Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

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Tag: Fundação do Santos

Parabéns Santos! Nosso amor eterno!

Hoje, exatamente às 14 horas, peço que volte seu pensamento para a sagrada Vila Belmiro e dedique alguns instantes de meditação ao nosso amado Santos Futebol Clube, que estará comemorando 99 anos da vida mais sublime e empolgante que um time de futebol poderia ter.

Era 14 de abril de 1912 e um grupo de rapazes, alguns oriundos do vitorioso Americano, reuniram-se no Clube Concórdia para fundar um time de futebol.

O primeiro a assinar a ata de fundação já trazia o espírito que nortearia a vida do Alvinegro Praiano: era bem jovem (só tinha 18 anos), um tanto irreverente e um atacante driblador e de grande habilidade. Chamava-se Adolfo Millon Junior e dois anos depois já seria o titular da Seleção Brasileira campeã da Copa Rocca, na Argentina, e do Sul-americano de 1919, no Rio de Janeiro.

Outro fundador ainda mais famoso foi o ponta-esquerda Arnaldo Silveira, que também viria ser não só titular, mas também capitão da Seleção nacional.

E este Santos, que nasceu sem preconceito – pois em 1913 já tinha dois negros no seu elenco – também teve origem nobre, pois se originava do Americano, bicampeão paulista em 1912/13 e primeiro time brasileiro a jogar no exterior (Uruguai).

Por esta respeitosa herança o Santos foi convidado para participar do Campeonato Paulista de 1913 sem ter de disputar nenhuma eliminatória, ao contrário de Corinthians e, depois, Palestra Itália.

Também é aniversário do primeiro jogo de futebol no Brasil

Hoje também se comemora o 116º aniversário do primeiro jogo de futebol disputado no Brasil. Em 14 de abril de 1895, na Várzea do Carmo, em São Paulo, o São Paulo Railway venceu a Companhia de Gás por 4 a 2. Detalhe: as duas equipes eram formadas por ingleses, os inventores do futebol e responsáveis pela difusão do esporte pelo mundo.

Agora fique de pé e ponha a mão no coração (nem que seja em pensamento):

Há tanta coisa para se lembrar sobre a história do Santos, a mais rica de um time de futebol. Mas por ora chega de fatos e datas. Vamos só sentir a maravilha de ser santista:

As festividades do Centenário Santista já começaram

Ontem tivemos o desfile das Sereias da Vila e foi lançado o Calendário do Centenário.
Hoje o artista plástico Paulo Consentino e sua equipe do projeto “100 anos de futebol arte” iniciam a pintura do muro do CT Rei Pelé, naquele que será o maior mural ao ar livre do mundo.
A campanha de doação de documentos e objetos históricos ao Memorial das Conquistas já está aberta.
Dois livros e dois filmes estão sendo produzidos.
Logo mais será divulgado o ganhador do Concurso para a Escolha do Logo e do Slogan do Centenário.
Já está no ar o hotsite do Centenário, no site oficial do Santos.
Vem aí muito mais.
Até dezembro de 2012 vamos realizar dezenas de eventos. Participe!

Que tal fazermos deste Centenário o maior e melhor de todos?


A fundação do Santos, ou a história de um time que nasceu predestinado

De Millon e Arnaldo a Robinho e Pelé. Nenhum outro tem tanta vocação ofensiva.

Guilherme Guarche é pesquisador e historiador do Santos, responsável pelo Departamento de Memória e Estatística do Clube. Suas informações sobre a fundação do Santos são fruto de longa pesquisa e refletem a versão ofcial dos fatos. Ele mer enviou este texto que faço questão de, nesta data querida, dividir com meus queridos leitores:

Há 98 anos começava o mais bonito de todos os sonhos

Com a transferência para São Paulo do Esporte Clube Americano, time formado basicamente por estudantes, que tinha sua praça de esportes na Praça dos Andradas, em Santos, e com o encerramento das atividades do Clube Atlético Internacional, fundado em 1903 por Sizino Patusca (cujo campo se situava na avenida Ana Costa, 22), a cidade de Santos ficou sem um bom time de futebol.

Foi aí que os jovens desportistas Francisco Raymundo Marques, Argemiro de Souza Júnior e Mário Ferraz de Campos resolveram marcar uma reunião para fundar um novo clube. O comunicado que foi publicado no Diário de Santos no dia 09 de abril de 1912 dizia o seguinte:

SPORTS

Um novo clube de football

Varios sportsmen desta cidade estão empenhados em organisar um poderoso club de football, tendo já para isso, conseguido um vasto e esplendido terreno de propriedade do sr. J.D. Martins, á rua Aguiar de Andrade, no Macuco, onde será installado o ground da nova sociedade sportiva.

A comissão organisadora do clube compõe-se dos tres esforçados cavalheiros seguintes: Mario Ferraz de Campos, Raymundo Marques e Argemiro de Souza Júnior.

Essa comissão, no desempenho da ardua tarefa que se impõe, está percorrendo o nosso alto commercio para acquisição de socios, tendo já conseguido alistar para mais de 200 pessoas.

No próximo domingo, às 2 horas da tarde, haverá uma reunião na séde do clube Concordia, para serem apresentadas as bases do novo clube, eleita a sua directoria e tomadas outras deliberações attinentes aos fins da nova agremiação sportiva.

Era já sensível a falta, entre nós, de um bom clube dedicado ao bello sport do football. Acreditamos que o novo clube venha preencher essa lacuna.

No dia 15 de abril, o Diário de Santos publicava na primeira página a seguinte nota:

SPORTS

SANTOS FOOT-BALL CLUB

Fundou-se hontem nesta cidade, sob os melhores auspiciosos o “Santos Foot-Ball Club”, com o elevado numero de 146 socios.

A reunião de fundação desse club sportivo effectuou-se na sede do Club Concordia tendo começado ás 2 horas da tarde, com a presença de muitos socios.

Depois de escolhido o titulo acima, passou-se a eleição da directoria, que deu o seguinte resultado.

Presidente: Cizino Patusca; vice presidente, George Cox; 1º secretario, José G. Martins; 2º secretario, Raul Dantas; 1º thesoureiro, Leonel Silva; 2º thesoureiro, Dario Frota.

Directores: Augusto Bulle, João Carlos de Mello, Henrique Cross, Raymundo Marques, Cicero F. Silva e Jonnas de C. Pacheco.

São considerados fundadores do clube, conforme a Ata da Fundação da Assembléia realizada em 25/09/1929, todos os que estavam presentes na tarde da fundação. Curiosamente um dos organizadores da reunião inaugural, Mário Ferraz de Campos, não participou do encontro e não é considerado sócio fundador do Alvinegro (Mário foi o primeiro associado a pedir demissão do clube, em maio de 1912). Abaixo a relação dos sócios fundadores:

Adolpho Millon Jr. – Agostinho Marba – Álvaro de Barros Fontes – Álvaro de Souza Dantas – Anibal Bastos – Anibal Teixeira – Antônio de Araújo Cunha – Antônio Iguatemy Martins Jr. – Argemiro de Souza Júnior – Arnaldo Augusto Millon – Arnaldo Silveira – Arsênio Castelhões – Ary de Campos Oliveira – Augusto Medeiros Bulle – Benedicto Baccarat – Carlos Ernesto Simon – Dagoberto Pacheco – Durval Damasceno – Edmundo Jorge de Araújo – Geraule Moreira Ribeiro – Harold Cross – J. Santos Neto – João Luiz Promessa – João Novaes – José da Silva Novita Filho – José Pereira da Silva – Lauro Martins – Leonel Silva – Maurício Hess – Nabor Teixeira da Silva – Nilo Arruda – Nosor Teixeira da Silva – Oscar Bastos – Osth? ?lio Alcover – Osvaldo Silveira – Praxedes Leão – Raymundo Marques – Renato Castanho e Sebastião Arantes Nogueira.

O nome do clube foi uma sugestão de Edmundo Jorge de Araújo, e não de Antonio Araújo Cunha, como consta em muitos livros. A reunião na qual fundou-se o Santos FC, aconteceu na antiga rua do Rosário, 18 no salão de honra do Club Concórdia, que se situava na parte superior do imóvel (no piso térreo ficava a padaria e confeitaria Suissa, pertencente a J. M. Azevedo).

Hoje a rua do Rosário tem o nome de rua João Pessoa e o nº 18 passou para 8/10 e no local funciona a Loja Proplastik. O presidente do Club Concórdia que era um clube de diversão e cuja sede administrativa ficava na rua General Câmara, 81, era José Pereira de Andrade. O primeiro tesoureiro era Leonel Silva, um dos fundadores do Santos FC. Ao contrário do que se diz, não há registros sobre as cores do clube que emprestou o salão de honra para ser fundada a nova agremiação.

Francisco Raymundo Marques, cujos descendentes moram hoje em Ribeirão Preto, é na verdade o grande mentor da criação do Santos FC. No mesmo ano de 1914, ele e mais alguns jogadores santistas decidiram deixar o clube e fundaram a Associação Atlética Americana, também conhecida como “A Fidalga”, que tem sede no bairro do Gonzaga, em Santos, e é apenas um clube social e de recreação. Suas cores são azul e branco.

Francisco Raymundo Marques, conhecido pelo apelido de Nhonhô Marques entre os familiares, faleceu em 1918, vítima da gripe espanhola que dizimou metade da população santista. Os dissidentes santistas, capitaneados por ele, levaram consigo a ata de fundação do Santos, que nunca mais retornou ao Santos FC.

Segundo nota do jornal A Tribuna no dia 15/04/1912 publicando a fundação do Santos FC as cores do novo clube fundado eram brancas e azuis com frisos dourados entre elas. No dia 31/03/1913 por sugestão de Paulo Pellúcio o clube adotou em seu uniforme as cores alvinegras. Com a eleição em dezembro do ano passado o atual presidente Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro é o 32º presidente santista em toda a sua história.

A primeira sede social do Santos FC localizava-se no Largo do Rosário, 14, atual Praça Rui Barbosa, e era mais conhecida como “Pombal”. Lá o clube ficou de 1912 a 1918. A segunda sede era na Praça Visconde de Mauá, 4, um sobrado ao lado do tradicional “Café Carioca”, e lá permaneceu no período de 1918 a 1920. A terceira sede ficava na Rua D. Pedro II, 21, local que servia também de concentração dos atletas e lá ficou no período de 1920 a 1922. A quarta sede era na Rua do Comércio, 9, e lá esteve de 1922 a 1924. A quinta sede era na Praça Barão do Rio Branco, 30, no primeiro andar, onde funcionou durante muitos anos o tradicional hotel Santos e lá ficou no curto período de 1924 a 1925. A sexta sede era na Rua Itororó, 27, onde permaneceu de 1925 a 1952. Nesta sede o clube realizou durante muitos anos os tradicionais bailes de Carnaval, deixando de realizá-los porque os dois andares do bonito prédio começaram a tremer. Então, a partir de 1939, os bailes passaram carnavalescos do Santos passaram para o Cine Coliseu.

Por último, a atual sede na Rua Princesa Isabel, que começou a funcionar a partir de 1952. Durante o anos de 1965 a 1971 a sede social santista foi transferida para as dependências do Parque Balneário Hotel no Gonzaga, voltando à Vila Belmiro com a venda deste imóvel, em 1972.

Campo e distintivo

O primeiro campo usado pelo Santos ficava na antiga Rua Aguiar de Andrade, 49, no então bairro da Villa Macuco, e todas as partidas lá realizadas não entram na estatística do clube, pois foram consideradas como jogos-treinos, pois as dimensões do campo eram diminutas. Lá o clube treinou até o ano de 1917, já que no ano anterior a diretoria comprou o terreno onde se situa até hoje a Vila mais famosa do mundo. No local onde existiu o primeiro campo santista foi inaugurada há poucos dias a avenida Perimetral, que circunda um trecho do cais nas proximidades da praça onde está colocado o Monumento do Trabalhador Portuário, na Rua Manoel Tourinho.

O Santos só teve em suas camisas dois distintivos: o primeiro e o atual, que a partir de 1968 passou a ter sobre o escudo duas estrelas douradas (simbolizando os dois títulos mundiais, em 1962 e 63) e um distintivo que foi usado nas camisas de listras horizontais nos anos 40, com as letras SFC sobrepostas umas sobre as outras.

Longa vida ao melhor time do século XX nas Américas.

*Guilherme Gomez Guarche é o coordenador do Centro de Memória e Estatística do Santos Futebol Clube 

 

Na lista de fundadores, já se pressentia a alma do Santos

Amigos, percebam dois fatos magníficos no rol de fundadores do Santos: o primeiro nome da lista é justamente do jogador mais irreverente, dentro e fora dos campos. Namorador e um tanto rebelde, Adolfo Millon era um ponta-direita driblador e habilidoso. Tinha o mesmo espírito que rege os atuais Meninos da Vila. Pois este mesmo Adolfo Millon foi titular da primeira Seleção Brasileira, a que ganhou a Copa Rocca de 1914 e o Sul-americano de 1919.

Agora, passemos para o décimo-primeiro da lista.  Trata-se de Arnaldo Silveira, que era, justamente, o ponta-esquerda. Longe de ser um ponta comum, era o cérebro, o líder do time, e por isso não só foi também titular da primeira Seleção Brasileira, como o capitão da equipe que pela primeira vez empolgou o País, com o título Sul-americano de 1919.

Então, fica a pergunta: como um time de Santos já podia ter entre seus fundadores os futuros pontas direita e esquerda da primeira Seleção Brasileira? Predestinação, claro. Não há registro de nenhuma outra equipe do mundo que já foi fundada por futuros campeões continentais. O Santos não nasceu apenas grande. Nasceu para ser o maior, para reinar.  (Odir Cunha)

 

 

 


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