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A coragem de Aranha, jogos caça-níqueis da CBF e um Santos Exportação

Aranha mostrou coragem e personalidade impressionantes contra os racistas, do Grêmio e do Brasil, no jogo de quinta-feira, em Porto Alegre. Se sofresse um gol, ainda mais em uma falha sua, seria ironizado pelos racistas e lembrado por isso. Mas foi tranquilo e firme tanto no jogo, como nas entrevistas. Seu episódio foi importante para desmascarar não só os torcedores do Grêmio, mas também muitos jornalistas que não acreditam e não professam a igualdade racial. Sim, Aranha provou que o Brasil, infelizmente, é um país racista.

Amistosos caça-níqueis da CBF
Se os dirigentes do Santos – e dos outros clubes que cedem jogadores à Seleção – tivessem a mesma coragem do goleiro santista, já teriam impedido a CBF de desfalcar suas equipes com tantos amistosos caça-níqueis que não servem para nada. Se servissem, o Brasil não teria dado o vexame supremo na última Copa. O Santos investir o que não tem e não poder contar com Robinho por tantos jogos é uma piada. Não protestar contra isso, não articular com os outros clubes para que essa palhaçada termine, é uma piada maior ainda. Quem deve controlar o futebol brasileiro, é uma liga de clubes, como ocorre no tênis, organizado pela Associação dos Tenistas Profissionais (ATP). A CBF é uma aberração dispendiosa, amadora, desonesta e inútil.

Santos tipo exportação
Mesmo o jovem Christian, um dos cantantes do assado (churrasco) na varanda de Juan, colega de trabalho de minha filha, em Santiago, sabe que o Santos fez história no Chile ao vencer torneios contra grandes equipes por aqui. Um dessas partidas – a vitória sobre a Seleção da Tchecoslováquia, por 6 a 4, em 16 de janeiro de 1965 – ainda é considerada um dos maiores espetáculos de futebol que os chilenos já presenciaram. Voltariam a ver o Santos jogar, se ele pudesse voltar todos os anos, com seu futebol atrevido e ofensivo.

Por outro lado, sabemos que no Brasil o sistema implantado privilegia duas equipes popularescas e exclui o Santos. Amanhã mesmo, quem quiser ver a partida contra o Figueirense, a partir das 18h30, na Vila Belmiro, terá de apelar para o pay per view ou procurar um site pela Internet. E já que o Santos não é valorizado como deveria em seu país, o correto não seria manter uma equipe mediana para jogar os torneios nacionais e montar outra, com jogadores de maior destaque, para excursionar pelo mundo?

Os cuidados contra o Figueira de Argel
Nem é preciso dizer que amanhã o torcedor Santista deveria lotar a Vila Belmiro para empurrar o time contra o Figueirense, que cresceu muito depois da entrada do técnico Argel, ex-zagueiro do Alvinegro Praiano. Mesmo favorito, o Santos deve ter cuidado, pois o time catarinense, que vem de três empates, costuma jogar melhor fora de casa. Após uma vitória e um empate, o Santos pode completar sete pontos ganhos em três jogos, o que seria motivador para aproximá-lo da turma de cima na tabela. Ofensivo, claro, mas com cuidados, este deve ser o time de Robinho amanhã. Prestigie!

E você, o que acha disso tudo e do jogo de logo mais?


Aldo Rebelo concorda com Meritocracia e mudança na Lei Pelé

aldo rebelo
Ministro do Esporte Aldo Rebelo diz que Ministério pode influir na divisão de cotas da tevê e na Lei Pelé, mas antes precisa que os clubes interessados o procurem.

Estive ontem na Fnac Pinheiros a fim de prestigiar o segundo lançamento do sensacional livro “Palmeiras, 100 anos de Academia”, da Editora Magma, e tive o prazer de conversar com o o Ministro do Esporte Aldo Rebelo. Perguntei a ele se o Ministério não pode influir na ultra desigual distribuição de cotas de tevê e também na alteração da Lei Pelé. Ele respondeu que sim, o Ministério pode fazer algo a respeito, mas a iniciativa tem de partir dos clubes.

Ou seja, o Ministério do Esporte não pode tomar a iniciativa de pressionar a tevê para uma distribuição de cotas que leve em conta o mérito esportivo (a colocação do time no campeonato nacional) como o corre na Alemanha e na Inglaterra, e também não pode agir para alterar a Lei Pelé, que prejudica os clubes formadores, se os próprios clubes interessados não se mexerem antes. Por isso é que o Santos precisa se coçar, e rápido.

Não só o Santos, aliás. Creio que o Palmeiras também deve ser um bom aliado nessa causa. Há muito tempo Palmeiras e Santos mantêm laços fraternos e hoje ambos estão marginalizados pelo status quo populista do futebol brasileiro. Se não se unirem e arregimentarem outros clubes para a causa da Meritocracia na divisão de cotas de tevê e na mudança da Lei Pelé, morrerão abraçadinhos.

Vejo Fluminense, Botafogo, Cruzeiro, Atlético, Grêmio, Bahia, Sport, Coritiba e Internacional, entre outros, como clubes que têm os mesmos interesses nessas questões primordiais para a manutenção da competitividade e do crescimento do futebol brasileiro. A Espanholização tem de ser freada a todo custo. Uma diretoria de clube, hoje, precisa ter esta ação política e diplomática.

Um livro, uma obra de arte

livro palmeiras

Como sabem, entre meus amores estão os livros e a história do futebol. Por isso, tiro meu chapéu a todos os autores e responsáveis por esta obra de arte que é o livro “Palmeiras, 100 anos de Academia”, escrito por Fábio Chiorino, Gino Bardelli, Leandro Beguoci, Marcelo Mendez e Mauro Beting, com projeto gráfico de Gustavo Piqueira e edição de Marco Piovan. Uma obra assim coloca a literatura futebolística brasileira no mais alto pedestal.

Caso Aranha fez alguns saírem do armário

aranha

A coragem do goleiro Aranha fez aflorar sentimentos, nem todos nobres. Pelos comentários que se vê e se ouve, dá para se perceber as tendências de cada um. Infelizmente, mesmo pessoas aparentemente bem educadas não conseguem disfarçar seu racismo latente. É claro que o Grêmio deveria ser punido e é claro que essa menina pediu mais desculpas ao Grêmio do que ao Aranha. No fundo, não acho que ela mudou uma gota do mar de preconceito que a afoga. Não dá para mudar a cabeça e o caráter das pessoas, mas dá para punir o racismo, que é um vírus muito perigoso.

E você, acha que o Santos é um clube atuante na política do futebol?


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