Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

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Um apelo à lógica

UM APELO À LÓGICA

Sei que para muitos o futebol deve continuar sendo uma convulsão de emoções e improvisações, mas nos campeonatos mais prósperos do mundo, onde atuam os times de futebol mais atraente e valorizado, o bom senso e a velha lógica preponderam. Digo isso porque o futebol brasileiro e o nosso Santos parecem estar de ponta cabeça. Veja o querido leitor e a querida leitora que eu já ia escrever que o Sansão será nesta tarde de domingo, mas me lembrei que, na verdade, o jogo começa às 19 horas, portanto, à noite.

O único clássico paulista da rodada marcado para o anti-horário das 19 horas! Não sei como os presidentes dos clubes aceitam isso. É evidente que esse horário deprecia o espetáculo. Não é lógico, assim como carece de bom senso o Santos insistir em jogar na Vila Belmiro quando poderia ter escolhido o Pacaembu, já que neste domingo não jogos na capital e na última vez que enfrentou o São Paulo no Paulo Machado de Carvalho o público pagante foi de 19.748 pessoas, com 24.830 no total. No Urbano Caldeira, com sorte, teremos metade disso.

Ouvi por aí que alguém disse não sei aonde que clássico tem de ser na Vila. Eu pergunto: qual é a lógica de se jogar em um estádio menor, que, consequentemente, proporciona menos público e menos renda e no qual o Santos já perdeu cinco vezes neste semestre, ao invés de atuar em um outro que comporta 40 mil pessoas e, devido à determinação de torcida única, só poderia contar com santistas?

No jogo, se der a lógica, o Santos vencerá, pois tem mais time e está mais arrumado do que o adversário, que vive o seu pior inferno astral neste século. Com apenas uma alteração no time que venceu o Atlético Paranaense, a saída de Bruno Henrique para a entrada de Thiago Ribeiro, a equipe de Levis Culpi ainda terá o apoio de sua torcida contra um São Paulo que há mais de um ano é uma sombra do que já foi um dia.

Por falar em Levir Culpi, gostei da enquadrada que ele deu no elenco em uma conversa reservada no auditório do CT. Técnicos despersonalizados ficam amiguinhos dos jogadores para se segurarem mais tempo no cargo e garantirem os altos salários. Sabem que a profissão é incerta. Hoje em um time grande, amanhã podem amargar um ostracismo definitivo. Pelo jeito, Levir não é desses. Não precisa fazer média com as igrejinhas.

Quer os jogadores indo e voltando dos jogos no mesmo ônibus, nada de retornar para casa em seus carros particulares. Estão a serviço do clube na ida e na volta. Está certo. Quer os substituídos sentando quietinhos no banco, educadamente, como qualquer trabalhador, e como esses próprios jogadores fariam em um grande clube europeu. Por que no Brasil, e no Santos, irão desrespeitar o técnico? Quem é Lucas Lima, meia atacante que não faz um gol há uma eternidade, para chutar a garrafinha d’água ao ser substituído? Menos, garoto, menos. Por fim, vai acabar com as gracinhas no vestiário para a Santostv filmar. Realmente, tem hora que é preciso se concentrar na partida. Todas essas medidas são lógicas e visam o melhor rendimento do time.

Melhor rendimento que levou o time feminino do Santos à final do Campeonato Brasileiro, após emocionante vitória sobre o ótimo Iranduba, de Amazonas, por 3 a 2, na Vila Belmiro. O destaque da partida foi a centroavante santista, a argentina Sole James, com dois gols que fariam inveja aos atacantes do time masculino. As Sereias da Vila decidirão o título com o vencedor do duelo entre Rio Preto e Corinthians, que jogarão beste domingo na Arena Barueri. O Rio Preto joga pelo empate.

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PEDINDO AJUDA À LÓGICA

vila belmiro - foto do Khayattorcida pacaembu

Minhas amigas e meus amigos, quando um tema é discutido com paixão, quando as partes permitem que a emoção, o fator irracional, interfira em suas opiniões, dificilmente se chega ao chamado denominador comum.

Isso está ocorrendo agora, com o anúncio da pretensa arena do Santos no terreno do Portuários. A possibilidade radical de o time só jogar em sua cidade de origem despertou a ira dos santistas paulistanos, ao mesmo tempo que aflorou a sensação de pertencimento em uma parte dos santistas da cidade praiana. Como discutir a questão de forma isenta?

Bem, só vejo uma saída, que é recorrer à Lógica, esta ciência da comunicação que estuda e sistematiza a validade ou invalidade das argumentações. Assim, colocarei os conceitos que tenho ouvido para justificar o fato de o Santos jogar apenas em sua cidade e os analisarei à luz da Lógica. Peço a atenção para cada item e depois gostaria de conhecer a opinião de todos sobre eles:

1 – Se o alvinegro paulistano, que é de São Paulo, também tem muita torcida em Santo André, mas joga em São Paulo, e não em Santo André, por que o Santos precisa jogar em São Paulo, se ele é de Santos?

Bem, nesse caso, parte-se de uma premissa falsa. A frase acima quer dizer: se o alvinegro paulistano manda seus jogos em sua cidade, mesmo tendo torcida em outras, o Santos, que é de Santos, só deve jogar em Santos. Porém, esse conceito não leva em conta que o Santos é uma exceção à regra.

O Alvinegro Praiano tem seis vezes mais torcida em São Paulo do que em Santos. A premissa certa seria: se o alvinegro da capital joga no lugar onde tem mais torcedores, assim como ocorre com São Paulo e Palmeiras, o Santos também deveria jogar no local onde tem maior torcida, no caso, a cidade de São Paulo.

2 – As novas arenas atraem mais público. Portanto, a nova arena do Santos atrairá um público maior, que justificará o ticket médio de 82 reais.

Nesse caso, usa-se um conceito genérico para tentar validar um empreendimento que depende de uma variável essencial, que é a quantidade de pessoas dispostas a pagar tão caro para ver seu time jogar.

Hoje se sabe que o público médio dos jogos na Vila Belmiro beira os 10 mil pagantes. Como, inexplicavelmente, o clube ainda não fez uma pesquisa para saber a origem desses torcedores, interroguei alguns amigos que costumam ir a todos os jogos do Santos na Vila – entre eles os conselheiros Marcelo Pagliuso e Eugênio Singer – e cheguei à informação de que cerca de 40% desses torcedores são de São Paulo.

Como a margem de erro pode ser grande e não quero parecer tendencioso, digamos que apenas 30% desses torcedores sejam de São Paulo. Teremos, então, sete mil moradores da Baixada Santista por jogo, pagando um ticket médio de 38 reais.

Pois bem: assinar esse contrato para fazer a arena significaria que o Santos apostaria que o público médio praticamente dobraria, pois teria de ser superior a 18 mil pessoas, enquanto o ticket médio aumentaria em 115%, pois teria de alcançar 82 reais.

É preciso levar em conta que o santista de São Paulo, ao descer a serra para assistir a um jogo na arena, se tornaria o torcedor brasileiro que mais pagaria para ver o seu time, pois além do ingresso médio, teria de somar as despesas com pedágio, combustível, estacionamento e algum lanche. Isso tudo elevaria seu gasto total em cerca de 200 reais.

Com isso, talvez essa quantidade de três mil paulistanos por jogo diminua, ao invés de crescer. Vamos ser otimistas, porém, e imaginar que, mesmo se tornando o torcedor que mais pagará para ver futebol no Brasil, o número de santistas da Capital aumente para 5.000 pessoas por partida. Precisaríamos, ainda, só para pagar a conta para o investidor, de mais de 13 mil torcedores da Baixada Santista. Estariam estes dispostos também a dobrar a sua despesa para ver o Santos jogar?


3 – Se os santistas de Santos podem ir a São Paulo assistir aos jogos de seu time, os santistas de São Paulo também podem ir a Santos. A distância é a mesma.

A distância realmente é a mesma e as despesas de cada torcida, para assistir ao jogo na cidade vizinha, também seria igual. Então, qual seria a decisão salomônica?

Como o santista da Capital dificilmente estaria disposto a pagar 800 reais por mês para assistir a quatro jogos de seu time, assim como o santista da Baixada também não gostaria – e talvez nem pudesse – dispensar cerca de 400 reais mensais para ver o mesmo número de partidas, e como a arena só se pagará se tiver, repito, mais de 18 mil pagantes, com o ticket médio de 82 reais, a possibilidade que os números não batam é muitíssimo grande.

Assim, a maneira mais racional e lógica de se contemplar os santistas das duas cidades seria jogar alternadamente nas duas, racionalizando as despesas dos torcedores das duas cidades e permitindo um maior rodízio entre eles.

4 – Assumir 40% da sociedade do pretenso complexo da arena no terreno do Portuários aumentará em 40% o patrimônio do Santos.

Bem, quem estava vivo quando o Santos “comprou” o Parque Balneário Hotel, sabe muito bem o que ocorreu. O Sonho foi por água abaixo e o clube teve de devolver o imóvel depois de gastar uma fortuna com ele.

Acredito que qualquer dona de casa sabe que entrar em uma dívida a pagar de vista não é o mesmo que adquirir o bem. Hoje o Santos tem cerca de 400 milhões de reais em dívidas, boa parte delas com bancos. Só os juros dessa dívida devoram, rapidamente, todo o dinheiro que entra nos cofres do clube advindo da venda de jogadores e adiantamento de cotas de tevê. Não há capital de giro. Assinar um contrato desses contando apenas com um aumento gigantesco de público em seus jogos é extremamente temerário.

O Santos só terá direito a 40% do imóvel daqui a 20 anos, mas a quitação total só se dará, na melhor das hipóteses, em 30 anos, ou por volta de 2047. A participação do Santos terá de ser paga em valores que equivalerão a 600 mil reais por partida, o que seria suficiente, nos mesmos 30 anos, para se construir três arenas iguais a essa. Isso tudo, claro, se realmente o público e o ticket médio forem cumpridos.

E você, o que acha disso?


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