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Domingo é bicho certo?!?! – Texto de Fernando Ortega

Nunca escondi minha admiração pelas ácidas e necessárias palavras de Juca Kfouri. Poucos têm coragem e capacidade para falar sobre este esporte que tanto somos apaixonados. Que passamos a semana toda preocupados e que, no domingo, aperta ainda mais o sofrível coração – ainda tento me recuperar da final do Paulistão!

Quando começávamos a encantar o Brasil com nosso futebol, sob a regência de Giovanni em meados de 1995, Juca trouxe em sua coluna da Folha de S. Paulo uma grande página do futebol brasileiro, que abordava mais um belo clássico Santos x Corinthians, como o deste domingo.

Falava de um – suposto – diálogo entre Pelé e Coutinho, no qual ambos – que formaram um dos ataques mais brilhantes da história do futebol mundial – pontuavam que seria certa mais uma vitória sobre o Corinthians no jogo seguinte. Reapresento o diálogo exposto pelo Juca, sob o título de “Hoje o bicho é certo”:

“Coutinho, contra quem é o jogo hoje?”, ele perguntava em certos domingos ao acordar muito bem-humorado e com fome de bola ao seu companheiro de quarto na concentração.

“É contra o Corinthians, Pelé”, respondia Coutinho, centroavante fabuloso e o melhor parceiro que o rei teve em toda a sua carreira.
“Então é bicho certo”, decretava o Atleta do Século.

Hoje, 15 anos depois, nosso futebol moleque e atrevido entra em campo na tarde deste domingo com o ligeiro favoritismo da equipe que foi campeã do Paulistão, finalista da Copa do Brasil e o mais importante: o time que joga o futebol mais belo dos últimos tempos – e não me falem da Inter de Milão, pois está bem distante de nós (mas isso é um outro assunto para uma outra consideração).
Pondero que não será o fim do mundo caso percamos para o Corinthians no clássico. Nossa vitória, no entanto, realça todas as credenciais que fazem do Santos o time do momento. O time que reescreve a história do futebol.

Gostei da personalidade do Neymar na partida contra o Guarani, pelo futebol e por homenagear o Mádson – que vive um momento particular difícil, mas tem crédito com nossa torcida e é um jovem que merece nossos carinho, consideração e confiança. O Neymar já garantiu que, se preciso for, dá outro chapéu no Chicão.

Considero bobagem qualquer insinuação de que o Neymar está jogando gasolina no incêndio. O Neymar é um craque, um jogador alegre e diferenciado, que, com esta boa polêmica, demonstra que não está se escondendo para o grande clássico – muito pelo contrário. Pode desequilibrar mais uma vez. É o que esperamos!

Destaco, no entanto, que o time como um todo não fez uma boa partida na quarta-feira. Não sei se ainda foi seqüela dos problemas da semana passada, o mais importante, todavia, é não perder o foco: cada partida uma nova vitória, com respeito ao adversário, muitos gols e muitas danças da nossa alegre molecada.

Ah, por falar em danças… Também gostei da declaração do André ao afirmar que as famosas ‘Danças dos Meninos’ retornarão domingo. Não podemos esquecer que as ‘danças’ nasceram com, o então corintiano, Viola. Gol é festa! Gol é arte! Gol é música! Gol tem que ter dança… E muita dança dos Meninos da Vila!

Finalizo este texto apontando que a partida que Juca Kfouri fez referência em 1995, realizada no dia 19 de novembro de 1995 (o primeiro Dia Pelé da história), terminou 3 x 0 para nós. O jogo foi na Vila Belmiro e os gols foram de Camanducaia (2) e Gallo.
Neste 30 de maio de 2010, quando reencontraremos o mágico Paulo Machado de Carvalho, que compartilhou conosco a festa do título Paulista, o bicho é certo?! Não sei. O coração pede para que façamos 5, 6, 7, 8 gols. A razão pede ‘apenas’ uma vitória, os 3 pontos e a liderança do Brasileirão!

Ah, o bicho tem que estar certo…

Fernando Ortega (advogado e jornalista) – fernandoferf@hotmail.com


O real preço da punição – Texto de Fernando Ortega

A última quinta-feira não foi das mais felizes pelos lados de nosso Centro de Treinamento. O excesso de felicidade em razão de mais um aniversário de Mádson e a peraltice juvenil fizeram com que Paulo Henrique, Neymar, André e Mádson chegassem depois do horário combinado e criassem um estresse no time do Santos.

Tal atraso gerou duas punições aos nossos mais talentosos jogadores:1) uma multa pecuniária sobre os salários; 2) o corte da delegação que enfrentaria o Atlético Goianiense, no sábado, pelo Brasileirão.

Há muitas considerações que precisam ser feitas.
Nossos alegres Meninos falharam ao chegarem atrasados. O que é combinado não é caro e não cabe a nós – gente de fora – avaliar se Dorival Júnior e a diretoria estão certos ou não se solteiros devem se concentrar antes ou depois dos casados ou se a concentração deve ocorrer apenas na sexta-feira.

O que precisa ser discutido é o quilate da punição: tirar nossos melhores jogadores de uma partida é a decisão mais acertada? Para o Atlético Goianiense possivelmente foi. Bem como seria para qualquer outro adversário que nos enfrentasse sem nossa espinha dorsal – os jogadores mais talentosos, competentes e alegres do futebol mundial no momento.

Outra importante ponderação: nossos atletas chegaram bêbados? Não, não chegaram. Nossos atletas fizeram arruaças pela cidade? Não, não fizeram. Nossos atletas fizeram algo que manchasse a reputação de nosso time ou as próprias como jogadores? Não, não fizeram.
Logo, faltou jogo de cintura tanto ao técnico como a nossa competente diretoria ao tornar público este leve ato de indisciplina. Não é porque estavam o Neymar e o André, ou o Paulo Henrique. A indisciplina foi mínima. Bastava punir os bolsos de nossos atletas que o efeito pedagógico seria muito maior e nossos adversários não ficariam tão à vontade com tal punição.

Não importa se a punição fosse ao Neymar, ao Paulo Henrique, ao aguerrido Pará ou ao nosso goleiro Felipe. Seja quem fosse!
Digo isso porque há uma ‘quase’ certeza de que se essa falta disciplinar ocorresse ás vésperas da final da Copa do Brasil, nossos atletas estariam em campo. Ou estaríamos sem o título! Fácil escolha, portanto!

A condução que o episódio teve levou Paulo Henrique a externar uma crítica justa – quando também não deveria ter se manifestado. E o André, Mádson e Neymar apareceram na Rede Globo dando entrevistas com um leve sorriso, do tipo ‘ah, demos uma aprontadinha mesmo’.
Resumindo: penso que o real preço da punição não foi alcançado!

Agora é aguardar que esta indisposição não estremeça a boa relação que Dorival tem com os jogadores e que o futebol moleque – atrevido, peralta, com fome de gols e sorridente – volte a campo na quarta… E domingo contra nosso eterno rival-freguês!

Por Fernando Ortega (advogado e jornalista) – fernandoferf@hotmail.com


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