Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

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Santos melhora sem Ganso e leva a decisão para a Vila Belmiro

Como se esperava Muricy Ramalho não perdeu para Tite. Mesmo sem Arouca, Léo e também sem Paulo Henrique Ganso – que sentiu a coxa no fim do primeiro tempo –, o Santos pouco permitiu ao Corinthians e poderia até ter vencido esta primeira partida da decisão do Paulista caso tivesse aproveitado duas ótimas oportunidades no início do segundo tempo, com Danilo e Neymar.

Como nos últimos jogos do Santos, Neymar foi o craque da partida. Criou as melhores jogadas, driblou, tabelou, arrematou e só não marcou por acaso. Pena ter como companheiro de ataque um jogador limitado e pouco inteligente como Zé Eduardo, que não consegue participar de uma só jogada com final feliz (a não ser quando sofre falta ou cava um lateral ou escanteio, o que tem sido raro).

Bem mais discreto, Ganso participou pouco da partida e acabou saindo ao final do primeiro tempo, ao sentir fortes dores na coxa. Pelo jeito, ele desfalcará o Santos na partida de quarta-feira, na Colômbia, contra o Once Caldas. Exames de ressonância magnética devem apontar o nível da lesão.

A saída de Ganso melhorou o time

A entrada de Alan Patrick, por incrível que pareça, melhorou o Santos, pois este se dedicou também à marcação – coisa que Ganso não estava fazendo – e isso complicou as coisas para o meio-campo do adversário.

Paulo Henrique Ganso estava apático e indolente até sentir a coxa, no final da primeira etapa. Apesar de sua indiscutível categoria, tive a impressão de que o time melhoraria com a entrada de Alan Patrick ou Felipe Anderson – enfim, de alguém que realmente quisesse jogar.

Mesmo errático, Alan Patrick participou mais do jogo e teve boas oportunidades de se infiltrar pela esquerda. Em uma delas, aos 11 minutos do segundo tempo, tabelou com Neymar e deixou o Menino de Ouro da Vila na cara do gol, em lance que terminou no travessão.

Rafael voltou a pegar tudo. Adriano e Jonathan foram seguros

Dos substitutos de Arouca e Léo, Adriano não comprometeu, e Alex Sandro, se pouco ajudou no ataque, ao menos não permitiu muita coisa pelo seu lado (apesar de não inspirar confiança como marcador).

O miolo da zaga até que foi bem, a não ser em uma joga infantil de Edu Dracena, que aos quatro minutos do segundo tempo, sozinho, cabeceou uma bola para a entrada da área do Santos e permitiu a Bruno César, livre, chutar para uma defesa segura de Rafael.

O jovem goleiro santista continuou no mesmo nível de atuação que vem tendo: excelente. Hoje não deu nenhum susto. Destaco também as atuações de Jonathan e Adriano. Outros que se saíram bem, apesar de discretos, foram Danilo e Durval.

Elano voltou bem. Cleber Abade se despediu com louvor

Elano não se destacou muito, mas foi importante. Sua experiência de cadenciar o ritmo e distribuir o jogo se fez sentir várias vezes. Cobrou uma falta com perigo.

Quando ao árbitro Cléber Wellington Abade, apesar de não ter marcado algumas faltas, foi muito bem. Atuou como todo bom árbitro deve atuar sempre: com precisão e sem estardalhaço. Despediu-se da carreira em grande estilo.

Agora, na Vila, a chance de um título histórico

Agora, é claro que a decisão continua em aberto, que clássico é clássico e blá, blá, blá, mas na Vila Belmiro mão há quem não acredite que o título irá para o Memorial do Alvinegro Praiano. Até os corintianos que eu conheço já estão conformados.

O maior risco é o Santos entrar com salto alto no próximo domingo. Mas isso eu sei que Muricy Ramalho não deixará acontecer. Comemorar um título no Urbano Caldeira sobre o maior rival é algo que não tem preço e estou certo de que o Santos se empenhará por dar essa alegria ao torcedor.

E você, o que achou do jogo? E o que espera da decisão na Vila Belmiro?


Infiltrado na torcida corintiana

O amigo Sérgio Quintanilha, diretor da revista FourFourTwo, fez questão de me convidar para ir ao Pacaembu, ontem, ver o Corinthians dele contra o Cerro Porteño do Paraguai. Fui. Nos aboletamos onde costumo ficar quando vejo os jogos do Santos e com isso pude não só analisar de perto este Corinthians armado para ganhar a Copa Libertadores, como comparar o comportamento da torcida corintiana com o da santista, que também costuma lotar o Pacaembu. A seguir, minhas observações e conclusões. 

Time

O técnico Mano Menezes está deixando de fazer concessões a alguns jogadores recém-contratados e aos poucos tem colocado em campo o time que o torcedor quer. Por isso Tcheco, Iarley, Defederico e Edu, hoje, são reservas, enquanto Jucilei, Ralf, Elias e Dentinho são titulares.

Para o torcedor, o time jogaria com um volante a menos e Jorge Henrique formaria o ataque com Dentinho e Ronaldo. Foi o time campeão paulista e assim é que a torcida quer. Senti que Jucilei é quem deverá sair para a entrada de Jorge Henrique.

Dos experientes contratados para jogar a Libertadores, só Roberto Carlos está bem. Danilo, apesar da categoria, ainda erra muitos passes. Ele tem um estilo parecido com o de Paulo Henrique Ganso, mas o jogador do Santos é mais ágil, pensa mais rápido, passa melhor e apoia com mais perigo.

O goleiro Rafael Santos não inspira a mínima confiança entre os torcedores. Se não melhorar, pode perder até a condição de primeiro reserva de Felipe.

Ronaldo é realmente um fenômeno. Mesmo em um dia em que não joga quase nada, ainda sai muito aplaudido de campo. Um senhor que insistiu em ofende-lo quase arrumou confusão com outros torcedores. 

Técnico

Mano Menezes já não é uma unanimidade entre os corintianos. Está com fama de retranqueiro. Foi vaiado e xingado quando substituiu Dentinho por Jorge Henrique. A torcida queria a entrada de um, mas não a saída do outro. Porém, Mano não tem aberto mão de jogar com quatro no meio-campo, três deles dedicados quase que exclusivamente à marcação.

Percebe-se que o relacionamento entre o técnico e a torcida está por um fio, ou por uma desclassificação. Se for eliminado da Libertadores sem montar um time que jogue um futebol um pouco mais digno, arrisco dizer que não permanecerá no clube.

Se foi Mano Menezes o único responsável pelas contratações para o time da Libertadores, então ele demonstrou pouca coragem e visão. Dos contratados, a maioria está na reserva. Até agora o técnico se saiu bem com times medianos formados com pouca verba. Agora que teve a oportunidade de armar um esquadrão, está fracassando. Nem o Paulista nem a Libertadores terminaram ainda, o que deixa a esperança no ar, mas a verdade é que este Corinthians, pelo que se esperava dele, é decepcionante.

Torcida

O grande espetáculo de um jogo do Corinthians continua sendo apresentado nas arquibancadas. Há momentos em que nenhuma boca do estádio (com exceção da minha) parecia calada. Todas cantavam cânticos ou gritavam palavras de ordem em louvor do time.

A bandeira que a Gaviões da Fiel estende nas arquibancadas alcança quase 1/3 do estádio. Uma bela demonstração de força, sem dúvida.

A torcida organizou uma “ola” que deu três voltas no Pacaembu antes de parar. Se a torcida quisesse, a “ola” continuaria indefinidamente, pois todos estavam se divertindo muito com ela. 

Torcida/Comportamento

O que deu para perceber, porém, é que o clima de um jogo do Corinthians, no mesmo estádio e com o mesmo público, é bem mais tenso do que em uma partida do Santos. Há algo atávico nisso aí. O santista já não tem essa obsessão por título nenhum. Já ganhou todos. Mas, talvez pela ansiedade de nunca ter vencido uma Libertadores, aos três minutos de partida o torcedor corintiano já está xingando o jogador que segura a bola mais do que dois segundos. Isso acelera o time, multiplica os erros de passe e só ajuda a equipe visitante.

Há um clima de sofrimento no ar. Mesmo quando vai bem, o time está ganhando e o adversário é fraco, o corintiano parece à espera de alguma desgraça. Quando a bola é cruzada para sua área, então, é um desespero só. Não há muita confiança na defesa, apesar de Chicão ser um ídolo.

Havia muito menos mulheres e crianças do que se vê em jogos do Santos. Claro que o fato de ser um jogo noturno pode explicar isso, em parte, mas creio que é evidente que tanto o público feminino, como infantil, tem crescido muito nas fileiras santistas.

Estranhei, ontem, ver muita gente sentada ou conversando durante a execução do Hino Nacional Brasileiro. Nos jogos do Santos há um respeito e uma participação maiores.

Estranhei também ninguém aplaudir as belas cheerleaders, que dançaram, com muita graça – e um gosto discutível -, o “Rebolation”.

O mais importante a dizer sobre a torcida do Corinthians é que seu comportamento extremamente passional, ao mesmo tempo em que pode levar a equipe a vitórias impossíveis, pode levar também a derrotas inesperadas. A afobação do torcedor passa para o time, que avança como se pudesse marcar meia dúzia de gols em um único ataque.

O toque de bola do Corinthians é ruim, com muitos erros de passe. Um pouco por falta de jogadores mais habilidosos e muito pelo ritmo acelerado que o torcedor quer impor a um time que, até pela média de idade, deveria jogar mais pausadamente.

Qualquer jogador mais técnico, que goste de cadenciar o jogo, como Danilo ou Tcheco (que o locutor do estádio chama de “Checo”), dificilmente se firmará nesse time, ao menos nos jogos em casa. E seria essencial ter alguém assim, pois o time não tem padrão de jogo e a bola mal passa pelo meio-campo. Fazem a chamada “ligação direta” o tempo todo, com chutões da defesa para o ataque.

O jogo

Ao amigo Celso Unzelte, que assistiu ao jogo comigo e com o Quintanilha, dei o palpite de que o Corinthians ganharia por três gols de diferença. Seria o normal, diante de uma equipe limitada e sem torcida (só um ônibus trouxe os torcedores do Cerro). Mas o Corinthians jogou com o freio de mão tão puxado que quase complica as coisas.

Ontem o Cerro foi o que tratou melhor a bola. Tocou com mais precisão e criou mais chances no primeiro tempo, que não merecia terminar perdendo por 1 a 0 devido a um gol lotérico de Ronaldo. Na segunda etapa o time paraguaio também não foi dominado. Ao contrário. Após fazer o primeiro gol e diminuir para 2 a 1, levou o estádio a um nível de nervosismo que o encerramento do jogo foi recebido com aplausos aliviados.

Claro que o Corinthians tem camisa e jogadores para crescer mais. Porém, se continuar jogando como tem feito até agora, dificilmente irá longe na fase mata-mata dessa Libertadores. O time não parece ter controle emocional para enfrentar as batalhas que vem pela frente.

Marketing

Antes do jogo o Corinthians usou o campo para apresentar displays enormes.  Os bancos de reservas foram cobertos por propagandas. A impressão que se tem é que se tenta vender todo o espaço possível, o que polui o visual e chega a atrapalhar a visão do torcedor.

A queima de fogos antes do jogo é multicolorida, como num reveillon. Não tem só o objetivo de fazer barulho. É bonito. Gostei.

Em um jogo como este, já que paga tão caro pelo ingresso, o torcedor poderia ganhar alguns brindes, como impressos sobre o time ou sobre a Libertadores, chaveirinhos, bonés, bandeirinhas, DVDs, um tipo de camiseta mais barata… Quem sabe até livros do Celso Unzelte contando a história do clube. Enfim, cobra-se muito e se oferece muito pouco. Como se bastasse ver o jogo. 

Não vi nenhum mascote, quanto mais dois, como a Baleiinha e o Baleião, os mais bonitos mascotes do futebol brasileiro.

E você, leitor e leitora, acha que o Corinthians poderá ganhar a Libertadores desta vez? O que você acha desses jogadores e do técnico Mano Menezes?


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