Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

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Tag: Jean Carlos Chera (page 1 of 2)

Aprenda como se calcula o preço da multa rescisória

Dei uma informação errada quando disse que o salário baixo de um jogador facilita sua contratação por um clube estrangeiro. Na verdade, a multa para o exterior é livre e pode ser estipulada pelo clube que detém o contrato com o atleta. Por exemplo, o Santos pode pagar cinco mil reais por mês a Felipe Anderson e estipular sua multa em 100 milhões de euros, se quiser.

A relação entre o salário e a multa vale para o mercado brasileiro. Neste caso, o cálculo da multa é feito da seguinte forma: Multiplica-se o salário por 13,3 e depois multiplica-se este resultado por 100. O resultado é o valor do passe para um clube do Brasil.

Por isso é que há tantos juvenis ganhando salários de profissionais, ou até maiores. Pois são promessas e, se não ganharem bem, podem ir embora por preços de banana.

Por exemplo: se Jean Carlos Chera ganhasse apenas R$ 1.000,00 (hum mil reais) por mês do Santos, sua multa para um clube brasileiro seria de apenas R$ 1,33 milhão (um milhão e trezentos e trinta mil reais). Mas agora que ganha R$ 40 mil mensais, a multa é de R$ 53,2 milhões.

Pagar um salário maior a Felipe Anderson (foto) – que acaba de ser um dos destaques da Seleção Brasileira Sub-18 que hoje venceu o Torneio de Barcelona – não é apenas questão de recompensar um garoto disciplinado, talentoso, que tem tudo para se tornar um meia eficiente do Santos. É questão de valoriza-lo e investir no patrimônio do clube, impedindo que ele vá reforçar os rivais.

Agora você entendeu porque juvenis às vezes ganham tanto? Qual seria um salário justo para Felipe Anderson?


Santos corre sério risco de perder o substituto natural do Ganso


Felipe Anderson: salário pequeno pode tirá-lo do Santos.

O substituto natural de Paulo Henrique Ganso no Santos é Felipe Anderson, que completou 18 anos no dia 15 deste mês e estes dias está comendo a bola na Seleção Brasileira Sub-18 que disputa a Copa do Mediterrâneo, em Barcelona.

Sexta o rapaz marcou dois gols contra o Croma Cross. Antes já tinha sido o destaque da partida contra o Gironês-Sabat. Estas atuações têm despertado o interesse de olheiros de clubes europeus.

Segundo Juliana Gomes, irmã e assessora de Felipe, Internazionale, Manchester United, um clube da Espanha e outro da Alemanha já lhe fizeram sondagens.

Sei que Felipe é grato ao Santos por tê-lo amparado até agora, está feliz no clube e ansioso para ser inscrito na Copa Libertadores, na qual deverá ocupar a vaga de Diogo, machucado.

Mas o problema é que o moço ganha um salário muito pequeno no Santos, o que torna fácil para qualquer clube estrangeiro pagar sua multa e levá-lo.

Quanto ele ganha? Não gosto de revelar salários, mas posso adiantar que é cerca de 10% do que recebe Jean Carlos Chera, de 16 anos, que jamais foi convocado para uma seleção brasileira sub alguma coisa. Você não entendeu errado. Eu disse cerca de 10% (dez por cento) do que recebe Jean Carlos Chera.

Não quero com isso dizer que Chera ganha muito. Só fiz essa comparação para mostrar como Felipe Anderson, que já está entre os profissionais e deve ser incorporado ao elenco do Alvinegro Praiano na Copa Libertadores, ganha pouco.

Como pus a mão no fogo por Neymar e Ganso, ponho por Felipe

Todo mundo que frequenta este blog sabe que considero Felipe Anderson um craque, ou ao menos um jogador com todo o potencial para se tornar um.

Tive a mesma impressão ao ver Neymar e Ganso jogarem pela primeira vez, e também ao ver Edu, Pita, Ailton Lira, Juary, Diego… Ao ve-los, sabia que estava diante de jogadores especiais.

Felipe Anderson tem uma habilidade, um passe e uma visão de jogo excepcionais. É tímido? Talvez. Isso atrapalha seu futebol? Provavelmente. Porém, com um técnico que lhe dê confiança, como Muricy Ramalho, o rapaz pode jogar muito e ser importantíssimo para o Santos, principalmente se Paulo Henrique Ganso for embora na malfadada janela da transferência.

O contrato de Felipe Anderson com o Santos vai até 22 de julho de 2013, mas o pequeno salário é o maior risco de que ele acabe indo embora bem antes. Seria terrível se isso acontecesse, pois, repito, Felipe tem características similares às de Ganso, é também um Menino da Vila, criado no clube, e tem um talento ainda em evolução.

Você não acha que Felipe Anderson, o substituto natural do Ganso no Santos, merece ganhar um salário mais justo?


Não havia nenhuma proposta do exterior para Jean Carlos Chera

Nas negociações com o Santos, para justificar sua alta pedida, Celso Chera, pai do jogador Jean Carlos, disse que tinha uma proposta pelo passe do filho, de um clube da Europa, no valor de “três milhões de euros na mão e 50 mil euros mensais”. Hoje, sábado, desconfia-se que esta ameaça era um blefe.

Proposta concreta é uma coisa, mera especulação é outra. Imaginei que neste momento Celso já estivesse chegando em Milão e fechando com Milan ou Inter por este valor que ele anunciou, mas a notícia que temos é de que o pai e agente viajará para tentar um acordo com o Mônaco, que, segundo ele, está disposto a pagar o equivalente a R$ 5 milhões de reais só de luvas para contar com o futebol do garoto que até ontem se dizia apaixonado pelo Santos.

Se nada for conseguido junto ao Mônaco, Celso deverá ir para a Inglaterra, visitar o Manchester United, que parece já ter demonstrado algum interesse pelo seu filho no ano passado. Mas esta opção parece ser bem mais remota.

O que fica evidente, para os bons entendedores, é que Celso jogou algumas propostas na mesa sem as tê-las de fato, apenas para pressionar o diretor Pedro Nunes da Conceição, com quem tratou do primeiro contrato profissional do filho, a ser assinado em maio.

Foi apenas uma desculpa para cair fora e não ter de prender o filho ao Santos até os 19 anos, já que o contrato teria três anos de validade? Foi uma estratégia normal de negociação para obter o maior valor possível? Enfim, há respostas que só virão com o tempo.

Porém, confesso que fiquei decepcionado ao saber que aqueles “três milhões de euros na mão e mais os 50 mil euros de salário” não fazem parte de uma proposta concreta. Nem quero imaginar que tenham sido apenas uma invenção, pois aí a decepção com os Chera seria ainda maior.

Pelo lado do Santos, ao contrário do que se noticia, o advogado João Vicente Gazolla garante que o clube tem, sim, direito a receber algo pela transação de Chera com outro clube. “Se ele sair do Santos, o clube tem direito de receber. Ele tem contrato de formação em vigor com o Peixe. Há seis anos o Santos está pagando consideráveis quantias para ele”, diz Gazolla.

De qualquer forma, o clube ainda tem esperanças de que os Chera pensem melhor e sentem novamente à mesa de negociações, o que deve acontecer na próxima quinta-feira. Porém, se ficar provado que Celso estava blefando para tirar mais dinheiro do Santos – e conseguir para o filho um contrato bem maior do que os astros Neymar e Ganso tiveram no início de suas carreiras profissionais –, será que ainda haverá clima para Chera continuar no Alvinegro Praiano?

Creio que apenas um humilde pedido de desculpas e a aceitação do contato conforme as condições oferecidas pelo clube poderiam remediar a situação e fazer com que o torcedor entenda e aceite Chera de volta. Mas minha opinião é só uma. Quero ouvir a sua. Desabafe nos comentários e também participe da enquete. Apesar de tudo, vale a pena ter Chera de volta?


Carta aberta ao Ministro dos Esportes Orlando Silva sobre o “Caso Chera”

Prezado Sr. Orlando Silva, Ministro dos Esportes do Brasil

Neste sábado está sendo perpetrada uma grande injustiça ao Santos Futebol Clube e ao futebol brasileiro. O pior é que este ato é realizado ao amparo das leis que regem o esporte. O jovem Jean Carlos Chera, que no dia 12 de maio completará 16 anos e por isso estava prestes a assinar o seu primeiro contrato profissional com o Santos, está viajando para negociar seus direitos com um clube da Itália.

Reconhecido internacionalmente pela capacidade de revelar jovens talentos, o Santos acolheu Jean Chera desde que ele tinha 10 anos, e passou não só a sustentá-lo, como também sua família.

Trazido de Campo Mourão, no Paraná, Jean Chera recebeu do Santos apartamento, escola particular para ele e seu irmão, uma assistência e uma estrutura que poucos clubes da América do Sul podem proporcionar, e um salário digno de um profissional, que hoje supera R$ 20 mil mensais.

Além disso, pela projeção que teve ao jogar nas divisões de base do Santos e ser considerado um futuro Menino da Vila, conseguiu um patrocínio que lhe rendeu um milhão de reais e outro que lhe dá cinco mil reais a cada mês.

Para que assinasse seu primeiro contrato profissional, com validade de três anos, Jean Chera recebeu do clube a proposta de um salário de R$ 30 mil mensais, além de gatilhos por títulos e convocações para Seleções Brasileiras de sua categoria.

Seu agente, porém, que também é seu pai, o senhor Celso Chera, anunciou que tem uma proposta de um clube italiano que consiste em um pagamento de três milhões de euros no ato, além de um salário mensal de 50 mil euros. Como um clube brasileiro pode competir com uma oferta dessas por um garoto que sequer foi convocado uma única vez para seleções nacionais?

Assim, cristaliza-se a ingratidão, e o rapaz e sua família estão de malas prontas para a Itália, mais precisamente para Milão. Ao Santos, que por seis anos investiu – não só dinheiro, mas tempo, atenção e carinho – no rapaz e em sua família, não resta ao menos o direito de recuperar um mísero centavo do que gastou. O senhor diria que esta lei é justa, prezado ministro?

Para mim e para outros jornalistas com os quais tenho conversado, estamos diante de um caso lapidar, um verdadeiro divisor de águas. Assim como o passe livre adquirido pelo “rebelde” Afonsinho, em 1974, mudou a escravagista Lei do Passe, este “Caso Chera” é mais do que suficiente para obrigar a revisão da lei que se reafirma tão penosa para os clubes deste país, pois acabam punidos pelo mérito de tentar descobrir novos craques que alimentem o sonho do povo e contribuam para novas conquistas de nosso futebol.

Um país que vai sediar a Copa do Mundo não pode ter um futebol baseado em leis tão injustas, senhor Ministro. Como se sabe, o Brasil é um celeiro de craques, só que os clubes que os descobrem e formam não estão sendo amparados pela lei. Esta é a dura verdade.

É preciso que algo seja feito urgentemente para salvaguardar os direitos dos clubes formadores, ou o futebol brasileiro e o próprio Ministério dos Esportes cairão em profundo descrédito perante as pessoas deste país que ainda acreditam nos nobres valores do esporte.

Falo não apenas no meu nome, ou no nome dos jornalistas esportivos que conheço, ou dos freqüentadores de meu blog, que hoje alcança 50 mil leitores, mas, estou certo, em nome dos milhões de amantes do futebol deste País que já estão cansados de ver seus clubes perderem jovens valores precocemente, sem que nada seja efetivamente feito pelo Governo para impedir este vergonhoso êxodo que empobrece e esvazia nosso futebol.

No aguardo de que medidas urgentes sejam tomadas para impedir novos casos como o do jovem Jean Carlos Chera, despeço-me com votos de estima e consideração.

Odir Cunha, jornalista
São Paulo
Mtb 12.748

Clique aqui para escrever também para o Ministro Orlando Silva sobre o caso Jean Carlos Chera


Últimas notícias do caso Chera. E minha conclusão

Depois de ouvir os dois lados, e também ler atentamente a todos os comentários recebidos neste blog, estou pronto para dar uma opinião definitiva sobre o caso Jean Carlos Chera. Antes, porém, consegui informações importantes sobre a proposta que Celso Chera, pai de Jean Carlos, fez ao clube para que o filho assinasse o seu primeiro contrato como profissional, dia 12 de maio, quando completará 16 anos.

Fontes fidedignas me garantem que a proposta do senhor Celso foi:

R$ 1 milhão de luvas na assinatura do contrato.
Contrato de três anos, sendo salários de R$ 75 mil no primeiro ano; R$ 95 mil no segundo e R$ 125 mil no terceiro.
50% dos direitos federativos;
70% dos direitos de imagem;
Garantia de que Chera seja titular de todos os torneios sub-17 daqui pra frente, além de participar da Copa SP 2012.

É oportuno lembrar que em seu primeiro contrato como profissional do Santos, depois de ser um destaque nas categorias de base, Neymar recebia R$ 20 mil mensais. E Paulo Henrique Ganso só passou a ganhar R$ 130 mil mensais em março de 2010, aos 19 anos e nove meses, depois de se revelar um ótimo jogador profissional. Até lá ele ganhava menos da metade. O primeiro contrato profissional do Ganso, em 2006, aos 16 anos, só lhe rendia mil e 100 reais por mês.

O mundo visto pelo olhar dos Chera

Se há uma coisa que me atormenta é a possibilidade de ser injusto. Por isso fiz questão de ouvir os dois lados antes de formar minha opinião. Fica claro que há duas questões em jogo: uma, legal; outra, moral. A legislação vigente, a malfadada Lei Pelé, é totalmente favorável ao jogador e extremamente nociva ao clube que o formou e o cultiva com tanto carinho desde a mais tenra idade. Mas há, também, a questão moral, da qual eu e, pelo que percebo, a maioria dos freqüentadores deste blog, felizmente não abrimos mão.

Antes, porém, tentemos entender a posição de alguns personagens desta história, a começar pelo principal. Jean Carlos Chera, aos seis anos, já era um fenômeno na pequena Vera, cidade de 9.500 habitantes no Mato Grosso. Mudou-se para Campo Mourão, Paraná, e lá foi descoberto por Eduardo Jenner, que trouxe o menino de nove anos e seus pais para morar em Santos.

De sua habilidade com a bola e da esperança de se tornar um novo Menino da Vila, veio o sustento da família, formada pelos pais e pelo irmão menor, Juan. Aos dez anos, Jean Carlos tinha salário de adulto. O Santos assumiu o aluguel do apartamento da família e a escola particular de Jean e Juan. A vida para a família Chera mudou da água para o vinho. Vivem bem, gostam da cidade e torcem para o time. Os tempos difíceis de carência e incerteza ficaram para trás.

Porém, no campo, Jean Carlos não tem correspondido à toda expectativa que gerou. Recentemente, pouco fez nos dois jogos finais do Campeonato Paulista Sub-15, em que o Santos foi vencido facilmente pelo Corinthians, em São Paulo e na Vila Belmiro. E, ao contrário de outros garotos da base santista, jamais foi convocado para uma Seleção Brasileira da categoria.

Há dois anos passou um bom tempo na sala de recuperação física do Santos, corrigindo problemas clínicos que vieram com a puberdade. De lá para cá, não me lembro de vê-lo repetir as grandes atuações de quando era mais criança.

A verdade é que deixou de entusiasmar os responsáveis pela base do Santos. Hoje, segundo alguém que acompanha a categoria, ele joga no mesmo nível dos outros titulares e não é um dos jogadores de mais destaque do time. De qualquer forma, o Santos lhe ofereceu um primeiro salário, como profissional, de R$ 30 mil por mês, além de gatilhos a cada ano.

O papel do senhor Celso, o pai

Não conheço o seu Celso, pai de Jean Carlos, porém, presumo que como todo o pai, quer o melhor para o seu filho. A questão é se este “melhor” está ligado apenas ao aspecto material. Não sei se Celso tem alguma profissão e trabalha em Santos, ou se passou a dedicar-se exclusivamente à carreira de Jean – o que sempre acaba gerando uma grande pressão nos jovens atletas.

Vi muito isso no tênis. Testemunhei pais tirando os filhos dos estudos para se dedicarem ao sonho de se tornar um novo Bjorn Borg, ou John McEnroe. Hoje esses futuros astros são professores de tênis, o que não é nenhum demérito, mas o ruim é poucos tiveram uma boa formação acadêmica. Gastaram muito tempo nas quadras e pouco diante dos livros.

No futebol isso também tem sido freqüente. Há muitos familiares – pais, irmãos, irmãs – cuja profissão é amparar a carreira do craque da família. Isso mais atrapalha do que ajuda. Acho sempre melhor quando o jogador pode decidir seu futuro apenas por sua própria cabeça.

Sei que quando a nova administração assumiu o Santos, o Jean Chera, tratado como uma jóia rara, tinha muitos privilégios no clube. Um deles é de que só seu pai tinha permissão para assistir aos treinos. Isso, obviamente, gerava uma saia justa com outros atletas, familiares e um problema seriíssimo para técnicos e coordenadores. E o complicador é que o garoto não produzia para justificar esses favorecimentos.

Mais do que agente, seu Celso é o pai de Jean Carlos, e um pai tem a obrigação de educar o filho, não de torná-lo rico. Aliás, posso ser romântico, mas acho que a maior riqueza que um pai pode dar aos seus filhos é justamente a educação, o caráter, uma maneira ética de ver e viver a vida.

A diferença entre o legal e o moral

Legalmente, se quiser ir embora – e parece que este é o plano de Jean Carlos Chera e seu pai –, nada poderá impedi-lo. Neste sábado poderá viajar para Milão e lá acertar sua transferência para o clube italiano, que, segundo o seu pai, lhe fez uma primeira proposta de três milhões de euros e salários de 50 mil euros mensais.

Se conseguir na Itália, como conseguiu do Santos, casa para a família e escola para ele e seu irmão, Chera terá dado um salto em sua carreira, ou ao menos na sua conta bancária e, aos 16 anos, sem ter ainda justificado a esperança no seu futebol, já será um menino rico.

E o Santos? Bem, o clube não terá direito a um centavo, pois nenhum contrato na fase amadora tem validade para a justiça trabalhista. Para recuperar o que investiu em Chera, o Santos terá de entrar com uma ação que até agora não tem precedentes jurídicos.

Como se vê, legalmente o Santos não poderá fazer nada se, como ameaçou Celso, os Chera forem embora sem dar nenhum retorno ao clube que os acolheu e deu mais dignidade às suas vidas. Porém, resta a questão do caráter, da moralidade, da ética.

Se esta questão é elevada a serio pelo pai de Chera, creio que ele separará uma parte do que receber do clube italiano para destinar ao Santos, ao menos para pagar as despesas materiais que sua família deu ao clube. Um milhão de reais? Dois? Não sei precisar. Mas para quem diz que receberá três milhões de euros, destinar um terço deste valor ao Santos seria ao menos um gesto de gratidão. E um gesto que aliviará o peso de sua consciência.

O “Caso Chera” é o inverso do “Caso Afonsinho”

Caso essa perfídia se concretize e o Santos seja passado para trás de maneira tão ignóbil, creio que este caso Chera poderá ser comparado ao do jogador Afonso Celso Garcia, ou Afonsinho, que em 1974 entrou para a história por ser o primeiro jogador de futebol a conseguir, na justiça, o passe livre.

Instruído, formado em Medicina, Afonsinho se rebelou contra o autoritarismo dos dirigentes e conseguiu ser o dono de seu próprio passe. A façanha foi um divisor de águas, pois naqueles tempos o jogador era mesmo escravo dos clubes, a quem podia ficar amarrado por toda a carreira, sem aumentos significativos de salário.

A Lei Pelé, como o próprio Rei do Futebol anunciou, veio para acabar com a escravidão dos jogadores. Só que criou outra. Hoje é o clube que é cativo do atleta, a quem deve oferecer tudo e, muitas vezes, não tem o direito de exigir o mínimo em troca.

A lei obriga que os juvenis promissores ganhem fortunas, pois do contrário podem sair do clube de uma hora para outra, desde que um interessado deposite o valor da malfadada multa, calculada a partir do salário do atleta. É por isso que Jean Carlos Chera recebe mais de 20 mil reais por mês sem ao menos ter feito um jogo pelo profissional.

Se fizermos um cálculo preciso, veremos que o salário de Chera, aos 15 anos, é equivalente ao de Dorval, Mengálvio, Coutinho ou Pepe no auge de suas carreiras. Este absurdo só foi possível, ironicamente, pela lei que leva o nome do jogador mais famoso daquele ataque.

Que todos se unam para que esta lei seja corrigida o mais rápido possível. Prejudicado pela divisão de cotas de tevê, que não leva em conta o currículo ou o mérito de cada time, mas apenas a sua quantidade de torcedores; os outros clubes grandes do Brasil, como o Santos, têm na revelação de jovens talentos uma boa possibilidade de diminuir a desigualdade. Porém, com a vigência da Lei Pelé, não há nenhuma garantia de que o jogador formado no clube um dia recompense o investimento e o empenho empregados em sua formação.

E você, já tem sua opinião final sobre o caso Chera?


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