Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

Tag: futebol de salão

Reflexões sobre a queda do Palmeiras e o mundial de futsal

Neste domingo, o Palmeiras, maior vencedor de campeonatos nacionais, foi rebaixado pela segunda vez, em dez anos, para a Série B do Campeonato Brasileiro. Uma torcida rival produziu até faixas para comemorar a queda do Alviverde. Bem, até certo ponto é normal os oponentes se regozijarem com a desgraça de um adversário tão tradicional. Mas, se analisarmos com cuidado, veremos que nenhum clube brasileiro está livre da dor que hoje aflige os palmeirenses, pois boa parte dos problemas que torturam as agremiações não depende só de competência interna, mas da estrutura precária do futebol brasileiro, além da ajuda inexorável da sorte.

Não é a primeira vez, e nem será a última, enquanto esse calendário viciado persistir, que um time que se destaca no primeiro semestre, claudica piedosamente no segundo. Em 2008 o Fluminense chegou à decisão da Copa Libertadores e na segunda parte do ano só se salvou do rebaixamento no Brasileiro por uma série milagrosa de vitórias, provocadas pela volta do artilheiro Fred, recuperado de contusão.

O próprio Santos, que nos últimos três anos tem ganhado a média de dois títulos, em 2012 passou parte do Brasileiro esforçando-se para se afastar das últimas posições. Todo mundo que acompanha o futebol sabe porque isso acontece, mas é sempre bom recordar.

Sistema Robin Hood pune os melhores times

Um time que se destaque no primeiro semestre, a ponto de chegar às finais do campeonato estadual, da Copa do Brasil e/ou da Copa Libertadores, fatalmente terá de cumprir as primeiras rodadas do Brasileiro com formações desfocadas e recheadas de reservas.

Para outros, como foi o caso do Santos, há ainda a Seleção Brasileira que, como um senhor medieval, ou um mafioso da velha Chicago, cobra dos clubes o oneroso pedágio que consiste em ceder seus melhores jogadores sem nadar receber em troca.

A propósito, o São Paulo está exigindo 17 milhões de reais da CBF por todas as vezes que cedeu seus jogadores à Seleção Brasileira desde 1997. A requisição é justa, tem procedência legal e será ótimo se o Tricolor for bem-sucedido, pois acabará com essa farra de seqüestrar os jogadores dos clubes a fim de organizar amistosos inúteis que só enchem os cofres e os bolsos dos homens que tomaram posse do futebol brasileiro.

Campeão invicto da Copa do Brasil, no mesmo ano o Palmeiras cai para a Série B. Isso, a curto prazo, lhe dará um prejuízo enorme, principalmente quanto à visibilidade e à atração de novos torcedores. Poucas crianças escolherão para torcer um time rebaixado. Mas, como o campeão Fluminense acaba de mostrar mais uma vez, mesmo as piores fases são superadas.

Perto de ter um estádio moderno, construído com o seu próprio dinheiro, o Palmeiras voltará rapidamente à divisão principal do nosso futebol, e, certamente, mais forte e capaz do que tem sido.

Para terminar, há, ainda a questão da sorte. Sim, ela existe e influiu muito nessa queda. Pudesse contar sempre com Marcos Assunção, Wesley, Valdívia e Daniel Carvalho, jogadores-chave do time, a campanha do Palmeiras teria sido outra.

Por isso, esse grande adversário do Santos na era de ouro do futebol – de 1958 a 1970, período em que o Brasil ganhou três das Copas do Mundo disputadas – merece ao menos não ser espezinhado pelos santistas. O Palmeiras sempre foi um dos rivais mais dignos do Santos, a ponto de ser dele o primeiro telegrama que o Alvinegro Praiano recebeu ao conquistar o título mundial de 1962. Assim, nessa hora difícil, mesmo em um blog de santistas, eu apenas digo, de coração: “Forza Palestra!”.

A Fifa e o Mundial de Futsal

Ao bater a Espanha por 3 a 2, com um gol do ex-santista Neto nos últimos segundos da prorrogação, o Brasil foi campeão mundial de futsal. Ótimo! Mas você deve ter estranhado ao ouvir informações contraditórias de que este foi o quinto, ou o sétimo título mundial brasileiro. Na realidade, foram sete mesmo, mas aí entra a velha e oportunista Fifa e diz que só reconhece as competições que ela realizou. Não pode ser assim. Dessa história eu sou testemunha ocular.

Em 1982, como repórter do jornal O Globo e repórter e produtor das Rádios Globo e Excelsior, cobri o primeiro Mundial de Futebol de Salão, organizado pela Fifusa (Federação Internacional de Futebol de Salão), cujo presidente era Januário D’Aléssio, um dirigente visionário e empreendedor, cujo lema era “Nada resiste à força da razão e à força do trabalho”.

Sem recursos, D’Aléssio levou a cabo a organização do primeiro mundial de um esporte que ainda se chamava futebol de salão. O Brasil foi campeão vencendo o Paraguai na final que superlotou o Ginásio do Ibirapuera e consagrou o mineiro Jackson como o melhor jogador do mundo, e o atacante Douglas como o jogador de chute mais forte do planeta.

O sucesso foi absoluto. O Brasil se apaixonou pelo chamado esporte da bola pesada e todos queriam saber quando seria o próximo mundial. Claro que fiz esta pergunta a D’Aléssio e logo percebi que a Fifa, depois de vislumbrar as possibilidades da nova modalidade, iria se apoderar dos sonhos do velho dirigente.

“Eles não ligavam para o futebol de salão, mas agora que viram que pode ser um sucesso, querem assumir o esporte e desfazer a Fifusa”, disse-me um desgostoso D’Aléssio ao final do evento.

Na verdade, a Fifa só organizou o seu primeiro mundial em 1989, quando o esporte já era uma realidade. Não participou da fase de implantação e divulgação do esporte, mas entrou para colher os frutos depois que já era praticado em vários países do mundo.

Esta discutida entidade tem a mesma postura com relação ao Mundial de Clubes, que ela diz reconhecer só a partir do evento que ela “organizou”. Após 40 anos de disputas intercontinentais que lotaram estádios com uma capacidade bem maior dos que existem hoje, mobilizaram a imprensa e reuniram os melhores jogadores da época, com uma decisão que incluía jogos na Europa e na América do Sul, o escritório que assumiu o controle do futebol quer apagar a parte mais rica e emocionante da disputa mundial de clubes?

Ora, só te compra quem não te conhece. A verdadeira história do futebol não foi e nunca será escrita por carimbos ou assinaturas com reconhecimento de firma. O enredo real do esporte mais emocionante da Terra viveu e vive no coração de quem o ama. A sabedoria coletiva de quem acompanha o futebol sabe distinguir perfeitamente o que vale e o que não vale.

O único obstáculo, ou ressalva a esta tese, reside na ignorância das pessoas com relação à história, ou na preguiça para aprende-la. Sim, como costuma definir a sabedoria popular, “a preguiça e sua filha, ignorância”. Se há preguiça de pesquisar o passado, vive-se apenas da superficialidade dos fatos, sem buscar entender suas razões e essência.

Não só a Fifa, mas muitos pretensos formadores de opinião fartam-se com a ignorância de seus leitores e a preguiça que têm de conhecer os fatos para só depois formar opinião sobre eles. É bem mais fácil aceitar como seu o pensamento de alguém que fala no rádio, na tevê, ou tem seus conceitos impressos em papel. Mas a verdade é uma só. E ela se baseia apenas na realidade.

Veja agora um filme sobre o primeiro mundial de futebol de salão:

E você, o que achou do rebaixamento do Palmeiras?


Com o Rei Falcão, futsal do Santos já começou arrebentando. Veja os gols


O Rei Falcão e o time de futsal do Santos. Todo mundo é de Seleção Brasileira. Dá pra encarar?

Dribles, chapéus, passes medidos e três gols, um deles de placa – assim se pode resumir a primeira exibição de Falcão, o melhor jogador do mundo, pela poderosa equipe de futsal do Santos.

Sexta-feira à noite cinco mil pessoas lotaram o ginásio de Sobradinho, cidade-satélite de Brasília, para ver a esperada estreia do futsal do Santos, comandando por Falcão, contra o Peixe, time local.

O Santos venceu por 5 a 2, depois de uma vantagem de 3 a 0 no primeiro tempo. Além de Falcão, o camisa 12, os craques Índio e Neto também marcaram para o Santos, que montou um time com nove jogadores de Seleção Brasileira, além do técnico Fernando Ferretti, campeão de quatro Ligas Nacionais e cinco Libertadores, pela Malwee-SC.

“Em um roteiro eu imaginava, mas não é comum para uma estreia. Se já estava empolgado em vestir a camisa do meu clube de coração, agora estou ainda mais depois de uma apresentação como essa”, afirmou Falcão.

Mesmo muito querido, Falcão foi provocado pela torcida local e resolveu brincar depois de fazer o terceiro gol. O árbitro entendeu o gesto como provocativo e expulsou o 12 da Vila, que, no entanto, saiu aplaudido ao deixar a quadra.

O amistoso, que já deu uma ideia do sucesso que o Santos fará no futsal brasileiro este ano, serviu para o time adquirir ritmo de jogo, depois três semanas de pré-temporada. Agora o Santos disputará a Copa Gramado, que começa dia 28, na Serra Gaúcha. Os adversários do Santos no torneio serão Krona-SC, Atlântico-RS e Intelli-SP, todos rivais também na Liga Nacional.

Reveja lances e os gols da estréia do futsal do Santos e do Rei Falcão:

Eu acho que esse time de futsal dará muitos alegrias aos santistas. E você?


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