Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

Tag: Leônidas da Silva

A real dimensão de Ronaldo. E o Pacaembu na final da Libertadores

Logo mais Ronaldo faz sua despedida da Seleção em uma partida contra a Romênia, no Pacaembu, em que os torcedores santistas também estarão torcendo… para que Neymar e Elano não se machuquem, claro, pois uma final da Libertadores, ao contrário do que pensa o técnico Mano Menezes, é muito mais importante do que esse joguinho caça-níquel contra a seleção da terra do Conde Drácula.

Em um jogo em homenagem a Garrincha, no Maracanã, Pelé roubou a cena, com um golaço. Espero que Neymar faça o mesmo hoje. Mas eu queria falar um pouco mais sobre o “Fenômeno”…

Jogador que se despede é como defunto fresco: todo mundo fala bem. Já ouvi os elogios mais desmedidos a Ronaldo. Um locutor o colocou entre os cinco melhores de todos os tempos. Opa, devagar com o andor…

Craque foi, sem dúvida – pelo drible, pelo arranque, pelo arremate e visão de gol – e mereceu ser escolhido o melhor do mundo ao menos em duas das três vezes em que isso aconteceu. Agora, existe futebol de bom nível há mais de 90 anos e cada ano teve um melhor do mundo, escolhido ou não pela Fifa. Então, vamos lá…

No Brasil, de onde saiu aos 19 anos e voltou apenas com 32, Ronaldo figuraria atrás de Pelé, Garrincha, Zizinho, Leônidas da Silva, Friedenreich, Romário, Rivelino e Zico. Para mim, viria, portanto, em nono, à frente de Sócrates e Falcão. Não conto Neymar e Paulo Henrique Ganso porque ainda estão escrevendo a sua história. E não sei dizer, ao certo, se Jairzinho, Gérson, Didi, Tostão, Pagão, Canhoteiro,Coutinho e Ademir da Guia foram menos craques do que Ronaldo.

No mundo, além dos brasileiros citados, eu diria que Maradona, Di Stéfano, Cruiff, Zidane, Eusébio e Beckenbauer foram mais completos do que o recém-aposentado. Messi também caminha para superá-lo.

Só foi decisivo em uma Copa, e ao lado de Rivaldo

Tem gente enchendo a boca para dizer que Ronaldo foi duas vezes campeão do mundo e uma vez vice. Ora, ele não jogou em 1994. Naquele Mundial, Viola, que entrou nos últimos 15 minutos, fez mais do que ele. Na final de 1998 ele teve aquele piripaque e em 2002 dividiu com Rivaldo a condição de melhor jogador brasileiro (se bem que pouco fez no jogo contra a Inglaterra, o mais difícil que o Brasil fez).

Aliciador de jogadores para a Europa

Não vejo nobreza alguma na nova profissão de Ronaldo, que na prática está atuando como agente de clubes europeus interessados em surrupiar os talentos do nosso futebol. Seria bem mais digno de sua parte se usasse sua empresa de representações para tentar algo inédito, que o faria bem mais respeitado, ou seja: usar sua imagem e seus contatos para manter no Brasil jogadores como Neymar, Ganso, Lucas…

Daria mais trabalho, pois estaria remando contra a corrente, mas seria bem mais digno. O que o futebol brasileiro ganha de ter muitos jogadores de destaque na Europa? Isso, qualquer país tem. Lá está cheio de atletas da África, Ásia, Caribe, América do Sul… O grande mérito seria criar condições para segurar nossos craques por aqui. O torcedor brasileiro merece…

E a diretoria do Santos escolheu o Pacaembu…

O Santos pode ser campeão da Libertadores em qualquer campo e estádio. Na Rua Javari ou no Maracanã. Só que o Morumbi comporta mais santistas. Não acredito que o Santos não jogará lá por superstição. Seria uma bobagem absoluta. Se o motivo foi político, a bobagem foi ainda maior. De qualquer forma, talvez nunca saibamos ao certo os motivos reais…

Se a maioria dos torcedores queria o Morumbi, acho que é o caso de a diretoria explicar porque escolheu o Pacaembu, que deixará de fora milhares de sócios que gostariam de ver esta final. Parece que o São Paulo não reduziu muito a taxa de aluguel (só baixou de 15% para 12%) e não abriu mão das cadeiras cativas. Azar do Juvenal. Ficará mais um ano sem ver uma final de Libertadores no Morumbi.

Telão na Praça Charles Miller

O leitor Pedro Rodrigues Gomes Simão dá uma ótima ideia: como o Pacaembu não comportará todos os santistas que quererão ver a final, o Santos poderia colocar um telão na Praça Charles Miller, o que estenderia o clima de decisão para fora do estádio, daria a mais torcedores a sensação de acompanhar o jogo histórico e passaria mais energia aos jogadores. Que tal?

O que Ronaldo representou para o futebol? E o que você achou da escolha do Pacaembu para a final da Copa Libertadores?


Ainda bem que Felipe Anderson não fez “o simples”

Fazer o simples seria tocar de lado, como o time todo vinha fazendo – e por isso não chutava a gol. Mas Felipe Anderson resolveu sair da mesmice e mandou uma bomba de fora de área, bem no ângulo, que resolveu o jogo que estava ficando complicado contra o Noroeste.

O garoto era o único que realmente queria jogo no segundo tempo, e se dependia deste jogo para entrar na lista que vai para a Libertadores, já está dentro. É mais participativo, mais incisivo, mais disciplinado e motivado do que Alan Patrick. Mas outra opção seria levar os dois e deixar Robson (a enquete deste blog, aí à direita, mostra que o santista prefere que Robson não faça parte da lista).

Perceba que Felipe Anderson é inteligente para jogar. Em três oportunidades fingiu que não queria nada, parecia caminhar em campo, depois acelerou e criou boas oportunidades. No lance do gol foi assim. Pegou a bola como quem não queria nada, deu uma ajeitadinha e mandou no ângulo.

Depois, explicou ao repórter que não foi sorte, pois anda treinamento chute a gol. Está aí outra faceta do jogador inteligente, pois não acha que nasceu virado para a Lua. Treina, faz a sua parte, se esforça. Alia talento e trabalho e o resultado não pode ser outro.

Todo mundo tirou o pé

Não dá para ser muito exigente na última partida antes da estréia do time na Copa Libertadores. Ficou claro que muitos jogadores evitaram divididas, correram menos do que poderiam. Mas, como ninguém erra passes e toma dribles de propósito, deu para constatar, mais uma vez, que a defesa do Santos ainda não está acertada.

É uma pena que Vinicius Simon não tenha sido testado hoje. Ele seria ao menos um reserva mais confiável do que os dois Brunos. Na verdade, nem mesmo os zagueiros titulares Edu Dracena e Durval merecem confiança total da torcida. Hoje Dracena fez um pênalti bobo. A bola estava mais para ele. Era só dar um biquinho e jogar pra escanteio. Preferiu dar uma de xerife e deixar a perna depois do chute.

Elano estava modorrento e fez sua partida mais fraca desde que voltou. Zé Eduardo e Diogo apresentaram-se mais para o jogo. Keirrison tentou jogar e não conseguiu mais uma vez. Ele é para esta diretoria o famoso “Que erro sô!”. Paciência. De repente, faz um gol decisivo em um jogo importante (se até o Sebastian Pinto fez, lembram-se?).

Na defesa, só mesmo Rafael passa confiança. Pará e Léo receberam muitas bolas nas costas, e Edu Dracena e Durval mostraram-se um tanto confusos quando o Noroeste, mesmo sem seus atacantes titulares, apertou.

O espírito da Libertadores

Se não mudar radicalmente o espírito para o jogo de terça-feira, o Santos correrá um sério risco de ter uma decepção na Venezuela. Como o Tolima já mostrou ao Corinthians, jogar fora do Brasil é sempre complicado na competição sul-americana. Os adversários correm o tempo todo, não desistem nunca e entram duro, geralmente sob a complacência dos árbitros.

Por ser uma competição que exige mais experiência, acho que Robson e Alan Patrick ficarão no time, enquanto Felipe Anderson, que joga melhor do que os dois, ficará fora. Mas, fosse eu o técnico, levaria o Felipe.

Quando o time precisar de uma enfiada de bola, de um chute de longa distância, quem fará? Alan Patrick? Róbson? Improvável. Primeiro, Felipe tem mais habilidade/ depois, treina mais essa jogada.

O que você achou do jogo? O time se poupou, ou preocupou?


Juvenal Juvêncio diz que Santos é “de médio para pequeno”

A cada frase, Juvenal mais complica a situação do São Paulo

Ouvi agora mesmo a entrevista que Juvenal Juvêncio deu à uma emissora de rádio conhecida por suas raízes são-paulinas, também conhecida como Jovem Pan, em que ele – aparentemente desesperado com a possibilidade de o Morumbi ser rejeitado para a Copa e se cristalizar como um elefante branco –, atira para todos os lados e nessa artilharia tenta, como é seu feitio, diminuir o Santos, a quem define como “médio para pequeno” e que por isso não deveria receber nenhum aumento nas cotas de tevê.

Juvenal deu a entender que o presidente Luís Álvaro votou em Kléber Leite para presidente do Clube dos Treze porque o candidato da CBF teria prometido aumentar as cotas de tevê do Santos. Juvenal, sem qualquer base estatística, disse que o Santos tem a oitava torcida do Brasil e deixou claro que é contra qualquer alteração no valor das cotas atualmente distribuídas aos clubes.

Como o presidente do São Paulo estava sóbrio e deu entrevista a uma rádio que mesmo não sendo das mais ouvidas, tem o seu público, é importante fazer alguns esclarecimentos:

A pesquisa de torcida mais fidedigna que existe, já falei várias vezes, é a timemania. Lá milhões apostam e escolhem o seu “time do coração”. Não é como certas pesquisas que ouvem meia dúzia de gatos pingados. E pela timemania o Santos disputa com o Grêmio a quinta posição do Brasil, enquanto o São Paulo é o terceiro, separados por míseros 2%. E como movimento de torcida é algo dinâmico, neste momento é óbvio que a do São Paulo está diminuindo e a do Santos crescendo (ou alguma criança, hoje, vai preferir o Rogério Ceni ao Neymar?).

Por outro lado, não é só a torcida que define o quanto um clube deve receber da tevê, mas o que ele representa como espetáculo televisivo. Depois que personalidades do futebol, como Zico e Ronaldo, declararam que não perdem um jogo do Santos, fica evidente qual o time, hoje, atrai mais público em suas transmissões e, consequentemente, dá mais retorno aos anunciantes da tevê.

A empáfia já matou o futebol do Paulistano

Os são-paulinos se orgulham se serem originários do glorioso Paulistano, o maior vencedor da fase amadora do futebol brasileiro. Na verdade, só herdaram os jogadores, que ficaram sem clube para jogar quando o Paulistano fechou o seu departamento de futebol, e fundaram o São Paulo. O Club Athlético Paulistano, como sabemos, continua a existir e é um dos clubes mais elegantes e seletos de São Paulo, encravado nos Jardins, região mais valorizada da cidade. Não tem absolutamente nada a ver com o São Paulo Futebol Clube, no periférico Jardim Leonor.

O São Paulo tem uma origem humilde, pobre mesmo. No início, era só um jogo de camisas, como um time de várzea.  Não tinha sede, muito menos estádio. Não sei se é o caso de se lembrar aqui, mas o São Paulo atual começou nos anos 30 sem um tostão e se valeu das hostilidades e desconfianças da II Guerra para comprar a preço de banana o Canindé de um clube alemão. Depois, tentou apropriar-se do Parque Antártica, já que pertencia ao Palestra Itália, colônia de um país que também estava em guerra com o Brasil, e por fim, graças à participação ativa de Laudo Natel, que era governador do Estado e ao mesmo tempo tesoureiro da construção do Morumbi, ergueu o estádio que tem hoje.

Mesmo nos anos 40, em que teve alguns bons resultados e ídolos como Leônidas da Silva, era um clube de torcedores de baixa renda, quase todos empregados em empresas do Estado, a ponto de ser chamado de “o time dos funcionários públicos”.

Mas o que eu queria dizer é que o Paulistano, que tinha um líder poderoso e intransigente, o senhor Antonio Prado Júnior, fez e desfez tanto no futebol paulista, que acabou marginalizado. Com a ascensão dos clubes mais populares Corinthians e Palestra Itália (Palmeiras), o Paulistano tentou mudar as regras do jogo várias vezes, a ponto de criar uma outra liga, porém, quando viu que a popularização do esporte era irreversível e ele não era mais o xodó das arquibancadas e da mídia, fez beicinho e afastou-se definitamente do futebol.

Juvenal e os prejuízos ao São Paulo

Há uma explicação para o fato de, para muitos torcedores, o São Paulo ter se tornado um reduto de refugos santistas, como Léo Lima, Rodrigo Souto, Cléber Santana e André Luis. A verdade é que falta dinheiro para o clube contratar. Sim, o São Paulo também está com sérios “problemas de fluxo de caixa”.

Tudo começou com mais um palpite infeliz de Juvenal Juvêncio, que diante do impasse de quanto cobrar pelo aluguel do estádio ao Corinthians, disse que quem não tinha casa tinha de jogar na casa dos outros e se sujeitar às condições do locatário. Foi o bastante para que o clube mais popualr do Estado decidisse não jogar mais no Morumbi.

Com isso, o São Paulo não perdeu apenas a comissão pelo aluguel do estádio. Perdeu alguns milhões de reais de empresas que pagavam por placas de publicidade no Morumbi. Sem jogos de Corinthians, e também de Santos e Palmeiras, obviamente a visibilidade do Cícero Pompeu de Toledo se tornou bem menor. Andrés Sanchez me disse que o maior dos anunciantes do Morumbi chegou a ligar para ele antes de renovar o contrato com o São Paulo. Quando soube que era definitivo que o Corinthians não jogaria mais lá, decidiu não renovar.

Desespero para salvar o elefante branco

Com a Copa, há a possibilidade de a região metropolitana de São Paulo contar com um estádio novo e moderno, que tornaria o Morumbi obsoleto, usável apenas pelo seu proprietário. É óbvio que isso seria providencial para Corinthians e Santos, times que têm grande massa de torcedores na Capital e poderiam adotar o novo estádio como seu. Mas para o São Paulo seria um horror. Essa possibilidade parece estar tirando o sono do presidente são-paulino.

Quem vai ao futebol em São Paulo sabe que a pior alternativa é o Morumbi. É distante, as vias de acesso são raras e difíceis. Há pontos cegos no estádio, sim, falta estacionamento e a segurança em torno é precária. O velho Pacaembu é, de longe, a melhor opção para o torcedor paulistano.

Entretanto, ainda sinto uma boa vontade geral dos paulistas para que São Paulo receba um dos grupos da Copa. Que seja no Morumbi, Pacaembu ou no novo estádio que virá. Na verdade, por tudo que representa para o futebol brasileiro, o melhor estádio brasileiro deveria ficar aqui. Como o Morumbi é o maior, apesar de precário, tolera-se o estádio são-paulino. Porém, mais uma vez a artilharia de Juvenal Juvêncio pode transformar parceiros em adversários e colocar tudo a perder. Para o seu orgulhoso São Paulo.

Clique AQUI para ouvir a íntegra da entrevista de Juvenal Juvêncio na Jovem Pan


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