Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

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Times realmente grandes goleiam

Estádio da Luz lotado, Lisboa: Pelé faz o quarto gol contra o Benfica, bicampeão europeu. Goleada de 5 a 2 deu ao Santos o título mundial de 1962.

A goleada não é um capricho nem um exagero. É a melhor demonstração de grandeza que um time pode dar. É ela que acaba com qualquer contestação, esta praga tão corrosiva e tão presente no futebol. Vitórias por um gol de diferença valem tanto quanto a goleada, mas, muitas vezes, não convencem. Um pênalti mal marcado aqui, um gol anulado ali e o triunfo, que talvez tenha decidido um título, será eternamente contestado. Costumo dizer que times grandes são campeões, mas times realmente grandes são campeões com goleadas.

Veja, caro leitor e leitora, o Brasil nas Copas de 1958 e 1970, aquelas em que jogou o futebol mais bonito e efetivo: venceu as finais com goleadas indiscutíveis de 5 a 2 na Suécia e 4 a 1 na Itália, respectivamente. Ninguém pode duvidar da superioridade brasileira nesses Mundiais. Agora, se formos falar de 1994, a história muda. Um título ganho nos pênaltis é comemorado, claro, mas não deixa a impressão de predomínio incontestável.

Golear em uma decisão de título é o sonho de todo time, de todo torcedor. E nenhum torcedor do mundo comemorou tantos troféus importantes com uma goleada, como o santista.

Goleadas que valeram títulos ao Santos

Único time a ser campeão mundial goleando no campo do adversário – 5 a 2 sobre o Benfica, no Estádio da Luz, título de 1962.

Campeão da Libertadores de 1962 com uma vitória por 3 a 0 sobre o Peñarol, do Uruguai – então campeão da Libertadores e Mundial – em Buenos Aires.

Campeão brasileiro de 1961 (Taça Brasil) ao golear o Bahia, no Pacaembu, por 5 a 1.

Bicampeão brasileiro de 1962 (Taça Brasil) ao golear o Botafogo de Garrincha, Nilton Santos, Zagalo e Amarildo, no Maracanã, por 5 a 0.

Campeão do Rio-São Paulo de 1959 ao vencer o Vasco, no Pacaembu, por 3 a 0.

Campeão Paulista de 1961 ao golear a Ferroviária, na Vila Belmiro, por 6 a 1.

Campeão Paulista de 1962 ao golear o São Paulo, no Pacaembu, por 5 a 2.

Campeão do Torneio de Paris de 1960 a0 golear o Racing de Paris por 4 a 1.  

Bicampeão do Torneio de Paris em 1961 ao golear o Benfica, campeão europeu, por 6 a 3.

Campeão do Torneio Tereza Herrera, da Espanha, ao golear o Botafogo por 4 a 1.

Em decisões em melhor-de-três, o Santos goleou seu adversário em pelo menos um jogo da final dos títulos brasileiros de 1963 (6 a 0 e 2 a 0 no Bahia), 1964 (4 a 1 e 0 a 0 com o Flamengo) e 1965 (5 a 1 e 1 a 0 com o Vasco).

Goleada, uma forma de expressão

Não fossem suas numerosas e quase inacreditáveis goleadas e certamente o Santos não teria sido escolhido por especialistas da América do Sul e da Europa – na enquete da revista El Gráfico, em 1979 – como o melhor time de todos os tempos (provavelmente trucidar o campeão argentino, Racing, por 8 a 3, em Buenos Aires, no início de 1962, influiu muito neste alto conceito santista entre os portenhos).

De uma cidade que não é a capital de um Estado que tem outras grandes equipes, e em um País que já teve os melhores times e jogadores do mundo, o Santos só se destacaria, só conseguiria se aproximar da unanimidade, se alcançasse vitórias arrasadoras, indiscutíveis. Difícil dizer se isso foi intencional, mas a verdade é que a filosofia que vinha da presidência do ousado  deputado federal Athiè Jorge Cury, passava pelo destemido técnico Luis Alonso Peres, o Lula, e chegava ao líder do time, Zito, um entusiasta do  jogo ofensivo, têm muito a ver com a trajetória esmagadora do Santos. 

Porque não bastava ao Santos ter no elenco atacantes fenomenais se eles não fossem estimulados a buscar o gol o tempo todo, ao contrário do que se vê atualmente, em que alguns técnicos cerceiam a vocação ofensiva do jogador brasileiro e o aprisiona em esquemas que só servem para manter o emprego do próprio técnico. 

Mesmo antes da geração de Pelé esta vocação já se manifestava. Basta lembrar o ataque dos 100 gols, de 1927, que conseguiu esta marca em apenas 16 jogos, atingindo a média inacreditável de 6,25 gols por jogo no Campeonato Paulista. Em cinco anos, de 1927 a 1931, o Santos foi um dos melhores times de São Paulo e do país, mesmo sem ser campeao estadual, o título mais importante que se podia conquistar àquela época. 

Menos olé e mais (muito mais) gols

A prática preguiçosa e perigosa do “olé” já propiciou a adversários batidos se encherem de brios e reverterem resultados. Isso, quando não causa agressões e sururus, dentro e fora do campo. Bem mais inteligente é buscar gols e mais gols, que diminuam a possibilidade de reação do inimigo e o mantenha sempre acuado, temendo entrar para a história pela lado negativo.

O Santos de hoje joga para golear e isso é positivo em todos os sentidos. Primeiro, porque realmente tem um time que pode se dar ao luxo de obter vantagens folgadas na maioria dos jogos, devido à sua superioridade técnica, tática e física. Depois, porque esta forma de jogar combina com o DNA do santista, está no seu sangue e na sua alma. Quando o Santos está goleando, sente-se uma corrente que envolve o campo, a torcida, os santistas do mundo todo. É algo mágico, que só o santista sabe explicar.

Por tudo isso, tenho a convicção de que a partida de logo mais será mais uma goleada. Que me desculpe o simpático Monte Azul, da cidade do meu querido amigo José Carlos Peres. Mas hoje, acho que um recorde pode ser batido.

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Ah, doces dois dígitos!

Ganhar de dez é algo que transcende. Não vale título, mas é como se valesse. Se um time soubesse quantos torcedores mirins ele conquista com uma goleada dessas, estaria lutando sempre para consegui-la. Imagino crianças do Brasil inteiro seduzidas neste momento – e talvez para todo o sempre – pelas jogadas de ontem, quando o Santos transformou o valente jacaré do Naviraiense em dez belas e lustrosas bolsas de viagem. Voltaram com a sacola cheia, os orgulhosos representantes do Mato Grosso do Sul, Estado que já teve time (Operário) na semifinal do Campeonato Brasileiro.

Não, não é o caso de se achar só as fragilidades do adversário. O caso é enxergar as muitas virtudes ofensivas deste Santos. No ano passado, contra o CSA, que estava em último lugar no Campeonato Alagoano, portanto um time tão ou mais fraco do que o campeão sul-mato-grossense, o Santos só empatou e foi eliminado da Copa do Brasil em plena Vila Belmiro.

Mas foi bem diferente. Os jogadores que vestiam a sagrada camisa alvinegra há um ano não tinham alegria de jogar futebol, nem o talento, nem a vontade e nem a hombridade desses meninos. Formavam um bando de acomodados, de enganadores. Agora a situação é outra.

Este Santos justifica a sua história, o seu DNA. Não é à toa que o time é o que mais gols fez na história do futebol. O historiador santista Guilherme Guarche, respon´svael pelo centro de memória do clube, me informa agora que com os gols de ontem o Santos tem 11.493 gols. Portanto, só faltam sete para atingir a marca dos 11.500 (quantos jogos serão precisos para isso? Um, dois, três?) .

A última grande goleada no Paulista, sem Pelé

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Todo mundo se recorda dos 11 a 0 sobre o Botafogo de Ribeirão Preto, em um sábado à tarde, na Vila Belmiro, pelo Campeonato Paulista de 1964 (21/11/1964), quando Pelé marcou oito gols e o time já virou o primeiro tempo ganhando por 7 a 0. Mas esta não foi a maior goleada do Paulistão.

A maior é o resultado de 12 a 1, que já aconteceu três vezes: em 1927, quando o Santos bateu o Ypiranga, da Capital; em 1945, quando o São Paulo massacrou o Jabaquara, e em 1959, quando o Santos humilhou a Ponte Preta, na Vila Belmiro.

Naquela noite de 19 de novembro aconteceram coisas incríveis. Pelé não jogou e o comandante do ataque do Santos foi um garoto de 16 anos: Coutinho, vindo de Piracicaba.

Pois Coutinho marcou cinco gols; Pepe, quatro, Agnaldo, que substituiu Pelé, dois, e Mingão (contra), mais um. O único da Ponte foi de Célio, quando seu time já perdia por 6 a 0.

O Santos, treinado Poe Lula, jogou com Manga, Dalmo, Pavão e Mourão; Formiga e Zito; Dorval, Jair, Coutinho, Agnaldo e Pepe. A Ponte, com Valter, Mingão, Derem e Brade; Wilse e Pitico; Nivaldfo, Paulinho, Cello, Jansen e Dinho.

O primeiro tempo terminou 4 a 0. A bem da verdade diga-se que a Ponte jogou o segundo tempo com, praticamente, um jogador a menos, pois o zagueiro Derém, machucado, foi fazer número na ponta-esquerda.

Maiores goleadas do Santos no Brasil

12 a 1 no Ypiranga em 03/05/1927

12 a 1 na Ponte Preta, em 19/11/1959

11 a 0 no Botafogo/SP, em 21/11/1964

11 a 2 no Barra Funda, em 05/06/1927

11 a 3 no Audax, em 03/07/1927

10 a 0 na Portuguesa de Desportos, em 10/09/1928

10 a 0 no Nacional/SP, em 11/09/1958

10 a 1 no Guarani, em 21/08/1927

10 a 1 no Juventus/SP, em 06/09/1961

10 a 2 no República/SP, em 13/05/1927

10 a 2 no Comercial, em 14/07/1942

(todos os jogos foram realizados na Vila Belmiro)

Todas as goleadas do Santos por 10 gols – informação oficial do Depto de Memória e Estatística do Santos, coordenado pelo pesquisador Guilherme Guarche.

23/12/1917 SANTOS 10 X 3 S C Internacional de São Paulo Brasil Vila Belmiro
28/07/1918 SANTOS 10 X 0 Americana de Santos Brasil Vila Belmiro
09/03/1919 SANTOS 10 X 0 S. P. R. Santos Brasil Vila Belmiro
09/04/1919 SANTOS 10 X 0 SPR de Santos Brasil Vila Belmiro
13/05/1927 SANTOS 10 X 2 República F.C. Brasil Vila Belmiro
21/08/1927 SANTOS 10 X 1 Guarani de Campinas Brasil Vila Belmiro
16/09/1928 SANTOS 10 X 0 Portuguesa de Desportos Brasil Vila Belmiro
14/04/1935 SANTOS 10 X 1 Hespanha F.C. Brasil Vila Belmiro
20/05/1941 SANTOS 10 X 3 Coritiba Brasil Vila Belmiro
07/06/1942 SANTOS 10 X 2 Comercial da Capital Brasil Vila Belmiro
29/12/1957 SANTOS 10 X 3 Nitro-Química Brasil São Miguel Paulista
11/09/1958 SANTOS 10 X 0 Nacional da Capital Brasil Vila Belmiro
31/05/1960 SANTOS 10 X 1 Royal Beerscchot Bélgica Bélgica
10/01/1961 SANTOS 10 X 2 Guarani de Campinas Brasil Vila Belmiro
06/09/1961 SANTOS 10 X 1 Juventus Brasil Vila Belmiro
14/06/1970 SANTOS 10 X 0 Benfica de Hudson EUA Hudson
10/03/2010 SANTOS 10 X 0 Naviraiense Brasil Vila Belmiro
Maiores goleadas contra times estrangeiros
Santos 10 x 1 Royal Beercchot (Bélgica)

Data: 31/051960

Local: Antuérpia

Santos 9 x 0 Cienciano (Peru)

Data: 29/06/1955

Local: Cuzco

Santos 9 x 1 München (Alemanha)

Data: 25/05/1960

Local: Munique

Santos 9 x 1 Cerro Porteño (Paraguai)

Data: 28/02/1962

Local: Vila Belmiro

Santos 8 x 2 Basel (Suíça)

Data: 01/06/1961

Local: Basiléia

Santos 8 x 3 Racing (Argentina)

Data: 03/02/1962

Local: Buenos Aires

Santos 8 x 3 Deportivo (Peru)

Data: 30/01/1963

Local: Lima


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