Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

Tag: futebol brasileiro (page 1 of 5)

Santos é futebol. Ponto


Benfica 2 x 5 Santos – o jogo mais importante de um time brasileiro em toda a história do futebol. Ponto.

Cada time tem uma característica pela qual é lembrado. Uns, mais por mérito de seus torcedores, são chamados “times do povo”, outros são conhecidos pela “raça”, alguns por serem “copeiros”, outros, ainda, pelo acúmulo de títulos. O Santos, senhoras e senhores, representa o futebol. Sim, o Santos encarna o melhor e o mais romântico desse esporte, do futebol arte, dos grandes craques, enfim, o Glorioso Alvinegro Praiano é, simplesmente, o futebol.

Time mais vezes campeão paulista na era profissional, duas vezes campeão mundial na época do futebol-arte, três vezes campeão da Copa Libertadores, oito vezes campeão brasileiro, cinco vezes do Torneio Rio-São Paulo, campeão das Recopas Sul-americana e Mundial, clube que revelou alguns dos maiores craques da história do futebol brasileiro, pensar em futebol é pensar no Santos, e vice-versa.

Além de toda a sua história incomparável, há o estigma de revelar virtuoses. Um time de garotos do Santos entra em campo, como nessa Copinha, e não há quem não fique curioso para descobrir novos craques. Por isso, os outros clubes têm infanto-juvenis, o Santos tem os Meninos da Vila.

Se o Brasil fosse um país sério e se a chamada crônica esportiva tivesse o mínimo conhecimento e reconhecimento, todo programa esportivo deste país deveria começar com o hino do Santos e imagens de Pelé, Coutinho, Pepe, Zito, Gylmar, Maruco, Dorval, Lima, Carlos Alberto Torres, Clodoaldo, Robinho, Neymar… Só depois viria o resto.

Veja você, leitora e leitor, que o auge do futebol brasileiro e mundial coincidiu com o auge do Santos. A Seleção Brasileira tricampeã em 1958, 1962 e 1970 era baseada no Santos bicampeão mundial em 1958/62 (fora a Recopa Mundial de 1968 e as três Libertadores que não quis jogar). Futebol arte = Santos e não se fala mais nisso.

Mas se eu, que sou santista, falo, dirão que sou suspeito. Então, lembro aqui o que me disse o ponta-esquerda Antonio Simões, do inesquecível Benfica, melhor ponta da história do futebol português e adversário do Santos na final do Mundial de 1962:

“É muito difícil encontrar tanto craque, tanto jogador inteligente como naquele time. Comparo o Santos de 1962 com a Seleção do Brasil de 1970. São as duas melhores equipes de futebol que vi até hoje. A Seleção de 70 é a confirmação de um modelo de jogo que o Santos já demonstrava há muito tempo.”

É óbvio que a Seleção Brasileira trouxe do Santos os craques, o espírito indomável e vencedor que a transformou na melhor Seleção de todos os tempos. Só não enxerga isso quem não quer ver ou é burro. A propósito, lembro agora uma frase do francês Gabriel Hanot, ex-jogador, jornalista esportivo e criador da Champions League. Maravilhado depois de assistir Santos 5, Benfica 2, no Estádio da Luz, ele disse:

“Desde há muito acompanhando o Santos pela Europa, julgo-a a melhor equipe do mundo, superior, inclusive, àquela famosa do Honved.”

Aqui, abro um parêntese para perguntar às pessoas de boa vontade: é possível comparar uma final de mundial interclubes decidida em uma melhor de três entre o campeão europeu e o sul-americano, com outra definida em uma única partida, no Japão, em Dubai ou no raio que o parta? Uma decisão em que a torcida local recebe bandeirinhas dos clubes finalistas para balançar durante o jogo? Me poupem!

A melhor e mais importante partida de um clube brasileiro em toda a história foi Santos 5, Benfica 2, no Estádio da Luz, então o maior estádio da Europa. Quem quiser debater sobre isso, estou à disposição. E a segunda maior foi Santos 4, Milan 2, no Maracanã. O resto, como diriam os cronistas antigos, não pagam nem placê.

Pois é. Os idiotas da objetividade torceram para o Santos acabar quando Pelé parou. Estavam loucos para ter uma oportunidade de falar de seus times, de dourar a pílula da mediocridade até que se tornassem pérolas. Bem, esses não estavam e não estão interessados na história do futebol, mas sim em seus decadentes times “do povo”. Mas aí veio Juary, Pita, Nilton Batata, João Paulo, Ailton Lira, Robinho, Diego, Neymar, Ganso, Ricardo Oliveira, Lucas Lima…

E, contra tudo o que se vê nos viciados noticiários de tevê, neste século XXI, que já tem 17 anos completos, o retrospecto do Glorioso Alvinegro Praiano contra os chamados grandes clubes brasileiros não poderia ser melhor: o Santos tem saldo positivo contra todos eles.

A informação vem do amigo Guilherme Gomez Guarche, responsável pelo departamento de memória do Santos Futebol – um departamento que deveria ser ampliado e melhor aparelhado, pois a história é o melhor marketing do Santos.

Bem, mas como eu ia dizendo, o Guarche me passou o retrospecto do nosso querido Santos contra os chamados grandes de São Paulo e Rio de Janeiro. Vejamos essa informação que, sei lá por que, a imprensa esportiva brasileira ignora. Escreve-me o Guarche:

Contra o Corinthians foram 57 partidas, com 25 vitórias santistas,14 empates e 18 derrotas. Portanto, sete vitórias de saldo.

Contra o São Paulo, em 56 partidas, 28 vitórias do Santos, 10 empates e 18 derrotas, ou seja, saldo de 10 vitórias!

Contra o Palmeiras, 49 partidas, com 19 vitórias, 13 empates e 17 derrotas, duas vitórias de saldo.

Contra o Flamengo, 35 partidas, com 11 vitórias, 14 empates e 10 derrotas, uma vitória a mais.

Contra o Fluminense, 37 partidas , com 14 vitórias, 7 empates e 13 derrotas, outra vitória de saldo.

Contra o Botafogo, 32 partidas, com 14 vitórias, 9 empates e 9 derrotas, cinco vitórias a mais para o Santos.

Contra o Vasco da Gama, 29 partidas, com 13 vitórias, 7 empates e 9 derrotas, ou seja, quatro vitórias a mais para o Santos.

Então, minha cara e meu caro, se a imprensa esportiva brasileira não vê ou finge ignorar um time que neste século supera, no confronto direto, todos os outros chamados grandes de São Paulo e Rio de Janeiro, podem estar certos de que o problema não é do Santos, mas da nossa míope imprensa esportiva.

Santos tem a quarta torcida nos mercados mais ricos do Brasil

Valeu Meninos!

O jogo foi muito equilibrado, com domínio do Santos no primeiro tempo e do Avaí em boa parte do segundo. Ocorre que, contrariando a sua tradição, esse sub-20 do Santos não tem fome de gol e não tem um especialista para marcá-los. Por outro lado, o Avaí se mostrou mais inteligente, malicioso e objetivo.

Quando o comentarista do Sportv dizia que a decisão iria para os pênaltis, um jogador do meio campo do time de Florianópolis acertou um lançamento de Gérson, Getúlio matou com categoria e cruzou rasteiro e forte para o boca suja Vinicius Baiano só empurrar para as redes, no gol solitário de um bom jogo.

Sobre esses Meninos santistas, eu diria que nenhum ainda merece ao menos frequentar o banco de reservas do time profissional. Tudo bem que são bem jovens, mas com essa idade muito Menino da Vila já era titular do Alvinegro Praiano. Mostraram fibra, mas lhes falta habilidade, força, inteligência e traquejo. Talvez ainda possam vingar? Acho difícil, mas se acreditam no sonho de viver como jogador de futebol, que continuem treinando e aprendendo, quem sabe. Mas, por enquanto, não têm bola para jogar no Santos (estava gostando do tal de Bote, mas pediu para sair por cansaço na metade do primeiro tempo).De qualquer forma, valeu. Fizeram um bom jogo e caíram de pé.

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Muito tiki, pouco taka

Basquete, um esporte de pouco tiki e muito taka

Não dá para enrolar, pois o tempo é curto e se o time não atacar, perde a bola. Quem não é objetivo, não joga. No basquete é preciso determinação, confiança, precisão. Este é o esporte que domingo consagrou, mais uma vez, Lebron James, um ídolo que pode ter a sua máscara, porém é mesmo sensacional. Talentoso, rápido, corajoso, James foi o maior responsável pelo primeiro título de Cleveland, que perdia a série final por três derrotas a um e acabou virando sobre o Warrios, de Oakland. Ele, sim, é exemplo de um super atleta, que pode e faz tudo o que pode, que vai pra cima e decide jogos e títulos. Acho que alguns jogadores do Santos devem assistir a este filme e perceber o que é ser um craque do esporte. Querem ser tratados como astros? Simples: sejam campeões brasileiros.

Chegou o Vecchio, o que dizer dele?

E do Jean Mota?

Muito tiki, pouco taka

O Santos de Dorival Junior é o exemplo de como a limitação intelectual dos técnicos brasileiros pode acabar com o nosso futebol. Dorival disse que foi à Europa ver como os grandes times do mundo jogam e como seus competentes técnicos agem. Veio querendo implantar o tiki-taka do Barcelona no Santos, só que parou no tiki.

O jogo contra o Atlético Paranaense mostrou que o Santos teve mais posse de bola (61,8 a 38,2%), mas chutou menos a gol (8 a 10), deu menos cruzamentos (13 a 15), errou mais passes (60 a 30) e desarmou menos (14 a 18). Gentil, o Santos também cometeu muito menos faltas (7 a 16). Esses números, pesquisados por André Schmidt, do site Lance!, mostram claramente que além da falta de empenho para buscar a vitória, o Santos se contentou apenas com a primeira parte do estilo do Barça, que é o tiki. Faltou, com o perdão do trocadilho, “takar” a bola pra dentro do gol.

Como se sabe, esse estilo de jogo, implantado pelo holandês Johan Cruyff no Barcelona, e depois pelos técnicos Luis Aragonés e Vicente del Bosque na Seleção da Espanha, se caracteriza por passes curtos e muita movimentação, com o objetivo de envolver o adversário até que haja possibilidade de fazer o gol. Mas essas filosofia não é tão nova quanto parece.

Se prestarmos atenção ao futebol argentino, mormente o de uma ou duas décadas atrás, veremos que seus melhores times se basearam na posse e no toque de bola. Lá chamam esse jeito de jogar de “toco y me voy”, o que significa tocar e já sair para receber, dando sempre opção para o passe e, assim, também seguindo até a meta adversária (no Brasil há quem traduza o “toco y me voy” como “um-dois”, mas não creio que seja a definição cem por cento correta). Aqui, onde o futebol sempre foi vertical, em busca do gol, “tocar a bola”, “segurar” ou “prender” são opções geralmente usadas quando o time está ganhando e quer deixar o tempo passar.

Na verdade, os argentinos, no geral, sempre tocaram a bola melhor do que os brasileiros. Nossa vantagem era a objetividade, a chamada “fome de gol”. É só pesquisar as estatísticas e a lista de artilheiros para perceber que os grandes times brasileiros sempre balançaram a rede mais vezes e sempre tiveram artilheiros mais profícuos do que os portenhos. Porém, essa nova mania de copiar, e copiar errado, está fazendo o futebol brasileiro perder a objetividade e se tornar, às vezes, bastante enfadonho.

Há poucas coisas mais irritantes, para o torcedor, do que ver seu time alcançar a linha de fundo e, em vez de assistir a um cruzamento, presenciar um preguiçoso recuo de bola. Pior ainda é quando o time fica tocando bola no meio de campo e, quando se pensa que dali sairá um lançamento, uma tabela pra frente ou uma arrancada, voltar a bola para trás, às vezes para o goleiro.

Das premissas sagradas que levaram o futebol brasileiro ao topo do mundo, uma delas era chegar à linha de fundo e cruzar; a outra era bater a gol sempre que houvesse uma boa possibilidade, mesmo de fora da área. Hoje, a bola vai e volta e o ato não é consumado, o que, com o perdão da palavra, é brochante. O time fica em cima, fica em cima, mas não f…az o gol. O que é pior: nem tenta fazê-lo.

Gostaria de pedir ajuda aos estatísticos para saber qual porcentagem de sucesso teria um time caso jogasse todas as bolas para dentro da área adversária. Da linha de fundo ou não, a bola seria centrada de todos os lugares para a zona do agrião. Será que esse método pré-histórico, que consagrou o técnico Muricy Ramalho, não teria mais efeito do que esse infindável tiki-tiki-tiki…?

Quantos jogos já não vimos que, no desespero dos últimos minutos, o time que está precisando do resultado cruza seguidamente na área adversária, e quantas vezes já não vimos sair gols assim, muitos deles definindo campeonatos? Agora, quando se viu um time ganhar um jogo sem chutar a gol?

Não, não estou apregoando, de forma alguma, a volta do “chuveirinho”, só quero que analisem a questão por todos os lados. Como foi que o Santos perdeu para o Atlético/PR, e como costuma perder a maioria dos jogos que faz fora de casa? Ora, com bolas centradas para a área, de escanteio, falta, ou de qualquer outro jeito, certo. Pois se o Glorioso Alvinegro Praiano não consegue anular essa jogada primária, por que também não a utiliza para tentar a vitória? Uma bola na área tem uma possibilidade muito maior de terminar em gol do que infinitos passes trocados em outras áreas do campo, não?

Outra coisa: o que se ganha, taticamente, ao se recuar uma bola do meio de campo para o goleiro? A distância entre as duas áreas não é a mesma? Por que não se tenta um lançamento que, no mínimo, tem alguma chance de terminar em gol?

Bem, é claro que para voltar a ser mais objetivo o futebol brasileiro precisará de melhores lançadores e chutadores, o que nunca lhe faltou, diga-se de passagem. Eu diria até que precisará também de melhores dribladores, pois até esses, que abundavam em nossos campos, hoje são escassos. Pelas estatísticas do jogo de sábado, apenas os santistas Gabriel e Thiago Maia e o atleticano Walter acertaram um único drible na partida (o Vanderlei também deu um). Nenhum mais foi dado!

Como resolver isso? Não sei exatamente, mas acho que tudo começa pela conscientização de nossos técnicos de que sem treinar fundamentos ofensivos que levam ao gol, o maior objetivo do futebol, nossos times, e nossos acomodados jogadores, vão ficar só no toquinho. Outro detalhe é a ausência de treinos de verdade.

Todos sabemos que o rachão é outro esporte, não futebol. Ele inibe chutes de longa distância, lançamentos, dribles, enfim, só favorece o toquinho, o tiki. Nos tempos em que toda sexta-feira era dia de coletivo de titulares contra reservas, usava-se o campo todo em um jogo normal, em que era possível constatar realmente o nível técnico e a forma física dos jogadores. Chute de longa distância, lançamento, antecipação, cobertura – tudo isso é mais facilmente observado em um campo normal. Em um campinho, com uma área menor para cada jogador atuar, dá pra enrolar muito bem – que, certamente, é o que muito jogador brasileiro tem feito ultimamente.

Enfim, proponho esse tema e sei que ouviremos opiniões valiosas e teremos preciosas informações dos comentaristas deste blog. A bola está com vocês.

Torne-se um conhecedor e um divulgador da rica história do Santos. Mantenha vivo o bem mais precioso do nosso time.

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Você não acha que o Santos, e o futebol brasileiro, estão muito preocupados com o tiki e esquecendo o taka?


90 minutos de silêncio…

Final da Copa de 1962. Momentos nervosos. O Brasil empata com a Tchecoslováquia em 1 a 1. Zito, o líder que não gosta de perder nem em jogo de palitinho, vai ao ataque, passa para Amarildo, grita para Amarildo lhe devolver a bola e marca, de cabeça, o gol do bicampeonato mundial da Seleção Brasileira. Ave Zito!

Nada mais justo e emblemático do que aquele minuto de silêncio para mestre Zito antes de Brasil e Colômbia, pela Copa América. O meio-campo do Santos fez o gol mais importante já marcado em território chileno, aquele que decidiu a Copa do Mundo disputada no país, em 1962. Mas o minuto de silêncio não deveria se restringir a isso…

Deveria se estender ao futebol que se joga hoje e à anônima e desorganizada Seleção Brasileira que representa o país pentacampeão mundial. Fred? Firmino? E este Neymar, que não acerta uma jogada e ainda fica cheio de fricotes?! Pobre futebol. Pobre Seleção Canarinho. Mais do que um minuto, recebeu 90 minutos de indigência.

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Basta da injustiça da Espanholização! Uma Liga já!

Gustavo Henrique
Gustavo Henrique deu as boas-vindas para Rafael Longuine… Mas ninguém se machucou (Foto: Ivan Storti/ Santos FC)


Com a adoção da negociação coletiva dos contratos com a TV, a Espanha abandona o sistema que estava acabando com a competitividade e reduzindo o seu futebol a apenas dois clubes. Porém, mesmo ultrapassado e prejudicial ao esporte, o mesmo sistema é adotado sem muita oposição no Brasil, onde a Rede Globo busca eternizá-lo com a ajuda de políticos e dirigentes interesseiros ou submissos. Está mais do que na hora de se criar a Liga dos Clubes.

Uma das bandeiras que este blog sempre defendeu é a da luta contra a Espanholização, mal que pode acabar com a competitividade do futebol brasileiro. Se até na Espanha estão percebendo o prejuízo que esta política de privilégios causa ao futebol, é inconcebível que ela se mantenha viva e forte no Brasil, onde todos os ovos – maior espaço e maior cota de tevê e patrocínio de estatais, entre outros – são colocados nas mesmas duas cestas.

E das vozes que se erguem contra e a política maquiavélica que segrega a maioria dos grandes clubes brasileiros, uma das mais destacadas é a do santista Tana Blaze, alto executivo na Alemanha que nos dá a honra de ser um assíduo participante deste blog. Tana me enviou um longo e completo artigo sobre o tema, com uma análise profunda da situação e também com sugestões para solucioná-la.

A idéia inicial era publicá-lo em duas ou três partes. Porém, amanhã o Campeonato Brasileiro já se inicia – com o Santos enfrentando o Avaí, em Florianópolis, às 18h30m – e talvez outros assuntos, factuais, tomem a nossa atenção. Assim, neste sábado em que normalmente temos mais tempo, o blog publica o longo mas esclarecedor artigo de Tana Blaze sobre a terrível Espanholização, que com a desculpa dos interesses financeiros imediatos, paradoxalmente condena à morte alguns clubes tradicionais que podem tornar o futebol um espetáculo ainda mais completo.

Tana nos traz a visão de um brasileiro que conhece bem o funcionamento, ou o não funcionamento, do poder e das instituições em nosso País, mas também a visão de um homem com larga vivência no primeiro mundo, em um dos países mais organizados do planeta, que é a Alemanha, atual campeã mundial de futebol. Vale a pena ler e analisar o que ele escreve sobre Espanholização.

Digo mais: se não tiver tempo ou não quiser ler este artigo na íntegra agora, salve-o para ler depois e analisá-lo com carinho. Ele traz informações que você não encontrará em nenhum artigo de jornalistas esportivos, em discursos de dirigentes do nosso futebol ou em projetos de políticos brasileiros sobre a relação entre os clubes e a tevê. Ele mostra claramente as razões que fazem do futebol alemão um sucesso, com clubes poderosos, e do brasileiro, apesar dos novos estádios e do dinheirão da tevê, um fracasso. Bem, já falei demais. Boa leitura:

Basta de espanholização! Uma nova liga para acabar com a injustiça

Por Tana Blaze, da Alemanha

Com o GOLPE desferido pela política através da CBF e pela Rede Globo contra o Clube dos Treze em 2010, houve uma INVERSÃO de poder e de funções: a Globo, de mera fornecedora de serviços televisivos, passou a mandar no futebol brasileiro.

O sistema da Globo de favorecer o Flamengo e o Corinthians e prejudicar a maioria dos demais clubes tem a ambição de ser PERPÉTUO, não havendo, devido ao escalonamento dos contratos individuais com os clubes, previsão de LICITAÇÕES envolvendo emissoras concorrentes. O método consiste em favorecer alguns clubes através da subtração de dinheiro da maioria de todos os clubes, para devolver à maioria o que em países normais lhe deveria pertencer, sob forma de adiantamento de receitas televisivas futuras, submetendo-os à escravidão, à obediência e ao receio de represálias dos devedores.

Com a falta de licitações, não haverá qualquer controle sobre os lucros de publicidade da Globo, que deve reter uma parte descomunal de receitas de publicidade do futebol para os próprios cofres.

Não há mais necessidade de se ser produtivo no futebol brasileiro, tem-se garantido um montante fixo de dinheiro por clientelismo, não importando se o time tenha sido rebaixado e nada conquistado. Este incentivo à incompetência e à ineficiência contribuiu para a implosão da competitividade do futebol brasileiro a nível internacional.

E, favorecendo clubes cariocas e paulistas, a GLOBO SE EMPENHA EM EXCLUIR ESTADOS INTEIROS, como o Rio Grande do Sul, Minas, Bahia e Pernambuco do topo do futebol.

O futebol brasileiro será também PREJUDICADO pelo ENFRAQUECIMENTO dos CLUBES MÉDIOS, que no passado se beneficiavam do “passe” e de um diferencial de receitas limitado entre os clubes. Se bem geridos, podiam atingir o nível de topo, sagrarem-se campeões brasileiros, como o Guarani em 1978, formar e manter por certo tempo jogadores de potencial para o benefício da Seleção Brasileira. Como Brandãozinho, Julinho e Djalma Santos foram titulares das Seleções Brasileiras nas Copas do Mundo, como jogadores da Portuguesa, e Oscar e Amaral formaram a zaga titular da Seleção que disputou a Copa do Mundo de 1978 vestindo a camisa da Ponte Preta e do Guarani.

Dois clubes que hibernaram como médios durante duas décadas – o Santos, que depois de 1935 nada havia conquistado, e o Botafogo, que nada havia conseguido depois do título de 1948 -, nos anos 50 lançaram craques que possibilitaram a época de ouro da Seleção e do futebol brasileiro entre 1958 e 1970. O fato de clubes médios bem geridos poderem competir com os mais estabelecidos proporcionava uma concorrência saudável, aumentava o celeiro de craques para a Seleção e fazia o futebol respirar e ser vibrante.

Mas as duas colunas que sustentavam os clubes médios brasileiros ruíram. A instituição do passe caiu no mundo inteiro por divergir dos mais elementares princípios trabalhistas e o fair play financeiro constituído pela diferença limitada de receitas indiretas foi demolido desnecessariamente pelo golpe ganancioso e espanholizador dos políticos e da Rede Globo, da Caixa Econômica Federal, para o grande prejuízo do futebol brasileiro.

1- Debochando dos fundamentos do sucesso e pondo o Brasil na contramão

Há tempos se procurava explicar de forma tangível porque futebol é o esporte mais popular. Um estudo publicado em 2006 pelo Los Alamos National Laboratory (Ben-Naim, Redner, Vazquez) com base em 300.000 partidas de um século inteiro de futebol, basquete, futebol americano, beisebol e hockey providenciou uma pista reveladora, mostrou que os resultados das partidas de futebol foram os mais IMPREVISÍVEIS. Resultado confirmado por vários estudos subsequentes. Estima-se que a IMPREVISIBILIDADE DOS RESULTADOS do futebol seja a principal determinante para o seu teor dramatúrgico e aglutinador de paixões e fê-lo esporte dominante.

Um belo exemplo de imprevisibilidade foi o desempenho mágico da Seleção da Costa Rica na Copa do Mundo de 2014, que por azar não eliminou a Holanda e empolgou o mundo.

Um exemplo negativo de previsibilidade é a Formula Um, com inovações técnicas tornando escuderias quase imbatíveis por anos seguidos, sobrando um espetáculo entediantemente previsível, com audiências em queda livre. O GP da Alemanha de 2015 acaba de ser anulado, caiu demais o interesse no país da Mercedes, da BMW, do Porsche, do Audi, do Schumi e do Vettel.

Enquanto que a Rede Globo e a política brasileira se empenham na contramão para tornar o futebol brasileiro previsível, privilegiando maciçamente o Flamengo e o Corinthians, a Premier League inglesa e a Bundesliga alemã enveredaram pelo caminho oposto, zelando para que o diferencial entre os montantes que clubes recebem em cotas televisivas se mantenha limitado.

Pela mesma razão a UEFA impôs no seu programa de fair play financeiro medida para impedir que clubes, como os dois pertencentes a sheiks, o Manchester City e o PSG, continuem a receber aportes descomunais dos Emirados. A UEFA multou os dois clubes a pagar 60 milhões de euros cada por terem recebido excesso de patrocínio e limitou o plantel a ser inscrito na Champions League a 21 jogadores. Quase 20 clubes foram punidos por excesso de financiamento pela UEFA.

A política auspiciosa da Inglaterra, da Alemanha e da UEFA em comparação com a retrógrada da Espanha e do Brasil, contribui para que os estádios alemães e ingleses tenham lotação MÉDIA quase plena, enquanto que os estádios espanhóis não cheguem a 70%. Na Alemanha se constata o maior público MÉDIO POR PARTIDA do mundo, com 42.600 espectadores sendo que o público médio por jogo do Campeonato Espanhol corresponde a 26.800 espectadores. O torcedor de clube alemão é motivado a ir ao estádio pela probabilidade do seu clube derrubar o Borussia Dortmund ser maior do que a probabilidade de um torcedor espanhol de província ver seu clube ganhar do Real Madrid.

2 – O esvaziamento dos estádios brasileiros devido à concorrência desleal das transmissões gratuitas ao vivo no canal aberto.

Face à comodidade e gratuidade de ver um jogo AO VIVO NO CANAL ABERTO milhares de espectadores no Brasil aumentam a audiência televisiva, ao invés de tomar as penas de ir a um estádio, dinheiro subtraído das bilheterias de centenas de estádios brasileiros para a publicidade televisiva da Globo e redistribuído privilegiadamente a Flamengo e Corinthians. Um jogo apenas transmitido ao vivo no canal aberto pode esvaziar dezenas de estádios em vários estados no mesmo fim de semana. Um torcedor ao assistir na TV um jogo ao vivo gratuitamente, pode esgotar o seu contingente mental e temporal de futebol, não indo mais ao estádio no mesmo fim de semana.

Hoje se joga em Volta Redonda e Macaé e não mais no Maracanã. Joga-se à noite depois de terminar a novela, com os torcedores desistindo de ir ao estádio, devido à labuta do dia seguinte e aos perigos das ruas na madrugada. O Campeonato Carioca de 2014 teve média inferior a 3.000 espectadores por jogo.

As transmissões ao vivo no canal aberto não foram invenção da Globo, já existiam anteriormente, só que até o fim dos anos sessenta não eram tão predatórias para os estádios, porque não havia infraestrutura para se transmitir um jogo ao vivo para diversos estados e em 1970 apenas 27% das residências brasileiras possuíam televisores. Os jovens espectadores que nos anos setenta enchiam os estádios porventura continuavam a fazê-lo, até que a idade arrefeceu seus hábitos. As novas gerações não incorporaram mais o hábito de ir ao estádio, preferem ver futebol da poltrona.

Além de fazer concorrência aos estádios, a Globo transmite jogos quase exclusivamente do Flamengo e do Corinthians no canal aberto, o que representa mais um repasse milionário a estes dois clubes, consistindo do tempo de exposição na mídia e do consequente fomento para o aumento da torcida.

3 – As transmissões televisivas na Inglaterra e Alemanha

NÃO HÁ TRANSMISSÕES AO VIVO DE JOGOS NO ABERTO da Bundesliga e da Premier League, exceto dois jogos de abertura de turno e returno da Bundesliga, portanto não há concorrência gratuita aos jogos nos estádios na Alemanha e na Inglaterra. Na Alemanha as partidas são somente transmitidas ao vivo na TV PAGA SKY com cerca de 3,54 milhões de espectadores por rodada em 2013-14.

A menos de duas horas após o término dos jogos da Bundesliga, o CANAL ABERTO ARD transmite a resenha “Sportschau” com os MELHORES MOMENTOS de todos os jogos. Na temporada de 2013-14 as edições da resenha do sábado com sete jogos e do domingo com os dois jogos restantes da rodada, foram vistas em média por respectivamente 5,14 e 3,5 milhões de espectadores. No mesmo sábado as 23:30 horas passa outra resenha de 80 minutos no CANAL ABERTO ZDF em formato diferente “Das aktuelle Sportstudio”, assistida em média por 2,14 milhões de espectadores, elevando o número de espectadores MÉDIO das 34 rodadas de fim de semana nos canais abertos para mais de 10 milhões.

O carro chefe da “Sportschau” é a edição do sábado, que se inicia às 18:00 horas e nos primeiros 30-40 minutos transmite jogos da terceira e segunda divisão. Nos jogos da primeira divisão atinge 23,6% de mercado, uma média de 5,14 milhões de espectadores. O sucesso desta resenha se deve ao seu horário praticamente constante há 55 anos (é como horário de missa), à narração imparcial, à inclusão de todos os lances polêmicos, ao tempo de exposição praticamente igual para cada jogo e time e dramaturgia crescentes durante o programa, direcionada para as lutas pelo título, vagas nos campeonatos europeus e contra o descenso. Sobretudo a resenha congrega todas as torcidas, ao invés de se concentrar em duas torcidas, o que seria o caso na transmissão de um jogo.

A simples soma das audiências dos programas em 2013-14 resulta numa média de 14 milhões de telespectadores por rodada. Não sabemos a que ponto esta soma é inflada pela contagem múltipla de espectadores que assistem mais de um programa, mas de qualquer forma a transmissão televisiva da Bundesliga capta um número considerável de telespectadores, talvez no mínimo 15% da população do país de 81 milhões de habitantes.

O modelo alemão PROVA que além da LOTAÇÃO PLENA dos estádios e da EQUIDADE no TEMPO DE EXPOSIÇÃO TELEVISIVA para cada clube na tv aberta, é possível conseguir uma audiência substancialmente maior com resenhas de melhores momentos do que com transmissões de jogos ao vivo no aberto.

Algumas partidas da Champions League e da Copa da Alemanha são transmitidas ao vivo no aberto, porque são realizadas no meio da semana, não concorrendo com a ocupação dos estádios nos jogos da Bundesliga, efetuados via de regra nos fins de semana. O jogo pela quartas de finais da Copa da Alemanha entre Bayern e Bayer Leverkusen de 8 de Abril de 2015, transmitido ao vivo no aberto, teve audiência com pico de 10,2 milhões de espectadores.

4 – A discussão errada entre submissos sobre o “tamanho de torcidas”

Quem disse que o “tamanho de torcida” deva servir de critério para a distribuição de cotas televisivas, a não ser os que desejam beneficiar alguns clubes? Choca a discussão entre submissos sobre as mazelas do IBOPE, quando deveria valer o simples princípio de que “tamanho da torcida” não tem importância para a distribuição de cotas, como na Inglaterra, Alemanha e na Champions League.

A submissão dos cartolas brasileiros é exemplificada pela declaração recente do presidente do Grêmio, Bozzan, que integra a Comissão da CBF, de “não ser contra que os dois times de maiores torcidas recebam mais dinheiro, mas gostaria que a diferença deles para os outros fosse menor.”

Distribuir dinheiro com base no “tamanho de torcida” em países de grande pujança econômica e tecnológica, como a Inglaterra e Alemanha, não seria considerado objetivo. Deseja-se manter a igualdade de chances, o incentivo e a premiação da produtividade, neste caso o mérito esportivo.

Além de não ser o propósito, uma repartição de cotas televisivas com base em “tamanhos de torcida” mal seria considerada tangível e sustentável juridicamente nestes países. Porque a assim chamada “torcida”, mesmo que razoavelmente medida por enquetes, é um conglomerado extremamente heterogêneo de segmentos de diversas facetas, intensidades e efemeridades. No entanto, para a Globo, uma dona de casa porventura entrevistada pelo IBOPE no interior da Bahia, que nunca ouviu falar de TV paga e não se interessa muito por futebol, apenas pelos jogos da Seleção, parece contar tanto como um assinante de TV paga entrevistado em Curitiba.

O máximo que se permite é um fator de distribuição de cotas relacionado à frequência de jogos na TV paga (Inglaterra) ou audiência na TV paga (proposto por alguns na Alemanha, mas não implementado), portanto algo incontestavelmente mensurável e equivalente ao comparecimento nos estádios, porque também pago. Na Inglaterra o fator TV paga é ponderado com 17% (1/6) na cota total; o Liverpool, com 29 partidas transmitidas na TV paga, recebeu 21,9 milhões de libras e o Cardiff, com 8 partidas transmitidas, recebeu 8,6 milhões de libras. A diferença percentual resultante é diluída pelo alto montante fixo igual para todos os clubes de 52,2 milhões de libras.

Na temporada de 2013/14 da Premier League a relação entre as cotas televisivas totais do clube que mais e o que menos faturou foi de 1,6:1 (Liverpool de 97,6 e do Cardiff de 62,1 milhões de Libras). Na Bundesliga foi de 2:1, (Bayern e Eintracht Braunschweig). No Brasileirão a partir de 2016 será de 4,8:1 com 170 milhões de reais para o Fla e Corinthians e 35 milhões de reais para o que menos receberá.

5 – Tentativa do governo de arremedar o sistema decrépito e a cilada inerente

Enquanto que o Brasil, em comparação aos países ricos, sempre apresentava alguns déficits de países em desenvolvimento, o futebol brasileiro, apesar de um ou outro tradicional apito amigo, divergia, se posicionando no topo mundial. Mas degringolou na medida em que foi contaminado pela política, processo que se iniciou com a saída de João Havelange da CBD em 1974, que, a despeito de pesares, era personalidade que impunha respeito, e foi paulatinamente rebaixado ao que de pior existe no país, ao monopolismo, ao clientelismo, à corrupção e à ineficiência, resultando na decadência da sua competividade a nível internacional, estado falimentar de alguns clubes e queda de audiências.

Face à debacle do futebol brasileiro, parlamentares, governo e a CBF vêm propondo uma PARAFERNÁLIA DE MEDIDAS. Comissão da CBF para a distribuição de cotas, Congresso Nacional do Futebol, declaração do futebol como patrimônio cultural, Medida Provisória n 671 com Programa de Modernização da Gestão do futebol Brasileiro (PROFUT), Autoridade Pública de Governança do Futebol (APFU) e Comissão Mista da MP do futebol. Pretende-se montar burocracias paralelas, estatizar o futebol e colocar representantes dos jovens jogadores nos órgãos colegiados dos clubes, para participarem da discussão sobre os salários dos colegas.

Vem-se propondo tudo, mas tudo mesmo, menos a única mais simples medida que resolveria boa parte dos problemas, que se chama JUSTIÇA, o que seria acabar com o modelo espanholizador através da Globo e da Caixa Econômica Federal, e exigir que as estruturas existentes, os tribunais de trabalho e os órgãos tributários cumpram o seu dever de punir e liquidar os que não paguem salários e tributos, incorridos a partir de uma nova data a ser fixada. Justiça também seria implantar uma legislação para que clubes que mantém equipes de futebol profissionais observem critérios patrimoniais semelhantes aos das companhias limitadas das sociedades anônimas, para que gestores de clubes possam ser indiciados pelos mesmos canais da justiça comum.

No estágio atual, um clube que aderisse ao PROFUT para se beneficiar do parcelamento da dívida, arriscará de ser vítima da CILADA que resulta da combinação deste projeto com a Espanholização televisiva, porque não vai conseguir deixar a liga depois da adesão, sem perder os benefícios do parcelamento, pelo menos se o PROFUT não credenciar outra liga. Na prática será improvável que seja credenciada uma nova liga pelo PROFUT, que estará nas mãos do governo através do Ministério dos Esportes. Os lobbies da bancada da bola vão agir para que os clubes fiquem presos na liga espanholizada. O PROFUT na versão atual parece ter a consequência inerente de cimentar a Espanholização.

Seria, portanto, necessário exigir a PROIBIÇÃO da Espanholização televisiva POR LEI, ou seja, proibir a negociação e venda de direitos televisivos de forma individual, como acaba de ser feito na Espanha, e anular os contratos individuais com a Globo ANTES de qualquer adesão ao PROFUT. Ou fundar uma nova liga com novos contratos televisivos antes de aderir.

No momento o PROFUT seria o PARAÍSO dos poucos clubes beneficiados pela Globo, parcela as suas dívidas e indiretamente consolida os seus privilégios televisivos para anos futuros. E seria o INFERNO para a maioria dos clubes que foram responsáveis e não têm dívida nenhuma ou apenas moderada para parcelar e que serão prejudicados pela perenização da espanholização das cotas televisivas.

O último oba-oba da CBF e da Globo para animar os clubes e fazer sentirem-se importantes por participar de congressos e transitar em reuniões na CBF, é propagar que o Brasileirão terá “elementos do PADRÃO CHAMPIONS LEAGUE”. Os cartolas de clubes se sentem bajulados com tamanha atenção, arriscando aprofundar a sua cegueira. RISÍVEL porque o pilar mestre da Champions League não é a perfeição da grama, mas justamente a distribuição do dinheiro televisivo na base da IGUALDADE TOTAL, sem qualquer rateio por fantasiosos “tamanhos de torcida”, cada clube ganha 12 milhões de euros pela participação na fase de grupos, 1,5 milhão e 500 mil euros por vitória e empate e montantes pré-fixados no caso de ascensão nos mata-mata até a final.

Se o mauricinho espanholizador Marcelo Campos Pinto e o Marco Polo Del Nero aparecessem na Champions League para explicar a divisão de cotas televisivas com base no “tamanho de torcidas” e negociações individuais com os clubes, seriam defenestrados antes mesmo de terminarem os seus discursos, tal como os investidores em direitos econômicos de jogadores foram sumariamente defenestrados de Londres e Paris, depois que o Kia Joorabchian voltou do Brasil.

6 – Obscurantismo no Brasil e uma semana histórica de redenção na Espanha

Enquanto o governo brasileiro, direcionado pela bancada da bola e por jornalistas torcedores dos clubes privilegiados, negligencia ou fomenta o estágio avançado da Espanholização televisiva a partir de 2016 e nem pensa em justiça, no dia histórico de 30 de Abril de 2015 a ESPANHA ACABOU COM o fundamento da ESPANHOLIZAÇÃO televisiva. O Consejo de Ministros sancionou o Real Decreto Lei que proíbe a negociação individual de direitos televisivos do futebol a partir de 2016-17 e impõe a negociação e venda coletiva destes.

Os espanhóis aprenderam a lição da goleada de 1×5 que sofreram da Holanda na Copa. Perceberam que naquele jogo dos onze jogadores que entraram em campo, um era o brasileiro Diego Silva do Atlético Madrid, dois jogavam na Inglaterra e OITO era do Real e do Barcelona. Perceberam que os clubes médios espanhóis ficaram tão enfraquecidos que os seus times não têm mais nível para abrigar jogadores de seleção e que das 22 vagas titulares dos dois times gigantes, que são mais seleções mundiais do que times espanhóis, estavam em boa parte ocupadas por estrangeiros.

O GOVERNO E OS PARLAMENTARES BRASILEIROS continuam na CONTRAMÃO DA HISTÓRIA, e o país arrisca de ser o último a proibir a espanholização de cotas televisivas, que doravante poderá ser denominada por “BRASILEIRIZAÇÃO”, já que a Espanha caiu fora ontem. Ao contrário dos espanhóis, os políticos brasileiros não aprenderam absolutamente nada com a impiedosa goleada de 1×7.

O equilíbrio entre os clubes do país campeão do mundo

O Campeonato Alemão, em que os jogos de fim de semana não são transmitidos pela tevê aberta, e isso contribui para o grande comparecimento aos estádios, é um dos mais nobres exemplos de distribuição igualitária da verba de tevê. O país tem nove clubes considerados grandes.

São eles: Schalke 04 (Gelsenkirchen), Borussia Dortmund (Dortmund), Borussia Mönchengladbach (Mönchengladbach) , Colônia (Colônia), Bayern de Munique (Munique), Nuremberg (Nuremberg), VfB Stuttgart (Stuttgart), Hamburgo SV ou HSV (Hamburgo) e Werder Bremen (Bremen).

Destes, o que impressiona pelo comparecimento de sua torcida, é o Borussia Dortmund, cujo estádio mantém a média de 90% de ocupação em todos os jogos do campeonato. O interessante é que a cidade de Dortmund tem 581 mil habitantes, menos de 100 mil habitantes do que a soma das populações de Santos e São Vicente. Famosa por produzir enormes mosaicos a cada jogo, a torcida do Borussia é um show à parte. Abaixo, um mosaico que quer dizer “Em busca do pote perdido”:

7 – A única saída é uma nova Liga

O Presidente do Flamengo e o deputado Andrés Sanches, ligado ao Corinthians, foram postados como cães de guarda respectivamente na COMISSÃO DE CLUBES criada pela CBF e na COMISSÃO PARLAMENTAR MISTA. Ambos certamente impedirão que haja consenso nestes dois grêmios para se acabar com a desigualdade na distribuição de cotas. O máximo que estas duas comissões poderão conseguir seria uma reduçãozinha do diferencial, visando em contrapartida a legitimação do sistema perverso. Portanto, as duas empreitadas objetivam aliviar a pressão, provocar a ilusão agradável de democracia e ganhar tempo para com a falta de consenso acabar legitimando a sistema injusto e ineficiente. Além do mais, a Globo já comunicou que dificilmente aceitará mudanças antes de 2019.

Num cenário no qual 71 deputados e 4 senadores retiraram votos já dados para a CPI do MSI em 2007, no qual a CBF é responsável de forma ativa e passiva pela Espanholização e nada fez para coibir as injustiças, os seus tribunais patrocinaram viradas de mesas e os juízes por ela escalados solaparam a credibilidade dos campeonatos com os seus erros de arbitragem, seria ingênuo e irresponsável os clubes esperarem respaldo do governo ou da CBF para sustar a Espanholização.

Não é possível que o Cruzeiro, atual bicampeão brasileiro, nos quatro anos de 2016 a 2019 receba 540 MILHÕES de reais A MENOS que o Flamengo, que a nível nacional tem ganhado apenas a Copa Brasil de 2013 nos últimos cinco anos. (170-60) x 4 da Globo + (25-0) x 4 da Caixa Econômica Federal.

A diferença acima referida está SUBVALORIZADA porque não inclui os PATROCÍNIOS GIGANTES DA NIKE para o Flamengo e Corinthians, empresa que por coincidência patrocina também a CBF. Tampouco foi considerado que o Flamengo e o Corinthians constam entre os maiores devedores e se beneficiariam sobremaneira da Medida Provisória n° 671. Tampouco foi cifrado o valor monetário da exposição privilegiada nas transmissões de jogos ao vivo de Flamengo e Corinthians no canal aberto para diversos estados e muito menos as facilidades concedidas ao Corinthians para o Itaquerão à custa do erário público.

O contrato pelo qual a CBF cedeu os direitos televisivos do Brasileirão à Globo poderia ser considerado INVÁLIDO, porque feriu uma cláusula fundamental do Estatuto da Confederação em vigor na época, que a obrigava a defender os interesses dos clubes, o que não foi observado na cessão dos direitos de transmissão à Globo, ao permitir que o cessionário destes privilegiasse alguns clubes em detrimento de outros. Também os contratos individuais entre a Globo poderiam ser considerados INVÁLIDOS, porque foram firmados pelos clubes sob COERÇÃO DO SISTEMA, visto que cada clube não tinha alternativa, ou assinava um contrato comparativamente desvantajoso com a Globo, ou não receberia nada.

É um mistério porque os clubes não tentaram ainda impugnar estes contratos. Provavelmente por ignorância, receio de represálias, compreensível falta de confiança no governo e na justiça e cooptação de alguns dirigentes. Mas, independentemente das possibilidades jurídicas e de eventuais resultados, é necessário criar um nova liga, não se pode quedar nesta constelação que arruinou o futebol.

A maioria dos cidadãos brasileiros que repudiam os mensalões, petrolões e o truste da Globo não podem se evadir do país, mas os clubes de futebol poderão se evadir da CBF e da Globo ao fundarem uma NOVA LIGA. Afinal de contas, o futebol é definido como coisa privada na Constituição Brasileira.

É previsível que a Globo tente minar qualquer movimentação no sentido de uma nova liga e “trabalhe” não só em cima de cada clube, como também de cada presidente e das oposições. Vai ameaçar os clubes “rebeldes” com multas milionárias, cobrança na justiça dos adiantamentos, e as federações aliadas à emissora vão ameaçar com exclusão dos campeonatos. Não tenham dúvidas, a organização não terá escrúpulos para poder continuar a mamar e mediocrizar o futebol.

Que os clubes não se deixem intimidar e QUE SE UNAM abrindo mão das suas pequenas vantagens de cotas em relação a outros clubes, como também não se deixaram intimidar os jogadores do Bom Senso. Não há alternativa senão RESTAURAR o sistema anterior ao golpe da Globo de 2010.

8 – Uma ONG baseada em princípios para planejar a nova liga (para já!)

Uma nova liga para o Campeonato Brasileiro deveria ter como objetivos, PRIMEIRO, possibilitar que apenas os clubes participantes mandem na liga e não emissoras nem federações, cujos presidentes têm sido eleitos por aclamação por centenas de clubes pequenos nos seus estados e têm defendido interesses alheios ou eleitoreiros próprios.

SEGUNDO, estabelecer licitações para a venda de direitos televisivos para as emissoras por períodos limitados, impondo no “cahier des charges” das licitações os critérios pré-determinados para a distribuição de cotas televisivas e transmissões.

TERCEIRO, lutar por uma lei que proíba empresas públicas, como a Caixa Econômica, patrocinar clubes de futebol profissional.

QUARTO, objetivar um saneamento da justiça esportiva, seja tornando-a independente das federações por meio de um atrelamento à justiça comum, seja padronizando as punições na primeira instância, tal quais as multas de trânsito, seja estabelecendo o foro jurídico da nova liga numa cidade de justiça confiável.

Não se pode fundar uma nova liga no grito, tal como o presidente do Atlético Paranaense Petraglia se declarou disposto a iniciar após entendimentos com o Flamengo e Fluminense. O primeiro passo seria FUNDAR uma ONG, com definição clara do escopo, que deveria ser o Campeonato Brasileiro e não um campeonato Rio-Sul e fixação dos princípios almejados.

O projeto desta ONG será fundar uma nova liga e associá-la a um fundo milionário, para financiar a substituição dos adiantamentos da Globo, podendo-se estudar uma cooperação com uma liga estrangeira para incentivar uma nova brasileira de forma independente, esportiva e rentável.

Os princípios referentes à distribuição de cotas televisivas a serem estabelecidos pela ONG deveriam incluir a CONDIÇÃO SINE QUA NON do repúdio ao critério fantasista de “tamanho de torcida”, a obrigatoriedade do critério do mérito esportivo, a possibilidade de uma repartição na tv paga em função do número de espectadores medidos em cada partida e uma amplitude total limitada na distribuição de cotas televisivas como, por exemplo, 2:1. Cada clube terá que aderir formalmente a estes princípios para ser admitido na ONG. Se não topar, que fique fora.

Também será conveniente deixar o planejamento da ONG e da Liga a uma gestão externa e não a um amontado de presidentes de clubes, não raro egocêntricos, bravateiros e com competências restritas. Seria igualmente recomendável a ONG engajar uma advocacia de alto nível especializada em direito constitucional, direito do consumidor e monopólios, com eventual suporte legal internacional para se defender dos ataques do truste da Globo e da CBF.

Na medida em que continuar passando o tempo, os culpados pelo sistema espanholizador serão cada vez menos a Globo e o governo, mas cada vez mais cartolas, que afinam ante o golpe desferido contra os seus clubes, não virando a mesa. Animem-se senhores cartolas, porque contra 34 clubes unidos, imagine-se 20 da Série B e 14 da Série A, não haverá ninguém que possa enfrentá-los.

Então cartolas, o que estão esperando? PERDER NO MÍNIMO 500 MILHÕES DE REAIS ao fim de 2019 em relação aos dois queridinhos do truste? Vocês devem estar de brincadeira!

E para você, o que os clubes devem fazer contra a Espanholização?


Uma proposta séria para tirar os “empresários” do futebol

O Santos tem problemas internos a serem resolvidos urgentemente, mas também precisa ter uma postura externa em defesa de alguns aspectos fundamentais para sua sobrevivência como clube competitivo, como a mudança da fórmula de divisão de cotas de tevê e alterações na Lei Pelé que o protejam, como clube formador de jovens valores que ele é. Este artigo abaixo, escrito por Tana Blaze, nosso colaborador da Alemanha, toca em pontos importantes e sugere alterações na legislação que só dependem de boa vontade para serem feitas. Todo mundo não quer que nosso futebol se livre do empresário, do intermediário entre os clubes e os jogadores? Então, por que não estudar o assunto desde já? Tana Blaze dá sua valiosa contribuição. Leia e opine.

Lucas, Felipe Coutinho e Neymar, três jovens jogadores brasileiros de grande futuro levados por empresários para a Europa antes de amadurecerem como homens e atletas

Por Tana Blaze, direto da Alemanha

Mal o juiz apitou o final de jogo dos 1 x 7 contra a Alemanha, voltaram os apelos para acabar com a Lei Pelé. Mas será difícil alterar a Lei Pelé, porque se um pedreiro pode trabalhar em outros países sem estar preso a um empregador e ao Brasil por qualquer vinculo tipo “passe”, seria injusto impedir que um jogador possa ter os mesmos direitos.

A Lei Pelé não pode ser alterada na sua essência, tampouco o desnível econômico do futebol europeu para o brasileiro vai acabar tão cedo. Mas existe pelo menos um fator perfeitamente coibível que tem catalisado e acelerado o êxodo prematuro de jogadores brasileiros ao exterior. São os investidores em direitos econômicos de jogadores, que tentam realizar quanto antes os maiores lucros possíveis, tentando vendê-los a clubes europeus mais ricos que os brasileiros.

Em nenhum outro país, excetuados talvez Portugal, Espanha e Argentina, investidores em direitos econômicos de jogadores do futebol que não sejam clubes e denominados na gíria inglesa por TPO (third party ownership), têm tamanha importância como no Brasil.

Tal qual a UEFA, a FIFA estudou, mas ainda não tomou a medida drástica de banir de vez os investidores em jogadores, se limitando a acrescentar a cláusula 18bis ao seu regulamento, que teoricamente fornece uma base para uma liga, um clube ou um jogador se defender dos abusos de investidores. Mas a cláusula é inócua na prática porque os investidores cooptam os jogadores para pressionar os clubes e estes na UTI financeira deles não querem denunciá-los.

1 – Investidores em direitos de jogadores na Europa

Já em 2007, em consequência do investidor Kia Joorabchian ter trazido o Tevez e o Mascherano para a vitrine do West Ham United, a Premier League simplesmente proibiu o TPO nos clubes federados, sendo seguida pela França e Polônia, ou seja, jogadores cujos direitos econômicos pertencem a investidores não obtêm licença para jogar nestas três ligas.

Na época o Presidente da Premier League, Richard Scudamore, qualificou os investimentos de terceiros nos direitos econômicos dos jogadores de “INDENTURED SLAVERY”, “ESCRAVIDÃO CONTRATADA”, acrescentando que os investidores muitas vezes se localizavam em paraísos fiscais, não pagando impostos sobre os lucros que auferiam com a venda de direitos na Inglaterra.

Na Alemanha não existe proibição, mas com a maioria dos clubes gozando de saúde financeira, e pelo fato de os jovens jogadores preferirem a infraestrutura, torcida e imagem dos clubes estabelecidos, os fundos de investimento que se criaram para investir em jogadores não vingaram muito. Entre os poucos casos de TPO constam alguns jogadores que vieram emprestados do Brasil, como o Cícero, na sua chegada ao Hertha Berlim em 2008.

Na Itália existe algum TPO, mas bem menos que na Espanha e Portugal e na América do Sul.

2 – Investidores em direitos de jogadores no Brasil

O Ministério do Esporte teria estimado que no mínimo 70% do total de direitos de atletas dos clubes do Brasil pertenceriam a terceiros. O São Paulo chegou a ter no seu plantel 10 jogadores do investidor Eduardo Uram (Brazil Soccer-Tombense), outros clubes não ficaram por muito menos.

No Brasil, os investidores em direitos econômicos estão muitas vezes associados aos agentes de jogadores, quando já não são a mesma pessoa ou grupo empresarial, podendo assim, além de negociar os direitos econômicos, faturar a comissão de agente. Um perverso conflito de interesses em detrimento tanto do jogador como do futebol, porque na função de agentes tendem a aconselhar o jogador no sentido de maximizar seu lucro de investidores, o que muitas vezes não corresponde à melhor solução para o jogador.

Mesmo se a separação de agentes e investidores fosse decretada, subsistiria o risco de continuarem a trabalhar juntos veladamente, ou seja, o agente recebendo benefícios para orientar o jogador no sentido do investidor.

A base lucrativa do negócio dos investidores no Brasil continua sendo a exportação de jovens promessas. Os riscos parecem pequenos, pois mesmo em casos de jogadores não alcançarem a titularidade na vitrine de times grandes brasileiros, como o Renê Junior e o Bruno Peres no Santos, acabam achando comprador no exterior.

Alguns investidores infestam as cercanias dos CTs de Base dos clubes para seduzir os pais dos jovens, compactuando com os estes antes mesmo que seus filhos alcancem 16 anos, a idade do primeiro contrato profissional legal. Cria-se um laço entre menores de origens geralmente humildes e os seus investidores.

Com o jogador se aproximando dos 18 anos, a idade em que pode ser exportado, se inicia a ação dos investidores movidos pela perspectiva de erosão em cinco anos ou menos dos direitos econômicos que lhes pertencem. Então, em muitos casos já no segundo ano de contrato pressionam o jogador para se transferir de clube para que possam faturar os seus direitos, ou fechar um novo contrato em outro clube com prazo mais longo.

Os riscos assumidos pelos “investidores-agentes” são menores ainda, porque se não vendem os direitos econômicos, podem pelo menos faturar a comissão de agente tanto na ida para a Europa, como a cada troca de clube e na volta dos mesmos ao Brasil. Um belo de um negócio porque a cada ano 900 jogadores deixam e 700 voltam ao país. Alguns jogadores rendem mais pela rotatividade e ficam girando pelo mundo, se transformando em “jogadores-leasing”, como Diego Souza.

3 – Os abusos de investidores e efeitos negativos

Para conseguir movimentar a sua mercadoria de clube a clube a fim de faturar direitos e comissões, alguns investidores não hesitam em recorrer a práticas duvidosas.

PRIMEIRO TIPO DE ABUSO. Nos casos de fim de contrato se aproximando, induzem o jogador a solicitar aumentos ou condições absurdas, para motivar o clube a vendê-lo ou não renovar o empréstimo.

Quando no meio ou início de contrato houver uma oferta vantajosa, aconselham o jogador à cizânia com o clube empregador. Um caso célebre de ingerência foi o do investidor-agente DIS, que aconselhou o Ganso, do qual detinha praticamente a metade dos direitos econômicos, a não assinar um contrato oferecido pelo Santos que triplicaria o seu salário, exigindo para tanto que a multa rescisória fosse reduzida à metade e 50 a 25 milhões e euros para vendê-lo rapidamente à Europa. A própria DIS se gabou, numa entrevista ao Jornal da Tarde de 17 de Junho de 2011 do fato, relatando as suas atividades a seguinte forma:

“O trabalho nos bastidores é divulgar propostas de rivais como forma de o clube valorizar o atleta. Se não der certo, a empresa convence o jogador a recusar qualquer proposta de renovação de contrato, como no caso de Paulo Henrique Ganso.” Um tal de Guilherme Miranda da DIS acrescentou na época: “Acho que não é bom negócio os clubes brigarem com a gente. Hoje um atleta ser da DIS é uma grife de qualidade e os clubes sabem disso”.

Foi um ano e meio de quiproquó e de desgaste envolvendo o Ganso, que com o desvio de foco do futebol perdeu uma etapa importante na sua evolução de jogador e ficou fora da Seleção Brasileira, atrasando a sua carreira por no mínimo três anos.

SEGUNDO TIPO DE ABUSO. Exercem pressão sobre os clubes para que o jogador não fique no banco de reservas e jogue, envenenando o ambiente e o desempenho de sua equipes e prejudicando a si próprio. Óbvio, jogador só valoriza se estiver jogando.

RISCO DE ABUSO. Finalmente, o risco de investidores pressionarem a convocação de jogadores, principalmente para as seleções sub, é evidente. As especulações a respeito não cessam. Neste aspecto os clubes também não são isentos de suspeitas, mas são pelo menos mais controláveis do que as centenas de investidores.

A evasão de jovens talentos debilita o futebol brasileiro de duas formas:

INTERRUPÇÃO PREMATURA da evolução esportiva e social do jovem jogador, com centenas de carreiras sucumbindo abruptamente quando esses jovens mudam de clube ou são expatriadas. Não sabemos a qual ponto teriam evoluído se não tivessem sido precocemente exportados, como o Anderson, do Grêmio para o Manchester, o “jogador de grife” da DIS, Breno, que está preso na Alemanha, e tantos Lulinhas e Kerlons que desapareceram na Europa.

NIVELAMENTO POR BAIXO dos campeonatos jogados no Brasil devido à constante evasão dos melhores jogadores. O interesse das torcidas pelos clubes seria maior se os pratas da casa estivessem em campos brasileiros.

Existem certamente alguns exemplos em que investidores contribuíram para e evolução de um jogador e ajudaram o clube, como no caso do Radamel Falcão no Atlético Madrid. Mas vendo o fenômeno em sua totalidade, o efeito da especulação com os direitos econômicos é deletério tanto para os jogadores como para o futebol como um todo.

4- Como proibir e as vantagens de se fazê-lo

O Brasil deveria proibir o investimento de terceiros em jogadores de futebol. Donos de direitos econômicos só poderiam ser clubes de futebol devidamente registrados e o próprio jogador.

Para impedir que investidores se escondam atrás de um clube-tampão, como os Tombenses, Iratys, Central Español /Rentistas e outros, poder-se-ia estabelecer uma regra pela qual um clube só pode emprestar, digamos, cinco jogadores, que não foram formados na sua base dos 15 aos 16 anos de idade. A CBF cadastraria clubes estrangeiros com atividades evidentes, como o Rentistas do Juan Figer, que não poderão emprestar jogadores no Brasil.

Então um Tombense poderia ter os direitos econômicos de quantos jogadores quisesse, mas poderia emprestar somente cinco jogadores cujos direitos comprou. Além destes, só poderiam ser emprestados jogadores que tivessem sido formados comprovadamente pelo Tombense entre 15 e 16 anos de idade. Portanto, se o Tombense tiver formado 100 jogadores, aí sim poderia emprestá-los todos.

Os times de base deveriam ser certificados e a existência dos jogadores registrada e auditada. A burocracia eventualmente decorrente de cadastrar jogadores de 15 e 16 anos será compensada pelos efeitos benéficos para o futebol brasileiro. Clube não licenciado que forma jogadores não registrados, continuaria sendo formador pelas regras da FIFA, podendo vender os direitos desses jogadores, mas poderia emprestar apenas cinco deles.

Claro que a proibição teria que ser decretada com validade imediata para todos os jogadores que vão completar 16 anos, uma espécie de “Lei do Pé Livre” do profissional nascente. Para os demais, teria que ser fixado um prazo de cinco anos para permitir o desengajamento ordeiro dos investimentos.

A vantagem de proibir os investidores se manifestaria em vários níveis para o futebol brasileiro:

PRIMEIRO: Embora não vá coibir o fluxo de jovens jogadores para a Europa, vai reduzir e desacelerar o numero de saídas.

SEGUNDO: Vai acabar com os inúmeros abusos dos investidores. Mesmo que predatórios também, os agentes são tendencialmente menos nefastos, porque não sentem a pressão da erosão do capital investido em direitos econômicos. Agentes bons tendem a agir mais a longo prazo, porque, desde que tenham bem aconselhado, podem continuar agenciando o jogador mesmo que outros clubes comprem os seus direitos.

TERCEIRO: Sem a disponibilidade de jogadores para tapar buracos por parte de investidores, os clubes serão obrigados a investir mais em suas bases, administrar melhor as suas finanças, planejar melhor o futuro do plantel e melhorar as suas competências na condução de contratos.

QUARTO: Os lucros hoje auferidos pelos investidores ficariam no futuro essencialmente com os clubes que revelam jogadores de qualidade.

QUINTO: O capital financeiro disponível para o futebol no Brasil não serviria mais para a especulação pura, mas teria que ser investido forçosamente em clubes e no futebol de base.

5 – Os temores de clubes brasileiros face a uma eventual proibição de investidores

O Santos, mesmo tendo sido depenado por investidores, foi um dos clubes brasileiros a assinar carta à FIFA em 22 de Abril de 2013, portanto alguns meses antes do licenciamento do Laor, solicitando a não proibição dos investidores, defendendo assim os fundos amigos Teisa e o de 40 milhões.

Mas a proibição que pleiteamos se limitaria aos investimentos formais em direitos econômicos, e se um grupo como a Doyen ou Teisa quiser emprestar ou investir 40 milhões de reais no Santos, poderiam continuar a fazê-lo, porque empréstimos não são investimentos diretos em direitos econômicos, mesmo que a engenharia financeira por cláusulas anexas referentes a juros e à repartição de eventuais lucros, possam se assemelhar. O que diferencia o empréstimo como o da Doyen, é que o clube da Vila Belmiro foi considerado merecedor de crédito por parte de um investidor.

O argumento frequentemente usado de que no Brasil no mínimo 70% dos direitos econômicos dos jogadores pertencem a investidores e que uma proibição poderia acarretar um colapso financeiro do futebol não parece proceder.

Se verdadeira, a porcentagem seria apenas indicadora para a repartição de receitas entre investidores e clubes no caso da venda de direitos. Não indica a relação de valores que os investidores e clubes realmente investiram. Porque afora alguns investimentos realmente milionários, como os feitos pela Elenko Sports no Marlone, temos um cenário no qual muitos investidores empregam ninharias em centenas de jogadores de base, angariando porcentagens altas.

Então, é possível que os investidores estejam contribuindo com 70% dos investimentos iniciais, fixando a porcentagem dos seus direitos, e os investimentos restantes, salários, custo de dependências, treinadores estejam sendo feitos unicamente pelos clubes.

Neste exemplo hipotético, o investidor poderia ter contribuído com, digamos, apenas 20% dos investimentos totais feitos ao longo dos anos, mas manteria 70% dos direitos econômicos que angariou inicialmente – configuração que indicaria que os clubes investem mais, mas ganham menos na venda de jogadores, o que deveria servir de base para se acabar imediatamente com os investidores,para que não sangrem ainda mais os clubes brasileiros.

Além do mais, estamos propondo um desengajamento durante cinco anos e a medida levaria à expansão de empresas que realmente formassem jogadores e fossem licenciadas, e à expansão da base de clubes das Séries B e C, todos autorizados a emprestar jogadores, desde que registrados. Investidores que mantêm equipes que formam jogadores jovens, como o Audax e a Traffic/Desportivo Brasil, não seriam afetados pela proibição. A medida visaria acabar com o cancro dos “empresários” atravessadores.

Vários clubes, como o Santos e o Atlético Paranaense, que têm equipes com muitos jogadores da própria base, provam que não vai haver nenhum colapso financeiro se os investidores forem proibidos.

Digno de notar que justamente a liga que mais fatura no mundo, a Premier League inglesa, com os seus estádios sempre lotados, e que teoricamente seria a menos prejudicada por investidores – porque jogador inglês, como o Bale, só é exportado por 90 milhões de euros -, tenha imediatamente proibido os investidores, enquanto no Brasil, o país dos estádios vazios, e o mais prejudicado pelo sistema, os investidores fazem a festa. Existem países que têm o habito salutar de agir por princípios.

O argumento de um possível colapso financeiro no futebol brasileiro (no caso da expulsão dos intermediários) parece tão falso como há mais de um século foram falsos os argumentos de que haveria um colapso na agricultura brasileira no caso da abolição da escravidão.

Que o Brasil siga a França, a Polônia e a Inglaterra e acabe com o parasitismo sanguessuga e inútil dos investidores.

Minha filosofia de vida? É a deste livro: simples.

E você, o que pensa dos investidores que proliferam em nosso futebol?


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