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Considerações sobre o filme “100 anos de futebol arte”

Finalmente ontem, no MIS, pude assistir, ao lado de amigos santistas – muitos deles leitores deste blog – ao filme “100 anos de futebol arte”, produzido pela Canal Azul e dirigido por Lina Chamie. Há muito queria ver o filme. Na verdade, bem antes de ser editado, já que pelo acordo que eu tinha com Ricardo Aidar, presidente da Canal Azul, além de auxiliar no roteiro, eu checaria a veracidade histórica da obra.

Em que momento fui descartado da fase final do filme? Não sei, mas estou certo de que tem muito a ver com a posição independente deste blog. É óbvio que se a edição final levasse em conta minha opinião, algumas pessoas não precisariam ser ouvidas, enquanto outras, indispensáveis para se compreender a alma do Santos – como Zito e Clodoaldo, por exemplo – jamais seriam esquecidas.

“Meu filme” daria muito mais espaço aos anos 60 e teria ao menos algumas lindas jogadas de Pelé. Por mais que o orçamento fosse curto, e sei que era, é inadmissível um filme sobre o Santos – que tem o depoimento de Pelé – não mostrar algumas jogadas do Rei. Todo o esforço deveria ter sido feito para isso. E valia também um pouco mais de empenho para retratar o título mundial de 1962, um divisor de águas na história do clube.

Também não entendi a não utilização de imagens da entrevista que fiz com Mário Pereira, o último remanescente do título pioneiro de 1935. Será que na edição não foi possível cortar minha voz? Ora, que se usasse ao menos uma frase do grande “Perigo Loiro”, que nos deixou no último dia do ano passado.

Nem vou reclamar que nenhum segundo da longa entrevista feita comigo em um sábado, em uma bela casa do Pacaembu, tenha sido aproveitado. É claro que é frustrante preparar-se para uma entrevista que resumiu toda a história do Santos e depois não se ver no filme, mas se Zito, Clodoaldo, Coutinho e Edu, entre outros, também não foram lembrados, seria muito cabotinismo de minha parte reclamar de minha própria ausência.

Destaques: Luiz Zanin, Xico Sá, Mano Brown, Robinho, Cosmo Damião…

Gostei muito da idéia da diretora Lina Chamie de usar o papo de Mano Brown e Cosmo Damião, descendo de carro para Santos, como fio condutor da história do clube. Espontâneos, carismáticos, eles deram o tom de torcedores apaixonados que o filme queria. Também gostei muito do contraponto intelectual de Luiz Zanin e Xico Sá, principalmente. Cao Hamburguer também mandou bem.

Outro destaque, para mim, foi Robinho. Com que naturalidade ele falou da formação do time de Meninos e do título brasileiro de 2002! Diego e Leão também me surprenderam, com belos depoimentos.

Senti falta, porém, de mais informações sobre o Brasileiro de 2004, ganho contra tudo e contra todos. Daria um mini-enredo com final feliz que empolgaria a todos. Até porque houve o drama do seqüestro da mãe de Robinho. O pentacampeonato brasileiro, de 1961 a 1965, é outro momento marcante da história santista que foi ignorado.

Achei estranho, ainda, a própria Lina Chamie incluir-se nos depoimentos. Um filme como esse, que celebra um Centenário, deveria priorizar pessoas significativas para o clube, com uma longa folha de serviços prestados, e elas não faltavam. Se tivessem me perguntado, eu lhes daria uma lista enorme.

A discutida participação do gerente de marketing Armênio Neto

Como leitores deste blog já tinham me alertado para a participação, digamos, polêmica, do gerente de marketing Armênio Neto, prestei atenção nas suas falas para checar se tinham algum problema ou as críticas eram apenas implicação dos leitores que não se simpatizam com o gerente.

Em primeiro lugar, percebi algo muito estranho no visual de Armênio e aproveito para lhe dar um conselho, aprendido em muitos anos de trato com a imprensa: jamais dê uma entrevista à tevê e muito menos ao cinema, usando óculos escuros, como você fez. O que dá credibilidade às palavras é o olho no olho. Quem usa óculos escuros em entrevista ou é personalidade que todo mundo já conhece, ou bandido que quer se esconder. Na próxima vez, olhe no olho do torcedor e seja o mais sincero possível.

Outra coisa: nunca diga que a torcida do Santos é pequena, ou é menor do que a dos outros. Pois eu digo que a torcida do Santos é tão grande como qualquer outra e explico porquê. Quantas pessoas cabem no Pacaembu? 38 mil? Okay. Como o Santos tem 2,5 milhões de torcedores entre a Grande São Paulo e a Baixada Santista, só com esse contingente daria para lotar 65 Pacaembus.

Então, se o Santos pode, sempre, lotar o maior estádio em que costuma jogar, sua torcida é tão grande como as maiores. Mas ela precisa ser reconquistada, atraída. Como? Com promoções ou, talvez, com a mais óbvia das alternativas, que é o ingresso mais barato. Enfim, não é a torcida do Santos que é menor, é o marketing do Santos que tem sido pouco eficiente nesse quesito.

Balanço final é muito positivo

Apesar das ausências, o balanço final do filme é altamente positivo. Afinal, trata-se do primeiro longa metragem sobre o Santos Futebol Clube. O baixo orçamento impediu que se adquirisse imagens de jogos essenciais para se compreender melhor a história do clube, assim como invibilizou algumas entrevistas, mas senti que os que foram à exibição sairam satisfeitos, orgulhosos por mais esse passo.

ATENÇÃO CINEMAS INTERESSADOS EM EXIBIR O FILME

Cinemas interessados em exibir o filme “100 anos de futebol arte” devem entrar em contato com Ricardo Aidar, da Canal Azul. Os e-mails podem ser enviados para este blog e eu repassarei ao Ricardo.

E você, o que achou do filme “100 anos de futebol arte”?


Hoje, no Cinesesc, às 19 horas, a pré-estreia do filme do Centenário!

Separe sua camisa, e também a da mulher, do filho. Com entrada gratuita, hoje, às 19 horas, no Cinesesc (Rua Augusta, 2.075, São Paulo), acontece o tão esperado lançamento do filme “Santos, 100 anos de Futebol Arte”, filme oficial do centenário do clube, que participa do festival “É Tudo Verdade”, um dos mais respeitados festivais de documentários do mundo. Com direção inspirada e apaixonada da santista Lina Chamie, o filme é uma ode ao futebol arte, à bela rebeldia estética dos eternos Meninos da Vila.

“O filme do Santos é pop, é irreverente. Cada time tem uma personalidade, um jeito, uma aura. O DNA do Santos está no título do filme: ‘futebol arte’. É um futebol moleque, irreverente, que vem das categorias de base, dos Meninos da Vila, é o futebol-invenção. Sempre que o Santos ganha títulos, é a beleza que vence. O Santos sempre se caracterizou por esse tipo de jogo. O filme também tem que ser brincalhão e reproduzir a personalidade no time na tela”, diz Lina Chamie.

Produzido pela Canal Azul, de Ricardo Aidar, o filme começou a ser feito em maio do ano passado. Lembro-me das primeiras reuniões com o Ricardo, quando adotou meu livro “Time dos Sonhos” como ponto de partida para o roteiro e tivemos várias reuniões para definir o fio condutor da obra. A contratação da santista Lina Chamie para dirigi-lo e a escolha dos entrevistados – todos apaixonados pelo Alvinegro Praiano – dá o tom do filme, que é uma demonstração de amor ao time mais carismático do futebol.

Admiradora do “Canal 100”, fundado por Carlos Niemeyer no final dos anos 1950, Lina Chamie usou técnica semelhante para retratar as cenas de jogo, com lentes teleobjetivas e duplicadores para se aproximar ao máximo dos detalhes.

“O Canal 100 é minha principal referência de imagens de futebol, é a mais bonita. Filmamos as finais do Paulista e da Libertadores, inclusive em Montevidéu, com câmeras dentro do gramado. A câmera está muito perto do jogador e o Canal 100 fazia isso de um jeito lindo. Ver um jogo no estádio é uma coisa muito poderosa. A outra perspectiva, além da visão da torcida, é a de perto do gramado, é o embate físico entre os jogadores, uma partida é uma batalha. Buscamos esse olhar também: a beleza da imagem do futebol”, conta ela.

Uma previsão que quase deu certo

Lembro-me que quando me entrevistou para o filme, em uma elegante casa do Pacaembu que tinha o estádio como fundo, Lina Chamie estava entusiasmada com o resultado das filmagens em Montevidéu, palco do primeiro confronto da decisão da Libertadores. Disse que nunca tinha visto festa tão impressionante quando o Peñarol entrou em campo. Na entrevista, lembrei momentos marcantes da história do Santos, suas passagens mais importantes no Pacaembu e previ que o Alvinegro seria campeão sul-americano com uma vitória por 3 a 0. Errei o resultado – se bem que esta seria a vantagem justa para aquele jogo -, mas acertei o campeão e a grande alegria que esperava pelos santistas, dias depois.

Hoje, infelizmente, não poderei ver o filme e sentir a alegria e a energia dos santistas, felizes por verem os méritos do Alvinegro Praiano solenemente reconhecidos. A maior satisfação de coordenar o Centenário é justamente essa: de sentir a alegria e o orgulho nos olhos dos santistas. Mas estou em Ribeirão Preto, trabalhando em um projeto super importante, que é o de revelar novos autores para a vitoriosa Editora Novo Conceito, uma das mais importantes do País.

De qualquer forma, o filme já está pronto. Agora vem a fase das entrevistas, de lamber a cria e é hora de dar lugar aos seus criadores. O essencial é que mais uma obra significativa do Centenário do Santos está concretizada. Parabéns ao Ricardo Aidar, ao André Canto, à Lina Chamie e a todos da Canal Azul que tornaram esse filme possível. Agora a bola está com o santista. Ver esse filme é uma saborosa e emocionante obrigação.

Não viu o trailer? Já viu e quer ver de novo? Taí:

Promete que você verá o filme no cinema, ou no DVD?


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