Blog do Odir Cunha

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Luis Álvaro vai à Fifa contra Milan, Inter e o colonialismo


Joseph Blatter ouvirá Luis Álvaro e tomará uma providência para impedir o aliciamento de Ganso?

O presidente do Santos Luis Álvaro Ribeiro anunciou ontem que notificou a Fifa sobre o aliciamento que Milan e Internacional de Milão têm exercido sobre Paulo Henrique Ganso. “Nós notificamos que este aliciamento é ilegal, pois o Santos é que é dono dos direitos federativos do atleta”, disse Luis Álvaro.

Se há real interesse no jogador, os clubes italianos deveriam procurar o Santos, mas não, falam diretamente com o atleta, convencendo-o a adotar atitudes conflitantes que dificultem seu relacionamento com o Santos e facilitem sua saída do clube por um valor menor do que a multa.

É claro que isso é extremamente anti-ético, uma vergonha que só pode ocorrer em um país colonizado como o nosso, em que é normal sentir-se inferior e aceitar essa inferioridade como irreversível.

Ao lutar contra o roteiro pré-estabelecido pelo medíocre status quo do futebol brasileiro, o Santos se vê no meio de dois fogos. Ao invés de apoiado pelos que vivem do mercado brasileiro do futebol, é perseguido como se, por tentar manter seus jovens astros, estivesse indo contra a ordem natural das coisas.

Assim como aconteceu no caso de Robinho, tem jornalista que já deu, há meses, o “furo” de que Neymar e Ganso iriam para a Europa no dia seguinte. Vaidosos, agora torcem para que seu chute acerte o alvo só para afirmarem depois: “Eu não disse?”.

O “lobby de sobrevivência” a favor do futebol europeu

Olha, até entendo que alguns jornalistas da ESPN Brasil defendam com entusiasmo os campeonatos europeus. Como a emissora não detém os direitos de transmissão das competições realizadas no País – e nem tem poder aquisitivo para concorrer por elas –, incentivar a ida dos craques brasileiros para a Europa é uma questão de sobrevivência, de manter o emprego, enfim, de assegurar o ganha-pão.

No dia em que não houver mais nenhum interesse pelo campeonato inglês, italiano, espanhol, português, francês e quetais, a equipe de jornalistas da ESPN, assim como da Band Sports, Sportv, RedeTV e outros canais que dão um espaço desmedido ao futebol internacional, terão de ser enxugadas e muita gente irá pra rua.

Portanto, enquanto ídolos como Neymar, Ganso e Lucas teimam em ficar por aqui, elevando o ibope dos times, enriquecendo o mercado e aumentando o interesse pelo futebol brasileiro, muitos colegas jornalistas devem perder o sono.

Nada contra querer manter um emprego honesto, que geralmente exercem com competência, mas que essa postura não ajuda em nada o futebol brasileiro, é óbvio que não. Sem o apoio da mídia, nossos clubes se enfraquecem na luta inglória por manter seus astros emergentes, seus torcedores ficam precocemente órfãos e o nível dos jogos no Brasil empobrece, com reflexos nas quedas de arrecadações, índices de audiência e patrocínios.

Só sei que esse entreguismo gera situações bizarras. Uma delas é de que há jogos na Europa em que há mais brasileiros em campo do que europeus. Ora, por que não poderiam estar aqui? A outra é de que nossos craques só entram na lista de melhores do mundo quando se mudam para a Europa, como se apenas depois de passar no teste de um futebol superior, eles merecessem concorrer ao reinado mundial.

Bobagem, papo furado, conversa para idiotas da subjetividade babarem. Há um estilo sul-americano de jogar, mas não se pode dizer o mesmo do europeu, que é uma colcha de retalhos, uma torre de babel com jogadores de todos os continentes. A maioria dos melhores jogadores dos últimos anos tem sido sul-americanos, ou latinos europeus, como espanhóis, portugueses e franceses – todos com um estilo de jogar bem parecido.

Quando craques como Didi, Sócrates e Riquelme não jogam tudo o que sabem atuando na Europa, o problema não é deles, mas sim do futebol europeu, tão esquematizado que não consegue se adaptar a talentos que só precisam de liberdade para brilhar.

Não sei se alguns jornalistas não percebem por que não querem, ou por que não têm alcance para perceber, mas o certo é que se criou um padrão de qualidade europeu para o futebol mundial, o que é extremamente nocivo para o estilo sul-americano, que com raras exceções tem praticado o futebol mais bonito, criativo e envolvente do planeta.

Uma imprensa esportiva que realmente se preocupasse com o futebol brasileiro deveria estar repetindo incansavelmente aos jovens valores do nosso futebol que não é preciso que se mudem para a Europa para serem universalmente reconhecidos.

Robinho não quis pagar para ver, afobou-se com os milhões diante dos olhos, e deu no que deu. Ganso também já está com a cabeça tilintando como caixa registradora. Nossa esperança é Neymar. Ele pode ser o primeiro sul-americano a ser considerado o melhor do mundo sem que para isso tenha de vender a alma para os colonizadores. Sorte a ele e ao Santos!

A notícia de que Ganso irá para o Corinthians é chute

Agora surge a notícia de que após a Libertadores Ganso irá para o Corinthians, através de um negócio intermediado por Ronaldo. Acho difícil que Andrés Sanchez tenha consentido nessa negociata depois de dar sua palavra ao presidente do Santos de que não faria tal sujeira. Até porque a saída do jogador dependeria de uma ação na Justiça contra o Santos, algo que vai contra a vontade de seus pais, que são gratos ao clube e gostam da cidade. A negociação não seria tão rápida e simples como imagina Ronaldo, o novo mercador de jogadores do mercado.

Você acha que Luis Álvaro fez bem de notificar a Fifa a respeito do aliciamento de Milan e Inter sobre o Ganso? E Neymar, pode ser o melhor do mundo sem sair do Santos?


Um telefonema de Joseph Blatter para Ricardo Teixeira


“Quer dizer que o Pelé nunca foi campeão brasileiro?” (Blatter, ventriloquando, para Teixeira)

O telefone toca na sede da CBF. Joseph Blatter, presidente da Fifa, pede para falar com Ricardo Teixeira.

Olá presidente, o que manda?

Hello Ricardo. Quero saber como anda esse processo de unificação dos títulos brasileiros. Tem muita gente ligando e enviando e-mails pra nós sobre esse assunto. Você poderia me explicar, por favor?

É que alguns clubes querem que os títulos brasileiros sejam unificados a partir de 1959, presidente.

Por que a partir de 1959, Ricardo?

Por que é o ano da primeira Taça Brasil, que definiu o representante brasileiro para a Copa Libertadores da América de 1960. Querem que a CBF ratifique como campeões brasileiros os vencedores da Taça Brasil e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, período de 1959 a 1970.

I know, I know… A Libertadores que se chamava Copa dos Campeões da América, pois só reunia times campeões de capa país, right? I Know. E os vencedores da Taça Brasil representavam o país na Libertadores, Ricardo?

Sim, presidente, representavam.

Bem, então eram os campeões de cada ano, pois na época a Libertadores só aceitava um representante de cada país, right?

Mas é isso que se está analisando, presidente…

A Taça Brasil era uma competição oficial, Ricardo?

Sim, presidente, mas era da CBD.

Eu sei, Ricardo. E a CBD era presidida pelo grande João Havelange, seu ex-sogro. Você já deve ter falado com ele sobre isso, não?

Ãhãhãhãh…

E o que o Havelange fala sobre essas competições, Ricardo? Ele não diz que eram oficiais e definiam o campeão brasileiro?

Sim, presidente, mas…

E a sua CBF não foi criada a partir da CBD, Ricardo?

Sim, presidente…

E a CBF, que foi criada só em 1979, não colocou no seu currículo todos os títulos conquistados pela Seleção Brasileira nos tempos da CBD, e por isso você se diz presidente da entidade que tem a única seleção pentacampeã do mundo, Ricardo?

Sim, presidente…

E se você incorporou ao currículo da CBF os títulos da Seleção Brasileira dos tempos da CBD, por que não homologou essa Taça Brasil e esse Torneio Roberto Gomes Pedrosa, Ricardo?

Sinto que há alguma oposição de outros clubes, presidente.

Que clubes são esses?

Clubes que não foram campeões nem da Taça Brasil e nem do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, presidente.

Oh my God. No seu país clube perdedor pode anular o campeonato, Ricardo? Não acha que assim o futebol seria uma bagunça maior do que já é?

É que eles alegam que… que…

O que eles alegam, Ricardo?

Alegam que, por exemplo, alguns campeões da Taça Brasil só jogaram quatro vezes.

É esse o motivo maior para se anular a competição, Ricardo?

Errr… é, acho que é, presidente…

Então você quer dizer que o meu Mundial da Fifa deve ser anulado, só porque o campeão só faz dois jogos, Ricardo?

Bem… não quis dizer isso, presidente…

E os times que jogavam nessa Taça Brasil e nesse Torneio Roberto Gomes Pedrosa, eram expressivos, tinham algum jogador da Seleção Brasileira, Ricardo?

Todos…

Como assim, todos, Ricardo?

Todos, titulares e reservas da Seleção Brasileira jogavam nesses times, presidente…

Diga o nome de alguns jogadores, para ver se me lembro…

Pelé, Tostão, Rivelino, Gérson, Clodoaldo, Zito, Mauro Ramos de Oliveira, Garrincha, Nilton Santos, Vavá, Gylmar dos Santos Neves, Didi, Tostão, Rivelino, Gérson, Ademir da Guia, Clodoaldo, Carlos Alberto Torres, Jairzinho, Paulo Cesar Caju…

Stop, stop, stop Ricardo!!! Quer dizer que Pelé, Tostão, Rivelino, Gérson, Carlos Alberto, Jairzinho, Zito, Clodoaldo e todos esses jogadores que fizeram do futebol do seu país conhecido e respeitado no mundo inteiro, jogaram essas competições oficiais e você ainda não as homologou, Ricardo. Por que?

Nosso departamento técnico está estudando, presidente…

Seu departamento técnico está estudando competições realizadas há 50 anos e que reuniram as melhores gerações de jogadores que o seu país já teve, Ricardo?

Ãhãhãhãh…

Ricardo, daqui a quatro anos teremos uma Copa do Mundo aí. O mundo olha o Brasil como o berço do futebol arte, da beleza e da magia do esporte. E olha assim não por você, Ricardo, nem por nenhum dirigente, mas por causa desses jogadores que foram campeões e estão sendo ignorados, desprezados pela sua CBF, Ricardo.

……………….

Sabe em que ano a Itália teve o seu primeiro campeão?

??????????

Em 1896, Ricardo, há 114 anos. E para ser campeão, a Udine fez só dois jogos e ambos no mesmo dia. Mas não importa, Ricardo, era o que podia ser feito. E está nos anais do futebol italiano, com muito orgulho. Vocês têm um futebol tão rico, por que desprezar essa história, Ricardo?

………………

Vamos tentar fazer uma grande Copa do Mundo aí, Ricardo. Um evento pra cima, alegre, que reverencie o futebol arte. Para isso, Ricardo, preciso ter ao nosso lado os maiores campeões que o seu país já teve. Entendeu, Ricardo? Do you understand, my friend?

Sim, sim, presidente…

E o telefone de Zurique foi desligado.


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