Falei pra Suzana “Esses últimos 10 minutos serão um sofrimento só. Será muito difícil segurar esse 1 a 0 do jeito que o time está jogando”. O Bahia criava uma chance atrás da outra e o Santos não conseguia se organizar na defesa e no meio-campo. Quando recuperava a bola, se desfazia dela de qualquer jeito. A superioridade do Bahia era flagrante e a vitória acabou vindo para a equipe que jogou um melhor futebol hoje.

O belo gol do zagueiro Jairo, de bicicleta, na metade do segundo tempo, já era um prêmio muito grande pelo que o Santos jogava. Nos minutos seguintes o Bahia pareceu aturdido, mas logo se recompôs e passou a dominar. A esperança santista era recuar, fechar os espaços, mas o time continuou deixando um buraco enorme no meio-campo.

De tanto insistir, o Bahia, que tocou melhor a bola, teve mais tranqüilidade e mostrou jogadores mais bem preparados para o profissionalismo, chegou ao empate aos 38 minutos, com Fábio, e à vitória aos 48 minutos, com o grandalhão Rafael.

Destaques do Santos

Gostei do lateral-esquerdo Geovânio no começo do jogo. Mas, como em partidas anteriores, o rapaz sumiu na segunda etapa. OU por cansaço, ou porque passou a ser bem marcado. Também não desgostei do lateral-esquerdo Werinton, que substituiu o titular Crystian, suspenso.

Leandrinho, que substituiu Kássio, fez boas jogadas, mas também sumiu quando o Bahia foi pra cima. O zagueiro Jairo e o volante Elivelton foram escalados mesmo sem estarem cem por cento fisicamente. Jairo é péssimo na marcação, mas fez um golaço. Elivelton marca, marca, mas quando tem a bola, não faz boa coisa com ela.

Dimba saiu machucado, depois de ter feito muito pouco. Tiago Alves entrou e mais uma vez prejudicou o time com seu individualismo. Mesmo quando era preciso tocar e segurar a bola, ele continuava abaixando a cabeça e indo pra cima de dois, três defensores, até ser desarmado.

A grande decepção, porém, foi Felipe Anderson. Ele se mostrou ainda mais dispersivo do que quando entra no time profissional. Sem ritmo e sem sangue nas veias, pois em um jogo decisivo como este, nem se empenhou como devia. Perdeu a bola várias vezes, saiu com ela pela linha de fundo, foi dar uma matada no peito e armou um belo contra-ataque para o adversário… Enfim, ao menos hoje não mostrou nada que o credencie a se tornar um profissional.

Agora é um problema de cabeça: ou o Felipe decide que quer ser jogador de futebol, ou dá um tempo e vai estudar, já que ainda é bem jovem. Não dá para desfilar em campo e sair com a camisa limpinha em um jogo que é tudo ou nada na competição mais importante do ano para os juniores.

Estava gostando muito do zagueiro Gustavo Henrique, aquele grandalhão que põe o corpo na frente para impedir o chute do adversário. Valeu pela luta. Mas no final, mesmo correndo o risco de ser expulso, tinha de ter matado a jogada logo que o centroavante do Bahia dominou a bola. Como faltava pouco para ir para os pênaltis, o fato de ser expulso não prejudicaria tanto o time. Faltou malícia…

Mas não dá para reclamar do resultado, pois o Santos foi longe demais pelas falhas que demonstrou nesta Copa São Paulo, e hoje enfrentou um time superior, técnica e psicologicamente.

Para resumir, acho que nenhum jogador do Santos mostrou qualidades para ao menos ser reserva entre os profissionais. Alguns têm alguma condição técnica – como Crystian, Geovânio, Tiago Alves –, mas ainda não aprenderam o que significa a palavra “time”. Então, que sejam emprestados a equipes menores e que adquiram mais experiência e mais noção de jogo coletivo.

Quanto ao técnico Narciso, hoje mais uma vez armou um time que foi dominado e não conseguiu inverter a situação. Não gostei de seu desempenho nesta Copa. Outra falha foi arrumar brigar com a torcida local na primeira fase e com isso tornar o Santos um eterno visitante, mesmo jogando na mesma cidade em que iniciou a competição. Faltou tato.

E você, o que achou do Santos na Copinha?