Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

Tag: Felipe Anderson (page 1 of 22)

Fazendo história de novo!

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FAZENDO HISTÓRIA DE NOVO!

Sei que muitos santistas querem que a Seleção Olímpica perca logo e os três santistas voltem para reforçar o time no Campeonato Brasileiro. É compreensível. Porém, uma histórica medalha de ouro desta Seleção será também uma façanha dos Meninos da Vila. Não só de Zeca, Thiago, Maia e Gabriel – que já marcou dois gols contra a Dinamarca –, mas, por que não, de Neymar e Felipe Anderson, que se tornaram bons jogadores profissionais ao beber a água milagrosa da Vila Belmiro.

O título reforçaria a imagem do Santos como um dos maiores times reveladores de talentos no mundo, abrindo possibilidades para muitas ações de marketing.

Por falar em fazer história, adorei a vitória da Seleção Brasileira de Polo Aquático sobre a fortíssima Sérvia, um dos melhores times do mundo. Se há um esporte brasileiro que está mostrando grande evolução nesta Olimpíada, é o polo aquático.

Eu destacaria, ainda, o handebol, que deve lutar por medalhas, e a esgrima, que não deverá conseguir nenhum pódio, mas já mostrou grande progresso.

No mais, é o mesmo de sempre, com possibilidades de medalhas na natação, judô, atletismo, vela, vôlei e futebol. Mas devem ser em uma quantidade menor do que os dirigentes do esporte nacional queriam. Gastaram dinheiro demais com estádios e de menos com a preparação dos atletas. Na verdade, o verdadeiro desenvolvimento de uma modalidade não se consegue em apenas quatro anos, nem em oito. É preciso criar uma filosofia e persistir no trabalho.

A Olimpíada não deixará legados sociais ou esportivos e sua conta demorará a ser paga. A festa é bonita, mas o preço é alto demais, sobretudo em se tratando de um País com muitas outras prioridades para gastar seu contado dinheirinho. Enfim, assim como a Copa, realizada há apenas dois anos, essa Olimpíada representa mais um investimento temerário de um governo corrupto, perdulário e demagogo.

Aí do lado há uma enquete que pergunta: em quem você votaria hoje para presidente do Santos? O blog pinçou os nomes de outras enquetes de blogs de santistas. Fique à vontade para escolher quem lhe passa mais credibilidade.

O banco de ideias para o Santos continua
Envie suas ideias Para um Santos Melhor por meio da caixa de comentários. Vamos desenhando um novo Santos. Estou arquivando todas.

E você, o que acha disso?


Meninos da Vila, uma grife

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Há 80 anos o Santos era campeão paulista pela primeira vez!

O ano de 1935 começou sem dar maiores esperanças aos santistas. Nos dois primeiros amistosos, duas derrotas: 3 a 2 para o São Paulo e 1 a 0 para a Portuguesa de Desportos, ambos na Vila Belmiro. Como o Campeonato Paulista demorava a começar, deu tempo para se redimir, com vitórias sobre Corinthians (3 a 2), São Cristóvão (2 a 1), Espanha (10 a 1)…

Deu até para aceitar um convite para uma excursão ao Rio Grande do Sul, de 12 a 26 de maio, onde venceu Novo Hamburgo (4 a 2) e Riograndense (4 a 3), empatou com o Internacional (1 a 1) e perdeu para Grêmio (3 a 2) e Seleção Gaúcha (3 a 2). Uma excursão como essa, naqueles tempos de poucas viagens, era tudo que os jogadores queriam. Só que chegaram a Santos no dia 29 de maio e descobriram que a tabela marcava para o dia 2 a estréia contra o Palestra, o atual campeão paulista.

Logo de cara, um jogo decisivo, pois se o time tinha alguma pretensão de brigar pelas primeiras posições, deveria vencer o Palestra, na Vila Belmiro. No segundo turno o jogo seria no Parque Antártica e a dificuldade seria bem maior. Sabendo disso e lutando como nunca, o Santos venceu por 1 a 0, gol do centroavante Raul. Bastante modificado com relação à temporada anterior, o time jogou com Cyro, Neves e Badu; Figueira, Ferreira e Marteleti; Saci, Moran, Raul, Logu e Paulinho.

A vitória sobre um dos favoritos ao título animou os santistas, que em seguida venceram também o Espanha, no campo do Macuco (2 a 0), e o Paulista, da Capital, no Parque Antártica (5 a 1). No quarto jogo veio a derrota para o Corinthians, na Vila Belmiro (2 a 1), mas o time se aprumou de novo e venceu a Portuguesa Santista, na Vila Belmiro (3 a 1) e o Juventus, na Capital (4 a 1). Nessa última partida, a que encerrou o primeiro turno, o time ganhou o reforço de Araken, que voltava ao Santos, depois de ser um dos fundadores do São Paulo da Floresta.

Na estréia do segundo turno, outro confronto com o Palestra, desta vez no Parque Antártica, campo do adversário. Jogo tenso, difícil, que terminou sem gols. Depois, uma goleada no Espanha, na Vila (4 a 1) e outra no Paulista (5 a 2), também em casa. Mas a Portuguesa Santista complicou as coisas em Ulrico Mursa (3 a 3) e o time depois teve de vencer o Juventus em nervosos 2 a 1, na Vila, para jogar pelo título e pelo empate a última partida, contra o Corinthians, no Parque São Jorge.

Finalmente, o primeiro título paulista estava bem próximo. Mas Bilu, o técnico santista, temia que a emoção traísse seus jogadores, ou que o árbitro, Heitor Marcelino Domingues, pudesse puxar a sardinha para os times da Capital. O Corinthians ainda tinha chance de ser campeão. Para isso, precisaria venceu o Santos e, em sua última partida, vencer também o Palestra Itália.

Caso perdesse, o Santos não teria mais chances de ser campeão e ficaria apenas assistindo à decisão entre o alvinegro da capital e o Palestra – mesmo alviverde que venceu o Santos na Vila Belmiro, em 1927, quando o empate bastaria para que a taça ficasse com o Santos. Bilu, que jogou aquela partida como zagueiro, jamais escondeu a mágoa pela forma com que o campeonato lhe tinha sido tirado, com uma atuação parcial e cínica do árbitro Antonio Molinaro. Naquele 17 de novembro, no Parque São Jorge, Bilu teria a chance de, por linhas tortas, saborear sua vingança.

Por felicidade, Bilu pôde escalar o melhor santista para cada posição: Cyro, Neves e Agostinho; Ferreira, Marteleti e Jango; Saci, Mário Pereira, Raul, Araken e Junqueirinha. A boa torcida que subiu de trem para São Paulo fez o time se sentir à vontade. Entre os santistas havia muitos estivadores que entraram no estádio com garrafas de gasolina e prometiam incendiar a Fazendinha se o Santos fosse novamente roubado em uma decisão.

Felizmente, porém, além do jogo viril do rival, não se tem notícia de nenhum incidente. Diante de cerca de 15 mil pessoas, que tomaram as arquibancadas e os morros vizinhos, o Santos venceu por 2 a 0, com gols de Raul no primeiro tempo e do veterano Araken no segundo.

O jovem meia Mário Pereira, então um Menino da Vila de 21 anos, contou-me que a multidão esperava os jogadores na estação de trem de Santos – aquela que fica em frente ao Museu Pelé – e os levou nos ombros até a Vila Belmiro. Tudo terminou em festa e muita bebida.

O título estadual de 1935, o primeiro dos 21 estaduais do seu currículo – que fazem do Santos o time mais vitorioso na era profissional do futebol paulista –foi extremamente justo. O Alvinegro Praiano teve o ataque mais positivo do campeonato (32 gols) e a defesa menos vazada (10). O troféu compensou, em parte, as frustrações de anos anteriores, nos quais o Santos já poderia ter sido campeão, não fossem os indefectíveis incidentes extra-campo.

MENINOS DA VILA, UMA GRIFE


Menino do Santos marca de bicicleta contra o outro alvinegro.


Santos na final do Paulista Sub-15.


Gabriel e Felipe Anderson brilham na Seleção Olímpica.

Os outros clubes têm divisões de base, o Santos tem os Meninos da Vila. Virou uma grife. Eles estão na Seleção Olímpica, nas finais de todas as categorias do Campeonato Paulista e às vezes são mais da metade dos titulares do Santos, time que faz uma das melhores, se não a melhor, campanha no futebol brasileiro em 2015.

No amistoso desse final de semana, em Belém, Felipe Anderson fez dois, Gabriel mais dois e o mesmo Gabigol, generoso, não quis chutar e deu o quinto gol da Seleção Olímpica Brasileira para Luan, na vitória de 5 a 1 sobre os Estados Unidos. O Brasil ainda tem como titular o lateral Zeca, outro Menino da Vila, e logo contará com o astro Neymar.

Em São Paulo, a presença dos Meninos da Vila é tão marcante nas competições estatuais que o torcedor santista já estrega as mãos, antevendo novas revelações para o time profissional, que hoje chega a ter sete titulares oriundos de suas categorias de base: Daniel Guedes, Gustavo Henrique, Zeca, Alison, Thiago Maia, Gabriel e Geuvânio.

Antídoto contra a Espanholização

Revelar jogadores é uma das formas mais eficientes de um clube brasileiro se manter competitivo, mesmo não sendo bafejado pelo sistema de privilégios que quer implantar a Espanholização no futebol nacional. Como o dinheiro do Santos não vem de lobbies de nenhum ex-presidente da república e nem de acordos secretos com a televisão, o jeito é trabalhar mesmo, e preparar garotos bons de bola.

Recentemente, o CEO do Alvinegro Praiano, Dagoberto Santos, disse que em vez de construir um estádio próximo à Vila Belmiro, o clube deveria investir em um CT maior e mais moderno para os Meninos. Concordo com ele.

Hoje garotos do mundo inteiro procuram o Santos com a esperança de se tornar um Menino da Vila. É evidente que o clube precisa dar ao seu departamento de futebol de base todas as condições para empreender esse trabalho fundamental para o crescimento do clube e para a esperança de novos dias para o futebol brasileiro.

Lidar com crianças e adolescentes exige, ainda, um corpo de profissionais de alto nível, tanto no aspecto técnico, como, principalmente, moral. É preciso praticar a meritocracia desde a base, selecionando e dando oportunidades aos garotos de maior potencial, erradicando totalmente o pagamento de propinas para favorecer um ou outro candidato menos qualificado.

Sentimos que o Santos está no caminho certo, um caminho que jamais deverá ser abandonado, pois é e será a única esperança, repito, de se manter competitivo em um mercado viciado, dominado por uma rede de tevê que decidiu criar um apartheid entre os clubes brasileiros.

E você, o que pensa sobre a grife Meninos da Vila?


Mesmo completo, Santos não vai surfar no Avaí


Será que, assim como Felipe Anderson teve um dia de Pelé contra o Avaí, hoje será o dia de Geuvânio? (Ivan Storti/ Santos FC).

Há quem analise as possibilidades de dois times apenas pelo nível técnico, o salário dos jogadores, o currículo das equipes, e por isso deve achar que o Santos, completo, só vai surfar contra o Avaí. Negativo. Jogadores profissionais podem compensar inferioridades técnicas com muita disposição, e isso costuma tornar os jogos equilibrados, principalmente quando a equipe teoricamente menos forte joga em casa, estimulada por seus torcedores a correr o tempo todo, diminuir os espaços, se atirar com vontade nas divididas, lutar até o final. Por isso, santista, esteja preparado para sofrer neste domingo, a partir das 18h30, quando Avaí e Santos, com transmissão do Sportv, jogam pela primeira rodada do Campeonato Brasileiro.

Mas alguém pode lembrar que enquanto o Santos foi campeão do difícil Campeonato Paulista, o Avaí só se salvou do rebaixamento na última rodada do Catarinense. É verdade. Mas na última partida, pela Copa do Brasil, venceu um clássico local ao bater o Figueirense por 1 a 0. E hoje será um dia especial, com a Ressacada cheia para ver o Avaí contra o Santos de Robinho, Ricardo Oliveira, Renato, Geuvânio e outros ídolos.

Isso posto, digo que acredito na vitória do Santos porque acredito que o técnico Marcelo Fernandes e seu assessor Serginho Chulapa não deixarão o time esmorecer. Não acho que, a exemplo de outros técnicos famosos que passaram pelo clube, um empate será considerado um bom resultado pelo fato de o jogo ser fora de casa.

Com todo o respeito ao Avaí, se o Santos quer se colocar entre os primeiros neste Brasileiro, terá de vencer alguns jogos fora de casa, e este é um que está na lista. Mas para vencê-lo será preciso disposição e atenção. Não só técnica, mas, principalmente, tática.

O técnico Gilson Kleina armará o seu time no sistema 4-4-2, fechando bem o meio de campo e tentando dominar este setor que é fundamental para se manter a iniciativa do jogo. Renan, Eduardo neto, Renan Oliveira e o veterano Marquinhos, aquele mesmo que jogou no Santos em 2010, estão escalados para a meiúca.

O Santos terá Valencia, Renato e Lucas Lima no meio, mas, quando perder a bola, será preciso contar com o recuos de Robinho e Geuvânio para manter o equilíbrio por ali. Ao recuperá-la, aí sim o Alvinegro Praiano deverá ser mais ofensivo e criar mais oportunidades. Mas antes de atacar, como bem costuma lembrar o técnico Marcelo Fernandes, é essencial recuperar a posse da bola.

Completo, o campeão paulista entrará em campo com Vladimir; Victor Ferraz, Werley, David Braz e Chiquinho; Valencia, Renato e Lucas Lima; Robinho, Ricardo Oliveira e Geuvânio.
O Avaí jogará com Vagner; Pablo, Antonio Carlos, Jéci e Eltinho; Renan, Eduardo Neto, Renan Oliveira e Marquinhos; Anderson Lopes e André Lima.

A arbitragem será de Dewson Freitas da Silva, auxiliado por Márcio Correia Dias e Lúcio Ribeiro de Mattos, todos do Pará. Nada sei sobre eles. Apenas espero que sejam bons e não caseiros.

Sem se classificar no grupo da Copa Libertadores desde 2007, quando foi vice-campeão brasileiro, o Santos tenta mudar esse retrospecto em 2015. Para isso, sabe que não bastará ter bons resultados em casa. Uma vitória hoje, obviamente, motivará bastante o grupo.Torçamos.

Dois jogos, duas histórias diferentes

Um dos últimos jogos que deu mais alegria aos torcedores do Avaí ocorreu em 28 de novembro de 2010, quando o time se salvou da zona de rebaixamento ao conseguir uma vitória de 3 a 2 sobre o Santos de Neymar, depois de estar perdendo por 2 a 0.

A partida começou com um desempenho espetacular de Neymar, que fez jogada sensacional no primeiro gol, de Keirrison, e depois marcou o segundo. Porém, Caio, do Avaí, estava em dia ainda mais inspirado, e marcou três belos gols, salvando o time catarinense do descenso.

A Ressacada atraiu 17.136 pessoas naquela tarde de domingo histórica para o Avaí. O jogador Marquinhos, então no Santos, chorou de alegria pela vitória do Avaí, seu time do coração, e essa foi a gota d’água para ser demitido do Alvinegro Praiano. Veja os gols:

Um ano depois, porém, em 7 de setembro de 2011, a história foi diferente. Sobre um gramado encharcado, quem saiu na frente foi o Avaí, com um gol de pênalti inexistente, pois
Edu Dracena não tocou no atacante adversário.

Na segunda etapa, mesmo com Neymar em campo, quem brilhou foi o menino Felipe Anderson, que deu o passe para o gol de empate, de Borges, e depois fez grande jogada para marcar o gol da vitória, driblando com o pé direito e enfiando uma bomba, no ângulo, com a esquerda.

Esta atuação já deixava claro que Felipe Anderson, bem trabalhado, se consolidaria como um grande meia. Porém, o técnico Muricy Ramalho, no alto de seus 700 mil reais por mês, dizia que Anderson tinha “defeito de fábrica” e não o prestigiava. Hoje Felipe Anderson, destaque da Lázio, foi escolhido como o melhor jogador sub-23 da Europa, superando até mesmo Neymar. Veja os gols:

Longuine chega e já tem de entrar na brincadeira

Veja imagens do último rachão da temporada do Campeonato Paulista, com vitória do time de colete e a gozação pra cima de Rafael Longuine, que preferiu jogar no time de Robinho e se deu mal. Veja:

E pra você, como o Santos deve jogar para vencer o Avaí?


Os fortes e os fracos do Santos

Museu Pelé patrocinará o Santos nestas finais

Clique aqui para ler matéria em A Tribuna sobre o patrocínio do Museu Pelé ao Santos nestas finais do Campeonato Paulista

Os fortes e os fracos do Santos

Geuvânio e Gabigol
Na alegria e no talento dos Meninos, a força do Santos (Ivan Storti/Santos FC).

A mídia tem ressaltado a diferença de arrecadação de bilheteria entre Santos e Palmeiras este ano. Realmente, é abissal. O Santos também tem tido problemas sérios para aumentar o seu quadro associativo e conseguir patrocínio, mas todas essas dificuldades estão no mesmo pacote que trata da gestão, do marketing, da administração do clube. Se futebol fosse só isso, o Santos estaria perdido. Mas, felizmente, não é. Ainda há futebol no futebol e esta é a tábua de salvação do Glorioso Alvinegro Praiano.

Ainda há lugar para dribles como os de Robinho, arrancadas como as de Geuvânio, controle do tempo e do espaço em campo, como faz Lucas Lima. Ainda há lugar para a habilidade, a beleza, a emoção. Temos de admitir que se o Santos, hoje, é um clube pobre no aspecto financeiro, que não consegue segurar seus ídolos e fatia o passe de suas revelações para se manter vivo, a verdade é que é de uma riqueza enorme quando o assunto é apenas e tão somente futebol.

Isso porque há uma cultura no Santos voltada para o talento, o virtuosismo, o trato carinhoso com a bola e a busca eterna do gol – qualidades que ainda tornam o futebol brasileiro digno de ser visto. Sim, porque por mais que estádios novos sejam atraentes, as pessoas não pagam para vê-los, e sim para apreciar os artistas que se apresentam neles.

Cultivar essa cultura da habilidade e aperfeiçoar indefinidamente esse dom de transformar jovens tímidos em deuses dos gramados são prerrogativas essenciais para que o Santos se mantenha no topo do futebol, apesar de suas agruras financeiras. Por isso, nós, santistas, chegamos a ser chatos com o jogador sem familiaridade com a bola, com aquele que não consegue dominá-la e muito menos dar a ela um destino nobre.

Por isso também, outro dia, critiquei Gabriel por não ter o pé direito. Um atacante precisa ter, pois lhe dá 100% a mais de possibilidades de criar jogadas e chegar ao gol adversário. Mas não dá para ser um craque apenas com o pé esquerdo? Sim, mas é muito mais difícil. E se me preocupo com Gabriel é porque sei que ele pode vir a ser um dos grandes atacantes do futebol brasileiro. Desde que esteja disposto a pagar o preço desse status.

Sempre elogiei a versatilidade de Felipe Anderson, muito mal aproveitado no Santos. Hoje vejo que o rapaz é considerado um craque na Lazio e um dos destaques do futebol italiano. Mesmo sendo prioritariamente destro, está fazendo jogadas e marcando gols com os dois pés, até de fora da área. O que nos dá orgulho é que se formou no CT Rei Pelé, onde absorveu muito bem a cultura atávica do Santos que valoriza o talento.

Ao vermos uma partida de futevôlei entre Renato/Edinho contra Robinho /Elano, ou uma brincadeira de freestyle entre Robinho e o goleiro Vladimir (que Robinho anuncia como o goleiro mais habilidoso do mundo), percebemos como ser um bom jogador de futebol, como exercer controle sobre a bola é essencial no ambiente do Santos.

Um dia o nosso Santos terá um estádio à sua altura, bons patrocinadores, muitos associados e não viverá às voltas com dívidas e gestões pouco transparentes. O importante, porém, é que mantenha essa alegria de jogar e esse respeito pela essencial e adorada bola.

A seguir, imagens do jeito santista de lidar com a bola:

Clique aqui para ver Hitler emputecido de ver o Santos na final de novo

E pra você, quais são os pontos fortes e fracos do Santos?


Empate corajoso. Claudinei Oliveira passa no primeiro teste

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Dida desconsolado. Willian José comemora seu gol com Neilton e Gabriel. O novo Santos dos Meninos do Claudinei pede passagem (Foto: Ivan Storti/ Santos FC)

Se incluirmos o goleiro Rafael e o atacante Willian José, o Santos terminou a partida contra o Grêmio com seis Meninos em campo. Parabéns, Claudinei Oliveira, é isso que o torcedor espera de você. A fama do adversário, que tem jogadores conceituados, como Dida, Elano, Zé Roberto e Barcos, não intimidou o novo técnico, muito menos os novos Meninos da Vila, que dominaram a partida na maior parte do tempo, atacaram mais e conseguiram um bom empate contra o Grêmio treinado por Vanderlei Luxemburgo, time que para alguns é candidato ao título brasileiro.

Boa parte da imprensa esportiva – que, aliás, não entende nada de Santos –, criticou a demissão de Muricy Ramalho e previu um desastre para o jogo contra o tarimbado Grêmio. Isso porque analisam o futebol pelos nomes de técnicos e jogadores, e não pelo que realmente estão produzindo. Muricy estava empurrando com a barriga há algum tempo, assim como vários jogadores, mas só alguns santistas pareciam ver isso.

Como se esperava, mesmo com jogadores menos experientes, o Santos segurou o Grêmio lá atrás ao tomar a iniciativa do jogo. E mesmo que perdesse, o Alvinegro deste sábado, primeiro de junho de 2013, data que celebra seu desengessamento da tática murrinha de Muricy Ramalho, mereceria mil perdões, pois não é mesmo fácil reestruturar uma equipe que perdeu o melhor jogador sul-americano e está há um ano e meio ouvindo um treinador gritar para defender, marcar, correr atrás do adversário.

Não é fácil mudar, mas é necessário, ou não haverá esperança de ter um time forte, competitivo e menos caro no futuro. Creio que neste domingo tenha ficado evidente que a base do Santos é boa e pode gerar uma bela equipe. Até porque há outros Meninos que podem entrar nesse time, como os atacantes Giva e Victor Andrade, os zagueiros Gustavo Henrique e Jubal, os meio-campistas Lucas Otávio, Leandrinho, Léo Cittadini e Pedro Castro e o lateral Émerson Palmieri.

Não tiro os méritos acumulados dos veteranos Edu Dracena, Durval e Léo, mas o gol do Grêmio, aos 12 minutos de jogo, veio novamente de uma bola enfiada entre eles. Mal colocados e sem poder de recuperação, só puderam ficar assistindo a Vargas escolher o canto e abrir o marcador. Com Jubal e Gustavo Henrique o Santos perderá experiência, mas ganhará vitalidade e agilidade na zaga.

Santos manteve a iniciativa

Com Muricy era normal ver o Santos atrás, mesmo quando jogava na Vila, à espera da oportunidade do contra-ataque. Já deu pra perceber que com Claudinei, ao menos quando jogar em casa, o time será o protagonista. Como se esperava, mesmo com jogadores menos experientes, o Santos segurou o Grêmio lá atrás ao tomar a iniciativa do jogo. Se um time ataca, o outro só pode se defender – esta é uma lei básica, que só depende de coragem para ser seguida.

Ao contrário do que queria o torcedor, porém, Claudinei não iniciou a partida com os titulares que terminaram o jogo contra o Botafogo, mas no segundo tempo colocou Gabriel no lugar de Renê Junior, Felipe Anderson no de Montillo e ainda Alan Santos no de Galhardo. Não se pode dizer que todas as substituições deram certo – o time perdeu um pouco o poder de marcação no meio de campo nos últimos minutos – mas, em compensação, manteve a atitude ofensiva, obrigou o adversário a se preocupar também com a defesa.

Aos 33 minutos do segundo tempo, quando já merecia o empate, o Santos teve a seu favor um pênalti bem marcado pelo árbitro Marcelo de Lima Henrique. Souza estava com o braço demasiadamente longe do corpo para alegar “bola na mão”, e ao interceptar a jogada impediu que um santista atrás dele, em ótima posição, cabeceasse para o gol. Acho que impedir um lance claro de gol com a mão, mesmo sem ser intencional, tem de ser punido. Felizmente foi e Willian José cobrou forte para empatar.

Surge a chance de se ter um time jovem e forte

Nem repetirei que o que é crise para alguns, é oportunidade para outros, e é nessa segunda condição que vejo o Santos hoje. As saídas de Neymar e Muricy e as propostas recebidas por Rafael, Felipe Anderson, Durval e Arouca criam a oportunidade de uma reformulação importante, que poderá originar uma nova geração de Meninos da Vila.

Estes quatro jogadores, que interessam a outros clubes, não são essenciais para o Santos. Mesmo Rafael e Arouca, recentemente convocados para a Seleção Brasileira, podem ser substituídos. Por outro lado, mantê-los significaria aumentar-lhes os salários, o que considero fora de cogitação.

A atitude de Claudinei Oliveira de nem colocar no banco de reservas os argentinos Miralles e Patito Rodríguez deve ser aplaudida. Chega de por panos quentes e escalar jogadores medianos, tirando a oportunidade de jovens revelados no clube. E do jeito que não está jogando, o outro argentino, Montillo, também não merece ser titular.

É claro que não basta se desfazer de todos os jogadores inconvincentes e promover garotos da base. Que até o final desse Campeonato Brasileiro se fique com os zagueiros Edu Dracena e Neto, o lateral Léo, os meio-campistas Renê Junior e Cícero e o centroavante Willian José, além, é claro, dos goleiros reservas. Creio ainda que alguns jogadores, como Montillo, Patito e Miralles poderiam ser trocados por outros que sejam bons, mas não estejam se dando bem em outros clubes.

Quem sabe se no mercado argentino, no qual esses três jogadores têm algum nome, não possam surgir boas oportunidades de negócio? Se Montillo tem sido freqüentemente convocado para a seleção de seu país, certamente lá há clubes que se interessam e se interessarão por ele. Não creio que seja sensato continuar esperando que ele desencante. Já teve oportunidades demais e mostrou muito pouco.

Com essa grande economia de salários e ainda com o dinheiro que sobrou da venda de Neymar, o Santos deveria contratar mais dois ou três jogadores de peso. Creio que assim seria formada uma grande equipe, que jogue pra frente, faça gols e honre as tradições do mais famoso Alvinegro do mundo.

Escalações de Santos 1 x 1 Grêmio

Santos: Rafael, Rafael Galhardo (Alan Santos), Edu Dracena, Durval e Léo; Renê Júnior (Gabriel), Arouca, Cícero e Montillo (Felipe Anderson); Neílton e William José. Técnico: Claudinei Oliveira.

Grêmio: Dida, Pará, Werley, Bressan e Alex Telles; Adriano (Ramiro), Souza (Guilherme Biteco), Elano e Zé Roberto; Vargas e Barcos (Kleber). Técnico: Vanderlei Luxemburgo.

Gols: Vargas aos 11 minutos do primeiro tempo e Willian José, cobrando pênalti, aos 33 minutos do segundo.

Arbitragem: Marcelo de Lima Henrique (RJ); auxiliado por Fabricio Vilarinho da Silva (GO) e Rodrigo F Henrique Correa (RJ). O grande erro foi não ter marcado um impedimento do ataque gremista, já nos acréscimos, que resultou em uma boa defesa de Rafael.

Cartões amarelos: Léo e Arouca (Santos); Vargas, Souza, Werley e Pará (Grêmio).

Veja os gols da partida:
http://youtu.be/W-85bli7plo

E você, o que achou do Santos dos Meninos contra o Grêmio?


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