Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

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Galhardo está fora. Felipe Anderson ou Alison podem entrar

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Galhardo treinou normalmente, mas não foi relacionado para o jogo. Muricy deve improvisar Felipe Anderson ou Alison na lateral-direita (Foto: Ricardo Saibun/ Divulgação Santos FC)

Pela disposição que mostrou no treino de sexta-feira, imaginei que Galhardo, mesmo abatido pela morte do irmão, pudesse enfrentar o Mogi. Mas o rapaz não foi relacionado para a semifinal que está sendo anunciada no interior como “o jogo do século”. Será que além da mudança de nomes, Muricy poderá entrar com três zagueiros? Isso só saberemos a poucos instantes para o jogo.

De qualquer forma, Felipe Anderson treinou na posição para uma provável emergência. No comando do ataque a lógica seria escalar o atlético argentino Miralles, mas o Muricy tem preferido André, pois acha que o amigo de Neymar sabe jogar “de costas para o gol”.

Assim, o Santos mais provável para tentar o Mogi e se classificar para a sua quinta final consecutiva do Paulistão é Rafael, Felipe Anderson, Edu Dracena, Durval e Léo; Renê Júnior, Arouca, Cícero e Montillo; Neymar e André (ou Miralles).

Quanto ao Mogi, treinado por Dado Cavalcanti, começará a partida com o mesmo time que goleou o Botafogo por 6 a 0 nas quartas de final: Daniel, Caramelo, Tiago Alves, Lucas Fonseca e João Paulo; Magal, Val, Wagner e Roger Gaúcho; Roni e Henrique.

Nas arquibancadas, que receberão cerca de 17 mil pessoas, deverá haver uma supremacia da torcida local na proporção de quase 2 por 1. Mas não me surpreenderei se vermos mais santistas do que o esperado, pois muitos compraram ingressos destinados à torcida do Mogi.

A arbitragem será de Flávio Rodrigues Guerra, auxiliado por Herman Brumel Vani e Danilo Ricardo Simon Manis. Que os deuses do futebol os iluminem e que o vencedor reúna méritos suficientes.

Futebol não é ciência exata

Não sei se é verdade, mas leio que os rendimentos mensais de Neymar no Santos equivalem a quase um ano de folha de pagamentos do Mogi Mirim. E veja que, mesmo assim, o Sapão fez uma campanha um pouco melhor do que a do Alvinegro Praiano e neste sábado pode perfeitamente impedir o sonho santista de seguir em busca de seu inédito tetracampeonato.

Essa é a maravilha do futebol e é por esses fatores mágicos que, apesar de todo o monopólio e toda a riqueza de alguns, os pequenos sempre terão suas oportunidades. Um elenco bem montado, treinado e motivado pode ir longe, como este Mogi está mostrando.

Como santista, espero que a brava caminhada do time do interior acabe neste sábado, sob merecidos aplausos de ambos os torcedores. Espero também um jogo limpo, aberto, bonito e uma vitória convincente do Santos. Mas talvez meu coração esteja controlando minha razão. Sei, como jornalista, que as circunstâncias da partida aconselham a não proclamar um favorito.

Quando a bola começar a rolar, os altos salários dos santistas de nada valerão se não significarem técnica, disposição, determinação e vontade superiores. Reconheço, entretanto, que para essas horas o Santos tem jogadores que se agigantam, como Rafael, Edu Dracena, Léo, Arouca e Neymar. E que a confiança destes cinco acaba se espalhando pelo time todo. Por isso, sem deixar de respeitar o Mogi, confio na classificação do Glorioso Alvinegro Praiano.

Reveja os bastidores de Santos 2 x 0 Mogi, há um ano. Este jogo clasificou o Santos para a semifinal do Paulistão de 2012:

E você, está com que pressentimento para este jogo?


Boas surpresas no teste para o tetra

O público de 15 mil pessoas até que foi bom devido ao mau tempo; a goleada de 4 a 0 foi ótima diante de tantas substituições (no primeiro tempo jogaram os titulares, no segundo os reservas), mas o mais interessante é que o torcedor santista pôde ter uma ideia real do time que será motivo de suas lágrimas e devoção em 2013, e no geral gostou do que viu.

Fiz algumas constatações e gostaria de saber a sua opinião, leitor e leitora, sobre elas. A primeira é a de que Adriano já pode se considerar banco de Renê Júnior. O técnico Muricy Ramalho chegou a elogiar o novo contratado, dizendo que ele não só marca bem, como tem um primeiro passe muito bom, o que agiliza o contra-ataque – característica que, a gente sabe, Adriano nunca teve.

Muricy também deixou no ar que André pode perder a condição de titular para Miralles ou até mesmo para Bill. O técnico gostou de ver que Bill voltou em forma das férias, ao contrário de André, que sabe jogar de costas para o gol adversário, mas continua fora de forma e muito lento.

Eu não achei que Montillo faria chover, por isso não me decepcionei. Acho que ele joga fácil e vai se entender muito bem com Neymar. Só que, inteligente, sabia que não precisava mostrar tudo em um amistoso contra um time medíocre que só sabe bater, como esse Grêmio Barueri.

E por ter um adversário assim pela frente, acho que Neymar deveria soltar mais a bola. Correu riscos de uma contusão mais séria à toa. Todo mundo sabe que adoro Neymar, mas que está fominha, está. Às vezes não dá andamento às jogadas e isso atrapalha o time. Pense nisso, garoto!

No primeiro tempo o time todo foi bem sólido até o meio-campo. Gostei da seriedade de Cícero, da disposição de Guilherme Santos e do empenho de Galhardo, que participou dos dois gols. Arouca terá melhores companheiros no meio-campo nesta temporada.

No segundo tempo, com a entrada dos reservas, quase todos mais jovens, o time foi mais ágil. Patito, Miralles e Bill combinaram bem no ataque. Alan Santos e Jubal deram conta do recado, e estou começando a ficar otimista com esse zagueiro da base, o Gustavo Henrique. Bela postura, calmo, sabe bater na bola. Com a agilidade maior que virá com o fortalecimento muscular, poderá ser titular.

Sobre os garotos Victor Andrade e Gabriel, o Gabigol, só posso dizer que Victor é mais desinibido e teve mais tempo para jogar. Gabriel entrou nos últimos minutos e mal tocou na bola. O que acho que não pode acontecer, porém, é a torcida vaiar um e aplaudir o outro. Ambos são patrimônio do clube. E há um ditado que diz: “Quando eles menos merecem, mais precisam de carinho”.

Agora o time se prepara para a estreia no Paulistão, neste sábado, às 19h30m, contra o São Bernardo, no estádio Primeiro de Maio, no ABC. Se não me engano esse é o time do ex-presidente Lula. Todo cuidado é pouco. Creio que Muricy repetirá o time que começou a partida, mas acho que Patito, Miralles ou Bill entrarão no decorrer da partida.

Já tem gente dizendo que o Santos busca um tetracampeonato paulista inédito. Não é verdade. O Paulistano, clube que acabou com seu departamento de futebol no início do profissionalismo e hoje é um dos mais elegantes e valorizados da Capital, sagrou-se tetracampeão paulista em 1916/17/18/19, feito ainda não igualado no Estadual. Quem sabe o Santos de Neymar e Montillo chegará lá!

Veja os melhores momentos de Santos 4, Grêmio Barueri 0:

http://youtu.be/YohUO-nfnKE

Felipe Anderson fez o gol da vitória do Brasil Sub-20

De pênalti, cobrado forte no meio do gol, Felipe Anderson, marcou o único gol do jogo e deu a vitória ao Brasil contra a Venezuela, no Sul-americano Sub-20. No segundo tempo ele foi substituído e o comentarista sibilante do Sportv voltou a criticá-lo, dizendo que ele quebra o ritmo da Seleção. Pois é justamente o contrário. Felipe talvez seja o único que tenta dar um padrão à está bagunçada Seleção.

Eu diria que o que Felipe Anderson tenta fazer é o que qualquer jogador de futebol com um pingo de inteligência tentaria, que é pôr a bola no chão, tocar para o jogador desmarcado, buscar o passe com menor margem de erro. A Seleção precisa justamente de jogadores que toquem a bola, para impor sua pretensa melhor técnica, e não de garotos estabanados que entrem na correria do adversário.

Ex-jogador Bebeto, hoje membro do comitê organizador da Copa, assistiu ao jogo ao lado do presidente da CBF, José Maria Marin. Mattheus, filho de Bebeto, entrou no segundo tempo e apesar de ter a oportunidade de participar de vários contra-ataques, desperdiçou todos.

Com a vitória de 1 a 0, o Brasil precisa de outro bom resultado contra o Peru para se classificar para a próxima fase do Sul-americano.

De quem você gostou e de quem não gostou no amistoso contra o Barueri?


Mesmo sem Neymar e Ganso, Santos deve afogar o Sport

Mesmo sem Neymar e Ganso, o Santos é franco favorito contra o Sport, hoje, às 16 horas, na Vila Belmiro. Assim como a ausência dos dois não pode servir de desculpa para um mau resultado contra o time pernambucano, está mais do que na hora de surgirem outros destaques ofensivos no Santos.

Alan Kardec? Pode ser. É um sujeito legal e está jogando melhor a cada dia. Rentería? Tomara que dê a louca no rapaz e que ele perceba que está tendo uma de suas últimas chances em um clube grande do Brasil. Ou joga como se estivesse em uma final de Copa do Mundo, ou logo será esquecido. Dimba? Acho que está machucado, não? Felipe Anderson? Este tem técnica e algum talento, mas precisa usar mais a cabeça, estar sempre mais disposto. Tomara que seja hoje.

O Santos tem bons jogadores de defesa, talvez um pouco acima da média, como Edu Dracena, Juan, Arouca e Adriano. E ainda há Elano, que ainda está devendo, mas tenta se recuperar depois de viver um inferno astral. Porém, não há dúvida de que faltam referências ofensivas quando Ganso e Neymar estão fora. O primeiro ficará um mês parado, devido a outra artroscopia, e o Menino de Ouro vai conviver com o ambiente complicado da Seleção do corintiano Mano Menezes. Que Neymar sobreviva e volte inteiro…

Léo ganhou folga para visitar a família em Campos. O zagueiro David Braz se machucou na estreia. Comos erá o time de hoje? Vamos especular juntos? No gol, não há dúvida. Sem Rafael, que também servirá a Seleção, só pode ser Aranha, que para muitos é até melhor do que o titular.

Na lateral-direita há Maranhão, mas também pode ser Galhardo, um jogador que tem potencial para brigar pela posição. Na zaga, se quiser poupar Edu Dracena e Durval, acho que Muricy Ramalho pode escalar Bruno Rodrigo e Vinicius Simon sem maiores problemas. Talvez até Ewerton Páscoa, que deixou boa impressão no jogo contra o Bahia, possa ser utilizado. Gostei do rapaz. Parece ter personalidade.

No meio, Arouca e Adriano são indiscutíveis. Até porque Henrique sentiu dores musculares e deverá descansar. Porém, se quiser escalar Ewerton Páscoa como volante, creio que Muricy não se arrependerá.

Como meias, há Elano, que deve jogar o mais que puder, para adquitir ritmo. Ele tem melhorado, mas precisa calibrar as cobranças de falta. Quem sabe não é isso que falta para lhe dar moral… Ao seu lado deve jogar Bernardo, contratado para ser o substituto de Paulo Henrique Ganso.

O garoto Felipe Anderson teve as suas chances, mas fez menos do que se espera de um legítimo Menino da Vila. Quem sabe ainda nos prove que um dia poderá ser titular do Santos.

Outro que terá de fazer muito para ser mais aproveitado é Gérson Magrão. O rapaz mostrou que é participativo, tem boa mobilidade, mas teve um desempenho irregular na Bahia.

Bem, mas acho que estou especulando até com jogadores que não deverão ser aproveitados hoje. Na verdade, o time que Muricy deve colocar em campo é: Aranha, Maranhão (ou Galhardo), Edu Dracena, Durval e Juan; Adriano, Arouca, Elano e Bernardo; Rentería e Alan Kardec.

Do Sport não tenho muito a dizer, mas é um time perigoso, com história e personalidade. Porém, não é uma equipe equilibrada, regular. Se aperatr, e precisa faze-lo, o Santos leva os três pontos.

Ouça isto!

Antes do retrospecto de Santos e Sport, ouça essa bela produção do Wesley Miranda, usando a narração de Deva Pascovicci, da Rádio CBN. Quem disse que na imprensa não tem quem respeite o Santos?

http://globoradio.globo.com/hotsites/cbn/noticia-hotsite-santos-cbn/2012/05/24/240512-OUCA-O-CLIPE-ESPECIAL-DA-CLASSIFICACAO-DO-SANTOS-AS-SEMIFINAIS-DA-LIBERTADOR.htm#.T8If6Jg2dg1

Retrospecto de Santos e Sport

Por Wesley Miranda

Santos e Sport Recife já se enfrentaram 32 vezes ao longo da história, sendo 17 vitórias do Peixe, 10 empates e 6 vitórias do Leão. O Santos marcou 54 gols e sofreu 31.

Em Brasileiros, desde o primeiro confronto, válido pela Taça Brasil de 1962, são 28 jogos com 15 vitórias do Santos contra 7 empates e 6 derrotas.

Artilheiros
Há grandes camisas 9 da história santista no topo da tábua de artilheiros do Santos no confronto.
O gênio Coutinho com os 5 gols nas semifinais da Taça Brasil/1962 é o artilheiro isolado do Santos no confronto. O centroavante Guga com 4 gols é o vice artilheiro.
Viola artilheiro do Campeonato Brasileiro de 1998 e Kléber Pereira, artilheiro do Brasileiro de 2008, ambos com 21 gols, figuram bem entre os maiores artilheiros do Santos no confronto com 3 gols cada.

Coutinho é o jogador mais jovem a atuar nos profissionais do Santos, com 14 anos, 11 meses e 6 dias. Pelo Santos, Coutinho também foi artilheiro do Rio-SP de 1961 e 64(campeão), em ambos com 9 gols.
O gênio da área Coutinho atuou no Santos de 1958 a 1967 e 1969 a 1970 em 457 partidas, marcando 370 gols. É o 3º maior artilheiro da história do Santos.

O primeiro encontro
O primeiro confronto aconteceu em um amistoso na Vila Belmiro no dia 30/12/1941 com vitória santista por 4 a 3, com gols de Carabina(2) Antoninho Fernandes e Ruy. O atacante Pirombá, que depois seria contratado pelo Santos, marcou os 3 gols do Sport.

Pelé no Sport Recife? Lenda ou verdade?
Reza a lenda que Pelé ainda promessa foi oferecido ao Sport em 57. Sem saber de quem se tratava, José Rosemblit, diretor do Sport, recusou. Sorte nossa!
Contra o time pernambucano, o rei do futebol jogou 6 vezes, vencendo 3 e empatando 3, tendo anotado 2 gols.

Semifinais da Taça Brasil 62
No primeiro jogo, empate em 1 a 1 na Ilha do Retiro no dia 12/01/1963 o jogo de ida das semifinais. Coutinho empatou para o Santos aos 36′ do segundo tempo.
Na partida da volta, no Pacaembu, em 16/01/1963, vitória santista por 4 a 0, com 4 gols de Coutinho, todos no primeiro tempo: aos 8′, 15′, 23′ e 40′.
O gênio Coutinho terminou como artilheiro do certame com 7 gols.

Guga sai do banco e resolve
Depois de dois empates na Vila, 1 a 1 com o Vasco pelo Brasileiro e 0 a 0 com o Nacional de Medellín pela Supercopa, o Santos entrou sobrecarregado para o jogo contra o Sport Recife no dia 09/10/1993. O clima era tão tenso que o grupo se dividiu. Parte do elenco defendia o técnico Antonio Lopes e a outra parte não. O artilheiro Guga declarou estar jogando isolado no ataque, e talvez por isso o treinador promoveu a entrada do jovem Neizinho em seu lugar.
Com a bola rolando, o time sentiu o clima e não saiu do zero no primeiro tempo. Na segunda etapa o técnico Antonio Lopes colocou Guga no time titular. Em 2 minutos(18′ e 19′) o atacante marcou dois gols, e ainda ampliou aos 32′, de pênalti.
Antonio Lopes caiu depois da eliminação do time na Supercopa e em seu lugar entrou José Macia, o Pepe. Guga terminou como artilheiro do certame com 14 gols. Se o título não veio, ao menos as duas vitórias em cima do Palmeiras no campeonato(3 a 1 e 1 a 0) evitaram o título invicto do time da Parmalat.

Quartas de Finais 1998
Nas quartas de finais do Brasileiro de 1998 foram 3 partidas decisivas. A primeira no dia 15/11/1998 na Ilha do Retiro, vitória do Sport por 3 a 1. O zagueiro Argel anotou o único tento santista. E o jogo foi marcado por uma confusão, quando o arbitro anotou uma penalidade máxima para o time da casa. Viola foi reclamar e acabou brigando com um fotógrafo. Acarretou em uma forte ação policial em que o técnico Leão e Viola foram agredidos. A partida ficou paralisada por mais de 20 minutos!

Na segunda partida, na Vila Belmiro no dia 21/11/1998 o Santos venceu por 2 a 1 com gols dos meias Eduardo Marques e Róbson Luis. Com a vitória santista, devido ao regulamento uma nova partida foi realizada, e pela melhor campanha, novamente na Vila Belmiro.

E na terceira e decisiva partida,em 25/11/1998, nova vitória santista, 3 a 0 com gols de Viola(2) e Alessandro Cambalhota. Na comemoração do 3º gol Viola revidou a provocação do 1º jogo quando os jogadores do Sport em alusão ao mascote do Santos, fisgaram um peixe. Viola, conhecido pelas suas comemorações polêmicas, imitou um Leão sendo caçado.
http://www.youtube.com/watch?v=MH70L_04m2M

Ganso x Durval
Na última partida realizada entre os dois times na Vila Belmiro no dia 04/07/2009 o Santos de Léo, Ganso e Neymar venceu o Sport Recife do zagueiro Durval. O único gol do jogo saiu aos 43 minutos do segundo tempo, após cobrança de Mádson, Neymar acabou servindo para Ganso marcar!

Durval foi autor de um dos gols da última vitória do Sport sobre o Santos. O jogo aconteceu na Ilha do Retiro no dia 13/05/2007 e o placar foi de 4 a 1 para os donos da casa.

Vila Belmiro
O Santos jamais perdeu para o Sport na Vila Belmiro. Foram 12 jogos com 10 vitórias santistas e 2 empates. O Peixe marcou 27 gols e sofreu 8.

E você, o que acha que ocorrerá no jogo Santos x Sport?


Uma final heróica contra o Corinthians. Que poucos conhecem…

Quanto se fala nos jogos entre Santos e Corinthians que decidiram títulos, todos se lembram dos Paulistas de 1935 e 1984, vencidos pelos Santos; do Paulista de 2009, que ficou com o Corinthians; do histórico Brasileiro de 2002, conquistado pelo Alvinegro Praiano e – depois de lembrado por Celso Unzelte no livro “O Grande Jogo” – também do Paulista de 1930, arrancado pelo alvinegro da capital em plena Vila Belmiro. Mas ninguém se recorda daquele que, para mim, foi o mais dramático de todos.

Estou me referindo ao Rio-São Paulo de 1966, decidido, na última rodada, com um confronto entre Corinthians e Santos, no Pacaembu. Naquele domingo, 27 de março de 1966, dois clássicos alvinegros definiriam a competição: aquele do Pacaembu, à tarde, e depois, à noite, Vasco e Botafogo, no Maracanã.

A situação do torneio era a seguinte: o Vasco era o líder, com um ponto ganho a mais do que Santos e Corinthians e dois pontos à frente do Botafogo. Não me pergunte porque os dois jogos não foram realizados no mesmo horário, como a ética mandaria. O certo é que se vencesse, o Vasco seria campeão. Mas, se perdesse, ficaria atrás de Santos ou Corinthians, caso um dos dois saísse vitorioso no clássico paulistano.

Quanto ao Botafogo, sua única possibilidade de chegar ao título seria vencer o Vasco e torcer para o empate em São Paulo, pois isso deixaria os quatro times empatados na primeira posição e obrigaria a realização de um quadrangular final para a definir o torneio.

Vivia-se o auge do tabu

Naquela época, o Corinthians não ganhava do Santos de jeito nenhum. Sabe-se que por 11 anos, de 1957 a 1968, o Santos não perdeu para o rival no Campeonato Paulista. Mas houve um período, de junho de 1962 até março de 1968, que a invencibilidade se estendeu por todas as competições. Só nesse período foram 19 jogos, com 11 vitórias santistas e oito empates.

Pelé, maior algoz do Corinthians, naquele domingo não jogou. O técnico Lula escalou a equipe com Laércio, Carlos Alberto Torres, Oberdan, Haroldo e Zé Carlos; Zito e Mengálvio; Dorval (Lima), Coutinho, Toninho e Edu (Joel).

Oswaldo Brandão armou o Corinthians com Heitor, Jair Marinho, Ditão, Galhardo e Édson; Nair e Rivelino; Garrincha, Flávio (Nei), Tales e Gílson Porto.

O jogo começou e seguiu equilibrado, com tentativas de ambos os lados. Mas, por jogo violento, seguido de reclamação, o árbitro Ethel Rodrigues cismou de expulsar Coutinho e Mengálvio de uma vez só. E aos 30 minutos, ao driblar Zito dentro da área, Garrincha sofreu pênalti.

Eu, com os meus 13 anos e meio, acompanhava a partida pelo rádio e percebi que a situação estava critica. Um pênalti contra e dois jogadores a menos, em um Pacaembu repleto de torcedores contrários… Como o Santos faria para manter o tabu? Mas, lembro-me bem, não desisti. Continuei torcendo pelo improvável.

O primeiro estágio da torcida deu certo. Laércio Milani, tão bom goleiro que chegou a ser convocado para a Seleção Brasileira mesmo sendo reserva de Gylmar, espalmou o pênalti cobrado por Flávio no canto direito. A bola voltou para a pequena área e Flávio jogou por cima.

Lula substituiu os pontas Dorval e Edu por Lima e Joel e o Santos passou a jogar na defesa. Mas, faltavam, ainda, 15 minutos para terminar o primeiro tempo, além da segunda etapa inteirinha.

Mesmo quando tinha de me distanciar do grande rádio, que ficava na cozinha, torcia para não ouvir o grito de gol, pois isso, inevitavelmente, significaria que o adversário tinha vencido a retranca santista. E assim o tempo passou.

Um título heróico

Nos últimos minutos, já com o coração aos pulos, ouvi quando, em um contra-ataque, Toninho Guerreiro penetrou pela direita e quase fez o gol da vitória santista. De qualquer forma, o empate de 0 a 0, nas circunstâncias em que foi obtido, representou uma grande vitória, que se revelou até mais importante do que a manutenção do tabu.

À noite, o Botafogo venceu o Vasco por 3 a 0, provocando um empate qrádruplo. Sem datas para realizar um quadrangular para definir o campeão, decidiu-se que o título seria dividido entre os quatro.

Assim, se você ainda não sabia, fique sabendo – e não esqueça – que o Santos já foi campeão jogando 60 minutos com dois jogadores a menos do que o Corinthians, em um empate que valeu muito mais do que uma goleada e que deixou no adversário uma sensação terrível de derrota.

Reveja o filme deste jogo no lendário Canal 100:

Corinthians 0, Santos 0

27 de março de 1966, domingo à tarde

Última rodada do Rio-São Paulo de 1966

Pacaembu

Corinthians: Heitor, Jair Marinho, Ditão, Galhardo e Édson; Nair e Rivelino; Garrincha, Flávio (Nei), Tales e Gílson Porto.
Técnico: Oswaldo Brandão.

Santos: Laércio, Carlos Alberto Torres, Oberdan, Haroldo e Zé Carlos; Zito e Mengálvio; Dorval (Lima), Coutinho, Toninho e Edu (Joel).
Técnico: Lula.

Árbitro: Ethel Rodrigues (SP).

Cartões Vermelhos: Mengálvio e Coutinho.

Renda: Cr$ 64.517.500,00

Veja matéria sobre os títulos ganhos pelo Santos no Pacaemnbu no blog Santistas Loucos

Acreditar, sempre

Por ter vivido situações como esta, é que nunca deixei de acreditar no Santos, mesmo nos momentos mais difíceis de sua história. Por isso, vencer o Corinthians, domingo, na Vila, e comemorar mais um título Paulista, é fichinha perto das dificuldades que o time já passou diante de seu tradicional rival.

Você conhecia esta história? Acha que um time que já manteve um tabu jogando com dois jogadores a menos por 60 minutos, no campo do adversário e com torcida contra, pode ter algum receio ao jogar completo e em sua casa?


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