Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

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O legado de Laor

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A maior conquista da gestão Laor

Em 16 de agosto de 2016, terça-feira passada, morreu, aos 73 anos, o santista Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro, também conhecido como Laor, 35º presidente do Santos. Ele estava internado no hospital Albert Einstein para tratamento de um tumor no aparelho digestivo. Laor fez história na direção do clube, conquistando títulos e mudando o modelo de gestão.

Reeleito para o período de 2013 a 2015, renunciou ao cargo em maio de 2014, por problemas de saúde, deixando a presidência para o seu vice, Odílio Rodrigues. Nos quatro anos em que dirigiu o Santos Laor se tornou o presidente mais vitorioso depois de Athié Jorge Cury, com seis títulos no futebol profissional, entre eles a terceira Copa Libertadores, em 2011.

Sob o seu comando o Santos conquistou, ainda, a Copa do Brasil de 2010, a Recopa de 2012 e os Campeonatos Paulistas de 2010, 2011 e 2012. No mesmo período o Alvinegro Praiano angariou três títulos oficiais no futebol feminino, entre eles o da Copa Libertadores de 2010; dois de futsal, destacando-se o da Liga, correspondente ao título brasileiro, além da Copa São Paulo de Futebol Junior de 2013.

Em sua gestão o presidente passou a dividir as decisões com um Comitê Gestor formado por santistas influentes. Essa parceria proporcionou a contratação, por empréstimo, do ídolo Robinho, junto ao Manchester City, da Inglaterra, e também permitiu segurar Neymar quando todos já davam certa a ida do jovem craque para o Chelsea, também inglês.

Com atuantes departamentos de marketing, dirigido por Armenio Neto, e comunicação, por Arnaldo Hase, durante a gestão de Laor o Santos conseguiu bons patrocinadores, elevou seu número de associados para mais de 60 mil e manteve seu time em evidência usando não só a grande imprensa, mas os recursos da Internet, como o Youtube e outras ferramentas da mídia social.

Confiante, otimista e ótimo com as palavras, Luis Álvaro melhorou o autoestima dos santistas. Para explicar porque os ingressos dos jogos do Santos eram mais caros, comparou o Cirque du Soleil com um circo de bairro, e para justificar a predileção divina pelo Santos, disse que não foi por acaso que Jesus multiplicou os Peixes, em vez de multiplicar porcos, gambás e outros animais.

Em sua campanha disse que não aceitaria a reeleição, mas mudou de ideia e foi reeleito com 87% dos votos. Pouco mais de um ano depois, adoentado, cedeu o cargo para Odílio Rodrigues, que não conseguiu fazer uma boa gestão e cometeu a imprudência de pedir R$ 40 milhões emprestados para contratar Leandro Damião, um ônus que atrapalha o Santos até hoje.

Conheci Luis Álvaro Ribeiro em dois lançamentos de livros meus: Donos da Terra e Pedrinho escolheu um time. Tive uma boa impressão dele. Ao ser eleito, fez uma administração de boa a ótima em 2010 e 2011. Após reeleito, porém, tornou-se mais individualista e cometeu alguns pecados, como o amistoso em que o Santos foi goleado pelo Barcelona por 8 a 0, a nebulosa venda de Neymar para o clube catalão, o apoio a Andres Sanchez para a falência do Clube dos Treze e, como entendia pouco de futebol, a renovação de contrato do técnico Muricy Ramalho e de jogadores que já tinham encerrado o seu ciclo no Santos.

De um modo geral, porém, Laor foi um presidente que deixou a sua marca na história do clube. Mesmo nascido em Santos e neto de um presidente do clube, o médico legista Álvaro de Oliveira Ribeiro, ele soube administrar o Santos com uma visão universalista, atraindo associados do país inteiro e fortalecendo a imagem nacional e internacional do Alvinegro Praiano.

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E para você, o que Laor representou para o Santos?


A crise não pode entrar em campo hoje!

O Santos está em crise, não se pode negar. Uma hora antes do jogo desta noite torcedores irão se reunir em frente às sociais da Vila Belmiro para pedir a renúncia do presidente Luis Álvaro Ribeiro, do vice Odilio Rodrigues e de todos os outros membros do comitê gestor, maiores responsáveis pela fase instável que o time e o clube atravessam, que culminou com o vexame histórico contra o Barcelona, sexta-feira passada.

Porém, o técnico Claudinei Oliveira e os jogadores, poupados pela maioria dos torcedores da tragédia dos 8 a 0, têm a obrigação de esquecer os problemas extra-campo e jogar com vontade contra o tradicional alvinegro de Itaquera. Uma vitória amenizará a crise, uma derrota a tornará maior.

Sem condições físicas, o recém-contratado Thiago Ribeiro não deverá iniciar a partida. Outros dois recém-contratados, os laterais Cicinho e Mena, também deverão ficar de fora. Claudinei Oliveira continua insistindo com a defesa formada pelos veteranos Edu Dracena, Durval e Léo. Dos Meninos da Vila estão escalados Leandrinho, Neilton e Giva. Mas se o time estiver perdendo e a torcida protestar, é quase certo que o técnico fará entrar mais dois ou três garotos vindos da base, tais como Léo Cittadini, Gabriel, Pedro Castro, Lucas Otávio, Victor Andrade…

O adversário, que esboça uma reação no campeonato, jogará desfalcado de seus artilheiros Emerson Sheick e Pato. Tite deve armar um esquema defensivo que explorará os prováveis erros de marcação do Santos para chegar à vitória. O resultado lógico é o empate, mas se jogar com entusiasmo o Santos terá grandes possibilidades de vencer.

Prováveis escalações: Santos: Aranha, Galhardo, Edu Dracena, Durval e Léo; Arouca, Cícero, Leandrinho e Montillo; Neílton e Giva (Willian José). Técnico: Claudinei Oliveira. Corinthians: Cássio, Edenílson, Gil, Paulo André e Fábio Santos; Ralf, Guilherme, Romarinho, Danilo e Renato Augusto; Guerrero. Técnico: Tite.

E você, o que acha que acontecerá esta noite na Vila Belmiro?


Mano Menezes não! E outros conselhos vitais à diretoria do Santos

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Contratar Mano Menezes para técnico do Santos é o típico negócio que não cheira bem.

No Palácio de Versalhes, nos arrabaldes de Paris, a nobreza vivia sem nenhum contato com o povo e a dura realidade das ruas. Assim, quando informaram à rainha Maria Antonieta que o povo não tinha pão, ela respondeu “ora, então que comam bolo”. Lembro-me disso porque leio que o presidente Laor, que tem passado os dias no aconchego de seu lar, cercado por amigos e familiares, declarou a um jornal que se Bielsa não vier, pretende convidar Mano Menezes para ser o técnico do Santos.

Vi a demissão de Muricy Ramalho como um passo da diretoria no caminho de uma identificação maior com o torcedor santista. A vinda de Menezes criaria um abismo entre a corte e o povo, ou melhor, entre a direção do clube e seus torcedores. Muito identificado com o alvinegro de Itaquera, parceiro de Ronaldo e Andrés Sanchez, Mano Menezes é o último técnico que um dirigente santista pensaria em contratar.

Este blog não é preconceituoso, mas, modéstia à parte, entende um pouco da alma do santista. Fiz um título semelhante quando se pensou em contratar Bill, em vez de Romarinho. Mas Laor, imune aos clamores do povo, quero dizer, do torcedor, preferiu pagar 100% do passe de Bill e ignorou o santista Romarinho, que viria para o Santos por uma bagatela. Resultado: Bill foi embora sem nada fazer de útil, enquanto Romarinho é titular em um dos times mais competitivos do País no momento.

Quem poderia aconselhar Laor a contratar Mano Menezes? O amigo Andrés Sanchez? Talvez. A possibilidade é tão absurda, que só posso ver nesse plano a interferência de alguém preocupado com o desemprego do ex-técnico do alvinegro paulistano, que assumiu a seleção após a desistência de todos os favoritos para o cargo.

Meninos, sim, mas não só eles!

Tenho lido que o Santos usará o dinheiro da venda de Neymar para construir um CT para as categorias de base. Ótimo. Mas e o resto do dinheiro? Sim, porque não dá para se desfazer do melhor jogador sul-americano e não sobrar nada para comprar um outro à altura, ou ao menos um titular absoluto. A história dessa venda precisa ser melhor explicada. Os números não batem.

Um time de Meninos da Vila também precisa de jogadores mais experientes. Em 1978 havia Joãozinho, Clodoaldo, Ailton Lira; em 1995, Giovanni, Gallo, Wagner; em 2002, Fábio Costa, Léo, Renato, Alberto; em 2010, Robinho, Marquinhos, Edu Dracena, Durval… Não dá para escalar um time só com a garotada. Esta seria uma alternativa desesperada, no caso de o clube estar com o caixa realmente a zero.

Pagar fortunas por um técnico é bobagem

Imaginei que Marcelo Bielsa se encantaria por trabalhar no Santos e não quereria sangrar os cofres do clube, mas me enganei. Pelo que o professor pediu, e só a partir de janeiro, é melhor esquecê-lo. Também não está com essa bola toda. Que se procure uma opção mais razoável.

De nada adiantará economizar uma fortuna com o salário de Muricy Ramalho e trazer outro técnico nas mesmas condições. Se técnicos valessem mesmo o que pedem, não ficariam desempregados por tanto tempo. Está aí um cargo para o qual os clubes, unidos, deveriam estabelecer um teto salarial. Nenhum técnico brasileiro deveria receber mais do que 200 mil reais por mês. Se não estivessem contentes, que fossem trabalhar na Arábia, na Transilvânia, ou onde quisessem. Queria ver se em pouco tempo essa orgia financeira não estancaria.

Por enquanto, fiquemos com Claudinei Oliveira. O grande Lula e o não menos grande Formiga começaram assim, vindos das categorias de base. Torçamos para que Claudinei se firme. Está na hora de o Santos, que já revelou tantos técnicos, revelar mais um.

O caso Victor Andrade

Acabo de receber o telefonema de um amigo de infância, o Paulinho Stapait, santista fanático, indignado com o não aproveitamento do Victor Andrade. Realmente, é estranho o rapaz nunca mais ter sido escalado, depois de ser anunciado como um novo astro da Vila e assinar um contrato com uma multa milionária. Por que Victor está na geladeira? Quem souber, que se pronuncie.

Custo fixo do Santos é uma bomba-relógio

Já falei sobre isso e falarei de novo, apesar de saber que boa parte dos altos funcionários do clube me odeiem por isso: esta gestão elevou demais o custo fixo do Santos e essa política salarial corrói rapidamente o que o clube fatura, colocando-o sempre em situação delicada, principalmente em momentos como este, em que não há patrocinador máster na camisa.

Paga-se o teto salarial para muitos funcionários que foram escolhidos mais por suas convicções ideológicas do que por seu currículo profissional. Isso faz com que o Santos gaste como uma multinacional e funcione como uma empresa brasileira de fundo de quintal.

Antes esses funcionários eram terceirizados, hoje todos são registrados em carteira, com salários acima da média de mercado de Santos. O custo fixo mensal mais do que dobrou nos últimos anos e como agora o faturamento diminuiu, os “problemas de fluxo de caixa” tornaram-se terríveis. Fico imaginando a bomba que sobrará na mão de uma nova diretoria que assumir o clube nas próximas eleições.

Não foi ético administrar as finanças do clube dessa maneira, condenando as administrações posteriores a gastar fortunas se quiserem mudar o quadro de funcionários do Santos. E diante de tantos encargos, comentam que o dinheiro da venda de Neymar servirá apenas para pagar dívidas e manter a folha salarial em dia. Será? O blog está à disposição para o esclarecimento dos responsáveis.

E você, o que acha disso tudo?


Pobre Santos! O time Sub-20 teria empolgado mais

Barcelona aliciou Neymar. Santos vai ficar quieto?
O Caso do NEYMAR/BARCELONA está claramente se configurando um caso gigantesco de ALICIAMENTO!
Sem dúvida nenhuma estamos diante de um grande ESCÂNDALO com requinte de colonialismo.
A pergunta é: Será que a FIFA exige prova documental?
Há na imprensa dezenas de recortes de jornal, no youtube dezenas de filmes, todos com argumentações de jornalistas catalães e brasileiros.
Eu mesmo assisti (no Youtube) jornalista catalão alegando que o Barcelona já pagou 10 milhões de euros ao Neymar. Outro vídeo que o Neymar comprou barco com dinheiro do Barcelona.
Espero sinceramente que aparentando não estar ligando, feito um tolo, o jurídico do Santos já tenha juntado todas essas provas e a vá a FIFA.
As favas com o Barcelona.
Penso assim, acreditando na boa fé dos Neymares e na ma fé do Barça.
O Neymar fez um contrato com o Santos cujo o grande alvo seria no meio de 2.014 ser dono dos direitos federativos.
Da parte dele caiu no canto da Sereia dos colonizadores, e pegou a grana.
Os catalães agiram de má fé e o Santos tem que fazer valer os seus direitos mesmo que chamusque os Neymares.
RT >>> @marcelobechler Balanço do Barcelona e a parte que corresponderia aos 10 milhões de adiantamento por Neymar pic.twitter.com/UipZHePwWI
Ernesto Franze

Falar o quê do 0 a 0 contra o Joinville na Vila Belmiro? Os leitores deste blog já têm dito tudo. É difícil admitir, mas com esse time, essa comissão técnica e jogando assim o Santos lutará para não ser rebaixado no Campeonato Brasileiro. O que mais se pode dizer? Ah, que o time Sub-20 teria empolgado mais a torcida ontem.

O Alvinegro Praiano ganhou a Taça São Paulo de Futebol Junior com Gabriel Gasparotto; Alisson, Gustavo Henrique, Jubal e Emerson; Lucas Otávio, Leandrinho, Pedro Castro e Léo Citadini; Neilton (Lucas Crispim) e Giva. Técnico: Claudinei Oliveira. Com alguns reforços dos profissionais, este deveria ser o time a ser preparado para o Campeonato Brasileiro.

A opção pelos Meninos seria mais econômica, alegraria mais a torcida e resultaria em um futebol mais ofensivo, como o santista gosta. Talvez a equipe tomasse algumas traulitadas até se entrosar, mas seria um preço que o torcedor do Santos pagaria sem susto.

Ontem o Alvinegro Praiano não só jogou mal, como esteve a ponto de perder a classificação para a próxima fase da Copa do Brasil em plena Vila Belmiro. O time visitante teve as melhores chances para marcar e o árbitro deixou barato uma entrada de Renê Junior que significaria o segundo cartão amarelo e, conseqüentemente, sua expulsão aos 25 minutos do segundo tempo.

A estreia de Henrique não foi boa. Pelo jeito o rapaz faz gols, mas bate de canela. Como ontem não fez gol, só sobraram as caneladas… Miralles entrou no seu lugar aos 22 minutos do segundo tempo e conseguiu ser pior, perdendo um gol feito no último lance do jogo. Ou seja: o único centroavante de verdade que o Santos tem é Giva, o garoto que veio do time campeão do Sub-20.

Quando se busca uma explicação para a fase ruim que o Santos atravessa há meses, é impossível não deixar de lembrar que o clube é dirigido por um presidente de pijama, um técnico que empurra com a barriga para não pedir demissão e um jogador que fica no vai-não-vai embora. A falta de decisão desses personagens, ou de quem decide por eles, está prejudicando sensivelmente o time.

Nunca o Santos gastou tanto com sua folha salarial, nunca sua direção falou tanto em profissionalismo e em gestão moderna e poucas vezes foi tão mal administrado, a ponto de ter de emprestar milhões dos bancos para saldar a folha de pagamentos (quem vai pagar essa conta?). A falta de tato no caso Paulo Henrique Ganso se repete agora com Neymar. O patrimônio vai sendo dilapidado a cada dia. O clube está ao Deus-dará e o time reflete isso.

O time que ficou famoso por revelar Meninos gasta fortunas com veteranos e agora, para adoçar a boca da torcida, fala em trazer Robinho e Wagner Love, dois jogadores que já deveriam estar pensando na aposentadoria. Enquanto isso, os Meninos campeões andam pelos cantos da Vila, desprezados.

A torcida que vai ao estádio não pode protestar, pois se não não tem mais ônibus de graça e ingressos para vender no câmbio negro. A democracia virou uma aristocracia em que pessoas sem rosto tomam as decisões no quarto do presidente de pijama. A coisa vai mal.

Pelo que tem jogado, o Santos não vai longe na Copa do Brasil e, com sorte, ficará no meio da tabela do Brasileiro, repetindo o mau planejamento e as performances decepcionantes que tem tido na principal competição nacional desde 2008. E o pior é que não sentimos vontade e disposição para mudanças. Um conformismo atroz tomou conta da Vila mais famosa do mundo. Pobre Santos! Muitas pessoas estão sugando até a última gota do que o clube pode dar, mas não estão dando nada em troca.

E pra você, o que significou esse 0 a 0 com o Joinville?


Os riscos proibitivos de um estádio em Cubatão


Vale a pena construir um estádio ali só porque o terreno é de graça?

Tana Blaze é o psedônimo de um respeitável santista que há anos vive na Europa. Experiente em várias áreas, ele nos concede, com o texto abaixo, uma visão profissional, imparcial e profunda da possibilidade aventada da construção de um estádio em Cubatão. Publico-o e assino embaixo, pois considero este texto o mais esclarecedor sobre a questão “construção de estádios de futebol” que já li.

Por Tana Blaze, um santista internacional

1 – O mau e o bom exemplo do Palmeiras para o Santos

A queda do Palmeiras é resultado do desequilíbrio financeiro de longa data. Ao ser rebaixado foi obrigado a pedir mais um adiantamento de 10 milhões de reais à Rede Globo, dinheiro que faltará no futuro e que deve se somar ao montante de pagamentos antecipados de cotas da Globo de 67 milhões de reais, já existentes no passivo do balanço de outubro de 2012. As dívidas financeiras do Palmeiras também são nitidamente superiores às do Santos. No exercício de 2011 as despesas financeiras líquidas alviverdes atingiram 26 milhões de reais.

Mas, ao contrário do que se possa imaginar, os investimentos na nova Arena Palestra não contribuíram com nenhum centavo para a situação precária do alviverde, pelo menos na fase da construção, pois são feitos por conta e risco da WTorre. Também porque ninguém neste mundo daria crédito ao Palmeiras, muito menos no montante do investimento no novo estádio.

Foi com base na ótima localização do Parque Antártica, em região central e valorizada de São Paulo e ligado ao metrô, que a WTorre resolveu construir o estádio por conta própria, que deverá se amortizar com eventos, jogos de futebol de mando do Palmeiras e vendas de camarotes e cativas. A WTorre, para a qual foi passada a escritura do terreno, será proprietária do estádio durante 30 anos, arcará com os custos de manutenção e reterá um percentual significante das receitas da venda de ingressos de jogos de futebol e outros eventos.

Apesar das críticas da administração Tirone à predecessora, o contrato com a WTorre é em princípio um bom negócio para o Palmeiras. Mas com os adiantamentos da Globo já torrados e com dívidas muito altas e imóveis penhorados, a retenção da receita de bilheteria pela WTorre, não irá facilitar a vida do clube. O risco de falência do Palmeiras persistirá no futuro próximo, menos por causa da construção do estádio e mais devido à dívida imensa acumulada antes da construção.

Indubitavelmente, além do tamanho da torcida, a ótima localização do imóvel do Palmeiras foi determinante para o investimento inteiramente financiado por terceiros, com ótimas possibilidades de ser autossustentável e mais do que isso, altamente rentável.

O exemplo do Palmeiras mostra duas coisas ao Santos:

Primeiro como é perigoso um clube permanecer excessivamente endividado e que a atual administração do Santos fez muitíssimo bem em priorizar o saneamento financeiro.

Em segundo lugar o exemplo do Palmeiras mostra que se o estádio do Santos for construído numa localização ótima, haverá a possibilidade de um investimento por conta de terceiros, sem garantias por parte do Santos, caso este não se amortize para o investidor no prazo esperado.

A retenção de parte das receitas de bilheteria por um investidor nos jogos de mando do Santos, seria justificável, visto que a receita de bilheteria atual da Vila Belmiro não chega a ser alta, podendo ser compensada por outras vantagens decorrentes do estádio, como o aumento do número de sócios. Portanto é perfeitamente possível construir um estádio, sem que os cofres do Santos sejam onerados na fase de construção. Desde que a localização do terreno seja ótima.

2 – A localização para a construção de um estádio sem ônus para o Santos

Se indagados sobre quais seriam os três critérios mais importantes para a escolha de um imóvel em ordem decrescente, corretores imobiliários de qualquer parte do mundo possivelmente dariam aquela resposta clássica: primeiro a localização, segundo a localização e terceiro a localização.

Com o maior respeito por Cubatão, sofrido pela poluição química e visual, para que milhões pudessem ser beneficiados com aço e produtos químicos, acho que mesmo com a redução exemplar da emissão de poluentes, Cubatão não entusiasmará nenhum investidor sério a construir um estádio na base de risco próprio, como fez a WTorre. E se arriscar, vai ter um risco alto de se dar mal. Imagino até que a diretoria do Santos disponha de um estudo de mercado que viabilize um estádio em Cubatão. Infelizmente muitos estudos definem mercados ao gosto de quem os encomenda. Muitos investimentos fracassados foram baseados numa apreciação do mercado furada, um “wishful thinking“. Tanto um shopping center, como um centro de convenções ou um hotel ligados a um estádio em Cubatão seriam facilmente ofuscados por equivalentes em locais mais aprazíveis em Santos ou Guarujá, perto da orla. Tampouco paulistanos irão descer a serra, pagar pedágio apenas só para ir a um shopping center.

O fato de o Santos, em jogos de mando principalmente na Vila Belmiro, MESMO COM O NEYMAR, ter um dos três ou quatro piores públicos do Brasileirão, prova cabalmente que 1) a torcida do Santos na Baixada disposta a ir aos estádios é pequena e 2) que torcedores santistas do planalto pouco descem a serra para assistir aos jogos. Então construir um estádio gigante para poucos espectadores na Baixada?

A Aglomeração Urbana de São Paulo, incluindo Campinas, Baixada Santista e Mogi das Cruzes, têm cerca de 30 milhões de habitantes. Destes, menos de dois milhões estão na Baixada Santista e 28 milhões no planalto. Ademais, grande parte da torcida santista está em regiões interioranas do além Campinas e chega mais facilmente a São Paulo do que a Cubatão. Então de qual lado da barreira representada pela Serra do Mar construir o estádio? Não em porcentagem, mas em número há comprovadamente mais torcedores santistas em São Paulo do que na Baixada.

3 – A vantagem estratégica do Santos em ser o último da fila, podendo “pagar para ver”

Por ser o último dos grandes paulistas a construir um estádio grande, o Santos terá o privilégio de poder incluir itens que sejam mais competitivos que os do Morumbi, Palestra e Itaquerão. Poderá obsoletar com uma só cartada os monstros de concreto armado dos rivais.

O Morumbi já nasceu obsoleto para o futebol, porque os assentos estão muito distantes do campo, devido à pista de atletismo. Além do mais, tem hoje muitos pontos cegos. O Vilanova Artigas nunca deve ter ido a Epidauro e ao alçapão. Uma temeridade o São Paulo investir mais de 300 milhões de reais neste complexo obsoleto. O sucesso do Morumbi se deveu unicamente ao fato de que não tinha concorrência. Os três estádios rivais não terão muitos estacionamentos. O Palestra e o Morumbi, ao contrário de como se auto intitulam, são apenas parcialmente multiuso, porque o céu aberto e o gramado representam limitações. A parte dos dois estádios que é coberta além da arquibancada e tem forma de meia elipse formará o anfiteatro, que permite shows, mas não serve para jogos de cancha coberta sobre outros pisos.

O Itaquerão nem se define por multiuso. A AEG, Anschutz Entertainment Group, que promove eventos ao vivo, e que fechou um contrato com a WTorre, teria se recusado a fechar com o Corinthians por considerar o Itaquerão muito distante do Centro, numa região pouco atraente.

Quais seriam os itens que permitiriam a um estádio do Santos superar em termos de competitividade os três estádios rivais? Fora os sempre comentados, como maior numero de estacionamentos, existem os dois itens que levariam a um multiuso mais amplo, mas requereriam um investimento maior: a cobertura completa e o gramado trocável por outro piso, atualmente existente apenas em quatro estádios do mundo.

A possibilidade de cobertura completa e de variação dos pisos permitiria jogos de quadra coberta, utilizando apenas uma metade do campo e montando uma arquibancada móvel no meio do campo, ou em outra posição desejada, para “fechar” a quadra, podendo assim realizar campeonatos de tênis, basquete, vôlei, handebol, lutas e outros. O estádio aberto poderá assim se converter num ginásio para jogos de quadra coberta. Fora toda a gama de esportes e shows, os estádios comportam hoje missas, circos, rodeios, tractorpulling, corridas speedway, motorcross, de monstercars, stock-cars e touring-cars, sem falar dos esportes sobre neve e gelo artificial. Tudo sem necessitar estragar o gramado.

Quem nunca viu gramado rolando para fora ou dentro do estádio, para alternar com outro piso, poderá ver no Youtube “Making of Stadium- Rolling Field”, mostrando o estádio da Glendale University em Phoenix, Arizona, finalizado em 2009, que é um dos quatro no mundo do gênero. O seu campo de grama para futebol americano foi plantado sobre uma bacia gigante de aço que pode ser rolada hidraulicamente para fora do estádio, abrindo espaços para outros eventos. Um quinto estádio, o Grand Stade Métropole em Lille, com 50.000 lugares para jogos de futebol e de rugby, inaugurado em 2012, adotou outra solução. Uma metade do gramado pode ser içada a uma posição acima da outra metade do gramado fixa, abrindo assim o espaço de uma metade do campo para outros eventos, denominada por “Boîte à Spectacles”.

A Arena Veltins em Gelsenkirchen na Alemanha do Schalke, com 61.000 lugares para eventos nacionais ou 54.000 pelo padrão da FIFA, inaugurada em 2001 e utilizada na Copa de 2006, cujo gramado também pode se rolado fora do estádio e com cobertura que pode fechar completamente, é um estádio verdadeiramente multiuso. A arena custou de 350 milhões de Marcos, ou seja, 179 milhões de Euros e estará amortizada ao cabo de 17 anos em 2018. À taxa de câmbio atual e considerando a inflação acumulada na Alemanha de 20% no período de 11 anos, custou a valores atuais cerca da 600 milhões de reais.

A Arena do Schalke é também palco em perímetro reduzido para jogos de quadra, como handebol, e já foi palco em perímetro completo com teto fechado de duas lutas dos irmãos Klitschko com público de até 61.000 espectadores por luta. Sem falar dos biathlons sobre neve artificial e de óperas. Se considera “a maior casa de ópera do mundo”, já tendo passado Aída, Carmen, La Traviata, Turandot.

Outra vantagem do gramado rolante é a velocidade com a qual o estádio pode ser readaptado. Seria possível jogar uma final de basquete ou tênis e poucas horas depois promover um jogo de futebol no gramado intacto e refrescado pelo ar livre.

Não postulo que o investidor aliado ao Santos tenha de construir um gramado que possa rolar para fora do estádio e um teto que feche completamente, mas pelo menos poderia construir de tal forma que estes itens possam ser agregados no futuro, sem que sejam necessárias demolições.

O desafio do Santos será competir com a proximidade do metrô dos estádios rivais.

4 – Como investir a poupança do Santos. Ou: a localização do estádio é tudo

Em vez de fazer uma loucura pelo Robinho, que tem poucos anos de futebol pela frente, utilizaria os 15 milhões de euros, dos provavelmente 30 milhões de redução de dividas ao término da atual gestão, na compra de um terreno favorável para a construção de um estádio num local bem servido por transportes públicos no planalto paulista. Terrenos costumam até valorizar e em caso de imprevisto podem ser revendidos. A recusa da AEG de fazer uma parceria com o Corinthians por causa da localização do Itaquerão mostra mais uma vez a importância preponderante do critério localização.

O Grêmio também não caiu na tentação de uma oferta gratuita de um terreno por parte de município que não tenha a localização adequada. Abandonou o estádio Olímpico porque não era autossustentável. Comprou um terreno por 50 milhões de Reais, ou seja, cerca de 17 milhões de euros, para construir uma arena multiuso com ótimas possibilidades de ser autossustentável.

Se o Santos não estabelecer uma presença no lado da barreira da Serra do Mar, no qual estão 28 milhões de habitantes, só por causa de uma oferta de terreno gratuita em Cubatão, daqui a 20 anos arriscará voltar a ser um time que só terá presença na Baixada, como antes de 1955. Antes do advento do Neymar a sua torcida com idade menor de 24 anos, vinha caindo na Grande São Paulo de 10% da era Pelé para 3%.

O Santos terá que agir como o Grêmio e comprar um terreno muito bem localizado, para, como o Palmeiras, poder arranjar um investidor que construa o estádio por conta própria. Se não em Diadema perto da Imigrantes, talvez no local de uma fábrica velha perto de uma estação da Ferrovia Santos-Jundiaí. Ou mesmo em São Paulo nas imediações da Estação de Metrô Santos –Imigrantes, perto da Imigrantes e da Anchieta. O nome da estação de metrô dedicado ao Santos parece até convite para construir neste local, por sinal bem melhor que Itaquera. NOMEN EST OMEN, nome é destino!

Se a localização for ótima, seria possível que investidores participem também no financiamento do terreno. Com um estádio verdadeiramente multiuso, pode-se angariar multi-patrocínios. Aos dos que patrocinam o futebol, poderiam se juntar os que patrocinam jogos de vôlei, basquete, tênis, lutas e outros. Multiuso não é moda nem luxo, é investir mais para aumentar a ocupação do estádio de forma significante, diluindo os custos e reduzindo o tempo de amortização.

Mesmo que o público de apenas 15.000 pessoas, que foi ver o show da cinquentona Madonna, que veio pouco depois da Lady Gaga, tenha sido considerado pequeno, a receita de bilheteria de estimados três milhões de reais, assumindo-se um preço médio de 200 reais por ingressos, foi superior a qualquer renda de jogo de Brasileirão. A grande importância financeira dos eventos, acaba de ser manifestada com o desespero do São Paulo em investir um valor superior a 300 milhões de reais no Morumbi obsoleto, copiando o ”anfiteatro” do Palestra, para tentar salvar o possível face à nova concorrência do Parque Antártica. Investimento que não é feito para os torcedores da arquibancada superior, que ficaram 50 anos no sol e na chuva, mas para os que visitam os shows. Os preços de ingressos para certos eventos chegam a ser múltiplos dos preços de ingressos do futebol.

O Santos deveria tentar tocar um projeto baseado num terreno ótimo, bem servido por transportes públicos, junto a incorporadores, investidores e diversas entidades esportivas e de eventos que se interessem por compartilhar uma arena multiuso. Pena que o beisebol, o rugby e o futebol americano não sejam populares no Brasil, porque o estádio Sapporo Dome no Japão, no qual foram realizados jogos da Copa de 2002, tem um gramado rolante para os jogos de futebol do Consadole Sapporo e um gramado sintético rolante para partidas de beisebol do Hokkaido Nippon, dois clubes que ali mandam as suas partidas e dividem os custos.

5 – Melhor nada fazer, que deixar um legado ruinoso

Apesar da opinião contrária de muitos santistas, a Globo informou em 7 de dezembro que o Projeto Cubatão continua na mira da direção do Santos. Parece que a direção do Santos está preparando a torcida para um estádio em Cubatão, soltando pequenos “press releases”, que acabam virando um fato consumado.

Receio o mesmo raciocínio que fez a direção mirar o Bill. Num caso mirou a gratuidade dos direitos do Bill, noutro caso estaria mirando o preço vantajoso do terreno em Cubatão. Sem considerar que o custo de oportunidade poderá ser ruinoso para o Santos, na medida em que a torcida santista do planalto não comparecer e empresários não conseguirem colocar eventos de valia econômica.

Melhor que deixar um legado ruinoso em Cubatão ou do tipo arrendamento do Pacaembu, seria aguardar e deixar a decisão para uma administração futura, com base numa melhor oportunidade e um projeto bem fundado.

Esperava-se desta administração, com seu Comitê de Gestão composto por executivos de topo, familiarizados com grandes transações, em contato com os setores importantes da economia, como foi o Luiz Gonzaga Belluzzo no Palmeiras, e com um presidente que se rotula como um dos maiores peritos em assuntos imobiliários no Brasil, um projeto bem estruturado e ofensivo com um grupo de trabalho e análise e desenvolvimento de diversas opções no que se refere à questão do estádio. Nada disso parece acontecer.”

Existindo a chance histórica de superar os estádios do trio da capital, com terceiros financiando parte do projeto por conta própria, seria nefasto o Santos se apequenar para escanteio em Cubatão.

Você acha que o Santos ter estádio em Cubatão, ou escolher uma localização melhor?


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