Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

Tag: Jogadores do Santos

Não acredito na violência

Essa pichação nos muros da Vila Belmiro, além de puro vandalismo, é uma agressão, uma violência e não acredito que as dificuldades de um clube de futebol, ou de qualquer instituição, se resolvam assim. O torcedor tem todo o direito de vaiar, de criticar jogadores, técnico, dirigentes, mas vandalizar o patrimômio do clube e ameaçar pessoas, jamais. Fico até em dúvida se foi um santista que fez isso.

Não creio que nenhum jogador entre em campo para perder, ou para falhar. Entretanto, derrotas e falhas fazem parte do esporte. Nenhum atleta é obrigado a vencer. Sua obrigação é a de se preparar bem para o confronto e, nele, empenhar-se física, técnica, emocional e intelectualmente. Se a torcida exige vitória e aumenta a pressão, isso, muitas vezes, só consegue fazer com que o jogador queira ir embora do clube.

Saber como e quando exigir mais de um atleta é arte dos grandes técnicos, dos grandes líderes. Há jogadores que funcionam melhor com a compreensão e o carinho; outros, com o grito e a (quase) porrada. Há os que crescem quando provocados, como era o caso de Dorval, mas há os que somem de campo, como Pita, o garoto tímido do Casqueiro.

Se violência resolvesse, o nosso Brasil seria o melhor país do mundo. Acredito na conversa olho no olho, no líder assumindo sua liderança, em homens assumindo suas responsabilidades. Acredito em vitórias impossíveis porque acredito na força interior das pessoas, no caso, os jogadores do Santos. Não é preciso de nenhum poder celestial para dar a volta por cima. Só é preciso caráter e força de vontade.

Há 63 anos, a primeira partida internacional

Por Guilherme Gomez Guarche, Coordenador do Centro de Memória e Estatística do Santos Futebol Clube

No dia 21/03/1954 o Santos Futebol Clube fazia o seu batismo internacional jogando pela primeira vez fora do Brasil. Esse jogo pioneiro aconteceu na cidade de La Plata na Argentina e foi um empate pelo placar de 1 a 1 diante da equipe do Gymnasia Y Esgrima de La Plata no Estádio Eva Perón com Del Vecchio marcando o gol santista que formou em solo estrangeiro com: Barbosinha; Hélvio e Feijó (Ivan); Cássio, Formiga e Zito; Del Vecchio, Walter, Álvaro, Vasconcelos (Hugo) e Tite. O técnico era Giuseppe Ottina.

Nesse primeiro giro em terras sul-americanas, o time da Vila Belmiro jogou 08 partidas tendo vencido 03 empatado 03 e perdido 02 partidas marcando o Peixe 19 e sofrendo 14 gols. Os artilheiros nesses jogos foram: Del Vecchio (4), Vasconcelos (4), Tite (3), Hugo (3), Walter Marciano (3), Álvaro (1) e Picot que marcou contra a favor do Santos FC. O retorno da delegação à cidade de Santos foi a bordo do conhecido e luxuoso transatlântico Ana C.

Algumas partidas dessa excursão foram transmitidas pela Rádio Atlântica de Santos, a popular PRG-5 na voz do saudoso Ernane Franco. Segundo os historiadores, Odir Cunha e Marcelo Fernandes, eles contam que: Em princípio, o Santos jogaria na Colômbia, Venezuela, Peru e Equador, porém, segundo um telegrama enviado por D’ Agostini a Marcelo de Castro Leite, representante do Santos em São Paulo, a excursão teria de ser suspensa devido aos incidentes ocorridos em 4 de março na Cidade do México, na partida em que o Vasco da Gama vencera o Marte, campeão mexicano, por 1 a 0. Como o Santos ficou à mercê das negociações do empresário e, por isso, momentaneamente impedido de marcar amistosos que aliviariam seus encargos financeiros, o dirigente santista José Aflalo Junior, escolhido para chefe da delegação da prometida excursão sul-americana, perdeu a paciência com D’Agostini e declarou ao jornal Folha da Noite que se o Santos não excursionasse, exigiria indenização, “principalmente dos vinte mil cruzeiros que já gastamos com a retirada dos passaportes dos jogadores.”

Pouco depois, porém, o empresário acenou com a possibilidade de, entre meados de março e meados de abril, com boa folga antes do início do Torneio Rio-São Paulo, a se iniciar em maio, o Santos realizar alguns amistosos na Argentina.

Curiosidade

Essa partida internacional foi a partida de nº 20 do Alvinegro da Vila Belmiro que em toda a sua centenária história já disputou contra times estrangeiros 722 partidas tendo vencido 452 empatado 130 e perdido 140 partidas marcando 1813 e sofrendo 972 gols, já computando a última vitória diante do The Strongest na Vila Belmiro por 2 a 0.

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Que jogador deve ficar e qual deve sair do Santos. Opine

Vingança, ou sinal de decadência?

Muitos santitas estão se regojizando com a possibilidade de o Santos rebaixar oficialmente o Botafogo no jogo deste domingo, às 17 horas, na Vila Belmiro. Entendo este sentimento do torcedor e o considero legítimo, pois estive naquela decisão do Brasileiro de 1995, no Pacaembu, e sei muito bem como foi a dor pela perda de um título que deveria ser do Glorioso Alvinegro Praiano, pois o bravo e rápido Camanducaia fez um gol legalíssimo, anulado estranhamente pelo árbitro Márcio Rezende de Freitas – o mesmo que, dez anos depois, voltou para operar o Internacional, em outro confronto decisivo para o Campeonato Brasileiro.

Entendo o sentimento do torcedor santista, mas sei que é mais um pobre consolo de um ano árido, sem títulos e sem um bom futebol. Jornais e sites anunciam o jogo como aquele que já foi o maior clássico do futebol mundial e hoje não tem nenhum interesse, a não ser essa macabra possibilidade do rebaixamento do time carioca que já dividiu com o Santos as glórias do futebol-arte.

No Botafogo, treinado por Vagner Mancini, Jefferson deve atuar no gol; no Santos, Leandro Damião deve substituir Robinho. Arouca e Geuvânio não devem jogar. O Santos não vence há sete jogos no Brasileiro, mas está tão desmotivado que não me surpreenderia se não vencesse de novo. O Botafogo precisa vencer seus dois jogos restantes e torcer para uma combinação improvável de outros resultados. É quase impossível que consiga a salvação.

A verdade é que a decadência de clubes tradicionais não contribui em nada para um futuro forte, próspero e estável do futebol brasileiro. Para que o novo presidente do Santos possa articular uma Liga de Clubes e trabalhar pela negociação coletiva e justa dos direitos de tevê, assim como mudanças necessárias na Lei Pelé, é preciso que alguns aliados estejam fortalecidos.

Botafogo e Palmeiras são aliados naturais do Santos, ambos estavam ao nosso lado na luta pela Unificação dos Títulos Brasileiros e, certamente, estarão também em novas empreitadas. Clubes com tanta história e tanta torcida não deveriam deixar o palco maior do nosso futebol, pois fazem muita falta. Com todo o respeito aos que estão subindo, mas não é a mesma coisa.

Veja que no ano que vem o Campeonato Brasileiro poderá ter quatro equipes de Santa Catarina: Joinville e Avaí, que subiram da Série B, além de Figueirense e Chapecoense, que estão na A. Só São Paulo deverá ter mais – cinco, desde que o Palmeiras permaneça. Isso mostra a força e a organização do futebol catarinense. Parabéns. Agora, qual desses times tem a aspiração de lutar pelo título, qual deles tem ao menos um título nacional de expressão?

Não estou sendo elitista e nem quero que as regras sejam infringidas. Subiu, subiu; caiu, caiu. Mas é uma pena ver times tradicionais na B e equipes que jogam só para não cair na A.

O Botafogo jogará, neste domingo, pela primeira vez sob uma nova administração, já que o presidente Carlos Eduardo Pereira acaba de ser eleito. Percebo, ainda, que o vice-presidente de futebol é o simpático Antonio Carlos Mantuano, de quem eu e o José Carlos Peres ficamos amigos durante o trabalho pela Unificação dos títulos da Taça Brasil e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa.

Mesmo que seja rebaixado para a Série B – o que hoje parece inevitável -, o Botafogo sempre será um aliado do Santos, mais um clube interessado na negociação coletiva com a TV e em mudanças na Lei Pelé para proteger o clube formador de talentos.

Perceba bem que eu digo aliado do ponto de vista político e mercadológico. Isso não tem nada a ver com o sentimento do torcedor que, repito, é legítimo. É preciso entender e separar as coisas. Um dirigente não é um torcedor comum, que vai provocar e insultar os adversários. Um dirigente quer montar um time que vença os rivais, mas ao mesmo tempo sabe que o crescimento do futebol depende da união de todos, principalmente dos clubes com mais história e representatividade.

Então, é claro que entendo e valido o sentimento de vingança de muitos santistas, que hoje comemorarão o rebaixamento do velho rival, mas a verdade é que agora ambos estão no mesmo barco, e precisarão se unir para corrigir os rumos viciados do futebol brasileiro.

E para você, o que representa este Santos x Botafogo?

Santos, campeão paulista Sub-17. Veja os dois:

O Bozo está tentando impugnar a candidatura de José Carlos Peres
O sócio Marcelo Medrado está entrando com um pedido de impugnação da candidatura de José Carlos Peres, alegando que Peres trabalha pelo Santos por ser CO do G4 Paulista. Patético e desesperador. Pesquisei um pouco para conhecer o rapaz e caí na página do Modesto Roma no Facebook. Clicando no nome do Medrado, somos dirigidos à sua página no mesmo Facebook, mas ao invés de uma foto, há a imagem do Bozo e o anúncio de que há 99 dias o rapaz não é processado (?!). Quer dizer que é esse famoso palhaço que quer impugnar o Peres? Compreendi…

III Encontro da Assophis, neste sábado, no Museu Pelé
Neste sábado, das 8 às 10 horas, o auditório do Museu Pelé reunirá os integrantes da Assophis, a Associação de Pesquisadores e Historiadores do Santos. Guilherme Guarche, responsável pelo Departamento de Memória do Santos, falará de seu livro “1955, o Começo”; Guilherme Nascimento, autor do Almanaque do Santos, revelará os dados atualizados do Rei Pelé e eu falarei do livro “Segundo Tempo – de Ídolo a Mito”.

Do 7 ao 40 – Minha coluna de hoje no jornal Metro

Este é um dos livros que fiz com mais prazer, pois tive a sorte de falar do Rei do Futebol e ter ao meu lado o time invejável de profissionais da Editora Magma Cultural. Tenho certeza de que você vai gostar e talvez até queira presentear amigos queridos neste Natal com este “Segundo Tempo – de Ídolo a Mito”, a ser lançado em São Paulo nesta terça-feira, dia 2, na loja do Santos da Rua Augusta:

Convite segundo tempo 02-12

Uma correção necessária: Piazza substituiu Joel

Ao assistir ao programa Redação Sportv, percebi que o apresentador André Rizek cometeu o engano de dizer que Wilson Piazza, um dos convidados do programa, tinha jogado a Copa de 70 no lugar do zagueiro Leônidas, do Botafogo. Na verdade, Piazza, um volante do Cruzeiro, foi recuado pelo técnico Zagallo para o lugar do santista Joel Camargo, titular da quarta-zaga do Brasil desde as Eliminatórias para a Copa.
Jogador de estilo clássico, o craque Joel fez 28 jogos oficiais e 7 não oficiais pela Seleção Brasileira, enquanto Leônidas participou apenas de três amistosos. Por aí se vê a diferença de currículos. Joel só perdeu o posto de titular da Seleção quando foi obrigado pelo médico Lídio Toledo a fazer uma supérflua operação de amídalas

URGENTE! Vai votar em São Paulo? Confira se o seu nome está na lista.

Que jogador deve ficar e qual deve sair do Santos. Opine

Como em todo final de temporada – que este ano chegou mais cedo para o Santos –, este blog consulta você, torcedor do Santos, sobre quais jogadores devem continuar no clube em 2015 e quais devem ser negociados.

Hoje, segundo o site oficial do clube, o Santos possui 37 jogadores profissionais. Esta lista não inclui atletas emprestados a outras equipes.

Informo que a maioria dos clubes manterá um elenco de menos de 30 jogadores para o Campeonato Paulista, e só o aumentará para as disputas do segundo semestre.

Diga se cada um deles deve permanecer ou não no Santos em 2015, mas deixe em branco quando não tiver maiores informações sobre o atleta. Sugiro que depois do nome do jogador escreva, simplesmente: Fica ou Não Fica. E explique os motivos de seu julgamento. Exemplo: Aranha: Fica. Porque blá-blá-blá…

Essa enquete será muito importante para o novo presidente e a nova diretoria de futebol que assumirem o Santos a partir das eleições de 6 de dezembro.

Se achar mais fácil, dê um control C e um control V na lista, crie um documento, responda e me devolva, por meio da caixa de comentários. A pequisa ficará uma semana no ar.

Goleiros

Aranha:

Gabriel Gasparotto:

João Paulo:

Vladimir:

Zagueiros

Bruno Uvini:

David Braz:

Edu Dracena:

Gustavo Henrique:

Jubal:

Nailson:

Neto:

Paulo Ricardo:

Vinícius Simon:

Laterais

Caju:

Cicinho:

Daniel Guedes:

Mena:

Victor Ferraz:

Zeca:

Volantes

Alan Santos:

Alison:

Arouca:

Renatinho:

Souza:

Meias

Leandrinho:

Lucas Lima:

Serginho:

Atacantes

Diego Cardoso:

Gabriel:

Geuvânio:

Jorge Eduardo:

Leandro Damião:

Patito Rodrigues:

Rildo:

Robinho:

Stéfano Yuri:

Thiago Ribeiro:

Confira o elenco santista segundo o site oficial do clube

A força do Ibrahim e seus filhos para a candidatura do Peres

Santista como eu e você, Ibrahim El Khouri, um sujeito do bem e bom compositor, resolveu dar sua força para a candidatura de José Carlos Peres à presidência do Santos e compôs uma canção para embalar a campanha. Uma homenagem singela, mas espontânea e de coração, que mostra como o Peres se tornou a esperança de dias melhores para o nosso Santos. É isso aí, Ibrahim. Um abraço para você e os pimpolhos. Vai, Peres, vai!


Esperar que os jogadores do Santos entendam o objetivo deste blog já vi que é querer demais

Como já disse, quinta-feira estive em Santos com Kátia Lund, o André e o Márcio, da produtora Canal Azul que fará o filme “Meninos da Vila” e, convidados, almoçamos no CT Rei Pelé. Percebi jogador de cara feia e sei que me reconheceram, pois perguntaram a um assessor do Santos se “aquele” era “o cara do blog”.

Sim, eu sou “o cara do blog”, responsabilidade que divido, humildemente, com os freqüentadores deste espaço. E se algum jogador viesse sentar ao meu lado e conversar sobre os objetivos desse blog, eu diria:

“O blog do Odir reflete a opinião da torcida. E de uma torcida especial, formada por pessoas equilibradas, que entendem de futebol e querem o bem do Santos. Se você está sendo criticado, não conseguirá mudar essa situação falando comigo. A única forma será jogar melhor, se empenhar mais nos treinos e nos jogos, ter uma postura ética e de respeito à esta camisa e a este clube.”

Acho que dificilmente um jogador entenderia o trabalho diário deste blog como positivo para sua carreira. Geralmente jogadores de futebol partem de um pensamento binário, que diz: “Amigo é quem elogia; inimigo é quem critica”.

Muitos, talvez a maioria, não têm alcance intelectual para perceber que a crítica pode ser muito positiva para suas carreiras. Ela os pode tornar profissionais melhores, ao apontar-lhes as falhas a serem corrigidas.

O problema maior que ocorre hoje entre os jogadores profissionais é que, depois de alcançarem um lugar no elenco de um time grande, acham que não precisam aprimorar mais nada – nem como atleta e nem como homem – e ficam contrariados quando alguém quer tira-los da boa rotina.

Comodismo impede a evolução

Nem tudo o que é bom para os jogadores é bom para o clube, e se eles dominam o futebol profissional, o risco de estagnação é grande, pois passa a predominar a lei do menor esforço.

O jogador quer receber o seu salário em dia, mas raramente está disposto a colaborar com os planos de marketing do clube, ou de abrir mão de algum conforto para contribuir com um reforço no caixa.

Jogadores do Santos preferem jogar na Vila Belmiro, pois não há viagem e mal termina o jogo já estão em casa com a família. Mas no Pacaembu o Santos ganha mais dinheiro e tem mais visibilidade.

Jogadores não querem nem ouvir falar em treinar fundamentos, mesmo quando claras dificuldades em alguns; mas depois ficam contrariados quando são vaiados pela torcida por não saberem cruzar direito, dar um passe ou chutar a gol.

Terem uma biblioteca à disposição no CT do Santos? Para quê, se o que querem mesmo é passar horas no videogame ou jogando cartas ou snooker?

Será que não percebem que quando pararem de jogar, poderão trabalhar como comentaristas e aí a facilidade de se expressar e uma visão global das coisas serão muito importantes?

Amigos? Talvez, mas não agora

Quanto pude orientar jovens jornalistas esportivos, sempre fiz questão de lhes prevenir para não ficarem amigos dos atletas, mesmo daqueles que admiram. A profissão exige uma visão crítica que geralmente é prejudicada pela amizade.

Só quando completam suas carreiras e completam sua história, é que atletas e jornalistas, ou atletas e torcedores podem se tornar amigos, desde que haja oportunidade e afinidade. Antes, esta relação é muito delicada e perigosa.

Por mais que o torcedor admire um atleta, sua adoração maior é o time, o clube, a instituição. Atletas, em sua grande maioria, passarão pela história do clube e muitas vezes nunca mais voltarão. Talvez até saiam falando mal. No mínimo beijarão outros distintivos, cantarão outros hinos, farão juras de amor a outras bandeiras e talvez até ganhem títulos com outras camisas.

O torcedor pode amar um jogador enquanto ele veste a camisa de seu time, mas aprendeu a esquecê-lo, mesmo com dor no coração, quando ele vai embora. É que este torcedor sabe que o que une este jogador ao seu clube não é o mesmo amor que ele sente, mas sim o salário e outras cláusulas acertadas com o jogador e seu empresário.

A relação ideal

A existência de um blog que exprime a opinião do torcedor santista e faz críticas construtivas, é mais do que positiva. Mas, é evidente, o jogador criticado tem muita dificuldade em aceitar isso.

Se ele não aceita admoestações nem do técnico ou do diretor de futebol, quanto mais de um jornalista e de torcedores que freqüentam um blo? Mas terá de aceitar, pois esta é uma ferramenta de uma sociedade democrática e é para este modelo que caminhará a relação entre os jogadores e a torcida de um clube.

Não é preciso haver ofensas ou agressões. Está jogando bem? Tem se empenhado nos treinamentos? Tem sido ético com o clube e os companheiros? Tem respeitado o torcedor? Obviamente receberá elogios e terá o seu lugar garantido no time.

Tem falhado continuamente? Foge de suas responsabilidades? Desrespeita seus colegas de equipe? Revolta-se contra as decisões do técnico e dos diretores? Não colabora com os programas de marketing do clube? É claro que um jogador assim será criticado.

No final das contas, “jogar bem” é o mais importante, e quem não o consegue, por mais que se esforce, não será aprovado pelos torcedores, mesmo que seja um sujeito bacana.

Enfim, o jogador tem de entender que as críticas não são motivadas por aspectos pessoais, mas sim pelo seu rendimento como atleta. Este deveria ser um sinal importante para ele procurar se aprimorar.

O mau exemplo do Palmeiras

Se não há válvulas civilizadas de escape, como este blog, o relacionamento entre torcedores e jogadores geralmente resulta em situações como vimos hoje cedo em frente ao centro de treinamento do Palmeiras, onde cerca de 50 membros da torcida organizada Mancha Verde, alguns utilizando correntes no pescoço, entoaram cânticos agressivos, como “Fora o time inteiro, bando de mercenário só pensa em dinheiro”, “Não é mole não, perder do Flu agora é obrigação” e “Só o que faltava, ganhar do Fluminense para ajudar a gambazada”.

O clima ficou muito pesado. Os torcedores ainda pediram a demissão de todos os diretores de futebol do clube e de jogadores, como os zagueiros titulares Danilo e Maurício Ramos. Quatro viaturas policiais foram deslocadas para a frente do CT para garantir a segurança. Os torcedores usaram uma faixa com a frase “fechado por incompetência” para impedir que carros pudessem entrar no CT da Barra Funda.

Creio que nenhum jogador se sentirá seguro em um clube no qual os torcedores podem invadir o centro de treinamento e ameaçá-los fisicamente. Esse tipo de atitude não leva a nada e só faz com que atletas evitem vestir essa camisa.

O que se quer no Santos, ao menos segundo este blog e este “cara do blog”, é uma relação educada, amigável até, mas com a cobrança e as críticas construtivas naturais que devem haver para incentivar o aprimoramento e evitar a acomodação de profissionais que são contratados e regiamente pagos para defender o branco da paz e o negro da nobreza do Alvinegro Praiano.

Você acha que este blog pega pesado nas críticas aos jogadores do Santos, ou é até educado demais? Qual seria o tom ideal?


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