Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

Tag: Heróis da América

O esporte nos livros

A reunião do Conselho Deliberativo do Santos promete ser das mais intensas nesta quinta-feira. Vejamos… Mas agora gostaria de falar de livros sobre o esporte. Para começar, adianto que a realização de mais uma edição dos Jogos Pan-americanos mexe comigo. Sempre gostei desses Jogos, mesmo antes de ser jornalista esportivo. Coincidentemente, minha primeira viagem internacional foi para cobrir o Pan de 1979, em San Juan de Puerto Rico, trabalho que deu a mim e ao companheiro Castilho de Andrade o Prêmio Esso de Informação Esportiva daquele ano.

Em 2007, quando o Pan foi realizado no Rio de Janeiro, o editor José Henrique Grossi e a Editora Planeta me deram a honra de ser o autor de um belo livro, de cara dura e lindas fotos, com a história completa do Pan, intitulado “Heróis da América”. Juntei os resultados de todos os medalhistas do Pan até àquela altura, mais de 100 mil informações, em um trabalho inédito no Brasil.

A divulgação foi excelente. Um programa inteiro “Bate-papo com Armando Nogueira” foi dedicado ao livro e a mim , assim como dois terços do Programa do Jô. Mas não, não foi um sucesso de vendas. Aliás, descobri que sou um dos poucos que têm tanto carinho pelo Pan. Mas tudo vale a pena quando a alma não é pequena. Como sobraram milhares de exemplares, arrematei quase todos e distribui para estudantes durante algumas palestras que dei em faculdades de Educação Física. Saber que o conhecimento acumulado em um livro será compartilhado por outras pessoas é o meu maior prêmio como escritor.

De vez em quando alguém se lembra de “Heróis da América” e faz algum elogio ao trabalho. Isso vale uma medalha para mim.

Matéria sobre o livro Heróis da América

Mais uma matéria sobre o livro Heróis da América

Sonhos mais que possíveis

Em 2008, antes dos Jogos Olímpicos de Pequim, o editor José Henrique Grossi e Editora Planeta me incumbiram de fazer um livro de bolso a ser comercializado pela Avon. Selecionei 60 histórias de superação de atletas olímpicos e escrevi “Sonhos mais que possíveis”. Durante os Jogos li no blog do judoca Luciano Correa que ele estava lendo o livro da Vila Olímpica.

Infelizmente, naquela Olimpíada Luciano não ganhou medalha. Mas continuou lutando por seu sonhos, e ganhou a medalha de ouro no Pan-americano de 2011, em Guadalajara, e neste terça-feira repetiu a façanha ao ganhar o ouro em Toronto. Não tem preço saber que ao menos um pouquinho de sua motivação vem das histórias que escrevi em “Sonhos mais que possíveis”.

O livro está à venda neste blog por apenas seis reais. Quanto ao Heróis da América, creio que ainda possa ser encontrado apenas em sebos.

O livro do Michel Laurence

O jornalista Michel Laurence foi o melhor texto do jornalismo esportivo da tevê durante muitos anos. Trabalhou, principalmente, nas TVs Globo e Cultura. Com muita sensibilidade, ele retratou as emoções do futebol com maestria. E o melhor é que Michel era santista e valorizou, como ninguém, as proezas do melhor time de todos os tempos. Agora, a Editora Realejo lançará um livro-homenagem a ele. Leia:

CRIADOR DO TROFÉU BOLA DE PRATA, MICHEL LAURENCE GANHA ‘LIVRO HOMENAGEM’ COM CAUSOS DO FUTEBOL
O projeto, iniciado pelo jornalista, foi concluído pela esposa Rose Guirro e será lançado pela Realejo Livros

Um dos mais importantes e influentes jornalistas esportivos das últimas décadas, o franco-brasileiro Michel Laurence, falecido em 2014, será homenageado com um livro de causos sobre Futebol e Jornalismo. O projeto, ensaiado pelo próprio Laurence nos últimos anos de vida, está sendo realizado pela Realejo Livros, com textos reunidos pela esposa, Rose Guirro, com supervisão do editor José Luiz Tahan.

Com o título ‘Michel Laurence – Causos da Bola’, o livro reúne histórias narradas pelo próprio Laurence (que construiu uma trajetória de 51 anos no jornalismo esportivo) e tem prefácio dos narradores Galvão Bueno e Cléber Machado, da TV Globo, onde trabalhou por vários anos e construiu uma relação de amizade com ambos.

A pré-venda já teve início através do portal de ‘crowdfunding’ (financiamento coletivo) Kickante, com recompensas a partir de R$ 15,00. Entre elas, por R$ 50,00, o comprador pode ter seu nome impresso no livro, entre os agradecimentos, e garantir vaga no evento de lançamento, que acontecerá no restaurante Lenhareto, em São Paulo, o preferido do jornalista. O endereço da campanha éwww.kickante.com.br/michel.

Quem foi Michel Laurence

Ao longo de 51 anos dedicados ao jornalismo esportivo, Laurence cobriu oito Copas do Mundo, integrou a primeira equipe da revista Placar e foi um dos criadores do troféu Bola de Prata, dado anualmente pela revista aos melhores jogadores do Campeonato nacional desde 1970.

Ganhou um Prêmio Esso com uma série de reportagens chamada ‘O jogador é um escravo’ (Jornal da Tarde) e, com sua série de reportagens “A falência dos cartolas”, inspirou a criação do modelo atual do Campeonato Brasileiro.

“No Jornal da Tarde, conheceu Pelé, pois pediu para cobrir o Santos, que virou seu time de coração. Escreveu reportagens antológicas com Pelé, como uma exclusiva onde o jogador contou a ele que iria parar de jogar”, conta Rose Guirro.

Na TV Globo, participou do nascimento do “Globo Esporte” e da transformação do “Esporte Espetacular” (que era composto por vídeos norte-americanos) em um programa feito no Brasil. Na TV Cultura, foi um dos responsáveis pelo lançamento dos programas “Cartão Verde” e “Grandes Momentos do Esporte”.

Em 2008, lançou o blog “Jogo Mais que Perfeito”, no IG, onde contava seus causos – muitos dos quais estão no livro.

Agora, eu lhe pergunto: Quanto vale preservar a história do Santos?

Como você já deve saber, relançarei o livro “Time dos Sonhos”, com a história completa do Santos até o título brasileiro de 2002. Nas livrarias ele custará mais de 100 reais, mas quem entrar na campanha agora, garantirá o livro por um preço promocional de 70 reais, com direito a ter o nome impresso no último capítulo do livro. Repito:

Garanta o livro Time dos Sonhos por um preço de pré-venda e ainda tenha o seu nome publicado na história do Santos. Vamos com tudo para o segundo turno da campanha. Conto com você!

Quer a Bíblia do santista pelo preço de pré-venda e ainda ter seu nome impresso no livro? Clique aqui para saber como.

Neste vídeo abaixo, dirigido pelo talentoso santista João Lucca Piovan, eu conto a história curiosa de como o livro ganhou o título de Time dos Sonhos. Assista:

O Barqueiro de Paraty, primeiro lançamento da Editora Verbo Livre

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Gostaria de compartilhar com os amigos e amigas do Blog do Odir Cunha a criação da Editora Verbo Livre, a mesma que está relançando o livro Time dos Sonhos, por meio da campanha de crowdfunding da Kickante, e também já disponibilizou, pela Amazon, o ebook de O Barqueiro de Paraty, um romance que fala de amor e amizade e pode, sim, mudar a forma de como você vê a vida.

O livro conta a história de um executivo paulistano que vê sua vida familiar e profissional fracassar e aceita o convite de um amigo do colégio para passar uns dias em Paraty e “reaprender a viver”. Muitos se identificarão com Pedro, Mauro, Clara, e sua busca pela essência da vida.

Tomo a liberdade de sugerir aos amigos a leitura de O Barqueiro de Paraty, pois, entre outros motivos, a maioria dos que o lêem, gostam muito. O livro trata de um drama muito comum e sugere valores fundamentais para se alcançar uma vida equilibrada e feliz.

Clique aqui para ver, na Amazon, o ebook de O Barqueiro de Paraty

Segundo as pesquisas do Skoob, 70% do público que comenta sobre O Barqueiro é feminino e 82% das avaliações atribuem à obra de três a cinco estrelas. Lançado em papel em 2008, pela Editora Mundo Editorial, o livro está sendo relançado agora, em forma de ebook, pela Amazon. Logo mais sua versão em Inglês também estará disponível.

Assista e divulgue o book movie do livro O Barqueiro de Paraty

Comentários e análises de O Barqueiro de Paraty no site Skoob

Comentários de leitores de O Barqueiro de Paraty no site da Livraria Cultura

Entrevista de Odir Cunha sobre o livro O Barqueiro de Paraty ao jornalista Heródoto Barbeiro

Missão
A Verbo Livre está aberta para lançar autores nacionais e estrangeiros com obras preferencialmente instigantes. O site da editora, em preparação, receberá currículos de autores e sinopses de suas obras para avaliações preliminares. Nossa missão é revelar escritores(as) e oferecer livros de qualidade a preços acessíveis, contribuindo para a difusão do conhecimento e da reflexão.

E então, você é amigo dos livros sobre o esporte?


Rivalidade X Intolerância

Em um de seus últimos programas no Sportv, Armando Nogueira me entrevistou sobre o livro “Heróis da América”, que escrevi e a Editora Planeta lançou pouco antes dos Jogos Pan-americanos do Rio de Janeiro, em 2007. Era para o Paulo César Vasconcelos participar do bate-papo, mas ele não pôde e ficamos, Armando e eu, conversando por uma hora sobre o Pan e as perspectivas dos atletas brasileiros. O grande cronista estava um tanto deprimido, percebi, e logo soube as razões.

Eu já sabia que ele andava meio adoentado, e que a coisa era grave. Três anos depois ele morreria, vítima de câncer no cérebro, diagnosticado naquele mesmo ano de 2007, pouco antes do nosso encontro. Mas no dia do nosso bate-papo ele continuava espirituoso, aos 80 anos. No intervalo das gravações conversamos sobre o Santos de Pelé e o Botafogo de Garrincha, nossos times do coração, protagonistas de duelos inesquecíveis, nos quais preponderava a arte e o respeito.

Levei uns livros para ele autografar. Para quem trabalhou na equipe de esportes do Jornal da Tarde, Armando Nogueira era indubitavelmente o melhor texto do jornalismo esportivo brasileiro. Sensível, artístico, amante do futebol e de seus personagens, um cronista de verdade. Em determinado momento, porém, revelou-me algo que o magoava:

“Hoje os leitores reagem muito agressivamente. Você não pode escrever nada que eles xingam. Está ficando chato escrever sobre futebol…”.

Entendi perfeitamente o que ele queria dizer. Antes as respostas dos leitores vinham através de cartas, de quem, presumivelmente, apreciava ler e escrever e tinha o mínimo conhecimento das palavras e dos efeitos que elas provocam. Hoje as reações chegam pelo mundo difuso da Internet, que tanto pode abranger pessoas educadas e esclarecidas, como sórdidos bandos abrutalhados sedentos de ódio.

Lembrei-me num relance dos tempos em que comecei a ser encantado pelo futebol. Tempos em que a TV Record, a mais poderosa da época, transmitia jogos do Santos quase todos os finais de semana. Era o melhor time, o campeão, o que tinha muitos craques e entre eles o Rei Pelé. Como transmitir outra partida?

Não me lembro de nenhum outro torcedor ter reclamado da preferência da TV Record. Pois era óbvia e condizia com a cultura da época, que valorizava o espetáculo mais bonito e interessante. Ponto. Ninguém citava pesquisas de torcida, mesmo porque elas não significariam nada. A qualidade, o mérito, suplantavam tudo.

Havia rivalidade, mas não intolerância. Era possível assistir a um jogo no estádio sentado ao lado do torcedor contrário. Ambos podiam comemorar os gols de seus times diferentes sem correr risco de vida. Ainda não se sabia o que era torcida organizada, agrupamentos que só surgiram no final dos anos 60.

Os jornalistas, alguns tão parciais como os de hoje, eram, entretanto, mais respeitados. Ninguém seria maluco ou selvagem a ponto de ameaçar fisicamente um homem da comunicação. Estes, por sua vez, costumavam tratar os times com a devida consideração. Se a Portuguesa ganhasse um clássico, ela seria a capa do jornal, e não uma outra equipe que apenas contasse com um número maior de torcedores.

Enfim, a mensagem que chegava ao público era a de que o mérito servia de parâmetro para a cobertura da imprensa, e os torcedores aceitavam essa premissa numa boa. Hoje, ao contrário, os veículos de comunicação tentam empurrar goela abaixo a filosofia de que ter mais torcida é mais relevante do que ter um time melhor. É claro que uma imposição tão antinatural não pode provocar boas reações…

Escrevo sobre isso porque no trágico episódio do garoto boliviano morto, os torcedores do Corinthians querem apenas que o time se safe da punição da Conmebol, os que torcem para outros times querem que a punição seja a mais dura possível, e só mesmo os familiares e amigos choram a morte de Kevin, a única vítima real dessa história. Ficou faltando empatia e humanismo, propriedades que distinguem o homem dos animais; ficou faltando aquele espírito dos bons tempos do jornalismo esportivo brasileiro; ficou faltando um cronista como Armando Nogueira para contar esse caso para a história.

E para você, por que a intolerância superou a rivalidade no futebol?


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