Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

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Vem aí 1.o de julho, o “Dia Sem Globo”

globo

Está nas redes sociais: dia 1.o de julho haverá um boicote nacional contra a Rede Globo e suas afiliadas. Ninguém deve ligar a tevê nesse canal. O povo detectou a Globo como a emissora de tevê parceira desse governo corrupto e oligárquico que domina o País. Este blog, que é movido pela vontade da maioria, nunca poderia ser contrário a esse legítimo movimento popular.

Estou certo de que não só os santistas, mas torcedores de todas as cores apoiarão em massa esse boicote que, em suma, é mais a favor da democracia e da defesa dos direitos do povo – obrigações que deveriam ser prioritárias em emissoras de tevê concedidas pelo governo – do que contra uma empresa ou seus profissionais. A Globo foi escolhida porque é a maior, a mais representativa, mas isso não quer dizer que Record, Bandeirantes ou Rede TV sejam melhores. Na verdade, a tevê aberta brasileira não satisfaz as necessidades de um povo em desenvolvimento.

Tecnicamente, a Globo é uma das melhores emissoras de tevê do mundo, mas ética e ideologicamente não inspira nenhuma confiança, pois invariavelmente está do lado do poder e dos poderosos. O departamento de marketing comanda as ações da empresa, o que pode ser muito bom para os lucros, mas é péssimo para a credibilidade. O jornalismo que pratica é o chamado “chapa branca”, que se baseia nas versões oficiais e evita reportagens investigativas que mexam com o chamado alto escalão do governo.

As manifestações anárquicas que estão ocorrendo pelo País certamente mudarão muita coisa. Quisera poder mudar toda a estrutura política, pois é evidente que este sistema atual não agrada ninguém. Um bando de privilegiados se enriquece e legisla em causa própria, enquanto o povo trabalha muito, paga muitos impostos e não tem uma vida digna.

Se hoje houvesse um plebiscito para saber se o Brasil deve ter governo, a maioria diria não. Que tivesse administradores profissionais especializados, mas não políticos eternos e corruptos, como os conhecemos. Essa revolta era evidente há muito tempo, mas vinha sendo ignorada. Se 200 mil pessoas assinaram um abaixo-assinado para impedir que Renan Calheiros assumisse a presidência do Senado, por que isso foi ignorado? Não restou outra alternativa, a não ser ir para as ruas.

E agora, ao perceber que essa atitude dá resultado, duvido que os brasileiros e brasileiras fiquem em casa engolindo tanto sapo, quietinhos. Se a Fifa disse que basta mais uma manifestação contra seus representantes para a Copa das Confederações ser cancelada, então é bem provável que isso ocorra. A maioria dos brasileiros não quer a Copa das Confederações e nem a Copa do Mundo. Conseguir que sejam canceladas será uma histórica vitória popular.

Uma coisa é certa: o Brasil não será o mesmo depois desses dias que estamos vivendo. Os déspotas mais esclarecidos terão de rever suas condutas, se der tempo… A tevê em geral, e a Globo em particular, serão obrigadas a mudar sua forma de se relacionar com o Estado e a sociedade. A verdade é que a Internet, em pouco tempo, despertou nas pessoas um nível de esclarecimento que centenas de novelas, programas de auditório e Big Brothers faziam questão de manter amortecidos. Agora a rolha não cabe mais na garrafa.

E você, o que fará no dia 1.o de julho?


Manifestações provam que a Internet é mais importante que a tevê

As manifestações de rua que nasceram das redes sociais para tomar conta do País e reivindicar o uso honesto e competente do dinheiro público, estão provando que a Internet já superou a tevê como o veículo de comunicação mais importante – e confiável – para o brasileiro.

As pessoas não acreditam mais na tevê porque ela é um veículo de meias verdades. Ela nunca será cem por cento verdadeira porque tem o rabo preso com os governantes, os poderosos, os patrocinadores. A Internet, por sua vez, é livre, pois só depende da vontade e da manifestação de cada indivíduo. Nela, cada um pode ser o seu próprio Roberto Marinho.

A televisão teve 60 anos para acrescentar conhecimento e consciência ao povo. E no começo até que tentou. Havia a preocupação de se difundir arte e cultura. A Record tinha corpo de baile, orquestra, ela e a Tupi encenavam peças clássicas do teatro, a Globo tinha Dias Gomes para escrever suas novelas… Com o tempo, porém, a tevê descobriu que dava menos trabalho e mais lucro explorar a ignorância do povo. O mau gosto é muito mais barato e dá muito mais ibope…

A tevê jamais estimularia as pessoas a ir às ruas protestar contra a corrupção do sistema, pois ela se alimenta desse sistema. Se o povo se aculturar, se passar a exigir mais qualidade e ética, a tevê, como existe hoje, morrerá. Ela vive do lixo formado por sensacionalismo, demagogia, populismo, pieguismo, mau gosto… Para ela, o pior é o melhor.

A Internet não mascara os fatos, não dá a sua versão para eles. Ela mostra, direto dos celulares do povo, a realidade nua e crua, e não aquela estudada e editada dos telejornais.

Para todos nós que ansiamos a liberdade, respeitamos a juventude, valorizamos o mérito e as qualidades essenciais do ser humano, este avanço espetacular da Internet sobre a letárgica e mal intencionada televisão brasileira é um fato maravilhoso, que nos enche de esperança.

E se você, por fim, me perguntar o que o Santos e o santista têm a ver com isso, eu direi: tudo! A Internet também está mostrando que o mundo real do futebol é bem diferente do que a tevê quer nos fazer engolir.

E você, não acha que a Internet já é mais importante do que a tevê?


Este Santos te representa?

campanha este time nao me representa
Protesto de toda a família. Uma das fotos postadas na campanha “Este time não me representa”

Entendi perfeitamente o espírito da campanha que corre pela Internet contra o “estilo” preguiçoso e retrancado do Santos e, conseqüentemente, contra a filosofia do técnico Muricy Ramalho. Entendi e me orgulho dos jovens santistas que a idealizaram, pois ela é pacífica, inteligente, democrática e não depende de veículos de comunicação para dizer o que pensa e atingir o seu objetivo, que é o de despertar a opinião pública e a própria diretoria do Santos para a insatisfação da torcida com o comportamento do time e de seu técnico.

Já pensou no dia em que cada eleitor puder ser visto e ouvido nas suas opiniões e protestos? Pois é justamente isso que esta visionária campanha propõe, pois dá a oportunidade de os santistas postarem suas fotos com cartazes dizendo o que sentem sobre o time e o técnico, como podemos ver no link http://essetimenaomerepresenta.tumblr.com/

Como fica claro logo na página inicial, não é um protesto contra os jogadores, mas sim contra a falta de empenho e o comportamento passivo do time orientado por Muricy Ramalho. Não vejo, repito, absolutamente nada de negativo nessa manifestação.

Estou certo de que este ato é um sinal dos tempos, e de bons tempos. A liberdade e o alcance que a Internet dá aos torcedores acabará substituindo a pressão orquestrada, rude e às vezes violenta das chamadas torcidas organizadas, os únicos grupamentos de torcedores que até ontem interferiam diretamente na direção e na comissão técnica dos times.

Em um futuro próximo não só todos os ingressos de uma partida serão vendidos pela Internet, como a voz do torcedor será ouvida, talvez até mais do que nos estádios, nas redes sociais e em blogs como este. Com esta campanha os santistas, mais uma vez, mostram um caminho eficaz – e pacífico – para a liberdade de opiniões e a mobilização em busca de um objetivo.

Este governo te representa?

Fico imaginando quantas árvores frondosas poderão sair desta semente plantada por estes jovens santistas. Por que não ouvir as pessoas sobre todos os assuntos cruciais do futebol, do esporte, da economia, da política, da nação? Por que, além de apenas um click a mais em uma enquete, você não pode mostrar sua cara e estender um cartaz com seu ponto de vista?

Esta CBF te representa? A Rede Globo representa os interesses do torcedor brasileiro? Ronaldo e a comissão da Copa do Mundo te representam? Este governo municipal, estadual ou federal te representam? Enfim, esta campanha abre precedentes maravilhosos para os amantes da democracia.

Quanto a este Santos, é evidente que não representa tudo aquilo que aprendemos a gostar no Santos, que é a energia e a impetuosidade da juventude somadas à eterna volúpia do gol. Para mim, entretanto, sempre que essa camisa entrar em campo, com quaisquer jogadores e em quaisquer circunstâncias, estará representando minha aflição e esperança e trazendo lembranças de incontáveis jogos grandiosos.

Se eu me restringir apenas ao sentido da campanha, terei de concordar que este Santos também não me representa, pois mesmo quando a técnica e a tática falham ainda se espera do jogador a luta, a abnegação, a entrega por uma vitória, e nem isso estamos vendo. Porém, otimista que sou, espero que até o final do Paulista o Santos volte a ser um time de leões obcecados pelo sucesso.

Agora me diga, este Santos te representa?


Um desejo para 2013: Sinceridade!

Os artigos de futebol pela Internet geram em muitos a vontade egoista e única de ganhar a discussão, deixando a verdade dos fatos de lado. Essa atitude é uma erva daninha que cresce e tem de ser ceifada antes que não se distingua mais o real da fantasia, a sinceridade da maledicência.

Neste blog, sempre que um comentário tentar divulgar informações falsas, com o claro intuito de confundir os leitores, diminuir a importância de feitos históricos ou manchar a imagem de alguém, irá, prazerosamente, para a lixeira. Está na hora de tentarmos fazer algo para que a Internet deixe de ser uma terra de ninguém, dominada pela mentira e pelo interesse mais baixo.

À propósito, escrevi sobre o mesmo tema para a edição desta sexta-feira do jornal Metro de Santos. Para ler a coluna, siga este link:
http://www.readmetro.com/en/brazil/metro-santos/

Só posso adiantar que a coluna termina assim:

E o mais importante mesmo, para um cronista, não é contar com a cumplicidade de todos, mas sim com a sinceridade de seus leitores. Esta moda de usar nicknames (pseudônimos) para se expressar pela Internet, favorece os falsos, os mentirosos, os alcoviteiros.

Já dizia Riemer, referendado por Schopenhauer: “Um adversário que mostra sua cara abertamente é uma pessoa honrada, moderada, com a qual é possível se entender…; em compensação, um adversário escondido é um patife covarde e infame, que não tem coragem de assumir seus julgamentos”.

Portanto, que 2013 seja para você um ano de extrema sinceridade, de opiniões autênticas voltadas para construir feitos edificantes, e não para destruir carreiras e reputações. Um ano em que não pensaremos no que o Santos pode fazer por nós, mas sim o que podemos fazer pelo Santos. E pelo futebol. E pela vida.

E você, promete que será sincero(a) ao comentar neste blog?


A Internet estimula o ódio entre os torcedores?

Texto de Marcelo Da Viá

Como é sabido, o Corinthians foi novamente eliminado da Taça Libertadores da América, desta vez de forma humilhante, por um time desconhecido, na fase preliminar. É certo que esta competição já se tornou para o clube um fantasma tão poderoso quanto o do antigo e longo jejum de títulos do Paulistão.

No day after, claro que já havia uma infinidade de piadas a respeito, sem falar da quantidade expressiva de rojões que pipocaram pela cidade logo que a derrota se consumou.

A pretexto de falar de mais essa eliminação do meu time, comentei com meu amigo Odir que achava que a internet havia acirrado os ânimos dos torcedores. Já há um bom tempo que penso assim. E longe de mim fazer uma crítica à internet, uma das grandes invenções da humanidade. O problema – e isso não deveria ser um problema – é que a repercussão deixou de ser monopólio dos grandes veículos de comunicação, foi se pulverizando entre os próprios torcedores, fato que deveria, sim, ser saudado, mas que, infelizmente, tem um lado sombrio.

Se hoje existe mais gente podendo se expressar sem depender da grande imprensa, o que é ótimo, muita gente também se deixou impregnar pelo ódio, que sabidamente é cego, burro, simplificador. A piada do dia seguinte às derrotas dos rivais sempre existiu, nada contra, é parte da graça do futebol. Mas algo mudou nos últimos dez anos, período no qual a internet se disseminou no país – essas derrotas passaram a ocupar um papel tão ou mais importante que as vitórias e comemorá-las virou quase uma obrigação, um exercício de sadismo a que muitos – incluindo crianças e pré-adolescentes – aderem sem nada questionar.

Sem medo de exagerar, constato que, atualmente, essa alegria pela desgraça alheia compete quase em grau de igualdade com os triunfos, e como me parece que esse fenômeno é crescente, é certo que, num futuro bem próximo, festejar derrotas tende a ser o objetivo último dos torcedores. Sempre foi assim?

Não. Tenho 44 anos, adoro futebol, sou um corintiano entusiasmado e não me lembro de sair berrando a cada gol sofrido pelo São Paulo, Palmeiras ou Santos. Pelo contrário, a depender do time, chegava a torcer por estes clubes, como foi o caso do Palmeiras de Telê Santana, no Brasileirão de 1979 – vibrei com a goleada imposta por Jorge Mendonça e Cia contra o poderoso Flamengo de Zico, em pleno Maracanã. Aliás, minto – a partir da constatação, na internet, de que meu time é nada menos que odiado pelos rivais, passei a torcer contra, como não fazia antes. A pergunta é: isso é bom?

Penso que não, que a energia gasta em secar, quando em doses exageradas, turva a alegria de simplesmente torcer a favor. E nada contra as secadinhas – é claro que se assisto a um jogo do rival na TV, principalmente contra um pequeno, me divirto em ver esse pequeno triunfar. Mas tudo tem limite, e acho que todos esses rojões, insultos, gritaria e piadinhas viraram uma grande chatice, e para mim o futebol sempre foi diversão. Esse é o ponto, o meu ponto aqui. A quase obrigação de ser mal educado, de berrar e gritar um gol apenas porque foi contra o time X ou Y, é antes de tudo aborrecido.

No caso do Corinthians, assim como acontece no Rio em relação ao Flamengo, é inquestionável que essa tendência à hostilidade é ainda maior. Como corintiano e parente (pelo lado de minha mulher) de rubro-negros fanáticos, acredito que a origem dessa má vontade tem muito que ver com o fato de que esses times possuem as maiores torcidas de suas cidades e estados. Seria um invejinha, sim. E o fato de vivermos numa era em que a TV passou a ser onipresente, transmitindo tudo que é jogo (até solteiros e casados), mas brigando pelas melhores audiências, implicou uma certa predominância das transmissões desses dois clubes, causando uma justificada irritação entre os torcedores dos demais grandes de cada cidade.

Mas isso está longe de explicar esse fenômeno recente, já que Corinthians e Flamengo há muito possuem as maiores torcidas. Aí entra a internet, o anonimato proporcionado por ela (e nada contra, se usado com honestidade), os chats, a tentação de ser agressivo e violento com impunidade, a vontade de responder a uma provocação, enfim, a forma como cada indivíduo se comporta em sociedade varia muito, e, como a grosseria tende a se destacar, é como se na internet só houvesse gente desse nível, o que sabemos que não é verdade.

O fato é que esse tipo de comportamento tem mudado até a atitude dos jogadores e dos clubes. Os nortes éticos – e por que não dizer morais – se tornaram mais “flexíveis”. Hoje um time, por maior que seja, pode entrar em campo para perder, contanto que o faça em consonância com parte da torcida, e a derrota prejudique diretamente algum rival que ainda briga pelo título. Aconteceu no ano passado e em 2009, envolvendo (e maculando) o trio de ferro da capital – Palmeiras, Corinthians e São Paulo – e, infelizmente, penso que esse comportamento tende a se tornar lugar comum. Mas pergunto: alguém aqui consegue imaginar Ademir da Guia, Pelé, Rivelino, Sócrates, Falcão, Furlan, Chicão, Pedro Rocha e tantos outros craques do passado entregando um jogo, ou “amolecendo” para estragar a festa de um rival? E quanto a Oswaldo Brandão, Minelli, Telê, Vicente Matheus, Aidar? Não mesmo. Sinal dos tempos? Não duvido que a truculência do atual “torcer contra” tem tudo a ver com isso. Fico por aqui, porque o assunto renderia – e espero que renda – um livro.

Você também acha que as torcida estão mais agressivas? O que era apenas secar o rival agora virou manifstações de ódio?


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