Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

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Santos contribuiu mais para a conquista da Jules Rimet

Os 5 a 0 de ontem pela melhor TV do mundo: a SantosTV:

Bastidores do “Nós contra Rapa”:


O santista Carlos Alberto Torres ergue a Jules Rimet

Participei ontem, domingo à noite, do programa Esporte Visão, da TV Brasil, e em determinado momento afirmei que o Santos foi o time que mais contribuiu para a conquista da Taça Jules Rimet. Ao que fui agressivamente contestado pelo companheiro Márcio Guedes, que participava do programa do estúdio no Rio de Janeiro.

Acho que expliquei que, somados titulares e reservas, o Santos teve mais jogadores nas três Copas que deram ao País a posse definitiva da Taça. Foram três jogadores em 1958 (Pelé, Zito e Pepe), sete em 1962 (Pelé, Zito, Pepe, Gylmar, Mauro, Mengálvio e Coutinho) e cinco em 1970 (Pelé, Clodoaldo, Carlos Alberto, Joel e Edu), completando 15. Nenhum outro time cedeu tantos jogadores. O segundo é o Botafogo, com nove, ou seis a menos.

Ouvia os convidados do Rio pelo “ponto”, aquele aparelhinho que a gente põe no ouvido. Se mais de uma pessoa fala ao mesmo tempo, você não consegue distinguir bem. Só sei que ouvi o Márcio dizer que reservas não valem, que os titulares é que jogam. Claro que concordo com essa afirmação. Percebi que ele deve ter entendido que eu disse que o Santos teve mais reservas. Se eu disse isso, me embananei, pois queria dizer que o Santos teve mais jogadores somando-se titulares e reservas.

Como o Márcio Guedes deve ter uns 413 anos de crônica esportiva e como reagiu de maneira tão confiante e até um tanto brusca, preferi não estender a discussão, até porque não há como comparar os resultados do Santos de Pelé e do Botafogo de Garrincha, por mais boa vontade que se tenha. Um foi seis vezes campeão brasileiro, duas vezes da Libertadores e duas Mundial; o outro só ganhou um brasileiro, o da Taça Brasil de 1968, direito que defendi galhardamente no Dossiê da Unificação.

Santos também teve mais titulares na Jules Rimet

A vida é um constante aprendizado e não tenho nenhum problema de aprender uma nova lição a cada dia. Assim, humildemente, ao chegar em casa, fui consultar meus livros para checar a informação que Márcio Guedes anunciou com tanta certeza. Confira junto comigo, caro leitor e cara leitora:

Copa de 1958 – O Santos colaborou com os titulares Pelé e Zito; enquanto o Botafogo cedeu Garrincha, Didi e Nilton Santos. O Santos ainda teve um reserva, Pepe, enquanto o alvinegro carioca não teve nenhum reserva.
Detalhes – Em 1958, Zagalo do Flamengo, assim como Gylmar ainda era do Corinthians e Mauro do São Paulo.

Copa de 1962 – O Alvinegro Praiano teve quatro titulares: Pelé, Gylmar, Mauro e Zito. O Botafogo, outros quatro: Nilton Santos, Didi, Garrincha e Zagalo. Entre os reservas ainda havia três santistas: Mengálvio, Coutinho e Pepe. O Botafogo tinha um reserva: Amarildo.
Detalhes – Pelé se machucou no segundo jogo e foi substituído pelo botafoguense Amarildo. Coutinho e Pepe foram inscritos na Copa como titulares, mas, devido a contusões nos últimos jogos preparatórios, Coutinho foi substituído pelo palmeirense Vavá e Pepe pelo botafoguense Zagalo.

Copa de 1970 – O Santos teve três titulares no México: Pelé, Clodoaldo e Carlos Alberto Torres. E ainda mais dois reservas: Joel Camargo e Edu. O Botafogo só teve Jairzinho como titular. Roberto e Paulo Cezar Lima, ou “Caju”, foram reservas.
Detalhes – Gérson foi inscrito na Copa como jogador do São Paulo. Nas Eliminatórias, quando o time foi denominado “As Feras do Saldanha”, por ser dirigido pelo jornalista João Saldanha, o Brasil fez todos os jogos com seis titulares do Santos: Carlos Alberto, Djalma Dias, Joel, Rildo, Pelé e Edu.

Portanto, em que pese a ênfase dada pelo companheiro Márcio Guedes, a realidade é que além de ter mais jogadores nas três Copas, somando-se titulares e reservas, o Santos também teve mais titulares do que o alvinegro carioca nas Copas que deram ao Brasil a Jules Rimet.

Mesmo que se divida a titularidade entre Pelé e Amarildo em 1962, o fato de ter dois titulares a mais em 1970 ainda daria ao Santos o mesmo número de titulares do que o Botafogo, com nove titulares nas três Copas. Isto sem contar os reservas, que proporcionam uma vantagem absoluta ao melhor time de todos os tempos. E ainda sem contr o time nas Eliminatórias de 1970.

E pra você, que time contribuiu mais para a conquista da Jules Rimet?


A real dimensão de Ronaldo. E o Pacaembu na final da Libertadores

Logo mais Ronaldo faz sua despedida da Seleção em uma partida contra a Romênia, no Pacaembu, em que os torcedores santistas também estarão torcendo… para que Neymar e Elano não se machuquem, claro, pois uma final da Libertadores, ao contrário do que pensa o técnico Mano Menezes, é muito mais importante do que esse joguinho caça-níquel contra a seleção da terra do Conde Drácula.

Em um jogo em homenagem a Garrincha, no Maracanã, Pelé roubou a cena, com um golaço. Espero que Neymar faça o mesmo hoje. Mas eu queria falar um pouco mais sobre o “Fenômeno”…

Jogador que se despede é como defunto fresco: todo mundo fala bem. Já ouvi os elogios mais desmedidos a Ronaldo. Um locutor o colocou entre os cinco melhores de todos os tempos. Opa, devagar com o andor…

Craque foi, sem dúvida – pelo drible, pelo arranque, pelo arremate e visão de gol – e mereceu ser escolhido o melhor do mundo ao menos em duas das três vezes em que isso aconteceu. Agora, existe futebol de bom nível há mais de 90 anos e cada ano teve um melhor do mundo, escolhido ou não pela Fifa. Então, vamos lá…

No Brasil, de onde saiu aos 19 anos e voltou apenas com 32, Ronaldo figuraria atrás de Pelé, Garrincha, Zizinho, Leônidas da Silva, Friedenreich, Romário, Rivelino e Zico. Para mim, viria, portanto, em nono, à frente de Sócrates e Falcão. Não conto Neymar e Paulo Henrique Ganso porque ainda estão escrevendo a sua história. E não sei dizer, ao certo, se Jairzinho, Gérson, Didi, Tostão, Pagão, Canhoteiro,Coutinho e Ademir da Guia foram menos craques do que Ronaldo.

No mundo, além dos brasileiros citados, eu diria que Maradona, Di Stéfano, Cruiff, Zidane, Eusébio e Beckenbauer foram mais completos do que o recém-aposentado. Messi também caminha para superá-lo.

Só foi decisivo em uma Copa, e ao lado de Rivaldo

Tem gente enchendo a boca para dizer que Ronaldo foi duas vezes campeão do mundo e uma vez vice. Ora, ele não jogou em 1994. Naquele Mundial, Viola, que entrou nos últimos 15 minutos, fez mais do que ele. Na final de 1998 ele teve aquele piripaque e em 2002 dividiu com Rivaldo a condição de melhor jogador brasileiro (se bem que pouco fez no jogo contra a Inglaterra, o mais difícil que o Brasil fez).

Aliciador de jogadores para a Europa

Não vejo nobreza alguma na nova profissão de Ronaldo, que na prática está atuando como agente de clubes europeus interessados em surrupiar os talentos do nosso futebol. Seria bem mais digno de sua parte se usasse sua empresa de representações para tentar algo inédito, que o faria bem mais respeitado, ou seja: usar sua imagem e seus contatos para manter no Brasil jogadores como Neymar, Ganso, Lucas…

Daria mais trabalho, pois estaria remando contra a corrente, mas seria bem mais digno. O que o futebol brasileiro ganha de ter muitos jogadores de destaque na Europa? Isso, qualquer país tem. Lá está cheio de atletas da África, Ásia, Caribe, América do Sul… O grande mérito seria criar condições para segurar nossos craques por aqui. O torcedor brasileiro merece…

E a diretoria do Santos escolheu o Pacaembu…

O Santos pode ser campeão da Libertadores em qualquer campo e estádio. Na Rua Javari ou no Maracanã. Só que o Morumbi comporta mais santistas. Não acredito que o Santos não jogará lá por superstição. Seria uma bobagem absoluta. Se o motivo foi político, a bobagem foi ainda maior. De qualquer forma, talvez nunca saibamos ao certo os motivos reais…

Se a maioria dos torcedores queria o Morumbi, acho que é o caso de a diretoria explicar porque escolheu o Pacaembu, que deixará de fora milhares de sócios que gostariam de ver esta final. Parece que o São Paulo não reduziu muito a taxa de aluguel (só baixou de 15% para 12%) e não abriu mão das cadeiras cativas. Azar do Juvenal. Ficará mais um ano sem ver uma final de Libertadores no Morumbi.

Telão na Praça Charles Miller

O leitor Pedro Rodrigues Gomes Simão dá uma ótima ideia: como o Pacaembu não comportará todos os santistas que quererão ver a final, o Santos poderia colocar um telão na Praça Charles Miller, o que estenderia o clima de decisão para fora do estádio, daria a mais torcedores a sensação de acompanhar o jogo histórico e passaria mais energia aos jogadores. Que tal?

O que Ronaldo representou para o futebol? E o que você achou da escolha do Pacaembu para a final da Copa Libertadores?


Um telefonema de Joseph Blatter para Ricardo Teixeira


“Quer dizer que o Pelé nunca foi campeão brasileiro?” (Blatter, ventriloquando, para Teixeira)

O telefone toca na sede da CBF. Joseph Blatter, presidente da Fifa, pede para falar com Ricardo Teixeira.

Olá presidente, o que manda?

Hello Ricardo. Quero saber como anda esse processo de unificação dos títulos brasileiros. Tem muita gente ligando e enviando e-mails pra nós sobre esse assunto. Você poderia me explicar, por favor?

É que alguns clubes querem que os títulos brasileiros sejam unificados a partir de 1959, presidente.

Por que a partir de 1959, Ricardo?

Por que é o ano da primeira Taça Brasil, que definiu o representante brasileiro para a Copa Libertadores da América de 1960. Querem que a CBF ratifique como campeões brasileiros os vencedores da Taça Brasil e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, período de 1959 a 1970.

I know, I know… A Libertadores que se chamava Copa dos Campeões da América, pois só reunia times campeões de capa país, right? I Know. E os vencedores da Taça Brasil representavam o país na Libertadores, Ricardo?

Sim, presidente, representavam.

Bem, então eram os campeões de cada ano, pois na época a Libertadores só aceitava um representante de cada país, right?

Mas é isso que se está analisando, presidente…

A Taça Brasil era uma competição oficial, Ricardo?

Sim, presidente, mas era da CBD.

Eu sei, Ricardo. E a CBD era presidida pelo grande João Havelange, seu ex-sogro. Você já deve ter falado com ele sobre isso, não?

Ãhãhãhãh…

E o que o Havelange fala sobre essas competições, Ricardo? Ele não diz que eram oficiais e definiam o campeão brasileiro?

Sim, presidente, mas…

E a sua CBF não foi criada a partir da CBD, Ricardo?

Sim, presidente…

E a CBF, que foi criada só em 1979, não colocou no seu currículo todos os títulos conquistados pela Seleção Brasileira nos tempos da CBD, e por isso você se diz presidente da entidade que tem a única seleção pentacampeã do mundo, Ricardo?

Sim, presidente…

E se você incorporou ao currículo da CBF os títulos da Seleção Brasileira dos tempos da CBD, por que não homologou essa Taça Brasil e esse Torneio Roberto Gomes Pedrosa, Ricardo?

Sinto que há alguma oposição de outros clubes, presidente.

Que clubes são esses?

Clubes que não foram campeões nem da Taça Brasil e nem do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, presidente.

Oh my God. No seu país clube perdedor pode anular o campeonato, Ricardo? Não acha que assim o futebol seria uma bagunça maior do que já é?

É que eles alegam que… que…

O que eles alegam, Ricardo?

Alegam que, por exemplo, alguns campeões da Taça Brasil só jogaram quatro vezes.

É esse o motivo maior para se anular a competição, Ricardo?

Errr… é, acho que é, presidente…

Então você quer dizer que o meu Mundial da Fifa deve ser anulado, só porque o campeão só faz dois jogos, Ricardo?

Bem… não quis dizer isso, presidente…

E os times que jogavam nessa Taça Brasil e nesse Torneio Roberto Gomes Pedrosa, eram expressivos, tinham algum jogador da Seleção Brasileira, Ricardo?

Todos…

Como assim, todos, Ricardo?

Todos, titulares e reservas da Seleção Brasileira jogavam nesses times, presidente…

Diga o nome de alguns jogadores, para ver se me lembro…

Pelé, Tostão, Rivelino, Gérson, Clodoaldo, Zito, Mauro Ramos de Oliveira, Garrincha, Nilton Santos, Vavá, Gylmar dos Santos Neves, Didi, Tostão, Rivelino, Gérson, Ademir da Guia, Clodoaldo, Carlos Alberto Torres, Jairzinho, Paulo Cesar Caju…

Stop, stop, stop Ricardo!!! Quer dizer que Pelé, Tostão, Rivelino, Gérson, Carlos Alberto, Jairzinho, Zito, Clodoaldo e todos esses jogadores que fizeram do futebol do seu país conhecido e respeitado no mundo inteiro, jogaram essas competições oficiais e você ainda não as homologou, Ricardo. Por que?

Nosso departamento técnico está estudando, presidente…

Seu departamento técnico está estudando competições realizadas há 50 anos e que reuniram as melhores gerações de jogadores que o seu país já teve, Ricardo?

Ãhãhãhãh…

Ricardo, daqui a quatro anos teremos uma Copa do Mundo aí. O mundo olha o Brasil como o berço do futebol arte, da beleza e da magia do esporte. E olha assim não por você, Ricardo, nem por nenhum dirigente, mas por causa desses jogadores que foram campeões e estão sendo ignorados, desprezados pela sua CBF, Ricardo.

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Sabe em que ano a Itália teve o seu primeiro campeão?

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Em 1896, Ricardo, há 114 anos. E para ser campeão, a Udine fez só dois jogos e ambos no mesmo dia. Mas não importa, Ricardo, era o que podia ser feito. E está nos anais do futebol italiano, com muito orgulho. Vocês têm um futebol tão rico, por que desprezar essa história, Ricardo?

………………

Vamos tentar fazer uma grande Copa do Mundo aí, Ricardo. Um evento pra cima, alegre, que reverencie o futebol arte. Para isso, Ricardo, preciso ter ao nosso lado os maiores campeões que o seu país já teve. Entendeu, Ricardo? Do you understand, my friend?

Sim, sim, presidente…

E o telefone de Zurique foi desligado.


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