Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

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A diferença entre cornetar e prevenir. E os exemplos de 1995 e 2003

Quando um time tem um potencial técnico maior do que o adversário, como deve acontecer nesta final de Libertadores, o seu principal adversário passa a ser ele mesmo. Se achar que será campeão “naturalmente”, sem se dedicar física e espiritualmente ao combate, dificilmente sairá com o troféu.

Isso aconteceu com o Santos no Brasileiro de 1995, quando os torcedores santistas que foram ao Maracanã puxaram o coro de “É Campeão!” mesmo depois de o time perder para o Botafogo por 2 a 1.

Como o Santos estava imbatível em São Paulo e vinha de uma virada histórica sobre o Fluminense na semifinal, nenhum santista poderia imaginar que a equipe não venceria o limitado Botafogo no Pacaembu. Porém, essa empáfia só motivou o adversário que, apesar de auxiliado pelos erros lamentáveis do árbitro Márcio Rezende de Freitas, mostrou muita disposição e comemorou o título em São Paulo.

Eu diria, ainda, que a mesma prepotência, ou um pouco menor, acompanhou os Meninos da Vila no jogo contra o Boca Juniors, em La Bombonera, o primeiro da decisão da Libertadores de 2003. Toda a imprensa brasileira dizia que a vitória era certa. O time chegou a dominar o primeiro tempo, mas faltou determinação, faltou a volúpia do gol que sobrou aos avdersários.

O Boca jogou feio, mas ganhou por 2 a 0 em casa e depois se aproveitou do regulamento para atuar nos contra-ataques e vencer por 3 a 1 no Morumbi. Foi a vitória da maturidade, da garra, da aplicação, contra o talento que se imaginou insuperável.

Vejo nessas críticas ao Santos e a alguns de seus jogadores que estiveram em campo, ontem, não meras “cornetadas”, mas alertas de que será difícil ser campeão jogando assim. E o que todos os santistas querem, mais do que comemorar a passagem para uma final, é buscar um caneco que é esperado há 48 anos.

Creio que as críticas são positivas, pois alertam para a possibilidade real de fracasso que acomete alguns times, principalmente na Libertadores. Trata-se de uma competição atípica, em que já vi equipes perderem jogos ganhos ao sofrer dois, três gols, em poucos minutos. Portanto, mesmo boas vantagens não podem ser consideradas definitivas.

Vamos sair com a camisa do Santos nas ruas, vamos pendurar bandeiras do Santos nas janelas, mas não vamos comemorar nada, ainda. Outros times se contentam em jogar finais, mas o Santos nasceu para ser campeão. Vamos continuar atentos, pois se o time relaxar, como fez no segundo tempo, ontem, o título e uma oportunidade única de, mais uma vez, fazer história, escorrerá pelas mãos.

Para que essas tristezas não voltem mais…

Só para perceber como é bom ficar esperto, reveja duas decisões em que o Santos era o favorito, perdeu o primeiro jogo fora de casa e acabou ficando sem o título.

Botafogo 1, Santos 2
Primeiro jogo da decisão do Brasileiro de 1995

Boca Juniors 2, Santos 0
Primeiro jogo da decisão da Libertadores de 2003

Você ainda acha que já se deve comemorar, ou é melhor esperar pela taça?


Método Científico OC analisa Santos e Atlético/MG

Reveja os gols de Santos 3, Atlético/MG 1, última partida entre ambos na Vila Belmiro.

O jogo de logo mais, às 16 horas, na Vila Belmiro, entre Santos e Atlético Mineiro – que comentarei pela Rádio Globo – não é de prognóstico tão simples como parece.

O Santos, que tenta se reequilibrar após as saídas de Robinho, André e Wesley, não poderá contar com os titulares Edu Dracena e Marquinhos e nem com os primeiros reservas Rodriguinho e Zé Eduardo, todos suspensos.

O Atlético Mineiro, que no papel não deveria estar tão mal no campeonato, pois tem jogadores de categoria, como Diego Souza, Ricardinho e Diego Tardelli, terá a estréia de Réver, compondo uma linha de três zagueiros com Lima e Werley.

O goleiro Fábio Costa, emprestado pelo Santos ao time mineiro, não poderá jogar hoje, assim como o meia Daniel Carvalho, machucado.

Para o Santos, que ainda sonha correr atrás de mais um título brasileiro, a vitória é importante, mas esse resultado também é o pretendido pelo time de Minas, que, se perder ou mesmo empatar, continuará na zona de rebaixamento.

Times prováveis para hoje: SANTOS – Rafael; Pará, Bruno Aguiar, Durval e Léo; Arouca, Danilo e Paulo Henrique Ganso; Madson, Neymar e Keirrison. Técnico: Dorival Jr.

ATLÉTICO-MG – Aranha; Réver, Werley, Lima; Diego Macedo, Rafael Jataí, Serginho, Diego Souza e Ricardinho; Neto Berola e Diego Tardelli. Técnico: Vanderlei Luxemburgo

A arbitragem será de Héber Roberto Lopes (Fifa-PR), auxiliado pelo correto e sisudo Roberto Braatz e por Gilson Bento Coutinho (ambos PR).

Fator campo poderá ser decisivo

Bem, vamos ao primeiro passo para se analisar o potencial de cada time, a partir de um time-padrão, ao qual é dado 100 pontos. No caso, o Método Científico OC estabelece como time-padrão o São Paulo, que tem nível acima da média e é capaz de brigar por todos os títulos que disputa.

Comparado ao São Paulo, este Santos de hoje, que antes de perder alguns titulares na janela de transferências, chegava a 140 pontos, agora alcança apenas 110 pontos. Por outro lado, o Atlético Mineiro, mesmo considerando-se o fato de ter alguns ótimos jogadores, além do experiente técnico Vanderlei Luxemburgo, não passa de 80 pontos, no máximo 90.

Os dois times estão se reestruturando, mas o Santos ao menos tem uma base que deu muito certo no primeiro semestre. No quesito motivação pode-se considerar que haja um empate, pois ao mesmo tempo em que o Santos precisa da vitória para buscar mais um título este ano, o Atlético necessita urgentemente de três pontos para sair da zona de rebaixamento.

Os dois times têm desfalques e estreias, fatores que dificultam as previsões, aumentando o grau de imponderabilidade. Um estreante, como Keirrison, tanto pode acabar com o jogo, marcando gols, como pode se apagar. A mesma dúvida acompanhará o desempenho do zagueiro Rever, do Atlético.

As duas defesas não são nenhum primor, mas a do Atlético tem falhado mais. A do Santos sofreu 20 gols, a do time mineiro, 26. O Alvinegro Praiano marcou 21 vezes e o de Minas, 17.

O Atlético tem jogadores que podem definir o jogo, como Diego Souza e Diego Tardelli, além de Ricardinho; o Santos tem a dupla de ouro Paulo Hemrique Ganso e Neymar, além de Keirrison.

Porém, o elemento definitivo nesta análise é o fator campo. Na Vila Belmiro o Santos joga melhor, vai pra cima, encurrala o adversário e vence cerca de 80% de seus jogos. O Atlético Mineiro, por sua vez, cai muito quando atua distante do carinho de sua torcida.

Neste Brasileiro o time de Minas não ganhou uma única vez jogando fora. O máximo que conseguiu foi empatar em 0 a 0 com o Avaí. Nos outros cinco jogos, perdeu todos, sofrendo uma média aproximada de três gols por partida.

Santos deverá ganhar por um gol de diferença

Mesmo com as dificuldades de entrosamento e os desfalques, é bem plausível que o Santos consiga jogar 80% do seu futebol atuando em casa. Isso lhe daria 88 pontos de um total máximo de 110.

Quanto ao Atlético, mesmo que atinja 90% de seu potencial, chegará a 72, no máximo 75 pontos. E esta diferença, de 88 para 75 pontos, é suficiente para uma vitória por um gol de diferença, se bem que o empate não estaria descartado.

Está não é a minha opinião, mas a do Método Científico OC, que explanarei também nos comentários pela Rádio Globo, para onde já estou me dirigindo.

E você, acha que a previsão do Método Científico OC é correta, a vitória do Santos deverá ser folgada, ou o Atlético surpreenderá os Meninos?


Quando a carência cega… O que é preciso para ser ídolo do Santos? – Por Gerson Lima Duarte

Crédito da foto: Ricardo Saibun/Flickr Santos FC

Inspirado pelo “Pelé” do jornalismo santista, comecei a refletir sobre alguns conceitos defendidos de gratidão e idolatria do clube. Por ter nascido em 1981, vou estabelecer umas premissas para o seguimento do texto, mas gostaria muito que os santistas contribuíssem com relatos dos próprios ídolos e principalmente das gerações que não acompanhei.

Não irei falar dos jogadores que não pude acompanhar, direi da fase que acompanhei para frente o que seria aproximadamente dos anos 80 em diante. Foi a época mais difícil do Santos Futebol Clube até a virada do Século. Pelas contas, acredito que muitos poderão ver que minha infância se passou dentro de um longo jejum que passou a ser o pior depois que o Palmeiras ganhou o Paulistão contra o Corinthians em 1993. Poderia ser muito fanático e contabilizar as conquistas da Copa Denner de 1994, em cima do Botafogo, ou ainda a conquista do Torneio de Verão de 1996, com o gol de Kennedy em cima do Célio Silva do Corinthians, ou mesmo, a Copa Conmebol de 1998 (para mim uma das mais emocionantes conquistas da minha história com o Santos – assunto para outro post). Para mim, o jejum acabou no dia 15 de dezembro de 2002, dia em que o Santos foi campeão brasileiro.

Sofri e muito com diversos jogadores que vestiram a camisa santista que pareciam muito mais jogadores “espiões” que faziam de tudo para sabotar o bom futebol.

Vi o Santos trocar o César Sampaio (vice-campeão do mundo em 98) por Ranielli, Serginho Fraldinha e mais um jogador que confesso que não consigo lembrar, mas até acho que deve ser por causa do trauma que os outros dois me causaram. Só exemplifiquei para demonstrar o tamanho de nosso trauma quanto à falta de ídolos.

Nos anos 80, o Santos montou um time forte, Trouxe Serginho Chulapa, Rodolfo Rodriguez (o monstro) e o Santos conseguiu ser Campeão Paulista. Rodolfo Rodriguez para mim foi um exemplo que tive quando moleque e tinha que cumprir rodízio e jogar até tomar um gol nas peladas da vida. Ele jogou até 88, ou 89 no Santos e deixou muitas saudades. Não lembro, mesmo depois de ter saído do Santos, deste ter falado ou até reclamado do Clube que o projetou no futebol brasileiro. Tanto foi verdade que foi eleito um dos maiores jogadores da história do Santos Futebol Clube.

Serginho Chulapa foi o ícone da conquista de 1984 por ter marcado o gol que consagrou a conquista santista. Mesmo vindo de um clube rival, Chulapa conseguiu e consegue até hoje ser ídolo nos dois clubes em que passou, mesmo com um temperamento bastante explosivo.

Depois de “Copertinos, Camilos,  Sérgios Manuéis, Camanducaias, Índios, Marcelos Fernandes, Raniellis e tantos Fraldinhas”. O Santos teve alguns bons lampejos com Guga e Paulinho Mclaren, mas nada à altura do castigado coração santista.

Chegamos à geração de 1995, sim um time que “do nada”, deu liga e foi vice-campeão Brasileiro com G10vanni, Robert, Jamelli, Narciso, Carlinhos, Marquinhos Capixaba, Ronaldo Marconato, Marcos Adriano, Edinho, Camanducaia e Marcelo Passos.
Até por fruto de tamanha ausência, o jogo contra o Fluminense foi marcante para a nação santista e para mim também. Tenho muito carinho pelo G10vanni e pelo Robert (injustiçado pela falta de lembrança do campeonato de 2002) por terem promovido toda aquela rebelião e trazer a nação santista de volta ao sonho de ser campeão. Apenas para ilustrar, o Milton Neves correu na praia vestido de papai noel para agradecer aos céus o feito. Esta geração, ou estes jogadores, com exceção do messias, viraram ídolos do clube sem serem campeões pelo clube.

Não preciso dizer, que os tempos depois de 1995, foram muito tristes para a nação santista, faltaram jogadores e planejadores à altura do sonho santista. Passamos,  perto em 1998, com um terceiro lugar no campeonato brasileiro, e um vice-campeonato no Paulista de 2000, mas sem lembrar ao certo de jogadores que marcaram nossa história.

Em 2000, veio para o clube Fábio Costa, após boa passagem pelo Vitória da Bahia ele veio para substituir Carlos Germano, então goleiro titular do time santista.

Sempre polêmico, foi personagem importante na arrancada final para o título de 2002. Era um goleiro de feitos extraordinários e bizarros. Do mesmo jeito que foi um dos protagonistas do título de 2002, entregou de mão beijada, com ajuda do Paulo Almeida, a Libertadores de 2003 após duas partidas desastrosas contra o Boca Juniors.

Brigou com a diretoria no final de 2003 e assinou com o Corinthians. Desde a sua apresentação, fez questão de diminuir ou tornar ridículo o tempo em que foi jogador do Santos. Depois de ser chamado de mercenário pela torcida do Corinthians, voltou ao Santos jurando amor eterno, conquistou mais dois paulistas e muitas polêmicas até então. É um dos ídolos do clube, mesmo sendo protagonista do bem e do mal.

Fábio Costa à parte, temos uma geração vencedora nos anos de 2002 a 2004, coincidência ou não, os ídolos são justamente os protagonistas desta conquista épica. Léo, Renato e Elano, Alex e principalmente Diego e Robinho os dois que merecerão atenção especial.

Estes jogadores foram lançados por Celso Roth em 2001 e além de serem os protagonistas principais da conquista de 2002, tiveram em comum o fato de pressionarem a diretoria santista a sempre obter benefícios pessoais em virtude da fase vivida. Diego teve presença marcante de seu pai como empresário, procurador nas notícias em que sempre buscava um aumento para seu filho ou “trazer alguma proposta” do exterior e acabou saindo em 2004, sob  a ameaça do pai de que se não fosse agora, ele não renovaria seu vínculo com o Santos. Pressões paternas à parte, Diego nunca entrou  em polêmicas com a diretoria e sempre evitou discursos conflitivos. Foi para o Werder, fez boas temporadas, mas acredito que nunca foi aquele “menino da vila”. Hoje está na Juventus com o destino incerto. Robinho foi um pouco diferente. Quando foi interessante renovou o contrato com o Santos, depois de propostas trazidas pelo seu empresário, quis quebrar o contrato a todo custo em 2005. Recusou entrar em campo, sumiu. Reclamou protestou, até o presidente à época foi alvo das declarações de Robinho. Com tanta pressão, ele saiu do Santos e teve passagens discretas por Real Madrid e Manchester City. Voltou por empréstimo ao Santos. É um dos maiores ídolos da história santista segundo pesquisa realizada.

Depois desta época áurea, tivemos Zé Roberto, para mim um exemplo de atleta a ser seguido dentro e fora de campo. Um dos jogadores mais completos que vi jogar. Atuou na sua carreira, com maestria em todas as posições do meio campo, sendo castigado apenas com a pífia campanha da Seleção em 2006, merecia e muito um título mundial. Foi sempre um jogador muito claro em suas posições com a diretoria. Infelizmente a eliminação em 2007 e uma proposta milionária o levaram da Vila.
Coloquei alguns exemplos de jogadores que marcam minha passagem na vida do Santos Futebol Clube e não consigo concordar com alguns conceitos de ser ídolo do clube.

Não vejo Robinho e Diego, por exemplo, como ídolos do clube. Foram jogadores que, nas primeiras oportunidades que tiveram para mostrar o amor ao clube, fizeram justamente o oposto. Não consigo associar a conquista de títulos, ainda que sejam conquistas históricas ao status de ídolo. Perdemos muitos títulos com as atitudes destes atletas. O Santos poderia dar passos muito importantes na exploração e desenvolvimento do marketing com a manutenção dos atletas no elenco, mas a cobiça matou a oportunidade. Nada justifica a atitude dos atletas. O Santos foi relegado ao segundo plano e isto um ídolo não pode fazer jamais ao clube.

Vejo G10vanni como ídolo do clube, exemplo de postura, mesmo quando afastado, manteve em seu coração o carinho pelo clube. Sofreu sim, mas quieto, mostrou um respeito que o “amor de um milhão de reais” não tem pelo clube.

De igual maneira, vejo muito mais o Fabio Costa como um vilão do que como ídolo. É inadmissível um atleta falar o que ele falou, do clube em um momento em que ele apenas pensou no lado financeiro, sem respeitar a história e a camisa de um clube. Vejo mais uma situação de interesse. Pouca procura, aumenta-se o amor pelo clube, quando teve propostas, não teve dúvidas ao trocar e desrespeitar o clube que de fato o colocou no cenário dos melhores goleiros do país. Até admitamos que a diretoria da época tenha errado na análise de sua situação. Nada disso justifica as atitudes por ele tomadas.

Para concluir, entendo que a grandeza do Santos exige ídolos com condutas como as de Rodolfo Rodriguez, G10vanni, Zé Roberto, condutas condizentes com a grandeza do clube.  Entendo que houve muitos traumas para esta geração que pegou a fila durante sua infância, mas, não será por isso, que o Santos terá que admitir atletas mercenários que não mostram respeito pelo clube como ídolos, só por serem de gerações vencedoras. Qualidade técnica sim, mas respeito ao Santos é muito mais do que requisito. É obrigação. Amigos Santistas, esta é minha opinião baseada nos pontos que salientei, agora para você, o que um jogador precisa para ser ídolo do Santos? Dê a sua opinião, conte sua história, defenda seu ídolo.

Saudações Santásticas a todos

Por Gerson Lima Duarte


Santos escala garotos e convalescentes para enfrentar os Bafana Bafana. Assim teremos de engolir o Parreira de novo

Parreira armou o jogo-treino para não perder. E o Santos entrou na dele

Neste sábado, a partir das 16 horas, com portões fechados, os reservas do Santos enfrentarão a Seleção da África do Sul, dirigida pelo brasileiro Carlos Alberto Parreira, o mesmo que desfalcou o Santos nas quartas-de-final da Copa Libertadores de 2005, quando teimou em convocar Robinho, Ricardinho e Léo para um amistoso inútil e tirou do time a chance de vencer o Atlético Paranaense na Vila e avançar rumo a mais uma decisão da competição sul-americana.

Digo que iria à final porque depois do Atlético Paranaense o adversário seria o Chivas de Guadalajara, que por dar prioridade ao Campeonato Mexicano, jogaria as semifinais da Libertadores com reservas. Sem os três jogadores já citados e ainda sem Giovanni, cuja inscrição não foi aceita pela Conmebol, o Santos ainda foi fartamente prejudicado pelo árbitro Carlos Eugênio Simon no jogo de volta contra o clube do Paraná.

Resultado de tanta sacanagem: o Santos – que com o time completo ganharia até com facilidade do limitado Atlético/PR – perdeu na Vila Belmiro por 2 a 0 e deixou escapar a oportunidade de fazer uma final com o São Paulo, que naquela época não conseguia levar vantagem contra o Alvinegro Praiano. 

Confesso que quando soube do jogo deste sábado, esfreguei as mãos e, à lá Zito, disse: “É hoje que metemos dez em um time do Parreira”. Porém, ladino como é, parece que o treinador da África do Sul tomou suas precauções nesta que será a última partida de seu time na excursão.

O fator torcida já foi anulado logo de cara: não haverá público. Apenas 20 sócios do Santos, que participaram de uma promoção realizada no site oficial do clube, poderão acompanhar a partida. Assistirão ao jogo no camarote da presidência, ao lado de Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro.

Outro detalhe é que o Santos jogará com reservas, enquanto o time do país que sediará a Copa entrará com seus titulares. Mas não fracos? Peraí! Já venceram Ponte Preta, Desportivo Brasil, juniores do Fluminense, reservas do Botafogo e empataram com o Cruzeiro e com o Paraguai, este último em Assunção. Mais respeito, os caras estão invictos na América do Sul!

Os Bafana Bafana não são uma maravilha, mas podem golear um time desentrosado

Não dá para perder mais um jogo internacional

Um dos planos do Novo Santos é resgatar sua bela imagem internacional, certo? Ok. Mas depois de décadas sem perder em inaugurações de estádio, foi derrotado pelo Santos Laguna, do México, e pelo Red Bull, nos Estados Unidos. Assim será difícil reviver os bons tempos, em que saía por aí goleando todo mundo.

O jogo deste sábado é uma bela oportunidade de se acabar com a invencibilidade da África do Sul e dar o troco no popular “Pé de Uva”. Porém, leio com desânimo que para esta partida o técnico Dorival Junior dará oportunidade aos garotos dos juniores (sub-20) e alguns do profissional que estão voltando de contusão, como o goleiro Fábio Costa e o centroavante Marcel.

Já vimos esse filme antes em Nova York e foi horrível. O time correu o risco de tomar uma goleada e deixou péssima imagem. Tudo bem, era uma equipe reserva, mas para os gringos era o Santos. O santista tolerou porque o dinheiro foi bom e o jogo teve alguma repercussão, mas perder na Vila para o time africano do Parreira será difícil de engolir.

Por que não aproveitar a oportunidade e cobrar ingressos mais baratos, permitindo que crianças e mulheres vejam o jogo? Não entendi essa imposição de portões fechados. E por que usar garotos e jogadores fora de forma em um compromisso internacional contra uma seleção que disputará a Copa e está invicta até aqui? Os caras não são tão bobos assim, não!

Parece até que as condições do amistoso foram impostas pelos africanos, que não terão torcida contra e ainda enfrentarão um time desentrosado formado por alguns jogadores fora de forma e outros ainda inexperientes. Ou seja: fecharam todas as possibilidades de sofrer um vexame. Mas será que o Santos também não deveria ter se precavido?

Enfim, do jeito que está programado, acho este amistoso uma decisão temerária. Ao invés de proporcionar mais um momento de alegria para sua torcida, o Santos correrá o risco de ser goleado pelo time de um técnico que já deu aos santistas tantos dissabores.

O melhor seria Dorival Junior usar alguns jogadores do time principal e escalar também o Paulo Henrique Ganso, que, suspenso, não enfrentará o São Caetano. Mesmo que perca do time do ABC, amanhã, o Santos poderá garantir o primeiro lugar nesta fase do Campeonato Paulista com um empate no último jogo, na Vila, contra o Sertãozinho.

Ou seja, ao menos para mim, o jogo mais importante do Santos neste final de semana será contra a África do Sul do Parreira, neste sábado. Uma goleada contra uma seleção da Copa correria o mundo e deixaria o santista muito feliz. E eu pergunto: Para que serve um time de futebol, a não ser alegrar o seu torcedor?

Acha que estou exagerando? É melhor se concentrar no jogo contra o São Caetano e colocar um catadão para enfrentar a Seleção da África do Sul? Ou dar uma lição no Parreira não tem preço? Quero saber sua opinião.


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