guarulhos - com a cupula do Nasci Santista Eu com os líderes do movimento “Nasci Santista”, de Guarulhos. Marcelo está à minha esquerda e Ivan, idealizador do grupo, veste a camisa azul.

Dizem que o novo gerente de marketing do Santos, Eduardo Rezende, está convencido de que o Santos é maior do que a Vila Belmiro. Bem, se ele conseguir lançar uma campanha de associados e trazer alguns jogos para o Pacaembu, já terá feito alguma coisa. Como se sabe, os dois gerentes anteriores, Alex Fernandes e Paulo César Verardi, entraram e, quase sem nenhum apoio, saíram sem ter feito nada. E o Santos, como testemunhei mais uma vez no sábado, em Guarulhos, é um agremiação nacional e não pode ser tratado como time de bairro.

Fui ao encontro, na Associação dos Servidores Municipais de Guarulhos, de um grupo de torcedores do Santos batizado “Nasci Santista”. A ideia foi do guarda municipal Ivan, logo apoiado pelo advogado Marcelo Santos Cruz, pelo Alex, e por outros santistas de Guarulhos que, em menos de um mês, já chegaram a mais de 100 inscritos, e seguem crescendo.

Com um milhão e 300 mil habitantes, Guarulhos é a cidade mais populosa do Brasil dentre as que não são capitais, detém o segundo maior PIB do Estado e o oitavo maior do Brasil. E está repleta de santistas.

“Tive a ideia de fazer alguma coisa quando o Santos entrou na zona de rebaixamento”, diz Ivan. “Começamos com sete pessoas, pelo whatsapp, e chegamos a cem rapidinho”.

Marcelo completa:

“Não queremos cobrar mensalidade. Só vamos exigir que os filiados sejam sócios do Santos. Queremos participar da vida do clube”.

Mesmo próxima da Zona Leste de São Paulo, a cidade de Guarulhos, assim como Osasco e outras da Grande São Paulo, é um reduto de santistas. Mas fica difícil acompanhar o time se ele jogar só na Vila Belmiro:

“Recentemente fui ver um jogo lá e gastei 200 reais. Ficaria bem mais acessível para nós se o Santos jogasse também no Pacaembu”, diz Marcelo.

Assim como esses bravos santistas de Guarulhos, centenas de outros grupos de torcedores do Santos se espalham por cidades brasileiras, à espera de uma oportunidade para contribuir para o crescimento do clube e afastar de vez a possibilidade de viver vexames dentro e fora do campo.

guarulhos - com a turmaContei algumas histórias do Clássico Alvinegro e depois molhamos o bico.

E você, onde nasceu santista?

O domingo em que o Santos foi campeão diante do rival, no Pacaembu, com pênalti contra e dois jogadores a menos


Foi um 0 a 0, mas como eu vibrei com esse jogo!

O jogo de domingo me lembrou outro Clássico Alvinegro que me marcou. Em 27 de março de 1966, um domingo, 43.603 pessoas lotaram o Pacaembu para ver Santos, sem Pelé, e Corinthians, com o time completo, incluindo Rivelino e Garrincha, jogarem pela última rodada do Torneio Rio – São Paulo. O árbitro era Ethel Rodrigues, que aos 30 minutos expulsou Coutinho, e diante da reclamação dos santistas, expulsou também Mengálvio. Aos 44 minutos, o juizão marcou pênalti contra o Santos.

Veja que situação, amigo e amiga santistas: o Santos tinha um pênalti contra e dois jogadores a menos. Caso sofresse o gol, inevitavelmente perderia a partida e a chance de brigar pelo título do torneio. Pois veja como são as coisas: Laércio defendeu o pênalti cobrado por Flávio, o Santos se segurou o segundo tempo todo e no finalzinho da partida quase que Toninho Guerreiro, em jogada individual, dá a vitória ao Glorioso Alvinegro Praiano. De qualquer forma, o empate, em 0 a 0, acabou tornando quatro times campeões do Torneio Rio-São Paulo de 1966, entre eles o nosso heróico Santos, que não perdeu do rival mesmo com pênalti contra, dois jogadores a menos, sem Pelé e diante de mais de 40 mil torcedores do adversário.

E você, onde nasceu santista?