Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

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Trocar Muricy por Autuori não refresca nada

Dizem nos corredores da Vila Belmiro que Muricy Ramalho subiu no telhado. Este blog defende que ele deveria ter sido demitido há 14 meses, quando tomou aquela goleada do Barcelona e disse que não tinha aprendido nada. Mas foi ficando e o Santos ainda renovou o seu contrato (?!). Agora, depois de Pelé dizer que o professor deveria usar mais os jogadores da base, coisa que Muricy não gosta ou não sabe fazer, parece que não há mais ambiente para o cliente mais assíduo do restaurante do CT do Santos. O problema é que a diretoria quer contratar Paulo Autuori, um técnico decadente que vive do nome.

Aos 56 anos, Autuori tem se especializado em trabalhar no rico, mas indigente futebol do Qatar. Na verdade, tem passado a maior parte do tempo no exterior desde 2000, quando foi treinar o Vitória de Guimarães, de Portugal. De lá pra cá voltou apenas quatro vezes ao Brasil, e para atuar apenas uma temporada, às vezes abandonando o clube antes do final do Campeonato Brasileiro. Assim foi em 2001 (Botafogo), 2005 (São Paulo), 2007 (Cruzeiro) e 2009 (Grêmio).

Bem falante, costuma se valorizar e exige altos salários, mas É FRIA!, principalmente para um time como o Santos, que precisa de um técnico disposto a um trabalho de no mínimo médio prazo, que saiba motivar e burilar jovens talentos. Bem mais interessante seria apostar em treinadores menos caros, mais identificados com o Santos e dispostos a aproveitar a oportunidade para fazer história no clube.

Por isso, prefiro, de olhos fechados, técnicos como Jorginho (do Bahia), 47 anos; Sergio Guedes, do XV de Piracicaba, 50 anos; Giba, do Paulista, 50 anos, ou Alexandre Gallo, 45 anos, na Seleção Brasileira Sub-20. Não descarto a possibilidade de o Santos trazer Paulo Roberto Falcão, um craque que deve saber valorizar um garoto bom de bola.

Nem falei dos técnicos estrangeiros porque devem ser caros, mas, se possível, adoraria ver o Santos treinado por Jorge Sampaoli ou Marcelo Bielsa. Creio que não seria bom apenas para o Santos, mas para o futebol brasileiro. Os técnicos nacionais estão defasados e supervalorizados, ou seja, ruins e caros.

Um bom elenco, sim senhor

Se formos analisar bem, o Santos pode formar dois times respeitáveis. Vejamos o que tem jogado: Rafael, Bruno Peres, Edu Dracena, Durval e Léo; Arouca, Renê Junior, Cícero e Montillo; Neymar e Miralles.

Pois ainda teríamos: Aranha, Galhardo, Jubal, Neto (ou Gustavo Henrique) e Émerson Palmieri; Leandrinho, Marcos Assunção (ou Alan Santos); Felipe Anderson e Patito (ou Victor Andrade); Giva e André.

E ainda ficariam no banco de reservas os goleiros Vladimir e Gabriel Gasparotto; os laterais Guilherme Santos, Douglas e Paulo Henrique; os meias Pinga, João Pedro, Alison e Pedro Castro e o atacante Geuvânio.

Agora me diga, sinceramente, se Paulista e Ponte Preta, que venceram o Santos por 3 a 1; e o XV de Piracicaba, que perdeu mas jogou melhor do que o Alvinegro Praiano em plena Vila Belmiro, têm jogadores em mais qualidade e quantidade? Claro que não!!! Tiveram mais técnico, só isso.

Portanto, não é preciso ser nenhum gênio para fazer o Santos jogar bem melhor; voltar a ser um time ofensivo, capaz de aplicar redentoras goleadas de vez em quando e, o que mais alegra o santista, revelar novamente jogadores talentosos, atrevidos e com fome de vitórias e títulos.

Mas, se tiver de pagar uma gorda multa para demitir Muricy e ainda contratar um técnico caro e pouco criativo como Paulo Autuori, então o mais sensato é agüentar o professor mais alguns meses. Nada me faz crer que Autuori terá rendimento melhor, com o agravante de que pegará o boné e irá cantar em outra freguesia logo que os árabes acenarem com outro contrato milionário para dirigir um time que mal sabe andar em campo.

E você, que técnico contrataria para o lugar de Muricy?


Almanaque descobre que gol 10 mil do Santos foi “de placa”


Ao final do lançamento do Almanaque do Santos, do professor Guilherme Nascimento, um inesperado e raro encontro de pesquisadores e amantes da história do Santos. Da esquerda para a direita: Evaldo Rodrigues, Guilherme Guarche, Fábio Lopes, Wesley Miranda, Edmar Junior, Guilherme Nascimento, Marcelo Fernandes e Odir Cunha (foto cedida pela blog DNA Santástico, de Edmar Junior).

Com o lançamento do Almanaque do Santos, que descobriu mais jogos e mais gols na rica história do Glorioso Alvinegro Praiano, o gol 10 mil deixa de ser o do meia Jorginho, na vitória de 4 a 3 sobre o Vila Nova, em Minas Gerais, pela Copa do Brasil, em 20 de janeiro de 1998, e passa a ser o do lateral-esquerdo Dutra, na vitória de 3 a 1 sobre o Bahia, na Vila Belmiro.

O interessante é que o gol de Dutra, marcado do meio de campo, por cobertura, foi tão bonito que, por sugestão de Pelé, recebeu uma placa na Vila Belmiro. Reveja o gol e a reportagem que mostra a solenidade da placa:

http://youtu.be/8dpUgkemoFE

Você acha que agora o Santos tem um gol 10 mil mais bonito?


Só podemos agradecer ao Bahia pela lição

Imagino o teor dos comentários depois desta derrota que para muitos será considerada catastrófica. Além de ter o time completo contra o desfalcado Bahia, o Santos ainda jogava em casa e vinha de três vitórias consecutivas – entre elas sobre Corinthians e Palmeiras – enquanto o adversário, na boca da zona de rebaixamento, tinha sido dominado e saiu vaiado de campo após a última partida, em que empatou em casa com o Figueirense. Mas futebol a gente sabe como é.

O mesmo Bahia se tornou o primeiro campeão brasileiro, em 1959, após vencer o Santos na Vila Belmiro e no Maracanã. Trata-se, portanto, de uma camisa que tem orgulho e história. E toda equipe com esses predicados deve ser muito respeitada.

Respeitar, no futebol, envolve aproveitar a maioria das oportunidades de gol que surgem e, ao mesmo tempo, esmerar-se na marcação do adversário. Obviamente o Santos não levou o Bahia tão a sério como encarou os clássicos paulistas. Só no primeiro tempo, além do gol, os santistas desperdiçaram mais cinco chances para marcar. E na segunda etapa, ao sofrer o empate, o time se descontrolou.

O Bahia comprovou que um time motivado é capaz de milagres. A estréia do bom técnico Jorginho já operou o primeiro. Por outro lado, derrotas assim deixam no torcedor santista a incerteza quanto à qualidade de seus jogadores e de sua comissão técnica.

Na enquete que fizemos neste blog os torcedores votaram pela dispensa de Durval e Juan, entre outros. Mas eles continuam sendo escalados, apesar de não inspirarem confiança. Hoje a lateral-esquerda do Santos foi o mapa da mina para a virada do Bahia.

O goleiro Rafael continua se colocando muito mal nas cobranças de falta e sofrendo gols que outros goleiros, mais experientes, não sofrem. Realmente não há a mínima diferença entre ele e Aranha. Na verdade, o reserva é mais seguro, sai melhor do gol e repõe melhor a bola.

Quanto a Ganso, era previsto que Muricy Ramalho não teria coragem de substitui-lo. Quando teve de trocar alguém, o técnico preferiu o lado mais fraco da corda, ou seja o gringo Patito. Pelo jeito, só mesmo uma emergência fará Muricy escalar um meio-campo mais jovem e agressivo, com Felipe Anderson, Patito (ou Victor Andrade), Neymar e André. Insistir no Ganso só irá desgatar ainda mais o ex-maestro.

Por falar em Muricy, outro dia fui ironizado por ter dito que o Santos deveria ter contratado o Ney Franco. Ele começou mal no São Paulo e já foi execrado por alguns. Hoje, se olharmos a tabela, veremos que o São Paulo é o único paulista que pode brigar pelo título, ou ao menos tem boas chances de conseguir uma vaga na Libertadores – possibilidade que ficou mais remota para o Santos depois dessa derrota para o Bahia. E o detalhe é que Franco recebe metade do salário do Muricy.

Na verdade, nenhum técnico brasileiro deveria ganhar mais do que 200 mil reais por mês. Pagar 800 mil para o Muricy é uma indecência, uma atitude de quem não respeita o dinheiro. Se os clubes grandes conversassem mais, além de resolverem a insólita questão da tevê, poderiam estipular um teto salarial para os técnicos. Hoje eles estão supervalorizados, apesar de não demonstrarem um aprimoramento profissional que justifique tais vencimentos.

Bem, juro que quando o Bahia começou a apertar, no início do segundo tempo, percebi que a vaca ia pro brejo. O Santos parecia um esburacado queijo suíço e o Juan não se tocava de que o adversário estava jogando nas suas costas. Mas não se pode tirar o mérito do adversário, que teve coragem e virou um jogo heróico, que o manteve ao menos mais uma rodada livre na terrível zona da degola.

Veja os gols de Santos 1 x Bahia 3:

Méritos do Bahia ou falhas do Santos? Você decide!


Depois de conversar com Dunga, saí com a certeza de que Ganso está na lista. Neymar é dúvida…

Dunga: "Mas o Neymar não é franzino?"

Já tinha visitado minha mãe e minha sogra. Estava assistindo a Ceará e Fluminense quando minha mulher trouxe o telefone sem fio. “Quer falar com você. Jorge”. Jorge? Pensei em um velho amigo professor de tênis e atendi animado – Jorjão!”. Mas a voz do outro lado era desconhecida, baixa e quase formal. “Você é o jornalista Odir Cunha?”. Imaginei um editor me oferecendo um frila, ou um alguém querendo agendar uma palestra, ou pedindo um livro autografado. Mas o assunto era bem diferente…

“Aqui é o Jorginho, da comissão técnica da Seleção Brasileira. Estamos em São Paulo e o Dunga queria falar com você. Já jantou?”. Engoli em seco. Será que nas minhas críticas tinha atravessado o sinal e ofendido o técnico da Seleção Brasileira, que queria me processar? Rememorei meus artigos e constatei que não havia nada de ofensivo demais neles. “Ah, já comi uma pizza na casa da sogra…”, tentei descontrair. “Então vem tomar um café com a gente”, ele insistiu.

Ambos estavam em um hotel da Rua Augusta. Tinham assistido, disfarçados, ao jogo do Corinthians. Acho que queriam tirar as últimas dúvidas antes da divulgação da lista para a Copa, amanhã. Claro que fiquei honrado com a lembrança. Respondi que em meia hora estaria lá.

Conheci Dunga quando ele jogou no Santos, em 1986. Até ali tinha a fama de jogador medíocre, volante só de destruição. Mas nos demos bem. Também pelo fato de ele ser da mesma cidade de Ijuí, onde nasceu o grande tenista e meu amigo Marcos Hocevar, cinco anos mais velho do que Dunga.

Por falar em idade, fiz as contas e vi que em 1986, quando o conheci, Dunga tinha apenas 22 anos – era um garotão, enquanto eu, com 33, já cobria futebol há sete anos. Talvez pela minha mania de dar conselhos aos mais jovens a gente tenha se aproximado. Não sei, só sei que enquanto dirigia para o nosso encontro, tive a sensação de que não havia e nem haveria qualquer problema entre nós.

“Agora também é compositor, é?”

Dunga e Jorginho eram os únicos clientes no restaurante e ocupavam uma mesa no fundo, em um canto propositalmente escuro. Jorginho foi o primeiro a se erguer e me cumprimentar. Apertei sua mão e depois abracei Dunga. Sorrimos. Ele quebrou o gelo:

“Agora também é compositor, é? Que pagodinho sem vergonha é esse?” (referia-se ao sambinha que compus “Dunga me escuta”, que está no youtube na interpretação dos irmãos Claudio e Fernando).

“Uma brincadeira bem-humorada. Mas que diz uma grande verdade”, respondi.

“Não precisa de uma música para eu te escutar. É só me procurar…”.

“Hoje você é o técnico da Seleção Brasileira, um dos caras mais importantes do Brasil…”.

“Sem essa… Fica com meu e-mail. Jorge, depois dá meu e-mail e telefone pro Odir”.

Enquanto Jorginho se apressava em anotar em um papel o e-mail e o celular pessoais de Dunga, este, sempre muito objetivo, foi direto ao ponto:

“Você é santista pra caralho… nem sei se deveria te ouvir. Mas confio nos teus critérios. Diz pra gente por que eu deveria convocar o Paulo Henrique e o Neymar. E anda logo que a gente já tem vôo marcado…”.

Ganso, um maestro precoce

“O fato de ser santista e de acompanhar esses garotos desde as divisões de base é uma vantagem, ou não?”, retruquei. “Conheço os dois, sei do que são capazes, por isso não tenho nenhum receio de afirmar que deveriam ir pra Copa…”.

“Mas por que devem ir?”, Jorginho interrompeu.

“É, tu fala de um primeiro e depois do outro”, reforçou Dunga.

“Está bem. Vamos lá: primeiro, Paulo Henrique Ganso. Dá assistências como nenhum outro jogador brasileiro, dentro ou fora do País. Bola no pé dele tem destino certo. O jogo está aquele bate e rebate, de repente a bola cai no pé do Ganso e a gente já espera que ele coloque alguém na cara do gol, ou limpe a jogada. Tem uma visão de jogo impressionante, descobre espaços que nem você assistindo à tevê consegue enxergar…”.

Percebi que Jorginho olhou para Dunga e ambos sorriram discretamente. Prossegui, mais empolgado: “Nota máxima em habilidade. Dribla no chão ou pelo alto, se vira bem nos menores espaços e se tiver de segurar a bola, então, ninguém tira dele”. Neste momento percebi que Dunga ficou mais interessado. Acho que ele imaginou um jogo duro, em que o Brasil terá de prender a bola nos últimos minutos. Há um cara melhor do que o Ganso para isso?

“E o detalhe mais importante: tem só 20 anos, fará 21 em outubro, mas já é maduro. Viram como ele jogou na final do Campeonato Paulista? Enquanto os veteranos Léo, Marquinhos e Roberto Brum foram expulsos, ele fez questão de ficar em campo, pôs a bola embaixo dos asas e garantiu o título…”.

“Outra coisa: tem um bom porte físico: 1,84m e está mais forte. Também é uma opção em bola alta e já fez gols de cabeça pelo Santos…”.

“Mas ele saber marcar?”, interrompeu Jorginho, provavelmente antecipando-se a uma pergunta de Dunga.

“Olha, tem marcado melhor”, respondi. “Não é um marcador nato, mas cerca bem e já está conseguindo roubar algumas bolas. E marca sem fazer falta escandalosa. É inteligente até nisso… Mas sobre isso tenho uma opinião: é mais fácil você fazer um craque ajudar na marcação do que um marcador virar craque. Ou não?”.

Jorginho e Dunga olharam-se significativamente. Completei as informações sobre Paulo Henrique dizendo que era canhoto (os canhotos costumam ter algo especial no futebol) e que seria o reserva ideal do Kaká, apesar de considerá-lo, hoje, melhor do que o titular da Seleção.

Neymar, aquele que vai pra cima

Percebi que não havia mais nada de essencial a falar sobre Ganso e tratei de dar minha opinião sobre Neymar. Destaquei, em primeiro lugar, sua inteligência. Sem ela, qualquer jogador profissional sabe, não se obtém sucesso no futebol…

“Na primeira vez que pegou na bola como profissional, há mais de um ano, pelo Campeonato Paulista, ele recebeu na lateral direita, driblou o zagueiro com uma facilidade espantosa e tocou de cobertura, quase sem ângulo”, comecei.

“Gol?”, quis saber Jorginho. “Não, travessão”, respondi, “mas sabe aquele lance que já deixa em todos a certeza de que se está diante de um cara iluminado?”

“Vocês dizem que estou pedindo pelos dois na Seleção porque sou santista”, retruquei, “mas o fato de torcer para um time não muda meus conceitos sobre o futebol. E eu digo que se fosse técnico e tivesse de escolher entre Neymar e Robinho, escalaria o Neymar. Hoje ele é mais decisivo…”.

“Como assim?”, perguntou Dunga.

“Dribla e passa melhor, ou seja, dá mais sequência às jogadas. Também arremata bem melhor a gol. Já estamos em maio e o garoto mantém a média de quase um gol por jogo este ano. Assim como marca, serve aos companheiros. É um jogador de equipe, mas se preciso sabe usar muito bem sua capacidade individual…”.

Percebi que Dunga e Jorginho mexeram-se nas cadeiras esperando mais informações sobre o talento de Neymar, e prossegui: “O garoto vai pra cima mesmo, não tem medo de botinada e nem de perder a bola. Não é aquele cara que diante de uma dificuldade toca de lado ou pra trás. Deve ser um inferno marcar o Neymar, pois ele não para. É ágil, esperto. Em um time com tantos jogadores bons, como a Seleção, ele iria deitar e rolar”.

“Não sei… Não é muito franzino para agüentar uma Copa?”, resmungou Dunga.

“Está mais forte e mais alto este ano. Aumentou dois centímetros e quatro quilos. Mas cair, pra ele, é uma defesa. Se deixar o corpo firme, podem lhe quebrar. Cai porque amortece a pancada. Mas não passa um jogo que não provoque cartões amarelos nos adversários. E num jogo duro, amarelar os inimigos e cavar bolas paradas perto da área é bom, não?”

“Acho que ele estará no ponto em 2014, mas agora não sei, tenho o Nilmar, ou mesmo o Tardelli…”, ponderou Dunga.

“Olha, tinha um chefe de reportagem, o Roberto Avallone, que dizia que futebol é o momento. E no momento os dois garotos estão comendo a bola. Não se sabe como será em 2014, mas hoje eles têm de ser titulares em qualquer time. Com eles em campo, a preocupação passa para o outro lado. Eles criam jogadas, criam opções…”

“Futebol não é só criar, também é destruir as jogadas do adversário. Para você ter a bola, precisa roubar do outro time”, interrompeu Jorginho.

“Sim”, concordei. “Mas depois de roubar a bola do adversário, vem a questão do que fazer com ela. O forte do futebol brasileiro sempre foi a criatividade. Sem jogadores criativos, o Brasil se igualará às outras equipes”.

“ A gente não precisa ter muitos criativos. Igualando-se aos gringos na marcação, a gente acaba decidindo na habilidade individual”, enfatizou Dunga.

“Sim”, concordei, “há mais de um jeito de ganhar uma Copa. Pode ser de um jeito lotérico, como uma disputa de pênaltis, como foi em 1994, ou com uma série de goleadas, como em 1958 e 1970, quando a Seleção tinha vários jogadores criativos, vários craques no ataque…”

“Valeu, Odir. Obrigado por suas informações. Agora a gente tem mesmo de ir, não é Carlos?”, encerrou bruscamente Jorginho, que às vezes chama Dunga pelo nome de batismo.

“Eu é que agradeço pela honra de me ouvirem. Mas não comecei a campanha #gansoeneymarnacopa no twitter por ser santista, podem crer nisso. Pois considero Elano e Robinho tão santistas como o Ganso e o Neymar e hoje, se fosse escolher, levaria os dois moleques, de olhos fechados” (fiz questão de usar a expressão ‘olhos fechados’ para que Dunga e Jorginho se lembrassem de que Zico também a utilizou para falar da vontade de ver Neymar na Copa. Todos os grandes craques do futebol brasileiro, aliás, têm concordado que Ganso e Neymar devem jogar na África do Sul).

Despedimo-nos rapidamente. No estacionamento tirei o gravador do bolso e confirmei que toda a conversa tinha sido gravada. Agora você, leitor do Blog do Odir, a tem em primeira mão.

Tire suas conclusões. Será que Dunga e seu conselheiro Jorginho ficaram convencidos de que Ganso e Neymar devem ser chamados para a Copa? Eles estarão na lista amanhã? Fiquei com a impressão de que Paulo Henrique Ganso é nome certo. A dúvida é Neymar.


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