Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

Tag: G4 Paulista

Como a visão do Peres uniu os quatro grandes de São Paulo

Madrugada de sábado. 03h25. Logo mais estaremos escolhendo o presidente do Santos pelos próximos três anos. Que seja uma festa cívica, uma festa da democracia, que os santistas deem o esperado exemplo de educação e espírito esportivo. Que ninguém provoque, que ninguém aceite provocações, e que logo mais possamos comemorar mais essa proeza santista: o fato de termos uma eleição com cinco candidatos totalmente organizada, limpa e justa. Desde já, parabéns a todos, vencidos e vencedores. Votarei no José Carlos Peres, evidentemente, mas respeito aos demais e desejo sucesso ao futuro presidente, qualquer que seja ele. Este blog, de santistas apaixonados e de boas ideias, continuará exercendo a sua crítica e o seu incentivo ao Santos Futebol Clube.

Minha coluna desta sexta-feira no jornal Metro de Santos não cita nomes de candidatos. Apenas fala das qualidades que o novo presidente do Santos deve ter. Clique aqui para lê-la.

g4 paulista - peres
Peres transformou uma boa ideia no G4 Paulista, empresa que reúne os grandes de São Paulo.

Tento ser um homem de ideias, pois acredito nelas. O que é a evolução da humanidade, a não ser boas ideias que encontraram pessoas com capacidade e disposição para realiza-las? Também por isso abomino os ditadores. Um homem sozinho não pode ter todas as boas ideias, muito menos concretiza-las. Voltando ao nosso Santos, confio em quem sabe ouvir e extrair o melhor de cada um, por isso confio e quero que José Carlos Peres seja eleito presidente do clube, neste sábado.

Percebi no Peres, desde que ele era gerente da subsede do Santos na Capital, o dom de selecionar as melhores sugestões dos muitos santistas com quem conversava diariamente, e leva-las para a direção do clube. Eu era um desses que enchia a sua cabeça com mil projetos.

Lembro-me que, ainda na faculdade, diante de colegas mais versáteis, não me considerava uma pessoa criativa. Porém, com o tempo, e com o trabalho persistente na área de comunicação, descobri que criatividade também é algo que se desenvolve. Conhecimento, ousadia e tentativa e erro podem transformar ideias em realizações. Depois do primeiro sucesso vem a confiança e a partir daí o processo se repete mais freqüentemente.

No primeiro semestre de 2009, quando, a convite do Peres, eu iniciava, ao seu lado, o trabalho de pesquisa e redação do Dossiê pela Unificação dos Títulos Brasileiros, visitava regularmente a subsede do Santos e aproveitava para atormentar o paciente Peres com ideias e sugestões. Lembro-me que uma tarde, como que tomado por uma verdade universal, exclamei:

– Peres, você é um diplomata, um embaixador do Santos aqui na Capital. Você tem de se reunir com os presidentes dos outros grandes, almoçar com eles, trocar ideias. Imagine juntar a força dos quatro grandes de São Paulo…

Peres só me olhou. Mas me olhou diferente. Percebi que concordava e que aquelas palavras tinham despertado algum desígnio nele. Nos dias seguintes voltei ao trabalho de entrevistar pessoas, pesquisar em arquivos de jornal e bibliotecas em busca de depoimentos e documentos que provassem que a Taça Brasil e o Torneio Roberto Gomes Pedrosa davam aos seus vencedores o título de campeão brasileiro. Na noite de 28 de maio de 2009 toca o telefone. É o Peres:

– Odir, pode descer comigo amanhã para Santos? Vamos fazer o almoço com os quatro presidentes…

Caramba, o danado do Peres, quietinho, tinha convencido os presidentes dos quatro grandes de São Paulo para um almoço no CT Rei Pelé! Aquilo parecia incrível naquele momento, pois só se falava em uma briga entre Juvenal Juvêncio e Andrés Sanchez. Promover a conciliação entre os dois já seria um trunfo para o Santos, presidido na época por Marcelo Teixeira.

É claro que aceitei o convite, entusiasmado. Era assim que eu via e vejo o Peres: alguém capaz de unir pessoas, interesses, congregar os clubes, unir as forças do futebol brasileiro, sem esquecer de manter o Santos em uma posição de destaque. Na manhã do dia 29 de maio, lá pelas 11 horas, estávamos descendo a serra, felizes, no seu carro, quando toca o seu celular.

Era o presidente Marcelo Teixeira. Pedia para o Peres ligar para Juvenal Juvêncio e Andres Sanchez e cancelar o almoço, pois o presidente Luiz Gonzaga Belluzzo tinha ligado dizendo que não havia conseguido adiar um encontro com o ex-ministro Delfim Neto. Peres desligou o telefone, fiquei sabendo da história e me inflamei, dizendo que aquilo era uma loucura. Juvenal e Sanchez já deviam estar na estrada. Cancelar o almoço seria terrível, pois talvez não aceitassem mais um novo convite.

Compreensivo e generoso, Peres aceitou imediatamente meus argumentos e ligou de novo para Marcelo Teixeira, colocando-me na linha. Expliquei ao presidente que àquele momento o mais importante seria a reconciliação entre Juvenal e Andrés, e que ele, Marcelo Teixeira, seria olhado como o reconciliador. Era uma pena a ausência de Belluzzo, mas o almoço continuaria sendo importante, mesmo sem o presidente do Palmeiras. Teixeira ouviu os meus arroubos, educadamente, e concordou, mas pediu que o Peres ligasse e tentasse convencer Belluzzo a ir a Santos.

Peres ligou para Belluzzo e começou assim: “Professor, o senhor não pode faltar, o senhor é a pessoa mais importante desse almoço”. Não sei o que mais disseram, só sei que ao desligar o celular, Peres garantiu, com um sorriso, que o presidente do Palmeiras também iria.

O primeiro encontro seria na sala da presidência do Santos, de onde, após as considerações iniciais, os convidados conheceriam as dependências da Vila Belmiro – camarotes, sala de entrevistas… – e depois seguiriam para o CT Rei Pelé, onde também fariam uma visita de reconhecimento e, por fim, seriam encaminhados ao restaurante.

Chegamos diante da entrada principal da Vila e nos deparamos com a imprensa, funcionários do Santos e o presidente do Conselho do clube, senhor José da Costa Teixeira, o “Teixeirão”. Respirava-se um ar de incredulidade. Poucos pareciam acreditar que os três presidentes da capital realmente viriam. Teixeirão chegou a me dizer que estávamos “loucos”, pois mesmo que viessem, seria terrível para o Santos, pois “o Juvenal Juvêncio é uma raposa e vai nos engolir”.

Bem, como se sabe, os três vieram. Peres foi recebe-los, um a um, certamente para a inveja de muitos que apostavam no fracasso do evento. Eu trazia um texto pronto que descrevia as grandes vantagens que os quatro clubes teriam caso fossem aliados fora do campo. O texto falava de um hipotético super time que, na verdade, era a soma dos quatro grandes; citava o exemplo da Guerra do Paraguai versus o Mercosul, no qual ficava evidente que construir junto é bem melhor do que destruir, e concluía com alguns benefícios que os clubes teriam com a criação de uma empresa que os congregasse.

O almoço no CT Rei Pelé gerou novas reuniões no São Paulo, Corinthians, Palmeiras, até que em 17 de julho, dia do aniversário do Peres, que também foi escolhido como o coordenador geral da nova empresa, se fundou o G4 Paulista, que no início de 2010, quando Peres e eu já tínhamos sido desligados do Santos pela administração de Luis Álvaro Ribeiro, contribuiu com 2,5 milhões de reais para os combalidos cofres do Santos Futebol Clube.

Esta história, contada em detalhes, mostra a capacidade de José Carlos Peres de aprimorar e levar adiante uma boa ideia – algo que repetiu, em maior escala, no trabalho que obteve a Unificação dos Títulos Brasileiros. Foram precisos meses de trabalho, contatos e paciência para conciliar as vaidades, o poder e as agendas de seis presidentes de grandes clubes brasileiros, do presidente da CBF e de João Havelange para obter, finalmente, a tão sonhada Unificação dos Títulos que hoje torna o nosso Santos Octacampeão Brasileiro!

O comportamento e o caráter de José Carlos Peres exprimem o líder moderno, que comanda pelo exemplo, que sabe delegar poderes, mas assume o seu papel no momento mais importante. Alguém com esse perfil e, repito, esse caráter, é que deve presidir o Santos.

A seguir, os textos entregues por mim e Peres aos presidentes Marcelo Teixeira, Andrés Sanchez, Juvenal Juvêncio e Luiz Gonzaga Belluzzo no almoço de 29 e maio de 2009, no CT Rei Pelé. Nota-se que o nome pensado originalmente para a empresa era G4 S/A:

O melhor time do mundo

Ele é de São Paulo. Tem mais títulos, torcida, história, carisma e potencial de mercado do que qualquer outro do planeta.

Ele é, oficialmente, seis vezes campeão do mundo (além uma Taça Rio e uma Recopa Mundial), seis vezes campeão da Taça Libertadores da América (além de duas Conmebol, uma Mercosul, uma Supercopa da Libertadores e uma Recopa Sul-americana), 26 vezes campeão brasileiro (sem contar três Copas do Brasil e uma Copa dos Campeões), 16 vezes campeão do Torneio Rio-São Paulo e ainda possui 84 títulos estaduais (fora um Supercampeonato Paulista).

Sua torcida, desde o início desta década, é a maior do Brasil. Pelas últimas pesquisas do Instituto Datafolha, representa 30% de todos os torcedores do País. Ele tem 365 anos de vida e é por sua causa que o Brasil é considerado o melhor do mundo no futebol, pois forneceu a maioria dos jogadores que conquistaram as Copas de 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002. Boa parte dos maiores craques que o mundo já conheceu vestiram sua camisa, entre eles o Rei do Futebol.

Este time é garantia de ótima visibilidade para os patrocinadores. Pelo Campeonato Paulista deste ano, sua média foi de 24,37 pontos por partida, o que o torna uma das maiores audiências da tevê brasileira, com índices semelhantes aos das novelas da TV Globo. É também o que ocupa o maior espaço na mídia impressa (em parte isso se explica por estar encravado no Estado que abrange os dois mercados mais ricos do País: o da Capital e o do Interior de São Paulo).

Este Supertime, que tem as cores Branca, Preta, Verde e Vermelha, na verdade não é apenas um, mas a soma de quatro clubes que, depois de passarem todo o tempo brigando entre si, agora descobriram que, unidos, poderão conseguir muito mais e crescer juntos. Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo desde 17 de junho estão unidos no G4 S/A, uma empresa que pode mudar a história do futebol brasileiro.

O exemplo da Guerra do Paraguai

Durante mais de cinco anos – de dezembro de 19864 a março de 1870 – quatro países da América do Sul elevaram suas rivalidades ao extremo na Guerra do Paraguai, em que Brasil, Argentina e Uruguai, mesmo desconfiados entre si, lutaram contra o Paraguai do ditador Solano López. No final, ninguém ganhou, ao contrário, todos os quatro tiveram enormes prejuízos.
O Paraguai perdeu quase a metade de sua população, partes de seu território, teve sua economia arrasada e o país ocupado por tropas estrangeiras por dez anos. O Brasil ficou com uma grande dívida externa e teve 50 mil mortos; a Argentina perdeu metade de suas tropas, assim como o Uruguai. Todos saíram empobrecidos e isso retardou enormemente o desenvolvimento da região.
Setenta e um anos depois, em Assunção, os mesmos quatro beligerantes assinaram o tratado que deu origem ao Mercosul, comprometendo-se a colaborar para o desenvolvimento econômico e social comum. A partir daí a região gozou de estabilidade política e econômica jamais vista. A história, enfim, havia lhes ensinado a paz, no mínimo, é o melhor negócio.

O que cada um ganha com o G4 S/A

Os quatro grandes paulistas ganham as mesmas coisas, que são:

– Troca de informações nas áreas administrativa, jurídica, de marketing e comunicação.
– Fiscalização contra a pirataria de produtos.
– Apoio para melhores acordos com a TV.
– Apoio político.
– Valorização dos clássicos paulistas.
– Possibilidade de negociação de jogadores sem intermediários.
– Elaboração de um teto salarial para jogadores e comissão técnica.

E então, que tal escolher um presidente que sabe transformar boas ideias em realidade?


José Carlos Peres será candidato à presidência do Santos!

Morreu o grande intérprete e grande santista Jair Rodrigues

Conheci Jair Rodrigues jogando futebol, em um campo perto do Detran, onde os artistas batiam uma bola às segundas-feiras, e o amigo Juarez, do juvenil do Juventus, me levou para completar o time. Rápido, esguio, ele lembrava o ponta Paulo Borges. Depois, só fui vê-lo em 1982, quando participou do Balancê, na Rádio Excelsior (hoje CBN), programa de auditório que eu produzia e que revelou o graaannnde Fausto Silva. Na terceira vez, há uns dez anos, em um show na Costa do Sauípe, durante o torneio de tênis Brasil Open, em que eu e o Fábio, filho do Milton Neves, pedimos e ele cantou o hino do Santos. Um sujeito bem resolvido, alegre, de bem com a vida e, para nossa alegria, santista até embaixo d’água. Assim era Jair, o “Cachorrão”. Em 2012 telefonei-lhe para marcar uma foto para o livro “Santos, 100 anos, 100 jogos, 100 ídolos”, que fiz com Celso Unzelte em homenagem ao Centenário Santista. Hoje fico sabendo que Jair Rodrigues, um dos maiores intérpretes da música popular brasileira, morreu, aos 75 anos. A sensação de nostalgia é grande. O mundo ficará mais triste sem a sua risada e sua sincera felicidade. Para homenageá-lo, posto o vídeo abaixo, em que ele canta o Hino do Santos ao lado de Zeca Baleiro, Tony Tornado, Champignon e outras pessoas de muito bom gosto, em uma maravilhosa banda santista. Curta esse raro momento.

Peres
José Carlos Peres, de pé, na sede da CBF, explicando a Ricardo Teixeira e a dirigentes de clubes porque era justo e necessário reconhecer oficialmente os vencedores da Taça Brasil e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa como legítimos campeões brasileiros.

Após a Copa do Mundo teremos a confirmação de uma notícia que, acredito, deixará muitos santistas mais esperançosos. José Carlos Peres, hoje executivo do G4 Paulista, deverá confirmar sua candidatura à presidência do Santos Futebol Clube.

Sou suspeito para falar do Peres, pois foi meu companheiro no trabalho pela Unificação dos Títulos Brasileiros, sonho no qual ele já acreditava e pelo qual trabalhava há mais de uma década. Testemunhei no dia a dia de nossa luta a sua competência, honestidade, generosidade e independência.

O Peres é o tipo da pessoa que lidera pelo exemplo, que ouve a todos e sabe extrair as melhores ideias de cada um. E por ser educado e elegante, é querido e respeitado até pelos líderes dos clubes rivais (do contrário, não seria escolhido para gerenciar uma empresa que reúne os quatro grandes de São Paulo).

Confesso que não conheço bem todos os prováveis candidatos à presidência do Santos – e asseguro que todos terão neste blog um espaço democrático para suas manifestações e, principalmente, para a divulgação de seus planos de trabalho.

Porém, dos santistas que conheço, sem dúvida José Carlos Peres é o mais preparado para segurar esse rojão. Profissional bem-sucedido, investiu tempo e dinheiro para divulgar e mudar a cara do Santos. Criou a Ong Santos Vivo e o prêmio anual que leva este nome; patrocinou o programa do Santos na Rádio Trianon; cedeu um imóvel próximo à avenida Pacaembu para sub-sede do Santos em São Paulo; lançou e trabalhou no projeto da Unificação dos títulos brasileiros e ainda uniu os clubes paulistas no G4.

Assumir o comando do Santos exigirá, além de trabalho e criatividade, muita diplomacia para negociar, reivindicar e fazer acordos que contribuam para o crescimento do Santos e do futebol brasileiro.

Vejo o novo presidente como alguém que não tenha rabo preso com nenhum presidente anterior e que possa comandar o Santos com a atenção e o respeito que todo santista merece – do ídolo ao torcedor comum – e também com a coragem e a austeridade necessárias para fazer o que deve ser feito.

Empolgo-me sempre que converso com Peres sobre o que pode e deve ser feito pelo Santos. Gostaria muito de ver seus planos – que em boa parte também são os meus – colocados em prática. E sei que, mesmo que muitos desses planos pareçam utopia, é bem possível que deem certo, pois só dependem de nossa vontade, inteligência, determinação e capacidade de trabalho.

O que você achou de saber que José Carlos Peres será candidato a presidente do Santos?


Globo começa a perder o monópolio do futebol

“Alô amigos do SBT, quero dizer, da Band, quero dizer, da Record…”

Hoje, em São Paulo, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) decidiu extinguir o direito de preferência da Rede Globo na negociação pelos direitos de TV do Campeonato Brasileiro.

Antes a Globo tinha o direito de conhecer as propostas dos concorrentes, para depois fazer a sua. Agora, a mamata acabou.

Isso não quer dizer, entretanto, que a Globo não possa ganhar a concorrência para todos os meios de transmissão do futebol – tevê aberta, tevê por assinatura, pay-per-view, internet e celular –, o que, na prática, faria com que tudo continuasse do jeito que está.

Na verdade, não houve um esforço consistente do Cade para alterar a situação das transmissões de tevê a favor do consumidor. É evidente que este sistema de exclusividade não interessa ao apaixonado pelo futebol.

A partir do momento em que a Globo, ou outra emissora, conquiste os direitos de transmissão por tevê aberta, tevê por assinatura e pay-per-view, poderá integrar as programações, como já tem sido feito, de maneira a obrigar o telespectador a filiar-se à tevê por assinatura e ao pay-per-view.

Prioridade seria a melhor solução

Como já dissemos antes neste blog, para a tevê aberta seria melhor um sistema que se baseasse na prioridade, e não na exclusividade. A emissora que vencesse a concorrência, poderia escolher o jogo que quisesse transmitir em cada rodada; mas a emissora segunda colocada poderia escolher entre os demais jogos e assim por diante.

Isso garantiria a muito mais pessoas o direito de ver o seu time preferido em ação. Seria uma forma mais democrática de lidar com as transmissões de futebol no Brasil, que não é mais um país dividido apenas entre clubes de Rio de Janeiro e São Paulo.

A Internet pode ser um caminho

Percebo, e me corrijam se estiver errado, que o torcedor não está tão preocupado com a qualidade da transmissão, mas sim em ver o seu time jogar. Entre assistir a uma partida em alta definição, com tira-teima, câmera lenta e todas as sofisticações tecnológicas possíveis, ele preferirá uma transmissão simples, mas que mostre o seu time.

Assim, creio que as transmissões via Internet, mais baratas e abrangentes, podem ser uma saída para, repito, a democratização das transmissões de futebol no Brasil.

O protecionismo aos times do Rio

Em uma reunião que participei para a criação do G4 Paulista, empresa que congrega os quatro grandes de São Paulo, uma das queixas que ouvi foi a de que o mercado de transmissões por parabólicas não era regulamentado e acabava sendo usado pela Globo sem pagar os royalties para os clubes.

Outra queixa é de que a empresa carioca parece ter um plano secreto para alimentar a popularidade dos times do Rio em todo o País, pois privilegia descaradamente a transmissão e a reprise de jogos envolvendo equipes cariocas.

Isso é muito grave, pois todos sabem que é do suposto tamanho das torcidas que se divide as cotas de tevê, a venda de patrocínio de camisa, merchandising etc. Por outro lado, também está provado que a maior exposição na mídia contribui decisivamente para o aumento das torcidas.

Mesmo um time medíocre, mas bem exposto na tevê, pode atrair mais torcedores do que um outro bem melhor, mas que não tenha a mesma exposição. Sabedores disso, os programadores do futebol da Globo dirigiriam a programação de forma a dar mais espaço a determinados clubes.

Esse protecionismo da Globo explicaria porque os times do Rio continuam mantendo alguma popularidade em regiões como o Norte e o Nordeste do país, apesar de seus seguidos fracassos nas competições mais importantes disputadas por clubes brasileiros.

E você, acha que a Globo começará a perder o seu monopólio no futebol brasileiro, ou tudo continuará como antes? Ela protege mesmo os times do Rio? E a Internet, pode ser uma saída democrática para a transmissão do futebol?


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