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Que ao menos a arbitragem seja neutra no Maracanã


Preciosidade histórica do pesquisador Wesley Miranda sobre a goleada de 7 a 1 que o Santos impôs ao Flamengo no Maracanã em 11 de março de 1961

O Flamengo quer lotar o Maracanã para o jogo deste domingo, às 16 horas, com tevê aberta, diante do Glorioso Alvinegro Praiano. A atração é o peruano Guerrero. Se o público alcançar 60 mil pessoas será quebrado o recorde deste Brasileiro, repetindo outras grandes audiências do confronto. O que não pode é a arbitragem vestir a camisa rubro-negra.

Digo isso porque o santista, com razão, põe as barbas de molho quando o time precisa enfrentar o Flamengo no Rio. Ele sabe que, na dúvida, o árbitro acompanhará o grito da torcida. Foi assim na final do Campeonato Brasileiro de 1983, dia 25 de maio daquele ano, quando Arnaldo César Coelho marcou obstrução numa jogada em que o zagueiro Marinho jogou Pita para fora do estádio. Daquele dia, aliás, vem o recorde de público do Brasileiro, de 155.523 pagantes.

Esse jogo sempre atrai muita gente. No Brasileiro de 2007, 87.716 pessoas (81.844 pagantes) viram a derrota do Santos por 1 a 0. Em 2013, no estádio Mané Garrincha, 63.502 pagantes testemunharam o empate sem gols, na despedida de Neymar. Mesmo no ano passado, o público não foi ruim: 37.204 pagantes assistiram à vitória santista por 1 a 0, gol de Robinho.

Para quem não sabe, eu lembro que o Santos já comemorou três títulos em jogos contra o Flamengo, no Maracanã: em 27 de março de 1963 tornou-se campeão do Torneio Rio-São Paulo ao bater o rubro-negro por 3 a 0, gols de Coutinho, Dorval e Pelé, diante de 45.988 pagantes; em 19 de dezembro de 1964 sagrou-se tetracampeão brasileiro depois de um empate sem gols assistido por 52.508 pessoas, e em 6 de fevereiro de 1997, com gols de Anderson Lima e Juari, conquistou seu quinto título do Rio-São Paulo ao empatar em 2 a 2 com o Flamengo de Sávio e Romário, para um público de 70.729 pessoas.

Porém, outros confrontos entre Santos e Flamengo atraíram públicos enormes, mesmo sem valer título. Um deles, jogado em 11 de março de 1961, pelo Torneio Rio-São Paulo, tem uma história que merece ser lembrada.

Vivia-se a era de ouro do futebol brasileiro e o Santos de Pelé fazia de cada partida uma exibição inesquecível. Na rodada anterior o time havia vencido o Fluminense por 3 a 1, no mesmo Maracanã, e Pelé tinha marcado o seu Gol de Placa. Aquele Flamengo contava com alguns de seus maiores ídolos, como Carlinhos, Dida, Joel, Gérson, Babá, e uma multidão de 90.218 pessoas foram ao maior estádio do mundo naquele sábado para ver o esperado duelo contra o Santos mágico de Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe.

Mal a partida começou, entretanto, e o árbitro paulista, Olten Ayres de Abreu, percebeu que um dos bandeirinhas estava de cochichos com o banco carioca. O homem estava se revelando o maior marcador do ataque santista, pois já tinha assinalado faltas e impedimentos inexistentes de Pelé e seus companheiros. Olten resolveu conversar com o homem:

“Fui lá e o admoestei. Ele me ofendeu, disse que era militar e que se eu o importunasse ele me pegava lá fora. Ele não sabia com quem estava lidando. Eu o expulsei de campo e disse que se fosse homem poderia me esperar lá fora”, contou-me Olten anos depois.

Sem um dos bandeirinhas, Olten teve de se virar, mas, atleta que era, conseguiu acompanhar as jogadas de perto e levar a partida até o fim sem problemas. Sem nenhuma interferência da arbitragem, o jogo seguiu seu curso normal e o Santos goleou por 7 a 1. Isso mesmo, 7 a 1!
O zagueiro Bolero, que dançou sem querer, depois contou sua amarga experiência de marcar o ataque santista:

“Eu ainda não tinha botado o pé na bola e o Santos já estava vencendo por 2 a 0. Teve um gol em que eu caí sentado com o drible que o Pelé me deu. Quando eu virei, a bola já estava na rede. O time do Santos não parava de atacar. No final, não sabia mais quem era Pelé, quem era Coutinho, na velocidade eles se pareciam. Tinha também o Dorval, que ajudava a confundir ainda mais. Só sei que eles não paravam de fazer gol”.

Guerrero, Ricardo Oliveira, ou Anderson Daronco?

A imprensa carioca está querendo transformar o Guerrero em um ídolo que ele não é. Faz gol de vez em quando – menos do que Ricardo Oliveira, o santista que lidera a artilharia do Campeonato –, mas está longe de ser um craque. De qualquer forma, o nome do jogo talvez nem seja nenhum dos dois. Pelo retrospecto dessa partida, eu não me surpreenderia se a maior atração fosse Anderson Daronco, o desconhecido árbitro escalado para comandar o espetáculo.

Árbitro Fifa da Federação Gapucha, Daronco será auxiliado por Emerson Augusto de Carvalho (SP – FIFA) e Rodrigo F Henrique Correa (RJ – FIFA). Como seguidores do futebol e bons brasileiros, todos nós sabemos que em um breve apito sua senhoria e seus auxiliares podem fazer muito mais pelo Flamengo do que o Guerrero nos 90 minutos com acréscimos.

Há um interesse tão grande de que o Flamengo vença e cause alguma comoção no campeonato, que eu não me surpreenderia se o Santos fosse operado mais uma vez. Coincidentemente (?) o presidente Modesto Roma acaba de ser suspenso por 30 dias devido às suas declarações contra a arbitragem de Santos 1 x Grêmio 3, quando Geuvânio foi expulso supostamente por entrar em campo sem a autorização do árbitro.

De qualquer forma, como já preconizou o macaco velho Vanderlei Luxemburgo, há um limite até para a roubalheira. O time que quer vencer contra tudo e contra todos tem de estar disposto a marcar dois gols para valer um. Foi assim com o Santos no Brasileiro de 2004.

O técnico Dorival Junior escalou o Santos com Vanderlei, Victor Ferraz, Werley, Gustavo Henrique e Zeca; Paulo Ricardo, Renato e Lucas Lima; Gabriel, Ricardo Oliveira e Geuvânio.

Há leitores do blog que sugeriram o recuo de Paulo Ricardo para a zaga, no lugar de Werley, entrando Thiago Maia no meio de campo. Acho factível. Não sei se seria a hora de experimentar essa mudança em um jogo de tanta responsabilidade, em que a falta de experiência pode pesar, mas é uma fórmula a ser testada.

O zagueiro Gustavo Henrique não foi bem na Seleção do Pan e agora volta ao ambiente que lhe é familiar. Vamos ver como se sai. No mais, acho que insistir na fórmula de três atacantes é uma ousadia que seria aplaudida em outras épocas, mas parece temerária nos tempos atuais, em que os adversários enchem o meio de campo com volantes.

O maior perigo de jogar com três atacantes e de ainda ter um meia ofensivo, como Lucas Lima, e mais dois laterais que avançam, é que se o adversário rouba uma bola em sua defesa, provavelmente armará um contra-ataque bastante perigoso.

Mas o Flamengo também jogará com três atacantes. Éverton substituirá Marcelo Cirino, formando o trio ofensivo com Guerrero e Emerson Sheik. Na defesa do time carioca devem voltar o goleiro Paulo Victor, os zagueiros Wallace e Samir, recuperados de lesão, e nosso conhecido Pará deve voltar à lateral direita, no lugar de Ayrton. Por falar em conhecido, no meio-campo Alan Patrick e Márcio Araújo disputam uma vaga para formarem ao lado de Cáceres e Canteros.

O ambiente psicológico será, em princípio, todo favorável ao Flamengo, mas isso poderá ser mudado se o Santos jogar com inteligência, determinação e coragem. A pressão pela vitória pode fazer o time carioca se expor demais, permitindo boas oportunidades aos atacantes santistas. De qualquer forma, espera-se que seja um grande jogo e que o senhor Anderson Daronco e seus auxiliares não interfiram no resultado.

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E você, o que espera de Santos e Flamengo, neste domingo?


Qual deve ser o salário do jogador de futebol no Brasil?

Duas notícias, antagônicas, nos fazem pensar sobre a séria questão dos salários dos jogadores de futebol brasileiros. A primeira, de alguns dias, assinada por Samir Carvalho, do UOL, diz que Robinho usa o interesse do Flamengo para conseguir um salário de um milhão de reais por mês e um contrato até 2020 no Santos. A segunda, de Vladimir Bianchini, do ESPN.com.br, informa que no Goiás, líder momentâneo deste Brasileiro, o salário máximo é de 50 mil reais e a diretoria decidiu não negociar mais com empresários, só diretamente com os jogadores.

Leia a matéria de Samir Carvalho, do UOL

Leia a matéria de Vladimir Bianchini, da ESPN.com.br

Se já é muito difícil determinar o salário ideal para qualquer atividade, a coisa se complica ainda mais quando se trata de um jogador de futebol, pois aí entramos no mercado do entretenimento, do show business, em que o atleta não vale apenas por suas qualidades físicas e técnicas, mas pelo que representa, pelo que atrai de público e patrocinadores.

Lembro-me de um amigo que ironizava o fato de se pagar uma fortuna ao pugilista Mike Tyson para ele “trabalhar” apenas alguns segundos, já que nocauteava seus adversários pouco depois do início dos combates. Porém, eram segundos vistos, ao vivo, pelo mundo inteiro, fora toda a fase de preparação e as matérias posteriores à luta.

Por isso, eu diria que Robinho, como um dos poucos astros do futebol brasileiro, ou o único em atividade no Brasil, merece mesmo ganhar mais do que todos os outros. Mas quanto ele deve ganhar depende de mais fatores que precisam ser levados em conta, tais como: Quanto ele aumentou o faturamento do Santos, tanto em patrocínio, como em arrecadação nos jogos, ou em verba de pay per view? Esse valor tem compensado, com sobras, o investimento que o Santos fez nele?

Sim, ele foi essencial na conquista do título paulista, que deu ao Santos o prêmio de três milhões de reais, porém, é bom que se diga, não jogou sozinho. Lucas Limas, Ricardo Oliveira e Geuvânio também foram importantes ao longo da campanha.

Outro detalhe importante para se analisar o salário potencial de qualquer profissional, e aí tanto faz em que área ele atue, é a situação do mercado. E nesse quesito, é evidente que o futebol brasileiro, não só pelas baixas arrecadações, mas pelas péssimas administrações, que fazem a dinheirama sumir pelo ralo da incompetência e da corrupção, não pode pagar tal fortuna a nenhum jogador, pois esse investimento só milagrosamente se pagaria.

No último final de semana, enquanto Robinho era derrotado, com o Santos, na humilde Chapecó, tarde em que brilhou o rápido e quase folclórico Apodi, Guerrero perdeu gol feito no jogo sonolento do Maracanã, evento de nível tão pobre que fez o comentarista Casagrande lamentar que não tivesse ido ao teatro, ao cinema, ou a algum programa mais interessante. Para completar, no seu estádio, o Palmeiras, com o decantado ídolo Valdívia em campo, perdia para esse mesmo Goiás do teto salarial de 50 mil e do veto aos empresários.

Se levarmos essas considerações para o segmento dos técnicos de futebol, notaremos que aqueles que outro dia estavam no pedestal, com salários de 700, 600, 500 mil reais, hoje amarguram a rua da amargura, ou quase. Muricy foi descansar quando ninguém mais agüentava o muricybol; Felipão ganhou bilhete azul do Grêmio, o mesmo ocorrendo com Luxemburgo no Flamengo. Daqui a pouco Oswaldo de Oliveira seguirá o mesmo caminho. Isso está ocorrendo porque esses técnicos são ruins? Não, mas estão bem aquém da imagem que se construiu deles. No fundo, são farinha do mesmo saco.

Reduzir drasticamente o teto salarial de jogadores e, principalmente, de técnicos, é a única saída para o empobrecido e desorganizado futebol brasileiro. Com folhas salariais ajustadas à nossa realidade, os clubes atingirão o equilíbrio financeiro, terão de se valer mais de seus jogadores de base, o que contribuirá para revelar e arejar o nosso futebol, e os ingressos nos estádios poderão ter preços mais acessíveis, atraindo novamente os torcedores, que hoje estão procurando outras formas de lazer, que envolvam também a família, sejam mais baratas e mais seguras.

O futebol profissional brasileiro vive uma situação paradoxal: ele nunca foi tão mal jogado e, ao mesmo tempo, jogadores e técnicos nunca receberam salários tão elevados. É evidente que a conta jamais poderá fechar. Alguns clubes, como o Goiás e o Atlético Paranaense, perceberam isso e estão mostrando esse caminho para os dirigentes de boa vontade.

A questão dos empresários é outro absurdo que só sobrevive às custas de dirigentes e técnicos preguiçosos ou corruptos, ou as duas coisas. É óbvio que se os clubes profissionais se unirem em uma Liga, uma das primeiras providências será banir os empresários do futebol e estabelecer um teto salarial ao menos para os técnicos. O futebol não suporta mais essa farra do boi, ou da bola. É possível, sim, negociar direto com o jogador, mas tem muito dirigente que prefere acertar as coisas com o empresário, porque sabe que assim tem sempre algum por fora.

Bem, nem vou usar aquele surrado argumento de que para se ganhar 50 pilas por mês o brasileiro comum precisa ter graduação, pós-graduação, MBA, doutorado, falar duas ou três línguas, ser ultra-competente, espírito de liderança, bom senso, carisma, comprometimento e mais um montão de qualidades. E ainda ficar ligado na empresa dia e noite, em uma missão exaustiva e estressante, bem diferente de trabalhar brincando, dançando, tirando um sarro dos companheiros, com todas as despesas pelo empregador e ainda seguido adulado pelos fãs e pela mídia.

Isto tudo posto, minha conclusão é a de que, se não tem como pagar e não se tem um parceiro que possa pagar, o Santos não pode, em hipótese alguma renovar com Robinho por um milhão de reais por mês, ainda mais em um contrato até 2020. Se ele ainda tem mercado na China, na Índia, nos Estados Unidos ou na Gávea, que vá para onde quiser.

Um time não se faz só com um atacante e hoje Robinho, mesmo ainda jogando bem, decide muito pouco. Já não tem o mesmo fôlego, a mesma vitalidade, a mesma força e habilidade e continua com deficiência no chute. Eu diria finalmente que, levando tudo em consideração – o futebol dele, a situação do Santos e do futebol brasileiro – 200 mil seria um salário fenomenal para o nosso querido Robinho.

E você, o que acha dos salários dos jogadores brasileiros?


Chegou o jogo mais gostoso de jogar. E ganhar

Hoje é dia de lembrar o jogo mais emocionante e importante deste que é o clássico alvinegro de maior rivalidade no mundo: a decisão do título brasileiro de 2002, em que o Santos, com um time recheado de garotos, venceu o rival por 3 a 2, de virada, em pleno Morumbi, conquistando seu sétimo título brasileiro. Na primeira partida, no mesmo estádio, os Meninos da Vila já tinham vencido por 2 a 0. Naquele ano Santos e Corinthians jogaram cinco vezes e o Santos venceu todas. Enfim, uma partida e um ano para motivar os santistas para o jogão de hoje. Só para lembrar: Robinho, Renato e Elano estavam na decisão de 2002 e estarão em campo na partida de hoje, às 16 horas, no Itaquerão. Veja de novo:

Robinho
A elasticidade de Robinho, riqueza do Santos (Ricardo Saibun/ Santos FC)

Ao menos no campo o Santos pode equilibrar o jogo. Sim, pois fora dele, não dá. O privilegiado adversário recebe estádio construído com dinheiro público, patrocínio de 30 milhões por ano de empresa estatal, verba bem maior da tevê, arrecada muitíssimo mais de bilheteria, tem muito mais espaço na mídia e, com isso, atrai mais torcedores. A distância é enorme e está aumentando. Mas quando a bola rola, e são apenas onze contra onze, o Santos sempre é um adversário temido. Tanto é assim que Tite anunciou que escalará os seus melhores jogadores neste domingo, às 16 horas, no Itaquerão, para o grande clássico deste Campeonato Paulista.

Assim como escrevi que Santos e Palmeiras, na Vila, bateria os recordes de audiência deste Paulista, digo agora que Corinthians e Santos conseguirão, no mínimo, a maior audiência dos jogos de domingo realizados este ano no País. A rivalidade centenária, que começou com a goleada do Santos por 6 a 3 sobre o alvinegro paulistano, em 22 de junho de 1913, no Parque Antártica, em uma tarde de garoa fina e constante, prosseguiu com dezenas de capítulos emocionantes, que se repetem a cada vez que os dois times se defrontam.

Houve época, em que valia apenas o futebol, e o rico dos dois era o Santos. Hoje, mesmo sendo um dos times mais vencedores dos últimos dez anos, o Alvinegro Praiano negocia com a TIM um patrocínio de R$ 2 milhões por ano restrito aos números e perto do colarinho, enquanto o privilegiado adversário tem garantidos R$ 30 milhões por ano da Caixa, além de todas as outras benesses.

Se nada for feito, a falta de competitividade um dia matará o futebol brasileiro, o que seria uma burrice, pois mantê-la não exige prática nem perfeição, apenas ética e visão empresarial – qualidades que norte-americanos, alemães e ingleses têm de cobra, e por isso dominam os eventos esportivos.

Isso posto, vamos ao jogo, um dos que concentram a maior rivalidade do futebol brasileiro. Os adversários tentam desconversar, mas suas atitudes não escondem a atenção com a partida. O Corinthians, que simultaneamente disputa a importante Copa Libertadores, já está cinco pontos à frente do Santos na classificação geral do Paulista e faltam apenas dois jogos para terminar a fase. Mesmo assim, não quer dar moleza e entrará em campo com a chamada “força máxima”.

Se não levasse e conta a grande rivalidade, Tite pouparia alguns titulares. Porém, ao contrário, escalará todos eles. Sabe que uma derrota para o Santos, em pleno Itaquerão, abalaria a imagem de time quase perfeito que boa parte da imprensa quer construir. Ele próprio, já chamado de o Pep Guardiola dos trópicos, passaria a ser contestado.

A única dúvida de Tite é na zaga. Se Felipe, com problemas clínicos, não puder jogar, o ex-capitão santista Edu Dracena atuará contra seus velhos companheiros. Caso seja escalado, isso poderá ser uma vantagem para os atacantes do Santos, que conhecem muito bem as qualidades, mas também os defeitos de Dracena.

Para os santistas, não há dúvida de que este é o jogo mais importante. Nem sempre pela qualidade técnica, mas pela dimensão que a mídia dá a ele. Como a imprensa reserva um espaço desproporcional ao adversário, vencê-lo multiplica a exposição dos jogadores do Santos. Tenho cá comigo uma teoria de que Pelé não seria tão badalado de não mantivesse, durante tantos anos, o tabu de não perder para o alvinegro paulistano.

Da mesma forma, Geilson, Guga, Serginho Chulapa, Nenê e tantos outros não seriam tão lembrados se não tivessem sido decisivos em importantes vitórias sobre o rival. É gostoso ganhar do Corinthians, assim como é bastante doloroso perder. Bem, estas são as contingências do esporte e quem não está preparado para elas, melhor fazer tricô ou algo menos excitante.

Marcelo Fernandes treinou três times e não definiu nenhum

João Paulo, Juary e Nen+¬
Vendo o treino, João Paulo, Juary e Nenê (Ricardo Saibun/ Santos FC)

No último treino, fechado, Marcelo Fernandes treinou três formações diferentes, mas não definiu nenhuma para o clássico. Bem, não gosto de chutar, mas acho que o técnico não quererá colocar muitos jovens em um confronto de tanta responsabilidade. Assim, acho que Werley continuará na zaga, Cicinho e Valencia voltarão ao time após as suspensões, Vladimir será mantido no gol…

Porém, dizemos isso sem acompanhar os treinos do Santos. E se, por exemplo, Elano e Lucas Crispim estão treinando como leões. Potencial para jogar bem, ambos têm. Como Elano costuma se dar bem contra o Corinthians, será que o técnico está tentado a escalá-lo desde o início? Acho improvável, mas não deixa de ser uma hipótese.

Como Fernandes adiantou que a formação ofensiva será mantida, o que eu entendo escalar três jogadores de ataque, então Robinho e Ricardo Oliveira são nomes certos. A dúvida ficaria entre Geuvânio e Thiago Ribeiro, que tem entrado bem. Mas aí volto a fazer a mesma pergunta: e se Gabriel estiver arrebentando nos treinos? Rápido, eficiente nos contra-ataques, será que o menino poderá entrar no lugar que seria de Geuvânio? Novamente acho improvável, pois Geuvânio, ao perder a bola, é mais eficiente na marcação.

Confiante, Robinho diz que se o Corinthians um dia perderá, por que não neste domingo? Realmente, no campo é possível. Jogador por jogador, as forças se equivalem. E a motivação dos santistas deverá ser enorme. Vencer o Corinthians é a melhor maneira de transformar um princípio de crise em um momento maravilhoso.

Em homenagem a Nenê, hoje trabalhando no Santos, um jogo em que ele enfiou dois gols no rival deste domingo:

E por falar em homenagem, aqui vai mais uma, desta vez a Serginho, hoje braço direito do técnico Marcelo Fernandes. Na voz de Osmar Santos:

Santos faz visita de Páscoa à Casa Vó Benedita:

Esta é para os santistas, principalmente os de pouca fé:

E você, está animado para o grande jogo deste domingo?


O craque Robinho perdeu para o populismo

Contra um queridinho da mídia, todo cuidado é pouco

Sabe aquelas expulsões nebulosas, aqueles pênaltis mandrakes, aquelas agressões que o juiz não vê, aqueles gols absurdamente anulados, ou validados? Pois é. Essas coisas geralmente acontecem a favor dos dois queridinhos da mídia, da CBF e do governo. Por isso, todo cuidado é pouco neste sábado, a partir das 16h20m, no Maracanã, quando o Santos enfrentará o Flamengo do professô Luxemburgo.

Time por time, dá para ser um jogo equilibrado e até terminar com uma vitória santista, mas a gente sabe que nessas partidas contra os dois privilegiados, nem só o futebol resolve. O trio de arbitragem será baiano. O sr. Marielson Alves Silva será auxiliado por Alessandro Rocha de Matos (Fifa-BA) e Luiz Carlos Silva Teixeira. Que façam um trabalho correto e honesto.

O técnico Enderson Moreira deve repetir o time que no meio da semana bateu o Botafogo por 3 a 2, no mesmo Maracanã, pela Copa do Brasil. O Glorioso Alvinegro Praiano provavelmente entrará em campo com Vladimir, Cicinho, Edu Dracena, David Braz e Mena; Alison, Arouca e Lucas Lima; Robinho, Geuvânio e Leandro Damião.

O rubro-negro carioca, um pouco atrás do Santos na classificação do Brasileiro, terá Paulo Victor, Leonardo Moura, Wallace, Samir e João Paulo; Victor Cáceres, Márcio Araújo, Héctor Canteros e Everton; Gabriel e Alecsandro.

Minha coluna no jornal Metro:
Por que a Espn e o Sportv torceram para o Botafogo contra o Santos?

Na quinta-feira à noite, no emblemático Maracanã, Robinho marcou dois gols de extrema categoria contra o Botafogo, tabelando na entrada da área e tocando, com tranquilidade, na saída do goleiro da Seleção Brasileira. Com isso, chegou a 101 gols só pelo o Santos, próximo de 200 na carreira.

Graças ao talento e ao sangue-frio de Robinho o Santos venceu um respeitável adversário fora de casa, dando um passo importante para chegar à semifinal da Copa do Brasil. Entretanto, quem lesse os jornais de ontem, ou acompanhasse certos programas de tevê, ou rádio, acharia que o grande personagem do futebol brasileiro na quinta-feira foi o atacante Guerrero, o peruano que atua no Alvinegro de Itaquera.

Qualquer criança sabe que fazer dois gols é melhor do que fazer um; que Robinho é o melhor atacante em atividade no Brasil – com dois títulos brasileiros, uma Copa do Brasil, um Paulista, participação em duas Copas do Mundo e ainda chamado, e não dispensado, pela Seleção Brasileira. Vai fazer 31 anos no dia 25 de janeiro, mas ainda é 24 dias mais jovem do que Guerrero, que fará aniversário no primeiro dia de 2015.

Robinho é craque, pela habilidade, visão de jogo, e personalidade. Aos 18 anos pedalou, colocou a bola embaixo do braço e decidiu um título brasileiro contra o alvinegro da capital. Guerrero é um jogador limitado que às vezes faz gols, quase sempre de cabeça, tem bem menos títulos, fez menos gols na carreira (30 a menos do que Robinho) e é um atacante tão descartável da humilde Seleção do Peru, que foi dispensado do próximo jogo de sua equipe. É badalado no Brasil simplesmente porque joga no time que parte da imprensa esportiva resolveu badalar, seguindo a perniciosa tendência populista que nosso País amarga no momento.

Imagine se Robinho jogasse no time do sistema. Na sexta-feira ele teria foto de corpo inteiro nas primeiras páginas de todos os cadernos esportivos e os comentaristas não cansariam de dizer que ele deve ser o titular da Seleção de Dunga, pois está ainda melhor do que quando surgiu no Santos, já que agora, além da habilidade, tem mais liderança, visão de jogo e tranquilidade.

Para completar a notícia, ainda haveria o fato de ter sido expulso absurdamente. Se os programas de esporte gastam tanto tempo falando sobre nada, imagine se decidissem analisar com profundidade a expulsão do atacante santista… Pois é. Mas a determinação é falar do time considerado mais popular, com ou sem notícia. E assim, essa mania de topar tudo pelo Ibope está desmoralizando a imprensa esportiva brasileira.

Trabalhei anos em veículos conhecidos da imprensa esportiva (Jornal da Tarde, jornal O Globo, rádios Globo, Record, Boa Vontade), fui diretor cultural da Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo, e fico sinceramente triste com essa preocupação excessiva da imprensa paulista de tentar agradar a maioria, prática que não combina com o bom jornalismo, pois acaba distorcendo os fatos e os méritos do esporte.

O feito de Robinho foi muito mais importante para o futebol brasileiro, do que o do atacante peruano que atua no alvinegro de Itaquera. Só não viu quem não quis, não entende de futebol ou é mal intencionado. Mas é importante que ao menos os santistas saibam disso.

Entrevista de José Carlos Peres no jornal A Tribuna de Santos

E você, o que achou das performances de Robinho e Guerrero na quinta-feira?


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