Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

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Tag: Luis Alvaro (page 1 of 4)

O meu lado, o seu lado, o nosso lado

amigos - 4 criancas

Nestes dias, além de discutir as questões primordiais do clube, os santistas – e demais leitores deste blog – estão divididos pelas manifestações de rua que sacodem o País. A maioria está a favor do povo que protesta, mas há os que vêem nisso o interesse de desestabilizar o governo. Ocorre que, infelizmente, a sociedade ainda se divide em tribos e as regras, a ética, as noções de competência e honestidade não são as mesmas para o nosso grupo e para o grupo dos outros.

Todos têm uma tendência de serem mais tolerantes com as pessoas de sua turma, do seu lado. A corrupção, por exemplo, não deveria ser defendida por ninguém. Se alguém corrompeu ou foi corrompido, deve pagar por isso, mesmo que seja alguém do nosso grupo. Mas não é assim que funciona na prática. Arrumam-se mil desculpas para as falhas dos companheiros, ao mesmo tempo em que se é implacável com o mínimo desvio dos outros.

Uma sociedade realmente civilizada deveria ter valores claros e segui-los acima de qualquer partidarismo. O meu grupo, por exemplo, é o das pessoas éticas e honestas. E, se for um grupo profissional, também das pessoas competentes. Se você, meu caro, demonstrou que não tem ou não compactua com essas qualidades, então, sinto muito, não será da minha turma. No dia em que um País inteiro pensar assim, não fecharemos mais os olhos para alguns crimes e deixaremos de ser os primeiros a apontar o dedo para os culpados de outros. Crime será crime, independentemente de quem o pratica.

Reconheço que há forças poderosas que agem contra o senso de justiça absoluto. Quem fez parte da chapa, foi empregado no Santos com um bom salário, pouca exigência profissional e condições incomparáveis de trabalho, certamente defenderá com unhas e dentes a administração que está aí. Pois a derrota nas urnas poderá representar demissão e a volta às condições antigas de sobrevivência.

O mesmo ocorre com seguidores do partido político que hoje controla o Brasil. O poder dá e espalha dinheiro e melhores condições de vida entre os que o desfrutam. Por isso poucos aceitam passivamente a hora de perdê-lo. Se for preciso, jogam a sujeira comprometedora dos amigos para baixo do tapete, enquanto fazem questão de expor a dos inimigos. É a regra suja que todos eles seguem.

Por isso não tenho partido, nem no Santos, nem na política brasileira. Gosto e desgosto de alguma coisa de cada um. Acho, por exemplo, que numa emergência social, distribuir uma bolsa que permita a milhões de brasileiros sair da miséria absoluta, é plenamente válido. Mas manter essa esmola indefinidamente, sem ajudar essas pessoas – por meio da educação e do emprego –, a galgar outros degraus na sociedade, é o mesmo que comprá-las.

Gostei da energia e do otimismo com que Luis Álvaro assumiu o Santos, mas fui me desgostando com suas promessas não cumpridas, suas frases vazias, suas decisões ditatoriais e o seu desmesurado apego ao cargo, mesmo quando ficou claro que não tinha mais condições de exercê-lo plenamente. Se sofre de uma doença grave, vá se cuidar e deixe o clube seguir sua vida. O Santos não precisa de mártires. Precisa de administradores capazes, algo que Luis Álvaro ainda não conseguiu ser.

Enfim, vivemos uma era em que as relações entre grupos diferentes podem ser definidas por uma frase saída da sabedoria popular: “Para os amigos, tudo; para os inimigos, a lei”. É claro que não pode haver justiça enquanto se pensar assim, e sem justiça não há democracia.

Ainda não sei o que é viver em um país desenvolvido, em meio a um povo desenvolvido. Mas sinto que nós, santistas e brasileiros, estamos a caminho, apesar dos percalços. E teremos chegado lá quando considerarmos o nosso lado mais importante do que o meu ou o seu.

Veja agora o filme produzido pelo Rachid que mostra momento em que o povo na avenida Paulista impediu que partidos políticos assumissem a paternidade das manifestações:

E você, é tolerante com o lado dos outros?


Demissões são o resultado da péssima administração financeira

Confesso que não sou PHD em administração financeira, mas ao menos sei o básico – ensinado por meus pais – que é não gastar mais do que se recebe. Pode parecer pouco, mas se o presidente Luis Álvaro e o comitê gestor tivessem seguido essa regra básica, hoje o Santos não estaria em situação financeira tão delicada e não seria obrigado a fazer tantas demissões.

Além de Nei Pandolfo, Felipe Faro, Henrique Schiter e Carlos Eiki Baptista, outros altos funcionários – como os gerentes de comunicação e marketing – deverão ser defenestrados nos próximos dias. O clube que se resume ao futebol e já foi definido como “apenas onze camisas”, elevou tanto sua folha de pagamentos que, segundo uma fonte segura, hoje precisa de oito milhões de reais por mês para manter os salários em dia (somando-se quem já não está no clube, como Elano, Muricy…), o que faz com que o Santos tenha um prejuízo de R$ 3 milhões por mês.

Mesmo que houvesse fontes de receita que permitissem tamanha gastança, ela não se justificaria, pois um clube de futebol brasileiro está mergulhado em um mercado altamente instável e não pode gastar tudo o que arrecada. Além de pagar suas contas, o que não fazem, deveriam manter um belo fundo de reserva, algo que todo condomínio residencial faz.

Esta gestão que assumiu o Santos jamais poderia ter elevado o nível salarial de seus funcionários – jogadores e comissão técnica inclusive – ao patamar de empresas multinacionais. Primeiro porque o clube já vinha de uma situação financeira difícil, com dívidas volumosas. Uma administração responsável teria primeiro saneado essas dívidas para só depois pensar em fazer outras, se fosse o caso.

E depois porque premiar os líderes e parceiros do movimento “O Santos pode mais” com salários elevados e registro na CLT armou uma bomba relógio que um dia explodiria. Imaginei que essa explosão se daria em outra gestão, mas já está ocorrendo um ano e meio antes das próximas eleições. Alegou-se que registrar na carteira era o correto, ao invés de se terceirizar os cargos mais importantes, como se fazia antes. Mas ao aumentar os salários e, consequentemente, os encargos trabalhistas, o Santos passou a correr contra um déficit progressivo.

Enquanto Neymar trouxe enorme visibilidade ao clube, contratos de patrocínio milionários amenizaram o problema, mas quando o mercado percebeu que o Menino de Ouro ia embora, a fonte secou. Há meses o Santos não tem patrocínio máster e hoje está diante de uma realidade que nem o melhor marketing esportivo do mundo daria jeito.

Na verdade, a primeira auditoria feita por esta gestão, no final de 2010, já havia detectado que o clube estava pagando cerca de 50% mais de folha salarial, apesar de ter reduzido o número de funcionários. Dependendo do cargo, remunerava-se com o dobro ou o triplo da gestão anterior. Ao aumentar os salários e ainda fazer os registros em carteira, a direção atual condenou as gestões posteriores a manter os funcionários atuais, ou pagar uma fortuna para dispensá-los. O que no mínimo não foi ético.

Particularmente, acho que se você quer os melhores profissionais para cada área, tem de escolhê-los pelo currículo e pela capacidade, e não porque são companheiros de chapa. E se quiser companheiros de chapa, por favor, não lhes pague o teto de mercado. Porém, infelizmente o espírito de confraria prevalece nos clubes de futebol – e se torna a causa principal do amadorismo e da péssima administração financeira.

Quando me disseram para ficar tranquilo, pois o Santos passaria a ser comandado por um conselho gestor formado por alguns banqueiros experientes, eu refleti que já tive conta no Nacional, que virou Unibanco e hoje é Itaú. Ou seja, bancos brasileiros vivem falindo ou se fundindo. Não creio que representem um mercado de gestores confiáveis.

Depois dessa experiência que tem se revelado dolorosa, chego à conclusão de que o Santos não precisa e não pode deixar o seu futuro nas mãos de especialistas no mercado financeiro. O Alvinegro Praiano tem de ser administrado por quem trate o dinheiro com o respeito que ele merece e, o que é mais importante, entenda de futebol e compreenda a alma do torcedor santista.

E você, o que acha da onda de demissões no Santos?


Os riscos proibitivos de um estádio em Cubatão


Vale a pena construir um estádio ali só porque o terreno é de graça?

Tana Blaze é o psedônimo de um respeitável santista que há anos vive na Europa. Experiente em várias áreas, ele nos concede, com o texto abaixo, uma visão profissional, imparcial e profunda da possibilidade aventada da construção de um estádio em Cubatão. Publico-o e assino embaixo, pois considero este texto o mais esclarecedor sobre a questão “construção de estádios de futebol” que já li.

Por Tana Blaze, um santista internacional

1 – O mau e o bom exemplo do Palmeiras para o Santos

A queda do Palmeiras é resultado do desequilíbrio financeiro de longa data. Ao ser rebaixado foi obrigado a pedir mais um adiantamento de 10 milhões de reais à Rede Globo, dinheiro que faltará no futuro e que deve se somar ao montante de pagamentos antecipados de cotas da Globo de 67 milhões de reais, já existentes no passivo do balanço de outubro de 2012. As dívidas financeiras do Palmeiras também são nitidamente superiores às do Santos. No exercício de 2011 as despesas financeiras líquidas alviverdes atingiram 26 milhões de reais.

Mas, ao contrário do que se possa imaginar, os investimentos na nova Arena Palestra não contribuíram com nenhum centavo para a situação precária do alviverde, pelo menos na fase da construção, pois são feitos por conta e risco da WTorre. Também porque ninguém neste mundo daria crédito ao Palmeiras, muito menos no montante do investimento no novo estádio.

Foi com base na ótima localização do Parque Antártica, em região central e valorizada de São Paulo e ligado ao metrô, que a WTorre resolveu construir o estádio por conta própria, que deverá se amortizar com eventos, jogos de futebol de mando do Palmeiras e vendas de camarotes e cativas. A WTorre, para a qual foi passada a escritura do terreno, será proprietária do estádio durante 30 anos, arcará com os custos de manutenção e reterá um percentual significante das receitas da venda de ingressos de jogos de futebol e outros eventos.

Apesar das críticas da administração Tirone à predecessora, o contrato com a WTorre é em princípio um bom negócio para o Palmeiras. Mas com os adiantamentos da Globo já torrados e com dívidas muito altas e imóveis penhorados, a retenção da receita de bilheteria pela WTorre, não irá facilitar a vida do clube. O risco de falência do Palmeiras persistirá no futuro próximo, menos por causa da construção do estádio e mais devido à dívida imensa acumulada antes da construção.

Indubitavelmente, além do tamanho da torcida, a ótima localização do imóvel do Palmeiras foi determinante para o investimento inteiramente financiado por terceiros, com ótimas possibilidades de ser autossustentável e mais do que isso, altamente rentável.

O exemplo do Palmeiras mostra duas coisas ao Santos:

Primeiro como é perigoso um clube permanecer excessivamente endividado e que a atual administração do Santos fez muitíssimo bem em priorizar o saneamento financeiro.

Em segundo lugar o exemplo do Palmeiras mostra que se o estádio do Santos for construído numa localização ótima, haverá a possibilidade de um investimento por conta de terceiros, sem garantias por parte do Santos, caso este não se amortize para o investidor no prazo esperado.

A retenção de parte das receitas de bilheteria por um investidor nos jogos de mando do Santos, seria justificável, visto que a receita de bilheteria atual da Vila Belmiro não chega a ser alta, podendo ser compensada por outras vantagens decorrentes do estádio, como o aumento do número de sócios. Portanto é perfeitamente possível construir um estádio, sem que os cofres do Santos sejam onerados na fase de construção. Desde que a localização do terreno seja ótima.

2 – A localização para a construção de um estádio sem ônus para o Santos

Se indagados sobre quais seriam os três critérios mais importantes para a escolha de um imóvel em ordem decrescente, corretores imobiliários de qualquer parte do mundo possivelmente dariam aquela resposta clássica: primeiro a localização, segundo a localização e terceiro a localização.

Com o maior respeito por Cubatão, sofrido pela poluição química e visual, para que milhões pudessem ser beneficiados com aço e produtos químicos, acho que mesmo com a redução exemplar da emissão de poluentes, Cubatão não entusiasmará nenhum investidor sério a construir um estádio na base de risco próprio, como fez a WTorre. E se arriscar, vai ter um risco alto de se dar mal. Imagino até que a diretoria do Santos disponha de um estudo de mercado que viabilize um estádio em Cubatão. Infelizmente muitos estudos definem mercados ao gosto de quem os encomenda. Muitos investimentos fracassados foram baseados numa apreciação do mercado furada, um “wishful thinking“. Tanto um shopping center, como um centro de convenções ou um hotel ligados a um estádio em Cubatão seriam facilmente ofuscados por equivalentes em locais mais aprazíveis em Santos ou Guarujá, perto da orla. Tampouco paulistanos irão descer a serra, pagar pedágio apenas só para ir a um shopping center.

O fato de o Santos, em jogos de mando principalmente na Vila Belmiro, MESMO COM O NEYMAR, ter um dos três ou quatro piores públicos do Brasileirão, prova cabalmente que 1) a torcida do Santos na Baixada disposta a ir aos estádios é pequena e 2) que torcedores santistas do planalto pouco descem a serra para assistir aos jogos. Então construir um estádio gigante para poucos espectadores na Baixada?

A Aglomeração Urbana de São Paulo, incluindo Campinas, Baixada Santista e Mogi das Cruzes, têm cerca de 30 milhões de habitantes. Destes, menos de dois milhões estão na Baixada Santista e 28 milhões no planalto. Ademais, grande parte da torcida santista está em regiões interioranas do além Campinas e chega mais facilmente a São Paulo do que a Cubatão. Então de qual lado da barreira representada pela Serra do Mar construir o estádio? Não em porcentagem, mas em número há comprovadamente mais torcedores santistas em São Paulo do que na Baixada.

3 – A vantagem estratégica do Santos em ser o último da fila, podendo “pagar para ver”

Por ser o último dos grandes paulistas a construir um estádio grande, o Santos terá o privilégio de poder incluir itens que sejam mais competitivos que os do Morumbi, Palestra e Itaquerão. Poderá obsoletar com uma só cartada os monstros de concreto armado dos rivais.

O Morumbi já nasceu obsoleto para o futebol, porque os assentos estão muito distantes do campo, devido à pista de atletismo. Além do mais, tem hoje muitos pontos cegos. O Vilanova Artigas nunca deve ter ido a Epidauro e ao alçapão. Uma temeridade o São Paulo investir mais de 300 milhões de reais neste complexo obsoleto. O sucesso do Morumbi se deveu unicamente ao fato de que não tinha concorrência. Os três estádios rivais não terão muitos estacionamentos. O Palestra e o Morumbi, ao contrário de como se auto intitulam, são apenas parcialmente multiuso, porque o céu aberto e o gramado representam limitações. A parte dos dois estádios que é coberta além da arquibancada e tem forma de meia elipse formará o anfiteatro, que permite shows, mas não serve para jogos de cancha coberta sobre outros pisos.

O Itaquerão nem se define por multiuso. A AEG, Anschutz Entertainment Group, que promove eventos ao vivo, e que fechou um contrato com a WTorre, teria se recusado a fechar com o Corinthians por considerar o Itaquerão muito distante do Centro, numa região pouco atraente.

Quais seriam os itens que permitiriam a um estádio do Santos superar em termos de competitividade os três estádios rivais? Fora os sempre comentados, como maior numero de estacionamentos, existem os dois itens que levariam a um multiuso mais amplo, mas requereriam um investimento maior: a cobertura completa e o gramado trocável por outro piso, atualmente existente apenas em quatro estádios do mundo.

A possibilidade de cobertura completa e de variação dos pisos permitiria jogos de quadra coberta, utilizando apenas uma metade do campo e montando uma arquibancada móvel no meio do campo, ou em outra posição desejada, para “fechar” a quadra, podendo assim realizar campeonatos de tênis, basquete, vôlei, handebol, lutas e outros. O estádio aberto poderá assim se converter num ginásio para jogos de quadra coberta. Fora toda a gama de esportes e shows, os estádios comportam hoje missas, circos, rodeios, tractorpulling, corridas speedway, motorcross, de monstercars, stock-cars e touring-cars, sem falar dos esportes sobre neve e gelo artificial. Tudo sem necessitar estragar o gramado.

Quem nunca viu gramado rolando para fora ou dentro do estádio, para alternar com outro piso, poderá ver no Youtube “Making of Stadium- Rolling Field”, mostrando o estádio da Glendale University em Phoenix, Arizona, finalizado em 2009, que é um dos quatro no mundo do gênero. O seu campo de grama para futebol americano foi plantado sobre uma bacia gigante de aço que pode ser rolada hidraulicamente para fora do estádio, abrindo espaços para outros eventos. Um quinto estádio, o Grand Stade Métropole em Lille, com 50.000 lugares para jogos de futebol e de rugby, inaugurado em 2012, adotou outra solução. Uma metade do gramado pode ser içada a uma posição acima da outra metade do gramado fixa, abrindo assim o espaço de uma metade do campo para outros eventos, denominada por “Boîte à Spectacles”.

A Arena Veltins em Gelsenkirchen na Alemanha do Schalke, com 61.000 lugares para eventos nacionais ou 54.000 pelo padrão da FIFA, inaugurada em 2001 e utilizada na Copa de 2006, cujo gramado também pode se rolado fora do estádio e com cobertura que pode fechar completamente, é um estádio verdadeiramente multiuso. A arena custou de 350 milhões de Marcos, ou seja, 179 milhões de Euros e estará amortizada ao cabo de 17 anos em 2018. À taxa de câmbio atual e considerando a inflação acumulada na Alemanha de 20% no período de 11 anos, custou a valores atuais cerca da 600 milhões de reais.

A Arena do Schalke é também palco em perímetro reduzido para jogos de quadra, como handebol, e já foi palco em perímetro completo com teto fechado de duas lutas dos irmãos Klitschko com público de até 61.000 espectadores por luta. Sem falar dos biathlons sobre neve artificial e de óperas. Se considera “a maior casa de ópera do mundo”, já tendo passado Aída, Carmen, La Traviata, Turandot.

Outra vantagem do gramado rolante é a velocidade com a qual o estádio pode ser readaptado. Seria possível jogar uma final de basquete ou tênis e poucas horas depois promover um jogo de futebol no gramado intacto e refrescado pelo ar livre.

Não postulo que o investidor aliado ao Santos tenha de construir um gramado que possa rolar para fora do estádio e um teto que feche completamente, mas pelo menos poderia construir de tal forma que estes itens possam ser agregados no futuro, sem que sejam necessárias demolições.

O desafio do Santos será competir com a proximidade do metrô dos estádios rivais.

4 – Como investir a poupança do Santos. Ou: a localização do estádio é tudo

Em vez de fazer uma loucura pelo Robinho, que tem poucos anos de futebol pela frente, utilizaria os 15 milhões de euros, dos provavelmente 30 milhões de redução de dividas ao término da atual gestão, na compra de um terreno favorável para a construção de um estádio num local bem servido por transportes públicos no planalto paulista. Terrenos costumam até valorizar e em caso de imprevisto podem ser revendidos. A recusa da AEG de fazer uma parceria com o Corinthians por causa da localização do Itaquerão mostra mais uma vez a importância preponderante do critério localização.

O Grêmio também não caiu na tentação de uma oferta gratuita de um terreno por parte de município que não tenha a localização adequada. Abandonou o estádio Olímpico porque não era autossustentável. Comprou um terreno por 50 milhões de Reais, ou seja, cerca de 17 milhões de euros, para construir uma arena multiuso com ótimas possibilidades de ser autossustentável.

Se o Santos não estabelecer uma presença no lado da barreira da Serra do Mar, no qual estão 28 milhões de habitantes, só por causa de uma oferta de terreno gratuita em Cubatão, daqui a 20 anos arriscará voltar a ser um time que só terá presença na Baixada, como antes de 1955. Antes do advento do Neymar a sua torcida com idade menor de 24 anos, vinha caindo na Grande São Paulo de 10% da era Pelé para 3%.

O Santos terá que agir como o Grêmio e comprar um terreno muito bem localizado, para, como o Palmeiras, poder arranjar um investidor que construa o estádio por conta própria. Se não em Diadema perto da Imigrantes, talvez no local de uma fábrica velha perto de uma estação da Ferrovia Santos-Jundiaí. Ou mesmo em São Paulo nas imediações da Estação de Metrô Santos –Imigrantes, perto da Imigrantes e da Anchieta. O nome da estação de metrô dedicado ao Santos parece até convite para construir neste local, por sinal bem melhor que Itaquera. NOMEN EST OMEN, nome é destino!

Se a localização for ótima, seria possível que investidores participem também no financiamento do terreno. Com um estádio verdadeiramente multiuso, pode-se angariar multi-patrocínios. Aos dos que patrocinam o futebol, poderiam se juntar os que patrocinam jogos de vôlei, basquete, tênis, lutas e outros. Multiuso não é moda nem luxo, é investir mais para aumentar a ocupação do estádio de forma significante, diluindo os custos e reduzindo o tempo de amortização.

Mesmo que o público de apenas 15.000 pessoas, que foi ver o show da cinquentona Madonna, que veio pouco depois da Lady Gaga, tenha sido considerado pequeno, a receita de bilheteria de estimados três milhões de reais, assumindo-se um preço médio de 200 reais por ingressos, foi superior a qualquer renda de jogo de Brasileirão. A grande importância financeira dos eventos, acaba de ser manifestada com o desespero do São Paulo em investir um valor superior a 300 milhões de reais no Morumbi obsoleto, copiando o ”anfiteatro” do Palestra, para tentar salvar o possível face à nova concorrência do Parque Antártica. Investimento que não é feito para os torcedores da arquibancada superior, que ficaram 50 anos no sol e na chuva, mas para os que visitam os shows. Os preços de ingressos para certos eventos chegam a ser múltiplos dos preços de ingressos do futebol.

O Santos deveria tentar tocar um projeto baseado num terreno ótimo, bem servido por transportes públicos, junto a incorporadores, investidores e diversas entidades esportivas e de eventos que se interessem por compartilhar uma arena multiuso. Pena que o beisebol, o rugby e o futebol americano não sejam populares no Brasil, porque o estádio Sapporo Dome no Japão, no qual foram realizados jogos da Copa de 2002, tem um gramado rolante para os jogos de futebol do Consadole Sapporo e um gramado sintético rolante para partidas de beisebol do Hokkaido Nippon, dois clubes que ali mandam as suas partidas e dividem os custos.

5 – Melhor nada fazer, que deixar um legado ruinoso

Apesar da opinião contrária de muitos santistas, a Globo informou em 7 de dezembro que o Projeto Cubatão continua na mira da direção do Santos. Parece que a direção do Santos está preparando a torcida para um estádio em Cubatão, soltando pequenos “press releases”, que acabam virando um fato consumado.

Receio o mesmo raciocínio que fez a direção mirar o Bill. Num caso mirou a gratuidade dos direitos do Bill, noutro caso estaria mirando o preço vantajoso do terreno em Cubatão. Sem considerar que o custo de oportunidade poderá ser ruinoso para o Santos, na medida em que a torcida santista do planalto não comparecer e empresários não conseguirem colocar eventos de valia econômica.

Melhor que deixar um legado ruinoso em Cubatão ou do tipo arrendamento do Pacaembu, seria aguardar e deixar a decisão para uma administração futura, com base numa melhor oportunidade e um projeto bem fundado.

Esperava-se desta administração, com seu Comitê de Gestão composto por executivos de topo, familiarizados com grandes transações, em contato com os setores importantes da economia, como foi o Luiz Gonzaga Belluzzo no Palmeiras, e com um presidente que se rotula como um dos maiores peritos em assuntos imobiliários no Brasil, um projeto bem estruturado e ofensivo com um grupo de trabalho e análise e desenvolvimento de diversas opções no que se refere à questão do estádio. Nada disso parece acontecer.”

Existindo a chance histórica de superar os estádios do trio da capital, com terceiros financiando parte do projeto por conta própria, seria nefasto o Santos se apequenar para escanteio em Cubatão.

Você acha que o Santos ter estádio em Cubatão, ou escolher uma localização melhor?


Blog quer entrevista exclusiva com um dirigente do Santos

Este blog tinha prometido a alguns leitores que, como é tradicional ao final das temproadas, faria uma enquete nesses dias para saber do santista quem ele quer que continue, ou saia do Santos. Porém, pelas notícias que temos, o clube está sem dinheiro para contratações, o que obriga o torcedor a ser menos exigente: será que valeria a pena mandar embora o Miralles e ter no seu lugar o Roger, da Ponte Preta?

Por isso, não dá simplesmente para fazermos uma lista de dispensa sem saber das reais possibilidades financeiras do Santos, que, ou consegue patrocinadores suficientes para pagar o astro Neymar, ou terá de usar boa parte de seus recursos para isso, comprometendo as contratações.

É necessário ouvir alguém da diretoria

Desde ontem iniciei os contatos para obter uma entrevista com um membro importante do comando do Santos. Creio que não haverá problema, pois imagino que a direção do clube saberá respeitar a vontade e o interesse dos mais de 40 mil santistas que frequentam este blog.

Sem sabermos quais as reais possibilidades, ou conhecermos a estratégia do clube na área das contratações e reforço de elenco, tudo o que dissermos ou sugerirmos aqui poderá ser em vão.

Minha ideia é a de que logo que a entrevista seja marcada, os leitores do blog sejam consultados sobre as perguntas que deverão ser feitas ao dirigente santista. Seria uma forma de darmos voz ao torcedor. Também tenho as minhas questões, claro, mas gostaria de transformar essa entrevista em uma forma livre e direta de participação do santista nos destinos do clube.

Tudo, evidentemente, com o respeito que as pessoas que dirigem o clube merecem. Não podemos julgar o que não entendemos. Por isso, antes de mais nada, ouçamos o que eles têm a dizer.

Você não acha que está na hora de ouvir alguém da direção do clube?


Demissão de Scolari prova que salário alto não garante sucesso

A demissão de Luiz Felipe Scolari escancara o problema dos salários desproporcionais pagos aos técnicos no Brasil. Felipão, com rendimentos de 800 mil mensais – segundo matéria do site Futebol Finance – não conseguia fazer o Palmeiras sair da zona de rebaixamento, enquanto outros treinadores, bem menos afamados e remunerados, estão mantendo equipes humildes em posições mais seguras.

Enquanto o Palmeiras só ganhou 28% dos pontos que disputou no Brasileiro e é o penúltimo colocado, a Ponte Preta conquistou 44% dos pontos; a Portuguesa, 40%; Coritiba, Náutico e Bahia, 39%. E quem são esses técnicos com rendimento tão superior ao badalado Scolari?

A Ponte é dirigida por Gilson Kleina, que treina a equipe desde o Campeonato Paulista e chegou a recusar uma proposta do Fluminense para continuar o trabalho no time de Campinas. A Portuguesa está nas mãos do veterano Geninho, que tem sido auxiliado no departamento de futebol por Candinho, alguém que entende muito de Portuguesa.

O Coritiba perdeu Marcelo Oliveira, mas não perdeu o pique. O desconhecido Marquinhos Santos assumiu e tem obtido bons resultados (prova de que quando o time está bem montado, a mudança de técnico não influi tanto no rendimento da equipe). Por fim, o Náutico é treinado por Alexandre Gallo, bem conhecido dos santistas, que tem o mérito de não ser retranqueiro.

Há pouca diferença entre os técnicos

Por que um técnico dá muito certo em um clube e fracassa rotundamente em outro? Por que Gilson Kleina montou uma Ponte tão competitiva e Felipão não conseguia fazer o Palmeiras andar? A resposta correta é que se não houver química entre técnico e elenco, os resultados dificilmente aparecem. Essa imponderável combinação de personalidades é que tanto pode fazer a glória de um interino, como provocar a demissão de um professor de renome.

Por depender tanto da imponderabilidade para ser bem-sucedido, não se justifica que um técnico peça e receba tanto dinheiro no Brasil. Seus altíssimos salários abalam a já instável saúde financeira do mercado do futebol nacional. Por isso, defendo que nenhum clube pague mais do que, digamos, 250 mil reais por mês a um técnico. A não ser que ele seja realmente excepcional – o que não é o caso de nenhum que atua no futebol brasileiro, com exceção, talvez, de Abel Braga.

Quando se compara a competência e a carga de trabalho exigidas para ser técnico de um time de ponta no vôlei e no futebol brasileiros, percebemos o tamanho da inversão de valores. Se nossos técnicos de futebol se dedicassem ao ofício com a mesma disciplina e intensidade que seus colegas, nosso futebol não estaria colecionando vexames internacionais.

Ao pagar menos para os técnicos, sobrará dinheiro para quem realmente interessa: os grandes jogadores, os craques, os que atraem público e dão ibope. E sobrará também para os clubes investirem em suas categorias de base, pois a única saída para o futebol brasileiro continua sendo revelar jogadores.

Laor quer Ganso no Grêmio, mas jogador prefere o São Paulo

Dizem que hoje o caso Ganso será definido. A imprensa paulista diz que está tudo certo com o São Paulo, mas se o Grêmio realmente confirmar a oferta de 23,8 milhões de reais, deverá fechar o negócio, pois é evidente que o presidente Luis Álvaro dá preferência ao clube gaúcho. Resta saber até que ponto o jogador e a Dis já estavam acertados com o tricolor paulista.

Copa Davis: Rogerinho abre o duelo contra os russos

Nesta sexta, a partir das 15 horas, na Sociedade Harmonia de Tênis de São José do Rio Preto, o Brasil inicia o confronto com a Rússia que decidirá quem participará da chave principal da Copa Davis no ano que vem. Desde que caiu para a Segunda Divisão, devido a um boicote estúpido, o Brasil jamais voltou ao grupo dos 16 maiores do tênis. De hoje a domingo a história pode mudar.

Tenho um motivo especial para torcer pelos brasileiros. Não só porque gosto de tênis a ponto de já ter editado cinco revistas sobre o assunto, escrito um livro e comentado sobre o esporte por três canais de tevê, mas porque entre os brasileiros há um garoto pelo qual tenho enorme admiração. Trata-se de Rogério Silva, o Rogerinho, que vi crescer lá no nosso querido Clube de Campo Castelo, em Interlagos, onde seu pai sempre foi o professor mais importante.

Mestre Eulício Silva chegou a vencer Thomaz Koch em três sets quando o Campeonato Brasileiro de Tênis era jogado em melhor de cinco sets. Um cavalheiro, além de notável tenista, Eulício deu ao filho a base para se tornar um dos melhores do Brasil.

Meu filho, Thiago, jogou e treinou com Rogerinho lá no Castelo. Nunca tive dúvidas de que o filho de Eulício seria um grande tenista, com muita garra e inteliGência, como o pai. Hoje ele abrirá o confronto contra os russos. Boa sorte Rogerinho! Vamos subir Brasil!

Confira os jogos de Brasil x Rússia:

Sexta-feira, 14/9, às 15h
Rogerio Dutra Silva (BRA) vs. Igor Andreev (RUS)
Thomaz Bellucci (BRA) vs. Teymuraz Gabashvili (RUS)

Sábado, 15/9, às 15h
Marcelo Melo/Bruno Soares (BRA) vs. Alex Bogomolov Jr./Stanislav Vovk (RUS)

Domingo, 16/9, às 15h
Thomaz Bellucci (BRA) vs. Igor Andreev (RUS)
Rogerio Dutra Silva (BRA) vs. Teymuraz Gabashvili (RUS)

Os ingressos estão à venda pelo site TicketsforFun.com.br e também no Rio Preto Shopping, em São José do Rio Preto.

E você, o que acha disso tudo?


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