Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

Tag: Joelmir Beting

Mande sua pergunta para Alvaro de Souza


Alvaro de Souza, presidente do conselho da Gol e importante membro do comitê gestor do Santos

Neste final de ano a entrevista com Alvaro de Souza, importante membro do Comitê gestor do Santos, não poderá ser feita ao vivo. A explicação dada pela assessoria de imprensa do clube é a de que Alvaro “está com a agenda complicada neste fim de ano” por ser “membro do conselho de administração de uma série de empresas” (entre elas, sabemos, a da Gol, que passa por sérios problemas).

Parece que não sobrará tempo para responder às perguntas dos santistas por, no máximo, uma hora. Tudo bem. Vamos trabalhar com o que temos. Então, peço que elabore sua pergunta ao dirigente.

A assessoria de imprensa do Santos sinalizou que as respostas de Alvaro de Souza não serão evasivas. Ótimo. O torcedor do Santos merece, ao menos, a sinceridade de quem comanda o clube.

Assim, envie sua pergunta. Assine com seu nome e sobrenome, por favor. Eu selecionarei 15 delas para encaminhar ao dirigente. Reservarei outras cinco para mim, totalizando 20 questões.

Peço que se concentre nos grandes problemas do clube, ou em casos relevantes, e não em detalhes, como a situação de um ou outro jogador da base. O que de mais importante podemos extrair do Alvaro de Souza é a filosofia de administração que está sendo adotada no Santos e os porquês da política salarial e de investimentos do clube.

Morreu Joelmir Beting. Uma perda para a memória do futebol


Placa do jornal O Esporte confeccionada a pedido do então repórter esportivo Joelmir Beting em homenagem ao gol de Pelé contra o Fluminense, no Maracanã. Daí surgiu a expressão “Gol de Placa”.

As pessoas se acostumaram a ouvir Joelmir Beting destrinchando os termos complicados da Economia para o homem comum. Nenhum jornalista teve o dom de transformar algo tão chato em tão acessível e atraente. Mas, poucos sabem, Joelmir também trabalhou como repórter esportivo no início da carreira e foi dele a sugestão para que um gol de Pelé na vitória do Santos sobre o Fluminense por 3 a 1, pelo Torneio Rio-São Paulo de 1961, fosse homenageado com uma placa no Maracanã.

Tive a oportunidade de conhecer Joelmir nas duas vezes em que participei do programa Beting & Beting, que ele apresentava ao lado de seu filho, Mauro Beting, na Band News. Na oportunidade eu divulgava o “Dossiê pela Unificação dos Títulos Brasileiros a partir de 1959” e encontrei em Joelmir um importante apoio à causa. Ele, que chegou a cobrir a Taça Brasil, nunca teve qualquer dúvida de que o vencedor daquela competição era, consequentemente, o campeão brasileiro.

Se eu já o admirava, fiquei ainda mais empolgado com sua personalidade, de quem trata o jornalismo com a seriedade e a precisão que ele merece. Nosso Joelmir se foi ontem, aos 75 anos, vítima de um AVC. Dizem que nenhuma pessoa é insubstituível, mas a gente sabe que isso não é verdade.

O que você perguntaria ao Alvaro de Souza?


Episódio Taça das Bolinhas mostra a precariedade da CBF

Patético. Este é o adjetivo apropriado para definir o caso da taça das bolinhas. Alguém acreditou que a CBF fez um estudo sério para decidir que ela pertence ao São Paulo? Como este blog já afirmou ontem – informação comprovada depois pelas declarações da presidente do Flamengo, Patrícia Amorium –, o anúncio intempestivo de Ricardo Teixeira de que a taça irá para o Morumbi é apenas uma retaliação contra o clube carioca pelo fato de ter votado contra a dupla Teixeira-Kléber Leite na eleição do Clube dos Treze.

Será que doeu para Teixeira e Leite decidirem contra o clube de seu coração? Bem, acho que há muito a paixão por um time de futebol deixou de ser a mais intensa professada por estes senhores. Há valore$ na vida que certamente seduzem mais algum tipo de gente do que esta bobagem de se alegrar e sofrer por onze marmanjos correndo atrás de uma bola.

Sou testemunha de que a CBF não tem não apenas um departamento de pesquisa, como sequer uma pessoa escalada para este serviço, e muito menos um arquivo sobre a memória do futebol brasileiro. Os únicos papéis valorizados na entidade que dirige o futebol de história mais rica do planeta devem ser notas fiscais, recibos e contra-cheques.

Quando pesquisei para elaborar o Dossiê pela Unificação dos Títulos Brasileiros a partir de 1959, não consegui uma única informação oficial da CBF sobre Taça Brasil e Torneio Roberto Gomes Pedrosa. Só ouvi desculpas do assessor de imprensa Antonio Carlos Napoleão.

Primeiro, de que os documentos estavam na Granja Comary… Depois, que o responsável pelo setor estava de férias… Depois, que tudo estava encaixotado e não se sabia que caixa tinha o quê… Enfim, era evidente a má vontade para esclarecer o passado. Os campeonatos nacionais, oficiais, antecessores de 1971, são assunto maldito na CBF.

O jornalista, escritor e historiador Loris Baena Cunha, que pesquisou nos arquivos da CBD – a confederação original, que colocou o futebol brasileiro no mapa mundi -, confirmou-me que as pastas relativas à Taça Brasil estão identificadas com o título “Campeonato Brasileiro de Clubes”. A revelação destas pastas deixaria claro que a Taça Brasil, como todo mundo que acompanha o futebol há menos de um dia sabe, dava ao vencedor o título de campeão brasileiro e o direito de ser o representante do País na Copa dos Campeões da América, hoje chamada de Copa Libertadores.

Como para a CBF a revelação desta verdade histórica poderia alterar o jogo de forças do futebol brasileiro atual (o que é uma bobagem), ela faz todo o possível para esconder as pastas, se é que já não foram destruídas. O curioso é que querem apagar dos anais justo a era de ouro do futebol brasileiro, em que o País ganhou três Copas em quatro disputadas e com todos os jogadores, titulares e reservas, em atividade nos clubes brasileiros.

Uma coisa tem de ficar bem clara: o fato de ser chamada, ou ser de fato, uma copa ou taça, não tira do vencedor o direito de ser campeão brasileiro. Da mesma forma que o campeão da Libertadores é o campeão da América do Sul e o da Liga dos Campeões o campeão europeu.

No trabalho para o Dossiê – que será transformado em livro – identifiquei todos os jogos de palavras e as confusões que são plantadas na opinião pública para confundir o torcedor sobre a real dimensão das competições que definiam o campeão brasileiro nos anos 60. Obviamente e infelizmente torcedores de clubes que não foram campeões naquele período geralmente aceitam qualquer argumento, por mais imbecil que seja, para diminuir as conquistas de seus adversários.

Se a CBF fosse uma entidade séria, preocupada em preservar a história do futebol nacional, há muito teria anunciado o Santos como o único pentacampeão brasileiro, assim como daria aos vencedores nacionais de 1959 a 1970 o seu devido e merecido mérito. O fato de ela não anunciar, entretanto, não muda a realidade. A história não precisa do aval da CBF, nem de qualquer outro. Ao contrário. O episódio dessa taça das bolinhas deixa claro que não há qualquer critério técnico nas bajulações ou punições da entidade que, desgraçadamente, dirige nosso futebol.

É tudo feito à esmo, ao Deus-dará, decidido nas coxas. Não há historiador ou pesquisador contratado pela CBF, que deve restringir sua folha de pagamentos a agentes comerciais, lobistas, contatos de publicidade e marqueteiros.

Declaração oficial das pessoas sérias que respeitam a história do futebol brasileiro

Em meu nome, que me dedico há décadas à pesquisa do futebol brasileiro; no nome de Loris Baena Cunha, mestre dos historiadores de futebol deste País; em nome do imparcial Celso Unzelte, o escritor mais preciso nos detalhes históricos do futebol; em nome de Guilherme Guarche, alguém que vive a cada minuto os fatos da vida do Santos; em nome de Joelmir Beting, um jornalista esportivo situado em um outro patamar da nossa profissão, e em nome de tantos outros que não me ocorrem agora, mas que são, todos, sérios e dignos, eu declaro o Santos Futebol Clube o único pentacampeão brasileiro de clubes e campeões brasileiros todos os vencedores da Taça brasil e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, no período de 1959 a 1970.

Ah, que inveja da Itália

Enquanto no Brasil usa-se a preciosa história do futebol como réles instrumento político entre clubes e entidades, na Itália valoriza-se as origens de uma forma exemplar e comovente. Assim, o primeiro campeão italiano, o Genoa, que conquistou o título jogando contra apenas dois adversários em um único dia, no longínquo 1898, é lembrado e homenageado até hoje.


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