Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

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Novo estádio em Santos?

O presidente Modesto Roma continua insistindo na ideia de o Santos ter um novo estádio em sua cidade. Como o projeto da arena no terreno do Portuários foi barrado, unanimemente, pelos conselheiros da Portuguesa Santista, Roma agora quer fazer uma parceria com o Jabaquara para erguer o estádio santista onde fica o tradicional Caneleira, do Jabuca.

Toda ideia empresarial, em princípio, é válida, e pode ser concretizada desde que estudos prévios e um bom planejamento comprovem que ela tem possibilidades reais de sucesso. Do contrário, o empreendimento terá grande possibilidade de se transformar em uma fonte de grande prejuízo. No caso de um novo estádio de futebol na cidade de Santos, nada indica que o mercado local comporte mais um, ou que atenda aos interesses do Santos.

A primeira informação que se tem hoje, de concreto, é a frequência da Vila Belmiro, que em 2016 não chegou a 10 mil pessoas por partida. Em 34 jogos com seu mando de campo o Santos alcançou a média de 10.469 pagantes, mas nesse total estão incluídos os jogos no Pacaembu, que atraem um público bem maior do que no Urbano Caldeira.

Porém, como a Vila Belmiro reduziu sua capacidade, pesquisei o ano de 1962, considerado o melhor em toda a história do clube, pois nele o Santos ganhou todos os títulos oficiais que disputou. Nele o time jogou uma final de Copa Libertadores no Urbano Caldeira, além de jogos importantes do Campeonato Paulista, que lhe deram o tricampeonato estadual.

Em 1962, ano do seu cinquentenário, o Alvinegro Praiano realizou 26 jogos no Urbano Caldeira, entre oficiais e amistosos. Seu recorde de público ocorreu no dia 2 de agosto, pela final da Libertadores, em que perdeu para o Peñarol por 3 a 2. Naquele dia, 23 mil pessoas se apertaram para testemunhar o título sul-americano, que viria com um empate, mas não veio e só foi conseguido na terceira partida, em Buenos Aires, quando o Santos venceu por 3 a 0.

Pois bem. Naquele ano mágico de 1962, em que era considerado o melhor time do mundo e tinha o lendário ataque Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe, o Santos teve a média de público, em jogos na Vila Belmiro, de 11.923 pessoas. Uma curiosidade: no primeiro jogo no estádio, após a conquista do título mundial, com todas as feras em campo, o público foi de 7.600 pessoas.

A conclusão que se chega, ao estudar a média histórica de público dos jogos do Santos em Santos, é que esperar uma média superior a 18 mil pessoas, como seria o necessário para se pagar, em décadas, a arena no Portuários, seria uma grande temeridade, quase um loucura. E ainda haverá o agravante do preço médio dos ingressos.

Infelizmente o País passa por um crise de empregos e salários, e a Baixada Santista não é exceção. Ao contrário. O cancelamento das operações do pré-sal frustrou a economia da região. No final de 2016 a a crise econômica atingiu em cheio o Porto de Santos, que demitiu 10 por cento, ou 1.500 dos seus 15 mil empregados. Outra empresa que gera muitos empregos na cidade, a Cosipa, também está em má situação. O sucesso de um estádio na cidade teria de se basear em uma grande frequência dos santistas de fora da Santos, mormente de São Paulo. Porém, os custos da viagem, somados aos dos ingressos, mais caros do que o normal, não permitem boas perspectivas.

Sem os mais elementares estudos prévios, o negócio seria fechado unicamente pelo feeling e pela vontade do presidente Modesto Roma, que, entretanto, não tem se mostrado um empresário bem sucedido em suas ações individuais.

Como já foi dito inúmeras vezes, a solução do problema “média de público” do Santos passa, obrigatoriamente, por mais jogos no Pacaembu – alternativa que tem sido descartada pelo presidente Roma simplesmente por motivos políticos, pois sabe que os santistas da capital nutrem grande rejeição pelo seu nome. Parece que ao menos nesse ano eleitoral de 2017 esse quadro mudará. Porém, ao anunciar um novo estádio, agora no terreno onde fica o Caneleira, do Jabaquara, Roma mostra que não desistiu de sua onerosa fantasia.

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A verdade e a politicagem

Em conversa com Tana Blaze, há duas semanas, oportunidade em que o conheci pessoalmente, ele disse que para evitar as desagradáveis reações que geralmente acompanham opiniões sinceras sobre o aspecto administrativo dos clubes, no caso o nosso Santos, não escreverá mais para o blog. Uma pena, claro. Pois o mundo da Internet e o mundo em geral seriam melhores se as pessoas pudessem ser sinceras e, mesmo assim, respeitadas. Evitaria a politicagem, a babação de ovo e também as dores de cotovelo tão comuns nas relações atuais. De qualquer forma, aproveitei nossa conversa e quis extrair dele, um homem experiente, acostumado a acompanhar o bem sucedido futebol europeu, quais seriam as saídas reais para o nosso Santos no quesito estádio.

Mesmo criado em São Vicente, Tana é um homem universal, cujas ideias não estão restritas a limites geográficos. Respondeu que o momento é bom para se comprar um belo terreno no melhor lugar para se erguer um estádio do Santos. Argumentei que o clube tem mais de 400 milhões de reais em dívidas, como poderia fazer isso? Ele explicou que não precisa comprar, mas conseguir uma opção de compra. Com essa opção de compra na mão, o clube atrairia empresas interessadas na parceria, pois quem não quer ser sócio de um estádio do Santos na Capital?

Na Capital?, estranhei, sabendo como essa informação mexeria com os humores de algumas pessoas. Tranquilamente, ele explicou que um investidor quer se envolver em um negócio à espera do maior retorno possível, e em São Paulo o Santos teria um público médio similar ao dos outros três grandes do Estado. Sempre foi assim, por que mudaria agora?

Como Tana mora em Munique e conhece muito bem o futebol alemão, argumentei que a cidade de Dortmund tem 580 mil habitantes, apenas 160 mil a mais do que Santos, e o estádio do Borussia Dortmund, que comporta exatos 81.359 espectadores, está quase sempre lotado. Por que Santos não poderia lotar um estádio com, ao menos, 28 mil pessoas, por exemplo?

Tana explicou, pacientemente, que, na verdade, Dortmund fica em uma região formada por outras cidades que no total somam cinco milhões de habitantes. Lembrou, ainda, que cerca de 15 mil lugares do estádio estão reservados para quem se sujeita a assistir aos jogos de pé. Geralmente os jovens optam por essa alternativa mais barata. Além do mais, cada jogo é muito bem promovido, com muitas facilidades para o torcedor.

Confessei a ele que torci muito para o pré-sal dar certo, pois Santos ganharia milhares de assalariados bem pagos pela Petrobrás e isso, certamente, aumentaria a média de público nos jogos na Vila Belmiro, hoje uma das menores da Série A do Brasileiro. Para complicar, a Usiminas e o Porto estão com dificuldades e aumentou o número de desempregados na cidade, assim como aumentou na Capital. Sem o rodízio de jogos entre Vila e Pacaembu, ressaltei, a média de público das partidas do Santos cairá ainda mais.

Tana só ouviu. Com o pragmatismo de um brasileiro-alemão que agora é, já tinha dito o mais importante que tinha a dizer e se calou. Concordei que o melhor lugar para um novo estádio do Santos, diante do momento econômico que o País atravessa e diante das projeções de crescimento para a metrópole e para a Baixada Santista, seria mesmo a região da Grande São Paulo, mas disse que ainda achava mais econômica a possibilidade de alugar o Pacaembu, quando preciso.

Quanto à formação dos Meninos da Vila, continuaria sendo feita na Vila Belmiro. Assim como a Flórida é a região das academias de tênis, por que Santos não poderia se transformar na cidade do futebol, atraindo jovens de todo o mundo para se aperfeiçoarem ali no esporte mais popular do planeta? Isso geraria empregos para os profissionais do futebol santista e movimentaria ainda mais o turismo da cidade. Tana gostou dessa ideia. A formação de jovens continuaria na aprazível Santos e os jogos seriam na efervescente São Paulo. O clube usufruiria o bom das duas regiões.

O patrocínio da Caixa

Tenho sido inquirido sobre esse provável patrocínio da Caixa ao Santos, que deve se confirmar no ano que vem. Para ser coerente com tudo o que já expusemos aqui, não sou favorável a que uma empresa estatal, ainda mais em situação financeira difícil, invista em clubes de futebol. Sei que alguns queridinhos pagaram e pagam suas dívidas graças a essas benesses, mas há tantas empresas privadas no mercado, que não vejo necessidade de se buscar dinheiro em uma estatal.

Presidente do Conselho aceitou abaixo-assinado

O presidente do Conselho Deliberativo do Santos, Fernando Gallotti Bonavides, deferiu o documento assinado por 80 conselheiros, pedindo que dê andamento ao processo de rejeição das contas do clube em 2015, o que exigirá as devidas explicações da diretoria presidida por Modesto Roma. Segue abaixo a íntegra do documento:

Santos, 5 de outubro de 2016.

Ofício nº 476/16.

Ilustres Senhores Conselheiros:

Considerando o requerimento assinado por 80 membros do Conselho Deliberativo, encaminhado à Presidência da Mesa Diretiva deste Egrégio Conselho, pelo Nobre Conselheiro Alberto Pfeifer Filho, no dia 30 de setembro p.p., solicitando a reconsideração da decisão da Mesa de se aguardar o trâmite processual da citada ação, em grau de recurso, alusiva as Demonstrações Financeiras do ano de 2.015 e examinado a invocação do “trâmite legal estabelecido no Estatuto Social do Clube”, em consonância a existência do interesse do Santos Futebol Clube na solução do impasse, a Mesa defere esse requerimento, encaminhando para o Conselho Fiscal, nos termos do artigo 93, § 6º; letra “e”, com os esclarecimentos prestados pela Gerência Jurídica do S.F.C., datada de 9 de maio de 2.106, para após, análise do respeitável Conselho Fiscal e expedição de “novo parecer”, conforme previsão Estatutária.

Atenciosamente;

Fernando Gallotti Bonavides
Presidente

Bolívia ou Alemanha?

Quem tem acompanhado as manifestações de júbilo de nossa imprensa esportiva pode até imaginar que o Brasil não goleou a débil Bolívia, mas sim a poderosa Alemanha. Com todo o respeito aos bolivianos, até este Santos, com suas conhecidas limitações, enfiaria um chocolate goela adentro dos nossos queridos vizinhos. Já tem gente comparando o Tite ao Rinus Mitchel. Menos, menos… Como não está dando para falar do alvinegro da capital, falam do Tite, do Renato Augusto e, às vezes, do Gabriel Jesus. Mas quem está arrebentando é o Neymar, como sempre.

Festa na embaixada de São José dos Campos

Alô, alô, santistas de São José dos Campos e região. Neste domingo, dia 9, a partir das 9 horas, a Embaixada do Peixe em São José dos Campos promove a festa “Futebol e Churrasco”, com a exposição da Taça de Campeão Paulista de 2016 e a apresentação da Nova Camisa III.
O evento será realizado na Associação Sabesp, na Travessa Lineu de Moura, 522, próximo ao Clube Santa Rita.
Contribuições para participar da festa:
Futebol: 10 reais.
Churrasco individual: 25 reais. Churrasco dupla: 40 reais. Número da rifa, com diversos prêmios: 10 reais para Sócio e 15 reais para não sócio.

Promoção dos livros Time dos Sonhos e Dossiê acaba neste domingo

Só para lembrar que nesse domingo, às 24 horas, acaba a promoção do livro Time dos Sonhos. Até lá, quem comprar apenas um exemplar do livro que é chamado A Bíblia do Santista, receberá mais um exemplar gratuitamente, ou, se preferir, um exemplar do Dossiê, além de três livros eletrônicos: Donos da Terra, Ser Santista e Pedrinho escolheu um time. Tudo isso por apenas 68 reais, com as despesas de correio incluídas.

A partir de segunda-feira a livraria do blog zerará o seu estoque e só voltará a funcionar em novembro. Se quer receber um livro nesse período, vá à página “Comprar Livros” neste blog, ou clique no link abaixo para comprar apenas um exemplar do livro Time dos Sonhos e receber outros quatro de presente:
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E você, o que acha disso?


A fábula do estádio gratuito

É ouro! É Brasil! É santista!

Veja só que maravilha: o atleta Thiago Braz da Silva, de 22 anos, que ontem realizou a maior façanha do esporte brasileiro nessa Olimpíada, ao ganhar a medalha de ouro e bater o recorde olímpico do dificílimo salto com vara, com 6m03, nasceu em Marília, mas é torcedor do Glorioso Alvinegro Praiano.

Aqui no Blog do Odir você sempre terá condições especiais para ler os livros escritor por mim. Decidi que até o dia 31 de agosto quem adquirir o livro Time dos Sonhos receberá um exemplar de Sonhos mais que possíveis e as versões eletrônicas (PDFs) de Donos da Terra, Ser Santista e Pedrinho escolheu um time. É só comprar o Time dos Sonhos que eu envio os outros, sem despesa de correio. Tudo isso por apenas 68 reais. Palavra de santista.

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A FÁBULA DO ESTÁDIO GRATUITO

Por Tana Blaze, direto da Alemanha

O presidente Modesto Júnior teria dito na última reunião do CD que o Santos “não terá que desembolsar um tostão” pelo estadinho que vem propondo. Frase que poderia ser mal-entendida por santistas incautos como “free lunch”, almoço gratuito, noção popularizada pelo título de um livro do Prêmio Nobel de Economia, Milton Friedman, “There ain’t no such thing as a free lunch”, “não existe algo como um almoço gratuito”.

Poderia aguardar mais quatro dias a reunião do Conselho Deliberativo do dia 18 de Agosto de 2016 para comentar em cima do apresentado porque o almoço sairá muito caro, mas prefiro especular antes da reunião e cometer erros, para prevenir um ou outro conselheiro desprevenido.

1 – O exemplo do financiamento do Allianz Parque

Por desconhecimento do contrato com a WTorre e falta de desmembramentos dos valores do Lucros e Perdas do alviverde de 2015 não sabemos exatamente quantos tostões o Palmeiras paga por ano à WTorre. As considerações que seguem são chutes e efetuadas como modelo.

A taxa fixa por jogo que o Palmeiras é obrigado a pagar à WTorre, foi alvo de seguidas críticas do Presidente Paulo Nobre, que na entrevista “Nobre se sente refém da WTorre e considera estádio do Palmeiras caro”, relatou: “…se eu não conseguir R$ 700 mil de renda, pago para jogar”, declarou. “É lindo ver uma renda de R$ 2 milhões, só que, quando der R$ 500 mil, vou pagar de R$ 200 mil a R$ 250 mil. É um estádio caro, o custo fixo é altíssimo.”

Considerando 750.000,00 reais por partida e se assumirmos 36 partidas por ano (19 Brasileirão, 10 Paulistão, 7 Copa Brasil, Libertadores e outros), a taxa paga à WTorre totalizaria 27 milhões de reais em um ano (750.000 x 36). Valor que deve estar contido nas “despesas com jogos” de 42,9 milhões de reais, publicados no Lucro e Perdas do clube de 2015.

A questão é saber quais são as despesas correntes efetivas atribuíveis à manutenção e à operação do Allianz Parque, sem incluir a depreciação do investimento, para deduzir até que ponto a taxa de aluguel cobrada por jogo serve para a indenização dos investimentos de 670 milhões de reais efetuados pela WTorre.

Se assumíssemos a mero título de exemplo que as despesas efetivas e correntes de operação e manutenção do Allianz Parque da WTorre, como manutenção, eletricidade, água, imposto predial, segurança, administração e limpeza, excluídas as depreciações, fossem de 1 milhão de reais mensais, ou seja, 12 milhões de reais ao ano e que o estádio seja utilizado a cada ano para 36 partidas de futebol e a 12 shows, portanto a 48 eventos em um ano, a fatia de despesas, se alocada equitativamente a cada evento, corresponderia a 12.000.000/48 = 250.000 reais. Como o Palmeiras seria cobrado por uma taxa de 750.000 reais por partida, o valor restante de 500.000 reais por partida (=750.000-250.000) só pode corresponder à indenização o dos investimentos feitos pela WTorre no estádio.

Pagamentos de 500.000 reais por partida para 36 partidas e 30 anos, equivaleriam a 540 milhões de reais ao longo do contrato apenas para indenizar o custo de construção da WTorre. Este valor pago em 30 anos descontado para valores de 2014 com uma taxa real (acima da inflação) de 3,5% ao ano resultaria em 331 milhões de reais.

Portanto assumíssemos que as despesas correntes do estádio sem depreciação totalizassem 1 milhão de reais mensais, o Palmeiras pagando 331 milhões de reais a valores de 2014 indenizaria no mínimo 49% dos custos de construção de 670 milhões reais à WTorre.

Se assumíssemos que as despesas correntes do estádio fossem apenas 500.000 reais mensais, o Palmeiras indenizaria a WTorre com 414 milhões de reais a valores de 2014, portanto 62% do custo do estádio.

Caso o Palmeiras tenha cedido os direitos do terreno por 30 anos sem qualquer compensação em caixa, a WTorre seria beneficiada através da cessão gratuita do mesmo. Se um aluguel do terreno fosse calculado para estacionamento em terra batida pouco valeria, mas como local de promoção de shows com as receitas milionárias de cada, seria muito alto, mesmo que devesse ser estipulado em função do lucro dos shows e não em função das receitas de venda de ingressos. Afinal de contas a localização do terreno é a grande fonte dos negócios da WTorre.

Faltaria considerar o efeito que ao longo dos anos de a Wtorre repassar porcentagem crescente dos naming rights (12 milhões de reais por ano) e das receitas de shows ao Palmeiras, mesmo que o crescimento do repasse de receitas de bilheteria possa levar a um novo contencioso, se for baseado apenas em “receitas“, como diz a imprensa.

Devemos concluir que não haverá almoço gratuito para o Palmeiras e que muito pelo contrário, o clube indenizando no mínimo mais da metade do custo do estádio em dinheiro e acrescentando ao pagamento o valor não cobrado de um aluguel do terreno, pagará algo mais perto do custo total do estádio à WTorre.

2 – Os almoços do Palmeiras e da WTorre

Embora o almoço do PALMEIRAS tenha sido caro, a “arrecadação com jogos” do clube totalizou 87,2 milhões de reais em 2015. Considerando a taxa anual paga a Wtorre ao valor que chutamos de 27,0 milhões, a margem bruta do estádio para o Palmeiras seria da ordem de 60 milhões de reais anuais, simplesmente fantástica:

1- Receitas de jogos: +87,2 milhões (Lucros e Perdas 2015)
2- Taxa paga à WTorre: -27,0 milhões (como chutado neste neste post)
3- Margem bruta após taxa: +60,2 milhões (1-2)
4- Outras despesas de jogos: -15,9 milhões (42,9 Lucros e Perdas- 2)
5- Margem dos jogos: +44,3 (Lucros e Perdas 2015, 87,2-42,9,)

Por sua vez a WTORRE financiou projeto com o Banco do Brasil a juros decentes, construiu um estádio no meio da crise da construção civil, faz o Palmeiras pagar NO MÍNIMO a metade do custo de construção pela taxa que cobra por jogo, obteve porventura do Palmeiras a cessão gratuita dos direitos sobre o terreno por 30 anos, cujo aluguel valeria milhões, resultando para ela assim um estádio a sua disposição durante 30 anos para realizar shows.

Estimando preços de ingressos para shows substancialmente maiores os do futebol e que em alguns shows houve comparecimento de quase 55.000 espectadores, seria realista um faturamento de bilheteria por show entre 5 e 10 milhões de reais por show. E haverá talvez 12 shows por ano, dos quais apenas um ou dois nas dimensões reduzidas do anfiteatro, os demais em estádio pleno.

Além disso a WTorre fatura o catering, estacionamento, patrocínios, incluindo o dos naming rights, comercialização de camarotes e de cadeiras cativas. Portanto ao todo um autêntico negócio da China para a WTorre.

A questão é saber por que numa parceria que rende tanto lucro, suficiente para satisfazer todas as partes envolvidas, existem tantos litígios e processos entre as partes até a defecção da AEM.

As respostas possíveis seriam, que contratos com tantas dependências recíprocas e com uma duração de 30 anos sejam contenciosos por natureza e levem invariavelmente a litígios e processos, os sucessores não aceitando o acordado pelos predecessores. Ou, que os contratos entre o Palmeiras e a WTorre foram mal feitos. Ou que a WTorre mesmo tendo um lucro extraordinário com o projeto, estaria numa situação financeira tão catastrófica, que tenderia explorar o projeto além do acordado.

3 – O almoço do Santos num Portuários, supondo um contrato igual ao do Palmeiras

Não há duvida que o raio geográfico de captação do Allianz Parque excede de forma substancial o do terreno dos Portuários, o que se deve à localização no centro da megalópole, na boca do Metrô conectado com os terminais de ônibus. Nos fins de semana, quando é realizada a maioria das partidas, o raio de captação do Allianz expande ainda mais em função da ausência de grandes engarrafamentos.

Se definirmos que o raio de captação de um estádio no Portuários corresponda à Baixada Santista, existiriam nele 600.000 torcedores do Santos. Chutaríamos que num raio de captação do Allianz Arena de acessibilidade equivalente, que como visto seria geograficamente bem mais amplo, existam 4 milhões de palmeirenses.

Se apenas 50% dos torcedores comparecessem aos estádios, ou seja, 2 milhões de palmeirenses e 300.000 santistas, encher um Allianz Parque de 43.000 lugares em 36 jogos ao ano só com palmeirenses requereria 1,58 milhões de comparecimentos palmeirenses em um ano (43.000 x 36), o que com 2 milhões de palmeirenses dispostos, implicaria que em média cada teria que ir ao estádio uma vez em um ano ou a cada dois anos (0,77 vezes por ano).

Encher o Estadinho em Santos de 25.000 lugares em 36 jogos só com santistas requereria 900.000 comparecimentos santistas em um ano (25.000 x 36), o que com 300.000 santistas dispostos a ir ao estádio implicaria que cada deveria ir ao estádio em média três vezes por ano para enchê-lo.

Não adianta argumentar que santistas virão o do planalto, algo que deve ser tomado como quantitativamente irrelevante. Para trazer 10.000 santistas do planalto ao estadinho seriam necessários 286 ônibus de 35 lugares.

Este exemplinho simplificado de comparação de mercado indica a tendência aterradora de que o santista para encher o seu estadinho no Portuários teria que comparecer com uma frequência quase 4 vezes maior (3,88=3/0,77) do que o torcedor palmeirense para encher o Allianz Parque.

Acrescente-se que a região metropolitana de São Paulo é ímã de mercado de trabalho, atraindo mineiros, gaúchos, baianos e populações de diversos estados, de maneira que o contingente de ingressos que o Palmeiras oferece às torcidas adversárias é facilmente vendível a torcedores do Grêmio, Cruzeiro, Flamengo, Sport residentes na capital. Além do mais muita gente do interior distante e de outros estados vêm à capital paulista para resolver negócios, fazer compras, visitar parentes e até estrangeiros a negócios, que aproveitando um fim de semana, desejam ver um jogo de futebol no Brasil para contar aos amigos. Coisa que pouco acontece em Santos.

O segundo fator é o poder aquisitivo menor em Santos, já hoje refletido pelo desnível significante do preço médio de ingressos vendidos entre o Pacaembu e a Vila Belmiro.

Não surpreende que em decorrência destes fatores, a arrecadação da Vila Belmiro tem sido fraca nos últimos anos não podendo se esperar um crescimento porcentual das receitas de bilheteria com um novo estádio da mesma ordem como ocorreu com o Allianz Parque.

Em 2015 foram realizadas 32 partidas de campeonato na Vila Belmiro, 8 pelo Paulista, 5 pela Copa Brasil e 19 pelo Brasileirão e chamou atenção que rendas significativas só foram registradas em decisões, que são possíveis unicamente na fase final do Paulista e na Copa Brasil. A final do Paulistão de 2015 contra o Palmeiras em 03/05/2015 com renda de 1.555.280 reais, correspondendo a 40% da arrecadação total dos oito jogos deste campeonato na Vila. A final contra o Palmeiras pela Copa do Brasil em 25/11/2015 teve uma arrecadação de 1.631.560 reais equivalendo a 47% da arrecadação dos 5 jogos realizados pela Copa na Vila.

Se não for final ou não houver uma fase decisiva, pouca gente vai à Vila. Nos clássicos pelo Brasileirão de 2015 vencidos contra os maiores rivais, o Corinthians em 20/06/2015 e o São Paulo em 9/9/2015 compareceram apenas 7.574 e 5.552 pagantes.

A arrecadação média das 32 partidas na Vila foi de 389.623 reais por jogo e se excluíssemos as duas finais, considerando apenas as 30 partidas restantes, 309.370 reais por jogo.

Se estimarmos que o estadinho consiga uma arrecadação de bilheteria na melhor das hipóteses de 900.000,00 de reais por jogo, o que seria otimista em relação ao desempenho da Vila Belmiro e o “consórcio” cobrasse um taxa de 550.000 reais por jogo (incluindo outros valores que porventura não sejam onerados em forma de taxa), resultaria uma margem de estádio de 350.000 reais em cima da taxa, no caso de 36 jogos por ano uma margem de 12,6 milhões de reais anuais. Sem contar com o fato de existirem outras despesas de jogos, com o risco cambial, o custo duplo da manutenção da Vila Belmiro como ”templo sagrado” (palavras do Modesto). A margem bruta total dos jogos deverá tender a zero e se for negativa, o uso do estadinho deverá ser financiado com receitas televisivas.

Então ao passo que o Palmeiras leva uma margem bruta depois da taxa de 60 milhões de reais com o pé nas costas e com tendência crescente devido ao repasse crescente dos shows nos próximos anos, o Santos numa projeção otimista levaria no máximo 12 milhões, ou menos.

A cláusula que impedirá o time se apresentar no seio da sua maior torcida em São Paulo por trinta anos, causará a perda gradual da mesma, representando um custo adicional do estadinho, que será manifestado pela erosão das receitas televisivas, de associados e de marketing em função do seu desaparecimento.

Além do mais o Palmeiras com uma margem bruta sobre a taxa paga à WTorre de cerca de 60 milhões de reais anuais estará nos próximos anos em condições de tomar um financiamento para comprar os direitos sobre o estádio da WTorre à vista, principalmente se estes estiverem penhorados pelo Banco do Brasil. O Santos com margem de na melhor das hipóteses de 12 milhões de reais anuais, estará fadado a ficar escravizado por 30 anos.

4 – TZB, uma empresa que foi salva da falência, o que faz hoje?

Deu na mídia que “Investidor português faz proposta para construir o novo estádio do Santos. O consórcio TBZ, de Portugal, que é responsável por construir a Arena do Grêmio demonstrou interesse e oficializou uma proposta, conforme revela o site UOL Esporte”.

A TBZ foi uma empresa portuguesa licenciadora e intermediadora de marcas e negócios, que oferecendo condições insustentáveis conseguiu num tempo de fogo de palha clientes de renome na Península Ibérica, inclusive o Benfica, o Porto e o Real Madrid, mas logo seguida em 2008 entrou em estado falimentar, com o seu presidente processado e os clientes de renome rescindindo os contratos. Como era financiada por um banco estatal, foi nacionalizada para tentar recuperar os empréstimos. Entrementes o Banco estatal foi vendido pelo governo.

Embora a TBZ antes da insolvência tenha sido envolvida no projeto inicial de Arena do Grêmio em 2007, a informação de que teria participado da construção da mesma, divulgada recentemente pelo UOL é falsa, como ilustrado num artigo na mídia portuguesa: ”De acordo com o Grémio de Porto Alegre, foi requisitada informação financeira sobre a empresa e, em vez de a entregar, a TBZ optou por se retirar”. Não consta na internet que a empresa na sua história tenha gerido qualquer projeto de construção de estádio.

Se a TBZ administrou o Estádio da Cidade de Coimbra para o clube Académico Coimbra que joga atualmente na segunda divisão, o foi por pouco tempo e a relação entre ela, a cidade e o clube foi no mínimo litigiosa. Tampouco consta que a empresa se engajou na gestão de qualquer outro estádio que não fosse o de Coimbra por curto tempo.

Cabe à empresa retificar estas constatações e apresentar os devidos comprovantes do que teria construído ou administrado.

Não se sabe o que a TBZ fez nos 8 anos após a insolvência até hoje, parece até que esteve reduzida a um simples razão social, sem qualquer empregado, e seja agora talvez reanimada para fazer uma oferta para o Santos. Praticamente não há informações recentes na internet sobre a empresa, tampouco site oficial acessível.

Cabe ao Modesto apresentar informações tangíveis sobre esta empresa, e quais são as pessoas físicas ou jurídicas por detrás deste razão social. Incrível que o Santos trabalhe com um fantasma desses, enquanto que o Grêmio em 2007 solicitava informações profissionais, que teriam feito a TBZ recuar do projeto.

5 – “Investidores ingleses” e operações abutres dos hedge funds

“Conseguimos o mais difícil, os investidores” foi o que o Modesto disse outro dia ao Perrone. Pode estar muito enganado o Modesto, porque considerando as condições mais prováveis da oferta recebida, pode ter conseguido o mais fácil. Soou como se o Odílio tivesse dito: “conseguimos o mais difícil, financiar o Damião”.

Outro comunicado do Santos diz que a “A construção seria viabilizada por investidores ingleses, sem auxílio financeiro da Prefeitura de Santos, como foi estudado anteriormente. O objetivo santista, até pelas dificuldades de caixa, é não gastar e dividir lucros de renda e shows da arena com as empresas e clubes envolvidos.“.

Quando “investidores ingleses” resolvem financiar um empreendimento num terreno como o do Portuários para um clube com um patrimônio líquido inferior a 200 milhões de reais negativos, e cujo estádio atual de capacidade quase igual rende receitas de bilheterias que estão entre as menores do Brasileirão e jogando numa Federação cujos últimos três presidentes foram indiciados pela Justiça Americana, deve-se pressupor que se trate de investidores especiais, como os pertencentes ao ramo que outrora era denominado como o de “vulture funds”.

Fariam o investimento com base numa rentabilidade extremamente alta para eles, baseada numa taxa fixa por jogo a ser paga pelo Santos, embrulhada num pacote contratual dificilmente inteligível para cartolas em transe, mas que atende ao desejo imediatos destes, como por exemplo, disponibilisar um jogador ou providenciar um estadinho, “sem gastar um tostão” para fechar o negócio antes que termine o mandato. Um embrulho também intransparente para os torcedores, devido à clausulas de confidencialidade impostas.

Os investidores em questão poderiam operar como os “vulture funds”, especializados em investir em projetos inadimplentes ou de prejuízo. Compram por exemplo títulos desvalorizados da República Argentina ou financiam a construção de estádios de poucas perspectivas de rentabilidade, como o do Portuários, mas na base uma rentabilidade excepcional para o seu investimento através dos contratos que firmam e de perspectivas de recuperação do capital por fatores alheios ao projeto.

No caso da República Argentina contam com a expectativa que futuros governos do país terem que se acertar cedo ou tarde com eles para voltar a acessar os mercados financeiros. Nos casos dos investimentos no Damião e num Estadinho do Portuários contam com a possibilidade de penhorar a vendas futuras de direitos econômicos de jogadores, como a Doyen fez no caso do Geuvânio e de penhorar as receitas televisas futuras.

“Vulture fund” significa “fundo abutre” e foi termo consagrado e socialmente aceito nos anos oitenta e noventa, não sendo pejorativo e usado até pelo Banco Mundial. O termo era apropriado porque os abutres se alimentam de carne podre e os abutres financeiros sabem aproveitar projetos e títulos podres. Com a globalização dos mercados financeiros o termo caiu em desuso, sendo que os abutres hoje gostam de se definir genericamente entre os “hedge funds”, que abarcam uma gama enorme de investidores em negócios de alta rentabilidade e de alto risco, desde os abutres puro sangue até aos mais sérios e economicamente construtivos.

Estas considerações são genéricas e não se aplicam necessariamente aos ”investidores ingleses” avisados pelo Modesto, porque não sabemos quem são, servem apenas para alerta aos conselheiros do Santos, mas a probabilidade que se trata de investidores que só farão um negócio de alta rentabilidade para eles em detrimento do Santos, é quase certa.

6 – A “divisão de lucros” do Estadinho provavelmente insuficientes e na base de taxas fixas

Explanado o que pode significar “sem pagar um tostão” e o que pode ter sido “dificuldade de achar investidores ingleses” vamos falar sobre o que o Modesto chamou de “dividir lucros”.

É doloroso como santista ver que os estádios do Grêmio, do Atlético Paranaense, do Corinthians e o da WTorre, foram financiados pelo BNDES e pelo Banco do Brasil (WTorre) a juros decentes, ao passo que o Santos se envolve com “divisores de lucros”, uma alternativa infinitamente mais cara e sendo os financiadores “ingleses” talvez até com risco cambial.

Além do mais a definição do Modesto de ”dividir lucros” pode ser imprópria, na medida em se deve esperar que o Santos tenha que pagar a taxas fixas por jogo ou por ano, mesmo quando não tiver lucro com o estádio.

Apostaria que a razão dessa escolha desvantajosa se deve ao fato que nenhuma instituição financeira séria quis financiar o estadinho, considerando o projeto pouco rentável e de alto risco e que seria irresponsável financiá-lo. Então o Modesto afobado querendo a todo o custo realizar o projeto na sua gestão, teria aderido a “investidores ingleses”.

O dramático da “divisão de lucros”, é que o Allianz Parque gera tanto lucro que seria possível dividi-lo com sobras, mas que o estadinho no Portuários dificilmente renderá lucros a níveis divisíveis e que portando o Santos no caso de prejuízo com o estádio terá que pagar parte da taxa com receitas televisivas, porque do contrário “investidores ingleses“ irão cobrar a taxa na justiça.

Se não houver suficiente “lucro a dividir”, o Santos poderá perder calça, camisa, a Vila Belmiro penhorada e as suas receitas televisivas penhoradas. Além do mais poderá ser ver obrigado a jogar em grama sintética, fazendo com que a maioria dos jogadores cobiçados no mercado não se interesse mais a jogar pelo clube.

7 – Guerras jurídicas sem fim com “divisores de lucros”

Parece inevitável que um envolvimento com “divisores de lucros”, seja a DIS, a Doyen e possivelmente os “investidores ingleses” do estadinho alimente sempre uma legião de advogados.

O Laor, sucessor do Marcelo Teixeira acionou a DIS. E hoje entre a DIS, os Neymares, o Barcelona, a Justiça Espanhola, o Fisco Espanhol e o Santos não se sabe mais quem processa quem.

O Modesto, sucessor do Odílio está processando a Doyen e a Doyen está processando o Santos. A Doyen tambem processou a FIFA e Sporting de Lisboa. A Federação Holandesa rebaixou o Twente para a segunda divisão quando os contratos com Doyen vieram à tona e depois de um “deixa-disso” o clube permaneceu, pagando uma multa à FIFA.

O Nobre, sucessor do Belluzzo travaria na terminologia da mídia uma “guerra jurídica” contra a WTorre. Os parceiros para 30 anos só comunicariam pelos seus advogados.

Então amigos, se o Modesto assinar um contrato com a misteriosa “divisora de lucros” TBZ e os ainda mais desconhecidos ”investidores ingleses” só para tornar irreversível a construção de um estadinho no tempo de gestão que lhe resta, deve ser tomado como quase certo que haverá uma avalanche de processos com os sucessores desta gestão santista, sempre em detrimento do clube.

8 – Desinformação continuada e o possível distanciamento do Santos dos clubes grandes

Não adianta tentar convencer o Modesto de que o estadinho á um absurdo, seria perder tempo. O homem eleito com 27% dos votos não vai e não quer ouvir, está determinado contra a opinião da torcida.

Obcecado pelo estadinho, omitiu o “projeto no terreno dos Portuários” nas suas entrevistas de campanha eleitoral ao Ademir Quintino e à Tribuna, para nas duas primeiras semanas de mandato se esquecer de pagar o salário do Damião e de comparecer ao Comitê de Gestão, porque tinha que sair correndo para fazer descer o Walter Torre de helicóptero no terreno e encomendar o projeto, sendo evidente que já tinha o plano dos Portuários em mente durante a campanha eleitoral, que com o da reintrodução do futebol feminino omitiu, possivelmente temendo que não fosse eleito se os anunciasse. Omitir é m…

E perguntado onde faria jogar o time, desinformou agressivamente o eleitorado Santos, dizendo que iria jogar onde estivesse a torcida, entre outros no Pacaembu, para mal eleito fazer exatamente o contrário colocando o time jogar perante 5.000 espectadores na Vila Belmiro.

A parte da “desinformação” (como gentilmente definimos o proceder do presidente) na sua campanha eleitoral continuou desinformando sistematicamente sobre o Pacaembu, fazendo entender que genericamente um jogo custaria 600.000 reais, enquanto que clubes pequenos, que não têm este dinheiro, alugavam o estádio para jogos do Campeonato Paulista. Proponho que o Modesto publique todos os borderôs do Pacaembu da sua gestão.

Os 600.000 reais devem ter sido realmente cobrados do Santos, talvez para quitar dívidas feitas pelo Odílio com o estádio. Mas é fato que um decreto estabelece que em 2016 o Pacaembu fature por partida diurna e noturna respectivamente 71.900 e 89.900 reais ou se maior 12 % e 15% da arrecadação bruta.

A sua ojeriza pela maior parte do torcida do seu clube, que são os 2,5 milhões de santistas em torno de São Paulo tem traços patológicos. Sentiu-se visivelmente incomodado com o público recorde de santistas no Pacaembu e com as receitas que suplantavam em múltiplo as da Vila Belmiro.

Para compensar a perda de receita de bilheteria pelas quais é responsável ao fazer o time jogar diversas vezes na Vila Belmiro perante 5.000 espectadores, vendeu o mando do jogo do Flamengo, o que no caso de Cuiabá corresponde a uma inversão do mesmo. Os dois pontos na tabela porventura deixados com esta inversão de mando poderão significar a perda do título ou do G4.

Não gosta do Pacaembu pela falta de estacionamentos e de camarotes que aparentemente não considera condizentes com o que seria o seu status, excluindo assim entre vinte e trinta mil santistas dipostos a andar 1,5 quilômetros a pé da Estação de Metrô Clínicas ao estádio.

Alega não jogar no seio da sua grande torcida por causa da Polícia Militar e quando a Polícia Militar está à disposição, não joga, nem mesmo quando os Conselheiros fazem um abaixo assinado. Não intercede na feitura das tabelas do Paulistão e do Brasileirão para arranjar datas compatíveis com a Polícia Militar ou para transferir jogos para a segunda feira a noite no Pacaembu.

Difícil entender como a torcida santista aguenta tanta palhaçada. Com base nestas peripécias passadas fica difícil acreditar em qualquer apresentação oral de um projeto por parte do presidente.

Enquanto que o Santos sob os olhos do Marcelo Teixeira prossegue nesta vereda obcecada, indubitavelmente o Palmeiras abriu as portas para se tornar o clube de futebol mais poderoso no Brasil nos próximos 20 anos, turbinado por suas receitas fantásticas de estádio, em média superiores a 2 milhões de reais por partida. É o único clube grande brasileiro que não parcela dívidas no Profut e quem quiser ser campeão nos próximos anos, só em cima do Palmeiras.

Vários clubes hoje gigantes tiveram e sua grandeza PRECEDIDA e devida a um estádio ambicioso, o Real Madrid (a turma do Franco torcia pelo Atlético Madrid, clube da Aeronáutica franquista e grandes eram apenas o Barcelona e o Atlético Bilbao), o Borussia Dotmund, o Bayern (estádio da Olimpíadas de 1972), os mineiros com Mineirão e o São Paulo com o Morumbi, deveram a sua ascensão a um grande estádio.

Na razão inversa, um clube que investe o seu cacife inexistente e seus últimos coringas num estádio pequeno longe da sua maior torcida, se mete com consórcios obscuros e investidores “divisores de lucro” (definição eufemística), botando algemas por 30 anos por 9.000 lugares a mais, deverá inexoravelmente encolher, será rebaixado dos clubes grandes.

O Marcelo Teixeira está prestes a entrar na história como o presidente que permitiu que um pupilo dele fosse o primeiro a dividir a torcida do Santos e provincializasse o clube para a situação antes de 1955. Primeiro não teve coragem de colocar o clube na vanguarda dos grandes clubes brasileiros, com terreno gratuito em Diadema de 700.000 m2, ao descontinuar o projeto, como informou indubitavelmente o Diário do Grande ABC em 8 de Janeiro de 2009, portanto 11 meses antes da eleição do Laor, enquanto que o Palmeiras e o Grêmio decidiram construir os seus estádios mesmo fora da Copa, ao mesmo tempo em que os da Copa eram construídos. Agora permite que o Santos se tranque por 30 anos em Santos, se envolva mais uma vez com investidores “divisores de lucros”, como se não tivessem bastado os estragos causado pelo envolvimento com a DIS e a Doyen.

Trancar o Santos na Baixada impedindo-o contratualmente a jogar em São Paulo seria com se a Ambev tomasse a decisão de não mais vender cerveja no maior centro econômico e populacional do hemisfério sul, e forçar 2,5 milhões de fiéis clientes a beber a dos concorrentes.

9 – Só os conselheiros poderão salvar o Santos a partir do dia 18 de agosto de 2016

Uma reunião do CD EXTRAORDINÁRIA apenas para “apresentação” de um projeto? O plano evidente do Modesto é tornar o estadinho irreversível antes que seja aprovado um novo estatuto. Obcecado poderá pretender apresentar o projeto na Reunião Extraordinária do CD dia 18 de agosto de 2016 e assinar os contratos com “investidores ingleses” poucos dias após, selando o destino do Santos.

Seria necessário que os conselheiros dos diversos grupos políticos que forem contra este estadinho, se unam para formar um pacto de emergência a fim de impedir o estadinho e impor as mudanças ao Estatuto, entre elas a votação à distância, a imposição de uma maioria absoluta para eleger o presidente e os critérios para a aprovação de grandes gastos ou projetos, como o engajamento num novo estádio.

Aliás, em qualquer empresoca uma aprovação de um projeto desta envergadura requereria uma informação prévia em forma de projeto detalhado em prospecto a ser apresentado no mínimo duas semanas antes da reunião a cada membro do CD, com o plano do estádio, suas especificações, com projeções de mercado e financeiras, apresentação dos investidores e das principais cláusulas dos contratos e não apenas uma rápida apresentação oral de um presidente numa reunião de Conselho Deliberativo.

Inclusive alguns destes documentos deveriam estar à disposição pública dos torcedores, como fez o Bayern, expondo as maquetes de estádios de diversas construtoras com os devido custos que diferiam, na licitação que fez.

Se fosse conselheiro do Santos consideraria insuficiente qualquer explanação oral deste presidente que já desinformou muito e que pelo que se comenta, nem saberia explicar as contas do clube e exigiria o projeto preto no branco. E, além disso, exigiria o parecer de uma firma de consultoria conceituada sobre o projeto. Hoje nas grandes transações é padrão recorrer ao auxílio de consultores externos de alto nível. É infinitamente mais produtivo contratar uma consultoria cara antes de assinar contratos, do que uma auditora para constatar as dimensões e a natureza do estrago de um negócio que deu errado.

É necessário que haja presença maciça na reunião do CD do dia 18 de agosto 2016, que poderá ser um divisor de água na história do Santos com risco de despedida de clube grande.

Antes de pedir sua opinião, prezado leitor e prezada leitora deste blog, aviso que Tana Blaze não sou eu, mas é um pseudônimo usado por um executivo brasileiro que vive na Alemanha. Ele é apenas um frequentador deste blog que ainda não tive o prazer de conhecer pessoalmente. Quem sabe em breve o farei, pois considero sua inteligência, experiência e visão muito importantes para colocar o Santos em outro patamar entre os clubes brasileiros. Publico seus textos porque sei que são baseados em análises sérias e sem qualquer interesse, a não ser o de ajudar o nosso Santos. E seus artigos nos dão a oportunidade de debater temas relevantes para o nosso clube. Não é obrigatório que eu concorde com tudo o que Tana Blaze escreve, mas respeito e defendo o seu direito de dizer. Da mesma forma, este blog está aberto a opiniões e teses contrárias, e quanto mais bem embasadas, melhor.

E você, o que acha disso?


Os sete desafios do Santos

Não, não me refiro ao São Paulo, nesta quarta-feira, às 22 horas, na Vila Belmiro, pelo Campeonato Brasileiro, e tampouco ao duelo contra o Figueirense, pelas quartas-de-final da Copa do Brasil. Falo de desafios maiores, mais abrangentes e duradouros, falo de um plano estratégico para o Santos crescer, como clube, e se manter no mais alto nível por todo o sempre. Isso será impossível, porém, enquanto algumas pendências não forem resolvidas. Para mim, as principais são as seguintes:

1 – Tornar-se especialista em eventos de futebol

A razão de existência do Santos é jogar futebol. Como se costuma dizer, o Alvinegro Praiano pode ser resumido a 11 camisas. É, dos clubes tradicionais brasileiros, o que tem a menor estrutura poliesportiva e social. Portanto, algo obrigatório no Santos é ter uma equipe de profissionais altamente especializados em organizar jogos de futebol, e isso inclui o relacionamento com sócios, torcedores, patrocinadores, jornalistas, fornecedores. E inclui também, principalmente, a administração das despesas e receitas. O Santos não pode continuar tão ineficiente a ponto de ser o clube com a menor lucratividade e a maior taxa de despesas diversas do futebol brasileiro.

2 – Aumentar, permanentemente, suas fontes de renda

O Santos é o produto e o torcedor santista é o consumidor. Há milhões deles espalhados pelo País, mas concentrados, principalmente, na Grande São Paulo, Baixada Santista, Interior de São Paulo, Sul de Minas Gerais, Norte do Paraná,Leste de Santa Catarina e Sul do Mato Grosso do Sul. Muitos adorariam contribuir para que o clube seja do tamanho de seus sonhos. Essa contribuição pode se dar não apenas comprando produtos oficiais do time, mas tornando-se sócio. Veja que se um dia o Santos tiver 100 mil sócios pagando 30 reais por mês, isso resultará em um total de três milhões mensais, ou 36 milhões brutos por ano. É impossível? Claro que não. Contratem um especialista no ramo que ele consegue. Nessa questão há, ainda, um universo de possibilidades que podem e devem ser pensadas e implementadas pelo marketing. Esta é uma área que exige extrema competência e dedicação absoluta. Uma pergunta: se o grande mercado financeiro e publicitário do Brasil está em São Paulo, por que o marketing do Santos continua, preguiçosamente, sediado embaixo das arquibancadas da Vila Belmiro?

3 – Definir a questão do estádio

Na Baixada Santista ou na Capital, em que lugar o Santos atrairá mais torcedores e terá maior lucratividade mandando os seus jogos? Para que as paixões regionais não influam, sugiro a contratação de uma empresa de marketing competente e neutra. Sei que a construtora que faria o estádio em Diadema, após pesquisa de mercado, chegou à conclusão de que ele deveria ser ali para ficar no meio do caminho entre a Capital e Santos. Segundo os estudos dessa empresa, em 2004 o Santos tinha 1,5 milhão de torcedores em São Paulo e 500 mil na Baixada Santista. Como a viabilidade do estádio dependia, em um primeiro momento, da venda de camarotes, e a empresa tinha detectado que 80% dos prováveis compradores de camarotes viviam em São Paulo, o estádio tinha de ser mais perto da metrópole. Porém, e se a Prefeitura de Santos, hoje tocada pelo santista fanático Paulo Alexandre Barbosa, assumisse o projeto de uma moderna arena municipal para, digamos, 30 mil pessoas, que pudesse ser utilizada pelos clubes profissionais da cidade, entre eles o Santos, e também servisse para os eventos do município e da região? Afinal, só a soma das populações de Santos, São Vicente, Guarujá e Praia Grande dá 1,1 milhão de pessoas, com mais de 400 mil torcedores do Santos. O que não se pode é ficar empurrando a questão com a barriga. Se é um alçapão o que se quer, que se projete um novo estádio com essas características, mas o que não se pode é deixar de crescer pela limitação a um palco bem aquém do potencial de sua torcida.

4 – Quitar suas dívidas

Como a maioria dos clubes brasileiros, o Santos se conformou em ser uma agremiação deficitária, como se a má administração e o eterno endividamento provocado por ela fossem um mal impossível de ser evitado, ou tratado. Não precisa e não deve ser assim. Com as novas leis que regem o futebol, um clube endividado correrá sérios riscos de perder seu patrimônio e de amargar graves prejuízos técnicos e de imagem. Até o rebaixamento está previsto aos maus pagadores e, sabemos muito bem, essa pena só será aplicada aos clubes que não fazem parte dos privilegiados pelo sistema. Tentar conviver com uma dívida de 400 milhões de reais, que cresce a cada mês devido aos juros, é viver no fio da navalha. É preciso reduzir drasticamente esse passivo, ou, repito, o risco será enorme.

5 – Evitar a falência

Esse desafio parece ser o mesmo do anterior, mas é mais grave. Dívidas os clubes brasileiros sempre tiveram, sem que corressem o risco de fechar as portas. O Flamengo já deveu, e talvez ainda deva, um bilhão de reais, e está aí, todo faceiro, fazendo seus golzinhos de mão, sem que jamais peçam sua falência. Nem todos os clubes, porém, terão a mesma complacência de nossa legislação e de nossos imprevisíveis órgãos públicos. O exemplo do Guarani, um dos melhores times brasileiros entre o final da década de 1970 e meados da de 1980, está aí para servir de alerta. Uma das situações que gera a falência é a incapacidade de pagar as causas trabalhistas, mesmo desfazendo-se de seu patrimônio. Na verdade, a partir de um certo momento o clube é proibido de vender seus bens para pagar as dívidas trabalhistas, pois estes ficam imobilizados pela Justiça e precisam passar por uma avaliação e um leilão, processo que reduz drasticamente o seu valor real. Digamos, por exemplo, que a Chácara Nicolau Moran valha 200 milhões de reais e o Santos precise desse valor para quitar causas trabalhistas. Se o imóvel não for vendido antes dos processos, depois terá de passar por uma avaliação e por um leilão público, que acabarão reduzindo o valor do imóvel em mais de 50%. Foi assim, por exemplo, que nem a venda do Estádio Brinco de Ouro salvou o Guarani.

6 – Definir sua posição política

O sistema político vigente no futebol brasileiro interessa ao Santos? Essa relação com a Rede Globo e a CBF são benéficas ao clube? Essa é uma questão crucial para o destino do Alvinegro Praiano e não pode ser empurrada com a barriga. Nos grandes mercados mundiais do futebol, as ligas de clubes assumiram o lugar das confederações e federações no comando do esporte. Na verdade, no Brasil federações estaduais e a CBF funcionam como esses sindicatos que a gente nem sabe para que servem, mas vivem das taxas tiradas de patrões e funcionários. Se não existissem federações e nem CBF, os clubes seriam mais ricos, ou menos pobres, e poderiam reger com maior planejamento o seu destino. Onde já se viu o Santos perder o seu principal jogador para essa série de jogos caça-níqueis da malfadada Seleção Brasileira? Enfim, a Liga é essencial. Porém, se o Santos escolher aceitar o sistema atual, controlado pela tevê e pela CBF, que ao menos saiba os motivos pelos quais está tomando essa decisão. O que não pode é deixar como está para ver como fica.

7 – Elaborar seu calendário com antecedência

Um dia o presidente diz que o time vai fazer tantos jogos em arenas, tantos no Pacaembu e muitos na Vila Belmiro. Chegam as datas e a equipe não sai do velho Urbano Caldeira, lugar preferido dos jogadores e do técnico. Essa improvisação é muito prejudicial para o clube. Um calendário de jogos planejado e divulgado com antecedência permitiria à comissão técnica e aos jogadores um plano mais racional de trabalho, geraria mais ações de propaganda e merchandising, facilitaria as pautas da imprensa e, o que é essencial, propiciaria maior acesso de torcedores aos jogos. Seria possível até criar o tão sonhado carnê de ingressos para todo o campeonato, um dos segredos da grande média de público nas competições europeias.

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E você, teria outro desafio a acrescentar ao Santos?


Os prós e os contras de jogar uma decisão na Vila Belmiro


Faz tempo que jogar na Vila é um pesadelo para os visitantes

Veja os bastidores do Santos no primeiro jogo da final:

Tenho recebido comentários desanimados de sócios do Santos que não conseguiram comprar ingressos para a final de domingo e, por isso, estão pensando seriamente em não serem mais associados do clube. Agora mesmo interrompi a redação deste post para atender ao amigo Ricardo Rangel, sócio do Santos desde 1978, conselheiro suplente nesta gestão, que queria comprar ingressos para ele e seus filhos, mas entrou no site do clube logo que abriram as vendas e, segundo ele, os ingressos já estavam esgotados.

Escolher um estádio que só comporta 14 mil pessoas, das quais menos de 12 mil devem ser santistas, sabendo que o clube tem cerca de 25 mil sócios adimplentes, é uma temeridade. Já que a única vantagem do sócio do Santos é pagar meia entrada nas partidas, não poder assisti-las torna essa associação inútil, alegam eles. A meu ver, porém, a situação não é tão simples e permite análises de vários ângulos, favoráveis ou não à escolha da Vila Belmiro para este jogo. Vejamos alguns:

1 – Somos sócios para ajudar o Santos. Se em algumas partidas nossa ajuda presencial não é necessária, pois seremos bem representados por um estádio lotado empurrando o time, então que nos conformemos. É óbvio que, qualquer que fosse o tamanho do estádio, muitos santistas interessados em ver o jogo ficariam de fora.

2 – Nestes confrontos decisivos, os jogadores e a comissão técnica do Santos têm preferido jogar na Vila Belmiro. Então, cabe a pergunta: historicamente, o Santos tem mesmo uma probabilidade maior de vitória quando manda seus jogos na Vila Belmiro? Mesmo sem fazer todas as pesquisas necessárias, eu diria que sim. Mas é uma diferença mínima para o Pacaembu, por exemplo. Na verdade, nos últimos anos, o Santos tem vencido mais quando manda seus jogos no estádio paulistano.

3 – Se for campeão, o Santos ganhará um prêmio de três milhões de reais. Se jogasse no Pacaembu, ou Morumbi, provavelmente já ganharia esse dinheiro com a renda do jogo, independentemente de conquistar o título ou não. Fica a pergunta: vale a pena perder dinheiro com a arrecadação e descontentar torcedores e sócios pela vantagem teórica – que não representa 10% a mais de chances de vitória – de jogar na Vila Belmiro? Os jogadores e a comissão técnica acham que sim e a diretoria, que também tem o objetivo político de satisfazer o seu curral eleitoral na cidade de Santos, concorda. O presidente Modesto Roma disse que ouviu os torcedores, mas, certamente, se referiu aos torcedores mais próximos dele. Se ouvisse a maioria dos santistas de todo o Brasil, fatalmente a decisão seria outra.

4 – Mesmo endividado, será que o título não pode trazer ao Santos maior visibilidade e maiores possibilidades de conseguir um bom patrocínio? Neste caso, não vale a pena correr o risco de perder dinheiro a curto prazo, mas aumentar a chance de ganhá-lo em maior quantidade em médio e longo prazos? Outra pergunta que se aplica no caso é: há um plano para capitalizar um possível título Paulista e transformá-lo em ações de marketing, ou passará em branco?

5 – Mas um time grande, com uma grande torcida, poderá chegar ao patamar de 100 mil sócios e de arrecadar o mesmo que seus principais rivais jogando em um estádio pequeno? Não está na hora de o Santos trabalhar esse aspecto psicológico de seus atletas para que se sintam em casa em qualquer estádio, desde que sejam incentivados por 90% dos torcedores presentes, como ocorreria se jogasse no Pacaembu ou Morumbi? Ou alguém diria que o Alvinegro Praiano, na época em que realmente era Gigante, se sentiu fora de casa enfrentando o Milan, no Maracanã?

6 – Desprezado pela TV Globo, que tem a sua própria divisão geopolítica do futebol brasileiro, e pelos grandes patrocinadores, que não o vêem como um time de massa (e a própria direção do clube lhes dá boas razões para pensar assim), as opções mais viáveis para o Santos arrecadar o dinheiro suficiente para se manter como time competitivo é conseguir grandes arrecadações e aumentar significativamente seu quadro de sócios, e isso é incompatível com a filosofia de jogar seus grandes jogos na Vila.

7 – Se a decisão definitiva é mandar seus jogos na cidade de Santos, então é evidente que o estádio Urbano Caldeira, neste formato reduzido em que está hoje, não comporta os sonhos de um Santos maior. Ou ele tem de ser bem ampliado, ou o clube deveria buscar uma parceria com os coirmãos Portuguesa Santista e Jabaquara e, principalmente, com a Prefeitura de Santos, para a construção de um grande e moderno estádio municipal, com capacidade de 30 a 40 mil pessoas. Um estádio amplo, mais confortável, com visão total do jogo, melhores condições de estacionamento e segurança, atrairia muito mais torcedores, faria o paulistano voltar a descer a serra para ver jogos de seu time e com isso a média de público beiraria 15 mil pessoas, tirando o Santos do limbo em que se encontra.

8 – Por outro lado, esta decisão de campeonato em casa, com todos os detalhes da organização do espetáculo nas mãos da diretoria do Santos, nos dará uma boa ideia do nível de organização do clube com esta nova gestão. Diante de tanta procura por ingressos, será inadmissível se o estádio não estiver completamente tomado e se todos os ingressos não forem comprovadamente vendidos. Se surgirem entradas nas mãos de cambistas, ou se forem distribuídos ingressos de cortesia para um jogo em que tantos querem pagar para assistir, alguma coisa estará errada, muito errada. Ah, e que não vejamos também aqueles buracos enormes nas cativas, e nem sejamos surpreendidos por uma lista gigante de despesas diversas.

Estádios das decisões do Santos desde 2002

2002 – Brasileiro – Morumbi – campeão
2003 – Libertadores – Morumbi – vice
2004 – Brasileiro – Teixeirão (S.J. do Rio Preto) – campeão
2006 – Paulista – Vila Belmiro – campeão
2007 – Paulista – Morumbi – campeão
2009 – Paulista (1º jogo) – Vila Belmiro – vice
2010 – Paulista – Pacaembu – campeão
2010 – Copa do Brasil (1º jogo) – Vila Belmiro – campeão
2011 – Paulista – Vila Belmiro – campeão
2011 – Libertadores – Pacaembu – campeão
2012 – Paulista – Morumbi – campeão
2012 – Recopa Sul-americana – Pacaembu – campeão
2013 – Paulista – Vila Belmiro – vice
2014 – Paulista – Pacaembu – vice
2015 – Paulista – Vila Belmiro – ……

Agora veja lances da vitória do Sub-15 sobre a Portuguesa Santista, no estádio Ulrico Mursa. Só por estes lances gostei do goleiro, de um zagueirão, de um meia canhotinho e já percebi que o juizão não deu falta clara para o Santos na entrada da área:

E você, acha que a escolha da Vila Belmiro foi acertada?


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