Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

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Os porquês do bairrismo

modesto roma - placar 1
modesto roma - placar 2 Revista Placar de 5 de março de 1976 mostra como pensava Modesto Roma, pai do presidente atual do Santos.

O bairrismo, por si só, não é bom ou ruim. Baseia-se na crença, ou no sentimento, de que as coisas, concretas ou abstratas, de nosso bairro, nossa cidade, nossa região, merecem tratamento superior às de outros bairros, cidades ou regiões. Ser bairrista não significa, necessariamente, odiar o que é de fora, o estrangeiro. Veja que Portugal é o país considerado o mais hospitaleiro da Europa, no entanto é assumidamente bairrista.

O bairrismo de Portugal tem sua lógica. País pequeno, com apenas 10 milhões e meio de habitantes, o quase milenar Portocale teme que sua cultura seja dominada pelos estrangeirismos. Há regras rígidas até para se batizar uma criança por lá. Nomes que não são de origem portuguesa, como Wendel, Willian, Walter, Waldemar e Vivian, entre muitos outros, são proibidos nos cartórios. O português quer preservar, a todo custo, a última flor do Lácio.

Nós, torcedores do Santos que não moramos em Santos, sentimos na pele a força do bairrismo que é alimentado há décadas por alguns grupos da cidade praiana. Que eu me lembre, o grande presidente santista Athié Jorge Cury não era bairrista. Ele levou o Santos para jogar no mundo todo, e com os dólares que trazia manteve o melhor time do mundo por muitos anos. Onde, estaria, então, a origem desse bairrismo que ainda hoje freia os sonhos de crescimento do clube?

Digo “freia” porque é um bairrismo bem diferente do que se vê em Portugal. Não se trata de preservar a cultura ou a tradição de um povo, mas sim de apenas impedir que mais pessoas contribuam para o crescimento de uma instituição que conquistou adeptos em todo o mundo e agora, à força, querem que volte à sua dimensão anterior – algo tão difícil como fazer a rolha da champanhe voltar a tampar hermeticamente a boca da garrafa.

Um amigo santista acaba de me enviar uma revista Placar de 5 de março de 1976 que pode nos dar alguma pista das origens desse sentimento exclusivista que toma conta de alguns torcedores do Alvinegro Praiano. Nessa revista, há uma matéria de cinco páginas sobre o Santos, intitulada “Os feitiços da Vila”, na qual o presidente do clube na época, o senhor Modesto Roma (São Vicente, 15 de julho de 1907 – Santos, 6 de março de 1986), pai do atual presidente, pregava que o mesmo time que conquistou o mundo deveria voltar a ser apenas de sua cidade.

O velho Roma dizia, em março de 1976, que a saída financeira para o Santos era jogar na Vila Belmiro. Porém, conforme as súmulas dos jogos daquele período, impressas no Almanaque do Santos FC, escrito por Guilherme Nascimento, o quadro que se via era o mesmíssimo do atual, com o time conquistando seus maiores públicos nos jogos na Capital Paulista, e ainda colecionando muito mais derrotas na Vila Belmiro do que em São Paulo.

É preciso lembrar, ainda, que naquela época o Urbano Caldeira não tinha camarotes, os ingressos eram mais baratos e se permitia vender entradas para se assistir aos jogos de pé. Isso podia fazer a Vila receber públicos de até 30 mil pessoas, como ocorreu em 15 de fevereiro de 1976, quando, diante de 31.662 torcedores, o Santos foi goleado pelo Palmeiras por 5 a 0. Na maior parte dos jogos no seu estádio, porém, nesse mesmo período de 1976, o público era até menor do que hoje, como diante da Portuguesa Santista (5.104 pessoas), São Bento (3.977), Botafogo (7.838) e nos amistosos contra Saad (1.173), Ponte Preta (1.438) e Marília (4.002).

Mesmo mandando todos os seus jogos na Vila, o Santos não se classificou para a fase final do Campeonato Paulista, ficando em quinto e penúltimo lugar no Grupo C, atrás de Palmeiras, Ponte Preta, América e Noroeste. Os jogos de maior público com mandos do Santos, em 1976, ocorreram no segundo semestre, durante o Campeonato Brasileiro, nas partidas contra o Internacional, no Morumbi (83.995 pessoas) e Bahia, no Pacaembu (42.233 pagantes).

modesto roma - placar - frase

Certamente, Modesto Roma, que presidiu o Santos de 1975 a 1978, queria o melhor para o clube e agiu da maneira que julgou a mais correta para mantê-lo competitivo. Entretanto, depois de um primeiro semestre desastroso, percebeu que não poderia alijar dos destinos do Santos a grande torcida santista da Capital e recorreu a ela para recuperar as finanças do Santos.

Essa visão, abrangente e universal, é a que seria a mais indicada hoje, em que o clube estuda a participação em um empreendimento milionário que exigirá um investimento que ele não tem e ao mesmo o afastará da sua maior massa de torcedores, a mesma que socorreu o Santos quando Pelé parou e a imprensa esportiva de São Paulo já apostava que o Alvinegro Praiano voltaria às suas origens humildes.

Modesto Roma - capa da Placar de 5 de marco de 1976

Felizmente, Modesto Roma, o pai, percebeu a armadilha e aprumou o Santos no caminho que o consolidou, mesmo sem Pelé e os ídolos da década de 1960, como um dos maiores e mais populares times de futebol do Brasil. O que se espera agora é que, nesse momento delicado para a vida do clube, seu filho tenha a mesma visão e sabedoria, e saiba aliar as vantagens de ter o clube sediado na tranquila e aprazível cidade de Santos, com a enorme e apaixonada massa de torcedores que conquistou no planalto.

E você, o que acha disso?

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Conheça os tempos em que o Santos reinava no futebol mundial
odir e joel
Fui o último jornalista a entrevistar Joel Camargo, para o Museu Pelé. Dias depois ele foi internado na Santa Casa de Santos e faleceu em 23 de maio de 2014, aos 67 anos. Tive a felicidade de lhe tirar um sorriso quando lembrei que ele era uma das Feras de Saldanha na Copa de 70, pois as Eliminatórias fazem parte da Copa. Titular em todos os seis jogos do Brasil nas Eliminatórias, participou da partida de maior público oficial no País: a vitória sobre o Paraguai, por 1 a 0, no Maracanã, com 183.341 pessoas. Joel nasceu em 18 de setembro, um dia depois de mim. Somos ambos virginianos, um pouco chatos, exigentes, mas justos. A promoção dos livros nesse mês é uma homenagem ao inesquecível Joel.

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Como o mundo vê o Santos
Por mais que, no Brasil, vivamos essa dicotomia entre o Santos de sua cidade e o Santos do país inteiro, no Exterior não há dúvida de que o Santos é olhado como uma equipe universal. Nas minhas pesquisas invariavelmente me deparo com matérias, em outras línguas, sobre os ídolos e as conquistas de nosso time. Em 29 de agosto encontrei esta, escrita por Marcelin Chamoin. Fiquei feliz de saber que ela traz trechos de meu livro “Donos da Terra” e filmes postados no Youtube pelo amigo Wesley Miranda, uma prova de que nossos trabalhos para preservar a história do Santos sempre dão algum fruto, às vezes inesperado, em algum lugar do planeta.
Clique aqui para ler o texto, em francês (dá para traduzir) de Marcelin Chamoin, sobre o Santos e Pelé.

E você, o que acha disso?


Jabuca e Briosa, dois times 100% da cidade de Santos

Minha coluna do jornal Metro fala da importância vital de se criar uma Liga Nacional de Clubes para a sobrevivência da competitividade entre os clubes brasileiros. Clique aqui, leia e comente.

Confesso que em meados dos anos 60 eu torcia para o Santos ser campeão e para a Portuguesa Santista, a “Briosa”, não ser rebaixada. E veja que eu era um menino de São Paulo, jamais tinha pisado em Santos. Mas o nome daquela cidade me lembrava praia, alegria, férias, e naquele tempo não se falava “vou à praia”, se dizia “vou a Santos”, como se fosse uma cidade mágica feita para as crianças brincarem. E eu, já fascinado pelo Santos, adotei também a Portuguesa Santista, que vi ganhar da Ponte Preta por 1 a 0, em 1964, gol do craque Samarone, e subir para a Divisão Especial do Campeonato Paulista.

Como a simpatia pelo Jabaquara, o “Jabuca”, veio na mesma época, me tornei um paulistano que torcia para os três times de Santos. Aposto que lembro algumas passagens que nem alguns torcedores desses times se recordam. Como a goleada da Santista sobre o Palmeiras, em pleno Parque Antártica, por 4 a 1, no Paulista de 1968, ano em que o Palmeiras só não foi rebaixado porque houve uma mutreta no jogo final contra o Guarani, em Campinas.

Não esqueço, também, os contorcionismos que o Jabaquara fazia para não ser rebaixado. Primeiro, apelava para os tribunais, alegando que como fundador da Federação Paulista de Futebol, não poderia sair da Primeira Divisão. Ganhou algumas causas assim e por isso a Divisão passou a ser denominada “Especial”, para evitar os dribles jurídicos do Jabuca.

Sem dinheiro, um dia o Jabaquara contratou o malabarista de um circo que passava pela cidade. Bastou uma partida para se perceber, entretanto, que o astro “Mandrake” – era este o nome da fera – se saía muito bem controlando a bola sem nenhuma marcação, mas não era o mesmo em uma partida (esta é a história que ouvi do narrador Raul Tabajara, da TV Record, mas o leitor deste blog, Antonio, diz que Mandrake jogava em times de várzea de Santos com muito sucesso. Quem sabe os dois não estar certos. Mandrake jogava em times de várzea e se apresentava como malabarista em circos).

Ambos fundadores da Federação Paulista, Jabaquara Atlético Clube e Associação Atlética Portuguesa, têm uma história que merece respeito. O Jabuca completou seu centenário em 15 de novembro de 2014, a Briosa comemorará o seu em 20 de novembro de 2017.

Se somarmos os craques que revelaram, teríamos um timaço. O Jabuca descobriu Gylmar, o maior goleiro do Brasil de todos os tempos, Baltasar, Feijó, Getúlio, Ramiro, Álvaro, Célio… A Briosa, além de Samarone, já citado, revelou Tim, craque da Seleção Brasileira de 1938, Joel Camargo, Marco Antonio… até Neymar começou lá.

Nenhum dos dois clubes conquistou um título estadual de primeira divisão, mas tiveram momentos de destaque. Ainda com o nome de Hespanha, o Jabaquara foi vice-campeão paulista, pela Liga Amadora de Futebol, em 1927, atrás apenas do temível Paulistano. No ano seguinte voltou a ter boa atuação, ficando em terceiro lugar.

A vitória mais comemorada do Jabuca o correu na noite de 31 de julho de 1957, na Vila Belmiro, quando goleou o Santos, bicampeão paulista, com Pelé e tudo, por 6 a 4. Naquela noite, comandado pelo argentino Filpo Nuñez, técnico que depois faria sucesso no Palmeiras, o “Amarelinho” como também era chamado o Jabaquara pela cor de sua camisa, saiu de uma derrota de 3 a 1 para uma goleada espetacular. Melão marcou quatro gols.

Quanto à Portuguesa Santista, além da heroica ascensão, em 1964, o time recebeu a Fita Azul por uma excursão invicta à Africa em 1959. Deixou tão boa impressão nos países onde jogou, que por lá passou a ser chamada, pomposamente, de “La Santista”. Sua melhor colocação na série principal do paulista foi o terceiro lugar, obtido em 1936, 1937, 1938 e 2003. Outro motivo de orgulho para seus torcedores é que o seu estádio, Ulrico Mursa, inaugurado em 1920, hoje com capacidade de 9.139 pessoas, foi o primeiro da América Latina a receber cobertura de concreto.

O histórico estádio do Jabaquara, o popular Caneleira, comporta 8.031 pessoas. O clube já teve um bom terreno de frente para o mar, na valorisadíssima Ponta da Praia, em Santos, mas em 1945, em grave crise financeira e às portas do rebaixamento, resolveu vender o terreno para pagar as dívidas. Acabou sem terreno e ainda com muitas dívidas, em um negócio que jamais ficou muito bem explicado.

Uma curiosidade que envolve os dois times e também o Santos Futebol Clube é que no Campeonato Paulista de 1935, o primeiro estadual conquistado pelo Alvinegro Praiano, o Corinthians liderou o primeiro turno sem nenhum ponto perdido, mas no segundo perdeu para Jabaquara e Portuguesa Santista, permitindo que o Santos, com mais uma vitória, comemorasse o título em pleno Parque São Jorge.

1935, um título do Santos, mas com ajuda da Briosa e do Jabuca Com seis vitórias em seis jogos, o Corinthians terminou o primeiro turno do Campeonato Paulista de 1935 na liderança. Mas logo em seu primeiro jogo do returno, foi enfrentar a Portuguesa Santista no Ulrico Mursa e perdeu por 2 a 1, com dois gols seguidos de Tim, aos 36 e 38 minutos do primeiro tempo. Na semana seguinte, o alvinegro paulistano voltou a Santos, dessa vez para jogar contra o Jabaquara, no antigo campo do Macuco, e saiu novamente derrotado: 2 a 0, gols de Chiquinho aos 21 minutos do primeiro tempo e Carazzo, de pênalti, aos 23 do segundo. Como depois ainda empatou com o Juventus (1 a 1), no Parque São Jorge, o time da âncora teria de vencer o Santos e o Palestra Itália, nas duas últimas rodadas, para sair campeão. Porém, o Glorioso Alvinegro Praiano subiu a serra acompanhado de uma corajosa torcida de estivadores, venceu por 2 a 0, gols de Raul aos 36 minutos do primeiro tempo, e Araken, aos 17 do segundo, e no dia 17 de novembro, em pleno estádio do adversário, comemorou o seu primeiro título paulista, conquista heroica que teve a participação dos três times de Santos.

Jabaquara, fundado pela colônia espanhola de Santos, que teve o dramaturgo Plínio Marcos como seu torcedor mais famoso, e Portuguesa Santista, time preferido da colônia portuguesa da cidade, hoje disputam a Série B do Campeonato Paulista e lutam para voltar à Divisão Principal do Estado. Conheça um pouco mais sobre ambos:

Clique aqui para entrar no site oficial do Jabaquara

Hino do Jabaquara:

Filme sobre o Centenário do Jabaquara:

Clique aqui para entrar no site oficial da Portuguesa Santista

Hino da Portuguesa Santista:

Filme sobre a Portuguesa Santista:

Melhores momentos de Jabaquara 2 x 2 Portuguesa, em junho de 2014, pela Segunda Divisão do Campeonato Paulista:

E você, o que acha das histórias de Jabaquara e Portuguesa Santista?


Santos fará sua final de Copa do Mundo domingo, no Morumbi

Espanholização só pode dar Real ou Barça

Até minha mãe, dona Olímpia, torceu para o Atlético de Madrid. Por dois minutos e meio não deu. O Real Madrid é o melhor que o dinheiro pode comprar. Cristiano Ronaldo, Bale, Marcelo… Agora, quem sabe, só daqui a 40 anos. O Atlético está condenado a ser um eterno coadjuvante. Queremos isso para os outros clubes grandes do Brasil? Pense.

#naovaiterolimpiada – Minha coluna desta sexta-feira no jornal Metro de Santos

a href=”http://www.metrojornal.com.br/nacional/colunistas/nao-vai-ter-olimpiada-93735

Antes que façam mais uma burrada, fiquem sabendo que os santistas não querem o caro e grosso Julio Batista. Não joguem mais dinheiro fora! Não façam dívidas que vocês não vão pagar!

http://youtu.be/RleW1WouGqE

Morreu Joel Camargo

odir e joel
Um dia feliz pra mim: quando pude entrevistar Joel Camargo para o Museu Pelé. Prefiro ficar com essa imagem do grande zagueiro (Foto: Aline Ribas/ Museu Pelé).

O amigo Vanderlei Lima, do UOL, acaba de me ligar para avisar que Joel Camargo, que estava internado na Santa Casa de Santos, morreu na manhã desta sexta-feira, aos 67 anos. Um dos mais clássicos zagueiros que o Santos teve, foi uma das “Feras do Saldanha” e participou de todos os seis jogos do Brasil nas Eliminatórias para a Copa de 70. Com a substituição de Saldanha por Zagallo, Piazza foi recuado para a quarta-zaga e Joel saiu do time. Não se considerava campeão do mundo, pois achava que “campeões são os que jogaram”. Mas Eliminatórias também fazem parte da Copa. Recentemente, ao entrevistá-lo para o Museu Pelé, lembrei-lhe que participou do jogo de maior público, oficial, do Maracanã: a vitória de 1 a 0 sobre o Paraguai que levou o Brasil para a Copa do México – 183.341 pagantes, em 31/08/1969. Chamado de “Açucareiro”, por carregar a bola com os braços abertos, Joel jogou no Santos de 1963 a 1971, fez 309 jogos pelo Alvinegro Praiano e marcou cinco gols. Nasceu em 18 de setembro de 1946 e começou no futebol aos 17 anos, na Portuguesa Santista. Depois do Santos defendeu o Paris Saint-Germain e o Saad. Ao pendurar as chuteiras trabalhou 20 anos como estivador do Porto de Santos e também deu aula de futebol em escolinhas. Morava com a filha e a netinha bem em frente ao Sesc de Santos. Seu velório está sendo realizado na Santa Casa de Santos. O enterro será nesta sexta-feira, às 16 horas, no Cemitério da Filosofia, no Saboó, em Santos.

Santos fará sua final de Copa do Mundo domingo, no Morumbi

Meus amigos e amigas, o futebol tem jogos que são verdadeiros divisores de águas. E domingo, às 16 horas, no Morumbi, Santos e Flamengo farão um desses. A vitória significará esperança, otimismo, enquanto a derrota trará crise e desespero. O time que estava indo bem, mas deixou escapar no mínimo um ponto contra o Atlético Mineiro e mais dois contra o Goiás, poderá se redimir em grande estilo em um Morumbi de tantas tradições santistas. Basta ter fé, força e futebol. É nessas horas que os jogadores de verdade aparecem e os enganadores borram los pantalones.

Como bem disseram alguns sábios comentaristas deste blog, eu poderia usar o mesmo título do jogo contra o Atlético Mineiro para a partida diante do Goiás. Mais uma vez o Santos estava indo bem, com a vitória nas mãos, mais uma vez a defesa foi pega desprevenida e mais uma vez dois jogadores abandonaram o campo por contusões musculares: Gabriel, o melhor atacante santista, que deverá fica no mínimo duas semanas afastado, e Renato, que mal estreou, já sentiu o esforço.

Na verdade, o que o ataque fez, a defesa desfez. O estreante Renato estava indo bem, mas acabou errando o passe que deu o gol de empate ao adversário. Apesar das falhas, o Santos ainda poderia ter vencido. Em cima da hora Victor Andrade ganhou jogada na entrada da área e serviu Stéfano Youri, que perdeu o gol diante do bom goleiro Renan. Uma pena. Seria uma vitória que manteria o time próximo da ponta da tabela. Agora é vencer ou vencer.

Caiu-se em uma rotina que incomoda o torcedor. Ele não confia mais em alguns jogadores e muito menos no técnico Oswaldo de Oliveira. Mas isso pode mudar com uma boa vitória domingo. Por isso, se eu fosse jogador do Santos, comeria a grama do Morumbi em busca dessa vitória. E como sou apenas um aficionado, estarei nas arquibancadas gritando pelo time.

Meus amigos, a garra é importante. Tanto, que nesta quinta-feira, ao gravar as holografias para o maior museu já dedicado a um desportista no mundo, o Museu Pelé, o Rei do Futebol confessou-nos que antes de ir para o campo dizia a seus companheiros que se não desse na técnica, a vitória tinha de vir na garra. E perceba que quem falava isso era o jogador mais técnico que já surgiu nessa parte da galáxia.

Portanto, santistas, de Aranha a Geuvânio: joguem com inteligência, técnica, mas também muita vontade neste domingo, para buscar diante do Flamengo esse triunfo que pode colocar o Santos em um caminho mais suave neste Campeonato Brasileiro. Vençam, e serão recompensados. Percam, e sentirão mais uma vez a crueldade do torcedor.

111.111 torcedores viram esta vitória do Santos de Serginho sobre o Flamengo de Zico:

Ingressos para o grande jogo

No auge da explosão de sua torcida, o Santos atraiu 225.592 torcedores em dois jogos contra o Flamengo, no Morumbi, disputados em um intervalo de apenas três meses e meio. Em 2 de fevereiro, venceu por 3 a 2, diante de 111.111 pessoas, e em 22 de maio, no primeiro jogo da decisão do Campeonato Brasileiro, venceu novamente, desta vez por 2 a 1, com um público de 114.481 espectadores.

A decisão do Brasileiro de 1983, como se sabe, marcou um recorde de público da competição, com 155.523 pessoas – Maracanã, 29 de maio de 1983. Portanto, estamos falando de um jogo que tem grande tradição de público, sem contar a importância técnica. Ninguém esquece, por exemplo, o lendário 5 a 4 que o Flamengo de Ronaldinho Gaúcho impôs ao Santos de Neymar em plena Vila Belmiro, no Brasileiro de 2011.

Enfim, Santos e Flamengo são daqueles jogos em que sempre se espera algo especial, mesmo numa de pouco brilho como esta que o futebol brasileiro está vivendo. Por isso, se o torcedor do Santos estava esperando uma oportunidade para exercer a sua paixão pelo Alvinegro Praiano, ela chegou. O clube está colaborando e reduziu o preço dos ingressos. Vamos todos ao Morumbi.

A comercialização de ingressos para os associados será feita pelo www.sociorei.com.br até às 15 horas deste sábado. As arquibancadas amarelas custam 5 reais e as vermelhas, 10 reais. Donos de cadeiras cativas, especiais e camarotes também podem reservar os bilhetes pelo site.

Postos de venda da Baixada Santista e São Paulo

Vila Belmiro – Rua Princesa Isabel, s/ nº – Santos.

Ginásio do Ibirapuera – Av. Manoel da Nóbrega, 1361 – Ibirapuera – São Paulo – Aberto de segunda a sábado, das 11h às 17h.

Estádio Cícero Pompeu de Toledo (Morumbi) – Pça. Roberto Gomes Pedrosa, s/nº – São Paulo. Na venda antecipada, das 11h às 17h, bilheteria 02.

Pacaembu: Praça Charles Miller s/n – São Paulo – Bilheteria principal (próxima do portão principal).

Estádio Anacleto Campanella (São Caetano): Avenida Walter Thomé, 64 – São Caetano do Sul.

Alexi Calçados – Av. Ana Costa, 549 (Shopping Parque Balneário, 51, Térreo) – Tel: (13) 3284-5518. Aberto de segunda a sábado, das 10h às 21h.

Ali-Car Auto Peças, Serviços Mecânicos, Elétricos, Injeção Eletrônica e Correias Industriais – Socorro 24 Horas – Via Santos Dumont, nº 752 – Vicente de Carvalho – Guarujá – Tel.: (13) 3352-5077– Aberto todos os dias 24 horas.

Empório Brasil Esportes – Rua Jacob Emmerick, 448 – Centro – São Vicente – Tel.: (13) 3467-5298 – Aberto das 9h às 19h, de segunda a sábado.

Pepino Esportes do Super Centro Boqueirão – Rua Oswaldo Cruz – loja 66/95 – Santos – Tel.: (13) 3233-8850 – Aberto de segunda a sábado, das 9h às 20h.

Santos na Área (Gonzaga/Santos) – Avenida Ana Costa, nº 519 – Praça Independência/Gonzaga – Santos

Santos na Área (Praia Grande) – Av. Ayrton Senna, 1511, Lj 37 – Litoral Plaza Shopping – Intermares – Praia Grande – Tel (13) 3491-4614 – Aberta de segunda a sábado das 10h às 22h.

O que você espera de Santos e Flamengo, neste domingo, no Morumbi?


Joel Camargo, João Saldanha e as versões da história do futebol

Hoje é a festa na Padaria A Santista, a Padaria do Carlinhos

carlinhos, edmar, chacrinha
Da esquerda para a direita: Carlinhos, o visitante Edmar Junior e Chacrinha, na Padaria A Santista.

É hoje, sábado, 15 de fevereiro, que o Carlinhos organiza a sua festa. Passarei lá pela manhã, mas não poderei ficar devido a um compromisso familiar inadiável. Eternos craques santistas estarão presentes. Se você puder ir, não perca.

Serão vendidas camisetas da “Banda da Padaria A Santista”, com o tema “Deuses do Futebol, Carnaval 2014”, e dos cinco homens do ataque de ouro – Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe.

Anote o endereço da Padaria A Santista: Rua Epitácio Pessoa, 312, canal 5.

Várias empresas estão apoiando a banda. São elas: Grupo Isis, Satel, Embraps, Nelcar Transportes, Terracom, Rede Santista de Postos e EFBS Seafrigo.

Deixarei 18 exemplares do Dossiê para que sejam vendidos e a renda revertida para o evento. Se você estiver por lá nesta manhã, já sai com uma dedicatória.

brasil com 8 do santos
Com oito titulares do Santos (o goleiro Cláudio perdeu a posição por grave contusão no joelho), a Seleção Brasileira dirigida pelo técnico João Saldanha inaugurou o Estádio Batistão, em Aracaju, na noite de 9 de julho de 1969, diante de 45.058 pessoas. Toninho Guerreiro marcou o primeiro gol do estádio e mais outro no transcorrer da partida. O primeiro sergipano a marcar, ironicamente, foi Clodoaldo, da Seleção Brasileira (Vevé fez o primeiro para a Seleção de Sergipe). O Brasil venceu por 8 a 2. A partida foi arbitrada por Armando Marques, considerado o melhor árbitro brasileiro na época. Na foto, a Seleção Brasileira que começou o jogo: Carlos Alberto (Santos), Felix (Fluminense), Djalma Dias (Santos), Clodoaldo (Santos), Joel Camargo (Santos) e Rildo (Santos). Agachados: Jairzinho (Botafogo), Gérson (Botafogo), Toninho Guerreiro (Santos), Pelé (Santos) e Edu (Santos).

Mais detalhes de Seleção Sergipana 2 x Seleção Brasileira 8:

O assunto que está entalado na garganta é Leandro Damião, mas estou engolindo em seco para dar mais tempo ao rapaz. Enquanto isso, gostaria de tocar novamente em um tema crucial para nós, santistas: as versões tendenciosas que a imprensa esportiva e mesmo livros e filmes criam para a história do futebol.

Bem, na verdade não há história sem alguma parcialidade, pois o narrador transmite a sua versão dos fatos. Digo isso só para reforçar o quanto é importante ter pessoas que se preocupam em pesquisar, checar e passar a limpo a rica história do Santos. Sem esses abnegados, teríamos de conviver com uma sistemática distorção dos acontecimentos.

Faço esse preâmbulo para o artigo que se segue, pois ele se refere ao Santos da segunda metade da década de 60, o time-base das “Feras do Saldanha”, um dos grandes esquadrões da história do futebol brasileiro, esquecido deliberadamente mesmo por quem, em livros ou filmes, se dispõe a retratar aquele período do nosso futebol.

Antes de entrar no post, permita-me lembrar só uma piadinha que se contava nos tempos da Guerra Fria, em que as imprensas de Estados Unidos e União Soviética distorciam a realidade para que ela se encaixasse na teoria de superioridade ideológica que pregavam: um norte-americano e um soviético fizeram uma corrida e o norte-americano venceu. Nos Estados Unidos os jornais estamparam: “Americano vence e soviético fica em último.” Na União Soviética, os títulos anunciaram: “Soviético termina em segundo, norte-americano fica em penúltimo.”

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Com o grande Joel Camargo, um dos melhores zagueiros da história moderna do futebol (Foto: Aline Floriz)

Semana retrasada estive em Santos e tive a honra e o prazer de entrevistar, para o Museu Pelé, o enigmático Joel Camargo, o “Açucareiro”. 17 anos de futebol, 20 de estiva, e Joel, um dos mais clássicos quartos-zagueiros do futebol, pôde se aposentar em paz. Falamos do Santos e, é claro, das “Feras do Saldanha”, Seleção Brasileira que disputou as Eliminatórias para a Copa do México com seis santistas entre os titulares: Carlos Alberto, Djalma Dias, Joel Camargo, Rildo, Pelé e Edu. Lembramos fatos que ficam esquecidos na memória do futebol, a não ser quando alguém interessado lembra deles.

“No começo éramos nove; depois, com a mudança de técnico (de João Saldanha para Zagalo), restamos cinco. Quando anunciaram a entrada do Zagalo, eu já sabia que, com ele, eu não iria jogar”, disse-me Joel.

Ele se referia aos nove jogadores santistas chamados por João Saldanha na primeira convocação da Seleção Brasileira, em 6 de fevereiro de 1969. Nela estavam o goleiro Cláudio, os laterais Carlos Alberto Torres e Rildo; os zagueiros Djalma Dias e ele, Joel; o meio-campo Clodoaldo e os atacantes Pelé e Edu. Apenas Negreiros e Manuel Maria, dos titulares do Santos, não foram chamados (Manuel Maria depois figurou em uma lista maior, com 40 nomes).

“Não é segredo para ninguém que o Santos é o melhor time do Brasil”, disse Saldanha no dia em que anunciou os convocados. “E como não temos muito tempo para as Eliminatórias, vamos usar esse entrosamento do Santos para o bem da Seleção”.

E assim o Brasil fez os jogos de ida e volta contra Paraguai, Colômbia e Venezuela, utilizando-se de meia dúzia de santistas entre os titulares. E com esse Santos-Brasil venceu ao Paraguai por 1 a 0, em 31 de agosto de 1969, estabelecendo o recorde oficial de público do Maracanã, com 183.341 pagantes. O gol surgiu após jogada de Edu, que driblou seu marcador e chutou rasteiro, o goleiro rebateu e Pelé entrou de bico para estufar as redes e garantir a presença do Brasil na Copa do México.

“Você está no recorde oficial de público do Brasil”, disse a Joel, que, no entanto, se mostrava mais preocupado em falar de Toninho Guerreiro, a maior vítima da mudança de técnico na Seleção. Com a saída de João Saldanha, o presidente da República, Emilio Garrastazu Médici, finalmente realizou o seu sonho ao ver o subserviente Zagalo convocar o atacante Dario, o Dadá Maravilha, sacrificando Toninho Guerreiro, que assim perdeu sua única oportunidade de participar de uma Copa do Mundo.

No livro “João Saldanha, uma vida em jogo”, o autor, André Iki Siqueira, fala sobre o episódio entre o final da página 331 e o começo da 332, reproduzindo as impressões de Saldanha sobre a pressão para cortar Toninho Guerreiro e convocar Dario:

– Quiseram impor o Dario. Ele era de bom nível, mas os meus eram craques. Meu time era uma máquina. Não tinha lugar para ele, não.
E escalar Dario no lugar de quem?
Antonio do Passo e João Havelange, segundo o técnico, apelavam diariamente:
– Pelo amor de Deus, convoque o Dario.
Pois de um dia para o outro, na primeira quinzena de março, o dr. Lídio Toledo cortou da Seleção Toninho Guerreiro, alegando sinusite. Era um atacante que, alguns anos depois, encerraria a carreira com mais de 400 gols.
– Toninho era o trunfo do time, porque se o Pelé ou o Tostão não pudessem jogar, ele entrava que nem uma luva – argumentaria João, que considerava o corte suspeito. – Caramba, eu tenho sinusite desde criança, e nunca me atrapalhou para fazer esporte. E essa sinusite do Toninho é conhecida há dez anos. Mas cortaram o Toninho.

Toninho Guerreiro tinha 27 anos e estava no auge de sua forma quando a Copa de 1970 foi disputada. Meses depois do Mundial, em setembro de 1970, ele seria artilheiro do Campeonato Paulista e conquistaria seu quarto título consecutivo do Estadual (os três anteriores foram pelo Santos). Com mais um, em 1971, Toninho entraria para a história como o único pentacampeão da história do Campeonato Paulista.

Joel sabe que, se dependesse exclusivamente de Saldanha, não só Toninho iria para o México, como ele, Joel, seria o titular da quarta- zaga, ao lado de Brito. Provavelmente Djalma Dias, mais clássico, continuaria titular, em vez do truculento Brito. Joel me diz que se sentiria mais campeão se tivesse jogado. Compreendo sua queixa, mas lhe respondo que ao menos para nós, santistas, ele é tão campeão quanto Piazza, que Zagallo improvisou na quarta-zaga.

O livro e o filme sobre Saldanha: visões diferentes

Assisti, mas não vi no filme “João Saldanha”, documentário produzido a partir do livro escrito por André Ike Siqueira, o mesmo enfoque da vida do notável jornalista esportivo que se percebe nas páginas da obra. As menções a qualquer outro time são reduzidas a quase zero, como se Saldanha não fosse um homem do futebol, e sim exclusivamente do Botafogo. O nome “Santos” não aparece uma única vez, muito menos os de seus jogadores.

O filme se restringe ao Saldanha comunista, brigão-cascateiro e botafoguense. Óbvio que ele se tornou um ídolo da história do Botafogo, mas sua sinceridade o fez produzir uma das frases mais elogiosas ao Alvinegro Praiano, e esperei por ela, ou ao menos pelos conceitos que levaram Saldanha a incluir praticamente o Santos inteiro entre as suas “Feras”. Mas, em vão.

Estou cansado de saber que a história é uma só, mas jamais é contada de uma única maneira. Há sempre o maldito ângulo do observador. Sei que André Ike, o autor do livro “João Saldanha, uma vida em jogo”, é apaixonado pelo personagem João Saldanha, mas se mantém eqüidistante com relação ao Botafogo, pois seu time de coração é o Vasco. Entretanto, Beto Macedo, seu parceiro na direção do filme, é definido pelos amigos como “um grande botafoguense”, o que deve explicar o espaço desmedido dado ao time carioca.

A verdade é que por mais que Santos e Botafogo tenham se unido para dar ao Brasil a conquista definitiva da Jules Rimet, os times de Pelé e Garrincha foram grandes rivais daqueles tempos de ouro do nosso futebol. E torcedor dificilmente elogia o rival.

Por isso, é importante que surjam livros, filmes, exposições, matérias em jornais e revistas que contem a verdadeira história do futebol e do Santos. Este é um dos motivos pelos quais defendo que o marketing do Santos incentive e não penalize autores e editoras que se interessem por produzir obras sobre o clube. Que nessas obras não se invente ou aumente nada, obviamente, mas que não se deixe de lado informações e detalhes essenciais para se entender a real dimensão do Alvinegro Praiano.

Sempre que se fala de “As Feras do Saldanha” é obrigatório lembrar que a maioria delas veio da Vila Belmiro, que 54,5% do time titular do Brasil nas Eliminatórias era composto por jogadores do Santos e que certamente seria assim no México caso Saldanha não fosse substituído por Zagalo, para conforto do governo militar. Acho que não dá para contar a história do polêmico jornalista e do futebol brasileiro daqueles tempos sem lembrar desses… detalhes. Dá?

Cenas pesquisadas por Wesley Miranda de Brasil 1 x 0 Paraguai, o último jogo oficial das Feras do Saldanha, com seis santistas na Seleção. Jogo do recorde oficial de público do Maracanã:

Santos x União Soviética

Por Guilherme Nascimento

Desde as “mal contadas” por que não foram bem contadas até aquelas que “não podem ser bem contadas”…
Uma passagem pouco conhecida é o amistoso contra a URSS em plena guerra fria, em 1962. Reacionários e direitistas de plantão não queriam que o alvinegro enfrentasse a forte União Soviética em solo brasileiro (“não temos relações diplomáticas”, “propaganda comunista” e outras bobagens semelhantes). O amistoso era para ter ocorrido no Maracanã, mas Carlos Lacerda (Governador da GB e golpista de primeira hora em 1º de abril de 64) impediu a apresentação santista por questões evidentemente políticas. Em São Paulo, os dirigentes do chamado “trio de ferro” e em especial Wadih Helou (SCCP) e Laudo Natel (SPFC) faziam coro aos indignados que não admitiam a presença dos vermelhos em nossa pátria. A “lenga-lenga do “joga não joga” durou uns 10 dias, até que o Presidente da FPF (Mendonça Falcão), bateu o martelo: “Tem jogo, e no Pacaembu!”… Desta forma, enfrentando e superando o atraso daqueles que misturam futebol e política (e os direitistas e golpistas de 64), o Alvinegro bailou sobre os soviéticos vencendo por 2×1 e ainda faturou um troféu. Mostrou porque era o campeão Mundial, representou o futebol brasileiro com categoria e evidenciou que os soviéticos podiam ser bons no Bolshoi ou no Sputnik, mas que no futebol tinham muito o que aprender com Pelé e Cia.

10/12/1962 Santos FC 2×1 URSS – 1978
L: Pacaembu – São Paulo (SP)
D: 2ª feira
C: Amistoso
R: Cr$ 9.469.500,00
P: 27.839
A: João Etzel Filho
G: Coutinho 34′ e Pelé 78′ – Valery 12′
SFC: Laércio, Mauro e Zé Carlos; Dalmo, Calvet e Zito; Dorval, Lima, Coutinho, Pelé e Pepe (Tite)
Tecnico: Lula
Uniforme: Camisas brancas
URSS: Kotrikadze; Gnodi, Mexey e Danilov; Stanislaw e Vassily; Oleg, Vicot, Yuri (Kanievsky), Anatole (Sabo) e Valery.
Técnico: Solovjev

Minha coluna no Jornal Metro desta sexta-feira:
http://metrojornal.com.br/nacional/colunistas/mico-damiao-66104

Que outras histórias mal contadas sobre o Santos você conhece?


A grande dívida que a Seleção Brasileira tem com o Santos

Ainda bem que Neymar, Paulo Henrique Ganso e Rafael foram dispensados da Seleção Brasileira para poderem atuar pelo Santos na segunda partida contra o Vélez Sarsfield, pelas quartas de final da Copa Libertadores. Qualquer outra medida seria tremendamente injusta com o Alvinegro Praiano, o time que mais se sacrificou pela Seleção Brasileira.

Quem acompanha a história do Santos sabe que, mesmo tendo direito adquirido, ele não disputou as edições da Libertadores de 1966, 67 e 69. A versão corrente é de que o time não se interessava pela competição, que era deficitária, pois a renda ficava para o clube mandante. Mas esta é apenas meia verdade.

Está certo que jogar fora do Brasil, com estádio lotado, e depois enfrentar essas mesmas equipes na Vila Belmiro, com um público pequeno, era prejuízo certo para o Santos. Até porque o clube poderia aproveitar as datas da Libertadores para ganhar uma fortuna com as excursões. Porém, os santistas também sabiam que o título sul-americano dava direito a disputar o título mundial e este sim era importante, pois aumentava ainda mais a bolsa pedida pelo Santos para os jogos amistosos – dinheirão que mantinha o Alvinegro Praiano com um dos melhores elencos do mundo.

CBD desestimulava a participação do Santos na Libertadores

Campeão da Taça Brasil de 1965, o Santos tinha direito de mais uma vez representar o Brasil na Libertadores, mas como o primeiro semestre de 1966 foi usado pela Confederação Brasileira de Desportos (CBD) para selecionar os jogadores e preparar o time que representaria o Brasil na Copa da Inglaterra, no meio do ano, o Santos foi desestimulado pela CBD de participar da competição sul-americana (mais de meio time do Alvinegro Praiano foi inscrito no elenco final que disputou a Copa: Gylmar dos Santos Neves, Orlando Peçanha, Zito, Lima, Pelé e Edu).

A mesma história se repetiu em 1969, quando o primeiro semestre foi utilizado pela CBD para os jogos eliminatórios para a Copa de 1970, no México, e o técnico João Saldanha, depois de anunciar que o Santos seria a base da Seleção, convocou nove jogadores santistas: Cláudio, Carlos Alberto Torres, Djalma Dias, Joel Camargo, Rildo, Clodoaldo, Pelé, Toninho Guerreiro e Edu (só não foram chamados os santistas Manoel Maria, que chegou a fazer parte da lista dos 40 finalistas, e o meia Negreiros).

Em todos os seis jogos das Eliminatórias a Seleção Brasileira teve seis titulares do Santos: Carlos Alberto Torres, Djalma Dias, Joel Camargo, Rildo, Pelé e Edu. O goleiro Cláudio só foi cortado porque se machucou em um jogo no Campeonato Paulista, e Toninho Guerreiro só foi cortado porque houve pressão do presidente Garrastazu Médici para convocar Dario Maravilha.

Portando, além das Libertadores que disputou, na maioria delas alcançando no mínimo a semifinal, o Santos deixou de jogar a competição em 1966, 1969 – e também em 1967, pois foi o vice da Taça Brasil de 1966, quando a Libertadores já aceitava também o vice-campeão de cada país.

Assim, permitir que o Santos jogue completo as partidas da Libertadores é o mínimo que a CBF, herdeira da CBD, pode fazer. O justo mesmo seria dar ao Santos o crédito de três participações na Libertadores, pois o clube jamais foi ressarcido pelas vezes em que, para ajudar a Seleção Brasileira, abdicou de lutar pelo título mais importante do continente.

Isso, sem contar 2005

Isso tudo sem contar 2005, em que o Santos foi tremendamente desfalcado pela Seleção antes do jogo de volta contra o Atlético Paranaense, na Vila Belmiro. Uma vitória de 1 a 0 ou 2 a 1, em casa, bastaria para levar o Alvinegro Praiano à semifinal, em que enfrentaria um Chivas Guadalajara só com reservas, pois o clube privilegiaria o Campeonato Mexicano. Porém, o técnico Carlos Alberto Parreira convocou Robinho e Léo para um amistoso chinfrin e tirou do Santos a possibilidade de disputar mais um título sul-americano (o que mais doeu é que Léo nem entrou em campo).

Entrevista para Wanderley Nogueira sobre a história do Santos

http://jovempan.uol.com.br/videos/odir-cunha-fala-dos-livros-que-escreveu-para-o-centenario-do-peixe-65663,1,0

Você não acha que a Seleção ainda está em débito com o Santos?


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