Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

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Oportunidades no Engenhão

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Dizem que o ideograma chinês para “crise” é a soma de outros dois, que representam “perigo” e “oportunidade”. A comparação procede. Os momentos de incerteza podem proporcionar as mais inesperadas chances de sucesso. Escrevo isso na tentativa de tocar, diretamente, os jogadores santistas que logo mais, às 19 horas deste sábado, iniciarão a partida contra o Botafogo, no Engenhão, pela 24ª rodada do Campeonato Brasileiro. Enfim, a mensagem é de que tenham fé em si mesmos e na opção que fizeram para serem jogadores profissionais de futebol.

Bem mais preocupado com a Copa Libertadores, seu compromisso de meio de semana, na Vila Belmiro, o Santos, com exceção do goleiro Vanderlei, terá um time de reservas contra os reservas do Botafogo, que também prioriza a competição sul-americana. Como tudo na vida, há um lado ruim e um lado bom nisso. O ruim a gente já conhece. Então, vamos ao bom.

Imagine-se, caro leitor e prezada leitora, na pele de um dos santistas que entrarão em campo logo mais com a responsabilidade de manter a invencibilidade de 17 partidas do time e de também manter a equipe na luta pelo título nacional. Há duas formas de encarar o compromisso.

A primeira, é pensar de forma negativa, tipo: “O homem não me escalou nos grandes jogos e agora me coloca nessa partida esvaziada. Ele que pense que eu vou correr e me empenhar em um joguinho desses. Se perder, que se dane…”

A outra, é enxergar a real oportunidade de usar essa partida para se firmar no elenco do Santos, raciocinando: “O jogo é importante, sim. Botafogo e Santos sempre foi e será um jogo importante. O Santos está invicto e ainda luta pelo título brasileiro. O adversário está em boa fase e joga casa. O clima é bom, o estádio é bonito, farei o que sempre quis em minha vida: ser titular em um grande clássico brasileiro. Darei o meu melhor em campo e sei que uma vitória, hoje, aumentará o meu prestígio junto ao técnico e aos torcedores”.

O técnico Levir Culpi deverá escalar o Santos com os reservas Daniel Guedes, Luiz Felipe, Fabián Noguera e Orinho; Leandro Donizete, Léo Cittadini e Jean Mota; Thiago Ribeiro, Vladimir Hernández e Kayke. Estou aqui pensando comigo mesmo e lembrando que cada um desses jogadores, com exceção de Leandro Donizete e do estreante Orinho, já fizeram ao menos uma boa partida com a camisa do Alvinegro Praiano. Por que não poderão repetir hoje essa atuação?

A chance que Lula pegou

Todo mundo sabe que Luís Alonso Perez, popularmente conhecido por Lula, foi o técnico que mais tempo dirigiu um grande clube brasileiro e mais títulos ganhou. Poucos sabem, porém, como começou sua carreira no time profissional do Santos. Para começar, eu direi que foi em um sábado, como hoje, numa partida contra o Botafogo, como hoje, jogada no Maracanã, pelo Torneio Rio-São Paulo.

Lula, aos 32 anos, era o interino que assumia a equipe devido à demissão do italiano Giuseppe Ottina. Nas últimas seis partidas o Santos havia perdido todas e só tinha conseguido um empate, sem gols, com o Guarani, na Vila Belmiro. A crise estava instalada. O Botafogo, treinado pelo experiente e matreiro Gentil Cardoso, tinha em suas fileiras um craque incomensurável chamado Garrincha.

Pois bem. Jogando sem medo, o Santos terminou o primeiro tempo vencendo por 1 a 0, gol de Tite. No segundo, Dino empatou aos 10 e Garrincha fez o gol da virada aos 30. Tudo parecia perdido quando Joel empatou aos 40, após boa jogada de Valter, e Tite marcou o gol da vitória aos 43, tocando a bola entre as pernas Fo goleiro Amauri, após nova jogada do inspirado Valter.

Aquela vitória, por 3 a 2, foi a primeira do Santos naquele Rio-São Paulo. Nos quatro jogos restantes o time teria mais três triunfos, culminando uma vitória por 2 a 0 sobre o Corinthians, no Pacaembu, diante de 25.800 espectadores.

Aquela primeira, corajosa e dramática vitória sobre o Botafogo fez o Santos embalar. Como se sabe, o time viria a ser, com aquela mesma base de jogadores, bicampeão paulista em 1955/56. Por isso é importante lembrar a escalação da equipe que, em meio à crise, foi ao Rio e vencer o Botafogo de Garrincha. Os heróis daquele sábado, 6 de junho de 1954, foram:

Manga, Hélvio e Feijó; Urubatão, Formiga e Zito; Joel, Valter, Álvaro, Vasconcelos (Hugo) e Tite.

Portanto, acredito, sim, que o Santos possa vencer o Botafogo, no Engenhão, neste 16 de setembro de 2017. A propósito, o time carioca deverá ser escalado pelo técnico Jair Ventura com Gatito Fernández,Luis Ricardo, Marcelo, Emerson Silva e Victor Luis; Rodrigo Lindoso, Bruno Silva, Dudu Cearense e Marcos Vinícius; Brenner e Guilherme.

A arbitragem será de Igor Junio Benevenuto, auxiliado por Marcio Eustáquio Santiago e Celso Luiz da Silva, todos de Minas Gerais. O jogo não será transmitido pelo Sportv, apenas pelo Premiere. Convido aos colegas do blog a comentarem a partida por aqui. É uma forma de aliviar a tensão e informar aos que não terão acesso às imagens.

Mesmo perdendo, o Santos continuará em terceiro lugar, porém sua vantagem para o Palmeiras deverá cair para apenas um ponto, pois o alviverde jogará em São Paulo contra o Coritiba, na segunda-feira.

Votar, a maior responsabilidade do sócio do Santos

A eleição presidencial do Santos se aproxima, em princípio deverá ser realizada no dia 2 de dezembro, e é evidente que este será o momento de maior responsabilidade do sócio santista. Uma escolha errada e o nosso Santos prosseguirá patinando por mais três anos. Na verdade, pior do que não sair do lugar, é andar para trás, vendo suas dívidas aumentarem perigosamente, resultado de uma gestão personalista, sem transparência, que chegou a ter suas contas de 2015 rejeitadas pelo Conselho Fiscal e pelo Conselho Deliberativo do clube. Estão brincando com o nosso Santos e os resultados em campo, que torcemos para que sejam os melhores possíveis, não podem esconder uma gestão temerária, capaz de levar o clube à total inanição.

Não falarei de nomes ou de chapas. Só peço que você, sócio, se conscientize da importância de votar e não marque nenhum compromisso para o sagrado dia do pleito (há uma possibilidade, ainda, de que seja dia 9 de dezembro, no sábado seguinte. Isso será confirmado).

Se a vontade das urnas, em uma eleição limpa e honesta, apontar este ou aquele, que a democracia seja respeitada e os vencedores tenham toda a força e apoio para levar, com ética e competência, o nosso Santos ao lugar que ele merece. Porém, que o colégio eleitoral seja realmente representativo da enorme massa alvinegra, e não vejamos novamente um pequeno grupo de eleitores definir a sorte de um time imenso, que não pode mais ser dirigido como uma equipe de bairro.

Felizmente a Kickante entendeu a importância do livro “Santos FC, o maior espetáculo da Terra, e nos deu mais 31 dias de campanha de pré-financiamento para lançar esta que é uma das obras mais importantes da história do Santos e do futebol.

Da meta de R$ 48 mil, suficiente para cobrir os custos gráficos da impressão de dois mil exemplares, estamos na metade. Há muitas formas de recompensa para quem participar da campanha. Desde doar 10 reais, até comprar uma cota de patrocínio por 15 mil reais, que dá direito a 100 exemplares, 30 convites para a festa de lançamento, ter o logotipo da empresa impresso no livro e ser divulgado pela assessoria de imprensa.

O livro se baseia na ampla pesquisa de Marcelo Fernandes, um santista que mora em Luxemburgo, e em alguma pesquisa e texto meus. Só digo uma coisa e depois me cobrem: quem não participar, vai se arrepender. Esse livro ficará marcado na história do Santos e na literatura mundial do futebol.

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No meu aniversário, quem ganha o presente é você

Setembro é mês do meu aniversário e resolvi comemorar com os frequentadores deste espaço promovendo uma oferta inédita das obras expostas na Livraria do Blog.

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Para atender aos pedidos dos santistas das embaixadas e demais grupos de torcedores espalhados pelo País, criei preços especiais também para a compra de três, quatro e cinco exemplares, tanto do Dossiê de Unificação dos Títulos Brasileiros a partir de 1959, como do Time dos Sonhos.

Neste mês, três exemplares desses dois livros sairão por 75 reais, quatro por 85 e cinco por 95 reais. E todos os pedidos com frete grátis e dedicatórias exclusivas. Faça as contas e veja que não dá para perder. É a oportunidade de presentear os amigos ou já guardar para o Natal.

E caso alguém queira uma quantidade maior do que cinco exemplares, é só enviar e-mail para blogdoodir@blogdoodir.com.br que estudaremos as melhores condições possíveis. O interesse, como sempre, é ver o santista e conhecendo a rica história do clube, elemento fundamental no fortalecimento da marca Santos.

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Todos os PDFs a R$ 1,00

O sistema da loja do blog não permite que se distribua livros sem nenhum pagamento. Então, coloquei o preço de todos os PDFs a apenas um real. Isso mesmo. Qualquer PDF, neste mês de setembro, custará apenas um real.
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Dentre os PFDs, há quatro livros que falam do Alvinegro Praiano

– Donos da Terra, a história do primeiro título mundial do Santos
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– Na Raça!, a história do primeiro clube bicampeão mundial
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– Ser Santista, um orgulho que nem todos podem ter – Artigos selecionados que mostram várias aspectos da grandeza santista
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– Pedrinho escolheu um time – A aventura de um garoto paulistano que quer escolher um time para torcer.
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Há mais três histórias infanto-juvenis

– Pedrinho no Descobrimento do Brasil – Um buraco no tempo leva Pedrinho ao momento em que o Brasil está sendo descoberto pela esquadra de Cabral. Para crianças e adolescentes que gostam de História.
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– O Diário de Kimmy, uma garota inuit – O dia a dia de uma menina que vive no Alasca, entre as tradições de seu povo e os perigos dos tempos atuais.
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O Reino do Pum – A caso insólito do pobre e mal cheiroso reino onde viviam o pequeno Sidney e seu avó Felisberto.
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E uma ficção para adultos

– Morte.Net – Romance impróprio para menores, de Caio Morelli, que fala de pessoas que buscam a felicidade nos encontros fortuitos da Internet.
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A grana está curta? Momentaneamente está desempregado? Mas gostaria de ler alguns livros em PDF expostos na livraria deste blog? Mande-me um e-mail para blogdoodir@blogdoodir.com.br que neste setembro eu os envio de presente para você.


A popularidade de Robinho. E os críticos de prancheta

Hoje à tarde a volta de Robinho e a grande rivalidade entre Santos e Corinthians darão o maior ibope deste Campeonato Brasileiro.

Veja como os Meninos do Santos foram campeões na África do Sul:

Santos vence Benfica por 2 a 0 e é campeão em Durban

João Igor, o herói do título

A equipe Sub-19 do Santos, orientada por Pepinho, filho do grande Pepe, venceu o Benfica por 2 a 0, com dois gols de João Igor, que entrou no segundo tempo, e se tornou campeã do Torneio de Durban, África do Sul. Mais do que a vitória e o título internacional, os meninos do Santos espalharam alegria na África do Sul e sentiram um pouco do carinho que o grande Santos sentiu quando jogava pelos cinco continentes. Este é o destino do Santos – ser um time do mundo e cativar torcedores de todo o planeta. Isso foi esquecido ou abandonado, mas precisa voltar. Veja e se emocione com uma visita dos Meninos da Vila a uma escola de Durban:

Confira aqui a cobertura no site Supersports, da África do Sul

A popularidade de Robinho. E os críticos de prancheta


Quem não gosta de Robinho e de Neymar provavelmente não teria gostado de Garrincha

Quando voltou ao Santos, em 2010, Robinho, como todos sabem, estreou fazendo, de letra, o gol da vitória diante do São Paulo. Na saída, um repórter ouvia pequenos fãs que esperavam pelo autógrafo do ídolo. Entre os meninos, havia um com a camisa do São Paulo. O repórter lhe perguntou: “Mas você não é são-paulino? Por que quer o autógrafo do Robinho?”. Ao que o garoto, demonstrando uma espontaneidade e uma sabedoria que geralmente escapam das mesas redondas das tevês, respondeu, com um sorriso: “Ué, Robinho é Robinho, né?”.

É difícil encontrar essa mesma sensibilidade em um jornalista, mas há muito tempo conversei com um que a tinha. Não me lembro exatamente quem foi, mas me recordo em detalhes a sua expressão sincera e arrebatada ao falar da dificuldade de ser um jogador de futebol: “Pô, os caras analisam como se jogar futebol fosse fácil. Eu acho que uma das coisas mais difíceis do mundo é ser jogador de futebol. Já pensou entrar naquela estádio lotado, os caras querendo te arrebentar, e você ter de dominar a bola, correr, fazer jogadas, gols… Pô!… (ele sorria, sarcástico, como se interiormente completasse: “Esses caras não sabem de nada!”).

Veja o desafio a que Robinho se impôs: o de ser um artista, um criador de jogadas, um criativo em meio a um bando de burocratas militarizados com a faca dos dentes. Sim, pois hoje o futebol é isso. Trocentos zagueiros, trocentos volantes, todo mundo ajudando na marcação, todos com ordem de matar o contra-ataque adversário, nem que seja na porrada e só um ou outro para fazer o que o torcedor realmente quer, que é o drible, o gol, a irreverência. Robinho, meus amigos, é um sobrevivente.

É importante que haja jornalistas esportivos especializados em números e estatísticas. Também é interessante que existam outros essencialmente críticos, como se estivessem sempre mal-humorados. Das críticas sempre se tira algo proveitoso. Porém, se todos forem assim, as pré-históricas mesas-redondas da tevê virarão uma chatice. Foi o que ocorreu sexta-feira na ESPN.

Não me pergunte o nome do programa. Estava zapeando entre o clássico “O Encouraçado Potemkin”, um documentário sobre Luis Carlos Prestes e o jogo entre Roger Federer e David Ferrer, quando me deparei com o programa comandado pelo José Trajano. Falavam de Robinho. Fiquei pra ver. E percebi o que muitos leitores do blog também perceberam: a má vontade, a indiferença, a quase falta de respeito com um ídolo popular do nosso combalido futebol.

Clubismo? Falta de respeito com um ídolo do Santos? Não chegarei a tal ponto. Mas posso afirmar que se meus colegas de ESPN julgassem todos os jogadores brasileiros com a mesma severidade com que julgaram Robinho, sobraria muito pouca gente para contar a história.

Um jogador que está há nove anos na Europa – jogou três anos no Real Madrid, dois no Manchester City e está desde 2010 no Milan – e recebe um salário equivalente a um milhão de reais por mês, está muito longe de ser um fracassado. Não foi o número um do mundo, como queria, e como todos nós queríamos, mas daí a dizer que passou em branco pelo continente que tem os mais poderosos clubes do planeta, vai uma grande diferença.

Se usarmos o mesmo rigor para analisar a passagem de outros brasileiros pela Europa, como faríamos para definir o estágio de Sócrates, que jogou apenas um ano pela Fiorentina, em 1984/85 e em 25 jogos dez apenas seis gols (um a menos do que marcou pelo Santos em 1988/89)? Ou Junior, que entre 1984 e 1989 defendeu os pequenos Torino e Pescara e voltou para o Flamengo sem nenhum título, nem mesmo em torneios regionais? Ou Roberto Dinamite, que ficou apenas uma temporada no Barcelona (1979/78), fez 8 gols em 17 jogos e voltou correndo para o seu Vasco? Ou mesmo Zico, que defendeu apenas o humilde Udinese por dois anos e, por não receber proposta de nenhum grande europeu, voltou para o seu eterno Flamengo?

Está certo que nos quatro anos em que defendeu o Santos, Robinho fez mais gols (94) do que nos nove de Europa (81), mas mesmo assim seu desempenho no futebol europeu não pode ser desprezado. Foi seis vezes campeão, três pelo Real Madrid e três pelo Milan.

Sem contar sua participação na Seleção Brasileira, pela qual fez 102 jogos (8 pela Sub-23) e marcou 32 gols (3 pela Sub-23). Em 2007 foi artilheiro (6 gols) e considerado o melhor jogador da Copa América, vencida pelo Brasil. Também foi bicampeão da Copa das Confederações, em 2005 e 2009.

E Robinho é o tipo de jogador que não pode ser analisado apenas pelo currículo. Ele pertence a uma classe especial e em extinção, que é aquela que reúne os artistas, os palhaços, aqueles que fazem rir com arte. Ele, como Neymar, é da mesma estirpe de Garrincha, capaz de alegrar o povo sem fazer gol. É isso o que faz tão querido pelo torcedor comum, mesmo pelo adversário.

E veja que, ao contrário de Garrincha, Robinho levou o seu time, o Santos, a dois títulos brasileiros e a uma final da Libertadores, enquanto o título mais importante que o grande Mané ganhou com o seu Botafogo foram três estaduais. Por aí se vê que os números, o currículo, nem sempre definem a relevância da carreira de um jogador.

Na verdade, todos esses jogadores que citei foram grandes, enormes mesmo, para o futebol brasileiro, e é isso que mais deveria interessar aos jornalistas esportivos nesse momento de penúria, e não o desempenho que tiveram na Europa. Quem está com o pires na mão, quem não tem ídolos e nem jogadores carismáticos, quem vê seus times mais populares caindo pela tabela, o público se afastando dos estádios e da tevê, é o pobre futebol que já se considerou o melhor do mundo.

A volta de Robinho ao Brasil deveria ser saudada ao menos como um sinal de esperança, pois, ao contrário de outros que, como o salmão, sobem o rio e voltam às origens para terminar sua história, Robinho ainda tem físico e habilidade para mostrar um futebol que não se vê mais por aqui. E se Alex, aos 36 anos, pode ser uma das últimas reservas de categoria e inteligência que ainda se vê em nossos campos, Robinho ainda tem alguns anos de boa lenha para queimar.

Será que o Robinho está em forma?

E pra você, como a imprensa tem tratado a volta de Robinho?


A dor pela ausência de Neymar

Brasil x Alemanha – a emoção contra a perfeição

Alemães são pragmáticos, organizados, equilibrados, eficientes. Sua seleção de futebol espelha isso. O time brasileiro não tem essas qualidades e, por isso, no campo estrito da técnica e da tática, não pode ser considerado favorito nesta semifinal. Entretanto, os grandes momentos do futebol exigem outros componentes e a emoção é o mais importante deles. E essa emotividade, que tanto pode fazer tremer as pernas nos momentos decisivos, como adicionar uma energia extra e uma determinação inesperada às jogadas, convive com o brasileiro. E se torna mais intensa em momentos como este, em que um estádio e um país clamam pela vitória. Por isso, o que veremos em luta não serão apenas dois times, ou duas escolas, mas dois temperamentos, dois carácteres, duas formas de viver e sentir o futebol.

Tristeza, este é o sentimento que ainda me envolve e certamente me acompanhará por muitos dias. Imagino o tamanho da amargura do nosso eterno Menino da Vila e a desolação de milhões de pessoas que o adoram. A verdade é que uma Copa no Brasil sem Neymar não é uma Copa completa.

O que eu sempre temi, aconteceu. O garoto caçado a cada jogo, que ao invés de ser protegido, como todo craque deveria ser – ainda mais em nossos tempos áridos de beleza e criatividade no futebol –, era desrespeitado e ironizado por muitos, finalmente foi tirado de campo. E justamente em uma Copa do Mundo, o momento de sonho, tão aguardado por todo jogador.

Que me perdoe o colombiano Zuñiga, mas arremessar-se, joelho à frente, contra as costas de um adversário parado e desprevenido, não me pareceu acidental. O joelho fez a função de um aríete, concentrando a pressão e partindo a terceira vértebra lombar do jogador brasileiro, que ficará, no mínimo, três semanas longe da bola.

Esta agressão seria punida severamente mesmo no violento e permissivo futebol norte-americano, aquele que se joga com as mãos e no qual os atacantes costumam ser esmagados. No entanto, passou em branco para o árbitro espanhol Carlos Velasco Carballo. Uma pena que, mesmo atuando em casa, o Brasil tenha sido vítima constante das arbitragens indecifráveis da Fifa.

Mas, dizem, há sempre um desígnio nos acontecimentos, mesmo nos mais desalentadores. Qual seria o interesse divino por trás dessa contusão do eterno Menino da Vila? Fazer seus inimigos gratuitos, esses sarcásticos, invejosos e mentirosos que pupulam pelo País, reverem suas gritantes mediocridades? Ou dar um descanso e poupar Neymar do grande desastre que está por vir?

Sim, pois agora o Brasil não é mais favorito, se é que em algum momento tenha sido, e nem merecerá dos adversários o mesmo temor. Talvez, se o espírito de David Luiz se espalhar pelo grupo, o título ainda venha, mas a verdade é que outras equipes estão jogando melhor e mostrando mais personalidade do que a brasileira.

E será que o Brasil merece mesmo ganhar essa Copa, depois de tantas lambanças na administração da verba pública destinada ao evento? De tamanho uso político de uma festa que deveria ser estritamente popular? E será que outro contendor não terá reunido mais méritos para erguer a taça?

Por outro lado, a ausência do grande craque da Seleção pode dar a seus companheiros a oportunidade de provar que formam um time de alto nível, mesmo sem ele. Porém, mesmo que o título venha, não será mais a mesma coisa, assim como a conquista da Copa do Chile, sem Pelé, não teve o mesmo brilho e encanto da glória obtida em campos suecos, quatro anos antes.

A dor de Neymar feriu a todos que gostam de futebol. Um pouco Garrincha, um pouco Pelé e muito Neymar, gosto de lembrar dele como o menino que surgiu no Santos com o uniforme bailando no corpo, e que, ao lado de Madson e Paulo Henrique Ganso, ouviu, humildemente, os conselhos da Suzana na festa de encerramento do Campeonato Paulista de 2009.

“Vocês são muito bons. Continuem assim, com essa alegria de jogar futebol”, insistia minha mulher, acostumada a educar adolescentes pelo esporte, aos jovens e sorridentes talentos santistas. Nos olhos de Neymar via-se a alma pura de um garoto sem maldade. Guardei essa imagem. Prefiro pensar nele assim, sem os milhões do Barcelona, sem o seu numeroso staff, sem os seus empresários, sem ser a personagem de nove entre dez comerciais do momento. O Neymar sozinho, o menino que só quer ser feliz jogando futebol.

Por este menino que está dentro de Neymar sempre torcerei. E se a consagração não pôde vir nesta Copa, que seja na próxima. Pelé sofreu com contusões nos Mundiais da Suécia, Chile e Inglaterra, mas aos 29 anos e oito meses ressurgiu com toda a majestade no México. Neymar tem, no mínimo, mais duas Copas para brilhar. Que assim seja!

E você, o que sente pela ausência de Neymar na Copa?


O que vale mais: ganhar o título, ou ser realmente o melhor do mundo?

Serginho Chulapa faz 60 anos
SERGINHO  X WLADIMIR
Parabéns grande Serginho Chulapa, pelos 60 aninhos muito bem vididos e comemorados.

O grande momento do artilheiro Serginho Chulapa no Alvinegro Praiano:

Meninas de Ouro!
Nada melhor do que ser campeã do mundo e ainda a melhor equipe do planeta, como as meninas do handebol brasileiro mostraram no Mundial. Para ficar com o título, elas venceram todas as nove partidas que realizaram. Primeira fase (Grupo B): Brasil 36 x 20 Argélia, Brasil 34 x 21 China, Brasil 25 x 23 Sérvia, Brasil 24 x 20 Japão e Brasil 23 x 18 Dinamarca. Oitavas: Brasil 29 x 23 Holanda. Quartas: Brasil 33 x 31 Hungria. Semifinal: Brasil 27 x 21 Dinamarca. Final: Brasil 22 x 20 Sérvia. Não há palavras para descrever a importância desta conquista para o handebol brasileiro. Só de ver esse vídeo que postei no blog confesso que me emocionei. Veja os melhores momentos da decisão, neste domingo, em que o Brasil derrotou a anfitriã Sérvia por 22 a 20, em um momento histórico do esporte nacional:

O que vale mais: ganhar o título, ou ser realmente o melhor do mundo?

barcelona
Cartaz divulgado em Barcelona, Espanha, para anunciar o “Extraordinario Acontecimento Deportivo” que seria o jogo do Santos contra o Barcelona, na noite de 12 de junho de 1963. Repare que o Santos é chamado de “Campeón del Mundo Inter-Clubes”, o que deixa claro que os europeus respeitavam, sim o título conquistado pelo Santos no ano anterior, ao bater o campeão europeu, Benfica, em jogos de ida e volta. Repare, ainda, a imagem de Pelé destacada no quadro. Vivia-se uma época em que o futebol sul-americano, que tinha o Santos de Pelé como o seu maior representante, era superior ao europeu.

santos campeao do mundo
Sem Mengálvio, machucado, Lima foi para o meio e Olavo entrou na lateral direita. Com esse time o Santos se tornou o primeiro clube brasileiro a se sagrar campeão do mundo, na noite de 11 de outubro de 1962.

O que vale mais? Ganhar um título, ou ser realmente o melhor? Digo isso porque agora, com o Mundial da Fifa, tem gente enaltecendo os títulos mundiais reconhecidos pela entidade e tentando desmerecer ou diminuir outros. É o mesmo quadro que antecedeu a unificação dos títulos brasileiros. Espero que não seja preciso fazer um dossiê para resgatar a história.

Na verdade, a história não é feita de “títulos oficiais”, mas de uma realidade mais abstrata, que se concretiza na força da expressão popular e da cobertura da imprensa. Se um time é visto, admirado e enaltecido como o melhor do mundo, esta é uma conquista real, mesmo que não esteja atrelada a títulos.

Sabemos que o futebol se organizou como esporte no começo do século XX e que as carências econômicas, aliadas às dificuldades de transporte, impediram o intercâmbio entre os times europeus e sul-americanos, reconhecidamente os que praticavam o futebol mais técnico e avançado do planeta.

Sabemos ainda que o Uruguai foi bicampeão olímpico em 1924 e 1928, quando ainda não havia Copa do Mundo, e que venceu a primeira Copa, realizada no mesmo Uruguai, em 1930. Como o time-base daquela seleção era o Bella Vista, talvez possamos imaginar que, se houvesse uma competição mundial de clubes, provavelmente o tal Bella Vista, fundado em 1920, hoje pequeno, com um estádio para apenas 8.000 pessoas, se tornasse o campeão.

Do Brasil, quem sabe o Paulistano, do craque Friedenreich, fosse um rival de respeito, pois o esquadrão do Jardim América fez a primeira viagem de um clube brasileiro à Europa em 1925 e se saiu tão bem que foi chamado pela imprensa francesa de “Os Reis do Futebol”. Mas o elegante clube, desanimado com os rumos insinuados pelo profissionalismo, desistiu do futebol no início da década de 30.

Na década de 1940, prejudicada pela Grande Guerra e ainda pelas difíceis condições econômicas e de transporte, em que o oceano Atlântico era cruzado prioritariamente por navios, não havia competições criadas para definir um campeão do mundo, mas quem aprecia e respeita a história do futebol sabe que o húngaro Honved e o argentino River Plate eram as melhores equipes do planeta. O Vasco do final dessa década também seria um rival à altura, tanto que foi a base da mágica e infeliz Seleção Brasileira de 1950.

E nos anos 50 não há como negar que o Real Madrid, do genial argentino Di Stéfano, reforçado pelos húngaros que atuavam no já citado Honved, era o time mais completo, vencedor e festejado do mundo, a ponto de ganhar a Copa dos Campeões da Europa, hoje Liga dos Campeões, por cinco vezes consecutivas.

E finalmente chegamos aos anos dourados da década de 1960. Dourados para nós, brasileiros, que entre 1958 e 1970, em apenas 12 anos, pudemos comemorar a conquista de três Copas do Mundo em quatro disputadas. Então tínhamos os melhores jogadores – Pelé, Garrincha, Nilton Santos, Didi, Zito, Gylmar… –, estádios invariavelmente lotados para ver os grandes clássicos, entre eles o Maracanã, o maior da Terra, uma crônica esportiva romântica e talentosa, comandada pelos irmãos cariocas Nelson Rodrigues e Mário Filho e, conseqüentemente, também os melhores times.

A Europa ainda não se recuperara totalmente da Segunda Grande Guerra, quase todos os seus países sofriam agruras econômicas, políticas e sociais, e tudo isso se refletia no futebol. Creio que por um momento, mormente depois da Copa da Suécia, em 1958, até meados dos anos 60, os grandes times sul-americanos seriam maioria em uma lista dos melhores do mundo. Tanto é assim, que a cada ano muitos clubes sul-americanos passaram a excursionar pela Europa, anunciados como grandes atrações.

Justamente em 1960, por iniciativa da União Européia de Futebol (Uefa) e da Confederação Sul-americana de Futebol (Conmebol), à época dirigida pelo brasileiro José Ramos de Freitas, e com aval da Federação Internacional de Futebol Association (Fifa) – naqueles termos áridos resumida apenas a um escritório na Suíça -, é que se realizou a primeira competição oficial, que se tornaria permanente, com o claro intuito de definir um clube campeã do mundo.

Essa intenção está na carta que José Ramos de Freitas enviou a Pierre Delaunay, secretária geral da Uefa, em 18 de outubro de 1959, carta esta reproduzida no Dossiê pela Unificação dos Títulos Brasileiros. Dizia Ramos de Freitas: “Según nas conversaciones que tuvimos em Estocolmo, es difícil, sino impossible, la realización de um partido entre lãs selecciones de Europa y América del Sur em vista de las grandes distancias entre nuestros territórios. Pero um partido anual, com revancha, a ser disputado entre las associaciones de uno y outro continente es evidentemente practicable, surgiendo de esos partidos, el Campeón Mundial.”

Dessas tratativas de José Ramos de Freitas é que se concretizou a ideia da Copa dos Campeões da América, mais tarde rebatizada de Copa Libertadores da América, para que de 1960 em diante o mundo pudesse ter o seu campeão mundial de clubes, a partir de um duelo em melhor de três jogos, entre os campeões dos dois continentes.

Havia, portanto, o objetivo oficial de se promover esse confronto entre o campeão da Uefa e o campeão da atual Libertadores a fim de se obter o clube campeão do mundo. A Fifa deu o seu apoio, o fato se tornou conhecido e consagrado entre a imprensa e o público, a ponto de proporcionar os maiores públicos que já assistiram a uma decisão de mundial de clubes. Quem viveu aquela época, ou estudou o mínimo sobre a história do futebol, sabe o quanto aquela disputa era importante e consagrada no universo do futebol.

Hoje, percebo que, como zumbis mal-humorados, os mesmos conceitos ultrapassados que tentavam apagar os títulos brasileiros da Taça Brasil e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa saíram novamente de suas tumbas: o anacronismo de se analisar o passado com os olhos do presente; a preocupação com a nomenclatura e não com a finalidade da competição; o apego a filigranas jurídicas, como se, de uma hora para outra, muita gente tivesse se transformado em auditores do Superior Tribunal de Justiça Desportiva.

Chamam de Intercontinental uma competição talvez mais relevante do que esta que temos hoje, pois trazia à América do Sul o campeão da Europa e levava ao velho continente o melhor sul-americano para um duelo épico e jamais igualado. Faltaram os representantes de outros continentes? Sim. Mas fizeram falta? Absolutamente não, pois o melhor futebol do planeta se restringia a europeus e sul-americanos.

Seria como hoje querer se tirar o mérito do campeão da NBA porque times de outros países não disputam a competição que dá ao vencedor o status de melhor equipe de basquete da Terra. Por outro lado, se é preciso que todos os continentes sejam representados em uma competição para que seu vencedor seja considerado “mundial”, então temos de rever, em primeiro lugar, as primeiras Copas do Mundo, que não tinham seleções de todos os continentes.

E ao trazermos esse mesmo conceito para o Brasil, teremos de chamar boa parte das edições do Campeonato Paulista de torneios intermunicipais, pois só tinham equipes de São Paulo e Santos, apesar de o Estado de São Paulo comportar centenas de cidades. O mesmo ocorre com o Campeonato Brasileiro, que hoje é disputado por times de sete Estados, menos de um terço dos 23 que a nação possui.

É óbvio que os campeões de 1960 em diante foram mundiais, pois exprimiam o melhor que havia no mundo do futebol da época. Se vivêssemos ainda naqueles anos dourados, jamais correríamos o risco de ver uma final entre um anfitrião que está em nono lugar no campeonato de Marrocos e o campeão europeu. E é evidente que pelas circunstâncias próprias do futebol, como torcida, arbitragem e motivação, o time africano, que perdeu para o alemão Bayern por 2 a 0, poderá até sair campeão do mundo. Mas alguém acreditará que ele é realmente o melhor do planeta?

Leio que Joseph Blatter, presidente da Fifa, acaba de reconhecer que estes Mundiais da Clubes da Fifa não estão despertando a atenção do universo do futebol. Se ele ainda não percebeu, eu lhe digo que é porque falta credibilidade, emoção, paixão, rivalidade. Isso existiu quando os campeões da América e da Europa se defrontavam, em duelos de estremecer a Terra.

Isso de dar uma vaga para o time anfitrião, que quase sempre não tem prestígio ou relevância internacional, acaba e acabará provocando absurdos, como um campeão mundial do Marrocos, do Japão, de Gana, ou coisa que o valha. Por mais respeito que se deva ter a uma equipe, a verdade é que se o Casablanca fosse campeão do mundo, a competição estaria definitivamente desmoralizada.

Bem, o assunto é longo e tenho outras observações a fazer e mais a acrescentar. Mas vou parando por aqui. Sei que meus companheiros de blog acrescentarão outras visões ao caso em seus preciosos comentários. Estou ansioso por lê-los.

Quer saber o que o Brasil achou dos “Intercontinentais” de 1962 e 1963? Copie esses links e consulte o arquivo do jornal Folha de São Paulo:
http://acervo.folha.com.br/fsp/1962/10/12/2/
http://acervo.folha.com.br/fsp/1963/11/17/

Você acha que para ser campeão mundial é preciso enfrentar o campeão da Oceania?


O futebol que temos é este…

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Perdeu, como podia empatar ou até ganhar. Bola pra frente…

O jogo foi equilibrado, a torcida compareceu desta vez e o Santos não jogou mal. A derrota por 2 a 1 para o Botafogo foi decidida em algumas jogadas. Quando o Santos era melhor, Thiago Ribeiro perdeu um gol feito e chegou atrasado em um cruzamento de Cicinho que seria outro gol. O time carioca, por sua vez, aproveitou a chance que teve para abrir o marcador, aproveitando uma jogada nas costas de Cicinho e um passe na área que caiu entre Durval e Mena.

No segundo tempo, em outra jogada pelos flancos, desta vez pela esquerda, outro cruzamento que passou entre Durval e Dracena e outro gol. Cícero diminuiu, em um belo chute de fora da área. Foi 2 a 1 para o Botafogo, uma equipe um pouco mais experiente e ajustada, mas poderia ser diferente. Faltam alguns ajustes no Santos. Torçamos para que Claudinei tenha visão e iniciativa de fazê-los.

Confira os melhores momentos de Santos 1 x Botafogo 2:
http://youtu.be/DfEe4zW2Pho

Hoje é dia do maior jogo que o futebol brasileiro já produziu

De um lado Pelé; do outro Garrincha; de um lado Zito, Pepe, Coutinho; do outro Didi, Zagalo, Amarildo; de um lado Gylmar, Mauro Ramos de Oliveira, Mengálvio e Lima; do outro Manga, Quarentinha, Rildo, Joel… Eu ia escrever que Santos e Botafogo, os melhores times do mundo em 1962 e 63, estrelavam um confronto do mesmo nível de um Barcelona e Real Madrid hoje, mas, pensando bem, eram mais do que isso. Havia mais magia em campo…

O centro do futebol era aqui e os dois alvinegros representavam o melhor futebol que o mundo tinha visto até aquele momento. Mas o Santos era ainda mais poderoso do que o rival. Nos três confrontos mais importantes que fizeram, o Santos fez 13 gols e sofreu apenas um: 4 a 1 na final do Tereza Herrera, na Espanha, em 1959, quando o mundo estava de olho no duelo dos times que tinham os astros da Copa da Suécia; 5 a 0 na final da Taça Brasil de 1962 (jogado em abril de 1963) e 4 a 0 na semifinal da Libertadores de 1963. Por isso, para a história, o Santos ficou como o grande vencedor desse desafio.

Hoje, às 18h30, na Vila Belmiro, voltam a se enfrentar em um jogo importante, no qual a vitória interessa a ambos. O carioca quer continuar perseguindo o líder Cruzeiro, o Santos anseia chegar mais perto do G4 – o que três pontos hoje e três pontos sobre o Náutico, em jogo atrasado, tornarão plenamente possível. O ingresso está barato e o santista precisa comparecer para empurrar o time.

Arouca e Montillo voltam

Arouca e Montillo, recuperados de lesões musculares, devem voltar ao time, dando ao técnico Claudinei Oliveira o privilégio de escalar o melhor que este Santos pode oferecer. O Botafogo vem com seus destaques, o veterano Seedorf e o garoto Hyuri. O ex-santista Renato também está escalado e acho que seria muito legal a torcida bater palmas para ele quando adentrar a Vila Belmiro onde jogou tantas vezes e tanto ajudou o Santos, principalmente na conquista do Brasileiro de 2002.

O Santos deve jogar com Aranha, Cicinho, Edu Dracena, Durval e Mena; Alison, Arouca, Cícero e Montillo; Everton Costa (Gabriel) e Thiago Ribeiro. O Botafogo, do técnico Osvaldo de Oliveira, provavelmente entrará em campo com Jefferson, Edilson, Bolívar, Dória e Julio Cesar; Marcelo Mattos e Renato; Hyuri, Seedorf Rafael Marques; Elias.

A arbitragem será de Andre Luiz de Freitas Castro (GO), auxiliado por
Cristhian Passos Sorence (GO) e Nadine Schramm Camara Bastos (SC).

Todas as circunstâncias indicam um bom jogo, disputado e com boa técnica. Os times se equivalem e o resultado natural seria o empate. Mas o fato de jogar em casa e vir de uma derrota obriga os santistas a buscarem mais a vitória. O adversário é forte e matreiro, mas o Santos tem de se impor.

Reveja o maior jogo do mundo, no maior estádio do mundo, na era do ouro do futebol, neste belo trabalho de Wesley Miranda:

E você, o que acha de Santos x Botafogo?

O futebol que temos é este…

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Meninos da Vila talentosos jogando pra frente: este é o sonho eterno dos santistas.

O futebol brasileiro está em crise e parece que as pessoas que vivem em torno dele também. Entre o que ele poderia ser e o que realmente é, há um abismo. Vivemos essa crise em todos os sentidos: técnico, tático, ético, de popularidade e, conseqüentemente, financeiro.

Falta fundamento aos jogadores, coragem e estratégia aos técnicos, moralidade aos organizadores e público nos estádios. Não é à toa que – sinal dos tempos – o outrora orgulhoso São Paulo está vendendo ingressos a dois reais. Daqui a pouco os clubes jogarão com portões abertos e mesmo assim os estádios não se encherão.

Uma seqüência de fatores, entre eles o espírito colonizado de nossa imprensa esportiva, tirou a credibilidade do futebol brasileiro e deixou claro para todos uma situação antes não declarada, ou seja, a subserviência do nosso jeito de jogar e fazer futebol ao decantado modelo europeu. Já fomos o centro, mas hoje somos o subúrbio, o arrabalde, a periferia do futebol.

Diante dessa dura realidade, os torcedores precisam criar fatos para alimentar sua paixão, ou ela também morrerá. Não importa que o Santos, sem dinheiro, esteja sobrevivendo graças a uma mescla de veteranos e garotos dirigidos por um técnico sem experiência. O torcedor quer esse time voando, como se uma equipe de Gylmar a Pepe estivesse em campo.

Não importa que o Corinthians venha de três jogos sem marcar um único gol e nem esteja no G4, apesar de ainda ostentar o título de campeão do mundo; não importa que o Palmeiras, por mais vitórias que consiga, dispute apenas a Série B; não importa que o São Paulo, na zona de rebaixamento, tenha de se humilhar para atrair os torcedores para o seu Morumbi. O torcedor precisa acreditar que é só uma fase passageira e que ainda há motivos para vangloriar-se de que o seu time é o maior.

Porém, nas crises surgem as teorias oportunistas que buscam jogar por terra os valores amealhados ao longo da história e, no lugar deles, inserir outros que alimentem o caos e a descrença. Até mesmo o estilo vistoso e ofensivo que caracterizou nosso futebol tem sido contestado por alguns – e como muitos leitores não têm conhecimento suficiente para raciocinar em cima do que lhe é imposto, a tese ganha adeptos.

Juro que li em algum lugar que esse negócio de DNA ofensivo é bobagem minha. Que o Santos tem de jogar feio e retrancado mesmo, pois o importante é vencer. Ora, é claro que vencer é importante, mas quem disse que jogando feio e retrancado o time terá mais chance de vencer do que se jogar bonito e com uma mentalidade ofensiva?

Perceba que escrevi “mentalidade ofensiva”, pois ela é essencial para um time marcar gols. Isso não quer dizer que tenha de jogar com cinco atacantes, como nos anos 60. Mas tem de entrar em campo com planos definidos e bem treinados de se chegar ao gol adversário, pois isso ainda é a alma do futebol.

O grande Santos dos anos 60, o melhor time que já existiu, sabia da importância da defesa e provou isso ao não tomar gols e ao mesmo tempo golear o Botafogo duas vezes, nos jogos mais importantes que fizeram. Com um ataque que começava em Garrincha e terminava em Zagalo, o alvinegro carioca também era uma máquina de fazer gols. Mas perdeu para o Santos a final da Taça Brasil por 5 a 0 e a semifinal da Copa Libertadores de 1963 por 4 a 0, ambas no Maracanã, porque o Alvinegro Praiano era mais completo: além de um ataque incomparável, tinha uma excelente defesa e, mais do que isso, uma mentalidade ofensiva que prevalecia mesmo quando se defendia.

É pra se defender? Vamos defender com tudo. Mas quando temos a bola, precisamos de estratégias concretas para atacar e marcar gols. O que não pode é um time grande treinar 40 maneiras de destruir os ataques adversários, mas não saber o que fazer com a bola quando a tem. O ataque sempre foi o forte do Santos e sem ele o time se torna um qualquer. Se utilizar um monte de volantes e se defender loucamente fosse a solução dos problemas, os times pequenos seriam grandes e vice-versa.

Quando dominou o mundo o Santos tinha sempre o ataque mais positivo e nem sempre a defesa menos vazada. Em 1964 ele foi campeão paulista com 95 gols marcados e 47 sofridos. O segundo time com mais gols feitos, o Palmeiras, marcou 70. Porém, veja só quantas equipes sofreram menos gols do que o Santos: Portuguesa e Corinthians (34), América de São José do Rio Preto (35), Palmeiras (36), São Bento (38), São Paulo (40), Ferroviária (41), Guarani (44) e Comercial (45). Notou que o América sofreu 12 gols a menos do que o Santos no campeonato inteiro? Eu lhe pergunto: e daí?

O que nos resta

Sem craques notáveis; sem ídolos; sem técnicos mirabolantes capazes de formar times fantásticos, como foram Lula, Bella Guttmann e Telê Santana; o que resta ao torcedor brasileiro é transformar o pouco em muito. Ele sabe que, mesmo no campeonato de pior nível técnico, ainda assim haverá um campeão, haverá classificados para a Libertadores e equipes rebaixadas, e se apega a essas funcionalidades para viver o futebol do que jeito que dá.

Cada time tem sua cultura, seu DNA, que resiste, sobrevive e se sobrepõe ao longo do tempo. Descobri o do Santos estudando a história do clube desde o princípio, e usei esse termo – DNA – no livro Time dos Sonhos, lido e repercutido por outros santistas. Há expressões que são marqueteiras, forjadas, oportunistas, mas esta é o resultado de um longo estudo.

A reverência aos Meninos da Vila também não é uma invenção gratuita. Eles escreveram os capítulos mais brilhantes da história santista, pois estiveram majoritariamente presentes nos times formados em 1912, 1927, 1955, 1964, 1978, 1995, 2002 e 2010. Extirpe essas etapas da vida do Santos e pouco sobrará.

Portanto, se apesar do precário panorama geral do futebol brasileiro, o santista ainda tem no que acreditar, por que não fazê-lo? Se ainda temos uma história baseada no jogo ofensivo e na revelação de grandes jogadores – quase todos atacantes –, por que trocar essa vocação por desempenhos feios e medrosos?

Se o clube não tem dinheiro para grandes contratações, por que não preparar esses Meninos com carinho e dar-lhes reais oportunidades de se tornarem ótimos profissionais? O que não se pode é deixá-los ao Deus-dará. Nessa fase da carreira o que mais precisam é de um acompanhamento pessoal, de alguém que os dirija ao caminho do sucesso. O trabalho com as divisões de base é a melhor opção e a grande esperança para esse futebol brasileiro obrigado a se reinventar.

E pra você, o que deve ser feito para o futebol brasileiro voltar a ser grande?


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