca da 600 milhões de reais.

A Arena do Schalke é também palco em perímetro reduzido para jogos de quadra, como handebol, e já foi palco em perímetro completo com teto fechado de duas lutas dos irmãos Klitschko com público de até 61.000 espectadores por luta. Sem falar dos biathlons sobre neve artificial e de óperas. Se considera “a maior casa de ópera do mundo”, já tendo passado Aída, Carmen, La Traviata, Turandot.

Outra vantagem do gramado rolante é a velocidade com a qual o estádio pode ser readaptado. Seria possível jogar uma final de basquete ou tênis e poucas horas depois promover um jogo de futebol no gramado intacto e refrescado pelo ar livre.

Não postulo que o investidor aliado ao Santos tenha de construir um gramado que possa rolar para fora do estádio e um teto que feche completamente, mas pelo menos poderia construir de tal forma que estes itens possam ser agregados no futuro, sem que sejam necessárias demolições.

O desafio do Santos será competir com a proximidade do metrô dos estádios rivais.

4 – Como investir a poupança do Santos. Ou: a localização do estádio é tudo

Em vez de fazer uma loucura pelo Robinho, que tem poucos anos de futebol pela frente, utilizaria os 15 milhões de euros, dos provavelmente 30 milhões de redução de dividas ao término da atual gestão, na compra de um terreno favorável para a construção de um estádio num local bem servido por transportes públicos no planalto paulista. Terrenos costumam até valorizar e em caso de imprevisto podem ser revendidos. A recusa da AEG de fazer uma parceria com o Corinthians por causa da localização do Itaquerão mostra mais uma vez a importância preponderante do critério localização.

O Grêmio também não caiu na tentação de uma oferta gratuita de um terreno por parte de município que não tenha a localização adequada. Abandonou o estádio Olímpico porque não era autossustentável. Comprou um terreno por 50 milhões de Reais, ou seja, cerca de 17 milhões de euros, para construir uma arena multiuso com ótimas possibilidades de ser autossustentável.

Se o Santos não estabelecer uma presença no lado da barreira da Serra do Mar, no qual estão 28 milhões de habitantes, só por causa de uma oferta de terreno gratuita em Cubatão, daqui a 20 anos arriscará voltar a ser um time que só terá presença na Baixada, como antes de 1955. Antes do advento do Neymar a sua torcida com idade menor de 24 anos, vinha caindo na Grande São Paulo de 10% da era Pelé para 3%.

O Santos terá que agir como o Grêmio e comprar um terreno muito bem localizado, para, como o Palmeiras, poder arranjar um investidor que construa o estádio por conta própria. Se não em Diadema perto da Imigrantes, talvez no local de uma fábrica velha perto de uma estação da Ferrovia Santos-Jundiaí. Ou mesmo em São Paulo nas imediações da Estação de Metrô Santos –Imigrantes, perto da Imigrantes e da Anchieta. O nome da estação de metrô dedicado ao Santos parece até convite para construir neste local, por sinal bem melhor que Itaquera. NOMEN EST OMEN, nome é destino!

Se a localização for ótima, seria possível que investidores participem também no financiamento do terreno. Com um estádio verdadeiramente multiuso, pode-se angariar multi-patrocínios. Aos dos que patrocinam o futebol, poderiam se juntar os que patrocinam jogos de vôlei, basquete, tênis, lutas e outros. Multiuso não é moda nem luxo, é investir mais para aumentar a ocupação do estádio de forma significante, diluindo os custos e reduzindo o tempo de amortização.

Mesmo que o público de apenas 15.000 pessoas, que foi ver o show da cinquentona Madonna, que veio pouco depois da Lady Gaga, tenha sido considerado pequeno, a receita de bilheteria de estimados três milhões de reais, assumindo-se um preço médio de 200 reais por ingressos, foi superior a qualquer renda de jogo de Brasileirão. A grande importância financeira dos eventos, acaba de ser manifestada com o desespero do São Paulo em investir um valor superior a 300 milhões de reais no Morumbi obsoleto, copiando o ”anfiteatro” do Palestra, para tentar salvar o possível face à nova concorrência do Parque Antártica. Investimento que não é feito para os torcedores da arquibancada superior, que ficaram 50 anos no sol e na chuva, mas para os que visitam os shows. Os preços de ingressos para certos eventos chegam a ser múltiplos dos preços de ingressos do futebol.

O Santos deveria tentar tocar um projeto baseado num terreno ótimo, bem servido por transportes públicos, junto a incorporadores, investidores e diversas entidades esportivas e de eventos que se interessem por compartilhar uma arena multiuso. Pena que o beisebol, o rugby e o futebol americano não sejam populares no Brasil, porque o estádio Sapporo Dome no Japão, no qual foram realizados jogos da Copa de 2002, tem um gramado rolante para os jogos de futebol do Consadole Sapporo e um gramado sintético rolante para partidas de beisebol do Hokkaido Nippon, dois clubes que ali mandam as suas partidas e dividem os custos.

5 – Melhor nada fazer, que deixar um legado ruinoso

Apesar da opinião contrária de muitos santistas, a Globo informou em 7 de dezembro que o Projeto Cubatão continua na mira da direção do Santos. Parece que a direção do Santos está preparando a torcida para um estádio em Cubatão, soltando pequenos “press releases”, que acabam virando um fato consumado.

Receio o mesmo raciocínio que fez a direção mirar o Bill. Num caso mirou a gratuidade dos direitos do Bill, noutro caso estaria mirando o preço vantajoso do terreno em Cubatão. Sem considerar que o custo de oportunidade poderá ser ruinoso para o Santos, na medida em que a torcida santista do planalto não comparecer e empresários não conseguirem colocar eventos de valia econômica.

Melhor que deixar um legado ruinoso em Cubatão ou do tipo arrendamento do Pacaembu, seria aguardar e deixar a decisão para uma administração futura, com base numa melhor oportunidade e um projeto bem fundado.

Esperava-se desta administração, com seu Comitê de Gestão composto por executivos de topo, familiarizados com grandes transações, em contato com os setores importantes da economia, como foi o Luiz Gonzaga Belluzzo no Palmeiras, e com um presidente que se rotula como um dos maiores peritos em assuntos imobiliários no Brasil, um projeto bem estruturado e ofensivo com um grupo de trabalho e análise e desenvolvimento de diversas opções no que se refere à questão do estádio. Nada disso parece acontecer.”

Existindo a chance histórica de superar os estádios do trio da capital, com terceiros financiando parte do projeto por conta própria, seria nefasto o Santos se apequenar para escanteio em Cubatão.

Você acha que o Santos ter estádio em Cubatão, ou escolher uma localização melhor?


Estádio em Cubatão é economicamente inviável

Soube que a assessoria de imprensa do Santos programa uma entrevista coletiva do presidente Luis Álvaro em que ele anunciará o projeto – com orçamento inicial de R$ 650 milhões – de se construir o novo estádio do Santos em Cubatão.

Acho que o presidente deveria ouvir mais os santistas antes de fazer este anúncio, que corre o risco de entrar no rol das frases vazias, como aquela de que o Santos venderia o espetáculo e não os artistas. Estudos sérios comprovam que investir em um estádio grande e moderno na Baixada Santista corem um risco enorme de fracassar.

Estudos de quem? Estudos da construtora que faria o estádio em Diadema, projeto dos mesmos empresários alemães que construíram o Amsterdam Arena. Antes de anunciar ao mundo a proposta, os alemães encomendaram uma minuciosa pesquisa de mercado, que chegou às seguintes conclusões:

A Grande São Paulo tem 1,5 milhão de santistas, e a Baixada tem 500 mil. Um estádio como estes só se paga com a venda antecipada de camarotes. Um pouco mais de oitenta por cento dos compradores potenciais de camarotes do estádio do Santos moram na Grande São Paulo. Portanto, um estádio na Baixada Santista corre o risco de se tornar uma obra inacabada.

E mesmo que seja concluída, qual seria sua ocupação média? O que leva a crer que terá muito mais do que os sete mil pagantes da Vila Belmiro? Sua beleza? Sua proximidade com São Paulo? Bem, a verdade é que os obstáculos que reduzem o público na Vila Belmiro poderão ser até maiores em Cubatão.

Pedágio, transporte coletivo…

Além da distância, um fator que impede maior afluxo de torcedores da Grande São Paulo à Vila Belmiro é a despesa – com combustível, alimentação e, principalmente pedágio. Em Cubatão o problema continuará a existir, com o agravante de que o torcedor de fora estará distante das opções de um centro mais urbanizado, como é Santos.

Outro fator que atrapalha as rendas do Urbano Caldeira é o menor poder aquisitivo dos santistas de Santos. Se mesmo podendo ir a pé ao estádio, muitos preferem assistir aos jogos dos botecos, por que esperar que os torcedores gastarão tempo e dinheiro com transporte para deslocar-se até Cubatão?

Cadê a pesquisa?

É inadmissível que a diretoria do Santos ainda não tenha uma idéia exata do perfil de seus torcedores. A pesquisa seria simplíssima: é só perguntar aos santistas que comparecem à Vila Belmiro em que cidade eles moram. Isso feito por uns 10 jogos e já se saberia a real estratificação dos torcedores no Urbano Caldeira.

A mesma pesquisa em jogos do Santos no Pacaembu traria informações importantes que, cruzadas, mostrariam onde é melhor para o clube e, principalmente, para a maioria de seus torcedores, construir o seu estádio permanente.

Não se pode admitir que depois de assumir o clube prometendo uma gestão moderna, científica etc etc, essa diretoria, Luis Álvaro à frente, anuncie um estádio em Cubatão apenas para aproveitar a sofreguidão da Copa. De elefantes brancos o Brasil já está cheio. O Engenhão é um exemplo. Não se pode erguer uma obra gigantesca apenas por uma questão de oportunismo, sem analisar todos os prós e contras.

O barato pode sair caro

Confesso que não sei, mas, convenhamos, que esses R$ 650 milhões sejam dados de graça para o Santos e que o clube só terá de ceder seu nome para a exploração do espaço comercial e publicitário do estádio. Parecerá a todos um negócio da China, não?

Mas, mesmo que o Santos não invista um tostão, o que acho difícil, ninguém dá R$ 650 milhões sem pedir nada em troca. Assim, o Santos terá de se comprometer a realizar um certo número de jogos no estádio, mesmo que este se transforme em um ponto micado. E aí, como ficarão as opções de se jogar na cidade de Santos e em São Paulo?

Pacaembu, hoje, é a melhor opção

Superstições à parte, o Pacaembu é, hoje, o estádio de maior rentabilidade para o Santos. E será ainda mais interessante com a construção do estádio do Corinthians em Itaquera, pois os outros três grandes clubes da capital terão os seus estádios e o Paulo Machado de Carvalho poderá receber apenas jogos do Peixe, aumentando sua identidade com o torcedor santista.

Hoje a prefeitura de São Paulo está disposta a um belo acordo para ter o Santos jogando no seu estádio municipal. O aluguel que era de 12% ao dia e 15% à noite pode cair para 6% e 7%, respectivamente. O Santos também poderá fazer ações de marketing e explorar espaços do estádio durante os jogos.

O que o torcedor quer

Até o momento em que escrevo este artigo, 960 pessoas votaram na pesquisa deste blog, que pergunta “Como você gostaria que fosse o estádio do Santos”. É uma boa amostragem, já que os votos são únicos e institutos de pesquisa já fizeram enquetes ouvindo até menos pessoas.

Somando-se os que gostariam de ver a Vila Belmiro ampliada (34%), um estádio maior e moderno em Santos (27%) e a Vila Belmiro do jeito que está (3%), temos 64% dos votantes. Portanto, a maioria quer que a casa do Santos continue sendo a cidade de Santos. Eu disse Santos, e não Itanhaén, Mongaguá, Praia Grande, Cubatão…

Porém, 16% quer um estádio maior e moderno em São Paulo, 10% prefere o estádio em Diadema e 10% gosta do rodízio entre a Vila e o Pacaembu, o que dá 36%.

Se a questão envolvesse um estádio em Cubabão, qual seria a porcentagem? É uma pergunta que deveria ser inserida no site oficial do Santos, nos boletos de cobrança, na TV e na Rádio Santos, enfim, deveria ser feita exaustivamente antes de anunciar publicamente o projeto de um estádio.

Já que não será em Santos, qual a diferença de o estádio ser em Diadema, também às margens da Imigrantes, mas bem mais perto do público consumidor do Santos, que fica na Zona Sul de São Paulo e no ABCD?

Será que, além deste público, não deveria ser feita uma pesquisa com empresários e potenciais patrocinadores? Afinal, serão eles que irão viabilizar economicamente o estádio. De que adianta lançar um balão de ensaio sem ter a certeza de que ele vingará? Por que essa precipitação?

Bem, mas esta é apenas a minha opinião. Agora quero saber a sua. Você é a favor ou contra um estádio do Santos em Cubatão?


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