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Tag: Luiz Gonzaga Belluzzo

Como a visão do Peres uniu os quatro grandes de São Paulo

Madrugada de sábado. 03h25. Logo mais estaremos escolhendo o presidente do Santos pelos próximos três anos. Que seja uma festa cívica, uma festa da democracia, que os santistas deem o esperado exemplo de educação e espírito esportivo. Que ninguém provoque, que ninguém aceite provocações, e que logo mais possamos comemorar mais essa proeza santista: o fato de termos uma eleição com cinco candidatos totalmente organizada, limpa e justa. Desde já, parabéns a todos, vencidos e vencedores. Votarei no José Carlos Peres, evidentemente, mas respeito aos demais e desejo sucesso ao futuro presidente, qualquer que seja ele. Este blog, de santistas apaixonados e de boas ideias, continuará exercendo a sua crítica e o seu incentivo ao Santos Futebol Clube.

Minha coluna desta sexta-feira no jornal Metro de Santos não cita nomes de candidatos. Apenas fala das qualidades que o novo presidente do Santos deve ter. Clique aqui para lê-la.

g4 paulista - peres
Peres transformou uma boa ideia no G4 Paulista, empresa que reúne os grandes de São Paulo.

Tento ser um homem de ideias, pois acredito nelas. O que é a evolução da humanidade, a não ser boas ideias que encontraram pessoas com capacidade e disposição para realiza-las? Também por isso abomino os ditadores. Um homem sozinho não pode ter todas as boas ideias, muito menos concretiza-las. Voltando ao nosso Santos, confio em quem sabe ouvir e extrair o melhor de cada um, por isso confio e quero que José Carlos Peres seja eleito presidente do clube, neste sábado.

Percebi no Peres, desde que ele era gerente da subsede do Santos na Capital, o dom de selecionar as melhores sugestões dos muitos santistas com quem conversava diariamente, e leva-las para a direção do clube. Eu era um desses que enchia a sua cabeça com mil projetos.

Lembro-me que, ainda na faculdade, diante de colegas mais versáteis, não me considerava uma pessoa criativa. Porém, com o tempo, e com o trabalho persistente na área de comunicação, descobri que criatividade também é algo que se desenvolve. Conhecimento, ousadia e tentativa e erro podem transformar ideias em realizações. Depois do primeiro sucesso vem a confiança e a partir daí o processo se repete mais freqüentemente.

No primeiro semestre de 2009, quando, a convite do Peres, eu iniciava, ao seu lado, o trabalho de pesquisa e redação do Dossiê pela Unificação dos Títulos Brasileiros, visitava regularmente a subsede do Santos e aproveitava para atormentar o paciente Peres com ideias e sugestões. Lembro-me que uma tarde, como que tomado por uma verdade universal, exclamei:

– Peres, você é um diplomata, um embaixador do Santos aqui na Capital. Você tem de se reunir com os presidentes dos outros grandes, almoçar com eles, trocar ideias. Imagine juntar a força dos quatro grandes de São Paulo…

Peres só me olhou. Mas me olhou diferente. Percebi que concordava e que aquelas palavras tinham despertado algum desígnio nele. Nos dias seguintes voltei ao trabalho de entrevistar pessoas, pesquisar em arquivos de jornal e bibliotecas em busca de depoimentos e documentos que provassem que a Taça Brasil e o Torneio Roberto Gomes Pedrosa davam aos seus vencedores o título de campeão brasileiro. Na noite de 28 de maio de 2009 toca o telefone. É o Peres:

– Odir, pode descer comigo amanhã para Santos? Vamos fazer o almoço com os quatro presidentes…

Caramba, o danado do Peres, quietinho, tinha convencido os presidentes dos quatro grandes de São Paulo para um almoço no CT Rei Pelé! Aquilo parecia incrível naquele momento, pois só se falava em uma briga entre Juvenal Juvêncio e Andrés Sanchez. Promover a conciliação entre os dois já seria um trunfo para o Santos, presidido na época por Marcelo Teixeira.

É claro que aceitei o convite, entusiasmado. Era assim que eu via e vejo o Peres: alguém capaz de unir pessoas, interesses, congregar os clubes, unir as forças do futebol brasileiro, sem esquecer de manter o Santos em uma posição de destaque. Na manhã do dia 29 de maio, lá pelas 11 horas, estávamos descendo a serra, felizes, no seu carro, quando toca o seu celular.

Era o presidente Marcelo Teixeira. Pedia para o Peres ligar para Juvenal Juvêncio e Andres Sanchez e cancelar o almoço, pois o presidente Luiz Gonzaga Belluzzo tinha ligado dizendo que não havia conseguido adiar um encontro com o ex-ministro Delfim Neto. Peres desligou o telefone, fiquei sabendo da história e me inflamei, dizendo que aquilo era uma loucura. Juvenal e Sanchez já deviam estar na estrada. Cancelar o almoço seria terrível, pois talvez não aceitassem mais um novo convite.

Compreensivo e generoso, Peres aceitou imediatamente meus argumentos e ligou de novo para Marcelo Teixeira, colocando-me na linha. Expliquei ao presidente que àquele momento o mais importante seria a reconciliação entre Juvenal e Andrés, e que ele, Marcelo Teixeira, seria olhado como o reconciliador. Era uma pena a ausência de Belluzzo, mas o almoço continuaria sendo importante, mesmo sem o presidente do Palmeiras. Teixeira ouviu os meus arroubos, educadamente, e concordou, mas pediu que o Peres ligasse e tentasse convencer Belluzzo a ir a Santos.

Peres ligou para Belluzzo e começou assim: “Professor, o senhor não pode faltar, o senhor é a pessoa mais importante desse almoço”. Não sei o que mais disseram, só sei que ao desligar o celular, Peres garantiu, com um sorriso, que o presidente do Palmeiras também iria.

O primeiro encontro seria na sala da presidência do Santos, de onde, após as considerações iniciais, os convidados conheceriam as dependências da Vila Belmiro – camarotes, sala de entrevistas… – e depois seguiriam para o CT Rei Pelé, onde também fariam uma visita de reconhecimento e, por fim, seriam encaminhados ao restaurante.

Chegamos diante da entrada principal da Vila e nos deparamos com a imprensa, funcionários do Santos e o presidente do Conselho do clube, senhor José da Costa Teixeira, o “Teixeirão”. Respirava-se um ar de incredulidade. Poucos pareciam acreditar que os três presidentes da capital realmente viriam. Teixeirão chegou a me dizer que estávamos “loucos”, pois mesmo que viessem, seria terrível para o Santos, pois “o Juvenal Juvêncio é uma raposa e vai nos engolir”.

Bem, como se sabe, os três vieram. Peres foi recebe-los, um a um, certamente para a inveja de muitos que apostavam no fracasso do evento. Eu trazia um texto pronto que descrevia as grandes vantagens que os quatro clubes teriam caso fossem aliados fora do campo. O texto falava de um hipotético super time que, na verdade, era a soma dos quatro grandes; citava o exemplo da Guerra do Paraguai versus o Mercosul, no qual ficava evidente que construir junto é bem melhor do que destruir, e concluía com alguns benefícios que os clubes teriam com a criação de uma empresa que os congregasse.

O almoço no CT Rei Pelé gerou novas reuniões no São Paulo, Corinthians, Palmeiras, até que em 17 de julho, dia do aniversário do Peres, que também foi escolhido como o coordenador geral da nova empresa, se fundou o G4 Paulista, que no início de 2010, quando Peres e eu já tínhamos sido desligados do Santos pela administração de Luis Álvaro Ribeiro, contribuiu com 2,5 milhões de reais para os combalidos cofres do Santos Futebol Clube.

Esta história, contada em detalhes, mostra a capacidade de José Carlos Peres de aprimorar e levar adiante uma boa ideia – algo que repetiu, em maior escala, no trabalho que obteve a Unificação dos Títulos Brasileiros. Foram precisos meses de trabalho, contatos e paciência para conciliar as vaidades, o poder e as agendas de seis presidentes de grandes clubes brasileiros, do presidente da CBF e de João Havelange para obter, finalmente, a tão sonhada Unificação dos Títulos que hoje torna o nosso Santos Octacampeão Brasileiro!

O comportamento e o caráter de José Carlos Peres exprimem o líder moderno, que comanda pelo exemplo, que sabe delegar poderes, mas assume o seu papel no momento mais importante. Alguém com esse perfil e, repito, esse caráter, é que deve presidir o Santos.

A seguir, os textos entregues por mim e Peres aos presidentes Marcelo Teixeira, Andrés Sanchez, Juvenal Juvêncio e Luiz Gonzaga Belluzzo no almoço de 29 e maio de 2009, no CT Rei Pelé. Nota-se que o nome pensado originalmente para a empresa era G4 S/A:

O melhor time do mundo

Ele é de São Paulo. Tem mais títulos, torcida, história, carisma e potencial de mercado do que qualquer outro do planeta.

Ele é, oficialmente, seis vezes campeão do mundo (além uma Taça Rio e uma Recopa Mundial), seis vezes campeão da Taça Libertadores da América (além de duas Conmebol, uma Mercosul, uma Supercopa da Libertadores e uma Recopa Sul-americana), 26 vezes campeão brasileiro (sem contar três Copas do Brasil e uma Copa dos Campeões), 16 vezes campeão do Torneio Rio-São Paulo e ainda possui 84 títulos estaduais (fora um Supercampeonato Paulista).

Sua torcida, desde o início desta década, é a maior do Brasil. Pelas últimas pesquisas do Instituto Datafolha, representa 30% de todos os torcedores do País. Ele tem 365 anos de vida e é por sua causa que o Brasil é considerado o melhor do mundo no futebol, pois forneceu a maioria dos jogadores que conquistaram as Copas de 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002. Boa parte dos maiores craques que o mundo já conheceu vestiram sua camisa, entre eles o Rei do Futebol.

Este time é garantia de ótima visibilidade para os patrocinadores. Pelo Campeonato Paulista deste ano, sua média foi de 24,37 pontos por partida, o que o torna uma das maiores audiências da tevê brasileira, com índices semelhantes aos das novelas da TV Globo. É também o que ocupa o maior espaço na mídia impressa (em parte isso se explica por estar encravado no Estado que abrange os dois mercados mais ricos do País: o da Capital e o do Interior de São Paulo).

Este Supertime, que tem as cores Branca, Preta, Verde e Vermelha, na verdade não é apenas um, mas a soma de quatro clubes que, depois de passarem todo o tempo brigando entre si, agora descobriram que, unidos, poderão conseguir muito mais e crescer juntos. Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo desde 17 de junho estão unidos no G4 S/A, uma empresa que pode mudar a história do futebol brasileiro.

O exemplo da Guerra do Paraguai

Durante mais de cinco anos – de dezembro de 19864 a março de 1870 – quatro países da América do Sul elevaram suas rivalidades ao extremo na Guerra do Paraguai, em que Brasil, Argentina e Uruguai, mesmo desconfiados entre si, lutaram contra o Paraguai do ditador Solano López. No final, ninguém ganhou, ao contrário, todos os quatro tiveram enormes prejuízos.
O Paraguai perdeu quase a metade de sua população, partes de seu território, teve sua economia arrasada e o país ocupado por tropas estrangeiras por dez anos. O Brasil ficou com uma grande dívida externa e teve 50 mil mortos; a Argentina perdeu metade de suas tropas, assim como o Uruguai. Todos saíram empobrecidos e isso retardou enormemente o desenvolvimento da região.
Setenta e um anos depois, em Assunção, os mesmos quatro beligerantes assinaram o tratado que deu origem ao Mercosul, comprometendo-se a colaborar para o desenvolvimento econômico e social comum. A partir daí a região gozou de estabilidade política e econômica jamais vista. A história, enfim, havia lhes ensinado a paz, no mínimo, é o melhor negócio.

O que cada um ganha com o G4 S/A

Os quatro grandes paulistas ganham as mesmas coisas, que são:

– Troca de informações nas áreas administrativa, jurídica, de marketing e comunicação.
– Fiscalização contra a pirataria de produtos.
– Apoio para melhores acordos com a TV.
– Apoio político.
– Valorização dos clássicos paulistas.
– Possibilidade de negociação de jogadores sem intermediários.
– Elaboração de um teto salarial para jogadores e comissão técnica.

E então, que tal escolher um presidente que sabe transformar boas ideias em realidade?


Clubes precisam criar tetos salariais para jogadores e técnicos

Depois da derrota para o Bahia, Paulo Henrique Ganso reclamou que seu salário, segundo ele de 120 mil reais por mês, é um dos mais baixos do Santos. Levemos este valor para a vida real e constataremos que raríssimos presidentes de grandes empresas ganham uma bolada dessas. E presidentes têm metas a cumprir e são demitidos se fracassam, enquanto o perdulário Alvinegro Praiano paga tanto e, pelo quinto ano consecutivo, vem fazendo uma campanha medíocre no Campeonato Brasileiro.

Segundo a Catho, agência de empregos com larga vivência no mercado brasileiro, a média salarial de um presidente de empresa chegou a R$ 53.867,02 no ano passado. Digamos que hoje a média seja R$ 60.000, metade exata do “pequeno salário” que deixa Ganso descontente.

Se ele realmente ganha menos do que companheiros que mal sabem dar um passe de três metros, então talvez tenha motivos para reclamar. Então, qual seria a atitude correta do clube? Pagar muito bem para todos os jogadores e mantê-los todos saltitantes de alegria? Teoricamente sim, mas um clube brasileiro tem dinheiro suficiente para isso? O mercado nacional de futebol permite manter folhas salariais astronômicas? Claro que não.

O ideal não só para o Santos, mas para qualquer clube grande do Brasil, é que um salário como o de Ganso fosse o mais alto e não o mais baixo do elenco. O clube que extrapolar – como aconteceu com o Palmeiras na gestão do economista Luiz Gonzaga Belluzzo – pagará caro por isso.

A gestão de Luis Álvaro começou bem, instituindo um teto salarial de R$ 160 mil. Justamente nessa época, primeiro semestre de 2010, o time viveu sua melhor fase nos últimos anos. Depois, porém, o clube caiu na vala comum dos que imaginam que grandes salários garantes grandes times. O que se viu no começo de 2012, com as dispensas de Elano, Borges e Ibson e a falta de dinheiro para contratar bons jogadores, se deve às dificuldades que a gastança de 2011 gerou.

Salários de técnicos são uma indecência!

O que não dá para entender, mesmo, são os salários dos técnicos de futebol no Brasil. Oitocentos, setecentos, seiscentos, quinhentos mil reais por mês… Nenhum técnico merece ganhar isso. Há muita coisa errada nesses rendimentos absurdos. Em primeiro lugar, trata-se de um mercado em que há mais oferta do que procura. O que tem de técnico desempregado não é brincadeira. E se tem mais gente procurando emprego do que vagas, esses salários tão altos não se justificam.

Uma explicação é de que a cada eleição os clubes podem ser dirigidos por pessoas sem experiência no futebol, que acham mais cômodo passar essa responsabilidade para um técnico calejado, que já tem a sua equipe de trabalho. Estes, por fazerem mais do que deveriam, também exigem ganhar mais. É evidente que a incompetência dos departamentos de futebol é que gera esses super poderes do treinador brasileiro.

Porém, como não são valorizados na Europa e como ganhariam menos em outros países da América do Sul e da África, a única opção que os técnicos brasileiros “de ponta” teriam para receber o que ganham por aqui seria trabalhar em países árabes enriquecidos pelo petróleo. Porém, ir para tão longe, atuar em um futebol insípido e quase amador, fatalmente os jogaria no ostracismo.

Assim, se os clubes se unissem e estipulassem um teto salarial para os técnicos e as comissões técnicas no Brasil, não seria complicado colocar essa determinação em prática. A maior dificuldade é a falta de uma Liga Nacional de Clubes, agora que a TV Globo desintegrou o Clube dos Treze.

A solução é limitar salários e orçamentos

Associações desportivas em países desenvolvidos já descobriram há décadas que a limitação de orçamentos não só mantém a competitividade, como conservam o mercado saudável. Assim é na NBA, que comanda o basquete norte-americano, ou na Fórmula 1, liderada pelo maquiavélico, mas genial, Bernie Ecclestone.

É claro que um esforço extra pode ser feito para se manter as estrelas, os fora de série, aqueles que atraem público e mídia, pois nesses casos o conceito de despesa é suplantado pelo de investimento. Neymar é um exemplo óbvio.

O presidente santista tem dito que o clube só gasta o que arrecada. Isso parece ótimo. Mas se o clube ganhou cinco títulos em dois anos e meio e gastou tudo o que arrecadou no período, então repetiu a mesma performance dos tempos áureos do presidente Athié Jorge Cury, no qual o Alvinegro Praiano manteve por décadas a maior receita de um time de futebol no planeta e terminou por nem ao menos construir um estádio à altura de sua grandeza.

O ideal, neste momento, seria o Santos gastar menos do que arrecada e manter, como qualquer condomínio residencial que se preza, o chamado “fundo de reserva”. Isso ao menos evitaria que o próximo presidente diga que pegou uma “terra arrasada”. Para isso, é preciso limitar os salários de jogadores e técnicos, que têm sido o calcanhar de Aquiles dos clubes brasileiros.

E você, acha que os clubes brasileiros podem pagar tanto?


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