Um dia desses fui cobrado por um leitor que, por me considerar um ombudsman contratado pelo Santos, achou que eu deveria tomar ou exigir certas atitudes da diretoria. Decidi, então, deixar algumas coisas bem claras sobre o papel deste blog e deste blogueiro.

Não sou ombudsman do Santos. Infelizmente, os clubes brasileiros ainda estão anos-luz de uma postura tão democrática que permita contratar alguém para esta função crítica, que tem liberdade para relatar os erros e equívocos da instituição, contribuindo, assim, para que não mais se repitam.

O “ombudsman” é o próprio blog, pois assume a liberdade jornalística que todo veículo de comunicação tem, ao mesmo tempo em que se concentra e se interessa pelas coisas e fatos do Santos. É um blog santista, com muito orgulho, mas não se esquiva de enxergar e discutir as prováveis falhas da instituição. Ou seja, como o ombudsman é o blog, todos que fazem parte dele, como você, que nos envia seus comentários, também é um ombudsman do Santos.

Como já disse, o Santos, por tudo que representou e representa para a história futebol, é um tema fascinante e, por não ter a chamada “força política”, acaba sendo também uma boa causa, pois  não ganha títulos roubados e nem se vale de mutretas para superar os adversários.

Particularmente, tenho carinho e respeito por Luis Álvaro Ribeiro. É o presidente do clube, o nosso presidente, eleito democraticamente por ampla maioria. Como pessoa, é um ser humano admirável, inteligente e espirituoso, que orgulha o santista.

O Luis Álvaro Ribeiro que às vezes (poucas, na verdade) é criticado aqui é o presidente do Santos, alguém que se dispôs a comandar aquele que para nós é o clube mais importante do mundo.  Quem assume um cargo tão relevante, que envolve a paixão de milhões de pessoas, obviamente será cobrado. Mas isso nunca poderá ser visto como uma oposição política. Às vezes é uma oposição de idéias. O que é saudável em qualquer regime democrático.

De qualquer forma, o blog respeita o presidente Luis Álvaro e essa diretoria da mesma forma que respeita os presidentes e as diretorias anteriores do clube. Os casos consagrados de desonestidade e má administração – como as histórias da mala de dinheiro que caiu da janela do avião e a corrupção nas categorias de base – já foram suficientemente divulgados. Consideramos esses casos vergonhosos como exceções. Acreditamos no caráter e nos bons princípios das pessoas até que provem o contrário.

Com relação a Marcelo Teixeira, este blogueiro reconhece que, apesar de alguns percalços administrativos, foi um dos dirigentes mais importantes do clube. Assumiu o Santos em uma fase terrível, endividado e sem time, investiu milhões do próprio bolso e impediu que o Santos caminhasse para se tornar uma equipe intermediária.

O blog considera que esta visão distanciada, histórica, é essencial para não se cometer injustiças com as pessoas que já contribuíram, muito, para o crescimento do Santos. A mesma postura de respeito que o blog tem hoje com relação a Marcelo Teixeira, terá, no futuro, com relação a Luis Álvaro Ribeiro, quando ele também estiver no rol dos ex-presidentes. Para se respeitar a história, é preciso deixar idiossincrasias e vaidades pessoais de lado.

A atitude do blog com relação à diretoria do Santos tem sido de apoio em mais de 50% dos casos. No episódio polêmico entre Neymar e o técnico Dorival Júnior, em que a maioria dos jornalistas se colocou contra o jogador e a direção do clube, o blog esteve com Neymar e a diretoria do Santos. E também se coloca agora, ao lado do presidente e de sua diretoria, no difícil relacionamento com Paulo Henrique Ganso.

Na análise do elenco, que envolve contratações e promoção de jogadores da base, o blog se dá ao direito, como qualquer outro veículo de comunicação, de analisar os acertos e erros. E já teve o prazer de “queimar a língua” algumas vezes.

Em algumas questões o blog discorda das orientações da presidência e da diretoria. E discorda desta diretoria, como discordaria de qualquer outra, já que não se tratam de questões políticas, mas técnicas. Entre esses pontos discordantes, estão:

Ingressos caros – O blogueiro acredita que multiplicar a média de público deve ser prioridade no Santos, e os ingressos caros, obviamente, não contribuem para isso. Sugestão: Reduzir pela metade o preço dos ingressos e só aumentá-los quando os estádios não tiverem capacidade de receber todos os interessados.

Muitos jogos em Santos – Adoro, amo Santos, mas amo mais o Santos Futebol Clube. Já deu para perceber que na Vila Belmiro o público será, sempre, pequeno. Há a praia, o boteco, o pay per view, os preços caros, a dificuldade de estacionamento, a falta de transporte ao final dos jogos noturnos… O Pacaembu é o estádio que atrai mais santistas, dá mais visibilidade – além de ser aquele em que o time tem obtido o maior índice de vitórias. Por que não jogar mais e mais lá?

Sistema de jogo defensivo – O blogueiro admira o técnico Muricy Ramalho, mas a verdade é que ele não consegue fazer o time marcar muitos gols, que, todos sabem, é a vocação do Santos. Mas continuamos torcendo para que isso mude…

Morosidade, passividade – Este blogueiro acha que as decisões do clube podem ser bem mais rápidas e eficazes. Não me esqueço de uma conversa que tive com Luis Paulo Rosenberg, o homem que turbinou o marketing do alvinegro da capital. Ele disse que tinha uma equipe numerosa, composta por profissionais apaixonados pelo Corinthians, que entravam às oito da manhã e às vezes trabalhavam até dez da noite. O Santos deveria repetir essa fórmula, com mais gente e com maior carga horária de trabalho no setor. No caso do Corinthians, o clube espera que as propostas de marketing cheguem até ele, mas acredito que o Santos deveria tomar iniciativas. Como já dizia um velho slogan dos postos Atlantic: “Quem não é o maior, tem de ser o melhor”. O Santos não é o maior em marketing, mas pode ser o melhor. Para iss o, é preciso que o setor seja ampliado. Essa mesma demora se vê nos casos da implantação das Embaixadas Santistas, um plano que não sai do papel há alguns anos.

Fechamento da sub-sede em São Paulo – Essa nunca poderei engolir, pois se São Paulo é a capital econômica da América Latina e o Santos tem quase dois milhões de torcedores lá, entre eles quase todos os empresários que participam da gestão, por que se fechou a sub-sede, que só com a criação do G4 Paulista já se pagou por dez anos? Ao invés de fechá-la, o Santos deveria ter levado a equipe de marketing para São Paulo. Os patrocinadores, as agências de publicidade, enfim, o dinheiro está na capital.  Não é prático manter o marketing em Santos.

Há outros detalhes com os quais não concordo, mas isso é bem pessoal e talvez demonstre algum egoísmo de minha parte. Por exemplo: acho o cúmulo um clube como o Santos cobrar royalties de livros que contam a sua história.  O lucro de um livro é tão pequeno, quando existe, que cobrar royalties do produto, como se fosse pasta de dentes ou biscoito, mostra, para mim, uma grande insensibilidade. Se ninguém fizesse livros sobre o Santos, o clube não teria de fazer? Quem preservaria o bem mais precioso que o santos tem, que é sua história? Pois é. Mas, reconheço, essa é uma posição bem particular.

Bem, percebo que me estendi demais. Por fim, só gostaria de lembrar que somos todos santistas e, acredito, que o objetivo é ajudar o clube a ser do tamanho que a gente sabe que ele pode ser. Estou certo de que 100% das críticas lidas neste blog são construtivas. Basta que as pessoas que se julgam criticadas tenham a humildade para analisá-las sem paixão.

Amo os santistas de ontem, hoje e sempre. Posso ser um pouco severo, às vezes chato mesmo, mas aprendi que se você não sabe no que está errando, nunca corrigirá o erro. Com a ajuda de vocês, temos mostrado aqui caminhos viáveis e eficazes para o Santos.

Somos muitos. O blog atinge 50 mil pessoas diferentes por mês. É mais do que a audiência da maioria dos programas diários de rádio, mais do que os leitores de muitos jornais. Por isso, nossas sugestões e opiniões merecem respeito. Até porque muitas cabeças pensam melhor do que uma.

Qual você acha que é a função deste blog?