Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

Tag: Liga dos Campeões

Leonardo saliti sul tetto (Leonardo subiu no telhado)


Não, não é o “v” da vitória, mas os 2 a 0 que a Inter sofreu do Parma, na última partida.

Pois é. O brasileiro Leonardo, técnico da Internazionale de Milão e mentor do Ganso, já está com o bum-bum arrebitado, pronto para levar um tiro de meta.

Depois de perder para o Parma por 2 a 0 e ficar a oito pontos da liderança do Campeonato Italiano, com apenas cinco rodadas para o final, Leonardo está sendo apontado pela imprensa como o maior responsável pela crise da Inter e, dizem, o clube já fez oferta para o português Mourinho, que deixaria o Real Madrid e voltaria para o clube italiano.

Um sinal de que Mourinho pode voltar para a Inter na próxima temporada é que ele já fez a pré-matrícula de seus filhos no American International School, em Lugano, Suíça, a apenas uma hora de carro de Appiano Gentile, onde fica a Inter, em Milão.

Leonardo, que tirou do time os brasileiros Maicon e Thiago Motta, também tem deixado o ídolo Snejder no banco de reservas, para desespero dos torcedores. Além de eliminado vergonhosamente da Liga dos Campeões pelo discreto Schalke 04, a Inter perdeu jogos seguidos pelo Campeonato Italiano.

Se for mesmo demitido, que time você aconselha ao técnico Leonardo?


Veja o time do Leonardo, mentor do Ganso, tomando outra goleada!

Hoje a Inter de Milão, jogando em casa, sofreu uma goleada do Schalke 04 (ou seria 05?). Mesmo após sair vencendo por 1 a 0 e 2 a 1, o time orientado pelo falador técnico Leonardo, o mesmo que anda tentanto aliciar o Ganso, tomou de 5 a 2, pelo jogo de ida das quartas-de-final da Liga dos Campeões.

Ninguém esperava que o Schalke pudesse vencer com tanta facilidade em pleno estádio Giuseppe Meazza. Além dos gols, dois deles do brasileiro Edu, ex-Guarani, a equipe alemã acertou três vezes a trave.

Depois de perder o clássico contra o Milan por 3 a 0, agora o Inter toma outra lavada por três gols de diferença. Eu diria que Leonardo já subiu no telhado… Sua demissão é questão de tempo, e pouco tempo. Não sei como ficará sua promessa de levar o Ganso para a Inter. Mais fácil será ele ligar a cobrar para o 10 da Vila e pedir emprego.

Reveja a goleada do Schalke sobre a Inter, hoje, em Milão:

Por falar em Leonardo, você acha que ao invés de Muricy Ramalho, o Santos deveria ter contratado o almofadinha ítalo-brasileiro?


Episódio “segundo jogo” pode mostrar a subserviência da CBF e a falta de desportividade do Grêmio

A história se repete. Veja a bela reportagem sobre o então garoto Robinho do Globo Esporte em 2002, quando o Santos, na semifinal do Brasileiro, goleou o Grêmio na Vila Belmiro, com show de bola dos Meninos, e caminhou para o título.

Veja aqui os três gols da goleada e o show de 2002 em cima do Grêmio na Vila mais famosa do mundo

A CBF já tinha dado respaldo ao Santos e o clube, por sua vez, já tinha um acordo com o Grêmio: na segunda partida das semifinais da Copa do Brasil, próxima quarta-feira, na Vila Belmiro, os dois times usariam mesmo jogadores que porventura tivessem sido convocados para a Copa do Mundo. Era bastante provável que o Santos tivesse ao menos Robinho na lista, enquanto os gremistas davam como certa a presença do goleiro Victor. Como se sabe, só santistas foram chamados por Dunga (Robinho entre os 23, Paulo Henrique Ganso entre os 30), e agora o Grêmio ameaça entrar na justiça para anular a segunda partida caso o Santos utilize os dois.

No Regulamento da Copa do Mundo, publicado no site da Fifa, está lá no artigo 26: O período obrigatório de descanso para os jogadores inscritos na lista de liberação vai de 17 a 23 de maio de 2010 (exceto para os jogadores que participarão da final da Liga dos Campeões da Uefa, em 22 de maio).

Dá pra entender por que a Fifa está tão preocupada com “descanso obrigatório” para os jogadores? E dá para entender por que os jogadores que atuam na Europa podem jogar a final da Liga dos Campeões, dia 22 de maio, e os que atuam na América do Sul não poderiam atuar em um jogo da Copa Libertadores da América (e da Copa do Brasil), três dias antes? Perceberam a discriminação do regulamento aprovado pelas subservientes Confederação Sul-americana e Confederação Brasileira de Futebol?

Se há um ranking que o Regulamento da Copa do Mundo deve levar em conta é o da própria competição, que mostra uma igualdade absoluta entre o futebol sul-americano e o europeu: nove títulos para cada lado. O equilíbrio também existe na disputa do Mundial de Clubes, realizado desde 1960. A Copa Libertadores é a versão sul-americana para a Liga dos Campeões e tem o mesmo peso da competição européia. Então, por que os jogadores que participam de uma podem ser liberados do “descanso obrigatório” e os sul-americanos não?

Esse regulamento mostra uma discriminação odiosa da Fifa com relação aos sul-americanos e a inoperância, ou subserviência das entidades esportivas da América do Sul, mais preocupadas com interesses particulares de seus líderes do que em defender os interesses de seus clubes e seleções.

A Fifa já partiu do pressuposto de que as seleções sul-americanas seriam formadas basicamente por jogadores que participam da competição européia e não levou em conta os que atuam na América do Sul. Lamentável! E o pior é que nenhum desses cartolas que vivem por aí com sorrisos e mesuras para buscar mais dinheiro, tenham ao menos discutido esse regulamento.

Uma mina de ouro chamada CBF

Por falar em dinheiro, hoje a gorda e ambiciosa CBF, entidade particular que se utiliza do maior espetáculo da Terra – a Seleção Brasileira de Futebol – em benefício próprio, em uma ação que não exige investimentos e dá uma lucratividade absurda, anuncia mais um patrocinador: a Nestlé.

Com este, a CBF – em uma época em que os clubes brasileiros lutam para atrair investidores e pagar suas eternas dívidas – completa o rol de nove anunciantes. Os outros são: Gillette, TAM, Nike, Itaú, Vivo, Guaraná Antártica, Volkswagen e Seara.

Sempre que lhe perguntam sobre essa discrepância, Ricardo Teixeira, que assumiu o cargo por ser genro de João Havelange, responde que não tem culpa que os clubes brasileiros sejam mal administrados, enquanto ele administra muito bem a CBF. Ora, ora, ora, até eu! Você não tem salários para pagar, parque social e estádios para manter, não precisa contratar grandes jogadores e só convoca os melhores para formar um time que todo mundo quer ver… Quem não enriqueceria tocando um “negócio” desses?

O problema é que nós, jornalistas e torcedores, ainda esperamos que a CBF haja como uma representante do futebol brasileiro, papel que não exerce desde 1987, quando abriu mão de realizar o Campeonato Brasileiro e passou o mico para o Clube dos Treze. Aliás, “clube” é uma palavra que Ricardo Teixeira odeia. Se for brasileiro, então, pior.

Formar a Seleção só com jogadores em atividade no exterior é a melhor alternativa para esta CBF, que assim não tem dor de cabeça com os clubes brasileiros, não precisa ouvir lamúrias ou pedidos disso e daquilo. Envergonho-me de ver o verdadeiro futebol brasileiro – que é o dos clubes deste País, não o da Seleção – tão desprestigiado, mas não me admiro, pois esta é a forma como ele é olhado pela Confederação que deveria lhe proteger e comandar.

A posição ambígua do Grêmio

Antes da convocação de Dunga, como a presença do goleiro Victor era tida como certa pela imprensa gaúcha e pelos gremistas, Santos e Grêmio já tinham um acordo de usar os jogadores convocados na segunda partida da semifinal da Copa do Brasil, na Vila Belmiro. Agora, que só há santistas na lista de Dunga, o Grêmio parece já estar estudando maneiras de usar o regulamento da Fifa em seu benefício:

“O Santos escala quem ele quiser, mas depois da partida vamos ver a consequência disso”, disse Jorge Petersen, advogado do time do Sul, deixando claro que se perder o jogo e for eliminado, o acordo será quebrado.

Seria lamentável que o Grêmio agisse assim. Demonstraria uma pequenez extrema. Perder no campo, limpamente, e depois apelar para os tribunais é, das atitudes antidesportivas, talvez a pior. Não creio que o tradicional time de Porto Alegre, que se auto-proclama imortal, tenha uma atitude tão perecível.

Quanto ao Santos, conhecendo bem o caráter do presidente Luís Álvaro, tenho certeza de que colocará sua força máxima em campo na quarta-feira, para o bem do futebol e deleite do torcedor brasileiro – que é o que realmente interessa nesta diversão que alguns só enxergam como negócio.

Robinho e Ganso estarão em campo a tempo de, se necessário, viajarem no dia seguinte para a Europa e chegarem lá dois dias antes da final da Liga dos Campeões, data estipulada pela Fifa para o fim do período de descanso dos jogadores.

Se o imortal Grêmio quer ir à final da Copa do Brasil, que tente não sucumbir na Vila Belmiro, pois não vai dar para passar pelo Santos só com a atuação de seus advogados. Será preciso jogar um futebol melhor do que o dos Meninos. Se conseguir, parabéns. Se não, que se recolha aos seus pagos e reconheça a derrota como o bom perdedor que sempre foi.


Episódio Taça das Bolinhas mostra a precariedade da CBF

Patético. Este é o adjetivo apropriado para definir o caso da taça das bolinhas. Alguém acreditou que a CBF fez um estudo sério para decidir que ela pertence ao São Paulo? Como este blog já afirmou ontem – informação comprovada depois pelas declarações da presidente do Flamengo, Patrícia Amorium –, o anúncio intempestivo de Ricardo Teixeira de que a taça irá para o Morumbi é apenas uma retaliação contra o clube carioca pelo fato de ter votado contra a dupla Teixeira-Kléber Leite na eleição do Clube dos Treze.

Será que doeu para Teixeira e Leite decidirem contra o clube de seu coração? Bem, acho que há muito a paixão por um time de futebol deixou de ser a mais intensa professada por estes senhores. Há valore$ na vida que certamente seduzem mais algum tipo de gente do que esta bobagem de se alegrar e sofrer por onze marmanjos correndo atrás de uma bola.

Sou testemunha de que a CBF não tem não apenas um departamento de pesquisa, como sequer uma pessoa escalada para este serviço, e muito menos um arquivo sobre a memória do futebol brasileiro. Os únicos papéis valorizados na entidade que dirige o futebol de história mais rica do planeta devem ser notas fiscais, recibos e contra-cheques.

Quando pesquisei para elaborar o Dossiê pela Unificação dos Títulos Brasileiros a partir de 1959, não consegui uma única informação oficial da CBF sobre Taça Brasil e Torneio Roberto Gomes Pedrosa. Só ouvi desculpas do assessor de imprensa Antonio Carlos Napoleão.

Primeiro, de que os documentos estavam na Granja Comary… Depois, que o responsável pelo setor estava de férias… Depois, que tudo estava encaixotado e não se sabia que caixa tinha o quê… Enfim, era evidente a má vontade para esclarecer o passado. Os campeonatos nacionais, oficiais, antecessores de 1971, são assunto maldito na CBF.

O jornalista, escritor e historiador Loris Baena Cunha, que pesquisou nos arquivos da CBD – a confederação original, que colocou o futebol brasileiro no mapa mundi -, confirmou-me que as pastas relativas à Taça Brasil estão identificadas com o título “Campeonato Brasileiro de Clubes”. A revelação destas pastas deixaria claro que a Taça Brasil, como todo mundo que acompanha o futebol há menos de um dia sabe, dava ao vencedor o título de campeão brasileiro e o direito de ser o representante do País na Copa dos Campeões da América, hoje chamada de Copa Libertadores.

Como para a CBF a revelação desta verdade histórica poderia alterar o jogo de forças do futebol brasileiro atual (o que é uma bobagem), ela faz todo o possível para esconder as pastas, se é que já não foram destruídas. O curioso é que querem apagar dos anais justo a era de ouro do futebol brasileiro, em que o País ganhou três Copas em quatro disputadas e com todos os jogadores, titulares e reservas, em atividade nos clubes brasileiros.

Uma coisa tem de ficar bem clara: o fato de ser chamada, ou ser de fato, uma copa ou taça, não tira do vencedor o direito de ser campeão brasileiro. Da mesma forma que o campeão da Libertadores é o campeão da América do Sul e o da Liga dos Campeões o campeão europeu.

No trabalho para o Dossiê – que será transformado em livro – identifiquei todos os jogos de palavras e as confusões que são plantadas na opinião pública para confundir o torcedor sobre a real dimensão das competições que definiam o campeão brasileiro nos anos 60. Obviamente e infelizmente torcedores de clubes que não foram campeões naquele período geralmente aceitam qualquer argumento, por mais imbecil que seja, para diminuir as conquistas de seus adversários.

Se a CBF fosse uma entidade séria, preocupada em preservar a história do futebol nacional, há muito teria anunciado o Santos como o único pentacampeão brasileiro, assim como daria aos vencedores nacionais de 1959 a 1970 o seu devido e merecido mérito. O fato de ela não anunciar, entretanto, não muda a realidade. A história não precisa do aval da CBF, nem de qualquer outro. Ao contrário. O episódio dessa taça das bolinhas deixa claro que não há qualquer critério técnico nas bajulações ou punições da entidade que, desgraçadamente, dirige nosso futebol.

É tudo feito à esmo, ao Deus-dará, decidido nas coxas. Não há historiador ou pesquisador contratado pela CBF, que deve restringir sua folha de pagamentos a agentes comerciais, lobistas, contatos de publicidade e marqueteiros.

Declaração oficial das pessoas sérias que respeitam a história do futebol brasileiro

Em meu nome, que me dedico há décadas à pesquisa do futebol brasileiro; no nome de Loris Baena Cunha, mestre dos historiadores de futebol deste País; em nome do imparcial Celso Unzelte, o escritor mais preciso nos detalhes históricos do futebol; em nome de Guilherme Guarche, alguém que vive a cada minuto os fatos da vida do Santos; em nome de Joelmir Beting, um jornalista esportivo situado em um outro patamar da nossa profissão, e em nome de tantos outros que não me ocorrem agora, mas que são, todos, sérios e dignos, eu declaro o Santos Futebol Clube o único pentacampeão brasileiro de clubes e campeões brasileiros todos os vencedores da Taça brasil e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, no período de 1959 a 1970.

Ah, que inveja da Itália

Enquanto no Brasil usa-se a preciosa história do futebol como réles instrumento político entre clubes e entidades, na Itália valoriza-se as origens de uma forma exemplar e comovente. Assim, o primeiro campeão italiano, o Genoa, que conquistou o título jogando contra apenas dois adversários em um único dia, no longínquo 1898, é lembrado e homenageado até hoje.


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