Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

Tag: Fabiana Murer

Com amor, esta é maneira certa de ver e analisar o Brasil no Pan

Minha primeira viagem internacional foi para cobrir os Jogos Pan-americanos de Porto Rico, em 1979, pelo Jornal da Tarde, ao lado do jornalista Castilho de Andrade. Para quem ama o esporte, o encanto e a excitação de acompanhar tantas modalidades, com muitos dos melhores atletas das Américas, é indescritível. Acho que por isso eu e Castilho trabalhamos com tanta vontade que nossa cobertura ganhou o Prêmio Esso de Informação Esportiva daquele ano.

O amor pelo Pan me fez, em 2007, escrever “Heróis da América” (Editora Planeta), o livro mais completo sobre os Jogos Pan-americanos, com a história de cada edição e estatísticas de todas as provas realizadas. Bem, por aí você vê como gosto e me interesso pelos Pan-americanos.

Além de representar a grande festa de congraçamento do continente, os Jogos são um degrau importante na evolução esportiva de muitos países e, para outros, a verdadeira Olimpíada. Basta lembrar que nações como Paraguai e Bolívia jamais tiveram um medalhista de ouro nos Pan-americanos.

Sempre que um Pan é disputado, aparecem os críticos que duvidam de sua utilidade e, para diminui-lo, o comparam com os Jogos Olímpicos. Ora, é uma comparação tão sem sentido, tão idiota, que não sei como tem tanta gente que embarca nessa onda.

É claro que a vitória nos Jogos Pan-americanos não quer dizer que o atleta vencerá também na Olimpíada. Para chegar a essa conclusão nem é preciso conhecimentos esportivos. Bastam os geográficos. As Américas são apenas um dos cinco continentes da Terra.

Há a Europa, com o maior número de países desenvolvidos e, conseqüentemente, também com o esporte mais desenvolvido; há a Ásia, com potências esportivas como China, Japão, Coréia do Sul; há a África, que domina muitas provas de atletismo; há a Oceania, com a Austrália, uma fábrica de campeões nos esportes aquáticos. Ou seja, querer que um campeão pan-americano se torne, obrigatoriamente, campeão olímpico, demonstra uma ignorância brutal.

Sem contar as eternas comparações com Cuba, que é “uma pequena ilha e ganha mais medalhas do que o Brasil e blá, blá, blá…”. Sim, é verdade que Cuba é um exemplo para o mundo quando se trata de resultados no esporte, mas não podemos esquecer que lá o esporte teve um grande investimento da União Soviética, pois era usado como meio de propaganda do regime político. Ainda hoje há programas especiais financiados por dinheiro estrangeiro que mantém o alto nível do esporte na Ilha. Para o jovem cubano, esporte e música são as duas formas mais viáveis de ascensão social.

Porém, só para bagunçar a cabeça de alguns, lembro que na última Olimpíada, em Pequim, o Brasil ficou em 23º e Cuba em 28º. E que o país mais bem classificado das Américas, com exceção dos Estados Unidos, foi a Jamaica, em 13º, com seis medalhas de ouro.

Mas isso quer dizer que a Jamaica tem o esporte mais desenvolvido do que todos os outros países americanos? Não, quer dizer que têm velocistas extraordinários, os melhroes do mundo. Mas não dá para comparar, no todo, o nível do esporte jamaicano com o brasileiro, assim como não dá para comparar o prestígio esportivo do Brasil, somadas todas as modalidades – incluindo as profissionais, como automobilismo, tênis, futebol – com o de Cuba.

Em Guadalajara, uma participação histórica

Ficar em terceiro lugar, com 47 medalhas de ouro, superando o anfitrião México, o Canadá e com 26 medalhas de ouro a mais do que a Argentina – a quem ultrapassou na história de todos os Pans – representa a melhor participação brasileira em Jogos Pan-americanos.

Sim, melhor mesmo do que a do Rio, em 2007, pois se sabe que o país sede sempre ganha medalhas a mais por poder incluir modalidades nas quais se destaca (como o futsal, jogado no Rio) e pela complacência dos árbitros. Por isso estas 47 de ouro em Guadalajara valem mais do que as 54 do Rio.

O que a participação do Brasil em Guadalajara tem de mais animador é que o país está marcando presença em modalidades nas quais sempre foi um figurante. A medalha de ouro do levantador de pesos Fernando Reis foiu o maior exemplo dessa expansão.

Não se pode esquecer, ainda, que o maior objetivo do Comitê Olímpico Brasileiro era usar os Jogos para aumentar o número de atletas classificados para a Olimpíada de Londres. Com as vitórias no handebol feminino, hipismo, pentatlo e triatlo, o Brasil classificou mais 21 atletas para a Olimpíada de 2012, o que faz a delegação nacional contar desde já com 100 integrantes em Londres. O objetivo final é criar condições para um grande desempenho do esporte nacional nos Jogos do Rio, em 2016.

Até agora o Brasil só subiu ao pódio olímpico em 11 esportes: atletismo, basquete, boxe, futebol, hipismo, judô, natação, tae kwon do, tiro, vela e vôlei. A intenção do COB é que novas modalidades sejam incorporadas em 2016. Eu acredito que isso será possível.

Enxergar além das medalhas

As medalhas, com prioridade para a de ouro, são a maior referência para analisar o desempenho de um país em competições poliesportivas como o Pan, ou a Olimpíada. Mas quem ter uma visão menos superficial do esporte, não pode se contentar com a informação que vem do pódio. Se em esportes como o tênis, ser um top ten do ranking já é algo fantástico, por que ser obrigado a analisar as modalidades olímpicas pelas três primeiras posições?

Quantos sabem que a brasileira Fabiana Murer, campeã mundial do salto com vara, foi derrotada por uma cubana que também está entre as melhores do mundo e há meses se preparava para ganhar o ouro do Pan, enquanto a brasileira Fabiana atingiu o auge do Mundial e agora estava em uma fase obrigatória de treinos menos puxados?

O pouco conhecimento do esporte faz com que muitos jornalistas “esportivos” soltem verdadeiras barbaridades por aí, o que leva o torcedor comum a se indignar com nossos atletas, quando a postura correta seria entender o processo que cada um está passando para se tornar melhor no que faz.

Enfim, Guadalajara mostrou uma evolução incontestável do esporte brasileiro. E isso sem contar com o sucesso de futebol e basquete, o que, por um lado, foi até bom. Se estas duas modalidades tivessem ganhado o outro, os críticos de ocasião diriam que o esporte brasileiro continua dependendo das mesmas modalidades de sempre. Sim, porque os do contra sempre arrumam um motivo para criticar.

E você, o que achou do Brasil no Pan?


Aplausos para as duas Fabianas que honraram o Brasil!

Não sei se eu já falei, mas gosto muito de todos os esportes. Quando não gosto, respeito. E os feitos das brasileiras Fabiana Murer e Fabiana Beltrame merecem uma pausa para meditação. O que fizeram vale mais do que mil gols, vale uma placa.

Ganhar a medalha de ouro do salto com vara no Mundial de Atletismo, superando a soviética Yelena Isinbayeva, não é para qualquer uma. É preciso não só técnica, mas uma determinação e coragem impressionantes. Parabéns Murer e ao seu técnico, que é também seu marido.

Mas difícil mesmo é ganhar uma medalha de ouro em um mundial de remo. O Brasil tem pouquíssima tradição nesse esporte e jamais havia obtido conquista semelhante. Pois esta semana Fabiana Beltrame conquistou a medalha de ouro no skiff simples, no mundial que está sendo realizado em Bled, na Eslovênia. Outra coincidência: além de também se chamar Fabiana, Beltrame é treinada pelo marido.

No US Open, a hora e a vez de Rogerinho Silva

Já que estou falando de outros esportes, aproveito para homenagear e mandar um forte abraço ao Eulício Silva e ao seu filho, Rogério, que se tornou o único tenista brasileiro na chave de simples do US OPen.

Conheci ambos quando fui sócio do Clube de Campo Castelo. Meu filho, Thiago, é da mesma idade de Rogério e chegou a jogar com ele alguns torneios da Federação Paulista, além de treinarem no Castelo.

Rogério Dutra Silva é um tenista de ótima técnica, muito inteligente e extremamente educado – fruto, naturalmente, do que aprendeu com Eulício, um dos grandes tenistas que o Brasil já teve.

No US Open, ele perdeu na última rodada do qualifying e só entraria na chave principal se algum tenista desistisse. Então, tinha de ir todo dia ao torneio, aquecer-se e esperar a chamada dos jogos. Em dias seguidos, sua espera foi em vão. Mas a recompensa veio quando o sueco Robin Soderling desistiu e Rogério, número 4 do Brasil e 114º do mundo, foi chamado ao vestiário 20 minutos antes de sua partida contra o irlandês Louk Sorensen, que também veio do qualifying.

Mesmo jogando pela primeira vez uma partida de Grand Slam, Rogerinho não se intimidou e ganhava por dois sets a um e 1 a 0 no quarto set quando o adversário desistiu com dores no braço.

Não se sabe o que virá a seguir, é improvável que o brasileiro siga muito em frente em um torneio tão forte, jogado em piso rápido, que não é sua especialidade. De qualquer forma, só por ter vencido um jogo de Grand Slam e ser o único brasileiro nas chaves de simples, Rogério Silva já merece nossos parabéns.

O futsal, no sufôco

O Santos está em uma situação crítica no Campeonto Paulista de Futsal. Joga neste sábado, às 16 horas, em Suzano (transmissão pela ESPN) e precisa de duas vitórias para passar à semifinal: tem de ganhar no tempo normal e depois ganhar de novo na prorrogação de 5 por 5 minutos.

A coisa ficou complicada com a derrota sofrida pelo Santos para o Suzano na primeira partida, em Santos, dia 23 (2 a 3). Como tem melhor campanha, o Suzano tem a vantagem do empate no tempo normal e na prorrogação. Ficou difícil para o time de Falcão, mas não impossível.

Lyoto Machida quer lutar pelo Santos

O lutador Lyoto Machida, que diz ser santista, quer ser patrocinado pelo Santos neste vale-tudo chamado Ultimate Fighting Championship (UFC). O que você acha? Vale a pena misturar o nome do clube a um “esporte” tão sangrento? Ou pode ser interessante, pela grande visibilidade?


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