Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

Tag: Leão

Método Científico OC analisa Santos e Goiás

O futebol tem coisas esquisitas. Quando todo mundo acha que um jogo será fácil, ele se complica. Por isso, não é tão simples analisar as possibilidades de Santos e Goiás, hoje, às 18h30m, no Pacaembu.

Uma vitória e o Santos manterá vivo o sonho da tríplice coroa, podendo saltar para o terceiro lugar do campeonato (e ainda com um jogo por fazer). Mas o Goiás também precisa vencer, pois é o lanterna da competição e com um triunfo poderá até sair da zona de rebaixamento.

Sem Paulo Henrique Ganso, que passou por uma cirurgia de joelho neste sábado e deverá ficar seis meses afastado do time, o Santos só pode chegar, na melhor das hipóteses, a um potencial de 100 pontos. Vejamos como o time se sairá sem o Maestro. Porém, enquanto não deixa claro até que nível alcançará, 100 pontos é um valor fidedigno para o time de Neymar.

Quanto ao Goiás, está em último lugar no campeonato e em crise, já que o técnico Leão acabou de ser demitido. A seu favor o Goiás tem o fato de, historicamente, ser uma asa negra do Santos (já empatou em 4 a 4 um jogo que perdia para o Santos por 4 a 1, no mesmo Pacaembu, nos tempos de Pelé). Mesmo assim, tem alguns jogadores perigosos, como o ex-corintiano Rafael Moura, o He-Man. Com boa vontade, seu potencial vai a 70 pontos.

Diante de sua torcida, o Santos rende mais, enquanto o Goiás tem caído muito quando joga no campo do adversário. Ao contrário de Dorival Junior, que não gosta muito de ver o Santos jogando no Pacaembu, eu acho que é um estádio propício para o Santos, além de proporcionar públicos bem maiores do que na Vila.

Hoje, por exemplo, quantas pessoas iriam à Vila, em uma noite de sábado, ver o time contra o Goiás. Não mais do que 10 mil pessoas. Estou certo de que o público no Pacaembu será bem maior.

Nos elencos, superioridade do Santos

Mesmo sem Ganso, Dorival Junior ainda poderá escalar um time ofensivo, se quiser. Estou certo de que a maioria dos torcedores gostaria de ver um ataque com Zé Eduardo, Keirrison e Neymar. Mas o técnico está propenso a colocar quatro no meio-campo e apenas dois mais à frente.

O requisitado Alan Patrick não deverá começar entre os titulares. Dos novos Meninos, Zezinho é o mais cotado para entrar no time (olho nele, porque acho que vai explodir a qualquer momento). Sem Edu Dracena e Alex Sandro, suspensos, o técnico deverá escalar o Bruno Aguiar e Léo, que devem dar conta do recado.

O mais provável é que Dorival escale o meio-campo com Arouca, Rodriguinho, Marquinhos e Zezinho, deixando apenas Neymar e Zé Eduardo (ou Keirrison) no ataque. Bem, na verdade o técnico tem preferido começar o jogo com o centroavante Marcel, que, inoperante, sempre acaba substituído.

No Goiás, que não ganhou nenhuma partida desde que voltou das férias da Copa, e cujos salários estão atrasados dois meses, os desfalques são o lateral Wendel Santos e o volante Wellington Monteiro, suspensos. O time será dirigido pelo técnico interino Wladimir Araújo.

Como o Santos tem um elenco melhor, joga em casa e vem de três vitórias, é normal que seja considerado o favorito. Mas até onde vai esse favoritismo? Vamos às contas:

Como deve atingir o máximo de seu potencial com esta nova formação, o Santos chegará a 100 pontos. Quanto ao Goiás, mesmo que renda tudo o que pode, não deverá passar dos 70 pontos. Esta diferença, de 30 pontos, é suficiente para uma vitória por um ou dois gols de diferença. Um bom palpite do MCOC é 3 a 1.

E você, o que acha que acontecerá no jogo de hoje? Que time Dorival Junior deveria escalar para enfrentar o Goiás no Pacaembu?


Um empate na hora certa, ou o dia da zebra

Sim, o Santos estava perto de um recorde. Caso vencesse a Portuguesa, jogaria por mais um triunfo contra o Palmeiras para igualar a marca de 12 vitórias consecutivas, algo conseguido pela última vez em 1968, pelo time de Pelé.

Recordes têm a sua importância, claro, mas não significam nada perto de um título. E, pensando só no título paulista, o empate de 1 a 1 com a Portuguesa, neste domingo, no Canindé, foi ótimo. Deixou evidente que não basta ter o melhor time. É preciso estar concentrado o tempo todo. Sem esta qualidade, o Santos será mais uma dessas equipes que lideram o tempo todo uma competição, mas caem na reta final.

Quem leu meu comentário neste mesmo blog percebeu que usei basicamente duas palavras para prever o jogo de hoje. Nunca tive dúvidas de que a Portuguesa seria um adversário difícil, que se entregaria ao jogo de corpo e alma, com muita “garra”. Quanto ao Santos, ressaltei a necessidade de muita “atenção”.

Sim, porque um gol pode mudar totalmente o roteiro esperado para uma partida. E caso se aproveitasse de um cochilo da defesa santista e marcasse primeiro, obviamente a Lusa redobraria seus esforços para segurar a vantagem, ao mesmo tempo em que partiria com mais sede ainda nos contra-ataques.

Foi o que aconteceu. O gol de Heverton, aos 17 minutos do primeiro tempo, tornou um jogo que poderia ser até tranqüilo para o Santos, em um confronto dramático. E foi um daqueles gols bobos, em que a defesa parece dormir e assistir ao adversário. Para terminar, o chute saiu fraco, totalmente defensável, e Felipe caiu muito atrasado.

O gol da Portuguesa lembrou o primeiro do Uruguai contra o Brasil pela semifinal da Copa de 1970. Lá também a diferença de categoria era enorme, mas o Brasil começou como que preso ao gramado e numa bola lançada nas costas de Piazza, o gordinho atacante Luis Cubilla tentou cruzar e empurrou um chute fraco, cruzado, que o goleiro Félix deixou passar imaginando que sairia pela linha de fundo. Um frangaço, na verdade, que transformou a partida em uma epopéia, só definida no segundo tempo, com a vitória brasileira por 3 a 1.

O Santos não teve a felicidade de virar o jogo contra a Lusa, apesar de ter massacrado o adversário na segunda etapa. E mesmo o empate só veio no finzinho, quando a arte foi colocada de lado e o espírito de luta prevaleceu. Símbolo desse espírito, Zé Eduardo entrou e mais uma vez mostrou que pra ele não tem bola e nem jogo perdido.

Os santistas devem é agradecer à Portuguesa, que lhes ensinou, mais uma vez, que de nada adianta começar a jogar só depois que o adversário inaugura o marcador. Nem sempre dá para virar a partida e no fim fica o gosto amargo de se perder pontos em um jogo plenamente vencível.

O caminho até o final

Com as vitórias de Corinthians e São Paulo, ambos também integrantes do G4, começa a ficar delineada uma fase semifinal bastante equilibrada, na qual a vantagem anterior de pouco valerá. Para se checar ao título, o Santos ainda terá duras batalhas pela frente e a desatenção em alguns momentos da prtida, como aconteceu contra a Portuguesa, obviamente poderá ser fatal.

A tabela é bastante favorável à equipe de Vila Belmiro, que dos seis jogos que faltam, fará seis em casa, diante de sua torcida. Antes da fase mata-mata, teremos a oportunidade de ver o Santos em partidas nas quais terá tudo para brindar o público com belos espetáculos. Jogar bonito é bom e acho que o show santista deve continuar, mas precisa ser mais objetivo. É desgastante sair atrás e passar o tempo todo correndo atrás do resultado.

A próxima partida do Santos pelo Campeonato Paulista será contra o Palmeiras, domingo que vem, na Vila Belmiro. Estou certo de que a lição de hoje fará o time jogar melhor desde o começo. Em seguida, enfrentará o Ituano, no outro domingo, também na Vila. Depois, sairá para jogar contra o Botafogo. Voltará à Vila para receber o Monte Azul; sairá contra o São Caetano e por fim encerrará esta fase enfrentando o Sertãozinho, dia 7 de abril, quarta-feira, na Vila Belmiro.

Tudo indica que o Santos se manterá na liderança e assim poderá jogar as semifinais com a pequena vantagem dos “dois resultados iguais” e com o jogo de volta em seu campo. Porém, como o Palmeiras mostrou no ano passado, esta vantagem será inútil se o time não mostrar nos jogos decisivos a personalidade que se espera de um campeão.

Por mais que se valorize a arte e o talento, vejam que o jogador santista mais comemorado hoje nem é o mais habilidoso e nem ao menos jogou o tempo inteiro. Trata-se do batalhador Zé Eduardo, que entrou para evitar uma derrota já tida como certa.

E você, querido(a) leitor(a), acha que este empate veio na hora certa, ou você ficou triste com a perda da possibilidade do recorde de vitórias consecutivas? Que lições o Santos aprendeu no empate com a Portuguesa?


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