Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

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O legado de Laor

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A maior conquista da gestão Laor

Em 16 de agosto de 2016, terça-feira passada, morreu, aos 73 anos, o santista Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro, também conhecido como Laor, 35º presidente do Santos. Ele estava internado no hospital Albert Einstein para tratamento de um tumor no aparelho digestivo. Laor fez história na direção do clube, conquistando títulos e mudando o modelo de gestão.

Reeleito para o período de 2013 a 2015, renunciou ao cargo em maio de 2014, por problemas de saúde, deixando a presidência para o seu vice, Odílio Rodrigues. Nos quatro anos em que dirigiu o Santos Laor se tornou o presidente mais vitorioso depois de Athié Jorge Cury, com seis títulos no futebol profissional, entre eles a terceira Copa Libertadores, em 2011.

Sob o seu comando o Santos conquistou, ainda, a Copa do Brasil de 2010, a Recopa de 2012 e os Campeonatos Paulistas de 2010, 2011 e 2012. No mesmo período o Alvinegro Praiano angariou três títulos oficiais no futebol feminino, entre eles o da Copa Libertadores de 2010; dois de futsal, destacando-se o da Liga, correspondente ao título brasileiro, além da Copa São Paulo de Futebol Junior de 2013.

Em sua gestão o presidente passou a dividir as decisões com um Comitê Gestor formado por santistas influentes. Essa parceria proporcionou a contratação, por empréstimo, do ídolo Robinho, junto ao Manchester City, da Inglaterra, e também permitiu segurar Neymar quando todos já davam certa a ida do jovem craque para o Chelsea, também inglês.

Com atuantes departamentos de marketing, dirigido por Armenio Neto, e comunicação, por Arnaldo Hase, durante a gestão de Laor o Santos conseguiu bons patrocinadores, elevou seu número de associados para mais de 60 mil e manteve seu time em evidência usando não só a grande imprensa, mas os recursos da Internet, como o Youtube e outras ferramentas da mídia social.

Confiante, otimista e ótimo com as palavras, Luis Álvaro melhorou o autoestima dos santistas. Para explicar porque os ingressos dos jogos do Santos eram mais caros, comparou o Cirque du Soleil com um circo de bairro, e para justificar a predileção divina pelo Santos, disse que não foi por acaso que Jesus multiplicou os Peixes, em vez de multiplicar porcos, gambás e outros animais.

Em sua campanha disse que não aceitaria a reeleição, mas mudou de ideia e foi reeleito com 87% dos votos. Pouco mais de um ano depois, adoentado, cedeu o cargo para Odílio Rodrigues, que não conseguiu fazer uma boa gestão e cometeu a imprudência de pedir R$ 40 milhões emprestados para contratar Leandro Damião, um ônus que atrapalha o Santos até hoje.

Conheci Luis Álvaro Ribeiro em dois lançamentos de livros meus: Donos da Terra e Pedrinho escolheu um time. Tive uma boa impressão dele. Ao ser eleito, fez uma administração de boa a ótima em 2010 e 2011. Após reeleito, porém, tornou-se mais individualista e cometeu alguns pecados, como o amistoso em que o Santos foi goleado pelo Barcelona por 8 a 0, a nebulosa venda de Neymar para o clube catalão, o apoio a Andres Sanchez para a falência do Clube dos Treze e, como entendia pouco de futebol, a renovação de contrato do técnico Muricy Ramalho e de jogadores que já tinham encerrado o seu ciclo no Santos.

De um modo geral, porém, Laor foi um presidente que deixou a sua marca na história do clube. Mesmo nascido em Santos e neto de um presidente do clube, o médico legista Álvaro de Oliveira Ribeiro, ele soube administrar o Santos com uma visão universalista, atraindo associados do país inteiro e fortalecendo a imagem nacional e internacional do Alvinegro Praiano.

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E para você, o que Laor representou para o Santos?


Falta de transparência IV

Desde que passei a escrever regularmente sobre o Santos na Internet, há mais de 10 anos, testemunho negociações obscuras e uma contumaz falta de transparência nos atos da presidência do clube. Assim foi com Marcelo Teixeira, continuou com Luis Álvaro Ribeiro, Odílio Rodrigues e agora se repete com Modesto Roma Junior.

Entre as ações discutíveis de Marcelo, lembramos a carta branca que deu ao técnico Vanderlei Luxemburgo para encher o Alvinegro Praiano com jogadores do Iraty. Outro caso não explicado até hoje é a venda de Rodrigo Tabata. Marcelo ama o Santos e não acredito que tenha tirado vantagens financeiras do cargo de presidente do clube, mas nomeou pessoas, principalmente ligadas ao futebol, que fizeram isso. Um administrador também é responsável por quem contrata e Marcelo deixou o futebol santista ao Deus-dará.

Quanto a Luis Álvaro, começou bem, mas bastaram poucos meses para passar os pés pelas mãos. Os “artistas” foram vendidos a toque de caixa e contratações caras e inúteis feitas aos borbotões. Laor entrou para a história por doar Neymar ao Barcelona, em uma transação que, de tão nebulosa, já deu cadeia na Espanha.

O sucessor de Luis Álvaro, Odílio Rodrigues, assumiu o clube sem dinheiro em caixa para fazer loucuras, mas mesmo assim deu um jeito de fazer, com o aval do CG e de conselheiros irresponsáveis, emprestando uma fortuna da Doyen Sports para contratar o limitado Leandro Damião, em negócio ainda a ser esclarecido. E pago.

Agora, Modesto Roma, que na primeira reunião do Conselho Deliberativo prometia uma administração transparante, em seis meses de gestão já tomou decisões que demorariam horas para serem devidamente compreendidas. Na verdade, boa parte destas decisões ficaram a cargo do executivo Dagoberto dos Santos, braço direito de Roma, que entre outras escolhas discutíveis trouxe de volta Elano para ser mais auxiliar técnico do que jogador; contratou uma penca de jogadores medíocres, como Marquinhos, Neto Berola, Nílton, Leonardo… e aceitou pagar 250 mil mensais para o técnico, desempregado há seis meses, Dorival Junior.

O que mais me preocupa na gestão atual é que não se ouve falar de uma medida sequer para aumentar o faturamento do clube. Só se fala em gastos e empréstimos bancários. Qualquer dona de casa sabe que esta é a receita da falência – brejo para o qual a vaca alvinegra caminhará celeremente caso não se promova a óbvia campanha nacional de sócios e não se jogue mais no Pacaembu, um estádio que faz o Santos e o santista se sentirem maiores.

Repito: o Santos é o produto e o santista é o seu consumidor. E a maior parte dos santistas vive na maior e mais rica cidade do País. É só juntar os pontos para se chegar a algumas conclusões lógicas.

Enquanto fizer uma administração preocupada em satisfazer aos amigos da turma do tamboréu do canal 2, ou aos companheiros degustadores de peixe frito, Modesto Roma, ao contrário da denominação que deu à sua chapa, comandará o Santos Anão rumo à insolvência técnica e financeira.

E você, o que tem achado da administração de Modesto Roma?

Quanto vale preservar a história do Santos?

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Neste vídeo abaixo, dirigido pelo talentoso santista João Lucca Piovan, eu conto a história curiosa de como o livro ganhou o título de Time dos Sonhos. Assista:

O Barqueiro de Paraty, primeiro lançamento da Editora Verbo Livre

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Gostaria de compartilhar com os amigos e amigas do Blog do Odir Cunha a criação da Editora Verbo Livre, a mesma que está relançando o livro Time dos Sonhos, por meio da campanha de crowdfunding da Kickante, e também já disponibilizou, pela Amazon, o ebook de O Barqueiro de Paraty, um romance que fala de amor e amizade e pode, sim, mudar a forma de como você vê a vida.

O livro conta a história de um executivo paulistano que vê sua vida familiar e profissional fracassar e aceita o convite de um amigo do colégio para passar uns dias em Paraty e “reaprender a viver”. Muitos se identificarão com Pedro, Mauro, Clara, e sua busca pela essência da vida.

Tomo a liberdade de sugerir aos amigos a leitura de O Barqueiro de Paraty, pois, entre outros motivos, a maioria dos que o lêem, gostam muito. O livro trata de um drama muito comum e sugere valores fundamentais para se alcançar uma vida equilibrada e feliz.

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Segundo as pesquisas do Skoob, 70% do público que comenta sobre O Barqueiro é feminino e 82% das avaliações atribuem à obra de três a cinco estrelas. Lançado em papel em 2008, pela Editora Mundo Editorial, o livro está sendo relançado agora, em forma de ebook, pela Amazon. Logo mais sua versão em Inglês também estará disponível.

Assista e divulgue o book movie do livro O Barqueiro de Paraty

Comentários e análises de O Barqueiro de Paraty no site Skoob

Comentários de leitores de O Barqueiro de Paraty no site da Livraria Cultura

Entrevista de Odir Cunha sobre o livro O Barqueiro de Paraty ao jornalista Heródoto Barbeiro

Missão
A Verbo Livre está aberta para lançar autores nacionais e estrangeiros com obras preferencialmente instigantes. O site da editora, em preparação, receberá currículos de autores e sinopses de suas obras para avaliações preliminares. Nossa missão é revelar escritores(as) e oferecer livros de qualidade a preços acessíveis, contribuindo para a difusão do conhecimento e da reflexão.


Há clubes que não podem errar. O Santos é um deles

Alguns clubes de futebol podem cometer grandes erros e mesmo assim continuar competitivos, com as finanças sob controle, um elenco forte e ganhando títulos. Recebem tanto dinheiro dos patrocinadores, da tevê, dos associados, das arrecadações, que agüentam o baque desses maus negócios sem deixar cair muito o nível. Há outros, entretanto, que já vivem no limiar da riqueza e da pobreza, e não podem errar. O Santos é um deles.

Depois do pior negócio do mundo, no caso a compra do limitado Leandro Damião por um valor absurdo, a diretoria do clube ainda cometeu o extremo desatino de atrasar os salários deste jogador por mais de três meses e assim lhe dar a oportunidade de obter o passe livre na justiça, naquela que se cristaliza como a ação técnico-financeira mais deficitária já perpetrada por um clube de futebol em toda a história do esporte.

Na ponta do lápis, somados valor do passe, juros, salários e tudo o que ainda precisa ser pago, Damião provocará um rombão de quase 100 milhões de reais, um absurdo para um clube que já começou 2014 endividado, segundo as próprias palavras do presidente Odílio Rodrigues, e mesmo assim, inexplicavelmente, decidiu entrar de cabeça no negócio.

Pois agora lemos que Cicinho, comprado por seis milhões de reais, será vendido por menos da metade. E o pior é que não há outro jeito, pois o jogador tem tido atuações ruins e irresponsáveis e é um peso morto no elenco santista. Quem sabe se retornando para a Ponte Preta ele volte a jogar algum futebol. No Santos, não dá mais mesmo.

Se tentássemos definir as últimas três administrações do Santos em poucas palavras, diríamos que Luis Álvaro Ribeiro começou bem, montando um time econômico e eficiente, mas logo permitiu que o ego tomasse conta de sua razão, transformou-se em um teomaníaco perdulário e deixou um clube endividado e com poucas perspectivas quando passou o bastão para Odílio Rodrigues. Este, não quis apenas administrar a crise, como seria seu dever. Decidiu fazer loucuras, entre elas a destrutiva contratação de Leandro Damião, no que foi apoiado por seus pares e mentores. O resultado foi catastrófico.

Agora, o clube exige um líder de visão ampla, muito mais administrador do que político. Não é hora de alimentar essa briga sem sentido entre santistas de Santos e da capital, é hora de fazer o que tem de ser feito para se retomar o crescimento: patrocínio, maiores arrecadações, campanha nacional de sócios e otimização do elenco.

No aspecto técnico, eu diria que a partir deste momento, de penúria financeira e pobreza técnica, os clubes brasileiros precisarão dar uma atenção especial à formação de jogadores, pois são estes jovens vindos da base que poderão manter suas equipes fortes e competitivas, já que o dinheiro para grandes contratações deverá escassear ainda mais.

Leio que o goleiro Cássio disse a Mário Sérgio, na Fox, que preferiria continuar jogando no Pacaembu, mas ter os salários em dia. Enquanto isso, os jogadores do Santos preferem jogar na Vila Belmiro, para um público máximo de sete mil pessoas, mas querem também ter os salários em dia. Percebe como essa conta não fecha? O Pacaembu é a vaca leiteira que alimentou o alvinegro da capital por anos a fio, mas é desprezado pelo Santos, que criou para si a crença de que só pode jogar como time grande na pequena Vila.

Como Time dos Sonhos foi escrito e impresso

time dos sonhos - autor lendo trecho do livro para Robinho

Só consegui terminar o livro Time dos Sonhos porque estava semi-empregado, como, infelizmente, é normal na vida de todo jornalista da imprensa escrita. Transformei limão em limonada naquele 2002 e concluí a obra que já tinha me ocupado cerca de 10 anos de trabalho. Conto essa história no link abaixo e aproveito para tentar convencer você, amigo leitor, amiga leitora, a entrar na campanha pela reimpressão do livro que revelou aspectos bem interessantes da história e dos desígnios santistas.

Entrando agora na campanha você garantirá um preço menor pelo livro, o seu nome impresso na obra e ainda poderá assegurar o seu lugar no coquetel de lançamento ou em um bate-papo comigo e outros historiadores do Santos, em um bom bar de São Paulo a ser definido. Garanto que você não irá se arrepender. Se há algo no Santos que é irrepreensível, é a sua história. Então, faça parte dela!

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E para você, quais têm sido os maiores erros dos dirigentes do Santos?


Em busca da transparência

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Paulo Schiff, ex-presidente do Conselho Deliberativo do Santos na gestão Luis Alvaro Ribeiro/ Odílio Rodrigues, hoje editor do site “Transparência Santista”.

Como tantos santistas, tenho recebido e-mails de um site que se auto-intitula “Transparência Santista”. Seu editor é o jornalista Paulo Schiff, presidente do Conselho Deliberativo na última gestão que dirigiu o Santos. O site tenta explicar que todas as ações da diretoria anterior foram realizadas dentro da maior lisura e não há motivos para desconfiar de ninguém que fez parte dela. Bem, não quero ensinar o Padre Nosso ao vigário, mas se o colega Schiff está mesmo interessado em transmitir credibilidade e mostrar transparência aos santistas, é imprescindível que o site explique, bem explicadinho, as duas mais nebulosas transações de jogadores já feitas na história do Santos: a contratação de Leandro Damião e a venda de Neymar.

O milagre de ter quatro milhões em caixa e gastar dez vezes mais

Se o clube não tinha dinheiro no início de 2014, como o presidente Odílio Rodrigues revelou para dezenas de veículos de comunicação, e se o valor liberado para contratações naquele ano, ainda segundo ele, era de apenas quatro milhões de reais, por que decidiu gastar 41, 6 milhões de reais na contratação do limitado Leandro Damião, que já estava em baixa e era reserva do Internacional?

E por que, em suas entrevistas iniciais sobre o interesse do Santos por Leandro Damião, Odílio insistiu que estava conseguindo um “parceiro” para fechar o negócio? Por que manteve esse mesmo discurso de “parceria” e mesmo em 31 de março de 2014, em entrevista para a Agência Estado, afirmou: “O Santos, como qualquer outro clube, não tem dinheiro para o investimento. Resolvemos trazer o Leandro Damião e buscamos um investidor, que nos permitiu trazê-lo.”

Durante muitos daqueles dias o santista ficou com a ideia de que a Doyen Sports, a “parceira”, estava comprando o jogador e usando o Santos como “barriga de aluguel”. Menos mal que fosse assim, pois seria uma temeridade fechar o negócio nas bases oferecidas pela Doyen – empresa suspeita, que tem sua sede em um paraíso fiscal – como alertaram dirigentes de outros clubes paulistas que já tinham recusado fazer contratos com a tal empresa.

Por que o presidente Odílio entrou nesse negócio de extremo risco, mesmo sabendo que o dinheiro emprestado pela Doyen não seria pago durante o último ano de sua gestão? É uma das perguntas que um site sobre transparência deveria responder. Há um ditado popular que diz: “Dize-me com quem andas, eu te direi quem és”. Se nenhum outro clube consultado quis fazer negócios com a Doyen, por que o Santos aceitou?

Meu caro Paulo Schiff, sabemos muito bem que um banco não é um investidor, mas um emprestador de dinheiro, que não corre nenhum risco no negócio, pois empresta a juros altíssimos e esfola quem não paga. No caso da contratação de Damião, a Doyen agiu simplesmente como um banco. Não foi “parceira” coisíssima alguma. Emprestou o dinheiro a juros de 10% ao ano com correção em euros. Imagine a que valor chegou o montante agora, pois um ano já se passou e o real está sendo vertiginosamente desvalorizado.

Aliás, foi preciso que a Doyen fizesse um comunicado público para esclarecer que não era parceira, que não dividia risco algum na contratação de Leandro Damião, era apenas a empresa que havia emprestado dinheiro ao Santos, mas que esperava recebê-lo com juros e correção. Só depois da divulgação da Doyen é que o presidente Odílio Rodrigues deixou sua versão anterior e explicou melhor como se deu o negócio.

E por que, finalmente, mesmo correndo tamanho risco, mesmo investindo o maior valor já gasto por um clube em uma contratação em toda a história do futebol brasileiro, o Santos concordou em ganhar apenas 20% de um hipotético lucro com a venda do jogador? Que negócio absurdo foi esse, prezado Paulo Schiff, em que um dos lados assume todo o risco e fica só com 20% do lucro?

Esse negócio horrível e mal explicado da compra de Leandro Damião continua sangrando o clube até hoje e, infelizmente, deverá continuar a fazê-lo por muito tempo. O valor que o Santos pagou pelo passe de Damião é irreal, totalmente fora de mercado. Além do valor do passe, o Santos concordou em lhe dar salário de 650 mil reais e mais 50 mil reais de auxílio moradia. Ou seja, 700 mil reais por mês de despesas para um jogador que, devido à sua falta de qualidade técnica, se tornou reserva de um garoto de 18 anos (Gabriel) e hoje está emprestado ao Cruzeiro, que lhe paga 400 mil reais por mês – o restante do salário continua sendo pago pelo Santos, que tem essa despesa sem utilizar o jogador.

Como sócios, como torcedores, e, no meu caso, também como jornalista especializado em futebol, dono deste blog voltado para a comunidade santista, e ainda conselheiro eleito do Santos, nós temos a obrigação de saber os detalhes e os porquês desse negócio.

Na pior das hipóteses, o Código de Defesa do Consumidor nos dá o direito de exigir respostas. Somos consumidores da marca Santos, pagamos anuidades e ingressos para os jogos, damos audiência para o time na tevê, nos alegramos ou sofremos com os resultados do Santos, temos o direito, sim, de saber exatamente o que a gestão anterior fez para levar o clube à situação de penúria que vive hoje, após cinco anos de uma administração da qual o senhor foi um dos cabeças, senhor Paulo Schiff.

Mas este, infelizmente, não foi o único caso estrondoso sem explicação realizado no tempo em que o senhor presidia o Conselho Deliberativo do Santos. Estrondoso porque até hoje tem grandes repercussões internacionais. Falo da obscura venda do passe de Neymar, o melhor jogador brasileiro dos últimos tempos, ao Barcelona.

Ser o dono do passe de Neymar e ganhar menos que todos

Como o senhor deve estar sabendo, na Espanha o ministério público solicitou a prisão do presidente do Barcelona, Josep Maria Bartomeu, e do ex-presidente, Sandro Rossell, pelas irregularidades encontradas na contratação de Neymar, em 2013. A pena pedida para Rosell é de sete anos e três meses de detenção, e a de Bartomeu, de três meses. O ministério público espanhol também solicita que o Barcelona seja multado em € 33 milhões (R$ 115,3 milhões). Portanto, a transação foi super nebulosa e precisa ser esclarecida.

Como o Santos, que era o detentor dos direitos do passe de Neymar, fica nessa história toda? Qual é a versão do Santos, tim-tim por tim-tim, para este marcante imbróglio futebolísitico internacional? Por que o Santos, dono do passe de Neymar, foi o que menos recebeu com a transação? Quanto, exatamente, entrou nos cofres do Santos? Alguém mais ganhou comissão nessa transação? Quem e quanto?

Então, veja bem, colega Paulo Schiff, é normal que as pessoas pensem e falem coisas diante de certas circunstâncias. Se estas negociações envolveram fortunas e não foram muito bem explicadas, é compreensível que surjam desconfianças por parte do torcedor, das pessoas comuns, infelizmente acostumadas a tantas falcatruas em nosso País. Um time de futebol é parte importante da vida dessas pessoas, que de uma hora para outra viram o seu clube, de um dos mais ricos do País, se tornar um dos mais pobres. A indignação é normal. A indignação é o estado de ânimo que precede a correção de todas as injustiças.

A desconfiança, no caso, também é natural e necessária. Um investigador de polícia e mesmo um promotor de justiça usam da desconfiança para elaborar perguntas, buscar provas, juntar fatos e estabelecer a verdade. Toda investigação parte de uma desconfiança. Mas ela só persiste se os testemunhos não encaixam, se os fatos não batem. Os que não devem, entretanto, não têm por que temer.

De qualquer forma, se você, colega Paulo Schiff, que eu reputo honesto e bem-intencionado, se dignou a lançar um site com o nome de “Transparência Santista”, é porque admite que há muito da gestão anterior a ser esclarecido. Faço votos de que consiga esclarecer convenientemente ao menos esses dois casos que citei: a compra de Leandro Damião e a venda de Neymar, que, juntos, explicam a maior parte da terrível crise financeira pela qual passa o nosso querido Santos Futebol Clube.

Mesmo sem Robinho, o time sem colete ganhou mais uma no rachão:

Meninos da Escolinha do Santos no Japão visitam o CT Rei Pelé. Eles foram campeões estaduais no Japão vencendo um campeonato com 300 participantes:

E você, acha que houve transparência na gestão Laor/Odílio?


Pedro Conceição, uma voz em defesa da diretoria anterior

Como sabem, sou a favor de uma auditoria que passe o Santos a limpo e apure as causas de o clube chegar a esta situação caótica, em que pode perder jogadores importantes por atrasos de salários. Há no momento um consenso de que Luis Alvaro Ribeiro, seu sucessor Odílio Rodrigues e as pessoas que os ajudaram diretamente a dirigir o clube, são responsáveis por este fracasso administrativo. Entretanto, em uma democracia, não se pode negar às partes o direito de defesa.

Recebi o texto abaixo de Pedro Luiz Nunes Conceição, que foi diretor de futebol e membro do Comitê de Gestão do Santos e com quem, por seu comportamento educado e atencioso, sempre tive bom relacionamento, independentemente de concordar ou não com os rumos que o clube estava tomando. Corajoso, pois é preciso coragem para defender a administração de Laor e Odílio neste momento, Pedro Conceição argumenta que o mesmo quadro falimentar foi encontrado pela administração anterior, e sugere que o presidente Modesto Roma reclame menos e trabalhe mais para tirar o Santos desse buraco.

Bem, estas abaixo são as informações e a opinião de Pedro Conceição, que tem o direito de te-la e merece o espaço para divulgá-la. É a velha história: “mesmo que eu não concorde com uma palavra do que disseres, defenderei até a morte o direito de dize-las.” Peço que os meus queridos leitores/comentaristas analisem e comentem as informações e explicações do ex-diretor do Santos.

SANTOS FUTEBOL CLUBE: NOVO PRESIDENTE ASSUME EM GRAVE CRISE FINANCEIRA

Texto de Pedro Luiz Nunes Conceição

Janeiro de 2015,

O novo presidente do Santos acaba de assumir e já encontra o seguinte cenário:

· R$ 42,8 milhões de empréstimos bancários com vencimento no curto prazo;

· R$ 15,6 milhões de empréstimos de mútuo contraídos pelo antigo presidente após a eleição, mesmo sabendo que perdeu nas urnas;

· R$ 6,7 milhões de impostos e taxas atrasados;

· R$ 6,1 milhões de dívida com jogadores;

· R$ 790 mil de atraso junto à fornecedores diversos, incluindo Agências de Turismo, padaria, açougue…

Deste total de R$ 71,9 milhões, o clube precisa imediatamente de R$ 13,7 milhões, considerando salários atrasados, direitos de imagem, impostos e fornecedores.

Já os empréstimos com vencimento no curto prazo precisam ser transformados em longo prazo e ter os juros diminuídos.

A esta altura do texto, o leitor deve imaginar que estou me referindo ao presidente recém empossado, Modesto Roma Junior. Puro engano, pois me refiro ao presidente empossado em dezembro de 2009, Luis Alvaro de Oliveira Ribeiro.

Aquela diretoria, quando assumiu 5 anos atrás, encontrou este cenário financeiro e, ao invés de ficar acusando a gestão anterior e arranhar a imagem do clube, decidiu soltar uma nota oficial no dia 28 de dezembro de 2009, refutando categoricamente as informações veiculadas por alguns órgãos de imprensa sobre a situação financeira encontrada (o teor desta nota está reproduzida no rodapé do texto).

Esta foi a segunda medida adotada por aquela diretoria.

A primeira foi arregaçar as mangas e trabalhar, contratando rapidamente o técnico Dorival Junior, formando a comissão técnica, iniciando o processo de negociação com jogadores, a despeito da grave situação financeira encontrada. O grupo de gestão não tinha nenhum Mecenas por trás mas tinha crédito e credibilidade na praça, buscou alternativas financeiras que permitiram ao clube respirar e ganhar fôlego, ao invés de ficar se lamentando diariamente, como vem fazendo o presidente Modesto Roma e seu grupo, sempre amparados pelo seu mentor, Marcelo Teixeira , através do veículo de comunicação oficial do ex presidente.

Isto serve para comprovar que a crise financeira do Santos Futebol Clube é histórica, não vem de hoje, assim como é histórica a falência do futebol brasileiro atual, que também não vem de hoje.

Portanto, passou da hora do presidente eleito, Modesto Roma , também arregaçar as mangas, começar a trabalhar e parar de se lamentar.

Ao assumir o clube em dezembro de 2009, a nova diretoria não teve o privilégio de uma transição transparente por parte do ex presidente Marcelo Teixeira. Este, deixou o clube (e por lá não apareceu mais durante os últimos 5 anos) sem cuidar da transição. Computadores estavam todos bloqueados, sem senha de acesso, impedindo que os novos dirigentes tivessem acesso aos bancos, cujas contas estavam ZERADAS. Um mútuo de R$ 15,6 milhões contraído pelo Instituto de Ensino do ex presidente ao final da gestão. Antecipação de cotas de televisão. Nada de patrocínio. Fora o restante da dívida com a família do ex presidente, a dívida direta e a dívida com bancos.

Ao assumir o clube em dezembro de 2014, Modesto Roma teve o privilégio de uma transição transparente por parte de Odílio Rodrigues. Soube de todas as dificuldades, de todos os números, dos contratos, do real cenário financeiro. A cota de televisão de 2015 foi sim antecipada, com a aprovação do Conselho Deliberativo, mas em compensação ficou para a nova gestão um patrocínio máster da Huawei negociado por R$ 18 milhões (aliás, não dá para entender o que impede o novo presidente de assinar o contrato).

Em dezembro de 2009, o clube faturou algo em torno de R$ 70,4 milhões/ano.

Em dezembro de 2014, o clube faturou algo ao redor de R$ 200 milhões/ano, ou seja, 184% de crescimento em 5 anos.

Da venda de jogadores de 2012 até 2014, uma parte foi destinada para amortizar as dívidas com a família do ex presidente. Os conselheiros do clube sabem disso. A gestão que acaba de deixar o clube fez uma opção: quitar (e quitou) toda a dívida da família Teixeira com os bancos. Restou o parcelamento direto com o ex presidente, ao redor de R$ 480 mil/mês, que ainda irá até agosto de 2017.

Dos 4 grandes clubes paulistas, o Santos foi o único que antecipou as cotas de 2015. Os demais avançaram 2016 e 2017. O Santos tem o menor faturamento entre os 4.

Uma coincidência muito infeliz: no início dos anos 2000, o grupo de Marcelo Teixeira usou a mesma tática que está sendo usada pelo seu “afilhado”, Modesto Roma (o grupo é o mesmo): detonar a gestão anterior, através do vazamento de informações maledicentes para a imprensa e para o Conselho Deliberativo. Chegaram ao ponto de entregar de bandeja o clube à CPI da CBF/Nike, de tal forma que ex dirigentes foram intimados a depor em Brasília, numa exposição pública que afetou bastante a vida de todos os envolvidos (que provaram a sua inocência).

A política no Santos Futebol Clube, como podem ver, não é diferente da praticada na maioria dos outros clubes, rasteira. Uma pena, pois gestão se troca, com o voto do associado, mas caráter não se troca.

Acima estão relatados fatos e contra fatos não há argumentos.

Agora sim, a minha opinião: participei em 3,5 anos do total de 5 anos da gestão e entendo que o que intensificou a crise financeira (que como os fatos acima comprovam, é histórica), foi o clube não estar preparado para a saída do Neymar. O marketing era muito (ou todo) concentrado no atleta, tanto que o clube ficou 2 anos sem o patrocínio máster, deixando de receber no período algo em torno de R$ 36 milhões. Além disso, a crise econômica no país, o advento da Copa do Mundo desde 2013 (com a realização da Copa das Confederações), tudo isto mexeu com o mercado publicitário e o Santos foi um dos primeiros clubes a sentir a dificuldade em renovar o patrocínio máster (seguiram-se na ordem Palmeiras, São Paulo e mais recentemente o Corinthians). Isto impactou diretamente no fluxo de caixa, a gestão não podia deixar de reforçar o time , recorreu ao mercado financeiro, a investidores, à antecipação de cotas, formando, assim, um circulo vicioso.

Quem é ou foi dirigente e participa da vida política do clube, sabe que para o torcedor em geral esta discussão é patética, atinge a imagem do clube e o que importa mesmo é saber se ocorreram conquistas dentro de campo. Neste aspecto, a gestão que acaba de sair também deu a sua rica contribuição para enriquecer ainda mais a galeria de troféus do Santos Futebol Clube. Queiram ou não, foi a gestão mais vitoriosa dentro de campo pós era Pelé.

Portanto, criticas responsáveis, ainda que contundentes, devem ser respeitadas, mas insinuações maldosas e covardes feitas à gestão anterior precisam cessar, como precisa cessar a inércia demonstrada pela atual gestão neste início de mandato.

Está na hora de trabalhar, presidente Modesto Roma Teixeira.

Pedro Luiz Nunes Conceição
(Sócio há 35 anos, conselheiro eleito em 3 mandatos, diretor de futebol 2010/2011 e membro do Comitê de Gestão de 2012 até julho de 2013)

E você, concorda com as explicações do ex-diretor de futebol do Santos?


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