Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

Tag: Lalá

Veja como foi a Festa do Octa, pela SantosTV

Como é bom ver nossos ídolos felizes com a justiça da Unificação, tranquilos de saber que são, oficialmente, campeões brasileiros. Repare o que diz Dalmo, Lalá… Imagine como era aquele time. Mais um belo trabalho do Cássio Barco e dos craques da SantosTV.


Duas histórias sobre Pelé

Ao pesquisar para o livro Time dos Sonhos, na busca de histórias de Pelé que ainda não tivessem sido contadas, me deparei com uma do zagueiro Maneco, que foi assistir a um treino na Vila Belmiro e teve a fortuna de ser contratado pelo Santos, no início dos anos 60.

Maneco recorda que na época ganhava-se mais sendo reserva no Santos do que titular na maioria dos grandes times brasileiros. Mas não era fácil treinar contra Pelé e Coutinho. “Eu saía exausto, morto, e eles assoviando, como se nada tivesse acontecido. Jogavam como se estivessem brincando”.

Pelé já era considerado o melhor jogador do mundo e numa tarde o treino foi visitado por uma equipe de tevê da França que queria gravar algumas jogadas geniais do rei. Conversaram com Pelé, que se dirigiu a Maneco antes de um escanteio.

“O crioulo me pediu para não encostar nele, pois daria uma bicicleta. Veio a bola e ele pumba, caixa! O Laércio, que não gostava de perder nem no palitinho, ficou louco comigo. Expliquei que era para a filmagem e passou. Mais algum tempo, outra bola na área e o negão acerta outra bicicleta. O Laércio saiu do gol esbravejando e perguntando quando ia terminar a filmagem. Mas a equipe de tevê já tinha ido embora. Aquilo foi gol no duro mesmo”, arremata Maneco, com um sorriso.

O amigo Lalá

O goleiro Lalá, paranaense da Lapa, que jogou no Ferroviário (hoje Paraná) e veio para o Santos trazido por Ferreira, campeão paulista de 1935, fez parte do elenco santista de 1959 a 61 e quando parou, a exemplo de boa parte dos ex-jogadores do Santos, preferiu ficar na cidade, onde seu posto de gasolina (hoje loja de esportes) se tornou um ponto de encontro dos veteranos santistas. Bem falante, ele lembrou duas façanhas de Pelé que a tevê não mostrou: ambas na excursão à Europa em 1959.

“Tive sorte. Um mês depois de chegar, o Santos saiu em uma excursão que encantou o mundo. Fiquei no mesmo quarto do Pelé em Valência, onde o Santos iria decidir a Taça Teresa Herrera com o Botafogo – um timaço que tinha Nilton Santos, Garrincha, Didi, Zagalo. Era um tira-teima. Os dois times eram a base da Seleção Brasileira que tinha sido campeã do mundo. Saímos para passear na manhã do jogo e demos de cara com uma vitrine onde a taça estava exposta, com as medalhas para os jogadores. O Pelé disse: ‘hoje vou ganhar uma medalha dessas para você’. Mas, à noite, o jogo estava difícil, empatado”.

“Num escanteio cobrado pelo Garrincha, eu subi, encaixei a bola e ao cair esbarrei no Pelé. Então perguntei: ‘O que você está fazendo aqui, negão? Como é que a gente vai ganhar com você aqui na área?’. Ele não falou nada, só pediu a bola. Eu dei, ele saiu com ela, driblou todo mundo e fez o gol. O Santos ganhou por 4 a 1, foi o campeão e eu fiquei com a minha medalha”.

O mesmo Lalá conta que no Pentagonal do México de 1961, em Guadalajara, Pelé estava no banco de reservas, com uma tipóia, quando a própria torcida do América mexicano começou a pedir sua presença. O Lula perguntou para ele se dava e ele respondeu que podia tentar. O banco de reservas ficava perto da área do América (naquele tempo não era preciso entrar pelo meio de campo).

“O Pelé entrou sem aquecimento, massagem, nada. Pediu para o Dalmo segurar o lateral. Recebeu a bola ainda amarrando o calção, driblou o zagueiro e fez o gol. O América deu a saída, o Santos roubou e foi ao ataque, com ele e Coutinho tabelando. O lance acabou em escanteio, que Pepe cobrou, o Pelé subiu mais alto que todo mundo e marcou de novo. Em dois minutos o jogo estava decidido e a torcida começou a pedir para ele sair de campo” (o Santos venceu por 6 a 2).

Édson Arantes do Nascimento Meia-esquerda
Data e local de nascimento: 23/10/1940, em Três Corações/MG
Altura: 1,74m
Peso: 70 quilos
Chuteira nº: 39
Clubes que defendeu: Santos (de 1956 a 74) e Cosmos/NY (1975 a 77).
Jogos pela Seleção Brasileira: 114 (93 oficiais e 22 não oficiais).
Jogos na carreira: 1367.
Gols marcados na carreira: 1281, dos quais 1091 pelo Santos e 95 pela Seleção Brasileira.
Títulos mais importantes: Tricampeão mundial pela Seleção Brasileira em 1958/62/70, bicampeão mundial Interclubes e da Taça Libertadores da América em 1962/63, pentacampeão brasileiro em 1961/62/63/64/65, decacampeão paulista em 1958/60/61/62/64/65/67/68/69/73, campeão do Torneio Rio-São Paulo em 1959/63/64/66, campeão das Recopas Sul-Americana e Mundial e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa em 1968.
Recordes: jogador que fez mais gols na história do futebol (1281); único a marcar em quatro Copas do Mundo (1958/62/66/70); único a ser 11 vezes artilheiro do Campeonato Paulista (1957/58/59/60/61/62/63/64/65/69/73); único a marcar mais de mil gols por um mesmo clube (1091, pelo Santos).
Família: Divorciado de Assíria Lemos Seixas, com quem teve gêmeos Joshua e Celeste, de 12 anos. Foi casado com Rosemary Cholby entre 1966 e 1978, com quem teve os filhos Kelly Cristina, 34 anos, e Édson Cholby do Nascimento (o Edinho, ex-goleiro do Santos), 31. Também é pai de Sandra Regina Machado Arantes do Nascimento, 37 anos, cuja paternidade foi reconhecida na Justiça, e…
Ocupação: Depois que parou de jogar passou a atuar como garoto-propaganda de diversos produtos (com exceção de cigarros e bebidas alcoólicas), foi executivo do grupo norte-americano Time Warner, Ministro dos Esportes do Brasil, diretor do Santos e empresário de múltiplas atividades à frente de sua empresa, a Pelé Sports & Marketing.

Uma frase sobre Pelé

“Quando a gente joga ao lado de um craque, sabe o que vai fazer. Um craque entende o outro. Mas Pelé não é só um craque, é um supercraque, chegou a um ponto onde ninguém encosta. Pelé é como uma cascavel: seus olhos estão saltados para fora, lhe dão uma percepção que nenhum outro jogador tem, nem nunca teve. Ninguém vê e sente o jogo melhor do que Pelé. Os sentidos dele penetram todos os mistérios do futebol: além de ver tudo, ele ouve o barulho e sente o cheiro dos jogadores se movimentando em campo. Por isso a gente tem a impressão de que ele vê o que está à frente e atrás” (Almir Albuquerque no seu livro “Eu e o futebol”).

Todo mundo tem uma frase ou uma história sobre Pelé. Qual é a sua?


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