Blog do Odir Cunha

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Sereias perdem de virada. São José é o Brasil na final

Acabou o sonho do tricampeoanto da Copa Libertadores para as Sereias da Vila. Sem o mesmo elenco, o mesmo futebol e a mesma atitude das edições anteriores da competição sul-americana, as santistas perderam por 2 a 1, de virada, para o São José, em São José dos Campos, e estão fora da final, que reunirá o São José, justo a equipe convidada para o torneio, e o Colo Colo, do Chile.

Com o apoio de grande torcida, ampla maioria no estádio, mais rápido, menos errático e mais determinado, o São José mereceu a vitória. Comandado pelas veteranas Formiga e Bagé, o time do Interior ainda mostrou jovens valores, habilidosas e rápidas, que envolveram o Santos.

Das principais Sereias da Vila, só Esther justificou a fama, multiplicando-se pelo campo. A lateral Maurine a a goleira Andreia – que falhou nos dois gols – atuaram abaixo do que podem.

Erika, autora do primeiro gol do jogo, de cabeça, logo aos 3 minutos, sentiu efeitos da gripe e pouco fez. Gláucia e Karen também estavam lentas, quase apáticas, e foram facilmente marcadas pela boa defesa do São José. As três froram substituidas, mas o time não melhorou muito.

Formiga dominou o meio-campo e empatou, de cabeça, no finzinho do primeiro tempo. Os santistas reclamaram de falta na goleira Andreia, mas a verdade é que a bola estava mais para ela, que não a pegou.

Ao final do primerio tempo um diretor do Santos invadiu o campo para reclamar da árbitra e foi expulso. No segundo tempo, após o segundo gol do São José, o preparador físico e a jogadora Karen, que estavam no banco de reservas, também foram expulsos por reclamação.

Espantou o descontrole emocional do Santos. A arbitragem pode ter errado em alguns lances, mas não influiu no resultado. Na verdade, parecia que o time mais experiente era o São José, que lutou muito, mas se manteve tranquilo e focado no jogo o tempo todo.

No segundo tempo o ataque das Sereias produziu menos ainda, apesar de ter tido duas boas chances. Aos 40 minutos, aproveitando uma falta de longa distância, Fran, que era do Santos no ano passado, marcou o gol da vitória do São José, com um belo chute, chute forte, mas defensável.

Com o resultado, o Santos, que este ano jogou quatro vezes contra o São José e perdeu quatro, agora disputará o terceiro lugar com o Caracas. Ficou evidente que sem mais jogadoras de alto nível – como Marta e Cristiane, que este ano não vieram para a competição -, fica muito difícil conquistar uma competição tão difícil como a Libertadores. Uma pena. Nem seria preciso um grande investimento para garantir mais este título histórico.

E você, o que achou de São José 2 x 1 Santos?


Amar o Santos é…

Robinho, um amor correspondido, o bom filho que volta à casa

Ontem falamos dos sentimentos aparentemente volúveis de Paulo Henrique Ganso, que anda dizendo por aí que jogaria normalmente nos rivais Corinthians, São Paulo e Palmeiras. Não deve ter falado por mal. Afinal de contas, vários jogadores já jogaram em mais de um time grande de São Paulo. Mas se ele soubesse como o torcedor se ofende com tanta falta de correspondência, ele ficaria quieto.

Sim, o termo é correspondência mesmo. Lembra da expressão: amar e ser correspondido? Pois é. Houve tempo em que tudo que um homem – e uma mulher – queriam na vida era amar e ser amado. O torcedor não é diferente.

Ele ama o seu time e não admite que o jogador que veste a camisa sagrada, que beija o distintivo, que comemora os gols e reclama das derrotas, um dia vai bandear para o lado do inimigo, como se fosse apenas um ator desempenhando um papel.

Por que será, que na enquete deste blog, estou ganhando disparado como o técnico do Santos? Por que sou um grande especialista, por que conheço mais de tática e fundamentos do que os outros técnicos citados? Não, porque eu entendo mais a alma do Santos e do santista, porque sofrerei cada derrota e me alegrarei com cada vitória como se ainda fosse um torcedor.

E porque ouviria a voz do torcedor antes de montar um elenco ou escalar um time. O torcedor é sábio. E essencial. O futebol existe por causa dele. Tudo gira em torno de sua paixão e de seu conhecimento de futebol – que não é pequeno. Ignorá-lo é cometer o maior erro que um técnico pode fazer.

Casos de amor e dor

Alguns dos grandes ídolos do Santos já vestiram outras camisas. Araken Patusca, filho de Sizino, o primeiro presidente do Alvinegro Praiano, jogou também no São Paulo, e com sucesso. Mas voltou para o Santos para ser campeão paulista em 1935.

Dorval, Formiga e César Sampaio jogaram no Palmeiras; Tite, João Paulo e Edu atuaram no Corinthians; Pagão e Pita no São Paulo… Alguns se adaptaram tão bem no outro clube que esqueceram o caminho de volta, como César Sampaio. Outros, porém, sofreram…

Testemunhas dizem que Pagão chorou no vestiário após a vitória de 4 a 1 do São Paulo sobre o Santos, em 1963. Era uma sensação estranha para ele jogar contra o time da sua cidade, que ele ajudou a se tornar o melhor do mundo.

Eu estava lá, em um Morumbi com mais de 100 mil pessoas dividido ao meio pelas duas torcidas, quando Edu tentou jogar pelo Corinthians e se arrastou em campo. Ao ser substituído, levou a maior vaia de sua vida. Fiquei com dó dele, mas a história tratou de apagar sua passagem pelo alvinegro paulistano. Edu é Santos, eternamente Santos.

Alguns jogadores, santistas quando crianças, deixaram de ser quando se tornaram profissionais e fizeram a fama em outros clubes. Sócrates, Careca, Enéas e Serginho Chulapa estão neste caso. Não sei onde li que, na infância, Kaká também era santista.

Bem, não importa. O que interessa é que não confirmaram a escolha. Com exceção de Serginho Chulapa, que é o maior artilheiro do São Paulo, mas gosta mesmo é do Santos. Do tricolor também veio o grande Mauro Ramos de Oliveira, zagueiro que sentiu o gosto de ser campeão no Santos.

Uma escolha para toda a vida

Hoje as pessoas amam menos, ou a obsessão pelas coisas práticas e materiais embotou a capacidade de amar? Talvez essa falta de amor à camisa que vemos nos jogadores de futebol reflita apenas o estado geral de falta de amor em que vivemos. Não tenho visto mais namorados apaixonados pelas esquinas, olhos brilhando de felicidade, rostos grudados, mãos juntas. O amor está em falta.

Um time faz milhões de pessoas se alegrarem e sofrerem unidas, mesmo que não se conheçam. Escolhemos um time para amar como escolhemos a pessoa com quem viveremos toda a nossa vida. Toda mesmo, porque nesta relação não há divórcio e só mesmo a morte – a nossa – poderá nos separar.

Porém, apesar da generosidade que transborda em seu coração, que perdoa as derrotas mais doídas e até mesmo o rebaixamento para a série B, o torcedor quer ser correspondido. Quer ver no seu ídolo alguém que chora e ri pelo time como ele, alguém com quem possa se identificar.

Isso é muito claro para mim. Se eu, que sou apenas um jornalista que escreve livros, já me sentiria estranho se fizesse algum trabalho para um clube rival, imagine o atleta do Santos, o herói que entra em campo para as batalhas de cada rodada… É duro para o torcedor ver, jogando contra, alguém que ele julgava para sempre do seu lado.

Amar o Santos, para mim, é ser fiel a este amor nas vitórias e nas derrotas, até que a morte. Também é ficar atento ao que pode ser feito para tornar o clube melhor e mais amado por mais pessoas.

E para você, amar o Santos é…?


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