Costuma-se dizer que quem empata perde dois pontos, mas, pelas circunstâncias – desfalcado de Lucas Lima e Geuvânio, e no campo de um poderoso adversário – o Santos ganhou um ponto em Recife, contra o Sport. Primeiro, porque o clube pernambucano está bem montado e dificilmente é batido em seu estádio. Depois, porque com esse empate de 1 a 1 o Santos se manteve à frente do Sport, passou o Fluminense e agora, nos próximos três jogos, terá São Paulo em casa, Ponte Preta fora e Atlético Mineiro em casa, em uma sequência que poderá tornar possível o seu sonho de G4.

Sobre as atuações dos santistas, é preciso destacar o oportunismo de Ricardo Oliveira e o esforço de Marquinhos Gabriel para substituir Lucas Lima. Pena que Gabriel ainda não consiga reeditar, longe da torcida, o mesmo futebol vibrante que mostra na Vila. De qualquer forma, o time manteve a sequência invicta e vai com moral para o clássico de quarta-feira, às 22 horas, contra o São Paulo, na Vila Belmiro.

Sobre o gol do Santos, concordo que Ricardo Oliveira estava impedido, mas tive de rever a jogada algumas vezes e parar o filme para comprovar a irregularidade. Só não concordo que o impedimento tenha sido “claríssimo”, como querem alguns. Digo isso porque no lançamento da bola para a área, Oliveira estava em posição legal, como se vê no tempo de 01m33s do vídeo acima. Depois, a bola é rebatida pelo goleiro e ele toca para dentro do gol. Como foi o jogador do Santos que cabeceou para a defesa do goleiro, Oliveira ficou em posição irregular. Agora, coloque-se no lugar do bandeirinha e tente ver a jogada desde o início: quando ela começa, Oliveira tem posição legal, e quando a bola volta para ele, depois de rebatida pelo goleiro, ele também parece ter um jogador do Sport à sua frente, pois este se movimenta muito rapidamente e, no momento em que arremata, Oliveira já tem dois jogadores do Sport entre ele e a linha de fundo. Claríssima foi a manchete do jogador do Flamengo no gol que abriu a vitória contra o Fluminense.

Sport 1 x 1 Santos
Ilha do Retiro, Recife, 06/09/2015, 18h30
Público: 6.129 pagantes. Renda: R$ 158.430,00.
Sport: Magrão, Ferrugem, Matheus Ferraz, Durval e Renê; Rithely, Wendel (Régis), Marlone e Diego Souza (Hernane); Maikon Leite (Samuel) e André. Técnico: Eduardo Baptista.
Santos: Vanderlei, Victor Ferraz, David Braz, Gustavo Henrique e Zeca; Thiago Maia, Renato, Marquinhos Gabriel (Neto Berola) e Rafael Longuine (Serginho); Gabriel (Leandro) e Ricardo Oliveira. Técnico: Dorival Junior.
Gols: Ricardo Oliveira aos 20 e André aos 27 minutos do primeiro tempo.
Arbitragem: Emerson de Almeida Ferreira (MG-CBF-1), auxiliado por Pablo Almeida da Costa (MG-ASP-FIFA) e Celso Luiz da Silva (MG-CBF-1).
Cartão Amarelo: Matheus Ferraz (Sport).

Lucas Lima e a Seleção Brasileira

Lucas Lima essencial: a inteligência e o talento santistas a serviço da Seleção.

Tranquilo, participativo, inteligente, eficaz, Lucas Lima mostrou na Seleção Brasileira o mesmo futebol que mostra no Santos. Só não fez mais porque lhe passaram pouco a bola, como se fosse um intruso no meio do grupo de jogadores que estão fazendo fama em outros países. Não digo que há um complô contra os novatos que estreiam no time, mas é evidente que muitas vezes ele era a melhor opção para o passe e a bola não lhe foi dada. Isso é um erro, pois ele geralmente dá um bom destino à jogada: sabe lançar, tabelar, proteger a bola, e não se perde pelo individualismo.

Muitas vezes a bola veio da defesa e foi direta para o ataque, sem que passasse pela armação do meio-campo. Isso é outro erro, pois essa velocidade, que dá a impressão de agressividade, logo se transforma em um dilúvio de erros pela falta de precisão nas jogadas. É preciso deixar a bola com quem sabe armar, sabe lançar. Outros jogadores da Seleção podem fazer isso de vez em quando, mas não são especialistas, como o santista é. E essa velocidade, se fosse produtiva, teria feito o Brasil golear a Costa Rica. Porém, só venceu porque o árbitro anulou um gol legal do adversário e não viu a falta de Hulk no gol brasileiro.

Enfim, o Brasil jogou mal de novo, mas às vezes deu a impressão de que está repleto de virtuoses, de Neymares. Só que isso é uma ilusão. Nem mesmo Neymar é tão espetacular como a imprensa agora quer que ele seja. A base desse time do Dunga é a mesma que tomou de 7 a 1 na Copa. É preciso saber usar a velocidade na hora certa, é preciso cadenciar o jogo para diminuir as falhas e reduzir os enormes buracos que se abrem na defesa brasileira. Para isso, é preciso ter a humildade de admitir que o Brasil precisa de um meia-armador como Lucas Lima, e seus companheiros precisam dar-lhe mais a bola. Por que, em suma, é sempre melhor deixá-la com quem conhece, com quem é mais inteligente para jogar futebol.

E você, acha que o Santos está mostrando futebol para almejar o G4?