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Loris Baena Cunha, um depoimento importante para a Unificação

Dos muitos depoimentos favoráveis à Unificação dos títulos brasileiros a partir de 1959 – entre eles de jornalistas renomados como Joelmir Beting e Orlando Duarte –, há um que merece destaque. Trata-se do jornalista, historiador, escritor e palestrante sobre a história do futebol brasileiro Loris Baena Cunha, 86 anos, atualmente presidente do conselho superior da Associação dos Cronistas Esportivos do Rio de Janeiro (Acerj) e membro da diretoria da Associação Brasileira de Imprensa (ABI).

Considerado um dos maiores historiadores do futebol brasileiro, Loris Baena Cunha, nascido no Pará em 11 de março de 1924, mas radicado no Rio de Janeiro há de 52 anos, é jornalista esportivo desde 1947 e já atuou em veículos importantes do jornalismo carioca e paulista, tais como: Folha Carioca, O Mundo Esportivo, Luta Democrática, Rádio Rio de Janeiro e Organização Brasileira de Esportes (OBE), entre outros.

Autor constantemente requisitado para palestras sobre a história do futebol no País, Loris Baena escreveu obras imprescindíveis para a compressão da evolução do futebol no Brasil. Seus livros “A verdadeira história do futebol brasileiro”, “O Brasil nas Copas do Mundo” e “Flamengo: tua vida e tuas glórias” estão entre os mais credenciados sobre o futebol nacional, pelo rigor, a precisão e a imparcialidade de suas informações.

Morador da Rua Tonelero, em Copacabana, pode-se dizer que hoje Loris Baena tem a alma carioca, mas seu senso profissional está acima do bairrismo que se nota em boa parte da imprensa esportiva. Seu maior compromisso, como escritor e palestrante, é com a verdade histórica e por isso é tão respeitado por jornalistas de todo o País.

Seu livro “A verdadeira história do futebol brasileiro” foi saudado com prefácios de Barbosa Lima Sobrinho, presidente da Associação Brasileira de Imprensa, e de proeminentes jornalistas esportivos de todo o País, como Luiz Mendes, Oldemário Touguinhó, Geraldo Pedroza (presidente da Associação dos Cronistas Esportivos do Rio de Janeiro), Aroldo Chiorino (presidente da Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo), Jorge Vital de Lima (presidente da Associação Bahiana de Cronistas Esportivos), Raimundo Jorge (presidente da Associação dos Cronistas Desportivos de Alagoas), Eduardo Monteiro de Paula (editor-chefe da Rede Amazônica de Rádio e Televisão), Aderson Maia (presidente do Sindicato dos Radialistas do Ceará) e Maurílio Costa (diretor da Associação Mineira dos Cronistas Esportivos)
entre outros.

Tamanha consideração dos colegas de crônica esportiva se deve à múltipla e irretocável atuação de Loris Baena Cunha nos meios do futebol e do jornalismo esportivo. Foi um dos fundadores da Associação Brasileira dos Cronistas Esportivos (Abrace), diretor da Associação Guanabarina de Imprensa e da Associação dos Cronistas Esportivos do Rio de Janeiro, membro da Associação Brasileira de Imprensa e sócio benemérito da Associação dos Cronistas e Locutores Esportivos do Pará.

Sua vitoriosa carreira já lhe rendeu inúmeros prêmios, entre eles a Bola de Ouro, o troféu Mané Garrincha e a comenda Mauro Pinheiro, dedicada aos profissionais que mais se destacam no trabalho de pesquisa histórica do futebol nacional.

Em 1963 Loris Baena fundou a agência Organização Brasileira de Esportes (OBE), que por 27 anos municiou veículos de imprensa de todo o País com informações esportivas. Ele perdeu a conta de quantas vezes distribuiu notícias sobre a Taça Brasil e se lembra muito bem que ela dava ao seu vencedor o título de campeão brasileiro.

Como se vê, Loris Baena Cunha é um jornalista esportivo admirado em todo o País por seu profissionalismo, seu senso ético, sua paixão e seu conhecimento da história do futebol. Por isso seu depoimento para este dossiê é de extrema importância e deve ser lido com a máxima atenção. Diz o grande jornalista:

O dever do cronista esportivo é informar ao público os fatos passados e presentes com imparcialidade e lisura, deixando o coração de torcedor de lado, pois, se isso não ocorrer, será um cronista parcial e inconfiável.

Algumas vezes, ao realizar palestras sobre a introdução e a história do futebol no Brasil, sou contestado quando afirmo que a Taça Brasil representava o Campeonato Brasileiro e que os títulos nacionais de 1959 a 1970 devem ser computados em todos os rankings ou classificações que se fizerem a respeito.

A Taça Brasil representava na época o campeonato brasileiro, pois a Confederação Sul-americana determinava que o clube campeão de cada país seria o seu representante na Taça Libertadores e o campeão da Libertadores disputaria o título mundial com o campeão europeu. Este certame sul-americano teve início em 1960, sendo o Penharol do Uruguai o primeiro campeão ao derrotar o Olímpia do Paraguai nas partidas finais.

O Esporte Clube Bahia foi o único representante brasileiro nesta primeira edição da Taça Libertadores da América. E por que o Bahia? Se dependesse apenas de uma indicação da CBD, certamente o escolhido seria um time de Rio ou São Paulo, de maior prestígio e força política. Mas foi o Bahia porque ele ganhou esse direito conquistando a Taça Brasil e se tornando campeão brasileiro.

Como o Santos, que ganhou duas vezes a Taça Libertadores, em 1962 e 1963, pôde dela participar? Como convidado? Obviamente não. Entrou por ter sido o campeão da Taça Brasil, que era o campeonato brasileiro. Como o Santos chegaria ao título Mundial sem ter participado da Libertadores? E como participar da Libertadores sem ser campeão nacional, já que a competição não aceitava times convidados? Obviamente o Santos teve de ser campeão brasileiro para participar da competição sul-americana, o que evidencia o caráter de campeonato nacional da Taça Brasil.

Súmulas da CBD

Como historiador e pesquisador do nosso futebol passei várias semanas na biblioteca da CBF assessorado por seu responsável, Milton Pereira, e busquei dados importantes para concluir uma das obras que escrevi sobre o centenário oficial do futebol no Brasil (1902 a 2002) e em algumas súmulas dos jogos da Taça Brasil encontrei impresso: “Campeonato Brasileiro de Futebol – Taça Brasil”.

Portanto, o campeonato brasileiro de clubes teve início em 1959, sendo o Esporte Clube Bahia o primeiro campeão, ao derrotar o poderoso Santos no Maracanã por 3 a 1. Em 1967 surgiu o Torneio Roberto Gomes Pedrosa, homenagem ao ex-goleiro do Botafogo e da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1934 e ex-presidente da Federação Paulista de Futebol ( Taça Brasil e Roberto Gomes Pedrosa foram disputados concomitantemente em 1967 e19 68, mas em 1969 e 1970 a única competição nacional foi o Roberto Gomes Pedrosa, ou Taça de Prata).

Em 1971 a Confederação Brasileira de Desportos (CBD) mudou o nome do certame para “Campeonato Nacional” para alguns e “Campeonato Brasileiro” para outros. Posteriormente outras denominações foram dadas, como “Copa Brasil”, “Taça de Ouro”, “Copa União”, “Copa João Havelange”… Mas nenhum clube campeão a partir de 1971 perdeu o título conquistado. Então, por que os campeões nacionais de 1959 a 1970 também não entram no ranking quando a imprensa publica a relação dos clubes campeões?

Quando o Roberto Gomes Pedrosa foi substituído pelo Campeonato Nacional, perguntei ao deputado Athiê Jorge Cury, presidente do Santos, se o seu clube continuaria com os títulos brasileiros regidos pela Taça Brasil, tendo me respondido que aqueles títulos seriam eternos e estavam consignados nos anais da CBF e da Confederação Sul-americana.

Depois, na sede do Botafogo, fiz a mesma pergunta ao amigo Otávio Pinto Guimarães, presidente da CBF na época, e ele respondeu: “Sim, pois a Taça Brasil representava o campeonato brasileiro de clubes, e com a mudança do nome em 1971 competem aos vitoriosos entre 1959 e 1970 reivindicarem os seus direitos, o que até o momento nenhum o fez”.

Portanto, cabia às diretorias dos clubes campeões nacionais de 1959 a 1970 obterem oficialmente da CBF a confirmação de seus títulos, pois mudanças de nomes em qualquer campeonato não tira o título de campeão de nenhum clube. Se, futuramente, a Fifa mudar a denominação de Copa do Mundo para “Copa dos Continentes”, ou “Campeonato Mundial”, o Brasil perderá os seus cinco títulos já conquistados?

Analise o currículo, o conhecimento, a experiência, a isenção e a postura ética de Loris Baena Cunha e diga se dá para duvidar de um profissional deste nível, que trabalhou na cobertura da Taça Brasil e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa.


Episódio Taça das Bolinhas mostra a precariedade da CBF

Patético. Este é o adjetivo apropriado para definir o caso da taça das bolinhas. Alguém acreditou que a CBF fez um estudo sério para decidir que ela pertence ao São Paulo? Como este blog já afirmou ontem – informação comprovada depois pelas declarações da presidente do Flamengo, Patrícia Amorium –, o anúncio intempestivo de Ricardo Teixeira de que a taça irá para o Morumbi é apenas uma retaliação contra o clube carioca pelo fato de ter votado contra a dupla Teixeira-Kléber Leite na eleição do Clube dos Treze.

Será que doeu para Teixeira e Leite decidirem contra o clube de seu coração? Bem, acho que há muito a paixão por um time de futebol deixou de ser a mais intensa professada por estes senhores. Há valore$ na vida que certamente seduzem mais algum tipo de gente do que esta bobagem de se alegrar e sofrer por onze marmanjos correndo atrás de uma bola.

Sou testemunha de que a CBF não tem não apenas um departamento de pesquisa, como sequer uma pessoa escalada para este serviço, e muito menos um arquivo sobre a memória do futebol brasileiro. Os únicos papéis valorizados na entidade que dirige o futebol de história mais rica do planeta devem ser notas fiscais, recibos e contra-cheques.

Quando pesquisei para elaborar o Dossiê pela Unificação dos Títulos Brasileiros a partir de 1959, não consegui uma única informação oficial da CBF sobre Taça Brasil e Torneio Roberto Gomes Pedrosa. Só ouvi desculpas do assessor de imprensa Antonio Carlos Napoleão.

Primeiro, de que os documentos estavam na Granja Comary… Depois, que o responsável pelo setor estava de férias… Depois, que tudo estava encaixotado e não se sabia que caixa tinha o quê… Enfim, era evidente a má vontade para esclarecer o passado. Os campeonatos nacionais, oficiais, antecessores de 1971, são assunto maldito na CBF.

O jornalista, escritor e historiador Loris Baena Cunha, que pesquisou nos arquivos da CBD – a confederação original, que colocou o futebol brasileiro no mapa mundi -, confirmou-me que as pastas relativas à Taça Brasil estão identificadas com o título “Campeonato Brasileiro de Clubes”. A revelação destas pastas deixaria claro que a Taça Brasil, como todo mundo que acompanha o futebol há menos de um dia sabe, dava ao vencedor o título de campeão brasileiro e o direito de ser o representante do País na Copa dos Campeões da América, hoje chamada de Copa Libertadores.

Como para a CBF a revelação desta verdade histórica poderia alterar o jogo de forças do futebol brasileiro atual (o que é uma bobagem), ela faz todo o possível para esconder as pastas, se é que já não foram destruídas. O curioso é que querem apagar dos anais justo a era de ouro do futebol brasileiro, em que o País ganhou três Copas em quatro disputadas e com todos os jogadores, titulares e reservas, em atividade nos clubes brasileiros.

Uma coisa tem de ficar bem clara: o fato de ser chamada, ou ser de fato, uma copa ou taça, não tira do vencedor o direito de ser campeão brasileiro. Da mesma forma que o campeão da Libertadores é o campeão da América do Sul e o da Liga dos Campeões o campeão europeu.

No trabalho para o Dossiê – que será transformado em livro – identifiquei todos os jogos de palavras e as confusões que são plantadas na opinião pública para confundir o torcedor sobre a real dimensão das competições que definiam o campeão brasileiro nos anos 60. Obviamente e infelizmente torcedores de clubes que não foram campeões naquele período geralmente aceitam qualquer argumento, por mais imbecil que seja, para diminuir as conquistas de seus adversários.

Se a CBF fosse uma entidade séria, preocupada em preservar a história do futebol nacional, há muito teria anunciado o Santos como o único pentacampeão brasileiro, assim como daria aos vencedores nacionais de 1959 a 1970 o seu devido e merecido mérito. O fato de ela não anunciar, entretanto, não muda a realidade. A história não precisa do aval da CBF, nem de qualquer outro. Ao contrário. O episódio dessa taça das bolinhas deixa claro que não há qualquer critério técnico nas bajulações ou punições da entidade que, desgraçadamente, dirige nosso futebol.

É tudo feito à esmo, ao Deus-dará, decidido nas coxas. Não há historiador ou pesquisador contratado pela CBF, que deve restringir sua folha de pagamentos a agentes comerciais, lobistas, contatos de publicidade e marqueteiros.

Declaração oficial das pessoas sérias que respeitam a história do futebol brasileiro

Em meu nome, que me dedico há décadas à pesquisa do futebol brasileiro; no nome de Loris Baena Cunha, mestre dos historiadores de futebol deste País; em nome do imparcial Celso Unzelte, o escritor mais preciso nos detalhes históricos do futebol; em nome de Guilherme Guarche, alguém que vive a cada minuto os fatos da vida do Santos; em nome de Joelmir Beting, um jornalista esportivo situado em um outro patamar da nossa profissão, e em nome de tantos outros que não me ocorrem agora, mas que são, todos, sérios e dignos, eu declaro o Santos Futebol Clube o único pentacampeão brasileiro de clubes e campeões brasileiros todos os vencedores da Taça brasil e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, no período de 1959 a 1970.

Ah, que inveja da Itália

Enquanto no Brasil usa-se a preciosa história do futebol como réles instrumento político entre clubes e entidades, na Itália valoriza-se as origens de uma forma exemplar e comovente. Assim, o primeiro campeão italiano, o Genoa, que conquistou o título jogando contra apenas dois adversários em um único dia, no longínquo 1898, é lembrado e homenageado até hoje.


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