Blog do Odir Cunha

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Tag: governo brasileiro

Torcidas organizadas, 12 mil gols e a preguiçosa ignorância da mídia

Dorval merece um belo presente de aniversário. Conto com você!

Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe, quase uma rima poética
Dorval, o primeiro homem do ataque dos sonhos.

Dia 26 de fevereiro o grande Dorval fará 79 anos. Quem se sente grato a ele pelas alegrias que proporcionou e ainda nos proporciona a cada vez que revemos as façanhas daquele Santos, que deposite o que puder na sua conta bancária:

Dorval Rodrigues
Banco: Bradesco
Agência: 0093-0
Conta: 0091840-7
CPF: 130371068-40

Estou combinando com o amigo Wesley Miranda de criarmos o Dia do Dorval em 26 de fevereiro e comemorarmos seu aniversário em São Paulo, com convite livre a todos que quiserem prestigiar a festa. Vamos ver se tudo corre bem e ele se recupera de um problema de saúde que o tem atormentado. Seria um encontro inesquecível.

Torcidas organizadas, 12 mil gols e a preguiçosa ignorância da mídia

Não aconteceu com o Santos, mas poderia acontecer. O medo de ser agredido por integrantes dessas gangues assusta a todos no futebol. Milhares, milhões de pessoas não vão aos estádios no Brasil com receio de terem a mesma sorte do garotinho boliviano. Como acabar com isso?

Ora, é só aplicar as leis. Talvez seja preciso erguer mais presídios só para esses que usam o futebol como pretexto para a violência. Que assim seja. Um presídio para esses torcedores brigarem até a morte, se quiserem. Mas será que lá brigariam? Que eu saiba ninguém brigou em Oruro. Ao contrário. Foram de uma cordialidade comovente.

Até a presidência da República intercedeu pela soltura dos coitadinhos. E agora, pelo que li, o governo e a organização da Copa querem as torcidas organizadas como aliadas. Que maravilha! Os black blocs brigando com as organizadas em torno dos estádios do Mundial. Não sobrará pedra sobre pedra!

Sabe quando tudo começou? Quando Lula, para chegar ao poder, se aliou a todos que ele chamava de corruptos. Quércia, Sarney, ACM, todo mundo virou amigo na hora da eleição. E depois veio a política das vistas grossas, como se houvesse um pisca-alerta nos céus de Brasília dando sinal verde para a corrupção: “Roube e deixe roubar”.

A tolerância com a sacanagem se espalhou pelo Brasil. As pessoas do bem ficaram acuadas. Hoje é perigoso falar certas coisas. Todo mundo sabe o que está errado, mas as pessoas disfarçam, fingem que sempre foi assim. Mas não foi! A criminalidade avança a olhos vistos. Quem está por trás disso? Quem está por trás da invasão do CT do alvinegro paulistano?

É preciso falar mais alguma coisa da relação promíscua entre as direções dos clubes de futebol e as torcidas organizadas? Tudo já foi dito. Basta colocar as leis em prática. É claro que é difícil aplicar punições no país da impunidade, mas deve haver quem consiga isso. Advogados, policiais e juízes não faltam. Falta vontade, coragem, determinação.

Se as torcidas existirem só para torcer, sujeitas às mesmas leis que nós, pobres trabalhadores brasileiros, tudo bem. Mas terem privilégios para promover arruaças e massacres, mil vezes não! E a lei tem de ser igual para todas, quaisquer que sejam seus times. Falei.

Recebi esta carta de apoio ao co-irmão da capital:
Nota de Apoio (1)

12 mil gols, sim. É só saber contar

Nem sei quantas vezes esse garotinho repetiu “Gol do Santos!”. Quem não se lembra dele? Depois que escrevi o livro “Pedrinho escolheu um time” vi esse Pedrinho quando ele visitou a Vila e lhe dei um exemplar. Um santista convicto assim tem de ser tratado como um príncipe.

Agradeço ao Sportv e ao comentarista André Lofredo por me darem mais uma oportunidade de ensinar alguma coisa à equipe do meu colega Paulo César Vasconcelos. Lofredo duvidou, um dia desses, que o Santos tenha chegado a 12 mil gols e creditou a façanha à alquimia dos historiadores do clube.

Como humilde integrante dessa equipe composta por Guilherme Guarche, Guilherme Nascimento, Wesley Miranda, Marcelo Fernandes, Leo Devezas e muitos outros aos quais peço desculpas por não lembrar os nomes agora, devo dizer a Lofredo e a qualquer outro jornalista ou não que duvide dessa informação, que antes de demonstrar publicamente sua ignorância, leia o Almanaque do Santos, trabalho de longos anos do professor Guilherme Nascimento, que traz a ficha técnica de todos os jogos do Santos até o seu Centenário.

Já escrevi algumas vezes sobre isso e revelei informações que a qualquer jornalista interessado seriam importantes. Pelos recordes, pelas marcas expressivas alcançadas durante sua história, é evidente que a sinergia entre o Santos e o gol é algo atávico, ancestral, que sempre acompanhou o time.

Veja você, amigo leitor, amiga leitora, veja também você, jornalista camuflado que vem aqui beber da fonte, que o Santos já mostrava essa vocação para o gol desde os tempos do amadorismo, desde quando era apenas um coadjuvante na competição mais importante que disputava, ou seja, o Campeonato Paulista.

Note que em 1924, quando tinha um ataque formado por garotos vindos da várzea de Santos, reforçado por Araken Patusca, filho de Sizino, primeiro presidente do Santos, o Alvinegro Praiano marcou 45 gols no Campeonato Paulista, apenas um a menos do que o campeão do ano, o Corinthians. Seu ataque era então formado por Omar, Camarão, Siriri, Araken e Hugo.

Saiba que o Alvinegro da Capital ainda seria tricampeão paulista em 1928/29/30, enquanto o Santos só conquistaria o seu primeiro título em 1935. Pois bem, meu caro e minha cara, note que de 1924, quando iniciou verdadeiramente sua vocação ofensiva, até 1935, o Santos foi campeão estadual apenas uma vez, enquanto seu rival da metrópole ergueu o caneco quatro vezes.

Pois bem. Agora cheguei onde eu queria. Preste atenção: em 12 anos, de 1924 a 1935, um time ganhou quatro títulos e foi badalado pela mídia, enquanto o outro foi apenas uma vez campeão e poucos notaram os seus feitos. Mas eu, como pesquisador do Santos, tenho obrigação de mergulhar na história e descobrir que mesmo conquistando apenas um título estadual nesse período, o Santos marcou 541 gols nos Campeonatos Paulistas de 1924 a 1935, enquanto o Corinthians marcou 486, o que dá uma diferença de nada menos de 55 gols a favor do Alvinegro das Praias.

Perceba, então, agora, definitivamente, que a vocação para o gol é algo que o Santos já ostentava mesmo nos seus períodos mais obscuros. Se mesmo sem ser campeão, ele já marcava mais gols do que os times que se revezavam na hegemonia do futebol de São Paulo, imagine o que aconteceu depois que ele, Santos, passou a dominar esse futebol, entre meados dos anos 50 e início dos 70.

Tenho algumas anotações sobre esse dom artilheiro do Santos. Leia:

Se o gol é o momento de maior alegria no futebol, o santista é o torcedor mais feliz. Seu time já chegou a 12.001 gols marcados e não se conhece nenhuma outra equipe no planeta que tenha chegado aos 11 mil.

14 anos seguidos

De 1957 a 1970, por 14 anos seguidos, o Santos teve o ataque mais positivo do Campeonato Paulista. Nesse período marcou 1.208 gols, média de 86,2 por edição.

Primeiro a marcar 100 gols

O primeiro time a alcançar a marca de 100 gols em uma competição na América do Sul foi o Santos, que no Campeonato Paulista de 1927 chegou, exatamente, aos três dígitos. O ataque responsável por essa façanha era formado por Omar, Camarão, Siriri, Araken e Hugo (ou Evangelista).

Maiores artilharias no Paulista

O Alvinegro Praiano detém as três maiores artilharias na história do Campeonato Paulista: 155 gols em 1959 (pesquisa de Leo Devezas, corrigindo a Federação Paulista de Futebol, que marcava 151 gols); 143 em 1958 e 113 em 1961. O Santos chegou ainda aos 100 gols em outras três oportunidades: 1927 (100), 1960 (100) e 1962 (102).

Artilheiros

O Santos teve o artilheiro do Campeonato Paulista em 24 edições. Só Pelé foi 11 vezes, nove delas consecutivas (de 1957 a 1965). O recorde de gols também é de Pelé, com 58 gols em 1958. Antes dele, o recordista era outro atacante do Santos: Feitiço, que em 1931 marcou 39 gols.

Recorde de gols em uma partida

Em São Paulo, o recorde de gols de um jogador em uma única partida pertence a Pelé, que marcou oito vezes na goleada de 11 a 0 sobre o Botafogo de Ribeirão Preto, em 21 de novembro de 1964, na Vila Belmiro. A marca anterior era de outro jogador do Santos: Araken Patusca, que em 3 de maio de 1927, na mesma Vila Belmiro, marcou sete vezes na goleada sobre o Ypiranga por 12 a 1.

Competições Nacionais

O Santos detém a artilharia ou a melhor média de gols em todas as competições nacionais realizadas no Brasil, mesmo quando o título brasileiro era dado ao vencedor do Torneio Roberto Gomes Pedrosa e da Taça Brasil.

É o que marcou mais vezes em uma edição do chamado Campeonato Brasileiro (103 gols, em 2004); do Torneio Roberto Gomes Pedrosa/Taça de Prata (44 gols, em 1968), da Copa do Brasil (39 gols, em 2010) e tem as três melhores médias da Taça Brasil (3,75 gols por jogo em 1963; 3,60 em 1961 e 3,33 em 1964).

Libertadores da América

A melhor média de gols de um time na Copa Libertadores da América também é do Santos (3,22, em 1962). O time já teve o artilheiro da competição por quatro vezes: 1962 (Coutinho, seis gols); 1965 (Pelé, sete); 2003 (Ricardo Oliveira, oito) e 2012 (Neymar, oito).

Mundial Interclubes

Com média de quatro gols, o Santos é o recordista de uma decisão do Mundial Interclubes. Em 1962 venceu o Benfica por 3 a 2 e 5 a 2. Pelé marcou cinco vezes nesses dois jogos.

Signo do ataque

Fundado em 14 de abril de 1912, o Santos é de Áries, o signo da guerra, do destemor. Coincidentemente, ou não, 80% de seus grandes jogadores são atacantes, a maioria revelados no próprio clube. Dois de seus fundadores – Adolpho Millon Jr. e Arnaldo Silveira –, pontas direta e esquerda, respectivamente, dois anos depois, em 1914, já eram titulares da Seleção Brasileira que ganhou a Copa Roca, primeiro título do futebol brasileiro.

Bem, acho que isso ajudará a entender porque o Santos é o time recordista de gols no planeta. Que alguém do Sportv imprima e entregue para o André Lodredo, por favor.

E você, o que acha de torcidas organizadas e da vocação do Santos para o gol?


O meu lado, o seu lado, o nosso lado

amigos - 4 criancas

Nestes dias, além de discutir as questões primordiais do clube, os santistas – e demais leitores deste blog – estão divididos pelas manifestações de rua que sacodem o País. A maioria está a favor do povo que protesta, mas há os que vêem nisso o interesse de desestabilizar o governo. Ocorre que, infelizmente, a sociedade ainda se divide em tribos e as regras, a ética, as noções de competência e honestidade não são as mesmas para o nosso grupo e para o grupo dos outros.

Todos têm uma tendência de serem mais tolerantes com as pessoas de sua turma, do seu lado. A corrupção, por exemplo, não deveria ser defendida por ninguém. Se alguém corrompeu ou foi corrompido, deve pagar por isso, mesmo que seja alguém do nosso grupo. Mas não é assim que funciona na prática. Arrumam-se mil desculpas para as falhas dos companheiros, ao mesmo tempo em que se é implacável com o mínimo desvio dos outros.

Uma sociedade realmente civilizada deveria ter valores claros e segui-los acima de qualquer partidarismo. O meu grupo, por exemplo, é o das pessoas éticas e honestas. E, se for um grupo profissional, também das pessoas competentes. Se você, meu caro, demonstrou que não tem ou não compactua com essas qualidades, então, sinto muito, não será da minha turma. No dia em que um País inteiro pensar assim, não fecharemos mais os olhos para alguns crimes e deixaremos de ser os primeiros a apontar o dedo para os culpados de outros. Crime será crime, independentemente de quem o pratica.

Reconheço que há forças poderosas que agem contra o senso de justiça absoluto. Quem fez parte da chapa, foi empregado no Santos com um bom salário, pouca exigência profissional e condições incomparáveis de trabalho, certamente defenderá com unhas e dentes a administração que está aí. Pois a derrota nas urnas poderá representar demissão e a volta às condições antigas de sobrevivência.

O mesmo ocorre com seguidores do partido político que hoje controla o Brasil. O poder dá e espalha dinheiro e melhores condições de vida entre os que o desfrutam. Por isso poucos aceitam passivamente a hora de perdê-lo. Se for preciso, jogam a sujeira comprometedora dos amigos para baixo do tapete, enquanto fazem questão de expor a dos inimigos. É a regra suja que todos eles seguem.

Por isso não tenho partido, nem no Santos, nem na política brasileira. Gosto e desgosto de alguma coisa de cada um. Acho, por exemplo, que numa emergência social, distribuir uma bolsa que permita a milhões de brasileiros sair da miséria absoluta, é plenamente válido. Mas manter essa esmola indefinidamente, sem ajudar essas pessoas – por meio da educação e do emprego –, a galgar outros degraus na sociedade, é o mesmo que comprá-las.

Gostei da energia e do otimismo com que Luis Álvaro assumiu o Santos, mas fui me desgostando com suas promessas não cumpridas, suas frases vazias, suas decisões ditatoriais e o seu desmesurado apego ao cargo, mesmo quando ficou claro que não tinha mais condições de exercê-lo plenamente. Se sofre de uma doença grave, vá se cuidar e deixe o clube seguir sua vida. O Santos não precisa de mártires. Precisa de administradores capazes, algo que Luis Álvaro ainda não conseguiu ser.

Enfim, vivemos uma era em que as relações entre grupos diferentes podem ser definidas por uma frase saída da sabedoria popular: “Para os amigos, tudo; para os inimigos, a lei”. É claro que não pode haver justiça enquanto se pensar assim, e sem justiça não há democracia.

Ainda não sei o que é viver em um país desenvolvido, em meio a um povo desenvolvido. Mas sinto que nós, santistas e brasileiros, estamos a caminho, apesar dos percalços. E teremos chegado lá quando considerarmos o nosso lado mais importante do que o meu ou o seu.

Veja agora o filme produzido pelo Rachid que mostra momento em que o povo na avenida Paulista impediu que partidos políticos assumissem a paternidade das manifestações:

E você, é tolerante com o lado dos outros?


O povo brasileiro e o torcedor do Santos desconfiam igual

Essas manifestações de rua contra o governo brasileiro trazem, em sua essência, a mesma desconfiança que o torcedor do Santos tem sentido com relação à direção do clube. Por que fechar as portas em uma reunião do conselho para discutir a venda de Neymar? Por que os números anunciados pelo Santos não batem com os divulgados pelo Barcelona? Enfim, estas são apenas as últimas perguntas sem respostas.

Há outras que seguem, eternas. Por exemplo: por que continuar pagando os salários de jogadores como João Pedro e Guilherme Santos, se eles só treinam e jamais entram no time? Que tipo de contrato eles têm com o Santos? Quem os indicou e os contratou? Se as finanças do Santos vão mal, por que tanto dinheiro continua sendo desperdiçado?

Ao contrário do que alardeava o presidente, os artistas foram vendidos, gastou-se muito mais do que se arrecadou, Muricy Ramalho não mereceu o sorriso de orelha a orelha e o marketing do clube não consegue ser o melhor nem mesmo do bairro da Vila Belmiro.

Esse modelo de gestão, com um conselho gestor que não é eleito pelo sócio e depois passa a mandar no clube com a anuência do presidente, revelou-se um fracasso e uma temeridade. As decisões tornaram-se letárgicas e os negócios com jogadores e técnicos, indecifráveis. A transparência, que era um dos problemas da gestão de Marcelo Teixeira, ficou ainda menor.

Já tem gente dizendo que o melhor para o Santos é a volta de Teixeira, como se existissem apenas duas opções políticas para o Glorioso Alvinegro Praiano. Não concordo. Acho que o clube não pode repetir os erros do passado, e muito menos os do presente. Novas lideranças precisam surgir.

Mas é necessário que essas novas lideranças jamais coloquem a vaidade pessoal acima do clube e, obviamente, não usem o poder para angariar benefícios próprios e aos amigos, como estamos vendo. O Santos precisa deixar de ser uma confraria de deslumbrados para ser uma empresa administrada por pessoas sérias, extremamente honestas, escolhidas pela competência e não pela amizade.

E você, acha que dá para confiar nessa direção do Santos?


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