Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

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Tag: Luiz Felipe Scolari (page 1 of 3)

Não $ão lagrima$ que $egurarão Robinho


A família Robinho (Foto: Ivan Storti)

O presidente Modesto Roma parece a mulher de um amigo meu. Ela não sabe e não consegue ganhar um centavo, mas é sempre criativa na hora de gastar dinheiro. Se precisar, apela para cenas melodramáticas para conseguir o que quer. Agora, Roma quer convencer Robinho a ficar na Vila Belmiro, mesmo sabendo que o clube chinês Ghangzou Evergrande, que já contratou o técnico Luiz Felipe Scolari e o volante Paulinho, oferece ao atacante do Santos um contrato de três anos com salário mensal equivalente a 3,5 milhões de reais. Discutir o quê?!

Se o máximo que o Santos (não) pode pagar é 800 mil reais por mês, o que o presidente tem de perder tempo ao tentar apelar para os sentimentos de Robinho? Acho que o Robson ama o Santos, mas a diferença é muito grande. Por outro lado, um clube em situação financeira tão crítica, deveria estar pensando em ganhar mais dinheiro e não em gastar o pouco que (não) tem.

Robinho tem 31 anos e meio, portanto está próximo do ocaso de sua carreira. E tem mulher e filhos para sustentar e lhes garantir o futuro. Por que se arriscaria a ficar no Santos, onde ganhará 25% do que pagarão os chineses, será muito cobrado e talvez nem receba em dia? Coloquemo-nos no lugar do Robson de Souza, só um pouquinho.

A mulher do amigo meu, quero dizer, nosso emotivo presidente, tem é de voltar sua atenção e sua energia aos milhões de santistas que só esperam sinais claros de mais seriedade, determinação e profissionalismo desta diretoria para colaborar mais ativamente com o clube, comparecendo aos jogos e entrando para o quadro de sócios do Santos.

Ao dar sinais de que está se convalescendo desse grande mal que o aflige, o Santos trará de volta a confiança do torcedor, um bem que está perdendo a cada dia. Como diz minha sábia mãe, “vão-se os anéis, ficam os dedos”. Que Robinho possa seguir o seu caminho livremente, sem rancores. Devemos agradecer-lhe por tudo o que fez e faz pelo Santos. Mas devemos nos conscientizar de que mais importante do que Robinho ou do que qualquer outro jogador, é o Santos Futebol Clube.

O fim inevitável:

Time dos Sonhos comprova que o Santos foi bem melhor do que o Real Madrid de Puskas e Di Stéfano

time dos sonhos - autor lendo trecho do livro para Robinho

Na terceira edição do livro Time dos Sonhos, a mesma que será reimpressa pelo processo de crowdfunding, ou financiamento coletivo, eu comparo o Santos bicampeão mundial de 1962/63 com o Real Madrid de Puskas e Di Stéfano, campeão do mundo de 1960, que alguns jornalistas defendiam ser o melhor time de todos os tempos.

É importante pesquisar, checar os fatos, antes de se formar uma opinião. Time dos Sonhos mostra aspectos da vida do Santos que passaram batidos pela imprensa esportiva brasileira. Por isso eu e outros profissionais, além do pessoal da Kickcante, estamos tão empenhados em relançá-lo.

Lembro que com apenas 70 reais você garantirá um exemplar livro, uma verdadeira bíblia, com 528 páginas, e ainda terá o seu nome impresso no capítulo final da obra. Estou feliz com a receptividade cada vez maior da campanha. Se ainda não kickou, kicke. Agradeço e afirmo que não se arrependerá.

Clique aqui para conhecer quem concorda que o Santos foi o melhor time de todos os tempos

E pra você, qual a chance de Robinho ficar no Santos?


Robinho se recuperou e enfrenta o Grêmio hoje à noite

Santos e Grêmio, logo mais, às 20 horas, ao vivo, pela ESPN. Narração de Cledi Oliveira, comentários de Mauro Cesar Pereira.
Fim do primeiro tempo: Grêmio 0 x 2 Santos (gols de David Braz e Robinho)

Primeiro, veja que o Robinho não tem mais nada:

Agora, reveja a partida sensacional entre Grêmio e Santos pela Copa do Brasil de 2010:

Robinho se recuperou e enfrenta o Grêmio hoje à noite

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Robinho queria muito jogar, e estará em campo logo mais, contra o Grêmio, revivendo o grande jogo de 2010 (Foto: Ivan Storti/ Santos FC).

Era para ficar bom em apenas duas semanas, mas Robinho levou a sério o tratamento para sua distensão. Ontem fez peso, bateu bola e deve iniciar a partida desta quinta-feira, às 20 horas, contra o Grêmio, em Porto Alegre, pelas oitavas-de-final da Copa do Brasil. Gabriel e Thiago Ribeiro devem ser seus companheiros de ataque. Leandro Damião deve ser poupado, pois o clube espera uma proposta concreta de um clube europeu por ele até sábado.

Depois de fazer dupla com Diego e Neymar, Robinho, agora um veterano de 30 anos, jogará ao lado de outro Menino da Vila, que fará 18 anos no sábado. Eles treinaram juntos e devem formar o trio atacante com Thiago Ribeiro. Normalmente Gabriel ficaria no banco, mas o Santos pretende vender Damião até domingo e não quer correr o risco de o jogador se machucar. Já recuperado de uma lesão no púbis, Damião quer jogar para ganhar ritmo, mas se der o azar de se machucar, o Santos continuará sem poder negociá-lo.

O Santos deve entrar em campo contra o Grêmio com Aranha, Cicinho, Edu Dracena, David Braz e Mena; Alison, Arouca e Lucas Lima; Thiago Ribeiro, Gabriel e Robinho. Mais uma vez será essencial que os atacantes recompanham rápido para ajudar na marcação do meio-campo. E se tomar o primeiro gol, tudo ficará mais complicado. Por outro lado, se marcar primeiro, poderá abrir grande vantagem.

Assim, o técnico Oswaldo de Oliveira deve manter o esquema com três atacantes. O técnico do Grêmio, Luiz Felipe Scolari, que já tem quatro títulos da Copa Brasil, está só esperando o Santos definir o seu time, para escalar também o seu. Caso o Alvinegro jogue mesmo com três atacantes, é bem provável que Felipão se decida pelo sistema 4-5-1, com apenas Barco na frente.

Segundo o jornal Zero Hora, são estas as opções de Felipão para o jogo de hoje:

Esquema do jogo contra o Corinthians:

Marcelo Grohe; Matías Rodríguez, Werley, Rhodolfo e Zé Roberto; Ramiro, Walace (Matheus Biteco), Luan, Giuliano e Dudu; Barcos.

Esquema com mais um meia:

Marcelo Grohe; Matías Rodríguez, Werley, Rhodolfo e Zé Roberto; Ramiro; Luan, Giuliano, Alán Ruiz (Rodriguinho) e Dudu; Barcos

Esquema com mais um zagueiro:

Marcelo Grohe; Werley, Rhodolfo, Geromel (Bressan); Matías Rodríguez, Ramiro, Giuliano, Luan, Dudu e Zé Roberto; Barcos.

Ocorre que no treino com portões fechados no CT do Grêmio, Pará atuou na lateral direita e no lugar de Fellipe Bastos foram testados dois jogadores: Matheus Biteco e depois Walace. Biteco permaneceu em campo para treinar cobranças de falta.

Os gremistas estão preocupados com Robinho e os atacantes do Santos. Barcos preveniu que é importante não sofrer gols em casa. O clube quer que o torcedor compareça em massa à Arena Grêmio e por isso está oferecendo 30% de desconto para todos os setores do estádio. Os ingressos podem ser adquiridos pelo site oficial do Grêmio com preços a partir de R$ 15.

Bem, não vou ficar em cima do muro. Eu ainda acho uma temeridade enfrentar o Grêmio em Porto Alegre com três atacantes. Em 2010, pela Copa do Brasil, o Santos fez isso, mas os atacantes eram Neymar, André (em ótima forma) e Robinho. Agora é preciso alguém mais no meio-campo, ou o Grêmio dominará por ali, forçará até abrir o marcador, e a partir daí as coisas ficarão difíceis para o Santos. É claro que se o Santos abrir o marcador antes, tudo poderá mudar, mas um técnico não pode jogar pôquer. É melhor o cerro do que o duvidoso.

O aumento que o Gabriel quer

gabriel consolado
“Calma, garoto, vai devagar, você ainda não está com essa bola toda. Você vai jogar ao lado do Robinho e verá que não dá para ganhar nem 10% do que ele ganha” (Foto: Ivan Storti/ Santos FC).

Fiquei sabendo que Gabriel quer ganhar cerca de 250 mil reais por mês e um contrato de três anos. O Santos quer dobrar o salário de 60 para 120 mil e esticar o prazo de contrato para cinco anos. Há um impasse. Mais uma vez não posso ficar em cima do muro.

O certo é que Gabriel não fez um por cento do que já fez Robinho. Com 18 anos Robinho comandou o Santos rumo ao Campeonato Brasileiro. Sei que os tempos são outros, mas o que o staff de Gabriel quer não é nada razoável.

Deveriam levar em conta que Gabriel não teria tido as oportunidades que teve em nenhum outro clube brasileiro, muito menos do exterior. Ele ainda não fez uma exibição de encher os olhos e nem sequer decidiu uma partida. Na verdade, ainda é uma incógnita. Nem preparo psicológico para atuar nos jogos de maior responsabilidade ele tem demonstrado.

Quando é para criticar, a gente critica, mas desta vez creio que a proposta do Santos é excelente. Gabriel poderia muito bem ficar mais uma temporada no Santos e aí sim seguir o seu caminho de ilusão rumo à Europa. Digo ilusão porque pelo futebol que tem mostrado, não será titular de nenhum time europeu, mesmo de nível médio. Ainda é um principiante no futebol profissional. Tem muito o que aprender.

A possível venda de Leandro Damião

Estou chorando até agora com a possibilidade de o Santos perder o melhor centroavante do time desde Serginho Chulapa. Mas, fazer o quê, a vida é cheia de chegadas e partidas. Vai com Deus, meu filho! E não se esqueça de pedir a bênção para a mamãe Santos. Que Milão se divirta com seus gols. Receio que até domingo surja uma proposta concreta por este ídolo que deixará muitas saudades na Vila Belmiro. Tremo só de pensar.

Valeu Bragantino!

Bem que o Douglas, ou Anos60, nosso companheiro de blog, avisou que o Bragantino estava pensando grande ao levar o seu jogo pela Copa do Brasil, contra o Corinthians, para a Arena Pantanal. Mesmo sem ter nenhum dos 28.820 pagantes torcendo por ele – que proporcionaram a bela renda de R$ 1.630.540,00 –, o valente Bragantino, que tem um distintivo parecido com o do Santos e jogou todo de branco, como o nosso Glorioso Alvinegro Praiano, jogou melhor e ganhou por 1 a 0, com um golaço de Sandro. Em pensar que o Santos preferiu enfrentar o Alvinegro de Itaquera na Vila Belmiro, com público de 12.329 pagantes e renda de R$ 357 mil, e ainda perdeu o jogo, por 1 a 0. Em homenagem à visão e coragem do Bragantino, o blog traz o gol da vitória da Lingüiça Mecânica. Em outros jogos de ontem, pela Copa do Brasil, o Flamengo perdeu para o Coritiba por 3 a 0, em Curitiba; o Palmeiras foi derrotado pelo Atlético Mineiro, no Pacaembu, por 1 a 0, e o Botafogo perdeu no Rio para o Ceará por 2 a 1.

Parece brincadeira, mas não é. Paolo Guerrero também deu um encontrão no árbitro pelas costas, desta vez sob os aplausos de Mano Menezes. Ele vê o árbitro, mas não freia o movimento e ainda estende o cotovelo. Novamente lance de expulsão que sai de graça. Parece que o alvinegro itaquerense está criando uma forma dissimulada de agredir o árbitro. Espera-se que o tribunal da CBF não deixe mais essa agressão impune. Veja:
http://youtu.be/zoa5Boyevzs

E em Coritiba, quem diria, Zé Love brilhou contra o Flamengo:
http://youtu.be/RcHo0z7OTr4

Para completar, a noite ainda teve Bill, aquele, como herói do Ceará:
http://youtu.be/O_lqcs4meYU

E para você, como o Santos deve jogar contra o Grêmio, hoje?


Germanização já!


Robben, da Holanda, o melhor jogador da Copa de 2014

Quando o Santos, com um time em formação e um técnico interino, perdeu para o Barcelona por 8 a 0, no Camp Nou, Carlos Alberto Parreira se apressou em dizer que o Alvinegro Praiano não representava o futebol brasileiro – como se o time campeão e semifinalista da Copa Libertadores em 2011 e 2012 fosse uma equipe chinfrim, sem passado, nem presente.

Como se aquela derrota constrangedora não fosse um sinal de que mesmo um clube grande no Brasil estava tão atrasado com relação aos melhores europeus. Na visão equivocada de Parreira, o futebol de um país é expressado por sua seleção, quando a verdade é exatamente o contrário.

Agora, vejam vocês, quis o destino que este mesmo Parreira, em parceria com Luiz Felipe Scolari e seu indefectível Murtosa, levassem a Seleção ao maior vexame de sua secular existência, isso depois de tempo suficiente para escolher os melhores jogadores brasileiros do planeta e formar com eles um time para jogar a Copa em casa. Será que agora Parreira se convenceu da decadência do futebol brasileiro?

Hoje o futebol alemão é o mais organizado e rico da Terra. E o detalhe é que está inserido em um mercado que pratica a meritocracia. A verba de tevê destinada aos clubes leva em conta a posição de cada um na tabela, o que estimula a busca constante pela competência. Ao contrário do Brasil, em que a tevê estabeleceu uma reserva de mercado para certos times, quaisquer que sejam seus desempenhos. Ou seja: o sistema deles premia a eficiência, o nosso incentiva a preguiça e a inércia.

Os sinais da fragilidade do futebol brasileiro podem ser notados há anos. Nossos técnicos estão defasados, nossos jogadores apanham da bola, a preparação física é precária, e mesmo assim os salários crescem a cada dia, em uma bolha que levará os clubes à falência.

E não venham me dizer, por favor, que se a Argentina fosse campeã isso significaria a redenção do futebol sul-americano. Esses jogadores argentinos também representam times europeus e não os clubes empobrecidos e endividados de seu país.

A Alemanha mereceu ser campeã desta Copa pela organização, planejamento, fair play, sociabilidade, técnica e tática. Para não ficar chato, a Fifa deu a bola de ouro ao Messi, que passou em branco na maioria dos jogos. Espero que agora os do contra parem com essa mania de compará-lo a Pelé. Só o Rei tem três Copas do Mundo no currículo, além de 12 gols. Mas não gols quaisquer – gols de Pelé!

Você não acha que está na hora de seguir o exemplo do futebol alemão?


Vexame histórico dos sete erros

Antes, veja e ouça isso:
Entrevista de Paul Breitner prevendo o favoritismo da Seleção Alemã

A goleada eterna que a Alemanha impôs ao Brasil não pode ser explicada apenas pela natural superioridade da equipe germânica. Formada há seis anos, com ótimos jogadores, um sistema tático bem definido e dirigida pelo ótimo técnico Joachim Low, os alemães eram favoritos e provavelmente ganhassem mesmo que a Seleção Brasileira fizesse tudo certo e contasse com Neymar e Thiago Silva.

Porém, não só a maneira vexaminosa como o time de Luiz Felipe Scolari se comportou na semifinal, mas tudo o que envolveu a participação do Brasil nessa Copa – dentro ou fora dos estádios – revela, sintomaticamente, sete erros graves que não podem passar em branco. Vamos a eles:

1 – Estratégia Inadequada

A Alemanha já tinha tido sérios problemas com times que jogaram recuados, marcaram forte e souberam atacar sem deixar grandes buracos na defesa. Empatou com Gana (2 a 2) e venceu Argélia, Estados Unidos e França por apenas um gol de diferença. Como tem, teoricamente, melhores jogadores do que os adversários enfrentados pela Alemanha, o Brasil deveria ter optado por um jogo mais amarrado no meio de campo e a possibilidade de decidi-lo em jogadas individuais ou nas decantadas bolas paradas.

Não se sabe o teor dos “conselhos” que Scolari ouviu dos seis jornalistas com quem decidiu conversar separadamente, mas a verdade é que ele surpreendeu ao escalar um time ofensivo contra a Alemanha, e isso se revelou um equívoco fatal. Nada justificaria colocar em campo, ao mesmo tempo, Oscar, Bernard, Hulk e Fred.

O mais aconselhável era optar pelo 4-4-2, ou mesmo 4-5-1, com a possibilidade de o time avançar quando tivesse a bola. Assim, Willian, Paulinho e Ramirez poderiam entrar. Fica ainda a dúvida se valeu a pena manter Fred isolado no meio dos beques alemães o tempo todo.

Mas os enganos começaram na convocação. Com esses jogadores o Brasil ficou sem a opção de atuar sem controavante e acabou, na prática, jogando sem ele, pois Fred não teve com quem tabelar. Seria preciso, no mínimo, mais um meia atacante. Por isso falei em Robinho. Mas poderia ser outro.

2 – Tática precipitada

Mal a saída foi dada e o Brasil foi pra cima da Alemanha, em um misto de nervosismo e coragem descontrolada, angustiado por fazer o primeiro gol. Algumas chances foram criadas, mas o gol não saiu e a Alemanha é que encontrou o seu, aos 10 minutos, após um escanteio em que Muller apareceu livre.

Parece que o plano do Brasil era justamente inaugurar o marcador, para depois especular nos contra-ataques. Quando o adversário é que conseguiu isso, o time se descontrolou. Faltou um líder para por a bola embaixo do braço depois do gol alemão e, apesar do alarido da torcida, recolocar a equipe na busca do equilíbrio que poderia levar à vitória.

Um sintoma do descontrole foi ver David Luiz na área da Alemanha em busca do empate, e continuar por lá mesmo após o adversário retomar a bola. A pressão por ter sido considerado o salvador da pátria, com a ausência de Neymar, fez mal ao grande zagueiro. Deixou o estreante Dante sozinho, sem um esquema eficiente de cobertura. Ficou claro que a Alemanha só precisaria acertar alguns passes para chegar ao segundo gol.

Nesse momento de frenesi pelo empate, não se viu o dedo ou a voz do técnico. Contestado por muitos, o mesmo Scolari que montou seu grupo de jogadores com a intenção de formar nova família, acabou justificando as críticas de quem não entendeu como um técnico que não impediu o rebaixamento do Palmeiras, poderia levar o Brasil a um novo título mundial.

O Brasil agiu como o pugilista inexperiente, que leva um golpe e, ao invés de provocar o clinche e amarrar a luta para poder respirar e recuperar o raciocínio, parte tresloucadamente para cima do adversário, soltando os braços a esmo. Madura e mais técnica, a Alemanha só precisou se esquivar de alguns golpes e depois soltar os seus, certeiros, e jogar o Brasil na lona.

Provavelmente tão zonzo como seus jogadores, Scolari passou o primeiro tempo inteiro assistindo ao massacre e só foi mexer na equipe na segunda etapa, colocando, tardiamente, Paulinho, Ramirez e Willian no time.

3 – Falta de controle emocional

Em nenhum momento os jogadores brasileiros se mostraram devidamente preparados para disputar uma Copa do Mundo em casa. A choradeira depois da disputa de pênaltis contra o Chile escancarou esse problema.

Scolari tinha dito que ele era o psicólogo da Seleção, mas depois parece ter mudado de idéia e chamado os serviços da profissional Regina Brandão. Todos sabem, porém, que não há preparação psicológica instantânea. Esse é um processo demorado, que exige no mínimo alguns meses.

Em sua entrevista após a acachapante vitória, Joakim Low citou o descontrole dos brasileiros por jogar em casa. Ou seja, aquilo que era para ser uma vantagem, se tornou um problema. E na ânsia de se ver livre do “problema Alemanha” o mais rápido possível, o Brasil não teve calma e inteligência para fazer o único jogo que lhe daria a vitória: um jogo de espera, que seria decidido, aí sim, pela individualidade do jogador brasileiro.

4 – Falta de espírito de equipe

Meu cunhado acaba de me ligar dos Estados Unidos e disse que os brasileiros que assistiram ao jogo lá, disseram que em um nenhum momento esse Brasil jogou como uma equipe. Concordo. Os objetivos pessoais sobrepujaram os coletivos, como já havia acontecido em outras seleções brasileiras fracassadas.

A supervalorização de Neymar foi ruim para a equipe, assim como a vontade de jogadores como Oscar e Hulk de aparecerem mais do que o ex-santista. Lembro-me de que Zito dizia que no Santos não havia inveja de Pelé e que todos compreendiam e aceitavam que o Rei fosse o astro da companhia. Faltou isso nesse Brasil.

As entrevistas lacrimejantes de Júlio César, expondo seus dramas e objetivos pessoais, não ajudaram a fortalecer o sentido de grupo ou ao menos passar uma imagem de tranqüilidade e confiança. Ele repetiu que sua história ainda não estava terminada e, infelizmente, não estava mesmo. Nesta semifinal ele se tornou o goleiro brasileiro que mais sofreu gols em uma Copa do Mundo: 11 (em 1938 o Brasil também sofreu 11 gols, mas foram divididos entre os goleiros Batatais e Valter).

Enquanto isso, o alemão Klose, que com o seu gol se tornou o maior artilheiro em Copas, com 16, nem falou sobre isso em sua entrevista, preferindo ressaltar a unidade do seu time. Por aí se vê a diferença de enfoque: aqui endeusamos pessoas, lá eles valorizam o trabalho de equipe.

5 – Uso político

Fala-se tanto do pernicioso uso do futebol pelos políticos, hábito que tantas vezes impediu o Brasil de ser campeão do mundo – principalmente em 1950, na primeira Copa disputada no País –, mas parece que a lição não foi aprendida. Desta vez a situação foi ainda mais grave, pois o desvio de verba pública para estádios inúteis, reluzentes elefantes brancos, revelou-se escandalosa.

O que fazer agora com as arenas de Brasília, Natal, Pantanal e Manaus? Não há mais como convertê-las em hospitais, escolas, casas populares e outras prioridades que um governo realmente preocupado com seu povo deveria ter. O jeito é engolir o prejuízo e virar o rosto de lado para não ver a gradual deterioração destes templos do populismo autoritário.

6 – Ufanismo da mídia

Só houve tanto descaso com a verba pública porque não houve a necessária reação da mídia. Talvez as milionárias verbas de empresas estatais destinadas aos veículos de comunicação tenham arrefecido a imprescindível veia crítica que se espera dos jornalistas, talvez um chá da tarde com a presidente Dilma Roussef tenha influído também, ou até mesmo o papinho com Felipão, mas o certo é que a partir de determinado momento a imprensa vestiu os óculos cor-de-rosa e passou a chamar a Copa de a “a melhor de todos os tempos” e a difundir a falsa idéia de que chegar ao hexa era algo natural.

Aliás, se você teclar “hexa” no Google agora, constatará que o termo aparece 140 milhões de vezes, quase sempre em referência ao título que o Brasil deveria ganhar. Nenhuma voz se ergueu para alertar sobre o provável fracasso. Ninguém queria ser olhado como do contra, ou pé frio, e assim a crônica esportiva mais pareceu um grande departamento de assessoria de imprensa da CBF que em dias normais ela tanto critica.

Engraçado que exatamente isso ocorreu em 1950, quando a primeira Copa foi disputada no Brasil. Muito já se criticou e até se ironizou o otimismo exagerado de nossos companheiros de imprensa há 64 anos, mas agora o mesmíssimo erro foi cometido, e sem as ressalvas de outrora. Em 1950 o Brasil tinha goleado a Espanha por 6 a 1, a Suécia por 7 a 1, e jogava pelo empate com o Uruguai. Era normal que todos já julgassem o time campeão.

Agora a Seleção penou diante de México, Chile e Colômbia, e mesmo assim a palavra “hexa” não saía das manchetes e das bocas dos repórteres e comentaristas. Enfim, a imprensa esportiva brasileira, contaminada pelo corporativismo praticado por um número excessivo de ex-jogadores, perdeu uma boa oportunidade de fazer um trabalho digno.

7 – Falta de planejamento e profissionalismo

Uma coisa está ligada à outra. Refiro-me ao planejamento global do futebol brasileiro, que começa na base, passa pelos clubes profissionais, pelas federações, confederação e, logicamente, desemboca na Seleção.

Há uma filosofia globalizada para o treinamento de infanto-juvenis? Há um trabalho nacional neste sentido, que envolve preparo técnico, físico e tático? Obviamente não. Enquanto isso, os europeus desenvolvem novos métodos, se aperfeiçoam.

Dá para esperar uma mudança substancial no futebol brasileiro com essa CBF? Com essa lei que escraviza o clube a empresários?

Não sei se foi a ausência das Eliminatórias, ou se isso se deve aos amistosos sem sentido, mas o certo é que nesta Copa o Brasil se mostrou menos preparado para o futebol moderno do que equipes como Costa Rica e Estados Unidos, por exemplo.

Quanto ao profissionalismo, ele precisa ser aprimorado não só no trato dos clubes com os jogadores, mas dos clubes com suas fontes de faturamento – publicidade e tevê, principalmente.

Mais uma vez devemos ressaltar a forma como a Bundesliga negocia os direitos de tevê dos clubes: de forma coletiva e levando em conta a meritocracia. Isso mantém a competitividade e dá aos clubes a motivação necessária para se tornarem cada vez mais eficientes.

Enquanto isso, no Brasil, os clubes mais populares, dirigidos com competência ou não, estão garantidos por uma sórdida reversa de mercado que, mais uma vez, obedece ao interesse político-populista.

A Alemanha mudou a estrutura de seu futebol antes de torná-lo o mais rico, competitivo e vitorioso do planeta. Isso não exige só milhões de reais de investimento em estádios. Exige planejamento, criatividade, competência e muiiito trabalho. Será que no futebol brasileiro há gente futebol disposta a pagar este preço, ou tudo continuará como antes desse vexame?

E pra você, por que o Brasil tomou esse chocolate da Alemanha?


E o Santos de Leandro Damião, quem diria, é a atração do Campeonato

Não se esqueça do presente de aniversário do Dorval. Conto com você!

Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe, quase uma rima poética
Dorval, o primeiro homem do ataque dos sonhos.

Dia 26 de fevereiro o grande Dorval fará 79 anos. Quem se sente grato a ele pelas alegrias que proporcionou e ainda nos proporciona a cada vez que revemos as façanhas daquele Santos, que deposite o que puder na sua conta bancária:

Dorval Rodrigues
Banco: Bradesco
Agência: 0093-0
Conta: 0091840-7
CPF: 130371068-40

Hoje Dorval vive sozinho e, posso garantir, o seu grande amor é o Santos Futebol Clube, que ele assiste sempre que pode. Jamais cobrou por uma entrevista e é, ao lado de Pepe e Lima, o veterano que mais prestigia os eventos ligados ao Santos. Sua generosidade merece ser compensada. Por isso, eu e o amigo Wesley Miranda, também pesquisador do Santos, criamos o Dia do Dorval em 26 de fevereiro e estamos divulgando o número de sua conta bancária para que todos possam engrossar o seu presente. Se puder, faça isso. Não irá se arrepender. Obrigado!

E o Santos de Leandro Damião, quem diria, é a atração do Campeonato

Veja os gols de Linense 1 x 2 Santos:
http://youtu.be/y0xDNXWFm5k

Em um bom jogo, corrido e disputado, o Santos venceu o Linense por 2 a 1, fora de casa. Leandro Damião fez uma estreia discreta. Marcou um gol que foi bem anulado e ao menos se mostrou interessado pelo jogo. Mas que não se espere muito dele. Sua característica é essa mesma. O garoto Stefano Yuri, que entrou no seu lugar, acabou fazendo o gol da vitória.

Se Cícero quiser participar um pouco mais do jogo, pode se consolidar como um dos melhores meias do Brasil. Ele tem sensibilidade e precisão no passe e no chute, coisas raras no futebol brasileiro atualmente. Seu passe para o primeiro gol foi espetacular. Thiago Ribeiro também mostrou serviço, assim como Geuvânio. Alan Santos está jogando como um veterano. Oswaldo de Oliveira é um técnico que enxerga e sente o jogo. E tem mais de dois neurônios também. O time engrena e empolga a cada partida. Estou gostando deste Santos.

Metade dos leitores deste blog que responderam à enquete aí do lado acham que o Santos não deveria ter contratado Leandro Damião pela fortuna de R$ 42 milhões. Mas já que o negócio foi feito, a opção mais inteligente é apoiar o rapaz na sua luta para chegar à Copa do Mundo – caminho que se iniciou no confronto com o Linense, em Lins. Até porque seu sucesso significará também o sucesso deste surpreendente Santos, que tem sido a maior atração deste Campeonato Paulista, ao lado do renascido Palmeiras de Valdívia.

Baseado na fórmula atávica que une juventude e fome de gol, o Alvinegro Praiano tem despertado a atenção dos que apreciam o futebol ofensivo e bem jogado. Pois é, e depois ainda tem papagaio de pirata que diz que esse negócio de DNA ofensivo é bobagem. Bobagem é negar os dons, as qualidades ancestrais que fazem do Santos um time especial e muito carismático.

Quanto a Damião, tenho gostado de sua postura fora de campo. Só tem tido palavras elogiosas ao Santos e vestiu o manto sagrado no programa Bem, Amigos. Seria muito bom que mostrasse qualidades que o levem para o time de Luiz Felipe Scolari. Não há um titular absoluto para a posição e esses últimos meses serão decisivos para definir o time que tentará buscar a sexta Copa para o Brasil. Já que agora é santista, torço ainda mais por ele.

Greve para quem?

A grave é um direito do trabalhador e foi essencial para tornar suportáveis as precárias condições dos primeiros operários da era industrial. Não havia limite de horas trabalhadas, nem folgas, nem segurança, nem higiene. As pessoas eram tratadas como escravas. Este não é o caso, entretanto, dos jogadores de futebol que querem paralisar o Campeonato Paulista neste fim de semana.

Tratados como bibelôs, os jogadores dos times grandes de São Paulo ganham salários invejáveis, recebem toda a assistência, são badalados pela mídia e em troca nem precisam demonstrar cultura ou ética. Deveriam ao menos se manter em rigorosa forma física e técnica, mas nem isso muitos fazem.

Recentemente, ao ser questionado sobre o caso do STJD contra a Portuguesa, um diretor do Corinthians saiu com a resposta: “Cada um com seus problemas”. Pois bem. Não seria o caso, agora, do alvinegro de Itaquera resolver primeiro suas questões internas, antes de propor uma ação que afetará todos os clubes?

Que o jogador de futebol deve ter tranquilidade para trabalhar, não resta dúvida. Ser ameaçado fisicamente sempre que perde algumas partidas, positivamente não dá. Se a paralisação do Campeonato contribuirá decisivamente para acabar com esse clima de terror, ótimo.

Estou escrevendo ao lado de Mauro Beting, que daqui a pouco vai almoçar com Paulo André. Ele me diz que a intenção é boa. Vejamos. No Beting eu confio. Se é para o bem do futebol, que se paralise. Mas ainda continuo achando que só estão fazendo tanto estardalhaço porque o time envolvido é o queridinho da mídia. Se fosse o Santos, o árbitro decretaria: Segue o jogo.

E pra você, Damião vai vingar? E essa greve, tem algum sentido?


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