Blog do Odir Cunha

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Acredite se quiser: site da Umbro diz que CBF não reconheceu Taça Brasil e Torneio Roberto Gomes Pedrosa como títulos brasileiros do Santos

O leitor Leonardo Bastos Falco me alertou, mas não quis acreditar. Fui checar e, para minha decepção, é mesmo verdade. O site da Umbro, que nos últimos anos tem sido a fornecedora de material esportivo para o Santos, diz que os títulos da Taça Brasil e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa não foram reconhecidos pela Confederação Brasileira de Futebol.

Ora, até quem não acompanha futebol ficou sabendo do Reconhecimento da CBF, que envolveu personalidades como Pelé, João Havelange, Ricardo Teixeira, presidentes de seis grandes clubes brasileiros e ouriçou a mídia esportiva nacional. A unificação é oficial, com documento carimbado e assinado, reconhecida pela Conmebol e Fifa. O Dossiê que gerou tudo isso está à venda (mas posso ceder para a Umbro, se ela não tem verba reservada para se atualizar sobre o mercado em que ela atua e sobre o clube que ela patrocina).

Não sei de que planeta a Umbro faz o seu site, mas está defasado há mais de um ano. Não me admira que a camisa do Neymar, ou do Santos, seja um objeto raro nas lojas brasileiras. A Umbro tem sido extremamente incompetente e negligente com o Santos. Sinto dizer, mas não deixará saudades.

Se até o site oficial da fornecedora de material esportivo ignora o reconhecimento, veja, leitor e leitora, o tamanho do caminho que ainda temos pela frente. Por isso, peço que pense com carinho na possibilidade de, neste Natal, dar o Dossiê (com o “Sonhos mais que possíveis!” como brinde) a amigos santistas ou não que precisam conhecer mais sobre o reconhecimento e ajudar nessa Unificação.

Confira o parágrafo sobre o Santos no site oficial da Umbro:

“Apesar de não ser reconhecido pela CBF, a FIFA considera o Santos como octacampeão brasileiro: 5 Taças Brasil (1960-1967), 1 Torneio Roberto Gomes Pedrosa (1968) e 2 Campeonatos Brasileiro (2002 e 2004). Sendo assim, o maior campeão brasileiro ao lado do Palmeiras, com 11 títulos”.

Confira no site da Umbro a notícia de que a CBF não reconheceu os títulos da Taça Brasil e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa

Vamos patrocinar este samba do Centenário?

Ouça, abaixo, a música de Alexandre Moreira para o concurso de Samba Enredo da Torcida Jovem, que em 2012 cantará o Centenário do Santos. O samba ficou em segundo lugar, mas o Alexandre quer gravá-lo e calcula que precisará de 2 a 3 mil reais para despesas de partitura, arranjo, coral e estúdio.

Para adaptar a música ao Centenário, a letra substituirá a menção à Torcida Jovem, pelo Santos. Ficou empolgante. Mostrei para a Suzana e ela se arrepiou e disse que é legal torcer para o Santos. Acho que para uma empresa de Santos, ou um empresário santista que queira patrocinar o CD e dá-lo como presente de Natal, o investimento é pequeno e o resultado será recompensador.

Já imagino essa música no Reveillon do santista, comemorando o tricampeonato mundial. Escutem com atenção e deem sua opinião. Para quem se interessar, o e-mail do Alexandre é lele.moreira@uol.com.br

Ronaldo agiu sozinho?

Minha coluna de ontem no jornal Metro de Santos

Esta semana Luis Álvaro Ribeiro revelou que o ex-jogador Ronaldo Nazário tinha lhe feito uma proposta para levar Neymar para o Real Madrid. Quem lê meu blog não se surpreendeu. Era óbvio que aquele papo de que, ao pendurar as chuteiras, Ronaldo trataria de “ajudar o futebol brasileiro”, era só fachada.

Levar embora um garoto de 19 anos, que já é o maior o maior ídolo do País, só abortará a operação sacode complexo de vira-latas que o Santos e Neymar estão implantando no nosso futebol.

Não diria que esperava mais de Ronaldo do que esta função subalterna de aliciador de jovens craques brasileiros para a Europa em troca de gordas comissões. Não me surpreende que pessoas ricas façam coisas odiosas apenas para ganhar mais dinheiro.

Ficar longe da família, dos amigos, do filho, dos torcedores e do clube que o amam tem um preço que Neymar não precisa pagar. Se Ronaldo pagou, azar dele. Ele ainda não era um Neymar aos 19 anos. Enfim, como diz a sabedoria popular, felicidade não se compra. E eu completo: caráter também não.

Minha dúvida, agora, é se Ronaldo agiu sozinho nessa estratégia de “convencimento” a Neymar. Estranhei muito quando Galvão Bueno, amigo íntimo e parceiro de Ronaldo em alguns negócios, fez um apelo emocionado para que o Menino de Ouro se transferisse para o Real Madrid, contrariando os próprios interesses da Rede Globo. Lembro-me bem da frase: “Estou falando para o seu bem, Neymar. Que mal há em jogar em um time do tamanho do Real Madrid?”.

Estranhei também quando Fausto Silva, outro amigo particular de Ronaldo, deu voz ao ex-jogador para que fizesse outro apelo público ao craque santista, desta vez argumentando que o talento de Neymar não podia ficar restrito ao Brasil, mas deveria ser exposto ao mundo.

Ora, a tevê e a Internet acabaram com as distâncias. O que se faz na Vila Belmiro é visto em Hong Kong… Está certo que nem todos os jogadores e times têm essa visibilidade planetária. Mas Neymar e o Santos certamente têm e serão vistos por todos, onde quer que joguem.

E você, acha que é possível que a Nike seja pior do que a Umbro? E Galvão e Fausto Silva, ajudaram o amigo Ronaldo no convencimento a Neymar para ir embora do Brasil?


Febre de dossiês é bem melhor do que o esquecimento


Eu, a testemunha-chave João Havelange e José Carlos Peres, o mentor da unificação.

Algumas pessoas, estranhamente desesperadas com o inevitável reconhecimento, por parte da CBF, dos títulos brasileiros a partir de 1959, estão atirando para todos os lados. E entre as alegações desses trainees de profetas do apocalipse, está a de que tudo deveria ficar como antes, porque agora uma enxurrada de dossiês será produzida.

Ora, tirando a parte que não respeitam e banalizam o meu trabalho – como se pesquisas históricas pudessem ser feitas como posts de cinco linhas em um blog –, acho que se houver mesmo uma produção contínua de dossiês sobre competições de futebol já realizadas no Brasil, isso será ótimo, pois ao menos evitará que caiam no esquecimento, como muitos queriam que acontecesse com a Taça Brasil e o Torneio Roberto Gomes Pedrosa.

Quem diz que tudo deveria ficar como antes desse reconhecimento, na verdade está dizendo que as competições nacionais antes de 1971 deveriam permanecer no limbo, no buraco negro da história.

Pelé, Garrincha, Ademir da Guia, Tostão, enfim, uma geração incomparável de craques que lutou pelo título brasileiro de 1959 a 1971 seria jogada na lixeira de nossa memória esportiva. Era isso que queriam?

Sem o testemunho dos jogadores e do senhor João Havelange, não seria possível produzir um documento irrefutável, como foi feito. Ou seja, com o passar do tempo, a recuperação da era de ouro do futebol brasileiro poderia estar irremediavelmente perdida.

No entanto, por interesses deconhecidos, muitos pediam e ainda pedem – pois têm opinião formada, mesmo sem estarem informados – que se deixasse tudo como estava, ou seja: com as duas primeiras competições nacionais e oficiais, a Taça Brasil e o Robertão, menos conhecidas e valorizadas a cada ano, e um campeonato que começou em 1971 e, sob forte influência do governo militar, tornou-se um monstro deficitário, de nível técnico baixo, muitas viradas de mesa, dez mudanças de nome e troca de regulamentos a cada ano.

É este Nacional que querem que continue como a única referência de “campeonato brasileiro” (oficialmente a competição só se chamou assim em 1989)? Por que tanto rigor, tanta exigência com a Taça Brasil e o Torneio Roberto Gomes Pedrosa e ao mesmo tempo tanta tolerância com esta competição que, todos sabem, apresentou sérios problemas na maior parte de suas edições?

Regras para um dossiê dar certo

Tenho sido consultado por jornalistas e pesquisadores sobre a possibilidade de se produzir dossiês sobre determinadas competições do passado e enviá-los para a análise da CBF. A todos tenho respondido que para se ter sucesso na empreitada, é preciso que se consiga provar vários aspectos da competição.

O essencial é que ela tenha sido criada para o mesmo objetivo que é proposto no dossiê. Não adianta, por exemplo, pegar um torneio Rio-São Paulo e tentar transformá-lo em Campeonato Brasileiro. Ele foi criado para unir equipes de São Paulo e Rio de Janeiro em um torneio regional, não nacional.

Mesmo sabendo-se que São Paulo e Rio concentravam os melhores times e jogadores do País à época, a competição não tinha abrangência nacional e nem, repito, tinha sido criada com esse objetivo.

Documentos, imprensa, testemunhas

Esta oficialidade do evento tem de ser comprovada com documentos da própria federação ou confederação. Há muitas competições amistosas que podem adquirir prestígio, reunir grandes equipes, atrair ótimo público e ganhar grande espaço na mídia. Mesmo assim, não deixarão de ser amistosas.

É preciso comprovar-se também a finalidade da competição. Dezenas de torneios internacionais – o Hexagonal do Chile é um deles – tiveram um nível técnico superior a qualquer “campeonato” mundial de clubes já realizado. Porém, não tinham como objetivo definir um campeão mundial.

Depois de se cercar da documentação suficiente, é preciso constatar se a imprensa corrobora com essa finalidade. No caso da Taça Brasil, a CBD diz que é oficial e foi criada para definir o campeão brasileiro, e toda a imprensa do País à época concorda com esse objetivo.

Como é impossível que todos os jornalistas esportivos de um período de dez anos tivessem cometido o mesmo equívoco quanto à finalidade da competição, destacando em títulos e nos leads das matérias que elas definiam o campeão brasileiro e único representante do país na Copa Libertadores da América, conclui-se que a imprensa corroborava com a finalidade oficial do evento.

Neste ponto, provada a finalidade da competição e sua confirmação pela imprensa, talvez o dossiê já seja bem-sucedido. Mas, ainda é preciso ouvir as testemunhas. No meu caso, os jogadores foram muito importantes. Porém, mais do que eles, a testemunha-chave era o senhor João Havelange, presidente da CBD, que criou não só a Taça Brasil, como o Torneio Roberto Gomes Pedrosa e o Campeonato Nacional.

E Havelange foi enfático. Em carta e, principalmente, em depoimento para mim e o Peres, em Santos, deixou claro que a Taça Brasil e o Robertão tinham o objetivo de definir o campeão brasileiro. “Se foram disputados, foram oficiais, e se foram oficiais, tem de ser respeitados”, concluiu (seu depoimento está no vídeo entregue à CBF, junto com o Dossiê).

Quem ganha é a história

Desta forma, mesmo que o sucesso do “Dossiê pela Unificação dos títulos brasileiros a partir de 1959” desencadeie uma onda de dossiês, isso não quer dizer que todos serão aprovados. Há exigências para que sejam aceitos e a maior delas, obviamente, é a de que expressem, rigorosamente, a verdade.

Porém, aprovados ou não, estes dossiês acabarão preenchendo uma lacuna importante na história do futebol brasileiro, pois jogarão luzes sobre competições e períodos hoje pouco ou nada conhecidos.

Trabalhar para recuperar a história não é uma loucura. A loucura é esquecê-la.

E você, tem se informado sobre Taça brasil e Torneio Roberto Gomes Pedrosa para poder defender a causa justa do reconhecimento?


“É factível”, diz Ricardo Teixeira sobre a Unificação dos Títulos Brasileiros


José Carlos Peres fala a Ricardo Teixeira. Luis Álvaro (esq) observa

Hoje, finalmente, o “Dossiê pela Unificação dos Títulos Brasileiros” pôde ser entregue a Ricardo Teixeira, presidente da Confederação Brasileira de Futebol. E pós recebê-lo, assim como a um vídeo onde se destaca um pronunciamento de João Havelange, ex-presidente da CBD, reafirmando que Taça Brasil e Torneio Roberto Gomes Pedrosa eram competições oficiais e definiam o campeão brasileiro, Teixeira disse que o pedido dos clubes é FACTÍVEL (que pode ser feito, exequível).

Do encontro, realizado na sede da CBF, participaram José Carlos Peres, gerente executivo do G4 – Aliança Paulista; o presidente do Santos Futebol Clube, Luis Álvaro Ribeiro; o vice-presidente do Botafogo, Antonio Carlos Mantuano; o diretor de futebol do Cruzeiro, Dimas Fonseca, além do diretor de comunicações do clube mineiro, Guilherme Mendes. Eles representaram também Palmeiras, Fluminense e Bahia, os outros clubes que foram campeões nacionais de 1959 a 1970.

Na entrevista que deu após a reunião – e que pode ser vista no vídeo abaixo – ao se referir aos campeões da Taça Brasil e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, Teixeira disse “… que, no conceito deles, foram campeões brasileiros”. Aí devo fazer uma pequena correção.

Não foi no conceito dos próprios clubes que eles ganharam o título de campeão brasileiro. Foi no campo, referendado pela Confederação Brasileira de Desportos e pela imprensa de todo o país.

Que é oficial todo mundo que, mesmo superficialmente, estudou a questão, está careca de saber. O que se pede não é a oficialização, mas a ratificação, ou a homologação dos títulos pela CBF. Particularmente, considero essa atitude uma obrigação da entidade que dirige o futebol brasileiro, já que ela foi criada em setembro de 1979, quando estas competições já tinham sido realizadas e já estavam consagradas como definidoras dos campeões brasileiros de 1959 a 1970.

Outro descuido do presidente da CBF é referir-se aos títulos em questão como “antes do Campeonato Brasileiro”. Na verdade, a designação oficial de Campeonato Brasileiro” só começou a ser utilizada a partir de 1989. Antes, a competição teve diversas denominações, tais como Taça Brasil, Torneio Roberto Gomes Pedrosa, Taça de Prata, Campeonato Nacional,Copa de Ouro, Taça de Ouro, Copa União etc. Ou seja, a Taça Brasil é o primeiro elo da competição que desembocou hoje no Campeonato Brasileiro.

Finalmente, Teixeira disse que o pedido “em princípio é factível” e deve ser analisado pelos setores envolvidos. Ótimo, mas a CBF, que eu saiba, não tem um departamento de estudos da história do futebol brasileiro. Não há profissionais especializados em pesquisa histórica trabalhando nisso, criteriosamente, por lá. Coloco-me desde já à disposição da CBF para ajudar nessa análise com todos os recursos que tiver e com os documentos que já colecionei.

Não esperemos que esta decisão venha antes de dois meses. Se a CBF realmente tivesse um departamento de história e estatística, já teria homologado esses títulos.Talvez a decisão seja mesmo política, e aí exigirá novos esforços da comissão executiva do Dossiê, que jamais descansará enquanto este período do futebol brasileiro não for devidamente valorizado.

Em vídeo, João Havelange diz que CBF tem obrigação de reconhecer os títulos

Além do Dossiê – um livro capa dura com 204 páginas que traz fatos, provas e argumentos que justificam a reivindicação dos clubes –, hoje o presidente Ricardo Teixeira recebeu um vídeo com depoimentos de dirigentes, ex-jogadores campeões brasileiros (como Pelé, Ademir da Guia, Raul Plasmann, Marito, Paulo César Caju, Mickey) e, especialmente, de João Havelange, presidente da CBD responsável pela criação da Taça Brasil e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, além de ex-sogro de Ricardo Teixeira.

Na sua fala, Havelange foi incisivo e disse que o reconhecimento desses títulos pela CBF “é uma obrigação”. Leia agora, na íntegra, o que diz Havelange no vídeo entregue a Ricardo Teixeira:

Quanto eu cheguei à CBD nós tínhamos um campeonato que era importante e valioso: o Rio-São Paulo. Mas o Brasil foi se desenvolvendo. O senhor não poderia se esquecer dos outros estados, dos outros clubes, dos outros jogadores, e assim criamos a Taça Brasil.

Reconhecer o que foi feito não é desdouro. É uma obrigação. Se os títulos existiram, é porque as competições foram oficiais. Se eles são oficiais, me perdoe, são para serem respeitados.

E se a CBF puder levar adiante e reconhecer os títulos daqueles que já foram campeões também nas condições de hoje, eu acho que fazemos justiça, e fazemos mais do que isso: fazemos uma homenagem ao futebol do passado, que é o responsável do futebol que temos hoje. Obrigado.

Depois de ouvir João Havelange, o presidente da CBD que criou as competições, fica alguma dúvida de que Taça Brasil e Roberto Gomes Pedrosa eram oficiais e davam aos seus vencedores os títulos de campeões brasileiros?


Sim, a CBF receberá o Dossiê. Mas é apenas um passo…


Jornal da Tarde, Gazeta Esportiva e o próprio Boletim Oficial da CBD tratam Cruzeiro (1966), Santos (1961/62/63/64/65/68) e Fluminense (1970) como campeões brasileiros

Ontem surgiu a notícia, divulgada equivocadamente pelo diretor de futebol do Cruzeiro, Dimas Fonseca, de que na próxima quarta-feira a CBF anunciará a unificação dos títulos brasileiros a partir de 1959, ratificando o que já é oficial pela CBD, ou seja, que os campeões da Taça Brasil (1959 a 1968) e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa (1967 a 1970) são tão campeões brasileiros como os que vieram a partir de 1971. Mas não é bem assim…

O que haverá na próxima quarta-feira, às 11 horas, na sede da CBF, é um encontro, seguido de almoço, entre o presidente da entidade, Ricardo Teixeira, e os presidentes de três clubes campeões brasileiros antes de 1971 e o coordenador do projeto pela unificação dos títulos, o ex-superintendente do Santos na Capital, hoje gerente executivo do G4 Paulista, José Carlos Peres.

Na oportunidade, Teixeira receberá oficialmente o Dossiê e ouvirá dos presentes alguns dos sólidos argumentos que confirmam a legalidade e legitimidade do que pleiteiam.

Os três presidentes de clubes presentes ao encontro serão José Perrella de Oliveira Costa, do Cruzeiro Esporte Clube; Maurício Assumpção, do Botafogo Futebol e Regatas, e Luís Álvaro Ribeiro, do Santos Futebol Clube.

Eles representarão os outros três presidentes da comissão executiva, que são Marcelo Guimarães Filho, do Esporte Clube Bahia; Luiz Gonzaga Pelluzzo, da Sociedade Esportiva Palmeiras, e Roberto Horcades, do Fluminense Futebol Clube. Completam a comissão executiva este blogueiro que vos escreve, autor da pesquisa e do texto do Dossiê, e o publicitário Marcos Magno de Souza Cunha.

Não espere decisão rápida

Não há qualquer dúvida de que o Brasil já tem clubes campeões nacionais oficiais desde 1959. Já falei e escrevi muito sobre isso e estou à disposição para responder a quaisquer dúvidas sobre o assunto.

A Taça Brasil decidia o campeão brasileiro do ano, assim como o Torneio Roberto Gomes Pedrosa, o Campeonato Nacional (com suas várias denominações) e o Campeonato Brasileiro, que só teve este nome a partir de 1989.

Desconfio que até na CBF ninguém duvide disso. A documentação comprobatória é farta, assim como os testemunhos e os arquivos de imprensa. A virada de mesa começou em 1971, quando o regime militar se apossou do futebol brasileiro como forma de se aproximar das massas. Porém, agora, felizmente, isto pode e deve ser revisto.

No entanto, o mais sensato, neste momento, é simplesmente esperar pela decisão da CBF. Há uma grande expectativa de que a recuperação desta verdade histórica finalmente virá, para iluminar um período de ouro do nosso futebol e fazer justiça aos grandes craques do passado. Mas não há data para que isso aconteça.

Uma visão mesquinha da questão – mas que certamente será usada pela mídia sensacionalista – é levá-la para o lado dos rankings e como eles podem ser modificados com a incorporação dos “novos” títulos brasileiros. Ora, isso é bobagem. Para quem não sabe, o Santos já garantiu o primeiro lugar no ranking brasileiro de 2010 e nem os santistas vibram com isso, pois sabem que os critérios da CBF para elaborar o seu ranking anual são absurdos.

O que se quer, de verdade, é fechar este ciclo histórico que acabou ficando incompleto, repito, devido à intervenção do governo militar no futebol brasileiro. A decisão pode demorar e talvez exija novos e novos esforços. Entretanto, a causa é legítima e legal, portanto justíssima. Vale a pena brigar por ela até o fim.

Tem alguma dúvida sobre o assunto? Vá aos comentários e deixe sua pergunta.


Filme “Soberano” se baseia numa informação falsa

É interessante essa moda de se lançar filmes sobre clubes de futebol. Já tivemos alguns muito bem produzidos sobre o Corinthians, como o “23 anos em sete segundos”, teremos em 2011 um sobre o Santos, e sexta-feira, justo no dia do meu aniversário, será lançado “Soberano – seis vezes São Paulo”, que conta a história dos seis títulos brasileiros conquistados pelo tricolor.

Nem preciso dizer que gosto e respeito a história do São Paulo. Tenho amigos e parentes são-paulinos e certamente conheço mais a história do clube do que eles. Porém, este filme em particular me decepciona em um quesito que considero muito importante: a verdade histórica.

“Soberano” é o tipo de filme feito para atender os interesses do clube. Ele distorce as informações para que se tornem mais favoráveis ao São Paulo e carrega nas tintas para se tornar mais atraente, o que pode torná-lo agradável para seu público, mas diminui sensivelmente o seu valor como documento.

São Paulo não é o maior campeão brasileiro

Juvenal Juvêncio, presidente do São Paulo, tinha 24 anos quando a primeira Taça Brasil foi disputada, em 1959. É de se imaginar que já acompanhasse o futebol. E se acompanhava, e se leu algum jornal, ouviu alguma emissora de rádio, assistiu tevê ou foi ao cinema – onde se passava o Canal 100 –, sabe que a Taça Brasil, que perdurou até 1969, foi criada pela CBD para dar ao vencedor o título de campeão brasileiro e o direito de representar o Brasil na Copa dos Campeões da América, hoje conhecida como Copa Libertadores da América.

A partir de 1967 a competição nacional mais importante passou a ser o Torneio Roberto Gomes Pedrosa/Taça de Prata, que mesmo disputado por apenas quatro anos – 1967 a 1970 – é até hoje a que teve o melhor índice técnico e a melhor média de público dentre todos os campeonatos já realizados para se apurar o campeão brasileiro.

Como se sabe, de 1958 a 1970 viveu-se a era de ouro do futebol brasileiro, com a conquista de três Copas do Mundo – 1958/62/70 –, ou seja, 2/3 dos mundiais que o país conseguiu em toda a sua história. Era uma época tão encantada que todos os jogadores da Seleção Brasileira, titulares e reservas, jogavam no Brasil. Dentre eles Pelé, Garrincha, Tostão, Gérson, Rivelino, Zito, Gylmar, Jairzinho, Clodoaldo, Paulo César Caju, Vavá, DirceuLopes, Ademir da Guia…

Pois bem. Nesta fase, repito, de ouro do nosso futebol, o São Paulo, que construía o Morumbi, não tinha um time tão competitivo e por isso não ganhou nada. Nem um estadual, nem um Rio-São Paulo, nada. É claro que um são-paulino gostaria que esses anos fossem apagados da história do futebol…

Pois o filme faz justamente isso. Apaga da história a fase de ouro do futebol brasileiro e, neste caso coloca Juvenal Juvêncio de braços dados com a rival CBF de Ricardo Teixeira, pois assim como o omisso dirigente da Confederação, aceita a versão anticonstitucional de que o Brasil tem campeões nacionais apenas a partir de 1971.

Aviso aos navegantes que tanto a Taça Brasil como o Torneio Roberto Gomes Pedrosa eram oficiais, chancelados pela CBD, a entidade da qual a CBF herdou os títulos da Seleção e, obrigatoriamente, herdou também as competições internas oficiais organizadas por sua antecessora. Além da cobertura da imprensa e de documentos da CBD, tenho a palavra de João Havelange, falada e escrita, para comprovar a oficialidade dos títulos brasileiros de clubes conquistados naquele período.

Carta que recebi de João Havelange em que ele confirma a oficialização dos títulos da Taça Brasil e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, competições criadas por ele quando presidia a CBD, e em que pede a unificação dos títulos brasileiros a partir de 1959.

Boletim oficial da CBD que trata o Fluminense como campeão do Brasil em 1970

Capa de A Gazeta Esportiva, o jornal de esportes mais lido do País na época, anunciando o tetracampeonato do Santos em 1964. Depois viriam mais quatro títulos brasileiros (1965/1968/2002/2004) e a Copa do Brasil deste ano.

Já discorri exaustivamente sobre o caso e expus provas e evidências mais do que suficientes para que não houvesse quaisquer dúvidas sobre o assunto. Credito às “dúvidas” apenas à paixão de alguns por clubes que nada conquistaram entre 1959 e 1970. Historiadores e cineastas deveriam ser mais criteriosos ao lidar com algo tão sério que é a história do futebol brasileiro.

Para se apurar os maiores campeões brasileiros, é preciso recorrer a um ranking publicado na revista internacional FourFourTwo e elaborado pelo jornalista e pesquisador Celso Unzelte. Nele, o Santos tem oito títulos de primeira linha; o Palmeiras, sete; Flamengo e São Paulo, seis, mas o time carioca ganha a terceira posição no desempate por ter mais duas Copas do Brasil.

De qualquer forma, o filme deve ser uma boa diversão para os são-paulinos e, de alguma forma, servirá para consolidar a paixão dos torcedores pelo clube. A iniciativa é válida e merece os parabéns. Pena que é mais uma peça de marketing do que uma obra de arte, e representa menos ainda como documento histórico, pois amputa justamente a fase mais criativa do futebol brasileiro.

E você, acha que esses filmes de clubes devem mesmo ser instrumentos de marketing e falar só o que o torcedor quer ouvir, ou deveriam obedecer a um maior rigor histórico?


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