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Guardiola, Santos, Barcelona, Pepe e o valor do conhecimento


Quando Botafogo e Santos fizeram a final da Taça Brasil de 1962, no Maracanã, o clássico foi chamado pelo premiado jornalista Ney Bianchi de “o maior jogo do mundo”. Em campo havia oito titulares e três reservas da Seleção Brasileira bicampeão mundial no Chile. Entre os astros daquela noite estavam Pelé, Garrincha, Nilton Santos, Zito, Gylmar, Pepe, Amarildo, Mauro, Coutinho, Zagalo, Mengálvio, Dorval, Quarentinha…

Ontem, o fato mais importante para o futebol brasileiro, além da classificação do Santos na Libertadores, aconteceu na entrevista de Pep Guardiola, técnico do Barcelona, que ao responder como seria um hipotético jogo entre seu time e o Santos de Pelé, disse que a resposta era impossível, pois “o Santos marcou uma época e Pelé é considerado um dos melhores, se não o melhor de todos os tempos.”

Guardiola, que jogou no Al-Ahly, do Qatar, entre 2003 e 2005, e lá foi treinado por Pepe, o canhão da Vila, explicou que ouviu deste “milhões de histórias sobre aquele time e sobre o jogador que era Pelé”.

Pepe também já falou sobre essas conversas com Guardiola e adiantou que o rapaz tinha muito interesse no esquema tático daquele Santos, que foi um dos times mais ofensivos de todos os tempos.

“Clássico do mundo” já foi do Brasil

Esta citação elogiosa ao Santos em um momento em que todos os olhos e ouvidos do planeta estavam voltados para o técnico do Barcelona, já é um prêmio mais relevante do que muitos times terão em toda a sua história. Isso nos faz analisar algumas questões…

Em primeiro lugar, não deixa de ser triste constatar que o mesmo Brasil que já teve “o maior jogo do mundo”, simbolizado pelo confronto entre o Santos de Pelé e o Botafogo de Garrincha, nos anos 60, hoje é mais um dos países que fica babando ovo para o clássico espanhol.

Em segundo, e aí entra o aspecto positivo, perceba que mesmo imersos na modernidade de estádios e gramados deslumbrantes, de jogadores que são astros pop e de públicos tão elegantes como se fossem para a ópera, os verdadeiros amantes do futebol não se esquecem de um time que reinou há meio século, mas que sempre viverá no imaginário de todos como o melhor que já existiu.

O inestimável valor do conhecimento

O técnico do Barcelona conheceu a história do Santos através de Pepe, nas infindáveis conversas entre o jogador e seu técnico. E, como ninguém gosta do que não entende, só então passou a conhecer e entender o Santos e Pelé, daí a sua sincera admiração.

Perceba o valor de nosso Pepe nessa história. Se ele já teve uma importância incomensurável como jogador, está tendo também agora – simpático e bem falante que é – como divulgador da rica história do Santos. Quanto valeu esta reverência ao Alvinegro Praiano da boca do técnico do melhor time do mundo no momento? Não sei, mas coloquemos mais esta na conta de nosso querido José Macia.

Por isso insisto para que a história do Santos seja contada e recontada, tim-tim por tim-tim. É a mais preciosa de um time de futebol na Terra, mas não basta ter acontecido. É preciso ser revivida em livros, filmes, reportagens… Ou as futuras gerações perderão o contato com a essência do futebol e julgarão que ele é apenas isso que mostra a superficialidade do momento.

Os cuidados do Santos com o seu passado

Por isso, mais do que outros clubes, o Santos precisa dedicar mais atenção, investir mais na preservação de seu passado. Não basta apenas um Memorial maior, uma vistosa sala de troféus. Isso, todo clube tem.

O Santos precisa guardar com carinho – ou seja, com os devidos cuidados técnicos – seus arquivos, documentos, livros, áudios, vídeos… Além de patrocinar, ou estimular, mais obras que retratem sua trajetória com fidelidade e arte.

Sim, há que se produzir mais livros e filmes sobre o Santos, esmiuçando todas as fases de sua história. E traduzi-los para várias línguas e assim espalhar para o mundo o conhecimento que hoje é de poucos iniciados – como Pep Guardiola, o vitorioso técnico do Barcelona, que teve a sorte de conviver com o nosso Pepe e aprender com ele a amar o melhor time de todos os tempos.

O que você achou de Guardiola ter citado o Santos e Pelé em sua entrevista de ontem? E o que o clube pode fazer para preservar e divulgar sua história?


Parabéns Pepe. Sem você o Santos não seria o que é.

Pepe, ao centro, com dois amigos.

Hoje o filho de espanhóis José Macia, que conhecemos por Pepe, faz 75 anos. Dizer que sua vida e a vida do Santos se confundem, não é só força de expressão. É a pura realidade.

Ele nasceu em Santos em 1935, ano em que o Alvinegro conquistou seu primeiro título paulista, o mais importante da época. Aos 20 anos marcou o gol que deu ao clube o seu segundo título estadual, na vitória de 2 a 1 sobre o Taubaté, na Vila Belmiro.

Em todos os seus 15 anos de carreira só vestiu três camisas: a do Santos e as das Seleções Paulista e Brasileira. Jogou no Alvinegro de 1954 a 1969, ganhou dezenas de títulos e em 750 partidas marcou 405 gols – alguns deles decisivos para conquistas memoráveis, como os dois na vitória, de virada, sobre o Milan, que tornou o Santos o primeiro bicampeão mundial de clubes.

Pela Seleção, marcou mais de 40 gols. Foi campeão do mundo em 1958 e 1962. Era para ser o titular nas duas Copas, mas contusões  de última hora fizeram-no perder a posição.

Quando abandonou a carreira, sem jamais ter sido expulso de campo – o que lhe valeu o Prêmio Belfort Duarte – tornou-se técnico do Santos e levou a equipe ao título paulista de 1973.

Lenda viva do futebol, Pepe, o eterno “Canhão da Vila” é um jogador que orgulharia qualquer equipe do mundo. Mesmo no Santos, de tantos ídolos imortais, ele merece um lugar especial na nossa memória e em nosso coração.

Obrigado, Pepe. É muito bom saber que você ainda está forte e cheio de histórias para contar. Parabéns, maior artilheiro humano da história do Santos (o Pelé, nós sabemos, é um ET).

E você, quer enviar uma frase de felicitações pelo aniversário do nosso grande Pepe? Deixe a sua no espaço para os comentários. Ele lerá todas, eu garanto.


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