Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

Tag: ética

O Eterno e o Transitório

Já estou em Santos para a sessão de autógrafos dos livros Dossiê Unificação dos Títulos Brasileiros e Time dos Sonhos, ao lado de José Carlos Peres, a partir das 19 horas, no bar Maria Chuteira, e, de repente, quase sem explicação, me ocorreu que o sentimento mais eterno que existe é o amor.

O verdadeiro amor rompe o tempo e permanece eternamente jovem e instigante, e também sábio e plácido. Sei que escrevo para pessoas que valorizam o amor, pois nada mais explicaria nosso interesse por um time de futebol.

E quais seriam as características atávicas do amor?

Bem, respeito opiniões contrárias, mas para mim ele não pode ser possessivo, excludente. É obrigatório que seja abrangente e universal, pois ele existe para unir, jamais separar; ele não segrega, congrega. Falo agora do amor porque percebi que esse que é o mais puro e poderoso dos sentimentos tem tudo a ver com o que queremos para o nosso Santos.

Não há santista daqui ou santista dali, Somos todos Santos e esse nome não poderia ter sido mais feliz para definir a nossa chapa. Não nos proclamamos gigantes ou fantásticos. Somos apenas Santos, mas somos totalmente Santos, sem divisões, sem privilégios, queremos que o mais humilde dos santistas, do lugar mais distante, se sinta tão dono do clube como nós.

AMOR é uma palavra tão bonita… Lembra a imensidão do mar, a união e a renovação dos seres e da esperança. Esqueçamos aquilo que representa o contrário do AMOR. Esqueçamos a palavra e o sentimento de segregação que representam o contrário de A-M-O-R, letra por letra, pensemos apenas no AMOR fraterno que queremos para o nosso Santos.

O ETERNO E O TRANSITÓRIO

Livros são eternos porque a história é eterna. Quem torce para qualquer outro time talvez nem precise ler livros de futebol, mas o santista de verdade tem essa obrigação porque o Santos continua sendo um dos maiores mais por tudo o que já fez do que pelo que está fazendo. Outra necessidade eterna é a ética. Nada que é feito sem ela tem valor. Mas sobre isso falarei mais abaixo. Primeiro, concentromo-nos na imortalidade da história…

Em poucas palavras, a história fica. Quando, lá na frente, perguntarem a você quais suas lembranças deste longínquo Campeonato Brasileiro de 2017, o que dirá? Que o Santos foi campeão, vice, que conseguiu uma vaga para a Libertadores… Sim, parece que o que nos resta é essa última possibilidade. Por isso o jogo de logo mais, em Chapecó, é tão importante.

No ano passado o Santos foi o único time que ainda adiou a festa do eneacampeão Palmeiras. Agora é aquele que novamente pode retardar os fogos do alvinegro da capital. Para isso, porém, precisará vencer hoje, a partir das 20 horas, na Arena Condá, o que, sabemos, não é fácil. A Chapecoense ressurgiu dos céus para se tornar um adversário perigoso dentro ou fora de sua casa e hoje lutará muito pelos três pontos que significarão sua permanência na Série A.

O time de Santa Catarina tem o oportunista centroavante Wellington Paulista e o rápido lateral-direito Apodi, que já jogaram no Santos e por isso nos colocam em alerta com relação à “maldição do ex”. Que sejam bem marcados.

Sem David Braz e Bruno Henrique, o Santos deverá ser escalado por Elano com Vanderlei, Victor Ferraz, Lucas Veríssimo, Luiz Felipe e Caju; Alison e Renato; Lucas Lima, Copete e Arthur Gomes; Ricardo Oliveira. No papel, pode ganhar os três pontos, mas o santista sabe que no quesito espírito de luta, que acaba decidindo um jogo desses, os adversários têm mostrado mais. Vamos ver até que ponto esses nossos jogadores estão comprometidos com a sagrada história do Santos…

Em uma eleição, a ética é sagrada

Em uma eleição, como a que teremos para a presidência do Santos, dia 9 de dezembro, as promessas e as mentiras passarão, mas ficarão a verdade e as obras efetivamente construídas. Enfim, a ética pairará sobre as aflições e ambições do momento. Pessoas sairão dela mais fortes e respeitadas, outras perderão a alma em busca de recompensas imediatas e transitoriamente materiais. Faço esse preâmbulo antes de tocar em um assunto bem relevante…

Recebi esses dias o e-mail de um eleitor preocupado com a lisura das eleições santistas. Ele escreveu:

Sobre o que aconteceu na eleição do Vasco, temo que possa acontecer o mesmo na eleição do SFC.
https://oglobo.globo.com/esportes/torcedor-revela-convite-de-funcionario-do-vasco-virar-socio-sem-pagar-so-para-votar-22058193

Senão vejamos. Consegui me cadastrar no sociorei em (setembro passado), com o número de matrícula 999.999 (não colocarei seu nome e nem seu número de matrícula para protegê-lo, mas ele se prontificou a depor em juízo caso seja necessário), estando apto a votar na eleição de 09.12.2017. Ao conferir a listagem de sócios, divulgada no portal do SFC, notei que o último dessa lista apto a votar nessa eleição tem o numero de matrícula 175.558 (Flavio H. Cuoghi). Tal como ocorreu na eleição do Vasco, como não suspeitar desse movimento atípico de associação, pois foram quase 3.100 novos sócios em pouco mais de 2 meses? No caso do Vasco, a oposição tomou algumas medidas para poder rastrear as possíveis irregularidades.
Grato

Bem, eu já tinha recebido denúncias dando conta de que no final do ano passado muitas pessoas, todas ou quase todas da Baixada Santista, foram agraciadas com carteirinhas quitadas de sócio do Santos. Não poderia divulgar isso sem provas ou evidências. Agora, diante desse e-mail tão preocupante, resolvi pesquisar alguns nomes dessas 3.100 pessoas que se tornaram sócias no final de 2016, a ponto de poderem votar agora.

Bem, todos os novos sócios que eu pesquisei realmente moram ou trabalham em cidades da Baixada Santista. Muitos, pelo que vi, não têm qualquer ligação com o Santos ou mesmo com o futebol. É estranho que tanta gente da mesma região, em tão pouco tempo, tenha se associado ao Santos? Sim, pois se essa média fosse normal o clube conquistaria 30.000 associados por ano e não os estaria perdendo em progressão geométrica, como ocorreu em todos os outros meses desta gestão. E por que quase todos são da Baixada Santista, que normalmente contribui com um número bem menor de associados do que a Capital? Bem, são coisas para se pensar…

Sei que muitos moradores de Santos já ouviram essa história e até dizem saber quem estaria por trás dessa suposta distribuição de carteirinhas. Mas aqui cabe uma pergunta: isso é ilegal? Que eu saiba, não. Se muitas pessoas quisessem votar em um candidato a presidente do Santos, mas não tivessem dinheiro para se associar, poderiam recorrer a alguém que lhes pagasse as carteirinhas? Sim.

Agora, algumas dúvidas ficariam no ar: Foram essas pessoas que as pediram, ou receberam as carteirinhas sem ao menos serem consultadas? De onde veio o dinheiro para pagar por essas associações? De um investidor, de um empresário, do…? A verba recorrente dessas milhares de associações está sendo computada no último balanço do clube? Se a anuidade do Santos é de 260 reais, 3.000 sócios representam 780 mil reais!

É bom que isso fique esclarecido porque a dúvida gera a desconfiança. Mesmo que seja legal, obviamente não é ético agir assim para se ganhar uma eleição, e a ética é uma obrigação em todas as relações humanas, principalmente naquelas que mexem com as vontades e os destinos de tantas pessoas, que é a eleição para o comando de um clube de futebol. Quem trapaceia no pleito, trapaceará muito mais quando tiver o poder nas mãos. Por isso, o próprio clube, para que não fique nenhuma dúvida no ar, deveria explicar o porquê desses milhares de sócios que desembarcaram no Alvinegro Praiano no finalzinho de 2016, em cima do prazo para garantir o direito de voto na eleição de 9 de dezembro de 2017.

Enfim, o essencial é a democracia, o respeito à vontade do eleitor, a obediência ao livre desenvolvimento dos fatos. Aqui neste blog todos sabem de minha preferência por José Carlos Peres e pela chapa Somos todos Santos, que me dará a oportunidade de atuar mais diretamente no clube durante três anos, trabalhando para realizar muitos dos planos e sonhos que desfilamos aqui, mas já li comentários neste blog falando de outras preferências, contrárias à minha indicação. Ótimo. Percebo que aqui há partidários de todos os candidatos. Tudo bem, desde que discutamos ideias. Se a escolha é consciente e leva em conta o que é melhor para o Santos, nada a objetar. Que vença quem realmente tiver mais capacidade de mudar o Santos, com competência, transparência e profissionismo. Mas sem esquecer a obrigatória ÉTICA, por favor.

E você, o que acha disso?

Mudança de domicílio eleitoral
Você que é sócio do Santos e quer votar em São Paulo no dia 9 de dezembro, deve enviar um e-mail para o endereço domicilioeleitoral@santostd.com.br avisando que pretende votar em São Paulo. O e-mail deve conter o seu nome completo, número do CPF e número de sua carteirinha de sócio do Santos. No dia da eleição, compareça à sede da Federação Paulista de Futebol, na rua de mesmo nome, Barra Funda, com sua carteirinha do Santos e um documento de identidade com foto.


Tempos rudes

anderson silva
O brasileiro Anderson Silva, 38 anos, abandona a arena com a perna fraturada.

Vivemos tempos grosseiros, desrespeitosos, violentos. Tempos rudes. Há, por todos os lados, evidências de que a sociedade não está evoluindo para o caminho da justiça, da compreensão e da paz, como desejamos a cada Natal, a cada passagem de ano. O esporte, ou o que tem sido tratado como tal, é um retrato disso. A sordidez do nosso futebol, por exemplo, vai além dos campos.

Não me refiro apenas à corrupção das instituições, como o STJD, a Fifa, a CBF, a comissão de arbitragem e os dirigentes dos clubes. Refiro-me também à corrupção das pessoas, boa parte delas, que parecem ter perdido seu código interior de justiça, ética e moral.

Alguns meses antes de sua morte, estive no Rio com Armando Nogueira, o último dos grandes cronistas esportivos brasileiros, e ele me confidenciou, desanimado, que não tinha mais gosto de escrever sobre futebol, principalmente pela Internet, pois tudo era levado para a estreita visão clubística e os leitores, agressivos e mal educados, o ofendiam de todas as maneiras.

Armando era de um tempo romântico e muito mais elegante, em que a opinião dos leitores vinha por carta, com nome e endereço do signatário. Hoje os sites e blogs estão repletos de pseudônimos falsos, que se multiplicam com o único objetivo de ofender a instituições e pessoas. Sim, pois além de tudo, vivemos um tempo propício aos covardes.

Talvez por isso, pela carência de heróis realmente corajosos, esse tipo de luta vale-tudo, que vitimou o brasileiro Anderson Silva, tenha se tornado tão popular.

Há cinco décadas o público se divertia com a luta-livre, ou o telecatch, transmitido pela TV Excelsior, no qual mocinhos e bandidos faziam combates faz de conta que empolgavam a platéia. Os ídolos Ted Boy Marino, italiano de nascimento, mas naturalizado argentino, e Fantomas, cujo nome verdadeiro era Guerino Cicon, um marceneiro de Piracicaba de quase dois metros e mais de 100 quilos, contra os vilões Moicano, Cantinflas e Aquiles, em encontros históricos.

Eram lutas de mentirinha que, entretanto, envolviam riscos e exigiam dotes acrobáticos. Os golpes mais festejados eram as chaves de perna, as voadoras e, é claro, os socos na barriga ou no rosto. Só os bandidos usavam, ou melhor, fingiam usar, os cotovelos para ferir o adversário. Tratava-se de recurso tão ignóbil, tão reprovável, que o público, mesmo adorando a pancadaria, ficava indignado com tal artifício.

Hoje, nessa nova modalidade de luta que atrai milhões de olhares, um lutador pode se tornar campeão, famoso e milionário, desde que use bem os cotovelos para abrir avenidas nos supercílios dos rivais. E ao final, feliz, ainda explicará a técnica utilizada para destruir o rosto do oponente.

Diante da tevê, um público imenso, majoritariamente jovem, assiste a tudo sem grandes sobressaltos. Assim como uma barata resistente, que só poderá ser morta com doses cada vez mais poderosas de inseticida, as pessoas se tornaram insensíveis a pequenas violências. Para que sejam tocadas, é preciso mais sangue, mais terror, mais grosseria. Então, a tevê dá o que o telespectador quer.

A mesma Globo que desprezou o inspirador mundial de handebol feminino, escalou sua melhor equipe para trazer, de madrugada, o grande duelo de cotovelos e supercílios que no final só mostrou a constrangedora fragilidade do ser humano, em um evento patético que lembrou as derradeiras lutas do circo já decadente do Império Romano.

Seres humanos não foram feitos para sangrarem na frente da tevê. Não me diga que penso assim porque sou “velho”. Admito que comecei a ver tevê em uma época em que cada emissora tinha a sua orquestra, o seu corpo de baile e o noticiário jamais passava cenas reais de violência. Percebia-se uma preocupação de transmitir cultura e lapidar o caráter dos brasileiros.

Hoje, o que vale é o ibope, que se transforma em publicidade e daí vira dinheiro vivo. Se querem socos e pontapés, não perdem por esperar. A tevê assumiu a total amoralidade. O que gera lucro é bom, o que não gera, é ruim. Que a sociedade desenvolva seus valores sozinha, pois a tevê lavou suas mãos.

Porém, como tudo tem uma explicação, esse culto aparentemente repentino à violência não nasceu do nada. Para a Suzana, a atração popular por essas lutas que mancham de sangue os octódromos do mundo, pode ser explicada pela necessidade de as pessoas exorcizarem a violência que está dentro delas.

Concordo. O que não podemos, ou não devemos, fazer com os políticos e dirigentes do esporte, com motoristas que passam o sinal vermelho, com motoqueiros e ciclistas que cortam caminho pela calçada e com as pessoas que se expressam por meio de palavrões, os gladiadores modernos fazem por nós. É triste que tenha de ser assim. Mas é a dose de inseticida que nossa sociedade precisa para suportar as cotoveladas na cara que leva todos os dias.

Uma homenagem a Ted Boy Marino, o ídolo do telecatch, nascido em 8 de outubro de 1939, em Fuscaldo Marina, Itália, falecido em 27 de setembro de 2012, no Rio de Janeiro, aos 72 anos:

E pra você, por que essas lutas ficaram tão populares?


Neymar jogou o Mundial já comprometido com o Barcelona

messi e neymar
Um mês antes da final o Barcelona tinha pago por Neymar a primeira parte de 10 milhões de euros.

Em novembro de 2011, um mês antes de entrar em campo para enfrentar o Barcelona pelo título mundial, Neymar havia recebido do clube catalão a primeira parte de um pagamento de 10 milhões de euros como adiantamento pela compra de seu passe. Ou seja, o garoto já estava comprometido com o clube que sonhava defender um dia. Então, fica a primeira pergunta: com que cabeça e ânimo o jovem craque deve ter entrado em campo para o jogo mais importante do Santos dos últimos 50 anos?

Como ficamos sabendo nestes últimos dias, Neymar sempre sonhou jogar no Barcelona – que ele considera mais do que um clube de futebol – e atuar como garçom de seu ídolo, Messi. Com a pequena fortuna de adiantamento do Barcelona paga, estrategicamente, a partir de um mês antes do provável confronto entre os dois times, é evidente que o atacante do Santos, na euforia de seus 19 anos, estava totalmente despreparado psicologicamente para atuar naquela partida frente o poderoso campeão europeu.

Uma decisão de Mundial é para se matar ou morrer, é jogo para se dividir com a cabeça, como costumava dizer Clodoaldo – ainda mais para um time sul-americano, que tem nessa competição a chance única de mostrar sua cara e ser respeitado pelo mundo. A forma apática, conformada, com que o Santos se apresentou, pode ser explicada, em parte, pelo desinteresse de Neymar. Ele sabia que se brigasse, arrumasse confusão, fosse considerado hostil pelos jogadores e pela comissão técnica do Barcelona, ainda poderia ter sua contratação vetada. Então, foi dócil, pouco atrevido, quase submisso.

A informação do adiantamento de dez milhões está no site oficial do Barcelona e foi divulgada pelo vice-presidente do clube, Josep Maria Bartomeu. Se o dinheiro foi entregue a Neymar sem o conhecimento do Santos, então o caso deve ir à Fifa, o negócio poderá ser impugnado e o Barcelona arcará com punição pesada. Porém, se o Santos sabia de tudo, o que é a hipótese mais provável, então chega a hora da segunda pergunta: Por que a diretoria santista, o pai de Neymar e o próprio jogador negaram o tempo todo que já tinham um pré-acordo com o Barcelona?

E logo em seguida somos obrigados, nessa busca pela verdade, a fazer outra pergunta crucial: Por que aceitaram um negócio com o Barcelona um mês antes do Mundial da Fifa, no qual, provavelmente, o clube catalão seria o adversário do Santos na disputa pelo título? Será que era tão difícil perceber que isso iria ficar martelando na cabeça de Neymar e reduziria drasticamente o seu desempenho?

Por fim, a questão primordial: por que a direção do Santos escondeu do próprio Conselho do Clube e dos seus 50 mil sócios que Neymar já estava negociado com o Barcelona e já tinha recebido 10 milhões de euros do time catalão? Como fica agora a confiança dos conselheiros, dos sócios e dos torcedores do Santos nessa diretoria?

Não sei, mas acredito que depois dessa quebra total de confiança entre os santistas e a direção do clube, a atitude mais correta e ética que as pessoas do Santos envolvidas nesse caso deveriam tomar é colocar seus cargos à disposição e, se o estatuto permitir, marcar novas eleições para a presidência do clube. Não haverá mais clima para continuar convivendo e aceitando decisões de gente tão mentirosa.

Reveja o desempenho de Neymar contra o Barcelona, na final do MUndial da Fifa:

O que você achou disso tudo?


Cadê a coerência, minha deusa?

Antes que digam que sou anti-Globo, devo dizer que considero esta tevê brasileira uma das melhores do mundo. Do ponto de vista técnico. Sua qualidade de imagem é superior. Os cenários de suas novelas, magnífico. As inovações que introduziu nas transmissões do futebol – como o tira-teima e diversos ângulos de visão da mesma jogada – merecem aplausos. Mas, como aquele personagem da Escolinha do Professor Raymundo, “se sei, digo que sei”. E tenho um cérebro e um senso de ética que não param de funcionar e não são freados por interesses passageiros, como a fama e um bom salário. Por isso, cobro ética e coerência da Rede Globo.

Por que não cobro de outras emissoras? Porque, com relação a algumas delas, já perdi totalmente a esperança. Se uma poderosa rede de tevê se enriquece vendendo lotezinhos no céu, não pode ser levada a sério, não é mesmo? Se outra, mesmo com o nome “Bandeirantes” desta nossa terra tão poderosa, que congrega os dois mais poderosos mercados do País (a capital e o Interior de São Paulo), se submete aos interesses da carioquíssima Globo, o que podemos esperar dela?

Então, por mais que critique, por mais que pareça um inimigo da Globo, na verdade sou um otimista e acho que a solução para boa parte dos problemas brasileiros, incluindo o futebol, está na Deusa Platinada. Há muita gente boa lá dentro, eu sei. Minha expectativa é de que essas assumam o controle da emissora e a façam trilhar o caminho da ética.

É possível conciliar ética e ibope? Sei lá, este é um tema para um TCC (estudantes de Jornalismo, pensem nisso). Para mim, é. Com relação ao nosso futebol, quem disse que o torcedor gosta de mutretas, privilégios e favorecimentos?  Mesmo os torcedores mais fanáticos estão recebendo o quanto é desagradável comemorar um título sob suspeita, que os torcedores rivais jamais respeitarão.

Não são apenas ministérios que privilegiam

O jornalismo da Globo tem se destacado nas denúncias de corrupção e favorecimento em alguns ministérios do governo brasileiro. Isso é jornalismo elogiável. Agora, quando vemos o mapa do Brasil e percebemos que a maior parte do território nacional, ou seja, 15 Estados, receberão, pela tevê aberta, apenas imagens do Campeonato Carioca, temos o direito de perguntar: isso também não é favorecimento ilícito, anti-ético e odioso, da mesma laia que o praticado em alguns ministérios de Brasília?

Ora, todos os grandes clubes brasileiros lutam por espaço na mídia, por conquistar novos mercados e novos torcedores. Por que apenas o Campeonato Carioca, que nem é o mais forte ou vitorioso do Brasil, deve ser beneficiado com esse privilégio da divulgação nacional?

Assim, muito mais do que crítico, sou um torcedor da Globo. Torço para que a direção do seu jornalismo esportivo siga os mesmos preceitos que o seu manual de jornalismo apregoa. Se é para impingir a alguns Estados um futebol alienígena, que se faça uma pesquisa antes para se saber o que o povo quer ver.

Será que, com a opção de assistir ao forte futebol paulista, que soma seis títulos mundiais, sete Copas Liberadores e 29 Brasileiros, que tem o Santos de Neymar, o campeão brasileiro Corinthians, São Paulo, Palmeiras, Portuguesa, Ponte Preta, Botafogo e tantos outros times de tradição, a maioria do Brasil ainda preferiria ver os jogos do Rio?

Será que, se há algum bairrista na história, este(a) não é a Rede Globo? Que, além do futebol, tenta impregnar o seu carioquês, os seus “feisssta, meissssmo e estreissssi” aos quatro cantos de um País cuja riqueza é, justamente, a diversidade cultural que inclui e respeita os seus vários sotaques, igualmente valiosos?

Enfim, ao contrário do que alguns dizem, sou um amante da deusa. Mas quero que ela entre na linha e comece a praticar o que prega. Nada de favorecimentos, nem de privilégios. Que os grandes clubes, verdadeiras instituições do nosso futebol, possam crescer sob regras justas e democráticas, obrigatoriamente idênticas para todos.

E você, acha que a Globo pratica a ética que cobra dos políticos brasileiros?


Este blog é o ombudsman do Santos

Dia desses, conversando com a Suzana sobre as surpresas agradáveis de se trabalhar com este blog, ouvi a exclamação que gerou este artigo: “Mas você é o ombudsman do Santos, Odir!”. Sim, acho que o espírito é esse. Só que não sou o ombudsman sozinho. Compartilho esta função com meus inteligentes e sagazes leitores, entre eles alguns da mais fina estirpe, que me surpreendem a cada dia.

Antes de mais nada, vamos saber o que quer dizer esse negócio de ombudsman? Bem, é a pessoa incumbida de observar e criticar as falhas de uma empresa, pondo-se no lugar do público. O termo tem origem sueca, e significa “representante”. Pois é. Nós somos os representantes dos milhões de santistas espalhados pelo mundo.

Por isso, não devemos ser marcelistas ou laorzistas. Somos apenas e tão somente santistas. Mas não apenas torcedores fanáticos. Pois o Santos está inserido em um contexto que envolve outros adversários e a imprensa. Sem ética, sem respeito aos rivais e sem isenção – apesar do fato de sermos torcedores –, não conseguiremos exercer uma crítica saudável e construtiva.

E a crítica é essencial para a evolução de uma instituição. Ela ajuda a detectar e corrigir falhas, ela aponta caminhos. Várias cabeças pensam melhor do que uma, certo? Por isso, sempre defendi a oposição, pois ela é fiscalizadora. Um regime sem opositores corre o sério risco de se tornar ditatorial.

Respeito ao adversário

Vocês já devem ter percebido que mesmo sendo um blog preferencialmente de santistas, os adversários são tratados com consideração por aqui. Não me refiro a eles por apelidos ou termos pejorativos. São Paulo é São Paulo, Corinthians é Corinthians, Palmeiras é Palmeiras. Além de um santista orgulhoso, tenho orgulho de meu estado e do futebol que é praticado aqui. Os adversários também são responsáveis por isso.

Admito que o torcedor tem o direito de extravasar sua paixão e de passar por cima de certas regras de etiqueta, mas minha postura, como mentor do blog, tem de ser outra. Até porque este não é apenas um blog de torcedor, mas de analistas da situação do Santos, de pessoas que propõem soluções para os problemas do clube, desde técnicos e táticos, até administrativos e estruturais. E o melhor é que há neste blog pessoas que realmente têm gabarito para fazer estas propostas.

O torcedor comum tem a mania de desmerecer os adversários. Nenhum presta, todos têm defeitos e são inferiores… Eu penso um pouco diferente, pois é a grandeza dos outros que tornam o nosso time ainda maior. Se tivesse inserido em outro Estado, obviamente as conquistas do Santos não teriam o mesmo valor. Para se sobressair no competitivo futebol paulista, que conta com alguns dos melhores times do país, o Santos tem de ser mesmo excepcional, ou sucumbiria.

Respeito à ética

Sei que outros torcedores preferem ganhar títulos roubados e no último minuto, para assim ferirem ainda mais os rivais. Mas, estou certo, este não é o pensamento do santista. Ele adora ganhar títulos no último segundo, sim, como o Brasileiro de 2002, mas com gols legais e, de preferência, bonitos.

O santista não quer para os outros o que não quer para ele próprio, e esse é um diferencial magnífico, que me envaidece. Este é um dos motivos que me faz repetir que muitos são os chamados, mas só os santistas são escolhidos. Talvez seja um exagero de torcedor, mas sinto que, ao menos quanto à ética, corresponde à verdade.

Um time que ganhou 95% de seus títulos mais importantes no campo do adversário, não está acostumado a levar vantagem usando a pressão de seu estádio e todos os artifícios que poderiam vir deste fato – esconder bolas, fazer cera, ameaçar e subornar a arbitragem, tornar o vestiário do visitante impraticável, abusar da violência etc.

O Santos, que cresceu quando São Paulo já tinha três times enormes, também aprendeu a vencer sem conchavos de bastidores. Hoje, mesmo com um dos melhores currículos do país, continua se valendo, exclusivamente, de seu futebol. Esta prioridade explica seus recordes, suas marcas inalcançáveis…

É bom falar do Santos pois não se está tratando apenas de mais um clube, mas de uma das melhores partes da história do futebol. Ao falar do Santos falamos do futebol-arte, do time que encantou o mundo, que fez mais gols na história, que teve Pelé, o Rei do Futebol, e que de tempos em tempos revela outros craques maravilhosos. O Santos é uma instituição que precisa ser defendida e preservada. Não pode ficar à mercê dos interesses comerciais da imprensa e nem dos interesses políticos dos políticos. Como costumo dizer, o Santos é uma boa causa.

O futuro deste blog

Você, leitor, definiu o futuro deste blog. No começo, tinha a ilusão de que poderia falar de outros assuntos, mas, por minha condição de pesquisador do Santos e autor de alguns livros sobre o clube, os santistas tomaram conta do pedaço.

Então, está definido que este blog tratará, profundamente, dos assuntos do Santos. Mais do que informar, tentará, com sua ajuda, analisar as questões internas do clube e a forma como ele se expõe publicamente. Conto com você nesta equipe que continuará exercendo o papel de ombudsman do santista.

Mas oara que eu possa me dedicar a este blog como venho fazendo, para que ele mantenha sua independência política, ele terá, também, de ser independente do ponto de vista financeiro. Assim, prepare-se: logo terei de anunciar presentes, passeios, viagens e demais opções de compra. Recomendarei só aquilo que me agrada e espero que de vez em quando você possa adquirir os produtos e serviços anunciados aqui.

Espero ainda que você compreenda que não há como manter um serviço que exige tantas horas de dedicação diária sem um faturamento mínimo. Sei que todos precisamos consumir e tentarei trazer algumas das melhores opções aqui. Mas não se sinta pressionado a nada. Só a sua visita a este espaço é altamente compensatória e me deixa extremamente feliz.

E você, o que espera deste blog? Acha que a definição de ombudsman do santista é boa? O que sugere para melhorá-lo?


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