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Torcedor santista, tem hora que gol é vitória e vitória é título

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Claudinei e os Meninos, em foto clicada pelo goleiro Rafael.

Quem torce para o Santos há pouco tempo deve estar sofrendo mais com a fase atual. Depois de ganhar dois títulos por ano, tudo indica que em 2013 o Glorioso Alvinegro Praiano não só passará em branco, como correrá sério risco de rebaixamento no Campeonato Brasileiro. É nessas horas, porém, que o verdadeiro torcedor mostra a sua cara.

Vivi o melhor tempo que um torcedor de time de futebol poderia viver. Meu time ganhava tudo, de todos, em qualquer lugar. Bicampeão mundial, bi da Libertadores, pentacampeonato brasileiro, oito títulos paulistas em dez anos, incontáveis torneios internacionais, melhor equipe do mundo, base da melhor seleção do mundo e ainda o time do Pelé de 1957 a 1974. Quer mais?

Mas também vivi o outro lado, o do Santos que não ganhava títulos, que só de vez em quando vencia um clássico contra um grande da capital, raramente tinha um jogador convocado para a Seleção Brasileira e, sem ídolos, via sua torcida diminuir a cada ano. Um Santos que poderia mesmo se apequenar não fosse a geração maravilhosa de 2002.

Mas nunca pensei em abdicar do prazer, da emoção e do sonho de ser santista. Quem tinha tido uma infância e uma adolescência tão felizes por causa do futebol, jamais poderia abandonar seu time no momento da dificuldade. Mas para isso tive de reduzir drasticamente minhas expectativas.

Se não havia mais goleadas e mesmo as vitórias eram magras e ralas, passei a comemorar cada gol como se fosse a própria redenção de todos os pecados. Ao menos naquele instante os jovens santistas que tomavam as arquibancadas podiam extravasar sua alegria, sua raiva, seu grito contido.

E se o gol valia como uma vitória, a vitória em um clássico tinha o sabor e a emoção de um título. Com a ajuda do videocassete, eu via e revia esses triunfos memoráveis, como um 3 a 0 sobre o São Paulo de Telê Santana, vitórias nos dois turnos sobre o Palmeiras campeão brasileiro de 1993 e, é claro, as memoráveis exibições de Guga, “o matador de gambás”, em dois triunfos espetaculares sobre o Corinthians.

O tempo ensina ao torcedor que, infelizmente, não há bem que sempre dure, mas, por outro lado, também não há mal que nunca se acabe. Todo time grande do Brasil já foi rebaixado ou esteve perto de sofrer essa humilhação. Teoricamente, isso não deveria acontecer, pois um time vencedor deveria saber repor seus jogadores com competência e sabedoria, de modo a não permitir uma queda tão acentuada.

Porém, decisões erradas, como se desfazer de jovens promissores e ao mesmo tempo renovar contratos caros com jogadores em fim de carreira, podem gerar uma transição dolorosa, como estamos vendo hoje no Santos. Por falta de planejamento, uma das folhas salariais mais caras entre os clubes brasileiros está tendo de ser reduzida radicalmente para evitar a insolvência financeira. Isso, obviamente, está se refletindo no rendimento do time.

Mas não é hora de chorar. Até porque o torcedor é o menos culpado disso tudo. Ele é o único que apenas dá e nada retira do clube. Ele não recebe altos salários, não ganha mimos, não é bajulado, mas é o que mantém o clube de pé com sua presença nos estádios, sua mensalidade de sócio, seu ibope nas emissoras de rádio e tevê, sua participação em sites e blogs e sua defesa e difusão da história e das coisas do Santos.

Ele merece assistir a uma vitória amanhã, na Vila Belmiro, contra o respeitável Atlético Mineiro – um time que emergiu da Série B para voltar a figurar entre os melhores do País. Força e paciência, amigo torcedor. Eu sei que dias melhores virão. Por enquanto, comemore cada gol como uma vitória e cada vitória como um título. Os Meninos precisam desse carinho.

Reveja Guga construindo uma ilha de alegria em meio a um mar de lamentações:

Agora, o Rio-São Paulo de 1997, o primeiro título depois de 1984, calando o Maracanã:

E você, é torcedor também das horas difíceis? Ou só das fáceis?


Veja esta vitória heróica, que pode inspirar o time para amanhã!

Vencer o Colo Colo amanhã, na Vila, é fichinha perto do que o Santos já teve de fazer para se manter entre os grandes. Houve época em que, por falta de um bom time, só a garra podia salvar. Isso aconteceu no Campeonato Paulista de 1994, em que o Alvinegro Praiano chegou a ocupar a última colocação, após perder de 4 a 1 para o Palmeiras, na décima-terceira rodada.

Com um time fraco e sem dinheiro para contratar, o Santos não conseguia ganhar clássicos e ainda perdia a maioria dos jogos que fazia fora de casa contra equipes do Interior.

No dia seguinte após perder do Palmeiras, o técnico Pepe pediu demissão. Assumiu o cargo Serginho Chulapa, herói do último título conquistado pelo clube, dez anos antes, que seria assessorado nas armações táticas por Joãozinho, zagueiro do time campeão paulista de 1978.

Serginho utilizou seu poder de persuasão para motivar os jogadores. Conhecedor das malandragens do futebol, chegou a usar de intimidação física para fazer o time correr mais e ter mais garra.

Mesmo sem poder jogar clássicos na Vila Belmiro, o Santos cresceu com Serginho e teve a segunda melhor campanha do segundo turno, terminando o campeonato na quarta posição, atrás apenas do campeão Palmeiras, do São Paulo e do Corinthians.

O grande momento da campanha do Santos sob o comando de Serginho foi o clássico contra o Corinthians, no Morumbi. Para variar, toda a imprensa dava o time da capital como franco favorito. No primeiro turno os alvinegros tinham se enfrentado no Pacaembu e o paulistano goleara por 4 a 0.

Com Marcelinho Carioca, Viola e Casagrande, o Alvinegro da Capital, que ainda lutava pelo título, saiu vencendo por 2 a 0, mas o Santos tinha Guga no ataque o Edinho, o filho do Rei, defendendo sua meta.

Reveja esta vitória empolgante e inspiradora, que prova a importância da coragem e da determinação para se alcançar triunfos improváveis:

Você acha que pode acontecer o mesmo amanhã, contra o Colo Colo?


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