Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

Tag: Felipe Mello

As tendências do futebol depois da Copa

Toda Copa do Mundo influencia o futebol praticado nos anos seguintes. A Copa da Inglaterra, em 1966, gerou uma onda defensivista terrível, que só melhorou depois que o Brasil venceu a Copa de 70. Listei algumas tendências deixadas pela Copa da África. Veja se concorda comigo, e não deixe de dizer também o que acha que mudará no futebol depois dos vôos da jabulani.

Melhor toque de bola – Espanha e Holanda foram exemplos de times que saem jogando ao invés de darem chutões para a frente. Este estilo deve ganhar muitos adeptos. Não se trata de uma mudança sutil, pois modificará substancialmente a estrutura das equipes.

Mais posse de bola – As melhores equipes desta Copa sabiam esperar o momento de dar o bote e por isso seguravam a bola até que ele aparecesse. A Espanha foi muito bem-sucedida jogando assim e é natural que tenha feito escola.

Menos volantes brucutus – O vexame do tresloucado Felipe Mello contribuiu bastante para prejudicar ainda mais a imagem do volante valentão, tão popular nos times brasileiros. Por outro lado, equipes como Alemanha e Espanha provaram que é possível marcar bem sem cometer muitas faltas e que é possível ter jogadores que saibam, ao mesmo tempo, marcar e controlar a bola.

Mais volantes-meias – A diferença entre volante e meia tende a diminuir. Ficou provado nesta Copa que um jogador pode ser um volante sem a bola e um meia com ela no pé. É mais questão de categoria do que o chamado posicionamento. A tendência é a ascensão, no meio-campo, de jogadores mais versáteis, que marquem bem, sem violência, e saibam o que fazer com a bola, como Hernanes e Arouca.

Menos zagueiros despachadores – Dar chutão pra frente deixará de ser uma propriedade natural dos zagueiros, de quem se exigirá alguma precisão no passe.

Mais atacantes que joguem para o time – Centroavante tipo “referência”, que fica só esperando a chance de bater a gol, ficou em baixa nesta Copa. Não só pelo fracasso total de Fernando Torres e parcial de Luís Fabiano. Miroslav Klose também não foi tudo o que se esperava dele. A Copa valorizou atacantes mais participativos, que não sabem só fazer gols, mas participam das jogadas de ataque.

Times mais equilibrados – O desequilíbrio entre defesa, meio-campo e ataque, que atrapalhou equipes como Argentina e Brasil, deverá ser evitado pelos técnicos. Ficou provado de que nada adianta ter o melhor ataque do mundo (Argentina), se a defesa é uma das piores; ou ter boas defesas e ataques, se o meio-campo é uma droga (Brasil). Os times finalistas mostraram maior equilíbrio entre seus setores.

Ênfase ao jogo de conjunto – Esta não foi a Copa das estrelas. Não se poderá dizer que um jogador a conquistou sozinho. Foi a Copa do futebol em equipe.

Times solidários – Se atacaram em conjunto, as equipes deste Mundial também souberam se defender em grupo. Nenhum jogador, ao menos das equipes mais bem classificadas, perdeu a bola e colocou as mãos na cintura. Ninguém ficou em campo pela fama. Ou se doou para o time, ou foi substituído. Sangue-sugas não tiveram vez. Essa é uma ótima tendência que deverá prevalecer.

Menos maldade – Aconteceram lances desleais, mas não foram regra, e os times que apelaram para a intimidação física se deram mal. Isso é ótimo, pois provou que maldade não ganha jogo. Exemplo maior foi o Uruguai, que desta vez bateu menos e jogou mais.

Maior equilíbrio entre as equipes – Grandes goleadas serão raridade no futebol. A Copa mostrou um equilíbrio maior entre as equipes. Prova maior disso é o fato de a quase amadora Nova Zelândia ter jogado contra Itália, Paraguai e Eslováquia e ter saído invicta da competição.

Nova ordem mundial – Não só pela força que o futebol deverá ter na África, mas pelo crescimento de países asiáticos como Japão e Coréia do Sul, e pelo boom do esporte nos Estados Unidos, é de se esperar que logo a balança global do futebol se desestabilize. Jogadores como o norte-americano Donovan e o japonês Honda atuariam em qualquer grande clube do Brasil.

Ênfase ao arremate – Atacantes deverão se preocupar mais com o fundamento chute. Depois que Diego Dorlan foi escolhido como melhor jogador da Copa principalmente por sua capacidade de dar chutes fortes, enviesados e bem-sucedidos com a jabulani, este fundamento receberá maior atenção de jogadores e técnicos do mundo.

Menos destaque a dribles e malabarismos – Com as atuações apagadas de exímios dribladores como Messi e Robinho, e de poucas jogadas de efeito durante a competição, obviamente este tipo de jogador não será tão valorizado como antes da Copa (a não ser que esses recursos voltem a ter resultados práticos).

Técnicos menos reclamões – A Copa mostrou árbitros insensíveis contra as reclamações dos técnicos, que souberam se conter. Até Maradona não foi expulso uma só vez, como previam os especialistas. Tomara que esta tendência prossiga.

Abaixo a vuvuzela – Mais barulho de torcida – A pior coisa da Copa foi a vuvuzela. Ela abafou os gritos das torcidas, os cânticos, o clima que faz parte de um jogo de futebol. Espero que ela seja proibida nos estádios brasileiros.

Bem, eu peguei estas tendências. Você percebeu mais alguma?


Elano é imprescindível? Como o time deverá ficar sem ele, Ramires e Felipe Mello contra a forte Holanda?

Um gol de direita que parece feito no videogame.

Agora um gol de esquerda, também de fora da área.

Mais do que uma afirmação, este post é uma pergunta. Sim, gostaria de ouvir mais pessoas sobre este tema tão relevante no momento. Elano era até questionado como titular, mas bastou fazer dois jogos mais ou menos bons e sua falta parece preocupar a todos. Sem ele, Felipe Mello, que também se recupera de contusão, e Ramires, suspenso, como Dunga deverá armar o meio-campo da Seleção contra a Holanda?

Olha, qualquer que seja a opção do técnico, não há dúvida de que o time deverá se enfraquecer neste setor, e justo contra a melhor equipe que o Brasil enfrentará até agora. Não vejo nos substitutos a mesma capacidade dos três citados.

Felipe Mello é violento e passa mal? Sim, mas é um marcador implacável. Elano às vezes parece apagado, limitado à ala direita? Sim, mas vinha tendo participação importante nos gols brasileiros, servindo ou marcando, além de ter um excelente passe. E Ramires entrou muito bem contra o Chile. Creio até que mesmo com a recuperação de Felipe Mello ou Elano, Ramires poderia ser o titular.

Elano, na verdade, é o tipo que joga para o time. Aparece pouco, toca de primeira, não desperdiça energias. Eu também não o tinha em tão alta conta antes de rever os principais jogos do Santos nos anos de 2002, 2003 e 2004. Incrível como Elano aparecia em momentos decisivos, ora marcando gols, ou dando outros de bandeja aos companheiros.

Na final do Brasileiro de 2002, todos se lembram, foi ele quem apareceu de surpresa na pequena área para, com uma tranqüilidade maluca, tocar para dentro do gol de Doni a bola passada por Robinho, empatando o jogo e decidindo o campeonato.

Dois anos depois, em São José do Rio Preto, ele também se infiltrou para tocar, de cabeça, no cruzamento de Preto Casagrande, fazendo o segundo gol contra o Vasco, gol que seria o da vitória (pois o time carioca diminuiria depois para 2 a 1) e também do título.

Elano, com esse jeito simples de caipira do interior de São Paulo, é capaz de grandes ousadias. Pesquisando seus melhores momentos no youtube, encontrei estes gols – que divido com vocês – que mostra uma potência e precisão no chute inacreditáveis (ambos endereçados, de fora da área, ao mesmo ângulo, mas executados com pés diferentes).

Se o Brasil passar pela Holanda – no jogo mais difícil que a Seleção terá nesta Copa antes de uma provável final –, Elano deverá voltar a ser titular, mas eu não deixaria mais Ramires no banco. Mais criativo, habilidoso e com muito mais mobilidade do que Felipe Mello, Ramires também deverá voltar na semifinal.

O meio-campo ficaria, então, com Elano, Gilberto Silva e Ramires. Quanto a Daniel Alves, continua sendo uma boa opção. Teve sua maior oportunidade contra o Chile, pegou muito na bola e pouco fez. Pode entrar se Dunga precisar de um time mais ofensivo, mas não creio que o professor inicie a partida sem um meio-campo um pouco mais protegido.

E você, quem escalaria para o meio-campo da Seleção sem Elano, Felipe Mello e Ramires? E será que o Brasil passa pela Holanda?


© 2017 Blog do Odir Cunha

Theme by Anders NorenUp ↑