Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

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Tag: Lei Pelé

Zeca e a Lei Pelé

Este post é para falar da necessidade de mudança da Lei Pelé, providência que se tornou mais emergente com esse caso do lateral Zeca. Mas antes é preciso reservar algumas palavras ao empate de 2 a 2 entre Santos e Ferroviária, jogo que mostrou um Santos muito desorganizado no segundo tempo.

Encaro essa fase de grupos do Campeonato Paulista como uma espécie de pré-temporada para o técnico Jair Ventura. Percebe-se que ele está fazendo experiências com jogadores que ainda não viu em situações de jogo. Sim, porque treino é treino… Acho que Ventura não tem dúvidas com relação a algumas posições, como a de goleiro, que pegou mais um pênalti.

Quanto a Gabigol, fez jus ao nome e marcou o seu, mas poderia até ter feito mais caso tivesse maior determinação. De qualquer forma, é claro que no Santos ele é outro e tem tudo para reencontrar o seu futebol. Gostei das entradas de Rodrygo e Yuri Alberto. No ataque dá para fazer essas experiências sem maiores problemas.

Eu diria que testar garotos é sempre válido. Diria também que Daniel Guedes fazia grande partida até perder a bola, cometer uma falta boba e propiciar o lance que, com a falha de marcação do miolo da defesa, gerou o gol de empate da Ferroviária. De qualquer forma, Guedes e Sacha foram bem. Gostei de ver a volta de Gustavo Henrique, mesmo ainda sem tempo de bola, e acho que o meio perdeu muito com a saída de Vecchio. De qualquer forma, não serei muito exigente porque, como disse, considero essa fase do Paulista como a pré-temporada que não houve.

O caso Zeca e a necessidade de mudança da Lei Pelé

Na sua chorosa entrevista Zeca fala da empresa de seus empresários como se fosse sua família e se refere ao Santos como uma espécie de inimigo. Ora, quem lhe pagou todos os salários em sua vida e quem lhe proporcionou a chance de fugir da pobreza e ter uma existência digna foi o Santos, não seus empresários.

O mundo do futebol não é propício a crianças mimadas. A torcida pega no pé, sim, principalmente quando um jogador a desafia e ofende. Mas isso não é desculpa para abandonar o clube e esquecer seus compromissos de contrato. O Santos tinha chance de lutar até pelo título brasileiro de 2017, mas Zeca, aconselhado por seus empresários, resolveu simplesmente tirar umas férias e ainda apelar para a justiça, na tentativa de ganhar passe livre e tirar um bom dinheiro do clube que o projetou. Isso não é ético.

Seu choro não convence. O drama de sua mãe, segundo ele uma pessoa que sofre de problemas psicológicos, é algo particular que não tem ligação com o seu contrato com o Santos. Talvez ele também tenha problemas psicológicos e por isso tenha agido de forma tão perturbada, mas o certo é que o clube não pode ser prejudicado por isso.

Outro dia presenciei o caso de um garoto descoberto por um clube que o ampara há oito anos. Ou seja, este clube lhe deu tudo o que tem até agora e está disposto a dar-lhe muito mais. Porém, o rapaz, instigado por seus empresários, quer deixar este clube na mão, justo agora que pode retribuir-lhe tudo o que recebeu.

No encontro com Pelé, disse ao Rei que estava na hora de se mudar a lei que leva o seu nome. Ele respondeu que, ao contrário dos garotos de agora, jamais quis sair do Santos. Sim, sabemos disso. Mas Pelé era Pelé em tudo, até no amor por um time de futebol. Hoje, mais do que contar com o amor de seus meninos, os clubes precisam de leis que salvaguardem seus direitos.

Os clubes brasileiros de futebol precisam ser mais protegidos pelas leis do Conselho Nacional de Desportos e do Ministério de Esportes, entre outras. Os clubes e as entidades precisam se reunir para elaborar uma nova relação entre as agremiações e os jogadores revelados por elas. É preciso restringir a atuação dos empresários, ou mesmo expurgá-los do futebol, pois hoje atuam como aliciadores e mercadores de jovens para o exterior.

Por que não se pensar em garantir ao clube revelador a manutenção dos jovens até uma idade mínima, digamos, de 23 anos, como já ocorreu no vôlei? Por que não garantir ao clube formador o mínimo de 70 ou 80% do valor do passe de seus jovens atletas? A ida precoce dessa garotada talentosa para o estrangeiro diminui a qualidade do futebol e o interesse pelo esporte no Brasil, reduzindo todos os índices mercadológicos: audiência de tevê, público nos estádios, venda de produtos oficiais, quantidade de sócios nos clubes, número de torcedores…

Do jeito que está, a Lei Pelé só favorece os empresários e os dirigentes que colocam seus interesses pessoais acima dos interesses dos clubes que representam. E favorece também os poucos jogadores que, mesmo sem demonstrar uma técnica similar àquela dos grandes craques brasileiros da história, recebem luvas e salários supervalorizados. O resultado acaba sendo visto nas competições internacionais e mesmo nas exibições da Seleção Brasileira, hoje defasada com relação aos centros mais avançados do futebol.

Com clubes mais fortalecidos, teremos campeonatos com jogadores de melhor nível, o que atrairá mais patrocinadores, mais público nos estádios e maior audiência na tevê. Um círculo virtuoso se iniciará quando os jovens talentos brasileiros ficarem mais alguns anos por aqui. Essa é uma boa luta, que deve ser iniciada já.

E você, o que acha disso?


Uma proposta séria para tirar os “empresários” do futebol

O Santos tem problemas internos a serem resolvidos urgentemente, mas também precisa ter uma postura externa em defesa de alguns aspectos fundamentais para sua sobrevivência como clube competitivo, como a mudança da fórmula de divisão de cotas de tevê e alterações na Lei Pelé que o protejam, como clube formador de jovens valores que ele é. Este artigo abaixo, escrito por Tana Blaze, nosso colaborador da Alemanha, toca em pontos importantes e sugere alterações na legislação que só dependem de boa vontade para serem feitas. Todo mundo não quer que nosso futebol se livre do empresário, do intermediário entre os clubes e os jogadores? Então, por que não estudar o assunto desde já? Tana Blaze dá sua valiosa contribuição. Leia e opine.

Lucas, Felipe Coutinho e Neymar, três jovens jogadores brasileiros de grande futuro levados por empresários para a Europa antes de amadurecerem como homens e atletas

Por Tana Blaze, direto da Alemanha

Mal o juiz apitou o final de jogo dos 1 x 7 contra a Alemanha, voltaram os apelos para acabar com a Lei Pelé. Mas será difícil alterar a Lei Pelé, porque se um pedreiro pode trabalhar em outros países sem estar preso a um empregador e ao Brasil por qualquer vinculo tipo “passe”, seria injusto impedir que um jogador possa ter os mesmos direitos.

A Lei Pelé não pode ser alterada na sua essência, tampouco o desnível econômico do futebol europeu para o brasileiro vai acabar tão cedo. Mas existe pelo menos um fator perfeitamente coibível que tem catalisado e acelerado o êxodo prematuro de jogadores brasileiros ao exterior. São os investidores em direitos econômicos de jogadores, que tentam realizar quanto antes os maiores lucros possíveis, tentando vendê-los a clubes europeus mais ricos que os brasileiros.

Em nenhum outro país, excetuados talvez Portugal, Espanha e Argentina, investidores em direitos econômicos de jogadores do futebol que não sejam clubes e denominados na gíria inglesa por TPO (third party ownership), têm tamanha importância como no Brasil.

Tal qual a UEFA, a FIFA estudou, mas ainda não tomou a medida drástica de banir de vez os investidores em jogadores, se limitando a acrescentar a cláusula 18bis ao seu regulamento, que teoricamente fornece uma base para uma liga, um clube ou um jogador se defender dos abusos de investidores. Mas a cláusula é inócua na prática porque os investidores cooptam os jogadores para pressionar os clubes e estes na UTI financeira deles não querem denunciá-los.

1 – Investidores em direitos de jogadores na Europa

Já em 2007, em consequência do investidor Kia Joorabchian ter trazido o Tevez e o Mascherano para a vitrine do West Ham United, a Premier League simplesmente proibiu o TPO nos clubes federados, sendo seguida pela França e Polônia, ou seja, jogadores cujos direitos econômicos pertencem a investidores não obtêm licença para jogar nestas três ligas.

Na época o Presidente da Premier League, Richard Scudamore, qualificou os investimentos de terceiros nos direitos econômicos dos jogadores de “INDENTURED SLAVERY”, “ESCRAVIDÃO CONTRATADA”, acrescentando que os investidores muitas vezes se localizavam em paraísos fiscais, não pagando impostos sobre os lucros que auferiam com a venda de direitos na Inglaterra.

Na Alemanha não existe proibição, mas com a maioria dos clubes gozando de saúde financeira, e pelo fato de os jovens jogadores preferirem a infraestrutura, torcida e imagem dos clubes estabelecidos, os fundos de investimento que se criaram para investir em jogadores não vingaram muito. Entre os poucos casos de TPO constam alguns jogadores que vieram emprestados do Brasil, como o Cícero, na sua chegada ao Hertha Berlim em 2008.

Na Itália existe algum TPO, mas bem menos que na Espanha e Portugal e na América do Sul.

2 – Investidores em direitos de jogadores no Brasil

O Ministério do Esporte teria estimado que no mínimo 70% do total de direitos de atletas dos clubes do Brasil pertenceriam a terceiros. O São Paulo chegou a ter no seu plantel 10 jogadores do investidor Eduardo Uram (Brazil Soccer-Tombense), outros clubes não ficaram por muito menos.

No Brasil, os investidores em direitos econômicos estão muitas vezes associados aos agentes de jogadores, quando já não são a mesma pessoa ou grupo empresarial, podendo assim, além de negociar os direitos econômicos, faturar a comissão de agente. Um perverso conflito de interesses em detrimento tanto do jogador como do futebol, porque na função de agentes tendem a aconselhar o jogador no sentido de maximizar seu lucro de investidores, o que muitas vezes não corresponde à melhor solução para o jogador.

Mesmo se a separação de agentes e investidores fosse decretada, subsistiria o risco de continuarem a trabalhar juntos veladamente, ou seja, o agente recebendo benefícios para orientar o jogador no sentido do investidor.

A base lucrativa do negócio dos investidores no Brasil continua sendo a exportação de jovens promessas. Os riscos parecem pequenos, pois mesmo em casos de jogadores não alcançarem a titularidade na vitrine de times grandes brasileiros, como o Renê Junior e o Bruno Peres no Santos, acabam achando comprador no exterior.

Alguns investidores infestam as cercanias dos CTs de Base dos clubes para seduzir os pais dos jovens, compactuando com os estes antes mesmo que seus filhos alcancem 16 anos, a idade do primeiro contrato profissional legal. Cria-se um laço entre menores de origens geralmente humildes e os seus investidores.

Com o jogador se aproximando dos 18 anos, a idade em que pode ser exportado, se inicia a ação dos investidores movidos pela perspectiva de erosão em cinco anos ou menos dos direitos econômicos que lhes pertencem. Então, em muitos casos já no segundo ano de contrato pressionam o jogador para se transferir de clube para que possam faturar os seus direitos, ou fechar um novo contrato em outro clube com prazo mais longo.

Os riscos assumidos pelos “investidores-agentes” são menores ainda, porque se não vendem os direitos econômicos, podem pelo menos faturar a comissão de agente tanto na ida para a Europa, como a cada troca de clube e na volta dos mesmos ao Brasil. Um belo de um negócio porque a cada ano 900 jogadores deixam e 700 voltam ao país. Alguns jogadores rendem mais pela rotatividade e ficam girando pelo mundo, se transformando em “jogadores-leasing”, como Diego Souza.

3 – Os abusos de investidores e efeitos negativos

Para conseguir movimentar a sua mercadoria de clube a clube a fim de faturar direitos e comissões, alguns investidores não hesitam em recorrer a práticas duvidosas.

PRIMEIRO TIPO DE ABUSO. Nos casos de fim de contrato se aproximando, induzem o jogador a solicitar aumentos ou condições absurdas, para motivar o clube a vendê-lo ou não renovar o empréstimo.

Quando no meio ou início de contrato houver uma oferta vantajosa, aconselham o jogador à cizânia com o clube empregador. Um caso célebre de ingerência foi o do investidor-agente DIS, que aconselhou o Ganso, do qual detinha praticamente a metade dos direitos econômicos, a não assinar um contrato oferecido pelo Santos que triplicaria o seu salário, exigindo para tanto que a multa rescisória fosse reduzida à metade e 50 a 25 milhões e euros para vendê-lo rapidamente à Europa. A própria DIS se gabou, numa entrevista ao Jornal da Tarde de 17 de Junho de 2011 do fato, relatando as suas atividades a seguinte forma:

“O trabalho nos bastidores é divulgar propostas de rivais como forma de o clube valorizar o atleta. Se não der certo, a empresa convence o jogador a recusar qualquer proposta de renovação de contrato, como no caso de Paulo Henrique Ganso.” Um tal de Guilherme Miranda da DIS acrescentou na época: “Acho que não é bom negócio os clubes brigarem com a gente. Hoje um atleta ser da DIS é uma grife de qualidade e os clubes sabem disso”.

Foi um ano e meio de quiproquó e de desgaste envolvendo o Ganso, que com o desvio de foco do futebol perdeu uma etapa importante na sua evolução de jogador e ficou fora da Seleção Brasileira, atrasando a sua carreira por no mínimo três anos.

SEGUNDO TIPO DE ABUSO. Exercem pressão sobre os clubes para que o jogador não fique no banco de reservas e jogue, envenenando o ambiente e o desempenho de sua equipes e prejudicando a si próprio. Óbvio, jogador só valoriza se estiver jogando.

RISCO DE ABUSO. Finalmente, o risco de investidores pressionarem a convocação de jogadores, principalmente para as seleções sub, é evidente. As especulações a respeito não cessam. Neste aspecto os clubes também não são isentos de suspeitas, mas são pelo menos mais controláveis do que as centenas de investidores.

A evasão de jovens talentos debilita o futebol brasileiro de duas formas:

INTERRUPÇÃO PREMATURA da evolução esportiva e social do jovem jogador, com centenas de carreiras sucumbindo abruptamente quando esses jovens mudam de clube ou são expatriadas. Não sabemos a qual ponto teriam evoluído se não tivessem sido precocemente exportados, como o Anderson, do Grêmio para o Manchester, o “jogador de grife” da DIS, Breno, que está preso na Alemanha, e tantos Lulinhas e Kerlons que desapareceram na Europa.

NIVELAMENTO POR BAIXO dos campeonatos jogados no Brasil devido à constante evasão dos melhores jogadores. O interesse das torcidas pelos clubes seria maior se os pratas da casa estivessem em campos brasileiros.

Existem certamente alguns exemplos em que investidores contribuíram para e evolução de um jogador e ajudaram o clube, como no caso do Radamel Falcão no Atlético Madrid. Mas vendo o fenômeno em sua totalidade, o efeito da especulação com os direitos econômicos é deletério tanto para os jogadores como para o futebol como um todo.

4- Como proibir e as vantagens de se fazê-lo

O Brasil deveria proibir o investimento de terceiros em jogadores de futebol. Donos de direitos econômicos só poderiam ser clubes de futebol devidamente registrados e o próprio jogador.

Para impedir que investidores se escondam atrás de um clube-tampão, como os Tombenses, Iratys, Central Español /Rentistas e outros, poder-se-ia estabelecer uma regra pela qual um clube só pode emprestar, digamos, cinco jogadores, que não foram formados na sua base dos 15 aos 16 anos de idade. A CBF cadastraria clubes estrangeiros com atividades evidentes, como o Rentistas do Juan Figer, que não poderão emprestar jogadores no Brasil.

Então um Tombense poderia ter os direitos econômicos de quantos jogadores quisesse, mas poderia emprestar somente cinco jogadores cujos direitos comprou. Além destes, só poderiam ser emprestados jogadores que tivessem sido formados comprovadamente pelo Tombense entre 15 e 16 anos de idade. Portanto, se o Tombense tiver formado 100 jogadores, aí sim poderia emprestá-los todos.

Os times de base deveriam ser certificados e a existência dos jogadores registrada e auditada. A burocracia eventualmente decorrente de cadastrar jogadores de 15 e 16 anos será compensada pelos efeitos benéficos para o futebol brasileiro. Clube não licenciado que forma jogadores não registrados, continuaria sendo formador pelas regras da FIFA, podendo vender os direitos desses jogadores, mas poderia emprestar apenas cinco deles.

Claro que a proibição teria que ser decretada com validade imediata para todos os jogadores que vão completar 16 anos, uma espécie de “Lei do Pé Livre” do profissional nascente. Para os demais, teria que ser fixado um prazo de cinco anos para permitir o desengajamento ordeiro dos investimentos.

A vantagem de proibir os investidores se manifestaria em vários níveis para o futebol brasileiro:

PRIMEIRO: Embora não vá coibir o fluxo de jovens jogadores para a Europa, vai reduzir e desacelerar o numero de saídas.

SEGUNDO: Vai acabar com os inúmeros abusos dos investidores. Mesmo que predatórios também, os agentes são tendencialmente menos nefastos, porque não sentem a pressão da erosão do capital investido em direitos econômicos. Agentes bons tendem a agir mais a longo prazo, porque, desde que tenham bem aconselhado, podem continuar agenciando o jogador mesmo que outros clubes comprem os seus direitos.

TERCEIRO: Sem a disponibilidade de jogadores para tapar buracos por parte de investidores, os clubes serão obrigados a investir mais em suas bases, administrar melhor as suas finanças, planejar melhor o futuro do plantel e melhorar as suas competências na condução de contratos.

QUARTO: Os lucros hoje auferidos pelos investidores ficariam no futuro essencialmente com os clubes que revelam jogadores de qualidade.

QUINTO: O capital financeiro disponível para o futebol no Brasil não serviria mais para a especulação pura, mas teria que ser investido forçosamente em clubes e no futebol de base.

5 – Os temores de clubes brasileiros face a uma eventual proibição de investidores

O Santos, mesmo tendo sido depenado por investidores, foi um dos clubes brasileiros a assinar carta à FIFA em 22 de Abril de 2013, portanto alguns meses antes do licenciamento do Laor, solicitando a não proibição dos investidores, defendendo assim os fundos amigos Teisa e o de 40 milhões.

Mas a proibição que pleiteamos se limitaria aos investimentos formais em direitos econômicos, e se um grupo como a Doyen ou Teisa quiser emprestar ou investir 40 milhões de reais no Santos, poderiam continuar a fazê-lo, porque empréstimos não são investimentos diretos em direitos econômicos, mesmo que a engenharia financeira por cláusulas anexas referentes a juros e à repartição de eventuais lucros, possam se assemelhar. O que diferencia o empréstimo como o da Doyen, é que o clube da Vila Belmiro foi considerado merecedor de crédito por parte de um investidor.

O argumento frequentemente usado de que no Brasil no mínimo 70% dos direitos econômicos dos jogadores pertencem a investidores e que uma proibição poderia acarretar um colapso financeiro do futebol não parece proceder.

Se verdadeira, a porcentagem seria apenas indicadora para a repartição de receitas entre investidores e clubes no caso da venda de direitos. Não indica a relação de valores que os investidores e clubes realmente investiram. Porque afora alguns investimentos realmente milionários, como os feitos pela Elenko Sports no Marlone, temos um cenário no qual muitos investidores empregam ninharias em centenas de jogadores de base, angariando porcentagens altas.

Então, é possível que os investidores estejam contribuindo com 70% dos investimentos iniciais, fixando a porcentagem dos seus direitos, e os investimentos restantes, salários, custo de dependências, treinadores estejam sendo feitos unicamente pelos clubes.

Neste exemplo hipotético, o investidor poderia ter contribuído com, digamos, apenas 20% dos investimentos totais feitos ao longo dos anos, mas manteria 70% dos direitos econômicos que angariou inicialmente – configuração que indicaria que os clubes investem mais, mas ganham menos na venda de jogadores, o que deveria servir de base para se acabar imediatamente com os investidores,para que não sangrem ainda mais os clubes brasileiros.

Além do mais, estamos propondo um desengajamento durante cinco anos e a medida levaria à expansão de empresas que realmente formassem jogadores e fossem licenciadas, e à expansão da base de clubes das Séries B e C, todos autorizados a emprestar jogadores, desde que registrados. Investidores que mantêm equipes que formam jogadores jovens, como o Audax e a Traffic/Desportivo Brasil, não seriam afetados pela proibição. A medida visaria acabar com o cancro dos “empresários” atravessadores.

Vários clubes, como o Santos e o Atlético Paranaense, que têm equipes com muitos jogadores da própria base, provam que não vai haver nenhum colapso financeiro se os investidores forem proibidos.

Digno de notar que justamente a liga que mais fatura no mundo, a Premier League inglesa, com os seus estádios sempre lotados, e que teoricamente seria a menos prejudicada por investidores – porque jogador inglês, como o Bale, só é exportado por 90 milhões de euros -, tenha imediatamente proibido os investidores, enquanto no Brasil, o país dos estádios vazios, e o mais prejudicado pelo sistema, os investidores fazem a festa. Existem países que têm o habito salutar de agir por princípios.

O argumento de um possível colapso financeiro no futebol brasileiro (no caso da expulsão dos intermediários) parece tão falso como há mais de um século foram falsos os argumentos de que haveria um colapso na agricultura brasileira no caso da abolição da escravidão.

Que o Brasil siga a França, a Polônia e a Inglaterra e acabe com o parasitismo sanguessuga e inútil dos investidores.

Minha filosofia de vida? É a deste livro: simples.

E você, o que pensa dos investidores que proliferam em nosso futebol?


Últimas notícias do caso Chera. E minha conclusão

Depois de ouvir os dois lados, e também ler atentamente a todos os comentários recebidos neste blog, estou pronto para dar uma opinião definitiva sobre o caso Jean Carlos Chera. Antes, porém, consegui informações importantes sobre a proposta que Celso Chera, pai de Jean Carlos, fez ao clube para que o filho assinasse o seu primeiro contrato como profissional, dia 12 de maio, quando completará 16 anos.

Fontes fidedignas me garantem que a proposta do senhor Celso foi:

R$ 1 milhão de luvas na assinatura do contrato.
Contrato de três anos, sendo salários de R$ 75 mil no primeiro ano; R$ 95 mil no segundo e R$ 125 mil no terceiro.
50% dos direitos federativos;
70% dos direitos de imagem;
Garantia de que Chera seja titular de todos os torneios sub-17 daqui pra frente, além de participar da Copa SP 2012.

É oportuno lembrar que em seu primeiro contrato como profissional do Santos, depois de ser um destaque nas categorias de base, Neymar recebia R$ 20 mil mensais. E Paulo Henrique Ganso só passou a ganhar R$ 130 mil mensais em março de 2010, aos 19 anos e nove meses, depois de se revelar um ótimo jogador profissional. Até lá ele ganhava menos da metade. O primeiro contrato profissional do Ganso, em 2006, aos 16 anos, só lhe rendia mil e 100 reais por mês.

O mundo visto pelo olhar dos Chera

Se há uma coisa que me atormenta é a possibilidade de ser injusto. Por isso fiz questão de ouvir os dois lados antes de formar minha opinião. Fica claro que há duas questões em jogo: uma, legal; outra, moral. A legislação vigente, a malfadada Lei Pelé, é totalmente favorável ao jogador e extremamente nociva ao clube que o formou e o cultiva com tanto carinho desde a mais tenra idade. Mas há, também, a questão moral, da qual eu e, pelo que percebo, a maioria dos freqüentadores deste blog, felizmente não abrimos mão.

Antes, porém, tentemos entender a posição de alguns personagens desta história, a começar pelo principal. Jean Carlos Chera, aos seis anos, já era um fenômeno na pequena Vera, cidade de 9.500 habitantes no Mato Grosso. Mudou-se para Campo Mourão, Paraná, e lá foi descoberto por Eduardo Jenner, que trouxe o menino de nove anos e seus pais para morar em Santos.

De sua habilidade com a bola e da esperança de se tornar um novo Menino da Vila, veio o sustento da família, formada pelos pais e pelo irmão menor, Juan. Aos dez anos, Jean Carlos tinha salário de adulto. O Santos assumiu o aluguel do apartamento da família e a escola particular de Jean e Juan. A vida para a família Chera mudou da água para o vinho. Vivem bem, gostam da cidade e torcem para o time. Os tempos difíceis de carência e incerteza ficaram para trás.

Porém, no campo, Jean Carlos não tem correspondido à toda expectativa que gerou. Recentemente, pouco fez nos dois jogos finais do Campeonato Paulista Sub-15, em que o Santos foi vencido facilmente pelo Corinthians, em São Paulo e na Vila Belmiro. E, ao contrário de outros garotos da base santista, jamais foi convocado para uma Seleção Brasileira da categoria.

Há dois anos passou um bom tempo na sala de recuperação física do Santos, corrigindo problemas clínicos que vieram com a puberdade. De lá para cá, não me lembro de vê-lo repetir as grandes atuações de quando era mais criança.

A verdade é que deixou de entusiasmar os responsáveis pela base do Santos. Hoje, segundo alguém que acompanha a categoria, ele joga no mesmo nível dos outros titulares e não é um dos jogadores de mais destaque do time. De qualquer forma, o Santos lhe ofereceu um primeiro salário, como profissional, de R$ 30 mil por mês, além de gatilhos a cada ano.

O papel do senhor Celso, o pai

Não conheço o seu Celso, pai de Jean Carlos, porém, presumo que como todo o pai, quer o melhor para o seu filho. A questão é se este “melhor” está ligado apenas ao aspecto material. Não sei se Celso tem alguma profissão e trabalha em Santos, ou se passou a dedicar-se exclusivamente à carreira de Jean – o que sempre acaba gerando uma grande pressão nos jovens atletas.

Vi muito isso no tênis. Testemunhei pais tirando os filhos dos estudos para se dedicarem ao sonho de se tornar um novo Bjorn Borg, ou John McEnroe. Hoje esses futuros astros são professores de tênis, o que não é nenhum demérito, mas o ruim é poucos tiveram uma boa formação acadêmica. Gastaram muito tempo nas quadras e pouco diante dos livros.

No futebol isso também tem sido freqüente. Há muitos familiares – pais, irmãos, irmãs – cuja profissão é amparar a carreira do craque da família. Isso mais atrapalha do que ajuda. Acho sempre melhor quando o jogador pode decidir seu futuro apenas por sua própria cabeça.

Sei que quando a nova administração assumiu o Santos, o Jean Chera, tratado como uma jóia rara, tinha muitos privilégios no clube. Um deles é de que só seu pai tinha permissão para assistir aos treinos. Isso, obviamente, gerava uma saia justa com outros atletas, familiares e um problema seriíssimo para técnicos e coordenadores. E o complicador é que o garoto não produzia para justificar esses favorecimentos.

Mais do que agente, seu Celso é o pai de Jean Carlos, e um pai tem a obrigação de educar o filho, não de torná-lo rico. Aliás, posso ser romântico, mas acho que a maior riqueza que um pai pode dar aos seus filhos é justamente a educação, o caráter, uma maneira ética de ver e viver a vida.

A diferença entre o legal e o moral

Legalmente, se quiser ir embora – e parece que este é o plano de Jean Carlos Chera e seu pai –, nada poderá impedi-lo. Neste sábado poderá viajar para Milão e lá acertar sua transferência para o clube italiano, que, segundo o seu pai, lhe fez uma primeira proposta de três milhões de euros e salários de 50 mil euros mensais.

Se conseguir na Itália, como conseguiu do Santos, casa para a família e escola para ele e seu irmão, Chera terá dado um salto em sua carreira, ou ao menos na sua conta bancária e, aos 16 anos, sem ter ainda justificado a esperança no seu futebol, já será um menino rico.

E o Santos? Bem, o clube não terá direito a um centavo, pois nenhum contrato na fase amadora tem validade para a justiça trabalhista. Para recuperar o que investiu em Chera, o Santos terá de entrar com uma ação que até agora não tem precedentes jurídicos.

Como se vê, legalmente o Santos não poderá fazer nada se, como ameaçou Celso, os Chera forem embora sem dar nenhum retorno ao clube que os acolheu e deu mais dignidade às suas vidas. Porém, resta a questão do caráter, da moralidade, da ética.

Se esta questão é elevada a serio pelo pai de Chera, creio que ele separará uma parte do que receber do clube italiano para destinar ao Santos, ao menos para pagar as despesas materiais que sua família deu ao clube. Um milhão de reais? Dois? Não sei precisar. Mas para quem diz que receberá três milhões de euros, destinar um terço deste valor ao Santos seria ao menos um gesto de gratidão. E um gesto que aliviará o peso de sua consciência.

O “Caso Chera” é o inverso do “Caso Afonsinho”

Caso essa perfídia se concretize e o Santos seja passado para trás de maneira tão ignóbil, creio que este caso Chera poderá ser comparado ao do jogador Afonso Celso Garcia, ou Afonsinho, que em 1974 entrou para a história por ser o primeiro jogador de futebol a conseguir, na justiça, o passe livre.

Instruído, formado em Medicina, Afonsinho se rebelou contra o autoritarismo dos dirigentes e conseguiu ser o dono de seu próprio passe. A façanha foi um divisor de águas, pois naqueles tempos o jogador era mesmo escravo dos clubes, a quem podia ficar amarrado por toda a carreira, sem aumentos significativos de salário.

A Lei Pelé, como o próprio Rei do Futebol anunciou, veio para acabar com a escravidão dos jogadores. Só que criou outra. Hoje é o clube que é cativo do atleta, a quem deve oferecer tudo e, muitas vezes, não tem o direito de exigir o mínimo em troca.

A lei obriga que os juvenis promissores ganhem fortunas, pois do contrário podem sair do clube de uma hora para outra, desde que um interessado deposite o valor da malfadada multa, calculada a partir do salário do atleta. É por isso que Jean Carlos Chera recebe mais de 20 mil reais por mês sem ao menos ter feito um jogo pelo profissional.

Se fizermos um cálculo preciso, veremos que o salário de Chera, aos 15 anos, é equivalente ao de Dorval, Mengálvio, Coutinho ou Pepe no auge de suas carreiras. Este absurdo só foi possível, ironicamente, pela lei que leva o nome do jogador mais famoso daquele ataque.

Que todos se unam para que esta lei seja corrigida o mais rápido possível. Prejudicado pela divisão de cotas de tevê, que não leva em conta o currículo ou o mérito de cada time, mas apenas a sua quantidade de torcedores; os outros clubes grandes do Brasil, como o Santos, têm na revelação de jovens talentos uma boa possibilidade de diminuir a desigualdade. Porém, com a vigência da Lei Pelé, não há nenhuma garantia de que o jogador formado no clube um dia recompense o investimento e o empenho empregados em sua formação.

E você, já tem sua opinião final sobre o caso Chera?


Neymar entrou para a história, assim como meu amigo Afonsinho há 40 anos

Afonsinho, da música do Gil, o jogador-doutor que mudou a Lei do Passe em 1970.

E este, bem, este é o Príncipe Neymar, dizendo não ao imperialismo do futebol europeu.

Ao recusar a proposta milionária do Chelsea, o garoto Neymar da Silva Santos Júnior fez história no futebol brasileiro com um gesto que pode ser comparado ao de Afonso Celso Garcia Reis, o Afonsinho, que há 40 anos se tornou o primeiro jogador de futebol a conquistar o direito de decidir sobre sua própria carreira.

Nascido em Jaú em 3 de setembro de 1947, o rebelde Afonsinho, cabeludo como os hippies da época, mas muito mais instruído do que os outros jogadores de futebol – já que era formado em medicina –, foi à Justiça contra a Lei do Passe que o prendia ao Botafogo do Rio, onde se sentia escravizado.

“Tive desentendimentos com Zagalo, o futebol estava deixando de ser uma coisa prazerosa e, nessa época entrei na Justiça reivindicando o direito de exercer minha profissão em outra equipe, uma vez que os cartolas do Botafogo não se dispunham a liberar meu passe. Não aceito interferência em minha vida, eles alegavam que eu tinha que cortar a barba e o cabelo, que era indisciplinado e coisa e tal. Mas o que estava por detrás disso era que eles queriam me aprisionar ao clube”, disse-me Afonsinho em um debate na PUC de São Paulo do qual participávamos.

Encontrei novamente Afonsinho no salão nobre do Fluminense, quando eu e José Carlos Peres fomos apresentar um painel para a imprensa carioca sobre a ratificação dos títulos brasileiros da Taça Brasil e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa. Além de ter sido um grande meia – que atuou em todos os times grandes do Rio e no Santos, ao lado de Pelé, em 1972 – Afonsinho deixou o nome na história por enfrentar e vencer a então escravizante Lei do Passe.

Ídolos comprados a preços de banana

Com a Lei Pelé, sancionada em 24 de março de 1998, o jogador não é mais escravo dos clubes – ao contrário –, porém outro tipo de escravidão cresceu e acorrentou nosso futebol às limitações econômicas e morais do País.

Depois de ganhar três Copas do Mundo – 1958, 62 e 70 – com todos os jogadores, titulares e reservas, em atividade no Brasil, a Seleção nacional se tornou uma verdadeira legião estrangeira e o torcedor passou a amargar seguidamente a frustração de ver seus maiores ídolos partindo para o exterior ainda imberbes.

Ídolos incomensuráveis foram embora por preços de banana. No início dos anos 80, Paulo Roberto Falcão, maior jogador do Internacional em todos os tempos, foi vendido à mediana Roma por 2,5 milhão de dólares; Zico, o Pelé do Flamengo, aquele que divide a história do clube da Gávea em antes e depois dele, abandonou o time mais popular do Brasil para jogar na pequena Udinese por 3,5 milhões de dólares, e Sócrates, o maior craque do Corinthians de todos os tempos, ao lado de Rivelino, transferiu-se para a Fiorentina por 3 milhões de dólares.

Quando Romário, aos 22 anos, foi vendido para o PSV Eindhoven, da Holanda, em 1988, por meros 5 milhões de dólares, esta foi, até aquele momento, as mais cara contratação de um jogador brasileiro.

Dez anos depois, em 1998, um outro recorde seria estabelecido: Denílson, 21 anos, do São Paulo, que se destacava pelos dribles, foi vendido pelo São Paulo ao pequeno Bétis, da Espanha, por 32 milhões de dólares.

Em 2003, duas jovens estrelas do futebol brasileiro seguiram o mesmo caminho: Kaká, aos 20 anos, foi negociado com o Milan por 10,3 milhão de dólares (hoje algumas fontes dizem que o valor foi de 8,5 milhões de euros, enfim…) e Diego saiu do santos para o Porto por 10 milhões de euros.

Em 2005, depois de espernear bastante, o Santos vendeu Robinho, 21 anos, ao Real Madrid, por 30 milhões de dólares, e em 2007 foi a vez de Alexandre pato, 18 anos, maior revelação do Internacional depois de Falcão, ir para o Milan por 20 milhões de dólares.

Tabelinha Neymar-Laor abre novos caminhos

Até ontem, parecia que o enredo seria o mesmo: o clube europeu escolhe quem quer no futebol brasileiro, faz a proposta, aumenta um pouquinho e espera sentado pela aprovação, já que a situação falimentar de boa parte dos nossos clubes nunca permite recusá-la.

Manifestado o interesse, outros acontecimentos, coincidentemente, costumam forçar a saída do craque: o rapaz começa a jogar mal, envolve-se em “escândalos extra-campo” alimentados diariamente pela mídia, a torcida pega no seu pé e no fim sua saída chega a ser pedida pelos torcedores.

Claro que essa crise final era plantada pelos agentes dos jogadores e pelos dirigentes do clube brasileiro, que manipulavam a torcida para iniciar a perseguição ao ídolo. Passional, o torcedor logo entrava na onda e chegava a se dizer aliviado com a evasão do craque.

Como os valores reais nunca eram revelados – numa clara sonegação de imposto de renda – as vendas de jogadores ao exterior sempre serviram a dirigentes desonestos para compensar regiamente a si mesmos o trabalho “voluntário” a favor do clube.

Alguém já acreditou na honestidade de um trabalho não remunerado de diretor de futebol, ou de presidente de um clube de futebol? Pode e deve ter existido, claro, mas não é isso que os bastidores do esporte contam. As histórias são muitas e variadas…

O agente, ou “empresário” Francisco Monteiro, o Todé, responsável por trazer Ronaldo ao Corinthians, deu uma entrevista ao Blog do Cosme Rímoli confirmando que José Eduardo José Mesquita Pimenta, presidente do São Paulo, “quis ganhar dinheiro às custas da venda do Mário Tilico”, caso que acabou provocando a saída de Pimenta da presidência do clube.

Se Luís Álvaro Ribeiro não fosse a pessoa íntegra que é, provavelmente não resistiria tanto à pressão para se desfazer de Neymar. Afinal de contas, até a imprensa já dava como certa a ida do jogador para a Europa. E entre uma dinheirama para lá e para cá, alguma parte jamais seria explicada, como aconteceram tantas vezes antes, em outros clubes e, provavelmente, no próprio Santos.

Parece brincadeira admitir que essa total falta de transparência era normal nas transações dos ídolos brasileiros, mas é assim mesmo que acontecia. Tudo por baixo do pano, sem contratos e valores definidos, tudo para acobertar o “por fora” que invariavelmente rechearia as contas bancárias dos dirigentes envolvidos.

Enfim, mais do que um recado histórico de que é possível manter os craques aqui no Brasil, a bela dupla titio Laor e garoto Neymar deram uma aula de amor ao Santos e ao futebol, de ética e honestidade.

É claro que seria muito mais fácil fechar o negócio. Todos entenderiam e a parte da opinião pública preocupada com o crescimento do Santos ficaria aliviada. Correr atrás de parceiros e acordos de marketing dá trabalho, exige criatividade, disciplina. Mas o Santos assumiu a luta com coragem e mostrou uma grandeza que não se encontra nem em estádios monumentais ou nos mais fulgurantes títulos. Uma grandeza que vem da alma.

Você tem alguma idéia de ações de marketing que o Santos poderia fazer para valorizar ainda mais o Neymar e compensá-lo por ter ficado no Santos?


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