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A cachaça e o tombo

Por Francisco Carvalho

Não vi o jogo contra o Náutico e não assisti às entrevistas. Tudo o que sei li neste espaço. Surpresa, apenas a verborragia do Neymar:“Eles não podem ficar só olhando pra minha cara, esperando que eu resolva”. Por mais revoltado que estivesse e ainda que tenha motivos para revoltar-se, Neymar não tem o direito de justificar vexame, botando a culpa nos demais jogadores.

Nós, que condenamos declarações deste tipo quando provenientes do Muricy Ramalho, não podemos aceitá-las vindas do Neymar, até porque, por mais paradoxal que pareça, verborragia inconsequente pode ter consequências, sendo uma delas a represália dos ofendidos. E quem sairia prejudicado, caso os companheiros, publicamente rotulados como omissos, resolvessem boicotar o Neymar? O Santos Futebol Clube.

Nenhum de nós torcedores duvida de que Neymar é o maior jogador surgido no Santos, depois da era Pelé. Nenhum de nós torcedores duvida da frase quase-jargão entre santistas: “O Santos com Neymar seria candidato ao título, enquanto o Santos sem Neymar luta contra o rebaixamento”. Por isso há quem acuse a CBF, o Mano Menezes, o Andrés Sanches e até o ex-presidente Lula de conspiração contra o Santos, cada vez que o Neymar é convocado para a seleção. Isto significa que é nele – e não no treinador ou em qualquer outro jogador – que a esperançado torcedor é depositada.

Não seria normal que os companheiros tecnicamente limitados, mas conscientes de suas limitações, também depositassem suas esperanças no único grande craque do time?

Neymar é o maior salário de todo o elenco do Santos. Recebe, mensalmente, uma quantia de prêmio de Mega-Sena acumulada, não por sua estranha cabeleira;mas por ser umjogador capaz de façanhas hercúleas. O provento é real, a esperança é real, a expectativa é real. Neymar tem que aprender a conviver com estas realidades. E, assim como, há três anos, aprendeu princípios de hierarquia, deve, agora, aprender princípios de convivência em grupo.

Se é aceitável que trabalhadores tenham diferentes remunerações, é igualmente aceitável que se espere mais, de quem ganha mais – e que se espere desempenho magnífico de quem tem salário magnífico. O preço que Neymar deve pagar por ser o grande diferencial do time do Peixe é a aceitação das responsabilidades decorrentes. É assumir: “Eu sou o bom. Sou eu que resolvo, mesmo.” E resolver. Mais ou menos como faz a Marta, na seleção feminina do Brasil. E eu nunca vi a Marta criticando as companheiras por esperarem que ela resolva.

É a velha história da cachaça e do tombo.

Não está pronto para tomar a cachaça; Quem não está preparado para levar os tombos.

Você concorda que as declarações de Neymar podem ser prejudiciais a ele mesmo e consequentemente ao Santos?


Aviso aos amigos e leitores que o Odir estará de volta no dia 1º de Novembro, quinta-feira. Agradeço a todos que enviaram colaborações e mantiveram o espaço vivo e respirando Santos FC nesse período!


Era o Ganso Mercenário?

Por Francisco Carvalho.

Hoje, por falta de algo importante em que pensar, matutei sobre fatos históricos, sobre genocídios produzidos pela estupidez vigente e justificados por uma palavra qualquer.

Na idade média, era comum a igreja católica acusar alguém de heresia, arrancar-lhe “confissões” sob tortura e condená-lo, juntamente com a família, a arder na fogueira.Cristãos não viam nada demais em queimar hereges vivos. E ninguém se preocupava em saber o significado da palavra herege.

De meados dos anos sessenta até meados dos anos oitenta uma palavra, sobrenatural pelos poderes que possuía, levou muito brasileiro ao cárcere e à morte: subversão. Para obrigar mulheres a denunciar amigos e parentes, o governo permitiu que cassetetes se transformassem em instrumento de estupro. E o povo aceitava a tortura e o extermínio dos subversivos, sem se dar ao luxo de pesquisar o significado da palavra subversivo.

Neste ano de 2012 os torcedores santistas resolveram taxar de mercenário o jogador Paulo Henrique Ganso. E, como na idade média e na ditadura, uma vez rotulado, justificam-se humilhação pública e apedrejamento moral.
Para não cair na vala comum dos nossos antepassados, recorri à enciclopédia para saber em que consiste, realmente, ser um mercenário. A definição a seguir é da Larousse:
MERCENÁRIO adjetivo. 1) que trabalha apenas por estipêndio ou remuneração. 2) Ávido de ganho, desejoso de lucro, interesseiro.
Tentei encontrar alguém, dentro da estrutura do Santos, que não se encaixasse na definição de mercenário da Enciclopédia Larousse. Não encontrei. É mercenário o faxineiro com seu salário mínimo, é mercenário o Adriano, descontente com seus trinta mil, é mercenário o Neymar com seus milhões mensais, são mercenários o Muricy Ramalho e o presidente Luís Álvaro, pois todos têm interesses materiais, muito aquém da ideologia e do altruísmo.

Neste ponto recorro, novamente, à pergunta plagiada do livro de Erich Von Danikenn.
ERA O GANSO MERCENÁRIO?
Fosse eu o jogador Paulo Ganso e apossar-me-ia do bordão do Tavares, personagem do Chico Anisio:- Eu sou; mas quem não é?

Herege, subversivo, mercenário… Expressões que não deveriam servir como justificativa para assassinatos, torturas, humilhações.
Como diria Walfrido Canavieira:“Palavras são palavras, nada mais que palavras”. Ou, pelo menos, deveriam ser.


Qual a sua opinião sobre o Ganso e sua postura com o Santos? Mercenário? Mal Orientado? Descontente?


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